QUEM SOMOS NÓS

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Somos uma organização marxista revolucionária. Procuramos intervir nas lutas de classes com um programa anticapitalista, com o objetivo de criar o Partido Revolucionário dos Trabalhadores, a seção brasileira de uma nova Internacional Revolucionária. Só com um partido revolucionário, composto em sua maioria por mulheres e negros, é possível lutar pelo governo direto dos trabalhadores, como forma de abrir caminho até o socialismo.

sábado, 7 de fevereiro de 2015

AVANÇA O GOLPE PARLAMENTAR

Unir os trabalhadores nas ruas contra
o Golpe de Estado do Congresso Nacional [ 1 ]


COMITÊ PARITÁRIO (Coletivo Lênin - Resistência Popular Revolucionária - LC/CLQI)


Desde a manifestação da esquerda “contra a direita e por direitos”, convocada pelo MTST e ocorrida na Avenida Paulista em novembro de 2014 [ 2 ], até fevereiro, a oposição de direita, recuou nas ruas e avançou no campo institucional. Avançou dentro da nomeação do ministério de um governo acuado, avançou na política econômica, na taxa de juros, na reforma trabalhista, nas demissões, tendo seus apetites contidos apenas pela histórica greve por tempo indeterminado dos metalúrgicos da Volkswagen.

Mas a direita segue acumulando forças, coordenando-as e cercando uma Dilma cada vez mais isolada. A direita hegemoniza a grande mídia, o judiciário, avança nas duas casas do Legislativo, sobretudo na Câmara, e a Polícia Federal. Todos estes órgãos são cada vez mais influenciados e coordenados pela direita para acelerar o desgaste político do governo encabeçado pelo PT.

O instrumento principal do ataque é a famigerada “Operação Lava Jato”, que no plano econômico desvaloriza a Petrobrás e no plano político justifica a escalada golpista em nome do combate a liquidação da Petrobrás. A maior e mais importante estatal do país [ 3 ] é reduzida a uma galinha morta, prestes a ser retalhada e privatizada ao menor custo financeiro possível.

A escalada, articulada por etapas manipuladas por agentes diretos do imperialismo, consistiu em fazer escândalo de uma prática comum e tolerada em todos os governos burgueses (cujo tamanho na Petrobrás é tão grande quanto o tamanho da companhia). A partir daí, e em escala crescente e cinematográfica, prenderam inicialmente os grandes empresários beneficiados com a corrupção estatal, apertando-os e oferecendo-lhes o artifício fascitóide da delação premiada, para que, como fiança denunciassem o PT como articulador principal do chamado esquema do ‘petrolão’, que embora atinja partidos do governo e da oposição, é focado e superdimensionado para derrotar o PT. Uma vez desgastado mais ainda e desmoralizado o PT, com novos dirigentes presos ou com direitos políticos cassados, o governo Dilma estará pronto para sofrer um processo de impeachment posto em pauta acelerada pelo quadrilheiro e novo presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha.

Por sua vez, a política anti-proletária de Dilma, de capitular a todas as pressões do grande capital financeiro e da oposição de direita, corrói o próprio capital político que a presidenta reuniu durante o segundo turno das eleições e que a permitiu derrotar a direita naquele momento. Deste modo, Dilma se desmoraliza, se isola das massas que se sentem enganadas e pavimenta o caminho da reação golpista.

APÓS VITÓRIA DA DIREITA NA CÂMARA, UMA SALTO
NO RITMO DA ESCALADA GOLPISTA E O CAÇADA AOS DIREITOS
POLÍTICOS DA POPULAÇÃO TRABALHADORA

A arqui-golpista revista “Veja” lança suas apostas e comemora a vitória de Eduardo Cunha afirmando que o governo Dilma está com os dias contados:

“A segunda feira começa com um clima de ressaca para a presidente Dilma. Um dia difícil depois da dura derrota que o Partido dos Trabalhadores sofreu aqui na Câmara dos Deputados. Eduardo Cunha, desafeto do PT que já impôs derrotas ao partido, foi eleito presidente da Câmara, ele que é do PMDB. A eleição foi de lavada, uma verdadeira surra em Arlindo Chinaglia, o candidato do governo. 267 votos. E a agora, aqui nos bastidores, como parte desta base aliada, que não foi tão aliada, mas composta pelo PMDB, o grande assunto são as novas CPIs que virão por aí. A primeira delas é a CPI da corrupção para investigar, além dos esquemas da Petrobrás, do ‘petrolão’, o que é investigado pela ‘Operação Lava Jato’, outros esquemas de corrupção que acontecem aqui, dentro do governo. Um dia difícil, um fevereiro que começa difícil para a presidente Rousseff, depois talvez do pior janeiro da história de um presidente, com um janeiro de muitas decisões desastrosas, de muitas decisões que desmentem o discurso da própria presidente um fevereiro que começa amargo, com Eduardo Cunha na presidência da Câmara dos Deputados. Vale lembrar que este cargo aqui é o que decide em ultimas instancia sobre os pedidos de CPI ou sobre eventualmente um pedido de impeachment. Eduardo Cunha já mandou recados de que não vai se dobrar para o Planalto. Ele logo que foi eleito fez um discurso conciliador, disse que não haverá perseguições, mas nos bastidores a relação entre PT e PMDB é das piores. Veio um xeque-mate em cima do Partido dos Trabalhadores e do governo da presidente Dilma. Aqui nos bastidores a oposição já comenta que estes serão os últimos 300 dias do governo da petista. São favas contadas, segundo uma fonte da oposição me disse, para que Dilma sofra um processo de impeachment e perca o mandato.” [ 4 ].

Esta derrota do PT foi um marco na escalada golpista que ganhou um ritmo mais acelerado rumo ao impeachment e a cassação de direitos democráticos da população. Ato contínuo, na mesma semana a direita, capitaneada por Cunha aprova na Câmara dos Deputados a Proposta de Emenda Constitucional 352/13 que

“A PEC cria as circunscrições eleitorais. Segundo o texto, o sistema de apuração dos votos continua sendo proporcional (as legendas e candidatos com mais votos assumem as vagas). Mas os candidatos deverão concorrer em pequenas regiões dentro dos estados, definidas pelo Tribunal Superior Eleitoral. Pela proposta, seriam criadas circunscrições em cada estado que elegeriam de quatro a sete cadeiras cada uma. Uma adaptação tosca e distorcida do voto distrital... Ou seja, são enormes a chances de deputados dos cantões serem beneficiados em relação aos grandes centros metropolitanos, onde há mais gente e mais fiscalização.” [ 5 ].

Esta medida favorece as tendências ao “voto qualificado” em detrimento do voto universal, aprofundando o federalismo oligárquico nacional que comanda os partidos burgueses no país, tradição burguesa autoritária antidemocrática denunciada pelas candidaturas da LC nas eleições passadas [ 6 ].

Mas não “só isso”, a “reforma política” iniciada pelo novo Parlamento mantém a farra do financiamento privado

“Na questão mais fundamental para a democracia, o financiamento de campanha, continua pesando o poderio econômico e não se moveu uma palha em direção à transparência. O texto propõe teto de despesa para a campanha eleitoral, mas joga para definição posterior pelo Congresso Nacional. Pela proposta, cada partido poderá optar pelo modo de financiamento, se privado, misto ou exclusivamente público. Ou seja, a farra continua. Claro que a maioria dos partidos vai escolher o sistema misto, pegando dinheiro público e dinheiro privado.” [ 5 ].

Outra manobra está no estabelecimento de eleições gerais anti-esquerda em 2018. Depois de sangrar e destruir o PT durante o processo de impeachment e sobretudo no período entre o golpe e as próximas eleições presidenciais:

“Outra lambança é determinar a coincidência das eleições municipais com as eleições estaduais e a federal a partir de 2018. Para que isso ocorra, a PEC estabelece que os prefeitos e vereadores eleitos em 2016 terão mandato de apenas dois anos, podendo se candidatar à reeleição em 2018. Hoje, como são solteiras, as eleições municipais são mais fiscalizadas, acompanhadas e debatidas do que as eleições estaduais...Unindo as datas, a campanha presidencial vai levar todas a reboque, em termos políticos e, principalmente, financeiros. Um candidato a presidente com apoio de muitos candidatos a prefeito terá mais chance que um candidato de partido com pequena penetração. Ou seja, o PMDB deitará e rolará. Imagine quanto não custará montar uma rede de candidatos a prefeito para apoiar os candidatos ao governo do Estado e à Presidência?” [ 5 ].

