QUEM SOMOS NÓS

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Somos uma organização marxista revolucionária. Procuramos intervir nas lutas de classes com um programa anticapitalista, com o objetivo de criar o Partido Revolucionário dos Trabalhadores, a seção brasileira de uma nova Internacional Revolucionária. Só com um partido revolucionário, composto em sua maioria por mulheres e negros, é possível lutar pelo governo direto dos trabalhadores, como forma de abrir caminho até o socialismo.

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Precisamos de uma greve de verdade! (coletivo Bancários de Base)


Reproduzimos aqui o panfleto do coletivo Bancários de Base, em que o Coletivo Lênin está se integrando.

Nós temos uma divergência, sobre a questão da PLR, que vamos explicar nos comentários. Já estamos debatendo o assunto  no Bancários de Base.


CAMPANHA SALARIAL 2012
PRECISAMOS DE UMA GREVE DE VERDADE!
          
CHEGA DE GREVE DE “FAIXADA”! Não basta colocar uma faixa na frente das agências dizendo “Estamos em greve”, para barrar o público em geral, e deixar os fura greves dentro da agência atendendo os clientes endinheirados e cumprindo metas. Depois, marca-se assembleia às 20:00 para esses mesmos fura greves aceitarem um acordo rebaixado. Esse tipo de “greve” não nos serve! Estamos cansados desse roteiro! 

UMA GREVE DE VERDADE PRECISA CAUSAR PREJUÍZO AOS BANCOS! Somente assim eles podem ser forçados a conceder nossas reivindicações. Os bancos hoje conseguem funcionar e fazer negócios com os fura greves atendendo nas agências “fechadas”, com os caixas eletrônicos, internet, celulares, trabalhadores terceirizados, correspondentes bancários, etc. Para afetar o lucro dos bancos, seria preciso uma greve gigantesca, com a participação e a criatividade dos bancários, com ações massivas, capazes de paralisar de fato o funcionamento das agências e departamentos. 

 UMA GREVE DE VERDADE SÓ É POSSÍVEL COM DEMOCRACIA! Ao longo do ano não são feitas atividades preparatórias em que os bancários possam participar, trazer ideias, se organizar. Esse erro precisa ser corrigido na campanha salarial. As assembleias devem ser um espaço real de organização da campanha e de debate de propostas! Por isso defendemos:
          
ASSEMBLEIAS UNIFICADAS ATÉ O FINAL DA GREVE E NO HORÁRIO DAS 14:00hs! As assembleias devem ser feitas para facilitar a vida dos grevistas! Com assembleias às 14:00 hs quem está em greve pode se reunir longe do local de trabalho e levar os colegas para a assembleia. Com isso, mais bancários participam, ficam longe do assédio dos gerentes, e ainda evitam o trânsito da metrópole na volta para casa.
            
 DIREITO À FALA PARA OS BANCÁRIOS! Os trabalhadores devem ser os protagonistas da greve e não apenas espectadores, que comparecem para ouvir a diretoria falar durante horas e apenas levantam o crachá para votar. As falas devem ser abertas apenas para quem for fazer propostas, as propostas dos trabalhadores tem que ser postas em votação, e as que forem aprovadas têm que ser executadas!
             
REPRESENTANTES NA MESA DE NEGOCIAÇÃO ELEITOS EM ASSEMBLEIA E COM MANDATO REVOGÁVEL! Os trabalhadores que estão no dia a dia das agências e departamentos devem estar na mesa de negociação! Se os diretores do sindicato querem negociar em nosso nome, devem se submeter diariamente às assembleias! Na composição do comando de negociação, o número de representantes seria proporcional ao tamanho da base, e São Paulo, que é a maior base do país, tem que ter um representante eleito em assembleia entre os trabalhadores!
             
QUE NÃO SE ASSINE NENHUM ACORDO COM DESCONTO OU COMPENSAÇÃO DE HORAS! Quem luta por todos não pode ser punido por fazer greve, que é um direito!

            COLOCAR EM PAUTA AS REAIS REIVINDICAÇÕES! 

Para que os trabalhadores tenham motivação de participar da greve é preciso que as questões que afetam seu dia a dia sejam discutidas. As questões específicas de cada banco têm que ser resolvidas na greve e não levadas para mesas de “enrolação permanente”. Assim, independentemente de qual seja o índice de reajuste, a greve deve continuar pelas questões específicas:
         
 *Não à demissão imotivada e estabilidade no emprego para todos!     
 *Por um plano de reposição das perdas (90% no BB e 100% na CEF)!        
 *Isonomia entre funcionários novos e antigos, e também dos bancos incorporados, acatando-se o que for mais vantajoso para o trabalhador!         
*Plano de cargos e salários! PLR linear!
             
CONTRA A REMUNERAÇÃO VARIÁVEL E A LÓGICA DA SUPEREXPLORAÇÃO! Os salários estão tão arrochados que o trabalhador acaba precisando da PLR para pagar as contas. As campanhas salariais se encerram quando os bancos oferecem uma melhorazinha na PLR, que o trabalhador aceita para sair do sufoco. É por isso que as PLRs tem que ser discutidas em acordo separado, fora da campanha salarial! Além disso, com a vinculação da campanha à PLR, o trabalhador passa a achar que precisa se esforçar mais, para dar mais lucro ao banco, para somente assim receber a PLR. O trabalhador acaba aceitando a lógica da empresa e as cobranças absurdas que vêm dos gestores e seus superiores! É preciso romper com essa lógica! A campanha salarial deve ser feita por salário, e nosso salário não pode depender da variação do lucro dos bancos. Salário é para a vida inteira e tem que ser revalorizado!
            
 LUTAR POR UM OUTRO PROJETO PARA OS BANCOS! O assédio moral e a superexploração que estamos vivenciando todos os dias não são resultado da maldade deste ou daquele gerente, não podem ser resolvidos por meio de mesas de “enrolação permanente” nem de “comissões de ética”. O assédio é resultado de uma política geral dos bancos, que exigem metas absurdas dos funcionários, tanto em bancos privados como nos públicos. Precisamos discutir um projeto de banco público dos trabalhadores, que não esteja voltado para a extorsão dos clientes via tarifas, “produtos” e juros, e que não pratique a superexploração dos funcionários. Os bancos ganharam muito dinheiro sempre, e agora que isso pode diminuir num período de crise, os governos querem que os trabalhadores paguem o prejuízo. Precisamos recolocar em pauta como uma luta de toda sociedade a estatização do sistema financeiro sob controle dos trabalhadores!
            
