QUEM SOMOS NÓS

Minha foto
Somos uma organização marxista revolucionária. Procuramos intervir nas lutas de classes com um programa anticapitalista, com o objetivo de criar o Partido Revolucionário dos Trabalhadores, a seção brasileira de uma nova Internacional Revolucionária. Só com um partido revolucionário, composto em sua maioria por mulheres e negros, é possível lutar pelo governo direto dos trabalhadores, como forma de abrir caminho até o socialismo.

terça-feira, 30 de setembro de 2014

Campanha eleitoral da Liga Comunista na televisão e rádio!


Propaganda eleitoral de TV e Rádio de Antonio Junior
Candidato a Deputado Federal pela Liga Comunista,
através do Partido da Causa Operária, sob o número 2919
Degravação da fala de Antonio Junior, companheiro metalúrgico da região de Campinas que coloca a sua candidatura a serviço da luta contra a chantagem patronal do desemprego e da campanha salarial unificada de 2014 de sua categoria que se realiza neste momento. Confiando em nossas próprias forças e em nossos métodos de luta venceremos a queda de braço contra a FIESP e os sindicatos patronais!

Meu nome é Antonio Junior, sou metalúrgico da região de Campinas.

Para combater o desemprego, defendemos a redução da jornada de trabalho sem redução de salários e direitos para 35h semanais.

E para combater o capitalismo, defendemos o governo operário e dos trabalhadores.

Venha construir a Liga Comunista!

Vote nos candidatos da Causa Operária!
Leia mais!

Declaração eleitoral da Corrente Comunista Revolucionária (CCR)


A CCR E AS ELEIÇÕES NO BRASIL EM 2014
 
Corrente Comunista Revolucionária (RCIT Brazil), 24.9.2014, www.elmundosocialista.blogspot.com and www.thecommunists.net

See this article in English at:
 http://www.thecommunists.net/worldwide/latin-america/brazil-elections-2014/
As eleições no Brasil, como em todo os governos dentro do sistema capitalista são uma paródia de democracia. O Estado e os partidos burgueses organizam para a lavagem cerebral ; os jornais, o rádio, o clero, tudo é comprado e mobilizado pela burguesia para fazer propaganda dos candidatos burgueses às próximas eleições e dessa forma iludir as massas trabalhadoras, fazendo-as imaginar que elas realmente estão decidindo o seu futuro, mas contraditoriamente é mantida a propriedade privada dos meios de produção. Na verdade, a classe trabalhadora está a escolher o seus próximos algozes nos próximos 4 anos. Nós, revolucionários bolcheviques, por princípio sabemos que as lutas dos trabalhadores contra o domínio do capital e o seu Estado não se decide em espaços super-estruturais da democracia burguesa.
 
Nós nos opomos ao eleitoralismo, mas ao mesmo tempo não nos opomos a ter uma política eleitoral. As eleições da democracia burguesa podem ser uma oportunidade para os revolucionários denunciarem as próprias eleições como uma farsa e ao mesmo tempo fazerem propaganda do seu programa revolucionário.
 
O Partido dos Trabalhadores-PT já está finalizando o seu terceiro mandato, tendo começado em 2003 com Lula da Silva com dois mandatos e Dilma Roussef nos últimos quatro anos. O governo petista é uma Frente Popular em que setores da burguesia fazem parte do seu governo. O seu vice atual e também candidato à reeleição é Michel Temer do PMDB. O PT conta como aliado em seu governo também com a presença do Partido Popular- PP- comandado pelo famigerado político de extrema direita Paulo Maluf, famoso como governador de São Paulo, durante a ditadura militar pela repressão a todos os movimentos sociais e de greves dos trabalhadores.
 
Nesse contexto, o governo do PT, nesses 12 anos, cumpriu muitas exigências do imperialismo tais como: a reforma da previdência, a privatização de estradas e dos aeroportos, o financiamento do agronegócio exportador, o apoio financeiro aos grandes bancos e grandes empresas multinacionais sediadas no Brasil, etc. Lula em final do segundo mandato chegou a ressaltar que “Nunca os banqueiros tiveram tanto lucro como no meu governo”. Em âmbito internacional, a mando do imperialismo americano, enviou tropas brasileiras ao Haiti. São inúmeras as denúncias de abuso e violência contra os trabalhadores haitianos por parte dos soldados brasileiros. Mas o PT precisava dar algumas respostas às massas. Então foram desenvolvidas políticas mínimas de ajuda social tais como: O bolsa família, um bônus mensal para as famílias mais pobres.
 
Nos últimos anos, para garantir a Copa do Mundo de futebol e as próximas olimpíadas em 2016, o governo federal, com a ajuda dos governos estaduais impôs medidas duras de repressão para garantir os lucros bilionários dos dois eventos. O grupo Coletivo Lenin, sediado no Rio de Janeiro declarou o seguinte em seu blog: “Vivemos debaixo de uma onda de prisões políticas sem precedentes desde a ditadura. O bloqueio do bairro da Tijuca, no Rio de Janeiro, com o cárcere privado de mais de 500 manifestantes, e dos próprios moradores do bairro, durante a final da Copa, mostrou que os partidos da burguesia são capazes de rasgar as mínimas garantias legais da Constituição para impedir as lutas contra as consequências dos megaeventos. E essas consequências têm sido remoções de comunidades inteiras, as UPPs- Unidades de Polícia Pacificadoras, que escondem o tráfico, enquanto militarizam mais ainda as favelas, enquanto ocorre aumento absurdo dos alugueis (residenciais) e passagens (de transportes urbanos)”. (1)
 
Naturalmente, o fato de o  PT governar como qualquer outro partido burguês causou, logicamente uma grande desilusão em vários setores organizados da classe trabalhadora. A reforma de previdência de Lula em 2003 causou o rompimento de um setor do PT que fundou o PSOL e ao mesmo tempo incentivou o PSTU a romper com a CUT- central sindical dirigida pelo partido e fundar a Conlutas, tendo como base uma parte do funcionalismo público federal. Os escândalos de corrupção, tais como o mensalão (governo Lula) e o caso da refinaria de Pasadena- EUA (governo Dilma) são consequência diretas de governar com a burguesia, para a burguesia e com os métodos da burguesia).
Quais as opções eleitorais no campo da esquerda?
Descartado o PT e sua Frente Popular temos que analisar as opções dos partidos de esquerda, ou que se apresentam como de esquerda. O PSOL, o PSTU,e o PCO têm candidaturas próprias.
 