Dizemos que as próximas eleições presidenciais não serão somente anti-PT, com os principais expoentes do PT, inclusive Lula provavelmente “adoecido”, preso ou com os direitos políticos cassados pela extensão da teoria do domínio de fato até ele, mas também foi aprovada a “cláusula de desempenho” de lambuja, onde o restante dos partidos de esquerda, menores, serão postos na ilegalidade por não alcançarem um novo percentual mínimo legal de votos para existirem. Esta cláusula garante o oligopólio dos grandes partidos burgueses, obrigando os atuais políticos burgueses de partidos de aluguel a ingressarem nos grandes partidos patronais e o pior, a cassação dos pequenos partidos de esquerda como PSOL, PCB, PCO e PSTU. “a cláusula de desempenho, que exige que os partidos tenham pelo menos 5% do total de votos válidos no país, distribuídos em pelo menos nove estados, com um mínimo de 3% dos votos válidos em cada um deles” [ 5 ].

Fora do Legislativo nacional, a semana ainda contou com a renúncia precoce da diretoria da Petrobrás. O combinado entre a CEO da companhia, Graça Foster, os demais diretores, e Dilma era realizar uma transição até o final de fevereiro.

PIOR SERÁ PARA O PROLETARIADO

Todavia, se um impeachment será desastroso para Dilma e para a cúpula aburguesada do PT, para os partidos menores da esquerda e para os trabalhadores será muito pior. A maioria das organizações e do ativismo de esquerda age como deslumbrados em relação a este processo. Não poucos nos acusam desde o ano passado de estarmos delirando ou fazendo o jogo do PT, quando alertamos para o golpismo e o ascenso da direita, estando a maioria da militância atual tão abobalhada quanto o PCB, por exemplo, às vésperas do Golpe de 1964. E a quase totalidade, mesmo reconhecendo o risco crescente do golpe de Estado parlamentar, via impeachment, encara-o como algo pertencente exclusivamente ao mundo da alta política, um conflito distante, meramente palaciano e não vê os objetivos econômicos amplos por trás desta ameaça.

Se instaurará uma repressão política indiscriminadamente contra todos aqueles defensores do proletariado e povos oprimidos para liquidar toda resistência a uma ofensiva de superexploração de classe e direitos e assim, dar início a uma nova fase de acumulação capitalista e de alta da taxa de lucros no país. As reformas trabalhistas e sindicais, a terceirização, o fim do direito de greve,... que para os patrões estão atrasadas, serão aceleradas sob um governo de direita.

Por trás disto tudo está a estratégia dos EUA de recuperar grande parte da influência comercial e política perdida pelo imperialismo em favor da China e da Rússia sobre o Brasil e a maior parte da América Latina a partir a crise econômica de 2008.

Contra este curso desastroso para nossa classe, nós trabalhadores organizados politicamente no Comitê Paritário estamos neste momento intervindo para impulsionar uma Frente única nacional das organizações de esquerda e dos trabalhadores por reformas populares e contra a direita. Defendemos reformas no capital, como o aumento salarial, por exemplo, mas não somos reformistas, acreditamos que as reformas são subproduto da luta forte e decidida dos trabalhadores contra os patões e seus governos.

Ao mesmo tempo que buscamos construir uma frente única contra o golpismo, combatemos as tendências a conversão deste frente em uma aliança para colaboração com a política antioperária do governo Dilma ou com os governos estaduais e municipais burgueses, como o PSDB de Alckmin ou a prefeitura petista de São Paulo.

ENTIDADES DA CSP-CONLUTAS SE ALIAM A DIREITA GOLPISTA
NA CONVOCAÇÃO DE ATOS PELO IMPEACHMENT

Acreditamos que neste momento o papel dos verdadeiros defensores da classe trabalhadora nada tem a ver com a posição da Conlutas que reúne entidades sindicais como a Oposição Rodoviária de Alagoas [ 7 ] e sindicalistas que criminosamente se aliam a direita na convocatória da manifestação nacional pelo impeachment no dia 15 de março.

Nem apoiar a direita nem ficar indiferente a luta de classes como os agrupamentos e/ou blogueiros que se limitam a serem meros comentaristas da luta de classes, que, acomodadamente em seus sofás se mostram indiferentes ao resultado da disputa interburguesa nacional e internacional e esperam pelo pior, pois a classe trabalhadora será a mais atingida com a ascensão de um governo pior do que o de Dilma.

A CLASSE OPERÁRIA RESISTE COM O QUE TEM A MÃO


Acreditamos que a resistência dos trabalhadores a pressão dos mesmos sob as burocracias que controlam suas organizações sindicais já surtiu efeitos positivos neste início de ano como a vitória parcial contra as demissões na Volks e o recuo momentâneo do governo Dilma no ataque ao seguro desemprego.

Intervimos ativamente nos rumos da frente desde a reunião convocada no dia 19 de janeiro com a CUT, MTS, UNE, PT, PCdoB, PSOL, etc., sem alimentar qualquer aliança programática comum com estes partidos, nem com suas ilusões perigosas, com a da reforma política por exemplo, que pode subtrair ainda mais direitos sob a hegemonia deste novo Congresso ainda mais reacionário que o anterior, para não deixa-la converter-se em um instrumento impotente na luta contra a direita e a política dos governos burgueses.

É preciso disputar as ruas e a orientação das atuais manifestações e lutas, como a do passe livre, reconquistar os sindicatos para as lutas, seguir o exemplo das greves metalúrgicas por tempo indeterminado e/ou de solidariedade no ABC paulista, etc.


Notas

1. Optamos por utilizar a expressão mais popular “Golpe de Estado do Congresso Nacional” que “Golpe Parlamentar”, embora compreendamos que o sistema político brasileiro, já denominado por analistas políticos de “presidencialismo de coalizão”, ainda que formalmente seja presidencialista, funciona, na prática, como um misto de presidencialismo com parlamentarismo ou um semi-presidencialismo que permite que o presidente sofra impedimento caso o governo perca seu apoio parlamentar.
2. Manifestação da qual as organizações componentes do Comitê Paritário participaram apresentando suas posições políticas no panfleto: “Fazer do Brasil uma grande Cuba!” - http://lcligacomunista.blogspot.com.br/2014/11/marcha-popular-contra-direita.html
3. A Petrobrás é a maior estatal do país. Fatura quase o triplo que a segunda maior estatal do país, a BR distribuidora, que por sua vez é uma subsidiária da Petrobrás. A terceira maior estatal é a ECT (Correios) e a 4ª, a Sabesp, companhia de água e esgoto paulista.
4. http://www.folhapolitica.org/2015/02/comecou-contagem-regressiva-para-o-fim.html
5 . https://br.noticias.yahoo.com/blogs/plinio-fraga/como-esta-proposta-de-reforma-politica-e-cavalo-124317973.html
6. http://lcligacomunista.blogspot.com.br/2014/09/eleicoes-2014.html

7. Entidades ligadas a Conlutas convocando manifestações pelo impeachment: Estamos convocando não só a categoria, mas a sociedade como um todo, para realizarmos uma manifestação exigindo o impeachment dessa gang do PT. Venha mostrar a sua indignação com o caos instalado no país, com essa corja de gangster's do PT. e independente de sigla partidária, participe. Não podemos deixar que essa gang dilapide ainda mais o nosso país. chega de hipocrisia! sejamos os caras-pintadas do presente, do hoje, do agora!... Dia 15 de março, manifestação nacional com caras pintadas, para exigirmos o impeachment da chefe-mor dessa gang do poder! Participe para demonstrar a sua indignação!” https://www.facebook.com/profile.php?id=100008995062551
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sábado, 31 de janeiro de 2015

Eu apoio os 23 (Gregório Duvivier)

http://lcligacomunista.blogspot.com.br/2015/01/eu-apoio-os-23-gregorio-duvivier-29-de.html?m=1
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domingo, 25 de janeiro de 2015

Morreu o rei?

Reproduzimos abaixo um texto do camarada Mário Medina da Resistência Popular Revolucionária

Morreu essa semana, aos 90 anos, o rei saudita Abdullah Bin Abdulazis. Notícia irrelevante, sejamos sinceros. O que a mídia burguesa não diz é que o sujeito não passava de um fantoche dos EUA, que bateu as botas pra dar espaço a outro da mesma laia.

A Arábia Saudita é vizinha do Iraque, da Síria e do Irã, ou seja, um ponto estratégico da geopolítica do Oriente Médio, e joga um papel de relevância no cenário político local, sobretudo como enclave do imperialismo ianque na região; além de figurar como país mais rico do Oriente Médio, um dos países mais poderosos da OPEP.