CONTINUEMOS ORGANIZADOS! Para termos uma greve de verdade seria preciso preparação e organização ao longo do ano, que a diretoria do sindicato não realizou. Nós do Bancários de Base propomos que os trabalhadores se reúnam, busquem formas de se organizar, elejam representantes combativos, delegados sindicais, cipeiros, etc., que ao longo do ano mantenham a organização e a resistência. Somente assim poderemos chegar com força nas campanhas salariais. Os problemas enfrentados por cada trabalhador não são exclusivos deste ou daquele indivíduo, são na verdade problemas coletivos, e portanto só podem ser resolvidos com soluções coletivas. Converse com seus colegas, organize-se, traga novas ideias!
             
QUEM SOMOS: O coletivo Bancários de Base é formado por trabalhadores que estão no dia a dia das agências e departamentos, enfrentando a cobrança dos gerentes, o excesso de clientes e a sobrecarga de serviço. Nos reunimos periodicamente para discutir maneiras de mudar essa realidade. O sindicato e outras entidades não têm servido mais como espaço para nossa organização, por isso somos oposição à diretoria e discutimos entre nós tudo que nos diz respeito. Elaboramos nossos panfletos com nossos próprios recursos e divulgamos nossas idéias em nossa página na internet (www.bancariosdebases.blogspot.com.br.).
             
Entre em contato! (bancariosdebase@yahoo.com.br)

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sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Informe sobre a assembleia dos bancários de São Paulo, 12/09 (Bancários de Base)


Reproduzimos o informe dos companheiros do coletivo Bancários de Base, em que o Coletivo Lênin está se integrando.


*1º ATO*

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O início da campanha mostrou-se da mesma forma que as anteriores. Com o longo e enfadonho informe da diretoria.

O delegado sindical do SAC, Marcio, tentou um encaminhamento da assembléia que fosse favorável uma organização democrática que apontasse para as próximas, a necessidade de diversidade de opiniões e outra forma de condução da assembléia para que os bancários possam reunir informações diferentes para formar convicções na tomada de decisões que vão ocorrer daqui pra frente.

A partir disso, a presidenta Juvândia mudou seu comportamento tornando-se impaciente e não deixou o companheiro falar ao microfone. Em outro momento, quando da entrega de um abaixo assinado entregue por duas delegadas sindicais da CABB, novamente a impaciência dizendo que o sindicato também era a favor disso e daquilo e dispensou as companheiras não as deixando pegar o microfone. Tenho certeza que elas teriam algo a falar aos bancários.

Foi encaminhada a votação de aprovação ou rejeição da proposta da FENABAN. A CONLUTAS apresentou proposta de paralisação de 24 horas a abriu-se uma defesa pra cada lado.

Como no final das contas só falaram os representantes das centrais sindicais (CUT, CONLUTAS e INTERSINDICAL).O grupo Bancário de Base, do qual me tornei integrante, optou pela tática de abstenção com declaração de voto como forma de falar ao microfone.

A declaração dos companheiros Marcio e Messias foram no sentido de esclarecer que o fundamental não é a partir de quando começará a greve, mas que tipo de greve que precisamos fazer, fortalecendo o movimento com profunda e ampla democracia, e não uma democracia de “faixada” como são as
falsas paralisações de muitas agências que parecem estar em greve apenas por terem faixas na porta. Ficar apenas ouvindo passivamente como se assembléia fosse um programa de televisão é uma democracia de fachada!

Ao final, na calçada, encontrei uma pessoa ligada a Federação dos Trabalhadores dos Correios. Disse a ele que estávamos batalhando para abrir o microfone para a base e perguntei se os bancários poderiam falar em
suas assembléias e do desejo que a base dos correios também falassem na nossa. Ele afirmou que em suas assembléias todos falam e os bancários poderiam aparecer, mas que não conseguiria que a diretoria do sindicato dos bancários os deixassem entrar ou que abrisse o microfone para os carteiros. Outro carteiro que tive a felicidade de conhecer por reconhecê-lo como grande lutador em sua categoria também se mostrou disposto a unificar nossa luta com interação e várias possibilidades de ações durante a greve. Tenho
certeza que haja muitos grevistas da base das outras categorias em luta que estariam dispostos a fortalecer o conjunto de greves que se iniciam agora.

Por isso, companheiros, chamamos todos a irem a assembléia do dia 17 e nos ajudar a construir um movimento diferente do script montado.

****

- *FIM DA DITADURA DO MICROFONE!!!* – que a base fale;

- *ASSEMBLÉIAS ÀS 14 HORAS* – não as mordomias para os fura-greves.

- *UNIFICAÇÃO DE FATO* – espaço para a base das outras categorias
em nossa assembléia

- *COMANDO DE NEGOCIAÇÃO ELEITO NA ASSEMBLÉIA *– que os bancários
tenham efetiva participação nas negociações

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BANCÁRIOS DE BASE:

Marcio – delegado sindical do BB SAC
Daniel – ativista do BB PSO LESTE
Israel – ativista do BB CSO Complexo Verbo Divino
Messias – delegado sindical da CEF em Osasco
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quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Carta dos moradores do Morro da Providência à população do Rio de Janeiro


Carta dos moradores do Morro da Providência à população do Rio de Janeiro


SOS PROVIDÊNCIA

Você sabia que a favela mais antiga do Brasil está sendo destruída?

Desde 2009 a região Portuária do Rio de Janeiro transformou-se num grande canteiro de obras das empreiteiras OAS, Carioca e Odebrecht. Juntas essas empresas invadiram a área com três projetos: 1º é o que eles chamam de “PORTO MARAVILHA”, um projeto de “revitalização” da Zona Portuária que está sendo coordenado pela CDURP – Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região Portuária e financiado pelo dinheiro público (FGTS) e pela venda da terra pública existente na região (70% dos terrenos são públicos); 2° é o Programa de Urbanização MORAR CARIOCA do Morro da Providência que está subordinado a Secretaria Municipal de Habitação e orçado no valor de 119 milhões e o 3° é o Projeto PORTO OLÍMPICO que é parte das grandes intervenções urbanas de embelezamento da cidade para os Jogos Olímpicos de 2016.

Contudo, muito antes desses projetos já existia na área portuária o MORRO DA PROVIDÊNCIA. Segundo historiadores essa é a favela mais antiga do Brasil, com mais de 110 anos de ocupação, patrimônio do povo brasileiro, remanescente da cultuta afro-descendente e berço das primeiras escola de samba como a “Vizinha Faladeira” e dos primeiros grupos de pagode como o “Conjunto Nosso Samba”!

ATUALMENTE TODA NOSSA HISTÓRIA ESTÁ EM PERIGO!

