QUEM SOMOS NÓS

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Somos uma organização marxista revolucionária. Procuramos intervir nas lutas de classes com um programa anticapitalista, com o objetivo de criar o Partido Revolucionário dos Trabalhadores, a seção brasileira de uma nova Internacional Revolucionária. Só com um partido revolucionário, composto em sua maioria por mulheres e negros, é possível lutar pelo governo direto dos trabalhadores, como forma de abrir caminho até o socialismo.

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Cinco mil pessoas no ato contra Cabral e Paes: vitória da frente antifascista!


No Rio de Janeiro, depois da plenária de terça, os partidos e movimentos sociais garantiram o ato mais à esquerda do dia no país. O conteúdo das reivindicações foi claramente progressivo, atacando a prioridade dada pelos governos (federal, estadual e municipal) à Copa, ao mesmo tempo em que sucateam a saúde e a educação. Foi defendida a estatização do sistema de transportes, assim como a tarifa zero e contra os subsídios para a FETRANSPOR.

Quase não havia bandeiras verdeamarelas e o hino nacional dos senhores de escravos não foi cantado em nenhum momento. Quase não existiam setores organizados de extrema-direita, o que mostra que eles são insignificantes, e só conseguem ter alguma influência se apoiando na campanha reacionária da mídia. Não por acaso, a Globo foi hostilizada com a palavra de ordem "a verdade é dura, a Rede Globo apoiou a ditadura".

Mesmo assim, a maioria das grandes organizações teve uma política recuada, e a ida até a ALERJ e o conteúdo claramente socialista do ato foi dado pela base e pelos pequenos grupos, como o MEPR, os anarquistas e nós. O PSOL e o PCR ficaram com #medinho e não levaram as próprias bandeiras, mesmo num ato assim. O PSTU nem mesmo foi até a ALERJ, tendo ficado na Cinelândia, mesmo com toda a massa do ato indo.

Não havia correlação de forças pra partir pro enfrentamento, ainda mais porque a polícia cercou o ato por todos os lados, com centenas de policiais. Até mesmo houve a presença hipócrita de mulheres policiais distribuindo panfletos pela "paz" e contra o "vandalismo", o que mostra não só o machismo da polícia (reforçando o estereótipo da mulher "delicada") como também o fato de que as passeatas ganharam o amplo apoio da população, o que obriga a própria PM a recuar e tentar usar de outros meios além da violência.

Temos que massificar as manifestações de esquerda, mantendo a frente antifascista, que é o instrumento dos trabalhadores para disputar politicamente a conjuntura nacional com os atos da direita. Participe da Plenária contra o Aumento e da Juventude em Luta!

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terça-feira, 25 de junho de 2013

Ato na quinta-feira, às 17 na Candelária! Com partidos, com bandeiras, sem fascistas e sem hino nacional!


Na maior reunião desde a sua fundação, as quase três mil pessoas presentes na Plenária do Fórum contra o Aumento  aprovaram um calendário de lutas. Além da luta permanente pela redução das tarifas dos transportes e por um sistema de transporte público, gratuito e controlado pela população, o fórum também é contra a terceirização na educação e na saúde, contra as privatizações do Complexo do Maracanã e contra as remoções

Na quinta-feira, dia 27/06, foi marcada manifestação, com concentração às 17h na Candelária, para retomar a luta. 

No domingo, dia 30/06, vão acontecer dois atos, junto com o Comitê Popular da Copa, o primeiro às 9h, com concentração na Praça Saens Peña, e o segundo às 16h, no Maracanã.

Tudo indica que a Globo e a ala dirigente da direita brasileira não quis usar a mobilização reacionária da semana passada para tentar dar um
golpe contra o governo do PT. Em vez disso, eles procuram arrancar concessões, como na reunião da segunda passada da presidente Dilma com os governadores e prefeitos das capitais e, agora, na proposta de reforma política.

Nós ainda vamos fazer uma autocrítica sistemática da nossa caracterização de iminência de golpe, mas o que interessa para as manifestações do calendário é que a Globo não está mais agitando pela televisão para as pessoas comparecerem com bandeiras vazias ou reacionárias("contra a corrupção", "Joaquim Barbosa Presidente"), num clima nacionalista e antipartidos.

Por isso, o mais provável é que os atos retomem o seu perfil de esquerda, de luta direta contra os empresários. Mesmo assim, devemos estar preparados para a autodefesa contra qualquer grupo fascista que possa aparecer.

Infelizmente, os companheiros do PSTU, mais uma vez expressando o legalismo do partido, se limitaram a defender uma moção de repúdio contra os fascistas (!!!). Isso pode até deixar os fascistas #xatiados, mas é completamente insuficiente para nós. É preciso que se organize a segurança da manifestação!

Temos que rechaçar os setores de direita e ampliar as lutas dos movimentos sociais, como já aconteceu hoje no ato que expulsou o Caveirão da Maré (noticiado pelo Observatório de Favelas), e no ato do MPL na periferia de São Paulo. Então, chamamos tod@s a participarem das manifestações marcadas e a se somarem ao Fórum Contra o Aumento!

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sexta-feira, 21 de junho de 2013

A extrema-direita toma as manifestações e prepara o clima para o golpe


Ontem foi um dos momentos mais sombrios da história do Brasil. Só tem comparação com a Marcha da Família com Deus pela Liberdade, que preparou o golpe de 1964.

Na quinta-feira, dia 13/06, as manifestações no Rio e em São Paulo romperam com um longo período de refluxo nas lutas, causado pelo esvaziamento dos movimentos pelo PT e pela repressão brutal da preparação para os megaeventos. Dezenas de milhares de pessoas foram às ruas contra o aumento da passagem.

A imprensa, até quinta, chamava de vândalos e baderneiros todos os manifestantes, não pôde mais contornar a popularidade dos atos, e passou a fingir que defendia a luta. Mas sempre com cuidado de separar os "pacíficos" dos "baderneiros", para impedir a radicalização da luta.