Os EUA intervém de vários modos na região: financiando mercenários e terroristas em guerras civis, derrubando governos, atacando com drones contra inocentes, etc. Todo tipo de atrocidade eles fazem. Isso é de praxe pra eles e todo mundo sabe disso.

Pois bem, estão fazendo um desmanche político na região e não querem de modo algum que haja mudança no regime saudita, que, em meio a tantas instabilidades, é um importante aliado. São muitos os territórios em disputa na região, com diversos grupos, diversos interesses, conflitos sectários aos cantaros. O destino de países como Iraque e Síria, por exemplo, é incerto. Em meio a todas essas disputas, só a Arábia Saudita é reduto seguro para as maldades ocidentais.

Abdullah chegou a ser suspeito de financiar a Al Qaeda na época dos atentados as torres gêmeas, mas recuperou a simpatia ianque ao aderir a Guerra ao terror que veio logo em seguida, se mostrando um fiel escudeiro dos espoliadores. O governo saudita é uma vergonha para os árabes, uma vergonha para o Oriente Médio. O rei Abdullah assistiu em silencio ao ataque genocida a Gaza foi fiel representante da alta burguesia sunita e dirigiu um governo inimigo dos direitos humanos e dos direitos civis das mulheres e das minorias.

Não morreu um homem. Morreu um fantoche. E vai surgir outro em seu lugar, por mais intrigantes que sejam as disputas internas pela sucessão. O nome do novo líder terá de passar pelo crivo americano, terá de ter a benção do Tio Sam. Dizer que o rei saudita morreu não é notícia. Aguardamos ansiosos o dia de falar que o rei caiu, mas que em seu lugar surgiu uma nova forma de poder, popular, multiétnica, socialista e soviética.
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sábado, 17 de janeiro de 2015

Frente única para derrotar a ofensiva patronal, do governo e da direita! Metalúrgicos da Volks apontam o caminho da luta


2015 começou sob intensos ataques dos governos e dos patrões, com demissões em massa na Volks, Ford, Mercedes, ameaça ao seguro desemprego, ao auxílio doenca, as pensoes, aos abonos salariais, etc; terceirizacao das perícias médicas, aumento dos impostos, falta d`água e falta de energia elétrica nos bairros operários.
Os metalúrgicos da Volks, na luta contra a ofensiva patronal, que objetivava demitir 800 trabalhadores, foram além da política da burocracia  sindical e colocaram milhares de manifestantes para travar a via Anchieta, juntamente com os trabalhadores da Ford e da Mercedez. A exemplo desta histórica e emblemática vitória de uma parcela importantíssima da classe trabalhadora brasileira, a esquerda deve retomar métodos de luta mais efetivos e adotar combativa postura frente as politicas de austeridade de Dilma. Muito embora, conduzida pela burocracia sindical, a vitória desta batalha tenha sido parcial, por ter aceito a imposicao do PDV e a demissao dos terceirizados.
A direita saiu fortalecida de 2014, ano marcado por tetativas de golpes eleitorais e mobilizacoes de setores mais reacionários da classe média, classe esta xenófoba, racista, antipopular e raivosa como nao se via desde a marcha da família em 1964.
Dilma e o PT venceram amparados por uma base popular muito receosa de ver seus direitos cassados por uma possível vitória eleitoral da direita tradicional.
A CAPITULACAO DE DILMA AS PRESSOES DA DIREITA SÓ PAVIMENTA O CAMINHO DA DIREITA
Mas, sob pressão da direita, a gestao Dilma assume o programa derrotado nas urnas, acreditando que, atendendo as demandas do capital financeiro e da burguesia, esvaziará as forcas golpistas.
A tática consiste exatamente em atacar os direitos adquiridos pela classe trabalhadora e governar mais 4 anos sem golpe parlamentar ou jurídico armado pelos Bancos Privados com o apoio da Grande Mídia.
CAPITULACAO EVITA GOLPISMO?
A direita explora a fragilidade do novo governo PT, assim como vem explorando o mito do governo capitalista sem corrupção e a farsa de que a crise econômica seria uma “marolinha”. Enquanto Dilma vem exaurindo seu próprio capital político, a direita busca adquirir apoio popular se afastando de grupos abertamente golpistas, pois sua tática é via um impeachment legitimado por manifestações de rua amplificadas pela grande mídia, como ocorrido recentemente no Paraguai e Ucrânia.
Mesmo adversárias das  políticas do PT, várias organizações de esquerda, equivocadamente, acreditam que a capitulação de Dilma dissipará os riscos de golpe e, que, sendo assim, não se faz necessário combater a direita com uma forte frente única anti-golpista. Este engano pode custar muito caro a esquerda em geral.
O GOLPISMO E A NOVA GUERRA FRIA
A tática da internalização da política da direita só serve para pavimentar o caminho da reação e não tem eficácia contra o golpismo. Por que? Porque mesmo a mais neoliberal política econômica a ser aplicada por Dilma não saciará o problema atual dos EUA, colocado pela nova guerra fria mundial, onde o imperialismo tenta conter a crescente influência econômica, política e militar do bloco de países liderados por Rússia e China.
O golpismo no Brasil é, sobretudo, produto desta nova conjuntura internacional, oriunda da necessidade dos EUA de reconquistar seu pátio traseiro latino-americano, expulsando do governo o PT (articulista continental dos BRICS e defensor da desdolarização das transações comerciais), para substituí-lo por um típico governo de direita pró-imperialista.
NÃO A COOPTAÇÃO POLÍTICA! POR UMA
FRENTE ÚNICA CONTRA A DIREITA E
CONTRA AUSTERIDADE FISCAL DE DILMA
Sabendo da movimentação da direita, tanto nas ruas como nas instâncias mais altas do Estado (Congresso, STF, Polícia Federal e Ministério Público), Lula estimula o MTST a convocar uma espécie de “frente popular de massas” para tentar disputar as ruas com a direita, fazer uma blindagem relativa de Dilma e preparar sua candidatura para 2018. O PT precisa cooptar os movimentos sociais para: 1) Controlar o desgaste das greves e movimentos de rua ao próprio Governo; 2) demonstrar para os grandes Bancos e Corporações Privadas que estes ainda precisam do PT para governar sem crise social.
Nós, do Comitê Paritário, chamamos os trabalhadores organizados nos movimentos sociais, grupos, coletivos e partidos de esquerda neste encontro para sair daqui com uma Frente Única contra a política anti-proletária de Dilma e em combate à direita e extrema-direita organizadas.
FRENTE ÚNICA SIM! FRENTE POPULAR NAO!
Não temos nenhuma ilusão na reedição de uma Frente Popular, que desmonta a mobilização social para assegurar sua condição de eficaz gestora do capital.
Acreditamos que esta Frente Única deve programar um calendário nacional unificado de greves e agitação nas ruas, disputando-as palmo a palmo contra a direita e os patrões. A Frente Única contra a direita deve coordenar as lutas contra as demissões em massa nas categorias da indústria e outros setores de serviços essenciais (ferroviários, metroviários, rodoviários), com os movimentos populares de luta por moradia (FIST, MTST, MNLN).
Ao mesmo tempo, a própria Frente Única será capaz de dar um salto de qualidade organizacional nos movimentos populares, na coordenação das manifestações, e, consequentemente, conseguirá repelir qualquer tentativa de influência ou sequestro da pauta de reivindicações dos trabalhadores pela ofensiva da direita midiática, com seus conhecidos instrumentos ideológicos para  insuflar a classe média conservadora, infiltrando elementos de extrema-direita nas manifestações de esquerda.
Liga Comunista
Coletivo Lenin
Resistencia Popular Revolucionária              
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segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Ato pela liberdade de Mirian França e contra o encarceramento do povo negro! Terça-feira, 13/01, às 17h na Cinelândia


Mirian França está presa como suspeita de ter assassinado a turista italiana Gaia Molinari, no dia 25/12, na praia de Jericoacoara no Ceará.
A policia prendeu Mirian Franca temporariamente sem nenhum indício claro do envolvimento com o crime alegando supostas contradições que não são reveladas. 


Mirian está presa por ser negra e isto a coloca em uma posição vulnerável ao abuso de poder. Pois a dificuldade de resposta legal permanece. Assim como a prisão de Rafael Vieria, esta é mais uma das muitas prisões arbitrárias praticadas diariamente contra o nosso povo. É hora de lutarmos contra todo esse racismo.