Obras e mais obras pensadas pelo grandes empresários do setor imobiliário e do turismo estão destruindo a nossa memória, nossa história e toda nossa vida! A grande imprensa não divulga que as construções do Teleférico e do Plano inclinado do Morro da Providência estão sendo implementados de cima para baixo, sem nenhum tipo de participação social da comunidade e sem nenhum estudo técnico que comprove a necessidade da construção desses equipamentos de transporte! Mas será que eles realmente sevem para isso? Já sabemos que o teleférico do Complexo do Alemão está subutilizado e que não atende as necessidades dos moradores!!!

A mídia também não informa que o próprio projeto de Urbanização Morar Carioca prevê a remoção de 832 casas da Providência! Estas já foram criminosamente pixadas pela Secretaria Municipal de Habitação e, infelizmente, algumas delas já foram removidas! Sob o argumento de que 317 destas casas estão no caminho das obras e que 515 estão em área de risco (já temos um contra-laudo provando que na Providência a grande maioria das casas NÃO está em área de risco) a Prefeitura está aterrorizando moradores e oferecendo como contrapartida um aluguel social de 400 reais que não dá para pagar nenhuma casa digna para morarmos, ou uma compra assistida que também é uma roubada, ou ainda uma indenização fora da realidade do mercado. (Veja matérias do Jornal O Povo)

Segundo a “Planta Geral de Urbanização do Projeto Morar Carioca” o número de unidades habitacionais planejadas para serem construídas ao longo de dois anos é menor do que o número de remoções! São apenas 639 unidades habitacionais previstas! 58 unidades na Ladeira do Farias n° 91; 20 na Ladeira do Barroso; 4 no Centro Histórico; 131 na rua Nabuco de Freitas, 77 na rua Cardoso Marinho n°68; 349 na Aldomaro Costa n°83. Faltariam ainda 193 casas se considerarmos que em cada casa vive só uma família, no entanto, na comunidade a maioria das casas possui mais de uma família morando; famílias que construíram suas casas ao longo de muitos anos e com muito trabalho e que não querem sair dali!

Para a construção do Teleférico roubaram a nossa única área de lazer - A Praça Américo Brum! Para a construção de uma rua que vai ligar o Teleférico à Vila Portuária várias famílias da área da “Toca” já foram desapropriadas com valores baixíssimos! Para a construção de um centro esportivo, que também não nos consultaram sobre a necessidade, a área conhecida como AP na Ladeira do Farias foi demolida e desalojou cerca de 60 famílias de um dia para o outro. Nesse caso a Prefeitura demoliu casas ainda com pessoas dentro!!! Uma moradora ainda mora neste imóvel e vem resistindo a todo tipo de pressão, obrigando a prefeitura a suspender os trabalhos de um complexo esportivo. Ela mora no AP há 35 anos e tem direito de posse daquele imóvel! O nosso Direito à Moradia não está sendo respeitado!

Além disso, temos vivido de domingo à domingo em meio aos entulhos, buracos, lixos, atormentados pelo barulho das máquinas da obra que não param nem de noite e impedidos de transitar pela Ladeira do Barroso que é uma das únicas ruas que liga a Providência à Central do Brasil. Sentimos o impacto ambiental na pele e mesmo assim a obra foi liberada sem nenhum Estudo de Impacto Ambiental prévio! O impacto de vizinhança também não é considerado! Há pessoas que já saíram do Morro e que estão sem escola para os filhos, longe de parentes e amigos! O valor dos aluguéis já subiu! Daqui a pouco não conseguiremos mais pagar!

Gostaríamos que o povo da cidade do Rio de Janeiro soubesse que os moradores da Providência não são invasores nem contra a urbanização!

Somos mulheres e homens que moramos aqui porque temos uma história aqui e precisamos sobreviver! A maioria dos moradores está aqui há mais de 20 anos, toda nossa vida é aqui, a dos nossos filhos, dos nossos netos! Tudo é perto, escola, hospitais, trabalho, mercado, lazer etc. Acreditamos a Prefeitura é a principal responsável por todo esse transtorno e estamos unidos para garantir que nenhuma casa mais seja derrubada e que as melhorias nos beneficiem!

Para finalizar, o legado social da Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas de 2016 que queremos é permanência na Providência e a garantia de que também poderemos viver nesta cidade maravilhosa! Pedimos à população carioca que nos ajude a divulgar o que está acontecendo com a nossa cidade!

Comissão de Moradores da Providência e Fórum Comunitário do Porto
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quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Essa greve dos bancários pode ser a pior dos últimos dez anos!


Ontem aconteceram as assembleias para decidir sobre a greve em todo o Brasil. A greve deve começar no dia 18 (terça-feira), exigindo reajuste de 10,25% nos salários.



Uma reivindicação insuficiente e um movimento esvaziado

Só esse índice tão baixo, que não recupera nem a inflação direito, já é um desestímulo a qualquer luta! "Quem vai se arriscar por tão pouco?", é o que muitos bancários pensam. Esse tipo de índice só consegue ser aprovado porque os Encontros Estaduais e Conferências que organizam a campanha salarial estão cada vez mais esvaziados.

Isso é consequência da desorganização da classe trabalhadora nos últimos 20 anos (desde que a destruição da URSS fez a direita e grande parte da esquerda fazer campanha de que é impossível lutar pelo socialismo). Estamos sofrendo cada vez mais com a terceirização, o desemprego, o controle cada vez maior do processo de trabalho pela informática. Tudo isso torna mais difícil a luta.

Mas os partidos e sindicatos também têm a sua responsabilidade, porque muitas vezes preferem confiar nos governos do que em se esforçar para mobilizar e politizar a massa dos trabalhadores que organizam. Esse é o caso da maioria dos sindicatos de bancários, e isso tem feito os trabalhadorem perderem a confiança na sua entidade, e passarem a vê-la cada vez mais como um bando de vendidos para os patrões e governos. Uma das consequências disso é a dessindicalização, ou a sindicalização só por causa dos benefícios do sindicato (convênios, viagens etc), sem uma perspectiva de luta.


Várias atitudes que vão enfraquecer a greve

A direção da Confederação dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (CONTRAF-CUT), formada por vários setores que apoiam o governo, como os sindicalistas do PT e do PCdoB fez de tudo para que a greve ficasse mais difícil ainda do que nos anos passados. E isso num momento de crise, quando os banqueiros querem jogar duro para impedir qualquer aumento!