O PSOL- Partido do Socialismo e Liberdade, o qual surgiu em 2005 em consequência da ruptura de vários grupos com o PT, vendia a ideia de que queria resgatar o PT das origens, porém passados todos esses anos deu uma guinada extraordinária para a direita. A sua candidata à presidente, Luciana Genro, declarou abertamente que “não há problema em receber apoio financeiro de empresas”. Roberto Robaina, coordenador de campanha e principal assessor de Luciana Genro, disse à Reuters: "Recebemos o dinheiro (da multinacional brasileira Gerdau) e já estamos gastando!". Além disso, em 2012, nas eleições para prefeito na cidade do Rio de Janeiro, o candidato do PSOL, Marcelo Freixo, contava com o apoio de DEM e PSDB. O DEM tem suas raízes no Partido ARENA governante durante a ditadura militar e o PSDB é o representante direto do imperialismo dos EUA-EU no Brasil e principal partido de oposição ao PT. A guinada à direita do PSOL se reflete nas posições contra o aborto e pela criminalização dos “black blocks” nos movimentos de protestos que surgiram a partir de junho de 2013.
 
O PSTU- Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado, é o partido da LIT-morenista no Brasil. Seu candidato à presidente é Zé Maria, ex-operário metalúrgico. O PSTU tenta há vários anos a formação de uma ampla Frente de Esquerda tendo o PSOL como principal aliado. Tal tentativa tem fracassado por causa principalmente da recusa do PSOL, o qual não vê vantagem eleitoral em concretizar essa união. O PSTU não vê problemas em tentar uma aliança com um partido como o PSOL, o qual recebe financiamento da burguesia. Porém, o próprio PSTU, se não recebe financiamento da burguesia, vêm adotando políticas do mais absoluto centrismo nos últimos anos. 
 
Apesar do discurso que se assemelha ao radical, o PSTU através de sua central sindical, a CONLUTAS, em 2009, na região se São José dos Campos-SP aceitaram, sem nem uma convocação a uma greve por tempo indeterminado, a demissão de mais de 4 mil trabalhadores da multinacional brasileira Embraer- que fabrica aviões comerciais e militares. Tal fato abriu caminho para que nos anos seguintes as outras multinacionais como a GM impusessem demissões de milhares de trabalhadores. No campo sindical, o PSTU-Conlutas não se coloca de forma muito diferente do Partido dos Trabalhadores-PT.
 
No seu projeto eleitoral, o qual leva a sério, o PSTU vem rompendo inclusive com o que qualquer partido trotskista tem como uma das suas principais bandeiras: O internacionalismo proletário. O partido se posicionou fortemente contra a vinda de médicos cubanos ao Brasil pelo programa do governo federal denominado “Mais Médicos”. Esse programa, inspirado pelo modelo que Chávez implantou na Venezuela, garantia a presença de médicos tanto nas periferias das grandes metrópoles (São Paulo, Rio de Janeiro, etc.) como nas regiões mais distantes como Amazônia, Nordeste, etc. 
 
Além disso, a política do PSTU com relação aos órgãos de repressão, especificamente a Polícia Militar, rompe absolutamente com a política leninista de que a polícia de forma nenhuma representa a classe operária. Uma das principais ações da Revolução russa de 1917 foi o desmantelamento das polícias. Pois o PSTU em sua Central Sindical, o CSP-Conlutas, conta entre seus membros com associações de policiais. Isso coloca em contato direto os movimentos sociais de resistência com os seus algozes repressores.
 
O PCO- Partido de Causa Operária, esquerda centrista, concorre a presidente com o jornalista Rui Costa. Há anos o PCO concorre às eleições presidenciais no Brasil, com baixíssimo percentual de votos. Na votação presidencial do PCO, PSTU, PSOL e PCB JUNTOS! nas últimas eleições, de 2010, não chegou a 1% do eleitorado, então a análise que vale para o PCO também vale para os demais em um levantamento de representatividade junto as massas. O partido é tido pela imprensa como sendo de extrema-esquerda, isto é, a própria imprensa burguesa coloca o PCO como muito mais à esquerda que o PSOL e PSTU. Isso tem consequências: num eleitorado majoritariamente conservador, a inserção do PCO junto à classe trabalhadora é muito limitada. No entanto, o PCO é o único partido de esquerda legalizado que coloca no seu programa eleitoral pela televisão e pelas rádios o aviso de que as eleições burguesas não servem para nada e que somente a revolução social é que poderá ser o caminho para a classe trabalhadora. Além disso, diante da evidente falta de democracia vigente nas leis eleitoral do Brasil, que impede os partidos muito  menores em concorrer às eleições, o partido abriu a sua legenda para que outros agrupamentos revolucionários possam concorrer às eleições com o seu próprio programa partidário, tais como o LC-Liga Comunista, seção brasileira do CLQI-Comitê de Ligação da Quarta Internacional, o qual concorre com dos operários que estão nas bases das suas categorias e  no chão da fábrica.
 