Evento no Facebook:  https://www.facebook.com/events/752533321504975
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sábado, 3 de janeiro de 2015

Dossiê Ucrânia 3 de 3: Libertem os 4 do Borotba!


LIBERTEM OS 4 DO BOROTBA!

Negociando a rendição para Kiev
¿Dónde está Borotba?
Libertem os quatro do Borotba!
Declaração assinada por: Socialist Fight – Grã Bretanha; Coletivo Lenin – Brasil;  Resistência Popular Revolucionária - Brasil; Liga Comunista – Brasil; Tendência Militante Bolchevique – Argentina.
As organizações que assinam este documento exigem a libertação imediata dos quarto militantes do Borotba, Maxim Firsov, Victor Shapinov e Maria Muratova, sequestrados em 21 de dezembro, e do vereador de Odessa e sobrevivente do massacre de 2 de maio, Alexey Albu, que foi feito refém ao exigir a libertação dos seus companheiros. Alexey Albu falou, poderosamente, via Skype, com a reunião da campanha Solidariedade com a Resistência Antifascista na Ucrânia, no dia 11 de novembro, na Marx Memorial Library, em Clerkenwell, Londres. 

O site “In Defence of Marxism” relatou, em 18 de novembro, o testemunho dele sobre a sua fuga do ataque fascista em Odessa, em 2 de maio passado:
“Quando o fogo começou, ele e outros companheiros pularam pelas janelas, mas só o que conseguiram foi serem atacados pelos bate-paus fascistas. Ele, então, teve que ficar parado numa pilha de corpos, seriamente ferido, onde o menor movimento indicando vida significaria a sua morte certa. A contribuição de Alexey à reunião foi recebida, merecidamente, com aplausos de pé. Apesar de ter sido vítima desses lamentáveis ataques, Alexey foi forçado a se exilar na Crimeia, porque permanecer em Odessa o levaria a ser preso” [1]
Uma carta apelando aos altos funcionários dos governos da República Popular do Donetsk e das Forças Armadas de Novorrússia, escrita por Greg Butterfield, coordenador do Solidarity with Ukraine Antifascists Committee International Action Center, New York, NY, USA, dizia o seguinte:
“Victor Shapinov, Maxim Firsov e Maria Muratova são membros da organização antifascista ucraniana União Borotba. Durante uma visita de solidariedade a Donetsk em 21/12, estes três companheiros foram aprisionados pelos soldados do Batalhão de Volstok. Eles foram confundidos com um grupo de reconhecimento e sabotagem ucraniano.”
E depois:
“Ontem, 27/12, o deputado do Conselho regional de Odessa e sobrevivente do massacre de 2 de maio, Alexei Albu, veio ao quartel-general do Batalhão de Volstok para exigir a libertação deles. Desde então, ele não foi mais visto.” Consideramos óbvio que não se trata de um “erro”.
O Batalhão de Volstok é comandado por Alexander Sergeyevich Khodakovsky, um aliado de Denis Pushilin, que é, de acordo com a Wikipedia:
“um político, autodeclarado Presidente do Soviete Supremo (Porta-Voz do Parlamento) da República Popular de Donetsk e, portanto, de acordo com a Constituição adotada em 15 de maio, o autodeclarado chefe de Estado. Antes do seu ativismo político, Pushilin trabalhou para um sucessor recente de um esquema de fraudes com investimentos na Rússia dos anos 1990, MMM, que deu um prejuízo de milhões de dólares aos seus clientes, antes de acabar em 1994. Pushilin nunca negou o seu envolvimento nesses esquemas, e afirmou que “pirâmides eram legalizadas na Rússia naquela época”. [2]
DENIS PUSHILIN, UM POLITICO REACIONÁRIO
Denis Pushilin é um político dos mais claramente reacionários, e controla uma parte crucial das forces armadas novorrussas. Mesmo que possamos ter sérias dúvidas de que a prisão dos três primeiros militantes do Borotba tenha sido um erro, a prisão de uma figura de alto escalão, como Alexei Albu, não pode ser um erro. A intenção expressa é entregá-los para Kiev, porque eles são “espiões”, o que vai levar inevitavelmente à morte deles.
Este ato é outra tentativa de Putin e seus aliados na República Popular de Donetsk, em primeiro lugar Pushilin, para fechar um acordo com o imperialismo dos EUA e da UE pelas costas da classe trabalhadora de Donetsk. Para conseguir isso, é preciso eliminar ou intimidar os adversários mais militantes e de esquerda, que lutam tanto contra Kiev quando contra o governo nacionalista burguês corrupto de Putin e seus aliados de Donetsk. Não é acidente que, na reunião de 11 de novembro, em que Alexei falou de maneira tão emocionante que foi aplaudido de pé, o porta-voz do Partido Comunista Ucraniano, stalinista, fez uma intervenção assustadoramente capitulacionista, como é relatado no mesmo site, In Defense of Marxism:
“É preciso mencionar a segunda intervenção do representante do Partido Comunista Ucrianiano, Anatolii Sokoliuk, onde ele pareceu subestimar o significado reacionário da bandeira vermelha e negra do Exército Insurgente Ucraniano (que colaborou com os nazistas durante a Segunda Guerra Mundial e cometeu atrocidades contra a população judia e polonesa) e até mesmo disse que o símbolo do Batalhão de Azov, a runa wolfsangel das SS, não era “maligno”. Temos que discordar aqui, porque tais símbolos agora serem conhecidos e usados por toda Ucrânia, e até tolerados pelo Estado, é muito perigoso, como a própria perseguição ao Partido Comunista Ucraniano mostra.” [3]
Estes sequestros devem ser vistos à luz das atuais “negociações de paz”, que levaram à troca de um grande número de prisioneiros de guerra, mas também como a preparação do imperialismo para a próxima série de ataques à Novorrúsia e à própria Rússia.
Alguns membros do Socialist Fight participaram daquela reunião e podem testemunhar que a intervenção foi realmente assustadora e que o discurso do porta-voz oficial do PC Ucraniano mostra a preparação da direção para trair abertamente a luta em Donetsk. O seu antigo apoio ao oligarca corrupto Yanukovich mostra a orientação política do PCU e a sua preparação para trair os seus próprios militantes de base, assim como a classe trabalhadora do Donetsk.
Mas o imperialismo está aproveitando a fraqueza e a traição. Em 22/12, soubemos que:
"O president do Cazaquistão chegou em visita oficial hoje, e temos o presidente da Bielorrúsia e o do Cazaquistão coordenando as suas ações com a Ucrânia antes da viagem a Moscou”, disse Poroshenko. [4]
As eleições em Moldávia mostraram um colapso político semelhante do Partido Comunista lá:
“As eleições foram uma vitória para o bloco pró-integração europeia. As eleições representaram uma derrota significativa para o Partido dos Comunistas da República da Moldávia (PCRM), já que eles passaram de 38 para 21 deputados, enquanto um antes pequeno rival russófilo, o Partido dos Socialistas da República da Moldávia (PSRM), ganhou a maioria das cadeiras.”
O Partido dos Comunistas da República da Moldávia (PCRM) foi o grande perdedor, porque apoiou a integração europeia e o seu rival de esquerda e pró-russo, o Partido dos Socialistas da República da Moldávia (PSRM), foi o grande vencedor, por causa da sua oposição ao imperialismo ocidental.
TERRÍVEL PERIGO
A classe trabalhadora organizada de Donetsk está agora em terrível perigo de sofrer uma grande derrota nas mãos de políticos burgueses cínicos que tiveram a má sorte de serem pegos pela guerra civil, e que estão determinados a impedir que a luta “antifascista” se transforme numa revolução socialista, ou que uma direção socialista revolucionária surja a partir do Borotba ou de outro setor.
Devemos rejeitar explicitamente a predominância de concepções como a da “Grande Guerra Patriótica” na Segunda Guerra, quando Stálin se aliou com Churchill e Roosevelt contra Hitler e a revolução. Uma aliança sob o domínio político das forças burguesas que agora dominam o Donbass só pode levar às derrotas que essa política levou na França em 1934 e Espanha em 1939. E uma perspectiva socialista revolucionária pode evitar a perspectiva fatal do compromisso com o imperialismo, que vemos no PCU e no PCRM, para mencionar só dois."
O Borotba está tateando no seu caminho até o socialismo revolucionário, e tem os melhores lutadores, mais corajosos e mais à esquerda e, por isso, eles são o alvo, não somente dos fascistas do regime de Kiev, mas também dos contrarrevolucionários dentro da própria República Popular de Donetsk, principalmente Pushilin e os seus aliados.