Ao mesmo tempo, a Veja, o Globo e a Record começaram a tentar influenciar os movimentos, com o objetivo deles virarem porta-vozes das campanhas da direita tradicional, que sempre tem tentado voltar ao governo para melhor parasitar a máquina do Estado: pela redução da maioridade penal (= filho de pobre ser preso mais cedo), contra a corrupção (quem diz que é a favor?), e a mais importante de todas:  CONTRA OS PARTIDOS.

Assim, os partidos de esquerda, que iniciaram as lutas, começaram a ser atacados dentro dos atos. Estava preparado o caminho para transformar o movimento num novo Fora Collor, uma picaretagem totalmente controlada pela mídia.

Até a segunda-feira, as manifestações ainda tinham um conteúdo político claro, que estava se ampliando para a luta contra os desmandos dos governos estaduais e municipais, além da questão do transporte. O último suspiro foi no Rio de Janeiro, com a ocupação da ALERJ e o enfrentamento com a PM.

Mas a estratégia da mídia deu certo: já na terça-feira, em São Paulo, o PCR foi atacado publicamente, o que foi muito elogiado pela Globo. Em São Paulo, um dos estados mais de direita do país, a grande massa que nunca tinha ido num ato (o tamanho das passeatas triplicou de quinta pra terça) começou a repetir toda a propaganda golpista da mídia, chamando os militantes de partidos de mensaleiros e exigindo o impeachment de Dilma (= que Michel Temer assumisse).

Tudo isso com a bandeira verde amarela da Casa de Orleans e Bragança sendo assumida como símbolo dos atos, e o odioso Hino Nacional dos latifundiários e senhores de engenho. Como a grande maioria da direção do PT é de brasileiros, isso foi simplesmente uma versão reciclada da campanha anticomunista de que a esquerda é antinacional e está a serviço de estrangeiros (do ponto de vista da direita, Cuba, Venezuela etc).

Isso foi só o começo.

Depois que todos os governos recuaram e anunciaram a anulação do aumento (sempre pagando a diferença às empresas com dinheiro que iria pra saúde ou educação), os atos de quinta se transformaram em comemorações com centenas de milhares de pessoas, a maioria esmagadora pautada pela direita.

O MPL de São Paulo teve a atitude mais honesta entre todas as organizações, saindo do ato e rompendo com o movimento de extrema-direita que estava na rua. Nós vamos defender que o Fórum de Lutas contra o Aumento faça o mesmo.

Os cartazes que vimos foram um capítulo à parte, desde "Joaquim Barbosa para presidente", "contra a corrupção", "Dilma sapatão", "em defesa da vida e contra o aborto", até símbolos de todos os partidos, incluindo o PSTU, PSOL, PCB e PCO, riscados.

E quando a gente fala em maioria esmagadora, é no sentido literal. Porque a coluna vermelha, formada pelos partidos de esquerda e sindicatos justamente como forma de autodefesa contra a agressão de setores antipartido e fascistas, foi espancada, inclusive com o uso de bombas, pedras e pedaço de pau, ao som de "o meu partido é o Brasil".

Quase todos os nosso militantes foram agredidos fisicamente, inclusive uma jovem que levou um soco fora da manifestação simplesmente por estar usando uma camisa com a foto do Lênin. Tentamos defender as bandeiras do PCB e PSTU, mas a correlação de forças dava toda a vantagem para os provocadores.

Quando falamos em fascismo, não estamos usando nenhuma analogia: isso é exatamente o fenômeno que o Trotsky definiu como "contrarrevolução preventiva", que esmaga as organizações dos trabalhadores em nome da "nação". O que vimos ontem foi a maior manipulação fascista das massas que aconteceu na história desse país.

Depois disso, nós saímos do ato, pra garantir a nossa segurança. O carro de som da esquerda capitulou vergonhosamente, e os militantes abaixaram as bandeiras como preço para serem a suposta "ala esquerda" daquela manifestação. Isso depois de muitos militantes feridos e hospitalizados.

Depois dessa violência, começaram as provocações policiais. P2 infiltrados começaram a atacar escolas, pardais, latas de lixo, o que atraiu a repressão policial digna de guerra civil. Os manifestantes foram caçados durante mais de seis horas no Centro do Rio, sendo que muitos ficaram encurralados no IFCS (Instituto de Filosofia e Ciências Sociais) e na FND (Faculdade Nacional de Direito), ambos da UFRJ.

Quando alguém saía, era caçado nas ruas e preso. Os hospitalizados, a maioria no Souza Aguiar, tiveram que entrar no hospital debaixo de bomba. A violência deixou um número de feridos e presos que, até agora, não temos com certeza.

Mas é um erro grave dizer que se trata de uma repressão policial selvagem contra a manifestação. Além desse aspecto, existe uma coisa muito mais importante envolvida. Quem estava lá viu que a polícia não reagia contra a maioria das depredações contra escolas, lojas e outros alvos sem sentido. Podemos dizer que o trabalho da polícia era coordenado, dentro e fora do ato. A explicação é a seguinte: a direita está apostando em uma escalada de violência, que crie um clima em que a população peça o Exército na rua.

As manifestações, que estão degenerando em violência e saques, não têm mais um conteúdo político progressivo. A grande maioria das pessoas envolvidas entrou nessa semana, expulsou os setores de esquerda que começaram os atos. E está sendo simplesmente massa de manobra da direita e da extrema-direita.

Mas com um agravante: a Globo e a Veja não tem mais controle sobre o monstro que criaram. O que eles queriam era um movimento midiático contra o governo, no estilo dos caras-pintadas. Mas eles soltaram um setor do povo completamente despolitizado, que está canalizando a sua revolta através dos seus preconceitos mais profundos, sempre incitado pelos provocadores policiais. Ou seja, um verdadeiro movimento fascista.

Então, essa massa passou a servir perfeitamente não aos planos eleitorais da Globo e da Veja, mas sim a setores militares diretamente golpistas e abertamente anticomunistas. A manchete de O Globo de hoje, "Sem controle", é o primeiro passo para o golpe. O significado dela é começar a preparar o povo para aceitar um "governo forte" que possa "restabelecer a ordem" diante da violência generalizada. Esse é o próximo passo.