O PCO defende a completa dissolução das policias. De acordo com relatório elaborado pela OAB-RJ (Ordem dos Advogados do Brasil-seção Rio de Janeiro) As polícias do Brasil estão entre as que mais matam no mundo. De acordo com esses dados , entre os anos de 2001 e 2011, houve um assustador crescimento do número de mortes provocadas pela polícia e registradas como “autos de resistência”. Esse número atingiu um pico no ano de 2007. No Rio de Janeiro foram analisados 12 mil autos de resistência e 60% deles foram execução pura e simples, muitas com tiro na nuca.
 
Não temos acordo programático com o PCO. Temos visão diferente quando se trata de caracterização sobre o papel contemporâneo de Rússia e China, o qual caracterizamos como países imperialistas; Não defendemos a libertação dos criminosos do PT, ex-ministro José Dirceu e ex-líder do PT José Genoino; diferente do PCO nós defendemos que o movimento “Não vai ter Copa” tinha reivindicações legítimas devido ao aparato repressivo que desalojou milhares de pessoas de suas casas e a continuidade da situação de penúria em que vive ainda os hospitais, a saúde pública em geral, a habitação e a educação. Porém, o PCO não rompeu a barreira de classe como o PSOL e não traiu ou boicotou as lutas das greves dos trabalhadores como fez, e ainda faz o  PSOL e o PSTU.
Por essas razões  o CCR-Seção brasileira do RCIT dá o apoio crítico eleitoral PCO.
2.              http://oglobo.globo.com/brasil/policia-mata-cinco-pessoas-por-dia-no-brasil-10669947
 
Leia mais!

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Solidariedade com o PCO diante da agressão policial à sua candidata Cleide Donária!












O Coletivo Lênin expressa total solidariedade aos companheiros do PCO, reafirma o grande acerto político do PCO em defender a dissolução da polícia, que é um dos motivos para o nosso apoio crítico às candidaturas do partido nestas eleições (apesar das nossas divergências), e levanta novamente a necessidade da formação de autodefesas negras contra ataques racistas, como o que aconteceu.


Fonte: PCO


 
"Dissolve a PM agora, sua negra vagabunda"
A candidata do PCO ao governo de Minas Gerais, Cleide Donária, foi agredida de maneira covarde por levantar a bandeira da extinção da Polícia Militar

No dia 15 de setembro, a candidata ao governo de Minas Gerais pelo PCO, Cleide Donária, a única candidata mulher, trabalhadora e negra, foi agredida de maneira covarde quando se dirigia à UPA (Unidade de Pronto Atendimento) de Venda Nova, como parte das atividades da campanha eleitoral. Quando ela transitava pelo canteiro central da Avenida Vilarinho, Cleide foi abordada por um elemento de aproximadamente 30 anos, vestido à paisana, que atravessou a rua e se dirigiu diretamente a encontra-la.

Sem mais, ele aplicou um forte soco na altura do estômago da Cleide e a derrubou no chão, enquanto gritava com raiva e cuspia em cima da candidata que acabou ficando paralisada pela dor e a surpresa da agressão. O agressor, que saiu das proximidades de uma casa de shows, fez questão de mostrar que portava uma arma enquanto gritava “Cadê o seu partidinho de merda para dissolver a PM?” “Dissolve a PM agora sua prostituta” “Sua negra vagabunda”.

Depois de ter batido e cuspido na Cleide várias vezes, o agressor acabou se afastando.

O acontecimento não faz parte de uma mera casualidade, de um ataque isolado de um desiquilibrado, mas revela os crescentes ataques contra a liberdade de expressão no Brasil, assim como acontece com os demais direitos democráticos.


Por que o fim da Polícia Militar?

A defesa das chamadas “políticas de segurança”, defendida pela direita e pela quase totalidade da “esquerda” nacional não é outra coisa senão o fortalecimento do braço armado do Estado capitalista e, consequentemente, da burguesia. Medidas como o aumento do efetivo policial e o aparelhamento das polícias militares necessariamente se voltam contra a população. A única maneira de garantir uma verdadeira segurança para a classe operária só pode acorrer com a dissolução da PM e a constituição de milícias populares para proteger os trabalhadores dos ataques do braço armado do Estado.

Até a própria ONU (Nações Unidas), que é um órgão controlado pelo imperialismo, tem se posicionado pelo fim da Polícia Militar, tal o escandaloso grau de violência e o alto índice de mortes causadas pelas PMs brasileiras. E o problema não reside na insuficiência do treinamento dos policiais, uma vez que o problema se encontra na estrutura da instituição e não na conduta individual de determinados membros da corporação. Isto fica ainda mais claro quando observamos a atuação da PM na história e na forma de agir que sempre segue a mesma tendência truculenta.

A morte de diversos jovens nas favelas e nos bairros da periferia, principalmente em São Paulo, no Rio de Janeiro e em Belo Horizonte, fez com que esta se tornasse também uma das principais bandeiras dos movimentos sociais. No campo, o assassinato de camponeses diretamente pela polícia, ou por jagunços a serviços dos latifundiários, acobertados pela polícia, são rotineiros. O movimento estudantil também tem entrado em confronto em reiteradas ocasiões, com a polícia devido à presença da polícia em várias universidades.


Pelas bandeiras de luta da classe operária

Pelo fim das ocupações das comunidades operárias do Rio de Janeiro e de todo o País (UPP’s) pela PM e tropas federais, realizadas para defender os interesses dos especuladores imobiliários e outros tubarões capitalistas e para intensificar o terror contra a população pobre.

Acabar com a máquina de guerra e terror contra a população pobre e negra que é a Polícia Militar.
Pela dissolução da PM e de todo o aparato repressivo.

Abaixo a ditadura civil, pelos direitos democráticos dos trabalhadores e da população oprimida. Pelo direito irrestrito de greve; pela plena liberdade de organização sindical; pelo fim da censura, liberdade de expressão; pela liberdade para todos os presos políticos, fim dos julgamentos fraudulentos; pela punição para os assassinos dos trabalhadores.

