QUEM SOMOS NÓS

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Somos uma organização marxista revolucionária. Procuramos intervir nas lutas de classes com um programa anticapitalista, com o objetivo de criar o Partido Revolucionário dos Trabalhadores, a seção brasileira de uma nova Internacional Revolucionária. Só com um partido revolucionário, composto em sua maioria por mulheres e negros, é possível lutar pelo governo direto dos trabalhadores, como forma de abrir caminho até o socialismo.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

PM mata em Heliópolis, São Paulo!

"Se um negro reage, é chamado de extremista. Como se devesse ficar passivo e amar seu inimigo mesmo que seja atacado. Mas se ele se levanta e tenta se defender então ele é chamado de extremista. Quando o povo negro der um passo decidido e considerar seu direito quando a sua liberdade é ameaçada, usar qualquer meio para se libertar ou para deter a injustiça, ele não vai ficar isolado. Eu vivo nos EUA, onde existem 22 milhões de negros contra 160 milhões de brancos. Não estou preocupado em usar o que for necessário para que os negros se defendam, por que então teremos mais brancos do nosso lado do que agora com esse método de armar o inimigo. E se eu estiver errado, então vocês são racistas.

"Os negros são tolos por se deixar ser surrados sem se defender. Os negros são tolos. Eles deveriam ter o direito de se defender. Se um cão morde um negro, ele deve matar o cão. Seja ele um cão de caça, de polícia, etc. Se um cão ataca um negro que só quer o que o governo diz que é dele, então o negro deve matar esse cão. Ou o cão de duas pernas, que joga o cão contra ele."


Malcon X, "Por todos os meios necessários"


http://br.noticias. yahoo.com/ s/02092009/ 25/manchetes- pm-detem- 21-pessoas- protesto. html

PM detém 21 pessoas durante protesto em Heliópolis
Qua, 02 Set, 04h00
As ruas no entorno do palco onde, no início da noite de ontem (1), foi realizado mais um protesto de moradores da Favela Heliópolis, na zona sul de São Paulo, a maior da cidade, estão, desde o início da madrugada desta quarta-feira, sob a segurança de um efetivo de 45 policiais militares, da 1ª Companhia e da Força Tática do 46º Batalhão.
A onde de manifestações começou na madrugada de ontem, depois que uma estudante de 17 anos foi morta com um tiro na cabeça durante um perseguição de Guardas Civis Municipais de São Caetano do Sul a dois suspeitos de roubar um carro, na noite de segunda-feira.
O protesto, seguido de confronto entre policiais militares e a população, durou até as 21 horas e deixou um saldo de pelo menos 21 suspeitos detidos e um policial ferido, com traumatismo craniano, segundo o capitão Maurício de Araújo, da Polícia Militar. Os manifestantes danificaram duas viaturas da PM e duas dos bombeiros e incendiaram três ônibus e dois micro-ônibus. Os policiais apreenderam ainda um coquetel molotov. O policial permanece internado no pronto-socorro de Heliópolis.

Moradores da favela de Heliópolis, na zona sul de São Paulo, colocaram fogo em ao menos dois veículos e três ônibus no início da noite desta terça-feira durante protesto um dia depois da morte de uma estudante de 17 anos, vítima de uma bala perdida. Policiais Militares e a Tropa de Choque foram enviados ao local para tentar conter a manifestação que ainda ocorria por volta das 22h45. Houve confronto, com bombas e balas de borracha atiradas contra os moradores. Os bombeiros, acionados para controlar os focos de incêndio, foram recebidos a pedradas e a polícia bloqueou os acessos à favela.

Veja imagens do protesto de ontem

Este é o segundo protesto no local. Revoltados, os moradores fizeram outro protesto violento ontem (veja vídeo ao lado). A polícia foi chamada e também houve confronto com os manifestantes.

A PM não soube informar quantos moradores participam do protesto de hoje. Um policial ficou ferido, mas não foi divulgado seu estado de saúde.

A estudante morta com uma bala perdida estava voltando para casa na segunda-feira (31) após sair da escola, e foi atingida durante um tiroteio entre guardas civis metropolitanos de São Caetano do Sul e supostos criminosos. Ela teria tentado se esconder atrás de um carro, sem sucesso. A jovem tinha uma filha de 1 ano e 8 meses.

As armas dos guardas foram apreendidas para exame no Instituto de Criminalística.

Disparo
O supervisor da Guarda Civil Metropolitana (GCM), Adenízio Nascimento, disse hoje que é "ainda é muito cedo para dar qualquer resposta" sobre de qual arma partiu o disparo que matou a estudante. Os manifestantes alegam que o tiro que acertou a jovem foi disparado por um guarda civil.

Os guardas civis metropolitanos perseguiam um veículo roubado pouco antes em São Caetano do Sul, no ABC paulista, ocupado por um casal. De acordo com Nascimento, a perseguição começou no Jardim São José, quando os suspeitos fugiram ao perceber a presença das viaturas, e seguiram rumo a Heliópolis. Conforme o guarda, os ocupantes do carro atiraram várias vezes contra os guardas civis, que revidaram.

Durante a perseguição, o automóvel chegou a bater contra um dos quatro carros da polícia que os perseguiam. Neste momento, de acordo com Nascimento, o suspeito desceu do carro e atirou contra uma delas, que foi atingida por dois disparos na traseira. Já em Heliópolis, o homem desceu do veículo e correu, seguido por GCMs. "Ao entrarem em varredura (na rua), os guardas viram essa parte (a garota) no chão, alvejada", afirmou Nascimento. Já a mulher foi detida dentro do carro, sem reagir.

A garota, que tem uma filha de 1 ano e 8 meses, foi baleada no pescoço e socorrida no Pronto-Socorro de Heliópolis. Ela não resistiu aos ferimentos e morreu em seguida. A bala ficou alojada no pescoço e a perícia deve apontar de qual arma partiu o tiro. De acordo com Nascimento, o guarda que pode ter disparado o tiro fatal -que por enquanto não teve o nome divulgado- deve ficar afastado das suas funções até que o caso seja esclarecido. As armas dos guardas envolvidos serão apreendidas e encaminhadas à perícia.

Suspeita detida
A suspeita detida dentro do automóvel foi reconhecida pela vítima como uma das autoras do roubo. A dona do carro, uma estudante universitária, foi roubada quando chegava em casa, voltando da faculdade. Nenhuma arma foi encontrada com a mulher detida, mas a Polícia Civil deve solicitar um exame residuográfico para checar se encontra resíduos de pólvora nas mãos dela, que deve ficar presa por roubo. O caso foi registrado no 95º Distrito Policial (DP), de Heliópolis.

O primeiro protesto
Depois da morte da garota, os moradores das imediações organizaram um protesto. Eles fizeram barricadas com madeira e pneus incendiados e iniciaram um tumulto. Aos gritos de "assassinos" , os manifestantes jogaram pedras contra o carro do casal e contra os policiais civis e militares que estavam no local. A Guarda Civil Metropolitana já não estava mais lá. Agentes do Grupo de Operações Especiais (GOE) e do Grupo de Repressão a Roubos e Assaltos (Garra), auxiliados por policiais militares, usaram bombas de efeito moral e tiros de borracha para dispersar os manifestantes.

Indignação
O garçom Iraildo Carlos da Silva, de 32 anos, se mostrou indignado com a morte da garota. "Nós, os moradores aqui, só queremos justiça." A jovem foi baleada na porta da casa dele. Silva disse ter ficado assustado com o barulho de tiros e, quando saiu, viu a garota já caída na rua. "Estava uma barulheira, acho que ela se assustou e se escondeu atrás de um carro, e eles confundiram ela com o suspeito", avaliou. Segundo ele, a garota voltava da escola e tinha um caderno nas mãos.

Conforme os moradores, houve demora no socorro da vítima. Na versão deles, os GCMs apenas socorreram a estudante depois da ordem de um policial militar, que chegou ao local. Os guardas teriam pegado a jovem pelos braços e pernas e jogado dentro da viatura. A GCM afirma que a garota chegou com vida ao hospital e nega os maus-tratos durante o socorro. Os manifestantes ainda afirmaram que o homem em fuga não estava armado. Durante o protesto, a vizinhança afirmou que os GCMs já atiravam desde o momento em que entraram na rua.

*Com informações da Agência Estado e do canal BandNews
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quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Nota Pública do MST sobre o assassinato de Elton Brum pela Brigada Militar do RS

Nota pública sobre o assassinato de Elton Brum pela Brigada Militar do RS
21 de agosto de 2009


O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra vem a público manifestar novamente seu pesar pela perda do companheiro Elton Brum, manifestar sua solidariedade à família e para:

1. Denunciar mais uma ação truculenta e violenta da Brigada Militar do Rio Grande do Sul que resultou no assassinato do agricultor Elton Brum, 44 anos, pai de dois filhos, natural de Canguçu, durante o despejo da ocupação da Fazenda Southall em São Gabriel. As informações sobre o despejo apontam que Brum foi assassinado quando a situação já encontrava-se controlada e sem resistência. Há indícios de que tenha sido assassinado pelas costas.

2. Denunciar que além da morte do trabalhador sem terra, a ação resultou ainda em dezenas de feridos, incluindo mulheres e crianças, com ferimentos de estilhaços, espadas e mordidas de cães.

3. Denunciamos a Governadora Yeda Crusius, hierarquicamente comandante da Brigada Militar, responsável por uma política de criminalização dos movimentos sociais e de violência contra os trabalhadores urbanos e rurais. O uso de armas de fogo no tratamento dos movimentos sociais revela que a violência é parte da política deste Estado. A criminalização não é uma exceção, mas regra e necessidade de um governo, impopular e a serviço de interesses obscuros, para manter-se no poder pela força.

4. Denunciamos o Coronel Lauro Binsfield, Comandante da Brigada Militar, cujo histórico inclui outras ações de descontrole, truculência e violência contra os trabalhadores, como no 8 de março de 2008, quando repetiu os mesmos métodos contra as mulheres da Via Campesina.

5. Denunciamos o Poder Judiciário que impediu a desapropriação e a emissão de posse da Fazenda Antoniasi, onde Elton Brum seria assentado. Sua vida teria sido poupada se o Poder Judiciário estivesse a serviço da Constituição Federal e não de interesses oligárquicos locais.

6. Denunciamos o Ministério Público Estadual de São Gabriel que se omitiu quando as famílias assentadas exigiam a liberação de recursos já disponíveis para a construção da escola de 350 famílias, que agora perderão o ano letivo, e para a saúde, que já custou a vida de três crianças. O mesmo MPE se omitiu no momento da ação, diante da violência a qual foi testemunha no local. E agora vem público elogiar ação da Brigada Militar como profissional.

7. Relembrar à sociedade brasileira que os movimentos sociais do campo tem denunciado há mais de um ano a política de criminalização do Governo Yeda Crusius à Comissão de Direitos Humanos do Senado, à Secretaria Especial de Direitos Humanos, à Ouvidoria Agrária e à Organização dos Estados Americanos. A omissão das autoridades e o desrespeito da Governadora à qualquer instituição e a democracia resultaram hoje em uma vítima fatal.

8. Reafirmar que seguiremos exigindo o assentamento de todas as famílias acampadas no Rio Grande do Sul e as condições de infra-estrutura para a implantação dos assentamentos de São Gabriel.

Exigimos Justiça e Punição aos Culpados!

Por nossos mortos, nem um minuto de silêncio. Toda uma vida de luta!

Reforma Agrária, por justiça social e soberania popular!

Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra
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segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Mais dois companheiros rompem com o PSTU!

Reproduzimos aqui a carta dos companheiros, que pontua questoes fundamentais para a reconstruçao da Quarta Internacional:

Aos Trotskistas

“Encarar a realidade de frente; não buscar a linha de menor resistência; chamar as coisas pelos seus nomes; falar a verdade às massas, não importa o quão amarga ela seja; não temer os obstáculos; ser verdadeiro nas pequenas coisas como nas grandes; basear seu programa na lógica da luta de classes; ser ousado quando a hora da ação chegar – essas são as regras da Quarta Internacional”

As ações do PSTU em comparação às tarefas da IV Internacional

Às vésperas da segunda guerra Mundial, Leon Trotsky, descreve no Programa de Transição, a situação da crise de direção do proletariado, que ele define como principal causa da miséria da humanidade. A situação explicita as razões de ascensão do fascismo nos diversos países.