Ainda não temos como saber  qual forma irá tomar o golpe, que vai se voltar principalmente contra o PT, a CUT e o MST, destruindo qualquer espaço democrático e as poucas conquistas sociais ganhas pelo governo, mas que vai atingir todos os setores da esquerda. Não sabemos ser será um golpe militar, se aparecerá uma figura "carismática" "acima dos partidos" (Joaquim Barbosa?), se será através de novas eleições etc.

O que sabemos muito bem é que nesse momento é mais do que nunca a necessidade de todos os setores de esquerda se unam numa frente única antifascista, em defesa dos nossos sindicatos, movimentos e organizações, e contra o golpe da ultradireita que quer derrubar o governo do PT.

O discurso que Dilma acabou de fazer foi um balde de água fria, confirmando a capitulação do PT diante de toda a pressão da direita. Então, cabe a nós, na base dos movimentos sociais, inclusive a CUT e o PT, a tarefa de levantar a bandeira da resistência.

A nossa responsabilidade histórica nunca foi tão grande. Se repetirmos a omissão da esquerda diante do golpe de 1964, será aberto um longo período de retrocesso e barbárie para o nosso povo e para toda a América Latina.

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quarta-feira, 19 de junho de 2013

Ganhamos a primeira batalha! Agora temos que impedir a direita de tomar as manifestações!


Estamos nas ruas contra o aumento e pela tarifa zero, contra o Eduardo Paes e o Sérgio Cabral e a máfia que os sustentam!


A primeira vitória foi conquistada, com a revogação dos aumentos no Rio e em São Paulo, e redução das tarifas em várias cidades do país. Mesmo assim, temos que garantir que seja uma redução de verdade, e não subsídio do governo para as empresas de ônibus, cortando dinheiro da saúde e da educação.

Os atos de segunda-feira colocaram nas ruas uma multidão sem precedentes nas últimas décadas. A luta inicial, que era pela redução das passagens, foi englobada dentro de um clima de revolta geral com os rumos do país.

O discurso da Globo, da Record e da mídia em geral mudou completamente na última semana. Antes, diziam que era uma luta só por 20 centavos, que atrapalhava o trânsito e que era vandalismo. Agora, a imprensa dos empresários está “apoiando” as manifestações, pra melhor canalizar a luta para os seus objetivos conservadores.

Vamos ver cada tática deles:

Jogar os manifestantes pacíficos contra os radicalizados: a imprensa tem usado a violência indiscriminada de alguns provocadores para condenar qualquer tipo de ação radical, mesmo que ela seja ataque instituições inimigas do povo, como a ALERJ e a polícia. Ao mesmo tempo, a Globo “escolhe” pessoas com esse tipo de ponto de vista, e apresenta eles como os “líderes do movimento”, e apresenta na televisão falando em nome de todos.

Não podemos esquecer que a polícia tem infiltrado gente nas passeatas pra quebrar lojas, lixeiras, carros etc. Assim, eles querem jogar a população contra a gente. Temos que ter todo o cuidado com esses provocadores.


Atacar os partidos e movimentos de esquerda com a demagogia do apartidarismo: é básico da democracia o direito de todos a se organizarem e defenderem seu ponto de vista sobre o melhor rumo para o movimento. Foram as organizações de esquerda que começaram o movimento e que têm estado presentes em todas as lutas populares.

A tentativa de queimar bandeiras de partido, como aconteceu com o PSTU e o PCR, tem que ser impedida por todos os meios necessários. Muitas vezes, os ataques contra partidos de esquerda são feito por elementos de extrema-direita, como o fascista do MV Brasil que queimou a bandeira do PSTU no Rio.


Esvaziar o conteúdo dos atos, levantando várias palavras de ordem vazias e incentivando a demagogia nacionalista: depois de ficar anos e anos atacando o PT com discursos vazios “contra a corrupção” (fingindo que as privatizações não foram o maior escândalo de corrupção da história do país), a direita quer que o movimento assuma essa bandeira, pra dar uma falsa imagem de que essa é a vontade do povo.

O uso de símbolos nacionalistas serve pra o mesmo objetivo: o Hino Nacional (celebrando a falsa independência de 1822) e as bandeiras do Brasil passam a falsa ideia de que todos os brasileiros têm os mesmos interesses. Sendo que a desigualdade social que causou o movimento por si só já mostra que se trata de uma luta das classes populares contra os grandes empresários, que estão ganhando bilhões com os megaeventos.


TUDO O QUE A GLOBO, A VEJA E O PSDB QUEREM É DESVIAR A LUTA PARA UMA CAMPANHA PARA ELES VOLTAREM AO GOVERNO. Depois de perderem três eleições, eles querem se aproveitar das pessoas que começam agora a participar das mobilizações e que, na maioria das vezes, têm pouca experiência política.

Já existe um forte setor de direita nos atos, que tem atacado militantes de esquerda (de novo hoje, em Niterói), e que quer diluir os protestos nas saudades da ditadura e numa campanha velada contra o PT, os sindicatos e movimentos organizados.

Nós, do Coletivo Lênin, somos contra o governo do PT, mas porque ele favorece a mesma classe dominante que sempre massacrou o povo. Por isso, fazemos oposição classista ao governo, ou seja, oposição a partir dos interesses da classe trabalhadora. É exatamente o contrário do que as viúvas da ditadura e do governo FHC querem: eles querem voltar a roubar o patrimônio público, mas sem manter os mínimos programas sociais do PT.

Por isso, defendemos a formação de um Bloco Vermelho na manifestação, unindo todos os partidos e movimentos de esquerda. Não podemos deixar que a direita sequestre uma mobilização desse tamanho e desvie os verdadeiros objetivos.


- Tarifa Zero , financiada pelos lucros das grandes empresas!

- Estatização das empresas de ônibus!

- Contra as remoções! Retornada da Aldeia Maracanã!

- Contra a lei medieval da cura gay!

- Contra a privatização e a terceirização na educação e na saúde!

- Fim da PM racista!


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segunda-feira, 17 de junho de 2013

A polícia é derrotada na maior manifestação desde as Diretas Já!