Somente estabelecendo a independência da classe trabalhadora, sob a perspectiva da revolução permanente, ou seja, só a classe trabalhadora tem o verdadeiro interesse em dirigir a luta antiifascista e antiimperialista, e só uma frente única antiimperialista pode ganhar os melhores elementos de Donetsk para derrotar a contrarrevolução interna e enfrentar os fascistas de Kiev com entusiasmo revolucionário e perspectiva de ganhar os trabalhadores do Oeste. Esta é a perspectiva que vai derrotar os fascistas de Kiev, a contrarrevolução que está emergindo na Rússia e começará um processo revolucionário na Europa e no mundo inteiro.

Andrés NIN Pérez, ex-secretario geral da C.N.T. e dirigente do Partido Obrero Unificado Marxista. Ainda que tenhamos diferenças com a política do POUM, Nin foi destacado militante da defesa dos interesses da classe trabalhadora, apresentado por seus algozes da Frente Popular como um traidor e espião de Franco ou de Hitler ou de ambos, para justificar a repressão feroz contra qualquer dissidência.
Temos que aprender a lição da Revolução Espanhola de 1934-39. Essa é a tarefa da revolução e, para realizá-la, devemos derrotar a contrarrevolução dentro de Donetsk e Luhgansk.

“Onde está Andrés Nin?”, o famoso grafite dos poumistas de 1937, em Barcelona, exigindo o paradeiro de Anreas Nin, seu líder. Contra o qual os stalinistas escreviam abaixo: "Em Salemanca ou Berlin" - ou seja, com os fascistas. Na verdade, os stalinistas haviam sequestrado e turturado-o até à morte.
A nossa tarefa imediata agora, nesse caminho, é exigir a libertação dos quarto militantes do Borotba e a derrota da conspiração que os prendeu. Como na Espanha, quando Andreu Nin, o dirigente do POUM, foi sequestrado, torturado e assassinado pelos stalinistas para que Stálin pudesse assinar o seu pacto com Hitler em 1939, hoje levantamos a palavra de ordem, ¿Dónde está Borotba?
- Abaixo Denis Pushilin e o Batalhão de Vostok! - Criar Autodefesas Operárias e Conselhos Operários para defender a revolução
- Não à colaboração de classes, sim à Frente Única Antiimperialista!
- Construir uma Campanha de Solidariedade Internacional para defender a República Popular do Donetsk e toda a região do Donbass!
Abaixo está a carta de Greg Butterfield: Apelo aos representantes de Donetsk:
Notas
[1] In Defence of Marxist London meeting hears eyewitness account of the Odessa massacre + VIDEO http://www.marxist.com/london-meeting-hears-eyewitness-account-of-the-odessa-massacre-video.htm
[2] http://en.wikipedia.org/wiki/Denis_Pushilin
[3] In Defence of Marxist London meeting hears eyewitness account of the Odessa massacre + VIDEO http://www.marxist.com/london-meeting-hears-eyewitness-account-of-the-odessa-massacre-video.htm
[4] Source: http://en.censor.net.ua/n317454
 
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Dossiê Ucrânia 2 de 3: Libertem os militantes do Borotba! (carta de Greg Butterfield)


LIBERTEM OS MILITANTES DO BOROTBA! - GREG BUTTERFIELD

Libertem os militantes do Borotba!
Para:
Primeiro-ministro Alexander Zakharchenko
Comandente do Batalhão Vostok Alexander Khodakovsky
Vice-Presidente do Soviete do Povo Denis Pushilin
Ex-Presidente do Soviete Supremo Boris A. Litvinov
Dr. Andrei Purgin e outras autoridades da República Popular de Donetsk e das Forças Armadas Novorrussas.
28 de dezembro de 2014
Caros companheiros,
Em nome dos ativistas antifascistas e antiguerra nos Estados Unidos, que estão se organizando em solidariedade às Repúblicas Populares de Donetsk e Lugansk, apelamos urgentemente para que assegurem a libertação imediata de quatro militantes que comunicou-se que estão presos pelo Batalhão Vostok.
Victor Shapinov, Maxim Firsov e Maria Muratova são membros da organização antifascista ucraniana União Borotba. Durante uma visita de solidariedade a Donetsk em 21/12, estes três companheiros foram presos por soldados do Batalhão Vostok. Eles foram confundidos com uma equipe de reconhecimento e sabotagem ucraniana. 
De acordo com a informação obtida por Borotba, eles estão atualmente presos no escritório do comandante do Vostok, na rua Elevatornaya, na cidade de Donetsk, para serem trocados por prisioneiros do regime fascista ucraniano
Ontem, 27/12, o deputado da Câmara Municipal de Odessa e sobrevivente do massacre de 2 de maio , Alexei Albu, foi ao quartel-general do Batalhão Vostok para apelar pela libertação deles. Desde então, ele não foi mais visto. Se estes antifascistas forem entregues à junta de Kiev, encontrarão a prisão, tortura e morte nas mãos do SBU e dos neonazistas.
Os quatro militantes e a sua organização foram líderes inabaláveis do movimento antiMaidan desde os primeiros dias do golpe apoiados pelos EUA e a OTAN na Ucrânia. Os militantes do Borotba foram forçados a fugir para a Crimeia depois da tragédia de 2 de maio em Odessa, sob ameaça de prisão e morte.
Esses companheiros foram essenciais para construir a solidariedade internacional com Lugansk, assim como o movimento antifascista na Ucrânia. Eles são aliados valiosos para a sua luta contra a junta de Kiev e a expansão da OTAN.
Erros acontecem no período de guerra. Não é sempre fácil separar amigo de inimigo. Isso não é vergonha. Mas ainda há temos para corrigir o erro antes que ele se torne uma tragédia.
Apelamos a vocês, com apoiadores da República Popular de Donetsk e de suas forças armadas, para intervirem a libertarem Alexei Albu, Victor Shapinov, Maria Muratova e Maxim Firsov.
Vitória às Repúblicas Populares! Abaixo a junta fascista!
Greg Butterfield, coordinator Solidarity with Ukraine Antifascists Committee International Action Center, New York, NY, USA
Borotba Za Odessu
Объединение Боротьба
Graham Phillips
Antiimperialistische Aktion
Internacionalistas 36
Solidarity with Antifascist Resistance in Ukraine
SouthFront
Amigos de la Republica Popular de Donetsk
Comité de Apoyo a la Ucrania Antifascista de Madrid
Banda Bassotti
Kristina Rus Kharlova
Denis Levin
Svetlana Licht
Boris Rozhin
Vladimir Suchan
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Dossiê Ucrânia 1 de 3: Anúncio urgente do Borotba


UCRÂNIA - URGENTE

Anúncio urgente do Borotba
http://borotba.su/v_donecke_propali_borotbisty_maksim_firso…
URGENTE! Os militantes de Borotba, Maxim Firsov, Victor Shapinov e Maria Muratova estão desaparecidos. Aproximadamente às 15h de 21 de dezembro, os borotbistas foram sequestrados por desconhecidos. Os sequestradores se apresentaram como membros do Batalhão Volstok. De acordo com as informações disponíveis, os companheiros estão juntos com soldados ucranianos capturados, no escritório do comandante, na rua Elevatornaya, na cidade de Donetsk.

Os comunistas Shapinov, Firsov e Muratova lutaram durante todas as suas vidas contra os ultranacionalistas e oligarcas ucranianos, e foram perseguidos em Kiev e Odessa pela sua posição contrária às autoridades ucranianas.


Hoje, o Batalhão “Vostok” aceitou um plano, vindo do lado ucraniano, para trocar membros presos da milícia popular pelo grupo de reconhecimento e sabotagem ucraniano.

Se os nossos companheiros caírem nas mãos do Serviço de Segurança da Ucrânia (SBU), enfrentarão a repressão nas masmorras da junta de Kiev. Existe uma ameaça de morte vinda dos militantes fascistas ucranianos.

Apelamos ao primeiro-ministro da República Popular de Donetsk, Alexander Vladimirovich Zakharchenko, a Denis Pushilin, ao Comandante do Batalhão “Vostok” Alexander Sergeyevich Khodakovsky, a Boris A. Litvinov, e ao Dr. Andrei Purgin, para que intervenham na situação e tomem medidas para libertar os antifascistas Victor Shapinov, Maxim Firsov e Maria Muratova.