“O sucesso da 'ideologia' fascista não se explica pela força de teorias semi-delirantes, semi-charlatanescas de 'raça' ou de 'sangue', mas na falência estarrecedora das ideologias da democracia, da social-democracia e da Internacional Comunista.”

De certa forma essa situação se repete nos nossos dias. Medidas de caráter fascista tomadas por governos, crescimento do fundamentalismo, falta de esperança nas ideologias antigas, definem a situação da classe trabalhadora. É nesse cenário que entra a IV Internacional reconstruída, com a tarefa de reverter este quadro, intervir na realidade com um programa transitório para o socialismo, indicando à classe trabalhadora a saída dessa crise.

Para cada fator destrutivo que o capitalismo impõe aos trabalhadores, a IV Internacional deve apresentar uma solução que indica para o socialismo, se diferenciando das palavras de ordem da social-democracia exatamente por mostrarem que as causas centrais dos problemas que nos afligem não podem ser resolvidos pelo capitalismo.

Assim, as palavras de ordem transitórias devem indicar a solução dos problemas, e não uma falsa solução paliativa para os mesmos. No momento inicial, é provável que não atinjam em todo à classe, pois revelam uma consciência que a classe ainda não possui. Mas no devido tempo, mostram a solução definitiva para as mazelas do capitalismo.

Exemplos: Para revidar à exploração capitalista, indicam o controle operário sobre as fábricas; Autodefesa armada dos trabalhadores para resistir aos ataques da polícia e do exército; escalas universais para permitir a contratação dos trabalhadores desempregados, etc. Claramente essas palavras de ordem não serão concretizadas enquanto o poder capitalista for amplamente superior ao poder dos trabalhadores, mas indicam a solução socialista para ao males do capitalismo. Isso não significa que os trotskistas não estejam na luta por reformas, pela melhoria progressiva das condições dos trabalhadores. Mas sim que eles se diferenciam por exprimir, nestas ocasiões as palavras de ordem transitórias, acima das reformistas.

Para exemplificar, no caso mais recente de um golpe militar na América Latina, o golpe que derrubou o presidente Manuel Zelaya em Honduras: A tarefa dos trotskistas é trabalhar incessantemente contra o golpe, apoiando a classe em todas as manifestações nesse sentido. Mas enquanto os reformistas estiverem exclamando palavras de ordem de “Volte Zelaya!”, os trotskistas devem anunciar “Tomada do governo pelo trabalhadores!”, “Auto-defesas contra os ataques da polícia à classe trabalhadora!”. Está claro que essas palavras não serão assimiladas de imediato, pois as massas são reformistas nesse momento. Mas é exatamente essa situação que a IV Internacional reconstruída deve alterar. E quando a hora da ação chegar, trabalhar para concretizá-las.

Nesse meio termo, o PSTU levanta a palavra de ordem reformista, justificando que se não o fizesse, se usasse as palavras de ordem transitórias, estaria se isolando das massas. Ora, “Volte Zelaya!” é a palavra que as massas, de fato, já tem em mente. Mas então, o partido trotskista é desnecessário, se tudo que ele tem a fazer é se juntar a esse coro de vozes reformistas. Pelo contrário: o papel do partido é elevar a consciência, lançando palavras de ordem que apontem para a verdadeira solução da crise, sem em nenhum momento deixar de lutar pela classe contra o golpe. Isso levará a um certo isolamento dentro do movimento? Sim, é verdade. Mas qual é a solução? Rebaixar as palavras de ordem para adequá-las ao reformismo? Obviamente não!

No recente programa de televisão do PSTU, o partido, ou melhor, a direção do partido, antecipou o chamado pela parceria eleitoral entre o PSTU e o PSOL. Está claro que este assunto não foi debatido pela base do partido, nos núcleos, mesmo sendo essa uma questão polêmica dentro da organização. Foi a voz da direção que se fez valer. Direção essa que se conserva praticamente a mesma há pelo menos duas décadas. Está claro para quem participa do partido que o PSTU realiza o que a sua direção acha certo ou errado. E depois ela própria avalia seus erros e acertos, deixando a base em último plano na hora de decidir os rumos do partido. Quase não há divergências dentro do parido, pois a direção dita a política. Só se permite frações/tendências nas épocas de congresso intenro.

Isso evidencia que, por mais que se denomine partido trotskista com centralismo democrático, o PSTU é um partido que na prática, aplica um centralismo burocrático. Aqueles que estudaram a história da Revolução Russa um pouco mais a fundo, devem saber que o partido bolchevique/comunista, no seu período realmente democrático, antes dos desvios que o próprio Lênin cometeu e da traição Stalinista, era um partido com tendências permanentes, no qual as diferentes posturas poderiam se organizar, debater e decidir democraticamente, disputando assim a linha geral da organização. Depois de tomada a decisão, todos agiam de acordo com a política decidida.

O PSTU argumenta que a existência de tendências destruiria o partido, pois elas se digladiariam. Isso não é a realidade, pois o partido bolchevique/comunista funcionou assim por mais de quinze anos e só deixou de tê-las às vésperas da guerra civil russa. Foi com tendências permanentes que o partido revolucionário liderou e ajudou a construir a Revolução. Está claro que sem tais estruturas não há como se validar as divergências e o centralismo democrático acaba não existindo. A única tendência organizada é a da direção e se tem um centralismo burocrático.

Outra crítica que deve ser feita às ações do PSTU em relação às tarefas da IV Internacional é o seu abandono às entidades de massa dos movimentos sindical e estudantil. Exemplificando com a ação mais recente: a criação da Assembléia Nacional de Estudantes – Livre (ANEL). O PSTU afirma que a entidade surge do ascenso do movimento estudantil a partir das ocupações de reitoria que ocorreram em 2007, em algumas das maiores universidades do país. E que assim a entidade existe para tornar estas lutas orgânicas, em alternativa à União Nacional dos Estudantes, que cumpriu um papel vergonhoso nas citadas ocupações, sendo contra as mesmas e agindo contra a manifestação espontânea dos estudantes.

O PSTU rompeu politicamente com a UNE em 2005, sob argumento de que a entidade era atrelada pelo governo e assim, direcionava o movimento estudantil para apoiar reformas que iam de desacordo ao projeto político desejável à educação (como por exemplo REUNI e PROUNI). Experiência anterior do PSTU, o CONLUTE, surgia sob a mesma bandeira, com mudanças pequenas na estrutura. O argumento usado pelo PSTU para não estar presente na UNE é geralmente: “A UNE não representa a realidade do movimento estudantil, apenas os setores burocráticos e governistas”. E segue apresentando exemplos da política chapa-branca da entidade, mostrando que participar dela é perda de tempo e que participar de seus fóruns seria legitimar esta entidade.

Os trotskistas devem sempre intervir nas entidades de massa. Negar isso é negar toda a herança histórica desde Marx. Mais do que isso, participar de uma organização, não significa concordar politicamente com a sua direção ou legitimar suas ações. Ficando de fora de organizações de massa da classe trabalhadora como a UNE e a CUT, o PSTU se coloca fora da grande parte da classe trabalhadora que reconhece esses meios. Os trotskistas devem estar nestas organizações de massa, disputando a sua base ao invés de tentarem criar organizações (estas sim) fora de realidade da classe trabalhadora ou do movimento estudantil. A UNE e a CUT representam sim a realidade do movimento estudantil e sindical, exatamente porque a realidade destes é uma realidade reformista. É tarefa da IV Internacional reconstruída mudar essa situação intervindo em tais organizações.
Se o objetivo da ANEL fosse simplesmente organizar movimentos como as ocupações de reitoria, ela seria justificável. Mas nada justifica se excluir da UNE para então construir tão somente a nova entidade.

Para trabalhar contra as medidas do Governo de Frente Popular de fazer reformas regressivas na educação, para disputar a base dos movimentos sindical e estudantil, o PSTU deve estar dentro das entidades de massa. E enquanto se mantém fora das mesmas, se mantém afastado da possibilidade de intervir na realidade da classe. Admitindo a existência da ANEL, é dever dos trotskistas atuarem politicamente em ambas as entidades, pois ambas tem representação na base do movimento estudantil (embora a ANEL corresponda a uma base restrita e fora dos quadros gerais). Não participar da UNE é um erro estratégico grave para um partido que se considera trotskista.

Por último e talvez mais grave para um partido que se considera Trotskista, é sustentar uma interpretação morenista do trotskismo em que coloca como papel do partido nesse momento lutar pelas realizações democrático-burguesas, como um caminho para a Revolução Socialista nos países periféricos do capitalismo. Sua premissa é verdadeira em constatar que nos países periféricos, dentre os quais o Brasil, a burguesia não é capaz de realizar nem mesmo a fase mais avançada da Revolução Burguesa, como a distribuição da terra, o fim do imperialismo, etc. Mas sua resposta à isso é equivocada: se aliar aos setores reformistas mesmo da burguesia nacional quando se tratar de buscar esses avanços “democráticos”. Fica o exemplo da Rússia, na qual foi a Revolução Socialista que cumpriu as tarefas democráticas. Isso não significa que os trotskistas devem lutar por uma “Revolução democrática”, como define o morenismo, mas que é tão somente a luta pela revolução socialista que é capaz de cumprir as mínimas tarefas democráticas.

Essa interpretação no mínimo semi-etapista da Revolução socialista (como a põe Moreno), que considera a “Revolução democrática” como parte integrante da Revolução socialista, explicita o porquê de posições contraditórias na história do PSTU. Apoiar o Solidariedade Polonês em sua luta para derrubar o stalinismo, por exemplo, imaginando que essa “Revolução democrático-burguesa” era uma possível primeira fase da revolução socialista nesse país (como Moreno deixa claro em Revoluções do Século XX). O PSTU segue isso mesmo Trotsky deixando claro em diversas obras que “Stalin derrubado pelos trabalhadores é uma vitória. Stalin derrubado pela burguesia é uma derrota”. A mesma postura de defesa da “revolução democrática” foi a que o PSTU apresentou no caso da queda da URSS. A defesa dos Estado Operários deformados pela burocracia é tarefa da IV Internacional, enquanto estes Estados forem ameaçados pelos interesses da burguesia. O ataque devastador a estes mesmos Estados e suas direções é tarefa da IV Internacional quando eles forem ameaças aos interesses da classe trabalhadora. Só se explica que o partido siga com essa postura pela falta de discussão acerca do programa morenista em sua base.

O papel de um partido trotskista no Brasil hoje é atuar politicamente nas bases dos movimentos popular, sindical, estudantil, etc. mostrando o socialismo como saída e fonte de esperança contra a miséria causada pelo capitalismo à classe trabalhadora e outros setores oprimidos. Assim, estar presente onde a luta de classes se engendra de maneira mais brutal: nos setores mais explorados da classe, defendendo com palavras de ordem transitórias a defesa da classe trabalhadora; e estimular a criação a todo o momento de exemplos de como a classe trabalhadora é capaz de auto-gerir a sociedade: universidades populares, defesa das fábricas ocupadas, atuação em defesa dos setores de trabalhadores terceirizados. Além disso, estar presente nas entidades de massa dos sindicatos para disputar sua política e a sua base, fortalecer a classe trabalhadora, em suas lutas por reformas, sem deixar de lado o programa de transição e sem se deixar desviar por uma tendência limitada sindicalista. Ter em seu interior um debate democrático garantido pelo centralismo democrático com tendências permanentes (e somente assim verdadeiro).

Esse é o conjunto fundamental de uma ação trotskista e explicita onde o Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado corresponde à uma ação com objetivos que não são a Revolução Socialista da classe trabalhadora. Muitos outros exemplos de desvios poderiam completar estas páginas. Mas basta que os trotskistas, os verdadeiros trotskistas, reflitam e encontrarão por si só estes exemplos, desde que avaliem a realidade de maneira crítica e objetiva. Por último, é preciso ressaltar que muitas vezes, as publicações do PSTU exaltam as tarefas da IV Internacional, mas que um conhecimento, mesmo que superficial, do partido, mostra que suas ações não correspondem a esse discurso.