Ainda não tivemos tempo de entender o tamanho da mobilização de hoje, então vamos fazer só alguns comentários mais importantes sobre o que a gente já sabe:

- Com mais de 100 mil pessoas no Rio, 80 mil em São Paulo, 10 mil em Brasília, e atos em mais de 60 cidades, esse foi o maior protesto desde as Diretas Já! E foram muito mais radicalizados, com a ocupação da Esplanada dos Ministérios e da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.

- No Rio de Janeiro, o choque teve que recuar várias vezes, dando ao ato características semi-insurreicionais. Apesar dos excessos, a grande maioria dos alvos da violência foi legítima, principalmente a ALERJ, uma das instituições mais odiadas do Estado. Temos que defender esse tipo de violência, diante dos setores pacifistas do movimento.

- Isso representa um ascenso histórico no país, em plena democracia parlamentar. Parece que, finalmente, o Brasil está se sincronizando com as lutas que estão acontecendo em todo o mundo, contra os efeitos da crise mundial.

- Uma comparação útil que pode ser feita é com o Egito em 2011. Por causa da fragmentação extrema provocada pela reestruturação do capitalismo da década de 1970, o movimento organizado dos trabalhadores não consegue direcionar ideologicamente, nem mesmo organizar a mobilização. Em vez disso, surgem formas de organização territorial, que têm uma capacidade de luta muito grande, mas não conseguem sustentar uma organização popular permanente.

- Por causa disso, a grande maioria das pessoas protestando vem para os atos com uma consciência política muito atrasada, sem conseguir formular objetivos para o movimento nem entender quais caminhos devem ser tomados. Uma expressão disso foi a queima da bandeira de partidos que sempre estiveram nos movimentos, como o PSTU. Outra foram as várias vezes em que foi cantado o Hino Nacional, dos latifundiários e senhores de escravos. Pior ainda, quando os bombeiros chegaram pra apagar o incêndio e foram aplaudidos. Isso expressa uma despolitização muito perigosa, e que pode ser manipulada pela direita.

- As correntes de esquerda devem tentar formular objetivos claros para o movimento, mas sem perder de vista que o processo de reconstrução do movimento dos trabalhadores depois da derrota que foi a destruição da URSS vai ser longo, e que não temos que esperar resultados imediatos.

- No momento, além da luta pela redução das passagens, o tamanho das manifestações coloca diretamente a necessidade de uma perspectiva política. Além da nossa propaganda permanente pela necessidade do partido revolucionário, temos que direcionar a revolta contra os aumentos e a repressão policial.

Ainda vamos discutir com os companheiros de São Paulo e das outras cidades mas, aqui no Rio de Janeiro, para nós esse movimento tem que ter uma perspectiva política clara, que já tem sido formulada pelos manifestantes, e que abriria a possibilidade de questionar toda a situação causada pela preparação dos megaeventos: Fora Cabral!

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domingo, 16 de junho de 2013

Recomendações de segurança em atos


Amanhã pode acontecer a manifestação mais importante das últimas décadas em várias cidades do Brasil. E a polícia tem feito todo tipo de provocação e tem usado violência para dispersar o movimento em várias manifestações. Por isso, baseado na nossa experiência antes e depois da formação do CL, damos as seguintes recomendações para a segurança dos manifestantes.

Algumas delas são polêmicas, e muitas pessoas podem discordar. Mas isso é positivo, porque o nosso objetivo é justamente aumentar a discussão sobre o assunto, ainda mais na nova geração que está começando a militância. Se você não concorda com alguma medida aqui, sinta-se à vontade pra falar nos comentários, e proponha outras alternativas!


1. Não vá "fantasiado" de manifestante!

Se houver repressão, roupas chamativas e/ou com imagens de conteúdo político vão tornar você um alvo fácil. Ou você vai com uma roupa que um transeunte comum usaria, ou você vai com duas camisas, e tira a que estava usando se acontecer alguma coisa.


2. Forme pequenos grupos

NUNCA fique sozinh@! Forme grupos de cinco ou seis pessoas amigas, do mesmo movimento etc (pequenos o suficiente pra não se dispersarem, e grandes o suficiente pra ajudarem alguém se tiver problema), e SEMPRE ANDEM JUNTOS. Em nenhuma hipótese se dispersem na correria, porque isso facilita as prisões.


3. Evite o corre-corre

Quando começa algum problema, geralmente as pessoas entram em pânico, e começam a correr sem rumo. Isso facilita prisões, e representa perigo de pisoteamentos. Se as pessoas começarem a correr, tente CONTROLAR A RESPIRAÇÃO, e olhar para o foco do problema (se a distância for segura) e TENTE SE MANTER NO MESMO LUGAR.  Só corra se a polícia estiver correndo na sua direção.


4. Se você fizer alguma ação radicalizada, abandone o flagrante!

Se você participar de alguma ação radicalizada (SEMPRE definida antes do ato e com o conhecimento do comando do ato), jogue fora os materiais usados (vamos aqui dar o exemplo de jet e estêncil, mas podem ser outras coisas) logo depois do uso. NUNCA volte com esses materiais na mochila porque, se você for revistado, você vai se fuder. É melhor perder dinheiro e ter que comprar tudo de novo do que ir parar na delegacia.


5. Não seja machista, mas saiba que a polícia é

Algumas pessoas acham que as mulheres não devem participar dos enfrentamentos. Isso é puro machismo, o lugar da mulher é na linha de frente de todas as lutas! Mas temos que tem bastante clareza que a polícia não vai bater menos porque você é mulher - e, como já aconteceu em São Paulo, você pode até mesmo sofrer violência sexual por parte dos policiais (como passar a mão, rasgar a roupa etc). Por isso, evite usar saias ou roupas mais fáceis de arrancar. Por isso, ainda é mais importante a recomendação de andar sempre em grupos Se você acabar sendo detida, é importante o grupo garantir que você não seja revistada por homens.