Pelo direito da população a se armar. Substituição da polícia e do exército permanente e controlado pelo Estado por um sistema de milícias populares.

Contra a constituição golpista, por uma assembleia Nacional Constituinte, livre e soberana, onde as organizações sociais estejam representadas.

Por um partido operário, revolucionário e de massas (do qual o PCO é O MAIS IMPORTANTE NÚCLEO E O ÚNICO PARTIDO QUE DEFENDE DE MANEIRA CONSCIENTE ESSA PERSPECTIVA, que impulsiona esta política de forma consciente e organizada) que organize a vanguarda da classe operária e dos seus aliados e impulsione a mobilização dos explorados em direção à derrubada da ditadura capitalista e a sua substituição por um governo dos trabalhadores da cidade e do campo e pela conquista do socialismo em escala internacional.


Leia mais!

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

ATO PUBLICO EM TODO O BRASIL CONTRA A HOMOFOBIA E VIOLÊNCIA AOS LGBT

Após o assassinato do rapaz João Antonio Donati, 18 anos,mais um caso associado violência por homofobia, em todo o Brasil estão sendo convocados manifestações contra a violência aos LGBT, propagada pelo fundamentalismo religioso.
Nós do CL nos solidarizamos com a família do João, assim como toda a comunidade LGBT e todos aqueles que são vítimas da violência promovida pelo avanços do fundamentalismo evangélico no Brasil, como as religiões de Matriz Africana e Espírita.

Através de nossas publicações, e atualmente na campanha eleitoral do camarada Edimilson Rosário, militante do CL, estivemos expondo estas questões do avanço da violência fundamentalista e necessidade dos trabalhadores se organizarem para se defender a altura:
http://www.edmilsonrosario.com.br/
https://www.facebook.com/edimilsonrj

Abaixo estão as convocações dos atos pelo Facebook em várias cidades do Brasil. Estaremos no próximo domingo no Rio de Janeiro:
SÃO PAULO - http://goo.gl/AjLH9w
FLORIANÓPOLIS - http://goo.gl/3qWMxc
VITÓRIA - http://goo.gl/5tQq0n
CAMPO GRANDE - http://goo.gl/WW6lEM
CURITIBA - http://goo.gl/jzCK62
BRASÍLIA - http://goo.gl/25WvSe
FORTALEZA - http://goo.gl/78pxAd
RECIFE - http://goo.gl/UBdLEZ
BELO HORIZONTE - http://goo.gl/QS2CVu
GOIÂNIA - http://goo.gl/DiYmN3
LAVRAS - http://goo.gl/0ttzDg
RIO DE JANEIRO - http://goo.gl/xKFblI


Leia mais!

Por que é preciso acabar com a polícia? (Edmilson Rosário)


POR QUE É PRECISO ACABAR COM A POLÍCIA ?
Em uma década a polícia matou mais de 10.000 pessoas nas favelas.


A versão em PDF está aqui

Introdução

As polícias do Brasil estão entre as que mais matam no mundo. De acordo com dados
coletados em pesquisa feita em parceria com a OAB/RJ, entre os anos de 2001 e 2011, houve um
assustador crescimento do número de mortes provocadas pela polícia e registradas como “autos de
resistência”. Esse número atingiu um pico no ano de 2007. No Rio de Janeiro foram analisados 12
mil autos de resistência e 60% deles foram execução pura e simples, muitas com tiro na nuca. Após
o ano de 2007, o número de mortes provocadas pela polícia começa a diminuir, mas começa a
aumentar o número de pessoas desaparecidas nas favelas e periferias. Esses dados revelam que, para
ocultar suas mortes, a polícia, ao invés de registrar como “autos de resistência”, tem simplesmente
ocultado os corpos. Foi o que aconteceu, por exemplo, no ano de 2013 no caso do assassinato do
pedreiro Amarildo.

Esse, porém, não é um crime praticado apenas pela polícia. Há uma ampla aliança genocida
que garante a impunidade. Entre 2005 e 2007 foram instaurados 707 casos de auto de resistência
com autoria reconhecida. Desses, foram obtidos registros de 510, mas apenas 355 viraram inquéritos
policiais. Só 19 foram encaminhados para a justiça, 16 foram arquivados, três denunciados pelo
Ministério Público, dois pronunciados (denúncia aceita pelo juiz) e apenas um foi julgado pelo júri,
resultando em condenação. Na maioria dos casos sequer se realiza uma perícia.

Algumas ações institucionais muito limitadas tem sido apresentadas, mas nenhuma delas se
propõe a atacar a raiz do problema. Um exemplo disso é o PL 441/2012, de autoria do deputado
Paulo Teixeira (PT-SP) que prevê a investigação das mortes e lesões corporais cometidas por
policiais durante o trabalho, o que atualmente não acontece, pois uma vez registrado como auto de
resistência ou resistência seguida de morte, não há investigação. Ocorre, porém, que com a nova
postura da polícia de simplesmente desaparecer com as pessoas ao invés de registrar, essa previsão
de investigação se tornará completamente estéril. Importante também lembrar que quem investigaria
seria a própria polícia, que está atolada até a medula na aliança burguesa da impunidade, o que tira
completamente qualquer esperança de que ela possa ter uma atuação imparcial.

O puro e simples extermínio da população favelada e periferada é uma política implementada
conscientemente pela burguesia através dos seus governos e utiliza a polícia como principal
executora. Essa política é essencialmente racista e faz parte da eterna busca das elites brasileiras pelo
total embranquecimento da sociedade através da eliminação ou encarceramento em massa das
pessoas negras.

Uma pesquisa feita pelo Grupo de Estudos sobre Violência e Administração de Conflitos da
Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), com dados oficiais, aponta que o número de negros
mortos em decorrência de ações policiais para cada 100 mil habitantes em São Paulo é três vezes
maior que o registrado para a população branca. Os dados revelam que 61% das vítimas da polícia
no estado são negras, 97% são homens e 77% têm de 15 a 29 anos. Já os policiais envolvidos são
brancos (79%), sendo 96% da Polícia Militar.