Este é o depoimento de dois trotskistas que foram militantes do PSTU, atraídos pelo seu discurso revolucionário, mas que ao lançarem um olhar crítico sob seus atos decidiram por romper com o mesmo e ingressar no Coletivo Lênin, uma organização que luta pela construção do Partido Revolucionário dos Trabalhadores. Partido esse que compreenda em seu programa o papel dos setores mais oprimidos da classe e a importância do defensismo revolucionário dos Estados operários ainda existentes.
Fica aos demais trotskistas que lerem isto um convite para que se aprofundem no Programa de Transição e verifiquem a validade dos marcos aqui apresentados.


Leandro Torres e Rodolfo Kaleb
Rio de Janeiro, Agosto de 2009
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sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Manifestação na Nova Zelândia

Os comapnheiros da seção neozelandesa da TBI participaram de um ato contra o corte de verbas para a eduação de adultos, que foi o maior ato na Nova Zelândia este ano. Aqui estão os links:

The morning newspaper

http://www.stuff.co.nz/national/education/2720511/Protesters-voice-concern-at-cuts



http://www.indymedia.org.nz/

http://img.scoop.co.nz/stories/images/0908/d2f85ce7efbcd1102c56.jpeg

general pics: http://www.scoop.co.nz/stories/HL0908/S00024.htm

report: http://www.scoop.co.nz/





TVNZ

http://tvnz.co.nz/national-news/protests-after-nightclass-funding-cuts-2887029

3 News

http://www.3news.co.nz/Protest-held-over-funding-cut-to-night-classes/tabid/423/articleID/115220/cat/772/Default.aspx
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5 teses sobre a burocratização da revolução

Com a entrada de militantes vindos do PSTU, começou um debate sobre a identificação feita entre estatização e socialismo (que é uma característica da esquerda institucional), e sobre a necessidade do controle operário nas empresas, para combater a burocracia. Estas teses resumem a posição do Coletivo Lênin sobre o tema:


5 teses sobre a burocratização


O fator principal da burocratização de uma revolução é o isolamento, e consequente necessidade de militarização da sociedade e competição com o mercado mundial

Mesmo sem o problema do isolamento, pode haver burocratização. Isso depende do fator subjetivo, ou seja, da relação entre o partido e as massas. Por exemplo, algumas medidas erradas dos bolcheviques entre 1918 e 1921, a) sobre a gestão das fábricas, acabando com a gestão por assembléia e instituindo a gestão individual, que depois passou a ser feita por um militante nomeado pelo partido, b) a proibição das frações dentro do partido, c) a substituição dos sovietes como mecanismo de deliberação política (as decisões eram tomadas pelo partido e aplicadas imediatamente, sem serem aprovadas após a discussão nos sovietes), contribuíram para preparar o caminho para a usurpação do poder operário pela casta burocrática stalinista.

É necessário, antes da revolução, a realização de experiências de controle operário da produção, para mostrar às massas concretamente que o socialismo é viável e melhor que o capitalismo.

Mesmo na véspera da revolução, essas experiências serão muito minoritárias. Por isso, o foco do trabalho do partido deve ser nas massas assalariadas pelo capital.

As lutas econômicas e as experiências de controle operário não substituem a luta política, que é a tarefa principal do partido. Os organismos de poder/sovietes devem ser os órgãos de decisão da classe trabalhadora para a luta econômica e política, durante a após a dualidade de poderes.

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segunda-feira, 3 de agosto de 2009

ARTIGO DO COLETIVO DE HIP HOP LUTARMADA SOBRE O MV BILL E O HAITI

Hip Hop do bem em solidariedade ao Haiti



Após uma revolta escrava ocorrida no final do século XVIII, o povo preto haitiano, escravizado pelo colonizador frances e seus descendentes, conseguiu libertar-se. Os brancos que sobreviveram a essa rebelião foram obrigados a fugir para a França que, em 1804, reconheceu a independência daquele país.
O exemplo de uma nação emancipada em decorrência de uma rebelião da classe subalterna não poderia se espalhar pelo resto da América, que ainda vivia sob o sistema escravista. Dês de então, esse pequeno país da América Central, é vítima de ataques constantes, velados ou declarados, dos países imperialistas, principalmente dos EUA, até os dias atuais.
Com uma população vivendo na miséria, o povo do Haiti se revoltou em defesa de sua sobrevivência, foi às ruas em grandes protestos, saques, fazendo até greves gerais. No início de 2004, aconteceu uma intervenção do governo dos Estados Unidos, forçando o então presidente (Aristide) a renunciar e deixar o país. O fato de o governo Lula estar interessado em ocupar uma cadeira no Conselho de Segurança da ONU faz com que esteja pronto a atender qualquer pedido daquela organização. E se aproveitando disso, a ONU pede para que o Brasil envie tropas para sufocar a revolta popular.
Em 2005 a SEPPIR (Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial), sob o comando da então ministra Matilde Ribeiro – aquela que gastou R$ 171.000 do nosso dinheiro em futilidades como salão de beleza, free-shoop, entre outras – convidou organizações de Hip Hop de integridade negociável para preparar em conjunto a Campanha Pense no Haiti, Zele pelo Haiti, com shows, seminários e arrecadação de material escolar. Os grupos de Hip Hop comprometidos com a luta dos povos oprimidos entenderam que essa campanha, assim como o jogo da seleção brasileira de futebol, pretendia maquiar o verdadeiro caráter da invasão - chamada de Força de Estabilização. Não vemos verdade nas intenções pacificadoras de uma Organização das Nações Unidas que permitiram a invasão do Iraq pelos EUA, e apesar dos apelos, se negou a enviar suas tropas para Ruanda, permitindo os Htus matarem 800.000 tutsis em 100 dias (8.000 assassinatos por dia).
No momento em que uma delegação haitiana viaja o Brasil, estado por estado, para denunciar as atrocidades cometidas pelas forças de ocupação da ONU, lideradas pelos militares brasileiros, o rapper MV Bill apareceu no Domingão do Faustão propagando as “benesses” da invasão militar naquele país. A aparição super-anunciada de MV Bill no Faustão, no dia 12/07, foi simplesmente desastrosa. MV Bill defende a ocupação militar do Haiti! Para ele as criancinhas do Haiti ficam alegres quando vêem as tropas de ocupação! Sabemos que MV Bill não é tolo, não é desinformado, talvez mal intencionado, pois para a Globo ele é hoje um grande líder político. Aliás, ele muito bem sabe quem é a Globo, aquela emissora que “mostra os pretos chibatados pelas costas”, conforme expressa uma de suas antigas músicas. Mas os pretos do Haiti também são pretos, são pobres, são favelados, e são chibatados pelas costas. MV Bill negou a existência de grupos de rap no Haiti dizendo que não os encontrou por que o país é muito pobre. Mas o rap não é a música da favela? De certo MV Bill teve que negar o rap haitiano tal como a Globo há muito tempo tenta ofuscar o contestador rap brasileiro. Para essa emissora os maiores artistas do rap sempre foram Gabriel o Pensador, Marcelo D2 e agora MV Bill. Quem não lembra que antes de MV Bill aderir a Globo, essa emissora o perseguiu acintosamente? Disseram, no Jornal da Globo, que o clipe “Soldado do Morro” era só “ Armas, Drogas e música mal feita”. Mas num passe de mágica “global” MV Bill passou de “bandido musical” ao bom menino, da boa música, parceirão da compromissada Rede Globo, via “Criança Esperança”. Para obter esse status global MV Bill teve que se desculpar sobre as criticas outrora feitas ao “Criança Esperança” e à própria emissora. . Em seu Site MV Bill e CUFA também dizem-se favoráveis a ocupação dos morros cariocas pelo B.O.P.E. com algumas ressalvas. Já há alguns dias a Cidade de Deus, tão cantada por MV Bill, está ocupada pela PM, que, de acordo com relatos de moradores, tem lançado mão de práticas autoritárias como proibir que jovens circulem pela favela com cabelos pintados de amarelo, entrarem em algumas casas e abaixarem os volumes dos aparelhos de som, vasculharem aparelhos de MP3 para ver se encontram algum Funk, a musica proibida pelas autoridades fluminenses. E dês de então, nenhuma declaração do nosso “herói”, pelo menos em meios de grande repercussão, como num Domingão do Faustão.
Tudo isso demonstra que a CUFA é hoje um braço do Estado e da burguesia na favela. Sua parceria com organismos imperialistas como o Consulado dos EUA e o Banco Mundial não é à toa. Eles, juntos com outras entidades e empresas financiaram golpes e mais golpes militares na América Latina, ao mesmo tempo em que financiava também movimentos sociais pró-imperialistas. No Maranhão a CUFA encabeçou um Encontro de Hip Hop tirado da cartola pelo governo para se contrapor as atividades da Marcha da Periferia organizada pelo Quilombo Urbano (ver Governo e CUFA versus 3ª Marcha da Periferia) e na Cidade de Caxias se juntou a TV Difusora ligada ao grupo do senador Edson Lobão para organizar uma batalha de break no mesmo dia em que o grupo Ministério das Favelas (MINFA) realizaria a sua tradição batalha break, já em sua sexta edição. A batalha organizada pelo MINFA trazia como tema “Negro Cosme” o herói da revolta da balaiada. Na semana seguinte a essas atividades a prefeitura desta cidade mandou confeccionar uma cartilha exaltando Duque de Caxias, assassino de Negro Cosme. O apresentador da Batalha da Difusora, era o coordenador da CUFA-MA , conhecido como Billy.
“Se amanhã uma guerra estourar sei que lado vou estar” dizia em uma das músicas o MV Bill pré-global. Mas a guerra estourou no Haiti, nos morros do Rio de Janeiros, nas periferias brasileiras, o governo Lula criou a Força de Segurança Nacional paralelo a invasão do Haiti, e de que lado MV Bill ficou? Do mesmo lado que o mestiço Domingo Jorge Velho – o assassino de Zumbi - ficou quando a revolta negra estourava nas senzalas resultando em construções de quilombos. Claro que a CUFA não vai pegar em armas para assassinar os pretos com fazia os capitães do mato, ela apenas legitima os assassinos de nossa gente. Quando lançou o vídeo Falcões Menino do Trafico, que não mostra que são os grandes traficantes, a Globo elogiou e anunciou: comprem! Comprem! E logo em seguida lançou uma infinidade de programas que apresenta ela, a Globo, salvando vidas de crianças pobres e pretas, divulgando artistas pobres e pretos, a exemplo do programa Central da Periferia, enquanto por outro lado detonava com a política de cotas e exigia que os governos diminuíssem seus gastos sociais. MV Bill legitima a Globo e as forças imperialistas como única via de salvação dos favelados, quando são eles na verdade os responsáveis pelas condições de existência das favelas que cresce assustadoramente em todo o mundo. MV Bill e a CUFA “tá junto e misturado” com a burguesia, então não serve pra favela!
De nosso lado, estamos dispostos a cooperar com qualquer iniciativa de solidariedade ao povo haitiano, dês de que ela respeite a sua luta, a sua auto-determinação. Não caímos no engodo de que as tropas brasileiras lá estão para controlar a desenfreada violência das gangues marginais locais. Para isso basta entendermos que todo individuo ou grupo que luta contra uma classe dominante está sujeito a esses rótulos desqualificantes como no caso das FARC - taxada de quadrilha de traficantes – ou mesmo nossos heróis e heroínas que deram suas vidas lutando contra a ditadura civil-militar brasileira, mas que as autoridades e as grandes corporações de comunicação à eles se referiam como assaltantes, seqüestradores e terroristas.
Nós pensamos no Haiti e defendemos que zelar pelo Haiti é, também, através da nossa arte, gritarmos pela retirada das tropas brasileiras daquele país. E por esse manifesto, convidamos grupos, posses, crews, organizações, B. Boys/Girls, graffiteiros/ as, MCs e DJs para, juntos, construirmos uma campanha de mobilização para exigir do governo brasileiro a desocupação do Haiti, retirando já o seu exército de lá.
Resistência Cangaço Urbano (CE), Coletivo de Hip Hop LUTARMADA (RJ),
Movimento Hip Hop Organizado do Maranhão Quilombo Urbano (MA), Cartel do RAP (PR), Liberdade e Revolução (SP), Ministério das Favelas (MA), Atividade Interna (PI)
LUTARMADAMobilizar entretendo. Entreter mobilizando
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quinta-feira, 16 de julho de 2009

Sobre O Golpe Militar em Honduras e as respostas da esquerda

O golpe militar realizado pela ultra direita de Honduras suscitou, mais uma vez, a expressão de diferentes posições entre as correntes da esquerda brasileira. Não se trata apenas de exercício teórico, mas de posições que revelam o projeto de sociedade de cada uma dessas correntes e também sua concepção de revolução socialista

A burguesia hondurenha é uma das mais reacionárias da América Latina. Essa burguesia não aceitou a aproximação de Zelaya com os governos Chávez e Morales e, por isso, recorreu à força para derrubá-lo. A atitude gorilesca coloca para os revolucionários a necessidade de derrotar o golpe da direita. Não podemos, porém, ter ilusões de que Zelaya, um mega burguês da indústria madeireira, levará esse enfrentamento até o fim. Pelo contrário, já tenta negociar, através dos EUA, uma saída pacífica e que não comprometa a ordem burguesa hondurenha.