6.  O vinagre não resolve contra gás lacrimogêneo

A ideia de que o vinagre pode ajudar contra o gás lacrimogêneo está baseada na superstição de que "o que arde cura" (quantas vezes, quando você era criança, não te mandaram usar bicarbonato contra aftas?). A proteção real só pode ser dada por produtos com Ph alcalino, como um pano molhado com água misturada com bicarbonato ou leite de magnésia. Não use lentes de contato se estourarem uma bomba perto de você, porque ela vai ser destruída!


7. Se você for negr@, lembre que todo camburão tem um pouco de navio negreiro

Redobre a sua atenção se você for negr@, principalmente se você tiver um visual diferente do estereótipo de estudante. A polícia é treinada pra ser racista. Simples assim.


8. Se o seu cabelo for longo, prenda

Retire, sempre que puder, brincos, piercings ou outros objetos que possam ser puxados violentamente.


9. Tenha sempre à mão o telefone de um advogado do movimento e da imprensa

É fundamental se acontecer uma prisão. Se você tiver uma câmera, faça o possível pra não roubarem nem quebrarem, e use pra documentar e jogar direto na Internet tudo o que estiver acontecendo. Mas tentando ter cautela pra não comprometer a sua segurança.


10. Não se exponha nas fotos!

Muita gente gosta de fotografar tudo, ainda mais hoje em dia, na "era do Facebook", até mesmo quando estão fazendo ações ilegais (pichando, fazendo enfrentamento etc). Mas a polícia não tá de brincadeira. NÃO PRODUZA PROVAS CONTRA VOCÊ MESM@!


11. Não provoque a polícia!

O objetivo das manifestações não é descarregar a sua raiva. Não xingue nem quebre coisas perto dos policiais. Esse tipo de atitude individual pode começar um confronto capaz de destruir uma passeata inteira.

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quinta-feira, 13 de junho de 2013

Cinco mil pessoas na passeata mais importante dos últimos anos no Rio


O ato de hoje foi uma grande vitória para os movimentos sociais na cidade. Se a gente conseguir manter a mobilização e arrancar alguma vitória, por pequena que seja (como alguma redução nas passagens), a luta vai destravar a situação política da cidade. Quando tivermos uma vitória nas mãos, as pessoas vão se sentir seguras para lutar por muito mais que a passagem - contra as remoções, o "choque de ordem" contra os camelôs, contra a política racista e ligada às milícias da quadrilha que governa a cidade e o Estado.

Desde 2007, não acontecia uma passeata tão grande na cidade. Dentro de um grande movimento nacional, em que os estudantes e jovens de São Paulo estão à frente da luta, cada mobilização tem sido maior, desafiando a repressão pura, desproporcional e generalizada da polícia.

O ato da segunda-feira, também convocado pelo Facebook, foi uma resposta à repressão violenta de quinta-feira passada, que mostramos no nosso blog. Quase mil pessoas foram, na segunda, da Cinelândia até a Uruguaiana, onde a polícia, se aproveitando de alguns manifestantes que caíram em provocações, desceu a porrada e bombas de gás lacrimogêneo por boa parte do centro da cidade, com meia hora de manifestação.

Depois da repressão de segunda, a Plenária no dia seguinte foi uma das mais cheias, com cerca de cem pessoas, que vieram, na grande maioria, pela primeira vez, em solidariedade contra a violência. Por uma pequena margem, foi escolhido o trajeto Candelária-Cinelândia. Nós não achamos essa a melhor opção (a gente votou pelo percurso Candelária-Central, porque ele termina com a manifestação encontrando o povo que está pegando ônibus, trem ou metrô pra voltar pra casa), mas a passeata de hoje, de certa forma, "corrigiu" a rota, indo da Cinelândia para a ALERJ, e depois para a Central.

A Plenária também elegeu um comando para o ato, para tentar evitar as provocações e violência gratuita que foram usadas pela polícia como pretexto para dissolver o ato na segunda-feira. O PSTU participou, depois de uma longa ausência nesse movimento, e o PSOL jogou todas as suas forças na organização do ato, além de vários outros movimentos e organizações, como a FIST, o PCB, a FARJ, CSP-CONLUTAS, entre muitas outras.

A manifestação de hoje tava muito cheia, com muita gente nova, que nunca tinha ido num ato desse porte antes. As palavras de ordem expressavam um grito que estava preso na garganta do povo: "Fora, Cabral", "Ei, Cabral, vai tomar no cu!", "Se a passagem não abaixar, a cidade vai parar", "Aldeia resiste" (sobre a Aldeia Maracanã, removida a força pelo governo racista), "Foda-se a Copa", "Da Copa eu abro mão, eu quero meu dinheiro em saúde e educação", e muitas outras. Nós também levamos a nossa: "Pra passagem não aumentar, a solução é estatizar".

A população apoiou a manifestação, com muito papel picado sendo jogado das janelas na Rio Branco. Outro lindo momento do ato foi a expulsão dos "jornalistas" da Globo, que estavam lá novamente para distorcer o movimento. Como os manifestantes lembraram muito bem, "a verdade é dura, a Globo apoiou a ditadura"!

Depois que a maioria dos manifestantes se dispersou na ALERJ, cerca de mil pessoas seguiram até a Central. No cruzamento da Primeiro de Março com a Presidente Vargas, começou novamente o festival de violência. Não sabemos se foi algum policial infiltrado ou se foi algum idiota querendo se aproveitar do ato pra brincar de "radical" e aparecer, mas houve um começo de tumulto no final da coluna da passeata, que se transformou em segundos num conflito generalizado até a Central.

Se na segunda-feira já existia uma quantidade monstruosa de policiais, tanto do Choque, como do BOPE, da cavalaria, da divisão de animais (no caso, cachorros, e não os animais de sempre...), além da Guarda Municipal e vários à paisana, hoje foi um talvez o dia em que houve mais polícia na rua, uma quantidade absolutamente desproporcional ao ato, até mesmo revistando as pessoas nos pontos de ônibus. Isso já é um sinal do regime militar que vai tomar conta da cidade nos megaeventos.