A assembleia foi marcada três dias úteis antes do começo da greve! O objetivo do sindicato foi se adequar à Lei de Greve, que exige esse prazo. Até 2010, o sindicato simplesmente colocava um Aviso de Greve nos jornais de maior circulação. Mas os banqueiros e a justiça trabalhista passaram a exigir a aplicação da lei ao pé da letra, o que logicamente deixa muito mais difícil a organização da greve. A direção do sindicato, em vez de denunciar isso e fazer uma campanha contra os ataques ao direito de greve, aceitou de cabeça baixa.  

Conclusão: a assembleia de deflagração da greve aqui no Rio de Janeiro foi a mais vazia desde 2003, com somente 400 pessoas (por exemplo, ano passado tinha 2 mil!). Isso dificulta a formação dos piquetes e dá margem para que os bancos passem os próximos dias fazendo todo tipo de chantagem para as pessoas furarem a greve.

Os companheiros do PSTU e PCB defenderam que a votação do início da greve fosse em uma nova assembleia, na segunda-feira (17/09). A ideia era tentar ao máximo fazer uma assembleia maior. Mas, provavelmente, com essa convocação mal feita (em muitas agências nem chegou o jornal do sindicato), segunda-feira poderia ser até pior!

A direção do sindicato impediu a apresentação de propostas diferentes na assembleia. Todo e qualquer bancário tem que ter o direito de fazer e explicar as suas propostas, não só os diretores do sindicatos e quem eles querem!


Greve não é agência fechada com funcionários fazendo telemarketing!

O resultado disso é que vamos começar uma greve de forma totalmente desorganizada. E isso leva ao maior problema que temos enfrentado nos últimos seis anos: a grande maioria da gerência média do BB e muitos gerentes da CEF estão trabalhando durante a greve, diferente do que acontecia até 2004-2005.

Isso é um resultado da derrota da greve de 2004 (que durou 30 dias sem conquistar nada além da proposta inicial) e da descrença cada vez maior na direção do sindicato, com as suas propostas rebaixadas e sua cumplicidade com o governo. Mas é uma atitude que acaba prejudicando a luta coletiva.

Cada vez mais, a greve nos bancos públicos fica parecida com a dos bancos privados: a agência fechada por funcionários do sindicato (e não pela categoria), enquanto as pessoas batem as metas por telefone. Numa situação dessas, os piquetes não adiantam de nada, somente livram os fura-greves do "inconveniente" de atender o público que não quer comprar produtos.

Assim, a greve perde cada vez mais a sua capacidade de CAUSAR PREJUÍZO, e obrigar os banqueiros a cederem. Nos bancos privados, as coisas são muito mais difíceis, porque a ameaça de demissão é usada para impedir as greves. Se os bancos públicos, na situação atual, não fizerem uma greve REAL, então não podemos fazer nenhuma pressão sobre os banqueiros.

Não podemos deixar isso acontecer! Precisamos manter uma organização constante por local de trabalho, com o objetivo até mesmo de incluir os terceirizados, para aumentar o nosso poder de lutar por nossas reivindicações. 

A gerência média são os mais cobrados pelas metas, e quem mais sofre assédio moral, se aceitarem a chantagem de não fazer greve, vão dar mais condições para os gerentes gerais tirarem o couro, aplicando a política dos bancos, que tem levado ao adoecimento e morte.


O que fazer?

A greve desse ano deve terminar com um reajuste levemente acima da inflação oficial, como tem acontecido. A nossa luta é de longo prazo. Os trabalhadores que acreditam que a função do sindicato é lutar sem trégua contra nossos inimigos têm que estar presentes no dia-a-dia , não só em época de campanha salarial.

Precisamos voltar a organizar os trabalhadores por local de trabalho e criar uma corrente de luta nos sindicatos. Para isso, temos que resgatar outra conquista histórica da CUT, que foi abandonada durante o processo de direitização do PT: a compreensão que só poderemos ter uma mudança realmente grande na situação dos trabalhadores com a combinação das lutas imediatas com uma luta política por uma nova sociedade: o socialismo.

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quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Saiu o jornal Revolução Permanente, n° 7, o jornal do Coletivo Lênin!



Nesse número:

- A maior greve em defesa da educação dos últimos tempos
- 29 de agosto - Dia Nacional da Visibilidade Lésbica - em defesa das lésbicas trabalhadoras
- Eleições municipais no Rio de Janeiro: candidaturas dos trabalhadores contras as milícias e empresários!
- Como reconhecer um P2?


Se você quiser receber por email, entre em contato com a gente: c.comunista@yahoo.com.br

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Greve da educação: os trabalhadores recomeçam a andar com as próprias pernas



Greve: os trabalhadores recomeçam a andar com as próprias pernas.



Uma grande greve tomou o Brasil nos últimos 3 meses. Começou com os professores de várias universidades federais e se espalhou por muitos outros setores do funcionalismo público. Técnicos administrativos e estudantes seguiram a mesma atitude e declararam greve em muitas dessas mesmas universidades.

A partir daí, algumas universidades estaduais se uniram à luta, como foi o caso da UERJ no Rio de Janeiro, que inclusive contou com a adesão de diversos servidores públicos estaduais.

Tentaremos fazer uma análise desse processo de greve no seu decorrer, onde atuamos principalmente no movimento estudantil da UFRJ e UERJ, e veremos a grandeza de sua importância, ainda mais no momento atual. Veremos também os seus limites dados nesse processo, fruto tanto do momento histórico que vivemos quanto da precariedade das direções proletárias na luta de classes.



Um breve balanço dos fatos

O ano é 2011. A Associação Nacional dos Docentes do Ensino Superior (ANDES) negocia reivindicações com o governo, dentre elas o reajuste salarial a ser implementado no ano seguinte (2012) e outras pautas como plano de carreiras e melhorias das condições de trabalho.

Como de praxe, o Governo usa todos os artifícios para manobrar as negociações (marca e desmarca reuniões, pressiona, burocratiza as negociações, ameaça, etc.). Não houve mobilização de luta nas bases, o cenário mundial é ainda consequência da crise econômica de 2008. O resultado é uma derrota. O Governo pressiona a ANDES a assinar um termo com uma pauta provisória a ser implementada até março do ano seguinte, dando 4% de aumento com colocações vagas para as outras reivindicações, um erro que custaria muito no futuro. A promessa do Governo era que essa pauta emergencial seria somente para que se pudesse encaminhar a proposta para a lei de diretrizes orçamentárias, mas as negociações deveriam continuar logo em seguida. Uma armadilha é claro. O Estado mais uma vez simplesmente passa por cima dos representantes dos trabalhadores e nenhuma negociação é mais levada a sério.