A principal tarefa de qualquer organização revolucionária deve ser mover esforços para, combatendo as posições conciliadoras de Zelaya, transformar as mobilizações contra o golpe em uma insurreição popular que estabeleça um governo direto dos trabalhadores exercido através de seus organismos de poder.

Essa, porém, não é a posição da maioria das correntes da esquerda.
A Democracia Socialista (corrente interna do PT), defende uma saída para a crise hondurenha através do restabelecimento da ordem democrática burguesa. Ao invés de aproveitar-se da crise institucional para dizer aos trabalhadores que eles devem exercer o poder diretamente, engana a classe dizendo que a melhor saída é restabelecer o regime burguês e, nos marcos dos limites desse regime, lutar por concessões da burguesia. Essa posição é decorrência da ruptura da DS com o trotskismo sua perda de perspectiva na revolução socialista. Essa corrente, atualmente, milita apenas por mais espaço dentro do regime burguês para conseguir concessões mínimas do capitalismo. Uma estratégia fadada ao fracasso, visto que vivemos a época da desagregação do sistema e a tarefa de construir o socialismo é condição sine qua non à própria existência humana

No P-SOL, muitas de suas correntes defendem o retorno de Zelaya ao poder, argumentando que esse governo deve ser defendido, pois representa um aliado dos “bolivarianos”. Essa concepção não difere muito da D.S. Chama os trabalhadores a depositar confiança em um governo burguês e nas instituições do regime na esperança de solucionar seus problemas nos marcos do capitalismo enquanto esperam, em um futuro longínquo, a revolução socialista.

Por outro lado, existem as correntes fevereiristas. São as correntes originárias do morenismo. Nahuel Moreno, que inspirou essas correntes, dizia que os revolucionários deveriam mudar sua política com relação aos partidos oportunistas e centristas. Segundo ele, esses partidos seriam empurrados pelas massas para dirigirem “revoluções” que ele chamou “de fevereiro”. Ou seja, revoluções que mudariam o regime, mas manteriam intacto o capitalismo. Somente após essas revoluções “de fevereiro”, os revolucionários colocariam na ordem do dia a tomada do poder e a revolução socialista. Ou seja, em um futuro incerto. Essa formulação de Moreno foi uma ruptura com todas as formulações dos mais experimentados revolucionários da História do movimento operário: Lênin e Trotsky. Estes defendiam incondicionalmente a tomada do poder a expropriação da burguesia sem a necessidade de nenhuma etapa anterior.
Entre as correntes brasileiras dominadas por concepções fevereiristas podemos mencionar o PSTU e a LER.

O PSTU, defende que os trabalhadores de Honduras devem lutar por uma Assembleia Nacional Constituinte que reforme a constituição hondurenha de 1982 e a torne mais progressista. Para o PSTU, caso os trabalhadores realizassem essa conquista através das lutas, seria uma espécie de “revolução de fevereiro”, pois teriam aprofundado as liberdades democráticas. Somente após a conquista dessas maiores liberdades dentro do regime burguês e nos marcos do capitalismo, os trabalhadores teriam a tarefa de cogitar sobre a possibilidade de tomada do poder. O que eles ignoram, e não aprenderam através dos exemplos históricos, é que esse interstício de vacilação é um tempo precioso que a burguesia hondurenha certamente utilizará para se reorganizar, superar sua crise e fortalecer seu controle sobre o Estado.

A LER, corrente que rompeu com o morenismo, mas que mantém concepções fevereiristas, defende a mesma coisa, porém com uma retórica aparentemente mais radical. Defendem uma “Assembléia Nacional Constituinte sobre os escombros do regime”. Quando os regimes burgueses entram em crise, a Assembleia Constituinte sempre é um mecanismo utilizado para reerguê-los. A Assembléia Constituinte nada mais é que uma repactuação entre todos os setores da sociedade para reconstruir o regime através da redistribuição de espaços dentro da ordem burguesa. Todos os países da América Latina que derrotaram suas ditaduras, terminaram seus processos de luta em assembleias constituintes que reconstruíram a ordem burguesa para, através dela, atacar os trabalhadores com a imposição da política neoliberal. Porém, as correntes morenistas acreditavam que aquela saída, via regime burguês, era uma revolução de fevereiro. Nahuel Moreno chegou a afirmar que as mobilizações pelas diretas no Brasil eram uma revolução (de fevereiro). Isso é um abandono do leninismo, pois, para haver revolução, não seria mais necessário haver um partido revolucinário e a revolução cumpriria o papel de conquistar mais liberdades no regime burguês relegando a tomada do poder par um futuro incerto.

Ao contrário, da DS, dos morenistas, neomorenistas ou fevereiristas, nós afirmamos que só há saída para os trabalhadores através da revolução socialista. Ora, se os trabalhadores são capazes de se mobilizar para colocar o regime abaixo, por que não seriam capazes de construírem o seu governo direto? Por que precisariam recuar da luta e convergir seus esforços para reconstruir a estabilidade burguesa através da constituinte? Nós defendemos que os trabalhadores e trabalhadoras de Honduras devem aproveitar-se do desentendimento interburguês para transformas as mobilizações contra o golpe em uma luta por um governo direto dos trabalhadores que exproprie a burguesia e avance para o socialismo. Deixar de falar isso é criar a ilusão de que os dramas e sofrimentos dos explorados e oprimidos podem ser resolvidos através de uma saída costurada por dentro das instituições burguesas. É o mesmo que agora fazem Zelaya, Barack Obama e os golpistas que negociam como superar o impasse sem colocar em risco os poderes da burguesia.

Esses equívocos com relação qual deve ser a política dos revolucionários para Honduras refletem o projeto de revolução que essas correntes pretendem construir. Todas essas concepções têm algo em comum: não chamam os tralhadores a tomar o poder propõem uma saída que desagua na manutenção das instituições. Canalizam, assim as lutas para uma alternativa capaz de dar o fôlego necessário para que a burguesia se reorganize.

Nós, ao contrário, não depositamos nenhuma confiança no regime burguês e nem nas correntes que, por trás de uma ou outra expressão aparentemente revolucionária, chamam os trabalhadores ao caminho da derrota. Dizemos claramente, que a solução para os conflitos hondurenhos é explicar às massas que sua única saída é a tomada do poder e que, para isso, é necessário construir um partido revolucionário dos trabalhadores que tenha como estratégia a construção de um governo direto dos trabalhadores e da quarta internacional reconstruída, condição indispensável para o socialismo.
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Irã: derrubar a ditadura fundamentalista! Não apoiar a Oposição pró-americana!

A fraude descarada nas eleições iranianas de junho passado levou ao surgimento de um amplo movimento de oposição a Mahmoud Ahmadinejad. Essa oposição já reivindica os seus próprios “mártires” da repressão do governo. Não por acaso, o imperialismo, principalmente o governo dos EUA, deu um discreto apoio a Mousavi. Mesmo se a situação está mais calma no momento, houve uma clara mudança na situação política daquele país.
A maioria das correntes de esquerda correram para saudar as mobilizações. Isso não é muita novidade. A desorientação provocada pelo retrocesso histórico que significou o fim da URSS é tão grande que estes setores capitulam a qualquer coisa que pareça “romper com a ordem”. Não é à toa que quem acha que está acontecendo um grande movimento revolucionário no Irã são os mesmos que usam argumentos de esquerda para defender Hugo Chávez e Evo Morales.
Por isso, precisamos analisar cuidadosamente o que aconteceu desde que Mousavi começou a encabeçar as manifestações. Os marxistas nunca avaliam um movimento pelo seu tamanho, muito menos pela questão da democracia formal (quem fraudou ou não), e sim pela sua base social, seu conteúdo e pela política de sua direção.
Em primeiro lugar, Mousavi não representa uma ruptura com a ditadura fundamentalista que controla o país desde 1979. A prova visual disso foram as milhares de bandeiras verdes (a cor da assim chamada “Revolução Islâmica” na frente das passeatas. Mousavi fez parte da elite no poder desde a década de 1980, a agora a sua verdadeira divergência com ela é pela direita – ele quer uma aproximação maior com os EUA.
A sua candidatura se apoiou em setores da classe média e da burguesia contrários ao “populismo” econômico de Ahmadinejad. Ou seja, é uma espécie de “PSDB” iraniano! Toda a movimentação oposicionista foi apoiada pelos grandes comerciantes, que chegaram a ameaçar um locaute (“greve” patronal) após a fraude.
A grande maioria dos manifestantes oposicionistas era formada por estudantes, assim como nos movimentos de 1999, que também questionaram o regime iraniano. Isso é mais um elemento para apontar para um conteúdo democrático-burguês desse campo, já que o movimento estudantil só pode ter um horizonte revolucionário se se subordinar ao movimento dos trabalhadores.
Por tudo isso, caracterizamos o movimento no Irã como dirigido pela burguesia alinhada aos EUA, querendo apenas aproximar mais o país ao imperialismo, e sem questionar o fundamentalismo e a ditadura. O seu objetivo é um regime como o a da Arábia Saudita (fundamentalista, mas pró-americano). Por isso, NÃO APOIAMOS AS MANIFESTAÇÕES DA OPOSIÇÃO IRANIANA. Inclusive, se a oposição tentar um golpe, com a ajuda dos EUA, nos defendemos militarmente Ahmadinejad contra o golpe, sem lhe dar nenhum apoio político.
A esquerda cúmplice do fundamentalismo
Por outro lado, não fazemos como as correntes que se dizem “antiimperialistas” e apóiam Ahmadinejad. Ele representa a ala direita de um regime fascista, que massacra as mulheres e chega ao cúmulo de negar o Holocausto dos judeus nas mãos dos nazistas. Grupos como a LBI chegam até mesmo a achar positiva a defesa do fim do Estado de Israel feita por Ahmadinejad – ou seja, o genocídio puro e simples.
Toda a capitulação ao regime iraniano tem a sua origem numa análise tendenciosa do movimento de 1978-1979, que derrubou o regime pró-americano do Xá Reza Pahlevi. As lutas de classes daquele momento, que levaram quase até o estágio da greve geral, sustentada pelos petroleiros, ferroviários, e pela revolução agrária no campo, não chegaram nunca a expressar a independência de classe.
Desde o começo, essas lutas dos operários e camponeses estiveram subordinadas politicamente ao fundamentalismo de Khomeini. Isso foi culpa principalmente do Partido Comunista Iraniano (Tudeh), e de sua política de Frente Popular com os mulás (sacerdotes muçulmanos). Assim, após a derrubada do Xá, foi possível aos mulás DESTRUIR fisicamente o Tudeh, assim como sua organização militar camponesa, os Fedayyin (Combatentes). O governo foi entregue nas mãos do Conselho dos Guardiães, formado por mulás. A revolução no campo foi interrompida a bala. O véu passou a se obrigatório, e as mulheres perderam quase todos os seus direitos civis. A estrutura legal do país passou a ser a Sharia, ou seja, a aplicação literal das leis do Alcorão, com todos os apedrejamentos e assassinatos que isso significa.
Enquanto isso, HKS e HKE (as seções do Secretariado Unificado da Quarta Internacional, vinculadas à LCR francesa e ao SWP norte-americano, respectivamente) chegaram até mesmo a CONCORRER nas eleições para o Conselho de Guardiães. Ambos consideravam o uso do véu como uma expressão revolucionária sob forma religiosa. Nahuel Moreno e a LIT consideravam o regime do país como “antiimperialista” - e até hoje consideram que o Irã mantém uma “independência relativa” em relação ao imperialismo. A TMI (Esquerda Marxista do PT), que atualmente apóia a oposição iraniana, apoiou Khomeini com o mesmo descaramento na época. Ou seja, esses setores nunca lutaram por uma alternativa de classe, para que os trabalhadores rompessem a frente com a burguesia fundamentalista.
Lutar por uma Assembléia Constituinte Livre e Soberana!
Criar o Partido Revolucionário dos Trabalhadores Iranianos!
A grande tarefa dos trabalhadores e camponeses iranianos é justamente DERRUBAR o regime fundamentalista. Isso só será possível usando os métodos do programa de transição, ou seja, a ocupação de terras pelos camponeses, a formação de autodefesas armadas contra o Exército e a polícia etc. Para agrupar os setores de classe média e mostrar que combate pelo fim do regime totalitário, um partido revolucionário no Irã deveria levantar a bandeira de uma ASSEMBLÉIA CONSTITUINTE, com direito de voto para todos os maiores de 16 anos, e sem nenhuma restrição para formar partidos políticos, para acertar as contas da ditadura e criar um regime secular.
Se durante a luta pela queda do regime, as massas ultrapassassem as suas ilusões democráticas e criassem seus próprios órgãos de poder, seria possível passar diretamente para a luta por um GOVERNO DIRETO DOS OPERÁRIOS E CAMPONESES, sem nenhum intervalo constitucional.
Logicamente, nada disso será possível sem a construção de um Partido Revolucionário dos Trabalhadores iranianos, com maioria de mulheres, seção da Quarta Internacional refundada. É essa a nossa perspectiva – e tudo o que a esquerda tem se negado a fazer no Irã!
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sexta-feira, 19 de junho de 2009

PROGRAMA DO COLETIVO LÊNIN!!!