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terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Mensagem de fim de ano

 
Pensamos na atividade política como toda aquela que interfere na realidade de nossas vidas, no aspecto individual e coletivo. Estamos acostumados a escrever textos sobre grandes acontecimentos políticos, relembrar datas importantes, denunciar alguma ação do capital, ou propagandear alguma luta justa da classe trabalhadora. Apesar da enorme importância política desses aspectos, nosso objetivo aqui não é este. Escrevemos aqui uma mensagem, que apesar de política, foge um pouco dos moldes comuns, mas também sem perder seu significado e importância.

Nossas vidas, a cada dia que passa, parecem estar paradas no tempo. Desde novos, o mundo toma uma forma estática em nossas mentes. Somos ensinados a ver a maneira como as coisas são eternas, poderosas, imutáveis. A escola, o trabalho, o estado, noções de família, amor, amizade. Tudo parece nos ser entregue como formas acabadas de um processo de decisões que aconteceu há muito tempo e que nascemos tarde demais para participar. Somos estimulados diariamente a tomar como único indício de melhora de nossas vidas o nosso correr atrás de uma vida melhor, o popular “subir na vida”. Parece que estamos fadados a ter que nos contentar com algumas melhoras materiais ao longo de toda a nossa vida. Nada que acontece pra além disso nos interessa, pois estamos sempre ocupados demais tentando nos formar, conseguir um salário melhor, comprar uma coisa nova, etc.. Os dias de fim de ano se encaixam perfeitamente nessa visão. Pois, nada como alguns dias de festa para renovar as esperanças de uma vida melhor, que está sempre por vir, logo depois do primeiro dia do próximo ano.

Não somos pessoas amargas. Não somos contra festejar o fim de ano nem ter esperanças de uma vida melhor. Pode-se dizer inclusive que o direito à festa e a ter esperança devem ser garantidos a todos os seres humanos. Por isso queremos usar a época presente para tentar trazer algo diferente pelo qual vale a pena festejar e ter esperanças. 

Parece que os sonhos de uma vida melhor já vieram prontos e embrulhados, e entregues pelo próprio papai noel. Se pararmos para pensar quando foi que decidimos nossas metas de vida, onde decidimos depositar nossas esperanças, fica difícil saber quando e se de fato decidimos alguma coisa. Parece tão natural, no processo de crescimento e amadurecimento, entender o mundo como algo sobre o qual não temos nenhum poder. Que só podemos ter controle parcial sobre nossos próprios umbigos e por causa disso, só temos que nos dedicar a eles próprios, já que não vale a pena se preocupar com qualquer outro problema.

Infelizmente, ou felizmente, isso não funciona pra todo mundo. Conforme a vida passa, fica possível perceber que os problemas estão sempre presentes, não importa o quanto nos esforçamos para superá-los. O dinheiro é sempre pouco, o sono sempre acaba antes do cansaço, o ônibus sempre cheio, chefes sempre pegando no pé, poucos dias pra se divertir, tristeza, solidão. Fica possível perceber também que muitas pessoas passam pelos mesmos problemas que nós, e enquanto algumas delas até vivem um pouco melhor, há outras que acabam perdendo seus empregos, que passam fome, que vivem na rua, que são perseguidas por causa da cor da pele, da orientação sexual, do gênero, etc..

Às vezes se torna difícil fechar os olhos pra tudo isso e continuar somente com o sonho de “subir na vida”. Fazemos tudo que nos foi ensinado desde criança, obedecemos, nos misturamos, acordamos cedo, trabalhamos muito e depois trabalhamos mais, e mesmo assim, a prometida recompensa nunca vem. E mesmo nas poucas vezes que vem, parece nunca ser o bastante para de fato melhorar a vida.  Será que tudo isso que aprendemos ao longo da vida foram ó mentiras contadas para nós? Mentiras feitas só pra nos fazer entrar no jogo? Não queremos iniciar um debate para tentar explicar essas questões. Nosso objetivo não é esse. 

Queremos apenas deixar uma mensagem para as pessoas que se identificaram, que entenderam o que foi dito, porque como nós, viveram e vivem os mesmos problemas dia após dia. Queremos dizer que há outras pessoas, não só ao longo do Brasil, mas do mundo inteiro, passando pela mesma coisa, exatamente como você. Entendemos como é viver numa sociedade que espera que você dê tudo de si mesmo, que seja a melhor pessoa do mundo, mas nunca te tratou como tal. Queremos que você saiba que você não é o único que quando para pra pensar na hora que vai dormir, se sente preso numa vida que, em grande parte, você não escolheu ter. Você também não é o único a não conseguir obervar o sofrimento de outras pessoas e se sentir indiferente. E mais importante que isso, você definitivamente não é o único que se incomoda com essa situação. Nem o único que pensa em fazer alguma coisa para mudar, para melhorar toda essa situação, mas não sabe por onde começar. Queremos dizer que você não está sozinho!

Queremos dizer também para todos os que acreditam e lutam por uma sociedade nova e melhor: Você também não está sozinho! Apesar de possíveis diferenças, há algo mais profundo e mais importante que une a todos nós: a vontade sincera de tornar o mundo um lugar melhor e mais justo para se viver.

Para todos nós que nos incomodamos e pensamos em fazer algo para mudar. Nós todos não estamos sozinhos! E por não estarmos sozinhos, podemos sim tentar e conseguir mudar o que antes parecia tão eterno e impossível de mudar, e assim podemos de fato ter esperanças de uma vida melhor. E podemos também finalmente, festejar de todo o coração, pois não estar sozinho e ter esperanças são uma das maiores alegrias de ser humano.

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domingo, 28 de dezembro de 2014

O novo acordo EUA-Cuba e a luta em defesa do Estado proletário


O novo acordo EUA-Cuba e a
luta em defesa do Estado proletário

Declaração do Comitê de Ligação pela IV Internacional/CLQI (Liga Comunista – Brasil; Tendência Militante Bolchevique – Argentina; Socialist Fight – Grã Bretanha), do Comitê Paritário/CP (CLQI + Coletivo Lenin - Brasil) e da Resistência Popular Revolucionária - Brasil


Após 18 meses de conversações secretas entre EUA e Cuba, mediadas pelo Canadá e pelo papa Francisco, os dois países realizaram os primeiros gestos de aproximação em meio século com a libertação de prisioneiros que ambos os países mantinham do outro. Mas o fim do bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto pelos EUA a Cuba depende do Congresso dos EUA, que precisa votar o fim das leis Torricelli e Helms-Burton. Todavia, os que defendem o bloqueio são a maioria das duas casas do Congresso.
O Estado imperialista é integrado por distintas frações da burguesia estadunidense. Por isso, apesar de sua pequeña importancia social, existem minorias contrarevolucionarias, como o sionismo (não confundir mecanicamente com o judaísmo) e os gusanos burgueses nos EUA que possuem representação deformadamente maximizada na política imperialista. Por exemplo, os negros são 13% da população estadunidense, mas todo policial tem o direito de estrangular e executar um negro pobre desarmado, segundo a justiça da mais rica cidade dos EUA. Os sionistas e os gusanos são sócios dos 1% mais ricos, mas assim como o sionistas, os gusanos podem impor sua orientação a Casa Branca em determinadas questões decisivas a seus interesses, por serem a vanguarda e justificativa da política contrarrevolucionária contra o Estado proletário nos EUA. Portanto, a derrubada das leis do bloqueio por parte do legislativo imperialista não será possível enquanto a burguesia gusana for funcional a direita republicana. Todavia, não nos resta dúvida que foram as necessidades maiores do conjunto do imperialismo por conter a influência da Rússia e da China sobre a América Latina que se impuseram sobre o Executivo para que Obama conciliasse esse acordo. 

Assim como a Síria, regiões da Ucrânia e em menor medida todo o mundo semicolonial, foi a vez de Cuba tirar proveito da nova correlação de forças mundiais criada após a crise de 2008 e a ascensão do bloco de países nucleados em torno da China e da Rússia sobre o declínio do imperialismo estadunidense.