O ano é 2012. Aparentemente, tendo aprendido com os erros do ano anterior a ANDES começa uma grande mobilização a nível nacional. Uma série de assembleias é chamada nas Instituições Federais de Ensino para se discutir luta pelos direitos. Denúncias das condições de trabalho são feitas, exigência de reajuste salarial sério e o mais importante, um plano de carreiras estável que pudesse combater o caráter de empreendedor produtivista.  Como uma onda, fruto da mobilização dos trabalhadores pelo Brasil inteiro, as universidades começam a declarar greve. Uma onda que cresce rapidamente e leva os professores a construir a maior greve (em termo de número de universidades), que chegaria a um total de 59 das 59 IF’s brasileiras.

Três simples reivindicações foram capazes de construir a greve. Não é preciso nem ser marxista para minimamente enxergar a necessidade do atendimento da pauta pelo Governo. Se as exigências não fossem necessárias, como conseguiriam mobilizar tantos trabalhadores? Mas, como sabemos, o Estado não é um árbitro justo para com o interesse da população, como a estúpida figura da mulher vendada com uma balança numa mão e a espada na outra. O Estado possui uma espada sim, mas para degolar todo e qualquer movimento da classe trabalhadora e somente para isso e está de olhos bem abertos para beneficiar os ricos banqueiros e empresários. É esse Estado que em tempos de crise fornece bilhões mensalmente para pagar dívida externa, que salva empresas e bancos falidos em tempos de crise, mas que ameaça cortar o ponto dos trabalhadores em greve. Veremos mais a fundo os inimigos que o movimento grevista teve que enfrentar, como enfrenta toda vez que se mobiliza por demandas de melhores condições de trabalho e de vida. Como esse movimento continuou crescendo desde o seu início até atingir o limite imposto por suas direções e pelo momento histórico em que vivemos.

É importante salientar a adesão em massa de outros setores a greve dos docentes federais, como os técnicos administrativos das universidades, outros setores do servidorismo federal, trabalhadores do servidorismo estadual em vários estados, em especial no Rio de Janeiro, e principalmente milhares de estudantes em mais das 30 universidades em greve que também entraram em greve estudantil, em apoio às demandas docentes e lutando por suas próprias demandas. O Coletivo Lenin acompanhou o movimento grevista, e interviu no setor estudantil, dando origem junto com outros estudantes de militância independente a um novo grupo classista de atuação prática nas universidades: A Juventude em Luta.


Greve de 2012: um ascenço.

Não podemos entender todo esse processo de greve, sem entender o momento histórico em que vivemos. Para compreender o presente, precisamos dar uma boa olhada para trás para nos preparar para o que virá em seguida.

Para qualquer organização política séria, que lute pela revolução socialista, é impossível deixar de lado a perda da classe trabalhadora de qualquer referência à alternativa socialista de uma nova sociedade. O fim da URSS e a queda do mudo de Berlim marcaram o fim de uma época de revoluções sociais, dando origem a uma etapa reacionária no cenário mundial, onde a contra propaganda socialista se hegemonizou do globo. O falso discurso de que o único modo de existência do socialismo era o stalinismo, que havia sido derrotado pelo infinitamente superior sistema capitalista deixou cada vez menos margem a discussão política profunda no cotidiano da classe trabalhadora. Pra piorar a situação, o contra ataque burguês veio mais contundente, amparado pela origem do neoliberalismo e a perpetuação do pós-modernismo como cultura, que acabou jogando para a marginalidade qualquer movimento social. Antes a classe trabalhadora tinha a existência da URSS para poder debater, hoje não se sabe sequer o que significa socialismo.

Vivemos uma época de perda de direito trabalhistas, terceirizações, discursos da ultra direita tomando cada vez mais forças, dificuldade de reorganização do movimento operário e uma ineficiência da vanguarda de dar uma resposta à altura ao retrocesso em que vivemos há 20 anos. Esse tem sido o fardo dos trabalhadores, principalmente da juventude que nasceu e se desenvolve nessas condições.

Porém, o capitalismo não é um sistema estável, nem nunca poderá ser. A sociedade capitalista exige uma série de contradições para se construir, que é basicamente, uma série de imposições de uma minoria rica e exploradora sobre a maioria trabalhadora da população, a custa de crises de superprodução, desemprego, miséria, etc.. Enquanto existir capitalismo, tais contradições nunca desaparecerão. Então não importa quanto tempo de calmaria exista, ou quantas mentiras possam ser contadas; elas estarão sempre presentes. Nunca faltarão motivos para que a classe trabalhadora se rebele.

Após um período nefasto, marcado apenas pelas lutas, unicamente para se proteger dos ataques ferozes da burguesia, quando não pela inércia e apatia dos movimentos sociais. Quando empresários e banqueiros se deitavam em suas camas depois de mais um dia de roubos e exploração, ela chegou na calda.

Mais uma crise econômica, mais uma vez o mecanismo de destruição de forças produtivas entrou em ação para recuperar as altas taxas de lucro. A crise econômica de 2008, comparada pela própria imprensa burguesa à crise de 1929, chegou com tudo. Demissões em massa, injeção de trilhões de dólares ao redor do mundo para salvar bancos e empresas da falência, e o principal: cortes nos serviços sociais (educação, saúde, encarecimento de bens e serviços, etc.).

Com tantas agressões, a classe trabalhadora, ainda que timidamente, começou a dar seus primeiros passos não só para se defender, mas para se fazerem ouvidas e lutarem por demandas a muito esquecidas. Com greves por todo o mundo (Espanha, Chile, Grécia) e a primavera árabe, onde importantes países no oriente médio tiveram sua população se levantando e derrubando ditaduras de décadas.
 
É nesse contexto que o servidorismo público se levanta hoje no Brasil contra mais um governo burguês sem vergonha de dar quase metade do dinheiro público para bancos e empresas para pagar dívida pública, mas que nega o equivalente a 5 vezes menos para atender as demandas nacionais dos trabalhadores do setor público.

Por isso não podemos deixar de apontar a importância desse movimento grevista, depois de 2 décadas de apatia, a classe trabalhadora mostra que está viva, e aqui no Brasil inclusive. Movimento que servirá como referência de que é possível se levantar e lutar e que servirá de exemplo para aqueles que se acostumaram com uma atmosfera de estagnação.

Esse ascenso da classe trabalhadora nos dá muitas oportunidades. Mas não podemos cair no “oba oba” e achar que tudo mudará de uma hora pra outra. A maioria da classe ainda se encontra completamente ausente de qualquer debate político mais profundo. Todos esses protestos decorreram vazios de um caráter classista e sem a presença massiva do setor operário, classe responsável pela produção de todas as riquezas materiais e inimiga principal da burguesia.