A massificação da reivindicação pelo fim da PM e a crise das UPPs:

Quando, em 2013, se massificaram as lutas contra o aumento das passagens de ônibus, muitos
setores de favelas, subúrbios e periferias engrossaram as lutas e começaram a levantar a palavra de
ordem pelo fim da PM. Rapidamente o grito de “não acabou, tem que acabar, eu quero o fim da
Polícia Militar” passou a ser ouvido em todas as manifestações de milhares e milhares de pessoas.
Nesse contexto de grande mobilização social, explodiu a crise das UPPS, com revoltas populares em
várias favelas e periferias, principalmente no Rio de Janeiro e São Paulo. Essas revoltas se
enfrentaram diretamente com policiais e se posicionaram contra a ocupação militar. Em muitas
favelas como Manguinhos, Morro do Encontro, Maré, Alemão, Rocinha, Pavão Pavãozinho
aconteceram queimadas ou ocupações das sedes das UPPs pelos moradores. A grande imprensa
rapidamente passou a noticiar que se tratavam de ações de traficantes. Pelo contrário, eram revoltas
populares contra a polícia genocida.


Desmilitarizar ou acabar com a polícia? O que representa a formulação da PEC 51?

Nesse contexto, o senador Lindberg Farias (PT-RJ) apresentou a proposta de emenda
constitucional 51, que prevê a desmilitarização das polícias. Essa proposta é uma tentativa de
responder à crise instaurada pela revolta popular, mas é totalmente ineficaz para paralisar a máquina
genocida. Pelo contrário, piora ainda mais ambiente de repressão. A PEC 51 prevê a unificação das
polícias civil e militar em uma única corporação com um plano de carreira disposto em estrutura
administrativa. Na verdade, a unificação do aparato repressor já era idealizado desde antes pela
burguesia. No auge das manifestações chegou-se a propor uma ação unificada de Ministério Público,
Polícia e Judiciário, através de juizados itinerantes para dar ordens judiciais de prisão
instantaneamente por ocasião das manifestações. A busca é por mais agilidade na repressão. Com a
unificação das polícias, o mesmo policial ou corporação que forja flagrantes contra manifestantes ou
desaparece com favelados e periferados será responsável também por investigar seu próprio crime,
algo que já acontece, porém de forma menos ágil devido à separação de polícias.

A PEC 51 prevê também a instituição de ouvidorias para fiscalizar a atividade policial. Essas
ouvidorias seriam chefiadas por uma pessoa não membro da corporação policial. Aparentemente
seria um avanço. Ocorre, porém, que essa pessoa seria nomeada pelo governador do Estado ou pelo
prefeito do município, uma vez que essa PEC prevê a criação de polícias municipais. Seria, portanto,
entregar ao gestor da política genocida o poder de nomear a pessoa que fiscalizaria a polícia. Um
grande jogo de cena para criar uma aparência democrática sem atacar o problema. Uma das funções
dessa ouvidoria seria “zelar pelo compartilhamento de informações entre órgãos de segurança” de
forma a unificar o sistema de inteligência. Mais um aprimoramento na verdadeira atuação de polícia
secreta que devassa a vida de favelados e militantes de movimentos sociais através da constante
invasão de privacidade.

A PEC 51 é, na verdade, um projeto desejado pela burguesia. Tanto é assim que ela prevê a
criação de polícias municipais para auxiliar na tarefa repressiva. Essa proposta foi feita também
através do PLC 39/2014, que tramitou em caráter de urgência e foi aprovado no dia 16 de julho de
2014. Esse projeto deu às guardas municipais o direito de usar armas de fogo e de efetuar prisões.
Trata-se, na verdade, da aprovação daquilo que já estava previsto no PEC 51. Os parlamentares não
quiseram esperar a aprovação da PEC 51 e anteciparam-se aprovando outra lei que, na verdade,
possuía um conteúdo já previsto na PEC da desmilitarização. Foi mais um passo no avanço do
Estado policial com o aumento do aparato repressivo estatal objetivando esmagar as revoltas
populares e seguir aplicando a política de extermínio e encarceramento em massa, principalmente de
negros, favelados e periferados.

Acreditar que a aprovação da PEC 51 possa ser um obstáculo a essa política significa incorrer em
duas confusões. A primeira delas é acreditar que a polícia possa ser reformada e passar a cumprir um
papel melhor. Não acreditamos nisso. A polícia é uma instituição criada para cumprir exatamente o
papel que ela cumpre hoje. Não há possibilidade de que essa polícia atue de outra forma. Por isso,
ela precisa acabar. A segunda ilusão é acreditar que as instituições viciadas, como o parlamento,
possam cumprir algum papel progressivo. É um grande engano pensar que dali virá a solução para o
problema do terrorismo de Estado.


O que colocar no lugar da polícia?

Sempre que falamos em fim da polícia surge o questionamento: o que colocar em seu lugar?
Essa pergunta parte da confusão de que a polícia cumpriria algum papel na segurança das pessoas e,
por isso, precisaria ser substituída para que esse papel possa continuar sendo cumprido. Na verdade,a
polícia não zela pela segurança de trabalhadores. Seu papel é proteger o patrimônio da burguesia,
massacrar as lutas sociais e chacinar os pobres e negros. Nas greves de policiais que aconteceram no
Nordeste ficou evidente que essa corporação não faz falta para o povo. Não ocorreram aumentos nos
números de homicídios ou roubos. O que ocorreram foram saques a grandes lojas, realizados por
pessoas pobres e excluídas do mundo do consumo, o que revela que a função da polícia é garantir a
segurança do patrimônio dos empresários e prevenir revoltas contra a política de exclusão e
desigualdade social. Não precisamos substituir a polícia. Precisamos, na verdade, criar algo novo
para cumprir um papel que hoje a polícia não cumpre. Por isso, nossa proposta é a criação de uma
força de segurança formada por moradores de cada localidade e comandada por conselhos populares,
que devem ter também poder para gerir os demais serviços públicos. Isso, obviamente, requer ampla
participação popular, o que exige a redução da jornada de trabalho sem redução de salários para que
os trabalhadores possam ter tempo para se envolver diretamente na gestão da segurança e demais
serviços. Enquanto a polícia atua contra o povo, essa força seria o próprio povo. Seriam as pessoas
cuidando de sua segurança e da dos seus, ao invés de uma tropa externa de ocupação, espionagem e
vigilância praticada contra um inimigo interno que são sempre os excluídos e explorados.