A grande estratégia da imprensa é desqualificar as manifestações, dizendo que são coisa de baderneiro, e violência irracional. Tanto no caso de um provocador pago pela polícia pra fazer esse tipo de coisa (como apedrejar museus, igrejas, destruir latas de lixo, atacar lojas e pontos de ônibus com pessoas etc) quanto no de alguém com idade mental de 13 anos querendo se sentir um herói, de qualquer forma, cair nas provocações vai facilitar o trabalho da imprensa (que é queimar o ato perante a população) e da polícia (que é destruir o ato na base da porrada), jogando a população contra o movimento. São justamente essas imagens que vão para a Globo, pra atacar os atos.

Em caso de dúvida sobre o papel da polícia na vigilância e repressão, a nossa sugestão é que você leia nossa postagem Como reconhecer um P2?

Nós não estamos dizendo isso porque somos pacifistas. Pelo contrário, defendemos a violência organizada para resistir e derrotar a violência do Estado e da classe dominante. Por isso, achamos que a violência deve ser preparada e ter alvos que a população reconheça como os inimigos imediatos da luta. Por exemplo, o revide contra as agressões policiais, aqui no Rio. Também apoiamos ações de comunicação que a mídia chama de "vandalismo", como pichar a ALERJ com palavras de ordem contra o aumento, ou pulão nos ônibus pra os trabalhadores entrarem de graça.

Além do problema da repressão, precisamos ver quais passos temos que dar na nossa luta. Ao mesmo tempo que em São Paulo, acontecerá mais uma grande manifestação no Rio, na segunda-feira, às 17 horas, com concentração na Candelária. Participe! Precisamos de popularizar essa luta, até derrotar os governos dos playboys, amigos do Eike Batista e aliados da milícia: Eduardo Paes e Sérgio Cabral.

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Declaração de voto para a eleição do DCE da UFRj-2013 dos estudantes da Juventude em Luta.

Olá estudante! Você sabia que nos dias 11, 12 e 13 de junho vai tá rolando a eleição anual para o seu DCE. Muita gente panfletando, passando em salas pra fazer propaganda de chapa. Nós fazemos parte da Juventude em Luta, que é um grupo de estudantes da UFRJ atuantes no movimento estudantil, composto por militantes do Coletivo Lenin e também por militantes independentes. Achamos importante tentar esclarecer algumas coisas sobre esse evento importante.

As chapas

Existem 3 chapas concorrendo para a gestão do DCE. Vamos a elas:

- Chapa 1 – Mãos a obra: essa chapa é composta na sua maior parte por militantes da UJS (União da Juventude Socialista). É a maior corrente que está na UNE e compõem a sua direção majoritária há mais de 20 anos. Este grupo é a juventude do PCdoB, partido que está na base de coalizão do atual governo do PT. Seus militantes têm dependência direta, política e financeira do Governo, por isso representa nada além de um braço das políticas governistas de precarização e privatização da educação (REUNI, PROUNI, etc.) no movimento estudantil. A UJS vive de apoiar as políticas do governo acriticamente, entravando e estando quase sempre do lado inimigo nas lutas estudantis. Se posicionam a favor da restrição do direito da meia entrada; na última greve, negociaram com o governo pelas costas do comando nacional de greve estudantil e ainda tiveram a cara de pau de dizer que conseguiram garantir 10% do PIB para a educação. Esses fatos são os que caracterizam a atuação da UJS dentro do movimento estudantil.

- Chapa 2 – De que lado você samba?: composta por estudantes que constroem nacionalmente a ANEL (Assembleia Nacional dos Estudantes Livre). Sua maior parte é de militantes do PSTU. Apresentam propostas claramente melhores que a chapa 1, pois não estão atrelados ao governo e são a única chapa que fala em favor das cotas; mas não passam da antiga e ingênua linha política de “exigir” da reitoria e do governo melhoras para a UFRJ. Além disso, colocam um sinal de igualdade entre UJS e UNE e defendem a ruptura com esta, ignorando todos os estudantes de base e de oposição ao governo que vão aos congressos desta entidade. Isso acaba provocando a divisão do movimento estudantil em momentos cruciais, chegando ao extremo de neste ano o congresso da ANEL e o congresso da UNE terem sido marcados para os mesmos dias, fazendo os estudantes que acham importante estar nos 2 espaços, como nós, terem de escolher entre um e outro.

- Chapa 3 – Prepara que agora é hora: é formada majoritariamente por militantes do coletivo “Nós não vamos pagar nada” (hegemonizado pela corrente Enlace do PSOL) e outros do movimento Correnteza/UJR (dirigido pelo PCR), além de integrantes da UJC (juventude do PCB). Esta chapa também é claramente melhor que a chapa 1; fala de assuntos que outras chapas não falam, como passe livre estudantil e se posicionam contra a terceirização; mas também não vai além da linha de ficar “pressionando” a reitoria e o governo para conseguir esmolas para as universidades públicas. E além disso, não podemos deixar de destacar a vergonhosa campanha para o atual reitor que o movimento Correnteza nas últimas eleições e a defesa desse mesmo movimento (apesar de não estar no material da chapa) do monopólio de carteirinhas da UNE (os estudantes só teriam acesso à meia entrada, comprando uma carteirinha da UNE).



Nem só de eleição para DCE vive o movimento estudantil.

 Para nós, da Juventude em Luta, as eleições para DCE são imprescindíveis, mas não é o mais importante no movimento estudantil. O que importa é estar presente no dia a dia do estudante tocando as principais lutas, organizando eventos culturais e festa, promovendo discussões e debates sobre questões da realidade, mas também ir além disso. É preciso chamar para si a tarefa de propor um novo modelo de sociedade, de debater assuntos que façam os estudantes questionar a forma como a universidade e a sociedade estão sendo geridos. É ser contra a super exploração que é a terceirização, mas falar em favor da contratação imediata dos trabalhadores terceirizados. É falar em defesa das cotas, mas gritar bem alto, que o racismo na universidade só vai ter chance de acabar com o fim do vestibular, etc..