A conjuntura do pós-URSS ainda predomina na consciência da classe trabalhadora. E as suas direções falham em lidar com a situação de forma concreta e em realizar um trabalho de base e reconstrução do movimento operário que a longo prazo possa voltar seus olhos para o horizonte de uma nova sociedade socialista.


O problema da direção:

A greve, apesar de ser a maior em número de instituições aderentes, enfrentou gravíssimos problemas. Além das truculências do governo e seus braços (reitores, chefes de repartições, etc.), e das palhaçadas da mídia que já são de praxe, o movimento bateu de frente com as consequências do momento histórico em que vivemos. Baixo nível de mobilização de base, ausência de unidade dos setores grevistas por uma pauta integrada e restrição da greve ao servidorismo público, os fura greves de sempre amparados pelo discurso pós-moderno, etc.

Já fizemos um levantamento da situação na qual a classe trabalhadora se encontra após o fim da União Soviética. A condição material vigente é o que determinará a correlação de forças nas lutas contra os inimigos da classe, as conquistas e ganhos, o grau de mobilização. Mas em todo setor dos movimentos sociais, podemos observar sempre uma vanguarda, que, a princípio, organiza e dá os rumos políticos das lutas e reivindicações dos movimentos sociais. O que queremos dizer com isso? Que o caminho do movimento popular, estudantil ou sindical é sempre guiado por uma vanguarda de militantes, que estará à frente das mobilizações, negociações e lutas; mas esse caminho será sempre limitado pela situação material histórica em que vivemos.

O que não podemos deixar de dizer e muito bem dito também é o papel das direções desses processos, que se absteram de colocar em prática qualquer medida que tentasse reverter o quadro de fragilidade do movimento grevista. Muito pelo contrário, vimos a escolha, muitas vezes consciente, dessas direções em rebaixar discurso e propostas com medo de se queimar com a base. 2 exemplos muito claros dessa situação foram as assembleias estudantis da UFRJ e o comando de greve nacional, que o Coletivo Lenin, junto à Juventude em Luta, pode acompanhar de perto.


Greve estudantil: um momento raro, uma prática comum.

É mais do que importante, não deixar os erros e o fato das demandas grevistas não terem sido completamente atendidas tirem a significância de um movimento nacional que há muito tempo não se via no movimento estudantil brasileiro. Os estudantes aproveitaram o momento de efervescência e se levantaram contra esse governo pilantra, que só faz os ricos ficarem mais ricos e os que trabalham mais pobres. Se levantaram em defesa dos professores em greve, mas também com uma série de demandas históricas do movimento estudantil, mas ainda muito atuais.

A direção da greve se constituiu a muito custo, num comando nacional de greve, eleito desde as assembleias de base. Tarefa que geralmente ficava claramente restrita às correntes de maior peso político, dessa vez passou por um amplo debate antes de ser deliberada.

Pontos positivos a serem considerados, no entanto, não apagam o balanço concreto e sério que precisa ser feito depois de evento tão importante.

Apesar de um mecanismo mais democrático para se definir a direção da greve nacional, esta acabou se desenhando como já era esperado. As correntes com mais militantes no movimento estudantil acabaram por conquistar uma composição maior na direção. Esta composição se deu em sua maioria pela ANEL (PSTU), seguida pela oposição de esquerda da UNE (esquerda do PSOL), depois a direção majoritária da UNE (PT e PCdoB) e alguns outros setores minoritários, como a RECC, Coletivo marxista, etc.

O que pôde ser observado, infelizmente, foi também o esperado. A mesma velha prática política de sempre. A tática da burocratização, da passagem de rodo pura e simples, tanto nas assembleias. E também na primeira reunião do comando nacional. que contou com mais de 50 delegados e 400 estudantes, tendo uma duração de aproximadamente 12 horas, para no final, por trás do plenário, ignorando todo o debate feito, como numa rodinha de amigos, uma dúzia dos burocratas de cada corrente se reuniu para decidir o que seria votado e como, e o que não merecia atenção; tudo segundo seus interesses pelegos (PCdoB), aparatistas (PSTU), eleitoreiro (PSOL) ou de medo de combater as correntes maiores e dizer a verdade (demais correntes).

Um esforço tremendo por parte da direção, principalmente por parte do PSTU, foi feito para impedir que coletivos menores e estudantes independentes se expressassem, ou simplesmente propusessem novas palavras de ordem, por estarem à esquerda demais da sua prática (fim do vestibular, gestão das universidades por trabalhadores e estudantes). Vimos também todo um espaço propenso a debate político profundo sendo transformado de propósito numa verdadeira cena de disputa entre torcidas organizadas entre os pelegos de sempre da direção majoritária da UNE (PCdoB), e o PSTU e o seu projeto particular de UNE não governista: a ANEL.

O debate foi tão pobre, que se resumiu a ser contra ou a favor do PNE, contra ou a favor do REUNI, pela UNE ou pela ANEL. Não se denunciou o caráter de classe do governo, a necessidade de trabalhadores e estudantes gerirem seus espaços independentemente desse Estado, não se falou em defesa das cotas, muito menos ainda em fim do vestibular. Os estudantes de base que se encorajaram a reclamar contra essa prática foram simplesmente ignorados, sofrendo com a famosa passagem de rodo já citada.
Na UFRJ, foi preciso a reitoria ignorar oficialmente a greve estudantil, se negando a uma simples audiência pública, para que começasse a se falar em radicalização, pois a reitoria e o governo não estavam do nosso lado; e mesmo assim, a principal palavra de ordem continua sendo “Negocia Dilma/Negocia Reitor”, sem qualquer menção ao caráter de classe do governo. É uma vergonha, partidos que carregam “Socialismo” no nome terem uma atuação tão rebaixada num momento tão importante.
 
Não é a toa que na UFRJ, tivemos na primeira assembleia quase 2000 pessoas, e na última, não somavam 100 os presentes. Se todo o esforço a frear as radicalizações, institucionalizar a luta grevista, burocratizar os espaços de discussão e deliberação tivesse sido empregado desde o início em aumentar a mobilização nas bases, realização frequente de assembleias; o resultado talvez tivesse sido diferente. O Coletivo Lenin esteve presente e ciente dessas demandas. Conseguimos avançar um passo no caminho da criação de uma corrente revolucionária dentro do movimento estudantil, que foi o surgimento da Juventude em Luta.




Primeira Assembleia estudantil da UFRJ. Quase 2000 votam pela greve!
 