O desarmamento dos grupos paramilitares

Não podemos, porém, ter a ilusão de que a polícia é a única peça nessa engrenagem. Grupos
paramilitares como os braços armados de organizações integralistas (na maioria das vezes, policiais,
atuando nas horas de folga) e também as seguranças privadas e milícias fazem parte da mesma
política de terrorismo de Estado ou de cooperação com o Estado.

As forças populares de segurança, comandadas por seus conselhos, precisam ter o total
monopólio do uso da força, com absoluta restrição às outras formas de organização militar da burguesia.


Uma pauta que se concretiza nas lutas

Também não temos a ilusão de que essas medidas, que são realmente eficazes para paralisar a
máquina genocida, possam se concretizar pura e simplesmente através da aprovação de um projeto
de lei no parlamento. As vias institucionais são completamente controladas pela burguesia e estão aí
para bloquear qualquer mudança substancial no DNA do Estado terrorista. O fim da polícia e das
demais forças de repressão somente será conquistado através de muita mobilização popular e
estabelecimento, desde já, de sólidas raízes no debate sobre a auto defesa. Nossa candidatura cumpre
o papel de impulsionar esse debate colocando-o nos espaços que se abrem com a disputa eleitoral.

O voto em nossa candidatura é importante porque fortalece essa luta, na medida em que
expressa aceitação deste programa em amplos setores de trabalhadores, favelados e periferados.
Mas, essa luta não termina com as eleições. Apoiando-se nesse momento, ela deve lançar raízes para
seguir sendo debatida e estabelecida até a total construção do governo direto da classe trabalhadora
organizada em seus conselhos populares.


Entre em contato:

www.facebook.com/edimilsonrj
Leia mais!

sábado, 30 de agosto de 2014

Sobre linchamentos e a Ku Klux Klan (artigo de Ho Chi Minh)





Sobre linchamentos e a Ku Klux Klan

Ho Chi Minh (1924)


É um fato conhecido que a raça negra é a mais oprimida e explorada da família humana. É um fato conhecido que a expansão do capitalismo e a descoberta do Novo Mundo tiveram como resultado imediato o renascimento da escravidão, que foi, durante séculos, um flagelo para os negros e uma vergonha amarga para a humanidade. O que talvez nem todos saibam é que, depois de 65 anos da chamada emancipação, os negros americanos ainda suportam sofrimentos morais e materiais atrozes, dos quais o mais cruel e horrível é o costume do linchamento. 
  
A palavra "linchamento" vem de Lynch. Lynch era o nome de um fazendeiro na Virgínia, um latifundiário e juiz. Valendo-se dos problemas da Guerra da Independência, ele tomou o controle de todo o distrito em suas mãos. Ele infligiu o castigo mais selvagem, sem julgamento ou processo legal, a monarquistas e tories (conservadores). Graças aos comerciantes de escravos, à Ku Klux Klan, e outras sociedades secretas, a prática ilegal e bárbara do linchamento está se espalhando e continua nos Estados da União Americana. Tornou-se mais desumana desde a emancipação dos negros, e é especialmente dirigida para os últimos... 
  
De 1899 a 1919, 2.600 negros foram linchados, incluindo 51 mulheres e meninas e dez ex-soldados da Grande Guerra. 
  
Entre 78 negros linchados em 1919, 11 foram queimados vivos, três queimados após terem sido mortos, 31 de tiro, três torturados até a morte, um esquartejado, um afogado, e 11 condenados à morte por outros meios. 
  
Geórgia lidera a lista com 22 vítimas, Mississippi segue com 12. Cada um tem também três soldados linchados a seu crédito. Dos 11 queimados vivos, o primeiro Estado tem quatro e o outro, dois. Dos 34 casos de linchamento sistemático, premeditado e organizado, ainda é a Geórgia que ocupa o primeiro lugar, com cinco. Mississippi vem em segundo, com três.
 
Entre as acusações contra as vítimas de 1919, notamos: uma de ter sido um membro da League of Non-Partisans (agricultores independentes); uma de ter distribuído publicações revolucionárias; uma de expressar a sua opinião sobre linchamentos livremente demais; uma de ter criticado os confrontos entre brancos e negros em Chicago; uma de ter sido conhecida como líder da causa dos negros; uma de não ter saído do caminho e, assim, ter assustado uma criança branca que estava em um automóvel. Em 1920, houve cinquenta linchamentos e, em 1922, vinte e oito.
 
Estes crimes foram todos motivados pela inveja econômica. Ou os negros da região eram mais prósperos do que os brancos, ou os trabalhadores negros não se deixavam explorar completamente. Em todos os casos, os principais culpados nunca foram incomodados, pela simples razão de que eles sempre foram incitados, incentivados, estimulados, e então protegidos por políticos, financistas e autoridades e, sobretudo, pela imprensa reacionária... 
  