Porém, nem a primeira parte, as últimas gestões do DCE conseguem fazer totalmente. Todas as chapas veem como objetivo a disputa de cargos no DCE. Para nós, a disputa pela gestão do DCE, no entanto não é o principal. O que mais importa é a construção do movimento estudantil nas bases e não somente nas semanas de eleição. Ficamos impressionados com o número de pessoas que estão panfletando e passando em salas agora, mas quando estava havendo luta contra o aumento da passagem desde o ano passado, não houve um terço da mobilização atual. Questionamos também por que sempre há conselhos de CA’s antes das eleições, mas nunca para discutir outros assuntos (calendário de lutas, condição atual do Alojamento e assistência estudantil no geral, discussão sobre meia entrada, etc.). Todas as chapas se contentam em aparecer 1 vez por ano na hora das eleições, fazer alianças sem conteúdo nenhum, só pra tentar ganhar mais cargos na gestão do DCE e depois praticamente somem.

Fazemos aqui um chamado para todos aqueles e aquelas interessados em construir um movimento estudantil que realmente exista diariamente nos espaços da universidade; para que venham conhecer e conversar com a Juventude em Luta.

O que fazer nessas eleições?

Nós da Juventude em Luta temos desacordo com diversos pontos de todas as atuais chapas, por isso não estamos em nenhuma delas; mas entendemos a importância desse processo, que envolve milhares de estudantes da nossa universidade.

Por isso achamos correto votar na chapa 2 ou na chapa 3, que mesmo com os seus limites, apresentam propostas favoráveis aos estudantes. E rechaçamos qualquer apoio à chapa 1 – Mãos à obra, composta por aqueles que só fizeram trair o movimento estudantil, se vendendo para o governo.
E apoiamos o modelo de gestão baseado na PROPORCIONALIDADE, onde cada chapa tem o número de representantes na gestão de acordo com o número de votos que recebeu; por entender que é um modelo mais democrático que a majoritariedade, onde “quem ganhou leva tudo”.

Além disso, defendemos:

- Assistência estudantil de verdade! Passe livre já. Bandejões, creches, alojamento e xerox gratuitos, mais e maiores bolsas de auxílio de acordo com a demanda estudantil.
- Nem ENEM, nem vestibular. Livre acesso, JÁ! Debates sobre acesso à universidade. Em defesa das cotas como medidas paliativas. Só o fim do vestibular vai democratizar a universidade.
- Chega de repasse de verba para os empresários e banqueiros. Estatização já de todas as universidade privadas, sob controle dos estudantes e trabalhadores. Contra a EBSERH!
- Chega de machismo, racismo e homofobia. Por comitês de prevenção e combate a agressões homofóbicas e estupros. Por atividades de propaganda em defesa da sexualidade como escolha livre e individual e contra o fundamentalismo religioso.
- Contra a terceirização! Contratação imediata dos trabalhadores terceirizados.
- Por um modelo de gestão das universidades verdadeiramente democrático. Por conselhos de estudantes e trabalhadores (terceirizados inclusive) eleitos em assembleias, com cargos removíveis a qualquer momento sem regalias e salários maiores.
- Fora PM do Campus! Por um corpo de segurança sob controle e que responda diretamente à comunidade acadêmica.
Entre em contato: Juventude em Luta no Facebook
- 10% do PIB para a educação sim! Mas que os trabalhadores e estudantes decidam onde usar as verbas.
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quinta-feira, 6 de junho de 2013

Ato contra o aumento é reprimido com violência na Central do Brasil!




300 pessoas, mais ou menos, participaram da manifestação contra o aumento das passagens no Rio de Janeiro (vai para R$ 2,95), o que foi um sinal muito positivo na cidade, e uma bela vitória numa situação em que as lutas estão muito fragmentadas.

A manifestação foi convocada pelo Facebook e, além da grande maioria de estudantes e jovens independentes, participaram os companheiros do PSOL, MEPR, PCB e nós do CL. O PSTU não foi, mas não sabemos o motivo.

Mais do que em todos os atos desde janeiro do ano passado, a população deu um apoio muito forte. Muitos aproveitaram a situação para criticar os playboys e amigos de milicianos, Eduardo Paes e Sérgio Cabral, que desgovernam a serviço do Eike Batista e das multinacionais. Até mesmo algumas pessoas que estavam simplesmente esperando o ônibus se integraram na passeata.

Só que, mais uma vez, aconteceu o que é a marca registrada da preparação para a Copa do Mundo e as Olimpíadas: a repressão desproporcional contra qualquer movimento popular que lute contra os donos da cidade.

Os bandidos de farda da tropa de choque da PM carioca vieram de motos e meteram bala de borracha e bombas de efeito moral, sem se importar nem mesmo com as pessoas que estavam no ponto do ônibus. Depois do corre-corre, prenderam as primeiras pessoas que viram na frente. Como sempre, sobrou para os meninos de rua (na maioria negros), que foram pra delegacia por causa da repressão ao direito de toda a população a se manifestar.

Se, por um lado, fica clara a violência, inclusive com feridos pelas balas de borracha, por outro lado, a repressão violenta mostra que temos que melhorar a nossa organização. Se existisse um comando unificado eleito na plenária, os manifestantes não teríamos nos dispersado. A gente poderia ter feito como no ato de hoje em São Paulo, se reagrupado e voltado a ocupar a rua.


Não é a repressão que vai fazer a gente parar a nossa luta. Para melhorarmos a nossa organização, e organizarmos novas manifestações, está sendo organizada uma plenária, na terça-feira, dia 11/06, na UERJ. O evento no facebook é esse aqui.

- Participe, se informe, lute!
- Por um sistema de transporte público, com tarifa zero (financiada por impostos sobre as grandes empresas), controlado pela população e com uso de energias renováveis!

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segunda-feira, 3 de junho de 2013

ELEIÇÃO PARA O GAREF (BANCO DO BRASIL): PARA NÃO CAIR EM MAIS UMA ARMADILHA, VOTO NULO!


Segue a declaração do coletivo Bancários de Base


ELEIÇÃO PARA O GAREF: PARA NÃO CAIR EM MAIS UMA ARMADILHA, VOTO NULO!