 

 
Não podemos nos iludir ou passar uma falsa impressão sobre o que aconteceu. Jogar a culpa da greve esvaziada nas direções seria muito mais fácil, mas errado. Vivemos um retrocesso conjuntural, como analisamos; o que implicaria de uma forma ou de outra, numa greve esvaziada até certo ponto. Isso quer dizer que mesmo que a direção grevista fosse a mais revolucionária do planeta, não conseguiria grandes vitórias, pois há dificuldades materiais. O que não diminui a prática desprezível da direção estudantil grevista. Ou ela não consegue enxergar esse retrocesso do movimento, e formular uma política correta, fato que a torna incompetente; ou ela sabe e age de modo a frear a mobilização, se tornando traidora. De qualquer forma, é necessária a construção de uma corrente combativa e revolucionária inserida na base para reverter esse quadro. A Juventude em Luta é um embrião desse projeto. Se você concorda, venha construir esse novo movimento estudantil conosco.


Coisas que não podem deixar de ser ditas.

É importante não deixar de denunciar os papéis das ferramentas de dominação dos empresários e banqueiros.

O Estado não fica esperando a classe trabalhadora e os estudantes tomar consciência do seu processo de luta para começar a atacar. O papel do Estado sempre foi e sempre vai ser o de favorecer a classe social que está no topo da sociedade. Hoje, essa classe é representada pelos banqueiros empresários.

METADE do PIB é entregue para pagar dívida interna e externa. Dinheiro dado de graça aos ricos. Centenas de bilhões foram dados, em forma de isenção de impostos, subsídios, etc. foram repassados a esses senhores nos tempos de crise. E o discurso que somos obrigados a escutar agora é de que não há dinheiro para os profissionais da educação e da saúde. Tem dinheiro pra quem não trabalha e só fica enriquecendo, mas pra quem rala todo dia não tem dinheiro. Congressistas têm décimo quarto e décimo quinto salários e ganham aumentos estrondosos todo ano, mas pra médico e professores não há dinheiro? Só há ameaça de corte de ponto? Proposta de privatização? Demissões?

Tal é o caráter do estado. E tal é a urgência de se fazer desde hoje o debate da necessidade dos trabalhadores destruírem este Estado e construírem um novo, que construa uma sociedade sem desigualdades sociais e onde fome e desemprego não sejam coisas comuns.
 
Não se pode deixar de falar também do papel dessa imprensa maldita que estressa os nervos de qualquer militante, que mente para o trabalhador, que o engana e tenta os jogar uns contra os outros. Primeiro, passa 1 mês e mal se fala na greve nacional, como se fosse uma coisa que logo vai passar. E quando noticia alguma coisa é “Governo oferece 48% de aumento para professores em greve”. A imbecilidade de se dizer uma coisa dessas é digna de uma associação podre dos empresários da indústria da venda de notícias.  Isso só mostra a necessidade de um imprensa da própria classe trabalhadora. Que os meios de comunicação sejam tomados das mãos de meia dúzia de famílias donas de TV, jornais e rádio; e passem a ser controlados por trabalhadores.


Conclusão

Esse texto teve o objetivo de fazer a análise sobre os acontecimentos relacionados à greve que o Brasil presenciou nos últimos meses. Mostramos a conjuntura na qual ela se deu. Seus limites e seus defeitos, sem deixar de lado a importância de um levante desses, mostrando que a classe trabalhadora, mesmo depois de muitos anos ainda está viva; e o movimento estudantil ainda é capaz de pegar toda a revolta contida na juventude explorada e lutar pelos seus direitos.

A greve agora se encaminha para o fim (na UFRJ, professores no dia 31/08/2012 e estudantes no dia 03/09/2012 já saíram da greve). Com o ultimato do governo com a proposta de 3 aumentos anuais de 5% que mal cobrem a inflação, as categorias devem começara ceder. É insatisfatório, mas não devemos desanimar. Esse episódio pode ter sido o primeiro de muitos.

Devemos ficar atentos aos inimigos dos trabalhadores. Não acreditar em nenhuma mentira que os porcos da imprensa tentam contar. O governo, a fim de garantir o lucro das empresas e bancos em tempos de crise, vai atacar mais e mais os trabalhadores e cortar verba dos serviços públicos. Caberá a nós, organizar uma resistência, ao mesmo tempo em que evidenciamos como único meio de acabar com essas contradições da ganância da burguesia é lutar pela tomada do poder pelos próprios trabalhadores.

Para isso, devemos nos engajar na construção da ferramenta política da classe trabalhadora, que possa organizar e dirigir a classe na luta pelo fim do capitalismo: o Partido Revolucionário dos Trabalhadores, que defenda:

 Greves apoiadas em mobilizações de massa
   
 Sem aparatismo, ou burocratização dos espaços de discussão

União do movimento grevista, com outros setores, principalmente com o setor operário

 Denúncia do caráter burguês do Estado

Fim do Vestibular! Livre acesso já!

 Estatização das universidades privadas, sob controle dos trabalhadores e estudantes.

Gestão dos trabalhadores e estudantes das universidades pública.

Pelo fim da terceirização. Contratação imediata dos terceirizados!

Combate ao racismo, machismo e homofobia!


Leia mais!

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Protesto contra a chacina na Comunidade do Boiadeiro (Salvador)



Publicamos a pedido da Campanha Reaja, da Comunidade do Boiadeiro e do Núcleo Piratinina de Comunicação


Na quarta -feira dia 29 de agosto do referido ano, 4 homens encapuzados entraram no bairro do Boiadeiro no Subúrbio Ferroviário de Salvador e mataram 2 jovens. A comunidade, na certeza de que estes não eram marginais resolveram fazer uma manifestação que reuniu todos os residentes nesta. A policia militar do Estado da Bahia, segundo relato destes moradores reprimiram a passeata agredindo os manifestantes e muitos estão bastante machucados. Hoje estes novamente fizeram ou irão fazer uma nova manifestação e pedem nossa ajuda através da publicização dos fatos. Solicito que os jornalistas e comunicadores, entrem em contato com o número abaixo para maiores informações e apuração e ajude a chegar ao conhecimento do maior número de pessoas e autoridades.

Segue nota da comunidade e contato para que vocês me ajudem a transformar em noticia.

Foto: QUEM PUDER ME AJUDA A TRANSFORMAR EM NOTICIA.

Queridos Jornalistas e comunicadores  de meu face, por favor vejam como podem ajudar na publicização desta situação.