Este documento é baseado no texto “Pelo Trotskismo!”. Ele foi adotado originalmente como a base para a fusão, em 1987, entre a Tendência Bolchevique e a Tendência de Leninista-Trotskista, na América do Norte, e permanece como uma importante codificação das diferenças essenciais entre o centrismo e a política revolucionária
Partido e programa
A classe operária é a única classe completamente revolucionária na sociedade moderna, a única classe com a capacidade de terminar com a demência do regime capitalista internacional. A tarefa fundamental da vanguarda comunista é inculcar na classe (sobretudo em seu componente mais importante, o proletariado industrial) a consciência de seu papel histórico. Nós rechaçamos explicitamente todo estratagema que seja apresentado por centristas, reformistas e setorialistas, que vêem, em uma ou outra seção da população não proletária, um veículo mais viável para o progresso social.
A libertação do proletariado e, com isso, a eliminação da base material de todas as formas de opressão social, depende da sua direção. O inventário das direções "socialistas" em potencial pode se reduzir, em última análise, a dois programas: reforma ou revolução. Pretendendo oferecer uma estratégia "prática" para a melhora gradual das injustiças das classes sociais, o reformismo trata de conciliar a classe operária com os requisitos do capital. Em contraste, o marxismo revolucionário está baseado no antagonismo entre capital e trabalho, e na conseqüente necessidade da expropriação da burguesia, por parte do proletariado, como pré-condição de qualquer progresso social importante.
A hegemonia da ideologia burguesa, em suas várias formas, no proletariado, representa o baluarte mais poderoso do regime capitalista. A distinção chave entre uma organização revolucionária e uma centrista ou reformista não está tanto em declarações abstratas sobre metas finais e objetivos, mas sim nas posições que cada uma avança nas situações concretas postas pela luta de classes. Os reformistas e centristas costuram a sua resposta programática a cada novo acontecimento de acordo com as ilusões e preconceitos da sua audiência. Mas o papel de um revolucionário é dizer aos trabalhadores e oprimidos o que eles ainda não sabem.
Procuramos enraizar o programa comunista na classe trabalhadora através da construção de colaterais programáticas nos sindicatos. Tais formações devem participar ativamente de todas as lutas por reformas parciais e melhoras na situação dos trabalhadores. Elas também devem ser os melhores defensores das tradições militantes de solidariedade de classes, por exemplo, dizendo que ''Os Piquetes Querem dizer Não Cruze'! Ao mesmo tempo, elas devem procurar recrutar os trabalhadores politicamente mais conscientes para uma perspectiva mundial, que transcenda a militância local na base, e ponha as questões políticas mais urgentes, de forma a apontar para a necessidade de eliminar a anarquia da produção voltada para o lucro, substituindo-a pela produção planificada racionalmente, para atender às necessidades humanas.
Nossa intervenção nas organizações de massa do proletariado é baseada no Programa de Transição, adotado pela Conferência de Fundação da Quarta Internacional, em 1938. Num certo sentido, não pode haver, para um marxista, algo como um “programa acabado” É necessário levar em conta os desenvolvimentos históricos nas cinco décadas passadas, e a necessidade de dar resposta a problemas postos por lutas específicas de setores oprimidos e/ou da classe, com que o esboço de 1938 não lida. Não obstante, em seu essencial, o programa sobre o qual a Quarta Internacional foi fundada mantém toda a sua relevância, porque propõe soluções socialistas aos problemas objetivos enfrentados pela classe trabalhadora hoje, no contexto da necessidade imutável do poder proletário.
2. A Revolução permanente
Nos últimos quinhentos anos, o capitalismo criou uma única ordem econômica mundial, com uma divisão internacional do trabalho. Vivemos na época do imperialismo—a época do declínio capitalista. A experiência deste este século demonstrou que as burguesias nacionais do mundo neocolonial são incapazes de completar as tarefas históricas da revolução democrático-burguesa. Não há, em geral, nenhum caminho aberto para o desenvolvimento capitalista independente a estes países.
Nos países neocoloniais, as realizações das revoluções burguesas clássicas só podem ser conquistadas através do esmagamento das relações capitalistas de propriedade, separando-os dos tentáculos do mercado mundial imperialista, e estabelecendo a propriedade da classe trabalhadora (ou seja, coletivizada). Só uma revolução socialista—uma revolução realizada contra a burguesia nacional e os latifundiários—pode levar a uma expansão qualitativa das forças produtivas.
Uma das características mais importantes de quase todos os países dependentes é a existência de um campesinato dependente, preso a formas de exploração pré-capitalistas ou semi-capitalistas. No Brasil, a revolução não é possível sem aliança operária e camponesa, e a solução da questão da terra através da revolução agrária – a tomada de terras pelos que nela trabalham – combinada com o controle operário no latifúndio de exportação. Rejeitamos a estratégia de “reforma agrária”, do MST e outras correntes, que significa uma luta pela terra por dentro da legalidade, apostando no apoio de um governo de frente popular. Na luta pela terra, defendemos a imediata organização de autodefesas pelo movimento camponês. Nas comunidades indígenas e quilombolas, defendemos a autonomia regional, e que os sistemas de saúde e educação respeitem a sua identidade cultural e linguística.
Rejeitamos a estratégia etapista menchevique-stalinista, de subordinação do proletariado aos supostos “setores progressistas” da burguesia, e a “frente única antiimperialista”, que é uma versão ligeiramente diferente, defendida pelos loristas e altamiristas. Defendemos a independência política completa e incondicional do proletariado em cada país. Sem exceção, as burguesias nacionais do ''Terceiro Mundo'' são agentes da dominação imperialista, e seus interesses são, num sentido histórico, muito mais próximos dos dos banqueiros e industriais da metrópole do que dos seus povos explorados.
Os comunistas oferecem apoio militar, mas não político, a movimentos nacionalistas pequeno-burgueses (e inclusive a regimes burgueses) que entrem em conflito com o imperialismo, em defesa da soberania nacional. Em 1935, por exemplo, os trotskistas defenderam a vitória militar dos etíopes sobre os invasores italianos. No entanto, os leninistas não podem determinar automaticamente a sua posição numa guerra entre dois regimes burgueses a partir de seu nível relativo de desenvolvimento (ou subdesenvolvimento). Na sórdida guerra das Malvinas, de 1982, em que a defesa da soberania da Argentina nunca esteve em jogo, os leninistas defenderam que tanto os argentinos como os ingleses “apontassem as suas armas para seus governos”, ou seja, o derrotismo revolucionário de ambos os lados.
Países como o Brasil, a Índia, a Rússia e a África do Sul são dependentes do imperialismo, mas têm uma autonomia relativa. O nível da sua acumulação interna de capital, e a fusão deste capital nacional com o capital imperialista define o seu caráter como subimperialista. Geralmente, eles estão envolvidos, de forma dependente e associada, com o imperialismo, na exportação de capital em suas regiões (no caso do Brasil, a América do Sul e a África lusófona). Nestes casos de opressão subimperialista, defendemos a derrota e do Brasil, como no Haiti, e a expropriação de seus investimentos, como no setor petroleiro boliviano. Nos casos de conflito com o imperialismo (muito improváveis, devido à cooperação antagônica com as metrópoles), defendemos os países subimperialistas, porque são nações dependentes.
3. Luta Armada
A nossa estratégia para a revolução é a insurreição proletária urbana, apoiada numa greve geral. Para isso, é necessária a criação do partido revolucionário, e a formação, pelo partido, de um aparato militar clandestino nas periferias. Ao mesmo tempo, defendemos no movimento camponês e popular a formação de autodefesas armadas, assim como no movimento sindical, sempre que se derem as condições políticas. Rejeitamos o social-pacifismo dos morenistas, que ignoram a necessidade de preparar a classe para os confrontos armados da luta pelo poder com ações defensivas.
Rejeitamos o foquismo como orientação estratégica (embora reconhecendo que, às vezes, as guerrilhas podem ter valor tático suplementar), porque relega politicamente a classe operária organizada e consciente ao papel de espectadora passiva. Um movimento guerrilheiro baseado no campesinato e dirigido por intelectuais de esquerda pequeno-burgueses não pode estabelecer o poder político da classe trabalhadora, independente da intenção subjetiva de sua direção.
Em várias ocasiões, desde o fim da Segunda Guerra Mundial, foi demonstrado que, em determinadas circunstâncias objetivas favoráveis, tais movimentos podem ter êxito em expropriar a propriedade capitalista. Mas, como eles não são baseados na mobilização da classe trabalhadora organizada, estas lutas, no máximo conseguem estabelecer regimes burocráticos nacionalistas qualitativamente idênticos ao produto da degeneração stalinista da Revolução Russa (como a Iugoslávia, a Albânia, a China, o Vietnã e Cuba).
4. Opressões específicas: A Questão Negra, a Questão da Mulher
A classe trabalhadora hoje é profundamente dividida em torno de linhas raciais, sexuais, nacionais etc. Mas o racismo, o chauvinismo e o machismo são comportamentos programados social, e não geneticamente. Não importa qual seja o seu nível de consciência atual, os trabalhadores do mundo têm uma coisa crucial em comum: eles não podem melhorar, fundamentalmente, a sua situação como classe, sem destruírem a base social de toda a opressão e exploração, de uma vez por todas. Esta é a base material para a afirmação marxista de que o proletariado tem como sua missão histórica a eliminação da sociedade de classes e a erradicação de todas as formas de opressão “específicas”.
No Brasil, a luta pelo poder dos trabalhadores está inextricavelmente ligada à luta pela libertação negra. Os negros brasileiros são uma casta de cor, segregada nos setores mais inferiores da sociedade, e se concentram, sobretudo, na classe operária, particularmente nos setores estratégicos do proletariado industrial e no exército industrial de reserva. O racismo, historicamente, foi o maior obstáculo para a ação política dos setores mais oprimidos da classe, em todos os movimentos. Considerados responsáveis pelo atraso do país, pela ideologia do branqueamento, as lutas do proletariado negro têm um potencial revolucionário decisivo. A luta pela libertação negra - contra a brutalidade racista da vida cotidiana na América capitalista—é central para a construção de uma vanguarda revolucionária no Brasil.
Um aspecto da questão negra muito em evidência recentemente é a opressão religiosa sofrida pelos seguidores de cultos africanos e afro-brasileiros. Como marxistas, defendemos a completa separação entre Estado e religião, assim como defendemos, inclusive militarmente, os locais de culto e os seguidores das religiões oprimidas. Ao mesmo tempo, mantemos a posição comunista, de defesa do materialismo e da ciência, e do combate ao uso da religião para aumentar o conformismo entre os oprimidos.
A opressão das mulheres é enraizada materialmente na existência da família nuclear, a unidade básica e indispensável da organização social burguesa. A luta pela igualdade social completa para as mulheres é de importância estratégica em todos os países do globo. Ela inclui a luta pela socialização do trabalho doméstico, que só pode ser realizada numa economia planificada, pelos direitos democráticos da mulher, incluindo a legalização do aborto, e pela integração das mulheres no movimento operário.
Uma forma de opressão especial relacionada é a que é experimentada pelos homossexuais, que são perseguidos por não conseguirem se adaptar aos papéis sexuais ditados pelo ''estado normal'' da família nuclear. A questão homossexual não é estratégica como a da mulher, mas a vanguarda comunista deve defender os direitos democráticos do(a)s homossexuais e opor-se a todas e quaisquer medidas discriminatórias contra ele(a)s.
Nos sindicatos, os comunistas devem defender o acesso igual a todos os empregos; programas, organizados pelos sindicatos, para recrutar e melhorar a situação das mulheres e minorias em campos “não-tradicionais”, salário igual para trabalho igual e trabalho para todos. É responsabilidade histórica da vanguarda comunista lutar para unir a classe trabalhadora pelos seus interesses comuns de classe, atravessando as divisões artificiais promovidas pela sociedade capitalista.
Os setores oprimidos da população não podem se libertar sem a revolução proletária, numa estrutura social que originou e perpetua a sua opressão. Como Lênin apontou em O Estado e a Revolução:
''Só o proletariado—em virtude do papel econômico que joga na produção em larga escala—é capaz de ser o líder de todas as massas trabalhadoras que a burguesia explora, oprime e esmaga, freqüentemente não menos que ele, mas que são incapazes de empreender uma luta independente pela sua emancipação”.
Vivemos numa sociedade de classes, e o programa de cada movimento social deve, em última análise, representar os interesses de uma das duas classes com o potencial governar a sociedade: o proletariado ou a burguesia. Nos sindicatos, a ideologia burguesa toma a forma do economicismo estreito; nos movimentos dos oprimidos, manifesta-se como setorialismo. O que o nacionalismo negro, o feminismo e outras formas de ideologia setorialista têm em comum é que localizam a raiz da opressão em algo que não é o sistema capitalista e a propriedade privada.
A orientação estratégica da vanguarda marxista em relação às organizações setorialistas ''independentes'' (ou seja, policlassistas) dos oprimidos deve ser a de ajudar na sua diferenciação interna em torno de seus componentes de classe. Isto implica uma luta para ganhar tantos indivíduos quanto for possível para a perspectiva da revolução proletária e a conseqüente necessidade de um partido de vanguarda integrado.
5. A Questão Nacional e os “Povos Interpenetrados”
''O marxismo não pode ser reconciliado com o nacionalismo, nem mesmo na sua forma “mais pura”, “mais justa” e “mais refinada” e “civilizada”. Em lugar de todas as formas de nacionalismo, o marxismo avança o internacionalismo.’'. —V. I. Lênin, ''Comentários Críticos sobre a Questão Nacional.''
O marxismo e o nacionalismo são duas visões de mundo fundamentalmente contrapostas. Sustentamos o princípio da igualdade entre as nações, e nos opomos a quaisquer privilégios para qualquer nação. Ao mesmo tempo, os marxistas rejeitam todas as formas de ideologia nacionalista e, nas palavras de Lênin, aceitam ''todo o tipo de assimilação entre as nações, exceto os fundados na força e no privilégio”. O programa leninista sobre a questão nacional é principalmente negativo, feito para tirar a questão nacional da agenda, cortando o apelo dos nacionalistas pequeno-burgueses, para poder colocar melhor a questão de classe.
Em casos “clássicos” de opressão nacional (por exemplo, o Québec), nós defendemos o direito à autodeterminação, sem necessariamente advogar o seu exercício. Nos casos mais complexos, de povos interpenetrados num mesmo território geográfico (Chipre, Irlanda do Norte, Palestina/Israel) o direito abstrato de cada um à autodeterminação não pode ser exercido eqüitativamente dentro da estrutura de relações de propriedade capitalistas. Ainda assim, em nenhum destes casos, os povos opressores podem ser comparados com os brancos na África do Sul ou os colonos franceses na Argélia; ou seja, uma casta colonizadora privilegiada/aristocracia operária, baseada na super-exploração do trabalho nativo para manter um padrão de vida qualitativamente mais alto do que o da população oprimida.
Tanto a população protestante irlandesa como os israelenses de fala hebraica são povos com diferenciações de classe. Cada um tem uma burguesia, uma pequena burguesia e uma classe trabalhadora. Diferente dos moralistas burgueses com sentimento de culpa, os leninistas não apóiam simplesmente o nacionalismo dos oprimidos (nem as formações políticas pequeno-burguesas que o apóiam). Fazer isso, ao mesmo tempo, impede as possibilidades de explorar as contradições de classe reais nas fileiras dos povos opressores, e assegura a hegemonia do nacionalismo sobre os oprimidos. Os proletários dos povos ascendentes não podem ser ganhos por uma perspectiva nacionalista de simplesmente inverter a atual relação desigual. Uma seção significativa deles pode ser ganha para uma perspectiva de classe contra classe, não sectária, porque ela está de acordo com os seus interesses objetivos.
A lógica de capitulação ao nacionalismo pequeno-burguês levou grande parte da esquerda a apoiar os governantes árabes (a encarnação da assim chamada “Revolução Árabe'') contra os israelenses nas guerras do Oriente Médio em 1948, 1967 e 1973. Em essência, estas foram guerras inter-capitalistas, em que os trabalhadores e oprimidos da região não tinham nada a ganhar com a vitória de qualquer um dos lados. A posição leninista era, portanto, o derrotismo de ambos os lados. Tanto para os trabalhadores árabes como para os hebreus, o inimigo principal estava em casa. A guerra de 1956 foi uma questão diferente, naquele conflito, a classe trabalhadora tinha um lado: com Nasser, contra as tentativas dos imperialismos francês e britânico (ajudado pelos israelenses) de se reapropriarem do Canal de Suez, recentemente nacionalizado.