Nos dias 3 a 6 de junho acontece a eleição para o CAREF, representante dos funcionários na diretoria do Banco do Brasil. Para chegar a uma posição a respeito dessa votação, consideramos os seguintes elementos:

- a criação desse cargo de CAREF não é resultado de uma exigência dos funcionários, para que sua voz fosse ouvida na gestão do Banco, nem de sua mobilização, mas de iniciativa do próprio Banco. Ao invés disso, trata-se na verdade de uma exigência do mercado, uma formalidade que o Banco deve cumprir para poder dizer em sua publicidade que é uma “empresa responsável do ponto de vista socioambiental”. Cumprida essa formalidade, o Banco se habilita a atrair investimentos, podendo acrescentar esse item no seu marketing, sem ter que alterar em nada a sua relação real com os funcionários e a sociedade.

- trata-se de uma simples formalidade porque esse representante pode fazer tudo, menos representar. O CAREF não terá poder de voto nas questões que envolvem relações com os funcionários, como por exemplo, salários ou condições de trabalho. Se não pode defender os interesses dos funcionários, esse cargo é praticamente inútil, do ponto de vista de nós funcionários.

- ainda que possa votar em algumas questões que indiretamente possam influenciar o dia a dia dos funcionários (por exemplo, a definição da política geral do Banco, para que atuasse como um banco público de verdade, e não um banco com o mesmo perfil e as mesmas práticas dos bancos privados que o Banco é hoje), ainda que o CAREF possa votar em questões dessa natureza, ele seria voto vencido, já que se trata de apenas um representante dos funcionários contra outros 6 votos da diretoria.

- a gestão privatista do Banco, que vem desde a implementação do modelo neoliberal no governo FHC e foi aprofundada com (mecanismos menos truculentos mas de maior alcance) pelo governo petista, de onde resultam as metas, o assédio moral, o adoecimento físico e psicológico, o isolamento e o individualismo, a exploração dos terceirizados por empresas que fraudam seus direitos (sendo que deveriam ter direitos de bancários, já que trabalham em banco), a exploração dos clientes por práticas como a venda casada, a política implantada nas muitas empresas em que a PREVI tem participação, etc., nada disso será sequer remotamente afetado pela criação do CAREF. Para mudar tudo isso, somente com uma imensa conscientização e mobilização dos funcionários.

- poderíamos concluir então que a função do CAREF é apenas decorativa, mas é pior do que isso, é perniciosa. Com a criação desse cargo, o Banco cria uma fachada democrática perante a sociedade. Quando nós funcionários estivermos em greve ou questionando o Banco por outras questões que nos dizem respeito (como por exemplo, o recente plano de funções), o Banco vai poder dizer para a opinião pública: “do que é que eles estão reclamando? Somos uma empresa democrática! Temos até um representante dos funcionários na diretoria!” E com isso a opinião pública ficará contrá os funcionários, como se estivéssemos excedendo o nosso direito de reivindicar.

- considerando esses elementos, poderíamos votar num representante crítico, justamente para questionar a política geral dessa gestão privatista. Essa é a posição dos companheiros da Frente Nacional de Oposição Bancária – FNOB, que faz oposição à Contraf-CUT, corrente majoritária do movimento sindical. Os companheiros da FNOB estão apoiando a candidatura de um colega do setor da tecnologia de Brasília, que está usando a campanha para fazer críticas do ponto de vista do interesse do funcionários. Respeitamos essa posição, mas entendemos, que mesmo uma campanha crítica acaba tendo o efeito de validar e legitimar essa eleição.

- questionamos todo o processo da eleição porque foram inscritos mais de 600 candidatos em pouco mais de uma semana antes da votação, o que torna impossível fazer um debate sério sobre o que cada um desses candidatos representa. Mas ainda que fosse possível escolher o candidato que melhor “nos representa” (sic) ou o mais crítico, a votação será feita no próprio sistema do Banco, sem nenhum controle dos trabalhadores na sua apuração.

- além de sermos afetados por uma gestão que é privatista em quase todos os seus aspectos, o fato de que a propriedade do Banco seja nominalmente pública nos afeta de outra maneira, que é o pior aspecto da gestão pública (tal como é praticada no Brasil): os demais diretores não eleitos do Banco são nomeados por indicação de partidos políticos que apoiam o governo de plantão, o que transforma a empresa em moeda de troca de barganhas políticas.

- como se não bastassem as indicações para a diretoria obedecerem às conveniências políticas do governo de plantão, no caso o PT (e todas manterem inalterada a gestão privatista), a eleição do CAREF também se presta a ser a criação de mais um aparato para o próprio PT. A Contraf-CUT, que é a corrente majoritária do movimento sindical, faz campanha para o seu candidato, e com os recursos que tem para fazer campanha, deve vencer facilmente a eleição, reproduzindo entre os colegas no país afora a ilusão de que esse cargo pode influenciar em alguma coisa. Ora, sendo a Contraf-CUT controlada pelo PT, partido que está no governo, teríamos na verdade mais um representante do PT na diretoria, junto aos demais nomeados segundo as conveniências do PT.

- há muitos anos a CUT, controlada pelo PT, e as demais centrais que seguem seu modelo, deixaram de ser um espaço de organização independente dos trabalhadores, pois seus dirigentes participam da gestão do capital juntamente com a patronal e o governo. Temos visto cada vez mais exemplos do distanciamento das burocracias sindicais em relação aos trabalhadores, como 1º) a proposta do Acordo Coletivo Especial (ACE), que permite aos sindicatos assinar acordos abaixo da CLT sem sequer passar por assembleia; ou 2º) a recente assembleia estatutária do sindicato de São Paulo, que legitimou a incorporação da renda de entidades como Bancoop, Bangraf, Bancredi, etc., que tornam o sindicato financeiramente independente da situação dos trabalhadores. Nessas circunstâncias, a criação do CAREF pode se tornar uma espécie de “plano de cargos e salários” para a burocracia sindical, como é o caso dos cargos ocupados por ex-sindicalistas na CASSI, nas empresas controladas pela PREVI, etc.

Considerando todos esses elementos, defendemos a posição de VOTO NULO para o CAREF!

Coletivo de Oposição Bancários de Base – SP

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