O lugar de origem da Ku Klux Klan é o sul dos Estados Unidos. Em maio de 1866, após a Guerra Civil, jovens se reuniram em uma pequena localidade do Estado do Tennessee para a criação de um clube. Um passatempo. Esta organização recebeu o nome de "kuklos", palavra grega que significa "clube". Para americanizar a palavra, ela foi transformada em Ku Klux. Então, para ficar mais original, Ku Klux Klan.
 
Depois de grandes convulsões sociais, a opinião pública fica naturalmente inquieta. Torna-se ávida por novos estímulos e inclinada ao misticismo. A KKK, com sua vestimenta estranha, seus rituais bizarros, os seus mistérios e seu sigilo, irresistivelmente atraiu a curiosidade dos brancos nos Estados do Sul e tornou-se muito popular. 
  
Consistia, no começo, apenas num grupo de esnobes e ociosos, sem finalidade política ou social. Elementos astutos descobriram nela força capaz de servir às suas ambições políticas.
 
A vitória do Governo Federal tinha acabado de libertar os negros e torná-los cidadãos. A agricultura do Sul - privada de sua mão de obra negra, estava sem mãos. Ex-proprietários foram expostos à ruína. Os Klansmen proclamaram o princípio da supremacia da raça branca. A sua única política era antinegra. A burguesia agrária e escravista viu na Klan um agente útil, quase um salvador. Eles deram toda a ajuda que estava ao seu alcance. Os métodos da Klan variavam da intimidação ao assassinato .... 
  
A Klan está, por muitas razões, condenada a desaparecer. Os negros, tendo aprendido durante a guerra que são uma força, se unidos, já não estão permitindo que seus parentes sejam espancados ou assassinados impunemente. Eles estão respondendo a cada tentativa de violência por parte da Klan. Em julho de 1919, em Washington, eles se levantaram contra a Klan e uma turba selvagem. A batalha se desenrolou na capital durante quatro dias. Em agosto, eles lutaram durante cinco dias contra a Klan e uma turba em Chicago. Sete regimentos foram mobilizados para restaurar a ordem. Em setembro, o governo foi obrigado a enviar tropas federais para Omaha para acabar com conflitos semelhantes. Em vários outros Estados, os negros se defendem com não menos energia.

Leia mais!

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

4 de agosto de 1914: a traição da socialdemocracia (2ª parte)




Combater na guerra? Combater a guerra?

Como já dissemos antes, a guerra provocou uma reviravolta em todas as correntes da Segunda Internacional. Não aconteceu, como a maioria das correntes diz, uma divisão entre direita, centro e esquerda em relação à guerra.

Por exemplo, o Bernstein, que era da ala direita, foi pacifista desde o começo, assim como Kautsky, que era do centro. Os dois romperam com o SPD em 1916 e formaram o USPD (Partido Socialdemocrata Independente) com o grupo de Rosa Luxemburgo. Na França, o reformista Jean Jaurès foi o maior militante contra a guerra dentro da SFIO (Seção Francesa da Internacional Operária, como era chamado o partido), tanto que foi assassinado por um nacionalista em 31 de julho, um dia antes do início do conflito.

Os guesdistas, seguidores de Jules Guesde, a ala esquerda da SFIO, apoiaram a guerra, e Guesde inclusive chegou a assumir um ministério em nome da “união nacional”. Gustave Hervé, que era da alta esquerda e militante antiimperialista na SFIO, apoiou a guerra e, alguns anos depois, se tornou fascista. Esse foi o mesmo caso de Benito Mussolini, da ala esquerda do PSI, que formou o grupo dos “socialistas intervencionistas”, ou seja, os socialistas que queriam que a Itália saísse da neutralidade e fizesse uma “guerra  revolucionária” contra a Áustria-Hungria.

Os maiores setores contra a guerra, previsivelmente, estavam nos países neutros. Por exemplo, nos EUA, que só entraram na guerra em 1917, todas as alas do Partido Socialista foram pacifistas. Mesmo assim, os três únicos partidos que defenderam que a guerra mundial deveria ser usada como oportunidade para a revolução foram o Partido Bolchevique, na Rússia, o Partido Socialista Sérvio e os “Estreitos” da Bulgária.

A divisão também aconteceu entre as fileiras dos anarquistas, com a diferença de que a maioria das organizações aderiram à linha anarquista de “guerra à guerra”, com a exceção da Confederação Geral dos trabalhadores (CGT) francesa, de alguns agrupamentos minoritários que se denominaram “nacional-sindicalistas”, e de algumas personalidades, como Piotr Kropotkin.

Então, em 1914, a Segunda Internacional estava despedaçada, e existiram duas posições antiguerra: a pacifista e a que defendia a transformação da guerra em revolução. Vamos ver agora como os socialistas antiguerra se organizaram para reconstruir uma Internacional.


Os social-imperialistas durante a guerra

A Segunda Internacional estava com uma conferência marcada para agosto de 1914, justamente com o objetivo de lutar contra a ameaça de guerra. Mas a traição de 4 de agosto colocou o Birô Socialista Internacional, que era o seu órgão dirigente, em inatividade.

O apoio à guerra estava em completo desacordo com o Congresso de Stuttgart, em 1907, em que tinha sido aprovada uma resolução contra a ameaça da guerra, escrita pela Rosa Luxemburgo. O Manifesto aprovado por unanimidade no Congresso de Basiléia, em 1912, era ainda mais claro, e defendia que, no caso de uma guerra imperialista, era o dever dos trabalhadores transformá-la numa guerra civil revolucionária. Karl Liebknecht imortalizou essa ideia, com a frase “o inimigo principal está em casa”.   

Com a capitulação, se formaram dois campos de socialistas pró—guerra ou, como Lênin chamou, de social-imperialistas. O primeiro, dos partidos dos países Aliados (França, Inglaterra e Rússia), organizou três conferências, em fevereiro de 1915, agosto de 1917 e setembro de 1918. Os principais organizadores foram o Partido Trabalhista e o Partido Trabalhista Independente (ILP) ingleses, a SFIO francesa e o Partido Social-Revolucionário russo.