A EXCEPCIONALIDADE CUBANA
A revolução cubana marcou um giro na história do século XX na América Latina. Além de derrotar uma ditadura pró-EUA nas barbas do Tio Sam, pela primeira vez no hemisfério ocidental o capitalismo foi expropriado. Isto possibilitou que uma pequena ilha com uma dezena de milhões de habitantes deixasse de ser uma colônia agrícola e degradada dos EUA para brindar sua população e o mundo com conquistas inéditas como a eliminação da fome, da miséria, do analfabetismo [ 1 ], um sistema educacional e outro de saúde cujos médicos e avanços são exportados para o resto da humanidade.
Mas Cuba não tornou-se um Estado proletário com a derrubada do ditador Fulgencio Batista e a tomada do poder pelo Exército Guerrilheiro do Movimento 26 de Julho, em 1959. O processo revolucionário a princípio não tinha uma estratégia socialista. Seu objetivo era a realização de tarefas democráticas capitalistas como o fim do regime ditatorial e a Reforma Agrária.
Mas, em meio à guerra fria contra a URSS, o processo revolucionário acentuou as contradições entra a pequena ilha e o imperialismo. Foi só quando o imperialismo tentou invadir a ilha, através da Baía dos Porcos, em abril de 1960, para derrotar o novo regime que a direção do movimento revolucionário de Castro e Che se viu obrigada a expropriar as multinacionais e ao conjunto da burguesia cubana que foge em massa para a Flórida. A partir de então, os gusanos (ratos), como ficaram conhecidos, integraram-se organicamente ao imperialismo e passam a justificar e influir na política dos EUA em relação a Cuba.
Realizava-se mais uma vez e de forma concreta uma possibilidade teórica que Trotsky cogitara no Programa de Transição:
“É entretanto, impossível negar categórica e antecipadamente a possibilidade teórica de que, sob a influência de uma combinação de circunstâncias excepcionais (guerra, derrota, quebra financeira, ofensiva revolucionária das massas etc.), os partidos pequeno-burgueses, incluídos aí os stalinistas, possam ir mais longe do que queriam no caminho da ruptura com a burguesia. Em todo caso, uma coisa está fora de dúvida: se mesmo esta variante pouco provável se realizasse um dia em algum lugar, e um "Governo operário e camponês", no sentido acima indicado, se estabelecesse de fato, ele somente representaria um curto episódio em direção à ditadura do proletariado.” [ 2 ]
No caso cubano, o “curto episódio” durou entre 1959 e 1961. A direção M-26-7 tomou empiricamente medidas revolucionárias, mas quase sempre sob pressão imperialista. O próprio Che, que historicamente representou a ala mais internacionalista do governo cubano, reconhece que a radicalização da revolução foi mais condicionada pela pressão imperialista que pelas convicções socialistas de seus dirigentes:
“o que temos pela frente depende muito dos EUA. Com a exceção da nossa reforma agrária, que o povo de Cuba desejava desde o início, todas as nossas medidas radicais foram uma resposta direta às agressões dos poderosos monopólios, dos quais nosso país é o principal expoente. A pressão dos EUA sobre Cuba fez necessária a ‘radicalização’ da revolução. Para saber aonde chegará Cuba, poderá se deduzir da resposta de onde se propõe chegar os EUA” (La Nación, 09/06/1961).
A revolução cubana, que nunca teve um partido revolucionário em sua direção, burocratizou-se pelas suas próprias limitações internas. Este processo de burocratização agravou-se quando a frágil ilha proletária precisou recorrer da ajuda material da burocracia stalinista da URSS. Mas, logo a princípio, a política de “convivência pacífica” do stalinismo mostrou a jovem direção do Estado cubano o quanto seus aliados russos eram pouco confiáveis. Che desiludiu-se com o governo da URSS durante a crise dos mísseis, em 1962, porque se sentiu ‘traído’ por Moscou que retirou seu armamento de Cuba sem avisar ao governo cubano, capitulando as pressões dos EUA.

O BLOQUEIO OBRIGOU A BUROCRACIA A
SOBREVIVER AO FIM DA URSS NA PRESERVAÇÃO
DO ESTADO PROLETÁRIO CUBANO
A política de isolamento e bloqueio imposto pelo imperialismo a partir de 1962 passa a exercer uma poderosa pressão contrarrevolucionaria estabelecendo por décadas uma condição excepcional que contraditoriamente forçou a direção castrista a defender as novas formas e relações de propriedade estabelecidos pela expropriação da burguesia e do imperialismo.
Para nós somente a dialética desta excepcionalidade explica como sendo um Estado proletário mais frágil em relação a URSS e a China, por exemplo, e como por um longo tempo dependendo destes “mega Estados operários”, Cuba conseguiu sobreviver ao fim de seus mantenedores.
Os elementos destas contradições se apoiam nas seguintes características
1)        Cuba é um Estado proletário que não se formou a partir de operários industriais;
2)        É o Estado proletário geograficamente mais próximo do núcleo duro do imperialismo mundial;
3)        É economicamente o mais frágil e quando caiu a URSS foi o que mais se debilitou;
4)        Proporcionalmente a sua fragilidade Cuba fez o maior esforço internacionalista tanto na África como na América Latina, sem obter nenhum lucro estratégico imediato por este esforço, mas usando-o como elemento de resistência contra a pressão do imperialismo.
5)        Para influir nos movimentos de massa na America Latina a burocracia castrista precisou abandonar em parte o nacionalismo das burocracias estalinistas;
6)        O papel da burguesia gusana, como componente orgânico do imperialismo, é desproporcional a seu peso econômico como fração burguesa.
7)        Sendo assim, dentre todos os estados operários o castrismo foi a direção burocrática que mais teve que se confrontar com o imperialismo e que teve que apoiar-se nas massas pela ameaça do imperialismo.
De certo modo e até agora, estas razões excepcionais, sobretudo pelo bloqueio imposto por mais de meio século, impediram que em Cuba e na Coreia do Norte, os processos de restauração capitalista se desenvolvessem de forma gradual e pacífica (como na China ou Vietnã), devido a própria fragilidade destes Estados Proletários frente ao imperialismo e suas respectivas burguesias "gusanas" de Miami ou da Coreia do Sul. Nestes casos, a restauração do capitalismo só poderia ocorrer através de uma guerra civil.

A NOVA GUERRA FRIA COMO ELEMENTO DETERMINANTE
PARA OBRIGAR AO IMPERIALISMO A CONCERTAR
O NOVO ACORDO EUA - CUBA
Todavia, a nova guerra fria com o avanço histórico e inédito da influência da China e da Rússia sobre o conjunto da América Latina, favoreceram a ala do imperialismo menos influenciada pela política de isolamento reivindicada pela burguesia gusana para buscar a via da cooptação, abrindo espaço para o atual acordo EUA-Cuba, que todavia ainda mantem o essencial da política de bloqueio econômico e que dificilmente será revisto, uma vez que precisa da aprovação do Congresso onde cresce a influência republicana a cada eleição.
O discurso de Obama é bastante esclarecedor para anunciar inesperadamente:
“a mais significativa mudança em nossa política em mais de 50 anos, vamos acabar com uma abordagem ultrapassada que, durante décadas, não conseguiu impulsionar nossos interesses”.[ 3 ]
Os interesses eram e são a restauração capitalista em Cuba, que agora serão favorecidos pelo aumento do fluxo de capitais entre os dois países, mas também, tais interesses se combinam com a necessidade de conter o avanço do bloco capitalista eurásico rival, tentando atenuar o isolamento que o próprio imperialismo se meteu.
O mandatário estadunidense relembra que “a relação entre nossos países desenvolveu-se sobre o pano de fundo da Guerra Fria e da oposição firme da América ao comunismo”.
Durante aquele conflito
“orgulhosamente, os Estados Unidos apoiaram a democracia e os direitos humanos em Cuba ao longo destas cinco décadas. Fizemo-lo principalmente por meio de políticas que visam a isolar a ilha, impedindo a viagem mais básica e o comércio que os americanos podem desfrutar em qualquer outro lugar. E, embora esta política estivesse enraizada na melhor das intenções, nenhuma outra nação se junta a nós na imposição dessas sanções, e isso teve pouco efeito para além do fornecimento ao governo cubano de uma justificativa para as restrições a seu povo. Hoje, Cuba ainda é governada pelos Castro e pelo Partido Comunista, que chegaram ao poder há meio século.”
Enquanto
“há mais de 35 anos, temos tido relações com a China – um país muito maior também governado por um Partido Comunista. Quase duas décadas atrás, restabelecemos relações com o Vietnã, onde se travou uma guerra que custou mais vidas americanas do que qualquer confronto da Guerra Fria.”
 