Na quarta -feira dia 29 de agosto do referido ano, 4 homens encapuzados entraram no bairro do Boiadeiro no Subúrbio Ferroviário de Salvador e mataram 2 jovens. A comunidade, na certeza de que estes não eram marginais resolveram fazer uma manifestação que reuniu todos os residentes nesta. A policia militar do Estado da Bahia, segundo relato destes moradores reprimiram a passeata agredindo os manifestantes  e muitos estão bastante machucados. Hoje estes novamente fizeram ou irão fazer  uma  nova manifestação e pedem nossa ajuda através da publicização dos fatos. Solicito que os jornalistas e comunicadores, entrem em contato com o número abaixo para  maiores informações e apuração e  ajude a chegar ao conhecimento do maior número de pessoas e autoridades.

Segue nota da comunidade e contato para que vocês me ajudem a transformar em noticia.

Nenhuma Morte em Nossas Comunidade

Alex Carlos dos Santos, 19 anos, através de um curso voltado à construção Civil passou a atuar como ajudante de pedreiro; estudante no turno noturno da Escola Estadual Ivone Vieira Lima, evangélico, viu o seu sonho de ser advogado e de levantar a sua familia ser interrompido quando na companhia de Luiz Henrique Sacramento Cerqueira, 20 anos, foi abordado por um veiculo gol preto numa esquina do bairro do Boiadeiro, Subúrbio ferroviario de Salvador, onde foram nascidos e criados. Luiz Herrique, ou “Riquinho” como era popularmente conhecido, também trabalhava no ramo da construção e atualmente, no projeto de revitalização do Parque São Bartolomeu; foi covardemente executado por quatro homens que trajando preto e burucutus (mascaras pretas) surpreenderam-nos pelas costas os rapazes e os alvejaram com uma sessão de tiros.

A comunidade do Boiadeiro,se mobiliza pra contar a história desses meninos, enterrados na ultima quarta-feira (30), no Cemitério de Plataforma. A primeira ação foi após o funeral, quando politizaram sua dor fazendo um manifesto na suburbana: familiares, amigos e vizinhos dos rapazes protestaram e foram surpreendidas pela Polícia Militar, que agrediu homens e mulheres fisicamente, além de tentar intimidar com ameaças verbalmente expressa os que participaram do protesto. “Se ficar nessa vamos voltar daquele jeito” - exclamou um dos policiais quando tentou conter o protesto com empurrões e bofetadas no rosto duma mãe de família.

HOJE , a partir das 18 horas a comunidade buscará superar o medo e contestar a versão da mídia que veiculou a informação de que os rapazes teriam morrido em decorrência de um tal confronto entre facções criminosas rivais que supostamente guerreiam por aquele território. No entanto, na realidade, Luiz Henrique , filho único, arrimo de família, foi covardemente morto em companhia de Alax através duma execução sumaria nitidamente empreendida por ação de um grupo policial ou paramilitar de extermínio.

Neste momento é importante garantir a presença da mídia e das autoridades competentes para evitar mais agressões à comunidade que legitimamente, exercerá o seu direito de livre manifestação política frente a esta política que mata membros da nossa comunidade e justifica a matança como “auto de resistência”, ou confronto entre facções rivais.

A comunidade do Boiadeiro e Campanha Reaja convoca a todas e todos , movimentos sociais, artistas, poetas, familiares de vitimas do Estado para esse ato que é pela democracia , pela vida , contra os grupos de extermínio e por um outro modelo de Segurança Publica.

Exigimos
imediata investigação dos fatos 
Apoio psicológico e proteção ás Famílias dos Mortos e os Manifestante
Audiência com o Secretario de Segurança Pública
Audiência com o Secretario de Justiça e Direitos Humanos
Atuação firme do Ministério Público ouvindo o Movimento Social

Comunidade do Bairro do Boiadeiro no Suburbio Ferroviário de Salvador.

Contatos: Aline Dias - 8827-7389 














Nenhuma Morte em Nossas Comunidades

Alex Carlos dos Santos, 19 anos, através de um curso voltado à construção Civil passou a atuar como ajudante de pedreiro; estudante no turno noturno da Escola Estadual Ivone Vieira Lima, evangélico, viu o seu sonho de ser advogado e de levantar a sua familia ser interrompido quando na companhia de Luiz Henrique Sacramento Cerqueira, 20 anos, foi abordado por um veiculo gol preto numa esquina do bairro do Boiadeiro, Subúrbio ferroviario de Salvador, onde foram nascidos e criados. Luiz Herrique, ou “Riquinho” como era popularmente conhecido, também trabalhava no ramo da construção e atualmente, no projeto de revitalização do Parque São Bartolomeu; foi covardemente executado por quatro homens que trajando preto e burucutus (mascaras pretas) surpreenderam-nos pelas costas os rapazes e os alvejaram com uma sessão de tiros.

A comunidade do Boiadeiro,se mobiliza pra contar a história desses meninos, enterrados na ultima quarta-feira (30), no Cemitério de Plataforma. A primeira ação foi após o funeral, quando politizaram sua dor fazendo um manifesto na suburbana: familiares, amigos e vizinhos dos rapazes protestaram e foram surpreendidas pela Polícia Militar, que agrediu homens e mulheres fisicamente, além de tentar intimidar com ameaças verbalmente expressa os que participaram do protesto. “Se ficar nessa vamos voltar daquele jeito” - exclamou um dos policiais quando tentou conter o protesto com empurrões e bofetadas no rosto duma mãe de família.

HOJE , a partir das 18 horas a comunidade buscará superar o medo e contestar a versão da mídia que veiculou a informação de que os rapazes teriam morrido em decorrência de um tal confronto entre facções criminosas rivais que supostamente guerreiam por aquele território. No entanto, na realidade, Luiz Henrique , filho único, arrimo de família, foi covardemente morto em companhia de Alax através duma execução sumaria nitidamente empreendida por ação de um grupo policial ou paramilitar de extermínio.

Neste momento é importante garantir a presença da mídia e das autoridades competentes para evitar mais agressões à comunidade que legitimamente, exercerá o seu direito de livre manifestação política frente a esta política que mata membros da nossa comunidade e justifica a matança como “auto de resistência”, ou confronto entre facções rivais.

A comunidade do Boiadeiro e Campanha Reaja convoca a todas e todos , movimentos sociais, artistas, poetas, familiares de vitimas do Estado para esse ato que é pela democracia , pela vida , contra os grupos de extermínio e por um outro modelo de Segurança Publica.

Exigimos

imediata investigação dos fatos
Apoio psicológico e proteção às Famílias dos Mortos e dos Manifestantes
Audiência com o Secretario de Segurança Pública
Audiência com o Secretario de Justiça e Direitos Humanos
Atuação firme do Ministério Público ouvindo o Movimento Social

Comunidade do Bairro do Boiadeiro no Suburbio Ferroviário de Salvador.

Contatos: Aline Dias - 8827-7389
Leia mais!