Ao mesmo tempo em que eles diziam que a guerra tinha sido necessária para defender a democracia, eles fizeram declarações contra as anexações de territórios e exigindo a formação da uma Liga das Nações (o que realmente foi feito) e uma Corte Internacional para impedir futuras guerras.

Já os partidos dos países centrais (Alemanha e Áustria-Hungria), tendo à frente o SPD, o Partido Socialdemocrata Húngaro e o Partido Socialista Austríaco, fizeram uma única Conferência, em abril de 1915, com resoluções semelhantes, mas dessa vez insistindo que a guerra era uma medida necessária contra o czarismo russo.


Os internacionalistas na guerra

Foi a partir dos partidos dos países neutros que começou a se formar o movimento contra a guerra imperialista. Houve três conferências desses partidos, que prepararam as conferências antiguerra gerais. A primeira foi em Lugano, Suíça, em setembro de 1914, organizada pelo Partido Socialdemocrata Suíço e pelo Partido Socialista Italiano, exigindo que houvesse uma pressão diplomática pelo fim da guerra. A segunda foi em Copenhague, em outubro de 1915, e os participantes foram os partidos dos países nórdicos, e a terceira foi em Hague, Holanda, em julho de 1916.

Mas essas conferências não envolviam os setores antiguerra dos países que estavam participando do conflito. Isso só aconteceu a partir da Conferência de Zimmerwald (Suíça), em setembro de 1915, que reuniu todos os setores internacionalistas.  Uma segunda conferência aconteceu em Kienthal (Suíça), em abril de 1916, e a terceira foi em Estocolmo, em setembro de 1917, convocada pelo soviete de Petrogrado.

Durante as três conferências, existiram duas alas. Uma era a ala pacifista, formada por representantes da direita e do centro, que defendia o fim da guerra e uma política de autodeterminação dos povos, contra retaliações aos derrotados etc. A outra ala, chamada de “esquerda de Zimmerwald”, mantinha a posição de transformar a guerra imperialista em revolução. Foi a esquerda de Zimmerwald que levantou a proposta de criar uma Terceira Internacional, enquanto os pacifistas acreditavam que com o fim da guerra seria possível reunificar a Segunda Internacional.

Com a revolução russa, as condições políticas mudam completamente. Os bolcheviques, representantes da esquerda de Zimmerwald, criam o primeiro Estado operário e convocam a formação da Terceira Internacional. Para isso, contam com o apoio dos espartaquistas alemães, que logo fundarão do PC Alemão (KPD), e setores da esquerda em todos os países. A derrota na guerra abre,em 1918, a revolução na Alemanha e na Hungria, em que um governo dos trabalhadores assume o poder durante quatro meses.


Epílogo

Em março de 1919 se realizou o primeiro Congresso da Terceira Internacional. Além da esquerda de Zimmerwald, organizações sindicalistas revolucionárias e anarquistas que foram contra a guerra participaram. Para os bolcheviques, a Primeira Guerra marcava o estágio final do capitalismo, e colocava na ordem do dia a luta pelo poder em toda a Europa. Toda a atividade da IC até 1921 estava em função da expectativa da vitória na revolução alemã.

Mas, a partir de 1923, a onda revolucionária aberta na Rússia estava se encerrando, com a derrota da Ação de Março, na Alemanha. O novo período de paz permitiu a volta das antigas correntes antiguerra aos partidos socialdemocratas de onde tinham saído, formando a Internacional Operária e Socialista.

Na verdade, a perspectiva de Bernstein, de condições sempre mais favoráveis para a transição ao socialismo, se revelou uma ilusão. Em poucos anos, a Alemanha entraria em colapso por causa das retaliações impostas pelo Tratado de Versalhes. O fascismo iria se espalhar por toda a Europa, preparando o terreno para a Segunda Guerra Mundial.

A “guerra de atrito” do centro também se mostrou uma ilusão. O período prolongado de fortalecimento dos partidos e sindicatos tinha criado uma burocratização e levado à colaboração de classes.

A perspectiva da esquerda, de que a guerra significaria a agonia mortal do capitalismo, também foi uma ilusão. Lênin estava errado ao pensar que só uma pequena parte dos trabalhadores passaria a ter um nível de vida pequeno-burguês por causa do imperialismo. Bukhárin, em seu livro Imperialismo e Economia Mundial, apontava que a maioria da classe trabalhadora nos países centrais tinha uma melhora do nível de vida capaz de lhe dar uma perspectiva reformista, e que só as guerras entre países imperialistas permitiam uma ruptura da política de colaboração de classes.

Lênin também teve essa intuição no seu último texto, Mais vale menos, mas melhor, em que ele fala que, nas décadas seguintes, o eixo das revoluções se deslocaria para a Ásia. Infelizmente, a Terceira Internacional não pôde se preparar adequadamente para essa mudança porque, a partir de 1924, Stálin chega ao poder na URSS, e transforma a Internacional em um instrumento de pressão da burocracia soviética.

A Quarta Internacional, que surgiu em luta contra o stalinismo, não foi capaz de romper com as perspectivas da IC, tanto que o nome do Programa de Transição é A Agonia Mortal do Capitalismo e as Tarefas da Quarta Internacional. Depois da Segunda Guerra, o período de desenvolvimento acelerado do capitalismo que durou 30 anos desorientou violentamente o conjunto das organizações trotskistas, enquanto os partidos stalinistas nos países centrais se tornaram partidos reformistas.

A tarefa dos revolucionários hoje é entender o período histórico que estamos vivendo, com a crise estrutural e o deslocamento do eixo imperialista, para que a gente possa formular perspectivas adequadas para frear o caminho para a barbárie e colocar a luta pelo socialismo novamente na ordem do dia.

Leia mais!