Embora se oponham ao nacionalismo por uma questão de princípio, os leninistas não são neutros nos conflitos entre os povos oprimidos e o aparato estatal opressor. Na Irlanda do Norte, nós exigimos a retirada imediata e incondicional das tropas britânicas, e defendemos os ataques feitos pelo Exército Republicano Irlandês (IRA) contra tais alvos imperialistas, como a Força Policial Real de Ulster ou Exército Britânico. Do mesmo modo, nós apoiamos militarmente a Organização pela Libertação da Palestina contra as forças do Estado de Israel. Em nenhum caso defendemos atos terroristas dirigidos contra as populações civis. Isto, apesar do fato de que o terrorismo criminoso do Estado Sionista contra os palestinos, assim como o do exército britânico e seus aliados protestantes contra os católicos da Irlanda do Norte, é muitas vezes maior que os atos de terror dos oprimidos.
6. Imigração/emigração
Os leninistas apóiam o direito democrático básico de qualquer indivíduo emigrar para qualquer país no mundo. Como no caso de outros direitos democráticos, isto não é nenhum tipo de imperativo categórico. Nós não defenderíamos, por exemplo, a emigração de qualquer indivíduo que significasse uma ameaça à segurança militar dos Estados Operários degenerados ou deformados. O direito de imigração individual, se exercido numa escala suficientemente larga, pode entrar em conflito com o direito à autodeterminação de uma nação pequena. Portanto, os comunistas não levantam a bandeira de “Abrir as Fronteiras” como uma exigência programática geral. Na Palestina, por exemplo, durante as décadas de 1930 e 1940, o imenso influxo de imigração sionista criou a base para a expulsão forçada do povo palestino de sua própria terra. Nós não reconhecemos o ''direito'' de migração ilimitada dos Han ao Tibete, nem de cidadãos franceses à Nova Caledônia.
Nos opomos a todas as cotas de imigração, todas as prisões e todas as deportações de trabalhadores imigrantes. Nos sindicatos, nós lutamos pela concessão imediata e incondicional de plenos direitos de cidadania a todos trabalhadores nascidos no estrangeiro.
7. Centralismo democrático
Uma organização revolucionária deve ser estritamente centralizada, com os organismos superiores tendo plena autoridade para dirigir o trabalho dos organismos e membros inferiores. A organização deve ter o monopólio político sobre a atividade política pública de seus membros. A militância deve ter o direito garantido à plena democracia fracional (ou seja, o direito de conduzir luta política interna para mudar a linha e/ou substituir a direção atual). A democracia interna não é um enfeite decorativo—nem meramente uma válvula de segurança de uma panela de pressão, para a base —é uma necessidade crítica e indispensável para a vanguarda revolucionária, se esta quer lidar com os desenvolvimentos complexos da luta de classes. É também o meio principal pelo qual os quadros revolucionários são criados. O direito à democracia fracional interna, ou seja, o direito de lutar contra o revisionismo dentro da vanguarda, é a única ''garantia'' contra a degeneração política de uma organização revolucionária.
As tentativas encobrir diferenças importantes e apagar linhas de demarcação políticas internamente só podem enfraquecer e desorientar um partido revolucionário. Uma organização coesionada por diplomacia, consenso no máximo denominador comum e a conseqüente ambigüidade programática (em vez de acordo programático e de princípios, e luta pela clareza política) apenas está esperando a primeira prova séria posta pela luta de classes para rachar. Por outro lado, as organizações em que a expressão de diferenças é proscrita—seja formal ou informalmente—são destinadas a se fossilizarem em seitas rígidas, hierárquicas e sem vida, crescentemente divorciadas do movimento real dos trabalhadores, e incapazes de reproduzir os quadros necessários para executar as tarefas de uma vanguarda revolucionária.
8. Frentes populares
O frente-populismo (ou seja, um bloco programático, normalmente pelo poder governamental, entre organizações de trabalhadores e representantes da burguesia) é traição de classe. Os revolucionários não podem dar nenhum apoio, nem mesmo “crítico”, a participantes de frentes populares, como as formadas pelo PT desde 1989.
A tática de apoio eleitoral crítico a partidos operários reformistas é baseada na contradição, inerente em tais partidos, entre seu programa burguês (reformista) e sua base operária. Quando um partido social-democrata ou stalinista entra numa coalizão ou bloco eleitoral com formações burguesas ou pequeno-burguesas, esta contradição é efetivamente suprimida durante a duração da coalizão. Um membro de um partido operário reformista que concorre às eleições na chapa de uma coalizão de colaboração de classes (ou frente popular) é, de fato, o representante de uma formação política burguesa. Assim, a possibilidade de aplicação da tática de apoio crítico é excluída, porque a contradição que se procura explorar é suspensa. Em vez disso, os revolucionários devem ter como condição para o apoio eleitoral a ruptura da coalizão: “Abaixo os Ministros Capitalistas!”.
9. Frentes Únicas e “Frentes Únicas Estratégicas”
A frente única é uma tática com que revolucionários procuram se aproximar de formações reformistas ou centristas para “jogar a base contra a direção”, quando há uma necessidade sentida e urgente de ação unida por parte das bases. É possível entrar em acordos de frente única com formações pequeno-burguesas ou burguesas, onde há um acordo episódico sobre um assunto particular, e onde é do interesse da classe trabalhadora (por exemplo, os bolcheviques fizeram frente única com Kerensky contra Kornilov). A frente única é uma tática que não só é projetada para realizar o objetivo comum, mas também demonstrar, na prática, a superioridade do programa revolucionário, e assim ganhar mais influência e aderentes para a organização de vanguarda.
Os revolucionários nunca empenham a sua responsabilidade como direção revolucionária a uma aliança de longo prazo (nem ''frente única estratégica'') com forças centristas ou reformistas, como é o caso da Frente de Esquerda entre o PSOL, o PSTU e o PCB. Os comunistas nunca fazem propaganda comum—declarações conjuntas de perspectiva política geral—com os revisionistas. Tal prática é tanto desonesta (porque inevitavelmente envolve calar sobre as diferenças políticas que separam as organizações) quanto liquidacionista. A “frente única estratégica” é uma manobra favorita dos oportunistas que, desesperados com a sua própria pequena influência, procuram compensá-la pela sua dissolução num bloco mais amplo, com um programa de maior denominador comum.
10. Democracia Operária e Linha de Classe
Os marxistas revolucionários, que se distinguem pelo fato de que contam a verdade aos trabalhadores, só podem beneficiar-se com o confronto político aberto entre as várias correntes que competem na esquerda. Não é assim com os reformistas e centristas. Os stalinistas, social-democratas, burocratas sindicais e outras direções traidoras da classe trabalhadora atacam a crítica revolucionária e procuram impedir a discussão e o debate políticos com gangsterismo e exclusões.
Somos contra a violência e o exclusionismo dentro da esquerda e do movimento operário, ao mesmo tempo em que defendemos o direito de todos à autodefesa. Também somos contra a violência “suave” – ou seja, as calúnias, que anda junta com (ou prepara o caminho para) os ataques físicos. A calúnia e a violência dentro do movimento operário são completamente estranhas às tradições do marxismo revolucionário, porque são usados, principalmente, para destruir a consciência, a condição prévia para a libertação do proletariado.
11. O Estado e a Revolução
A questão do Estado ocupa um lugar central na teoria revolucionária. O marxismo ensina que o Estado capitalista (em última análise, “os corpos especiais de homens armados comprometidos com a defesa da propriedade burguesa”) não pode ser assumido e usado para servir aos interesses da classe trabalhadora. O poder da classe trabalhadora só pode ser estabelecido pela destruição da maquinaria burguesa de Estado atual, e sua substituição por instituições comprometidas com a defesa da propriedade proletária.
Nós somos terminantemente contra a intervenção do Estado burguês, em qualquer de suas formas, nos assuntos do movimento operário, inclusive a arbitragem de greves. Os marxistas são contra quaisquer “reformadores” sindicais que procurem corrigir a corrupção burocrática através das cortes capitalistas. Os trabalhadores devem limpar a própria casa! Nós também defendemos a expulsão, do movimento sindical, de todos os policiais e guardas de prisão.
O dever dos revolucionários é ensinar à classe trabalhadora que o Estado não é um árbitro imparcial entre interesses sociais conflitantes, e sim uma arma usada contra ela pelos capitalistas. Assim, os marxistas são contra as exigências reformistas/utópicas de que o Estado burguês ''proíba” os fascistas. Tais leis, invariavelmente, serão usadas muito mais agressivamente contra o movimento operário e a esquerda do que contra a escória fascista, que constitui as tropas de choque da reação capitalista. A estratégia comunista de luta contra o fascismo não é fazer apelos ao estado burguês, e sim mobilizar o poder da classe trabalhadora e dos oprimidos, pela ação direta, para esmagar os movimentos fascistas em seu nascedouro, antes que possam crescer.
Os leninistas rejeitam totalmente a idéia de que tropas imperialistas possam ter um papel progressivo em qualquer lugar: seja “protegendo” a população do Haiti ou “mantendo a ordem” no Oriente Médio. Nem pressionamos as diplomacias a “boicotarem” os países imperialistas. Em vez disso, os apoiamos nas mobilizações de massas dos trabalhadores.
12. A Questão Russa
Nos colocamos na defesa incondicional das economias coletivizadas dos Estado Operário Deformados do Vietnã, China, Coréia Norte e Cuba, contra a restauração capitalista. Mas nós não perdemos de vista nem um momento o fato de que somente revoluções políticas proletárias, que derrotem os burocratas anti-operários traidores que governam estes Estados, podem defender as conquistas existentes e abrir o caminho para o socialismo.
A vitória da fração stalinista na União Soviética, nos 1920, sob a bandeira do “Socialismo num só País”, foi consolidada com o extermínio físico dos principais quadros do partido de Lênin uma década mais tarde. Os usurpadores stalinistas subvertem decisivamente tanto a defesa da União Soviética quanto a revolução mundial. A perspectiva de uma insurreição proletária para restabelecer o domínio político direto da classe trabalhadora, portanto, não é contraposta, e sim indissoluvelmente ligada à defesa das economias coletivizadas.
Após o fim da URSS, os Estados Operários que sobraram precisaram recorrer a uma política tipo NEP, abrindo as suas economias para o capital imperialista. Por isso, China, Cuba e Vietnã destruíram a planificação econômica, que era a maior conquista da revolução. Mesmo assim, o fato do aparelho de Estado nesses países não ser controlado pela burguesia, e sim pela burocracia, faz com que ele seja um ponto de apoio para a volta de uma economia planificada e para a luta contra a recolonização pelo imperialismo. Por isso, continuamos a defender incondicionalmente esses Estados contra a restauração do domínio da burguesia.
A questão russa foi posta mais agudamente em três acontecimentos: a supressão do Solidariedade polonês, em 1981, a intervenção do exército soviético no Afeganistão e a tentativa de golpe do Comitê de Emergência, em 1991, na URSS. Nos emblocamos militarmente com os stalinistas nestas situações. Isto não implica que os burocratas stalinistas tenham qualquer papel histórico progressivo a desempenhar. Ao contrário. Não obstante, defendemos essas ações porque eles são forçados a defender as formas de propriedade operárias.
13. Pelo Renascimento da Quarta Internacional! Pela construção do Partido Revolucionário dos trabalhadores!
O marxismo revolucionário do nosso tempo é a teoria política derivada da experiência destilada de mais de um século e meio de luta da classe operária pelo comunismo. Foi comprovado pela positiva durante a Revolução de Outubro de 1917, o acontecimento mais importante da história contemporânea e, desde então, pela negativa.
Depois do estrangulamento burocrático do partido bolchevique e da Internacional Comunista pelos stalinistas, a tradição do leninismo, a prática e o programa da revolução russa, foi levada adiante somente pela Oposição de Esquerda.
O movimento trotskista nasceu na luta pelo internacionalismo revolucionário, contra o conceito reacionário/utópico do “Socialismo num só país”. A necessidade de uma organização revolucionária em nível internacional é derivada da própria organização da produção capitalista. Os revolucionários em cada terreno nacional devem ser guiados por uma estratégia de dimensão internacional – e que seja elaborada através da construção de uma direção internacional da classe trabalhadora. Ao patriotismo da burguesia e de seus lacaios, social-democratas e stalinistas, o trotskistas opõem a palavra de ordem imortal de Karl Liebnecht: “O pior inimigo está em casa”. Nós nos baseamos nas posições programáticas básicas adotadas pela conferência de fundação da Quarta Internacional, em 1938, e nas tradições revolucionárias de Marx, Engels, Lênin, Luxemburgo e Trotsky.
Os dirigentes da Quarta Internacional fora da América do Norte foram, na sua maioria, aniquilados e dispersos durante a Segunda Guerra Mundial. A internacional foi definitivamente destruida politicamente pelo revisionismo pablista nos anos 50. Nós não somos neutros em relação à divisão que ocorreu em 1951-53 – estamos do lado do Comitê Internacional (CI) contra o Secretariado Internacional pablista (SI). A luta do CI tinha falhas profundas, tanto na sua elaboração política como em sua execução. Mesmo assim, em última análise, o impulso do CI para resistir à dissolução dos quadros comunistas dentro dos partidos stalinistas e social-democratas (como foi proposto por Pablo), e a sua defesa da necessidade de um fator consciente na história, os fizeram qualitativamente superiores aos liquidacionistas do SI.
O morenismo é apenas uma forma de pablismo adaptada às condições da América Latina. Ao rejeitar a idéia de que somente em casos muito excepcionais as direções oportunistas podem ser levadas a estabelecer um Estado Operário (deformado), o morenismo aposta que o reformismo é capaz de liderar revoluções socialistas “de fevereiro”. Por isso, quase todas as correntes morenistas hoje no Brasil estão envolvidos ou com a construção do PSOL ou com uma “frente única estratégica” com ele.
Dentro do CI, a seção mais importante era o Socialist Workers Party americano (SWP). Também era a seção mais forte na época de fundação da internacional. Havia se beneficiado da colaboração direta de Trotsky e tinha quadros na sua direção que remontavam aos primeiros anos do Comintern. O colapso político do SWP como organização revolucionária, assinalado pelo seu entusiasmo acrítico em relação ao castrismo nos anos 60, e culminando com a sua unificação com os pablistas em 1963, foi um golpe enorme para todos os comunistas.
Nós somos solidários com a luta da Tendência Revolucionária do SWP, que defendeu o programa revolucionário contra o objetivismo centrista da maioria. Nós nos baseamos nas posições trotskistas defendidas e elaboradas pela Liga Espartaquista revolucionária nos anos seguintes. Mesmo assim, sob a pressão de anos de isolamento e frustração, a SL se degenerou qualitativamente em uma seita burocrática cada vez mais abstencionista diante da luta de classes, e que tem demonstrado um impulso consistente de capitular sob pressão. A LQI, formada em 1996 por um setor da direção da Liga Espartaquista, por não ter feito autocrítica de mais de quinze anos de degeneração, acaba reproduzindo os mesmos erros, mas com um tom ainda mais stalinofílico e sectário.
O PCI francês, o outro componente principal do CI, manteve as suas posições revolucionárias até o início dos anos 1970 quando, capitulando à política de frente única antiimperialista do POR boliviano, passou a se desviar cada vez mais à direita, o que terminou por levá-lo a adotar um programa social-democrata de entrismo sui generis nos partidos reformistas.
Por isso, consideramos que a Tendência Bolchevique Internacional, que resistiu ao processo de degeneração da Liga Espartaquista, e combateu seus desvios abstencionistas e sua capitulação ao stalinismo desde os anos 1980, é a depositária do programa espartaquista nos dias de hoje, e a peça fundamental para a luta pela refundação da Quarta Internacional.
No Brasil, a luta pela refundação da Quarta Internacional passa pela criação do Partido Revolucionário dos Trabalhadores. No Brasil, nunca houve um partido revolucionário. O PCB já nasceu com uma estratégia etapista (a “revolução pequeno-burguesa” dirigida pelos camponeses e pelos tententes). As primeira corrente da Oposição de Esquerda no país, a LCI, tinha um profundo desvio centrista, além de ignorar a questão camponesa. Ela foi destruída ao ser ganha para o antidefensismo nos anos 1940. Após ela, os vários grupos posteriores foram criados como seções de uma QI ou de correntes internacionais já centristas, com a única exceção da OSI, nos anos 1970, que depois foi cooptada pelos lambertistas.
No setores que romperam parcialmente com a concepção stalinista, a POLOP e o PCBR deram algumas contribuições para a formação do programa comunista para o país, respectivamente com a teoria do subimperialismo e com a análise do escravismo colonial. Infelizmente, não chegaram a cristalizar uma corrente internacionalista e revolucionária, em parte devido á repressão da ditadura militar. Com a formação do PT, todas as correntes se adaptaram à sua concepção social-democrata. Por isso, ainda está pendente a tarefa de, através de fusões e rupturas, cristalizar uma vanguarda comunista, com um programa marxista revolucionário, formando uma organização com maioria de mulheres e negros – os setores mais oprimidos da classe. Essa é a maior tarefa do Coletivo Lênin.
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CARTA DO COMPANHEIRO T.B. ROMPENDO COM O PSTU!

Romper com o PSTU para construir o Partido Revolucionário!

Meu nome é T.B. e sou militante da juventude do PSTU no Rio de Janeiro desde 2008.
Comecei a militar no movimento secundarista. Logo, entrei no Enlace/PSOL. Com o tempo, eu vi que o Enlace é uma corrente totalmente eleitoreira, que gira em volta do gabinete do vereador Marcelo Freixo, e que capitula a tudo o que estiver na moda, como o Hugo Chávez.
Por isso, fui para o PSTU, porque via um partido muito mais organizado, intervindo nas lutas e dizendo que era trotskista. Uma das coisas que me fizeram entrar no partido foi a política de construir a CONLUTAS e a CONLUTE. Naquele momento, eu achava que isso era mais radical.
Com o tempo, comecei a ver que partido tinha uma aliança quase permanente com o PSOL, que estava dentro da UNE. Se ele estava com um programa semelhante ao da FOE, para que ficar fora dos congressos da UNE, onde participam milhares de estudantes?
No princípio, eu pensei que era sectarismo. Mas, depois, eu vi que isso tinha uma função, que ficava mais evidente na CONLUTAS: montar um aparato próprio. Lendo os escritos de Trotsky, “Sobre a questão da unidade sindical”, e o “Esquerdismo”, de Lênin, vi que essa manobra dificultava mais ainda disputar a base destas entidades. Foi quando eu comecei a desconfiar que o PSTU abandonava os clássicos da marxismo.
Mesmo nas chapas para as entidades de base, nunca são levantadas as palavras de ordem do Programa de Transição (escala móvel, controle operário, expropriação etc), com a desculpa de que isso “afastaria a base”. Se for assim, então para que serve a agitação? Para seguir a massa? Além disso, o PSTU sempre esconde o próprio programa atrás do do PSOL.
Mas tudo ficou claro quando li algumas obras de Nahuel Moreno, principalmente “Revoluções do Século XX” e “Teses sobre a Atualização do Programa de Transição”. A tática do Congresso Nacional de Estudantes, a formação da CONLUTAS pra fundir com a Intersindical, tudo isso era coerente com o morenismo.
Moreno revisou a tese do Programa de Transição, segundo a qual a possibilidade das direções oportunistas criarem um Estado Operário era uma exceção. Para Moreno, isso foi a regra desde a Segunda Guerra Mundial. Por isso, o morenismo divide as revoluções socialistas em duas fases, o “fevereiro” e o “outubro”, sendo que a primeira é dirigida pelos oportunistas. Por isso, o PSTU PRECISA manter uma frente permanente com o PSOL. E por isso, cria estes aparatos para poder melhor negociar com os reformistas.
Estudando a história do morenismo, percebi que essa política de capitulação ao oportunismo existe desde os anos 1950. Durante a contra-revolução que destruiu a União Soviética, a LIT chegou ao cúmulo de emblocar com a social-democracia e o imperialismo a favor do Soliariedade (que era apoiado pela Igreja Católica e pela CIA) e dos fundamentalistas que combatiam a ocupação soviética no Afeganistão. Hoje, a LIT carateriza Cuba como uma “ditadura” sem conteúdo de classe. Isso vai levar a corrente a apoiar a contra-revolução lá, se ela for disfarçada de “movimento pela democracia”!
O pior é que é quase impossível discutir isso dentro do partido. A maior parte da base é captada porque faz greves, passeatas etc. Mas não tem uma formação sólida. Por isso, o partido vive num ritmo sindicalista, em que não se discute política, e tudo o que se pensa é na próxima eleição ou greve. Na juventude ainda é pior, o partido é uma verdadeira máquina de moer militantes Os jovens da classe trabalhadora não conseguem aguentar o ritmo, e ficam só os de classe média. E mesmo assim, muito, quando saem do ME, param de militar. Por isso, qualquer divergência política é tratada com suspeita e “queimação” do militante. Então, não restou solução para mim senão sair.
Por tudo isso, é necessário romper com o PSTU, se quisermos construir um partido revolucionário no Brasil. Esta carta é um convite a todos os militantes que estão insatisfeitos com a burocratização e o sindicalismo da direção do partido: vamos romper e lutar pelo partido revolucionário!
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quinta-feira, 18 de junho de 2009

PSTU FUNDA SUA PRÓPRIA ENTIDADE ESTUDANTIL. PARA ONDE LEVA O SECTARISMO DIVISIONISTA?

Após alguns meses convocando um “congresso de estudantes”, o PSTU reuniu sua pequena base estudantil e mais alguns grupos regionais no Rio de Janeiro e, ali, proclamou a fundação de uma ANEL. Esta seria a entidade forjada para disputar a direção do movimento estudantil com a histórica União Nacional dos Estudantes. Apesar de haver repetido várias vezes que, com sua política de fundar uma nova entidade, estava arrastando atrás de si setores do P-SOL, nenhuma corrente Psolista colocou peso naquele evento. Ou seja, o PSTU não conseguiu convencer nenhuma corrente estudantil de expressão nacional a legitimar aquele espaço. Porém, ainda assim, em um congresso nacional menor que o congresso da UEE de São Paulo e infinitamente menor que qualquer fórum da UNE, o PSTU proclamou ali uma nova direção para o Movimento Estudantil. Esse debate não é novidade no movimento. Em 1994, sem ter forças para disputar politicamente com a direção da UNE, o MEPR decidiu fundar sua própria entidade. O resultado é que os estudantes continuaram se organizando através da UNE e o MEPR, juntamente com sua entidade, tornaram-se um agrupamento marginal e incapaz de intervir na realidade objetiva. Onze anos depois, em 2005, o PSTU, também por não ter condições de disputar a direção do movimento estudantil e, consequentemente, a direção da UNE, decidiu elevar sua pequena Conlute ao status de entidade e passou a denunciar aqueles que permaneciam na União Nacional dos Estudantes. O resultado não demorou a ser notado. Os estudantes, mais uma vez, seguiram se organizando através da UNE, o PSTU aprofundou seu isolamento e a Conlute, de autoproclamada direção para o Movimento Estudantil, passou a ser conhecida como mais uma entidade fantasma que sequer conseguia fazer propaganda de simesma. Existe uma grande diferença entre os marxistas e os dogmáticos. Nós, marxistas procuramos analisar a realidade objetiva e nos esforçamos para aprender com a história. Os dogmáticos, na maioria das vezes militantes de seitas como o PSTU, preferem acreditar no mito da infalibilidade dos seus dirigentes e no inevitável sucesso das fórmulas mágicas por eles propostas. Por esse motivo, sem fazer uma análise sequer da história recente, o PSTU mais uma vez comete no movimento estudantil o mesmo erro em menos de 5 anos. Para onde leva essa locomotiva de erros graves? A divisão do movimento estudantil é algo que o PSTU e suas correntes satélites regionais já vêm provocando há algum tempo. Assim, quando o M.E organizado convoca atos como os do tradicional dia de luta que é o 28 de março, o PSTU e sua suposta “entidade” convoca atividades para o mesmo dia e horário, porém em local diferente tentando esvaziar os atos do convocados pelo Movimento Estudantil e dizer que possuem mais expressão que a UNE. O mesmo acontece quando o movimento sindical se organiza para fazer seus atos no 1 de maio ou qualquer outra data que seja historicamente de luta. Tenta dividir o movimento organizado tendo como única política atacar permanentemente as entidades de massas dos trabalhadores e da juventude. A consquência disso é que algumas centenas de estudantes, atraídos por esse discurso, deixaram de se organizar nacionalmente nos últimos 5 anos. Colocaram-se sob a bandeira de uma Conlute que não existia e, na prática, não estiveram organizados para articular as lutas. Esses exemplos mostram que a primeira estação, parada obrigatória da locomotiva sectária e divisionista, é a neutralização da atividade militante de um setor da vanguarda. Mas, a viagem não pára por aí. Em acontecimentos recentes, no afã de derrotar a Central Única dos Trabalhadores, o PSTU chamou a polícia para invadir a sede do sindicato dos metalúrgicos de Contagem e, depois, neutralizou a eleição recorrendo à justiça burguesa. Ou seja, para impedir que a Central Única dos Trabalhadores vença uma eleição, vale qualquer desvio moral que atente contra o movimento operário. Por conta disso, até hoje, aquele sindicato permanece desorganizado. Em outras ocasiões, com o objetivo de derrotar a entidade de massas dos trabalhadores, o PSTU se aliou a partidos burgueses como o PSB, em FURNAS, e o PDT, em bancários. Mais uma vez, quando se trata de derrotar a Central dosTrabalhadores, vale tudo. Até alianças com a direita! E isso é evidente, pois a direita é a maior interessada em que os trabalhadores e os estudantes não tenham suas entidade de massas. Esses fatos mostram claramente onde fica a segunda estação: O PSTU tem feito alianças com a polícia e com a direita interessadas no fim da CUT. Agindo assim, esse partido assemelha-se aos agrupamentos que não fazem parte do movimento de trabalhadores. Mas, o trajeto não estaria completo se não
houvesse uma terceira estação. A do autoritarismo. O PSTU jamais poderia argumentar a favor de tais atitudes se não houvesse o aprofundamento de mecanismos de supressão da discussão política interna. Por isso, basta um militante ensaiar um pensamento diferente da direção para ser colocado “na geladeira”. Some-se a isso a prática de estigmatizar e, muitas vezes, caluniar os que lhe opõem imputando a estes adjetivos que servem apenas para desviar a discussão política. O resultado é um partido autoritário interna e externamente. Essa mescla de ações à direita e atitudes autoritárias e despolitizantes trariam consequências muito mais nefastas para o movimento caso o PSTU fosse uma corrente com grande influência. Felizmente, não o é. Mas, ainda assim, sua atitude divisionista serve como exemplo didático para que os militantes do movimento organizado possam ver, na prática, que a viagem ultra esquerdista leva a uma sucessão de estações que conduzem para um só lugar: a direita. No dia 14 de junho de 2009, na tentativa de dividir o Movimento Estudantil para ter seu próprio aparato, o PSTU proclamou uma nova entidade. Porém, muito mais do que dividir o movimento, conseguiu dar um largo passo que, além de degenerá-lo ainda mais, aprofundará o seu distanciamento do movimento real. Assim, condenou-se a ser lembrado pela História como o partido que militou para destruir as organizações dos trabalhadores e da juventude. Que seu exemplo sirva como objeto de estudo para todos os ativistas sinceros que não querem se equivocar.
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quarta-feira, 10 de junho de 2009

UMA NOVA ENTIDADE, UM NOVO APARATO, UMA NOVA DIVISÃO!

Nesse momento de refluxo da esquerda no Brasil e no mundo e o processo de barbárie da sociedade cada vez mais avançado, mais uma vez grupos políticos do movimento insistem em erros estratégicos, erros esses que a roda da história já mostrou como posição equivocadas quando aplicadas no movimento operário, e refutadas por teóricos marxistas como Lênin e Trotsky.Nesse Congresso Nacional dos Estudantes podemos ver claramente mais uma vez esses erros se repetirem.
O PSTU, organização que faz o chamado ao congresso, tem como objetivo criar mais um aparelho sindical para se manter como direção de forma tão burocrática quanto o PC do B na UNE, e como conseqüência dividirá ainda mais o movimento e aprofundará sua burocratização. O PSTU afirma que as lutas dos estudantes de 2007 a 2008 afirmam a necessidade de uma “nova ferramenta de luta”, e decretam a falência da UNE, dois erros frutos de uma análise equivocada e oportunista.
É verdade que a UNE se encontra burocratizada e afastada dos estudante na maioria das lutas e sua direção nada mais é que um braço do governo, mas mesmo assim esta se mantém como referência para estudantes de todo o país, pelos milhares de estudantes que enchem os congressos, por seu papel histórico, e pela disputa da conciência de milhares de estudantes por diversas correntes que participam da UNE. Em todas as ocupações e mobilizações dos estudantes durante os últimos dois anos a direção da UNE se omitiu e repudiou as mobilizações por que estas se encontravam em oposição à suas políticas governistas e traidoras, mas mesmo assim várias correntes e organizações que reivindicam a entidade estiveram presentes, demonstrando que mesmo sem sua direção a UNE estava presente pelos estudantes que a reivindicam.
Temos que aprender com a história do movimento operário e o legado deixado pela teoria e pela prática marxista. Tanto Lênin, em “Esquerdismo, doença infantil do comunismo”, quanto Trotsky, em “A questão da unidade sindical”, rechaçam veemente posições oportunistas e sectárias no movimento operário, pois apenas levam ao isolamento dos comunistas da discussão com os trabalhadores e da disputa de sua consciência. Temos que construir a unidade sindical nos movimentos operário, e também no movimento estudantil, e denunciar as políticas conciliadoras e traidoras das velhas direções pelegas. Devemos disputar a consciência dos trabalhadores e estudantes com um programa de transição para o socialismo, e para isso é fundamental a unidade sindical e nas entidades e sindicatos disputarmos com as correntes oportunistas e traidoras a consciência de estudantes e trabalhadores.
Nosso papel nesse congresso é rechaçar a oportunismo do PSTU, que por não saber fazer a autocrítica e retornar a disputar a UNE, quer dividir o movimento estudantil com a construção de uma nova entidade burocrática para se tornar direção; e defender a disputa da consciência dos estudantes e trabalhadores em todos os fóruns do movimento estudantil e operário, para avançarmos na luta pelo socialismo internacional contra a barbárie que avança sobre humanidade.
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