Ou seja, o balanço que a Casa Branca faz a tática que deu certo foi a da cooptação e não a do bloqueio.
Contraditoriamente foi vencida a guerra fria anterior, mas nem assim foi restaurado o capitalismo em Cuba, graças a situação criada pelos próprios EUA. Então, diante da nova guerra fria em que os EUA estão perdendo terreno no continente e no mundo é necessária uma nova tática para Cuba, uma vez que, como ele destaca “esses 50 anos mostraram que o isolamento não funcionou, é tempo de outra atitude”.
A tendência de mudança dos EUA frente a Cuba deve-se essencialmente a alteração da conjuntura mundial após a crise de 2007-2008, ao fato de que o MERCOSUL, a UNASUL e o CELAC deixaram de fora aos EUA e ao Canadá. Estes países ficaram de fora da América Latina e também do Caribe. O CELAC estabeleceu acordos com a China em reuniões presididas por Cuba.
O acordo de troca de prisioneiros e favorecimento do intercambio turístico agora realizado corresponde a uma quarta etapa vivida pela ilha desde a crise dos balseiros no início da década de 1990.
A primeira foi quando Cuba, que sofreu mais com o bloqueio imperialista após o fim da URSS, havia logrado atenuar o cerco em favor sobretudo do imperialismo europeu, através da interferência do vaticano já desde João Paulo II.
A segunda etapa desde processo foi possibilitada pela onda populista capitaneada pela Venezuela de Chavez na primeira década deste século que intercambiou petróleo por serviços de saúde cubanos.
A terceira onda deste processo ocorreu após a crise de 2008 cujo epicentro foi os EUA. O porto de Mariel Fruto é fruto desta terceira etapa. Este projeto ampliará enormemente as vantagens do bloco eurásico e sobretudo de burguesias como a brasileira na disputa do comercio caribenho. Este porto, combinado com o novo canal Atlântico-Pacífico via a Nicarágua a ser construído pela China e a refinaria de Pasadena, comprada pela Petrobrás, fazem parte de uma ofensiva econômica estrutural do bloco eurásico sobre o decadente EUA e tem tirado o sono do grande capital e da reação de direita continental.
Estas etapas se confirmam na atual recuperação econômica cubana
“Desde el año 2003 el PIB ha crecido continuadamente hasta la actualidad según los informes de ECLAC. En el 2006 la economía creció un 12,6%, siendo el mayor crecimiento de América Latina según la Cepal ese año. Creció un 7,6% en el año 2007 con respecto al año anterior. Durante el año 2009 ECLAC estimó un incremento interanual del PIB del 1% con respecto al año 2008 (a pesar de la Crisis bursátil de enero de 2008 de afectación internacional)” [ 4 ]
Os EUA necessitam urgentemente e desesperadamente recompor o "panamericanismo" para blindadar as américas frente a Rússia e China. O que mais a Casa Branca teme é que os dois países eurásicos armem Cuba como os EUA fazem em nas fronteiras da Rússia e China, detonando assim uma nova crise dos mísseis.
A nova "abertura" frente a Cuba era imprescindível para a recomposição futura do mitológico "panamericanismo". Mas além de tentar retomar sua influência a partir do reestabelecimento das relações com seu pior adversário no continente, simultaneamente enquanto aprofunda as sanções contra a Rússia, os EUA sabem que não existe “panamaericanismo” sem o Brasil, assim que seguirá crescendo o processo golpista contra o governo do PT, anfitrião dos Brics no continente, para assegurar que o Brasil estará “seguro" contra a crescente influência do capitalismo eurásico.
A Argentina, por sua base estrutural possui uma economia não complementaria com a dos EUA e pior, em alguns commodities como nos cereais é competitiva com o imperialismo. O país, mais uma vez pode ser o elo mais débil do panamaricanismo e isso explica os esforços inéditos do núcleo russo-chino avançando sobre a Argentina não apenas no sentido econômico e geoestratégico.
O fim do bloqueio desatará tendencias restauracionistas represadas. Cuba pode inicialmente se aproveitar do desespero imperialista por não perder seu quintal, mas o capitalismo ianque não poupará esforços para devorar a Ilha e os novos ricos serão egressos da burocracia do PC, como já ocorreu nos Estados operários onde o capitalismo foi restaurado. Neste sentido cada vez maiores setores da burocracia anseiam em restaurar o capitalismo em Cuba como foi realizado no Vietnã, ou em um regime burguês ou em uma nova Venezuela.

O FIM DO BLOQUEIO, O CURSO RESTAURACIONISTA
E A REVOGAÇÃO DAS MEDIDAS ESPECIAIS
Acreditamos que é progressivo que o Estado proletário se beneficie da nova guerra fria para acabar com todas as represálias imputadas a ele pela audácia de ter expropriado as multinacionais e a burguesia vassala. Defendemos que o bloqueio deva ser eliminado incondicionalmente. Todavia, também acreditamos que a burocracia almeja converter Cuba em uma espécie de Vietnã caribenho, a medida que for suspenso o bloqueio imperialista, ou antes, se possível, ou seja, a burocracia se aproveita da conjuntura em favor da política restauracionista e não do socialismo.
Para que o fim do bloqueio tragicomicamente não resulte no fim do Estado proletário denunciamos toda a diplomacia secreta entre a burocracia e o imperialismo ou qualquer nação capitalista. Lutamos pela revogação progressiva das as medidas do chamado “período especial” tomadas emergencialmente a partir da dissolução da URSS em 1991 e do recrudescimento do embargo pelos EUA em 1992, assim como de todas as medidas posteriores que flexibilizaram a planificação da economia, o monopólio do comercio exterior e a estatização dos meios de produção.
Para começar, reivindicamos a volta do regime de pleno emprego e a revogação de todas as demissões; da lei dos investimentos estrangeiros de 1995, o reestebelecimento do pleno monopólio do comercio exterior, a estatização plena de todas as empresas mistas e da produção. Em outras palavras, se as coisas estão melhorando é preciso revogar as medidas que flexibilizaram o Estado proletário desde a década de 1990 do século passado. Todo esse programa deve estar aliado o combate às ambições e privilégios da burocracia, ou seja, a luta pela revolução política e pela instituição da democracia proletária em Cuba.

PELA REVOLUÇÃO POLÍTICA
CONTRA A RESTAURAÇÃO CAPITALISTA!
A luta pela revolução política na ilha assume caráter permanente, combate as medidas do governo castrista que conspiram contra as formas e relações de propriedade criadas pela expropriação do imperialismo e da burguesia cubana, enquanto simultaneamente deve impulsionar a edificação de comitês populares, de trabalhadores, camponeses e cooperados. Devemos lutar contra toda diplomacia secreta, tudo deve ser submetido ao debate, retificação e ratificação pela população cubana organizada. Não a devolução da propriedade aos gusanos.
Acreditamos que só seria possível uma revolução política em Cuba se houver um processo revolucionário no Continente. Sem isso, qualquer tentativa de revolução política em Cuba não teria como sobreviver.
O que foi expropriado deve permanecer estatal e sob o controle democrático dos conselhos de trabalhadores, produtores e consumidores. A primeira prioridade do Estado é garantir a saúde e a alimentação para o povo. Nenhum privilégio para a burocracia e para os turistas em prejuízo para as massas trabalhadoras. Abaixo com o separatismo turístico, pelo livre acesso de todos os cubanos para todos os hotéis, praias, balneários utilizado exclusivamente por turistas e que tudo seja pago em pesos. Derrotar a burocracia na luta pela democracia proletária e pela luta pela igualdade contra os privilégios.
É necessário construir os tribunais operários para investigar e condenar a corrupção, o mercado negro e os novos ricos. Em defesa do direito de greve e de sindicalização como parte da luta pela independência política contra a burocracia castrista, o imperialismo e suas ONGs contrarrevolucionárias e o Vaticano. Controle proletário da indústria e do conjunto da economia bem como sobre os acordos comerciais e todo o comercio estrangeiro, com a Europa, com a China e todo o bloco Eurásico e os países capitalistas latino americanos. Controle da contabilidade e da administração pela inspeção operária, com executivos de mandatos revogáveis eleitos em assembleia por local de trabalho. Somente os trabalhadores devem decidir como, quanto e o quê deve ser produzido e distribuído, bem como os salários e os ritmos da produção, assim devem combater as demissões em massa, a privatização das empresas estatais e os cortes nos serviços sociais do Estado.
Se como demonstrou a história do século XX a “teoria” antimarxista do “socialismo em um só país” reconduz os Estados operários a restauração capitalista, a continuar seguindo os preceitos stalinistas, o “socialismo” em meio país ou em uma ilha não terão destino melhor.
Nos opomos a criação de toda e qualquer partido ou organização que se oponha ao Estado proletário e a ditadura do proletariado e defendemos a criação de um partido trotskista revolucionário em Cuba e da instauração da democracia proletária na ilha. A restauração capitalista não é um fato consumado em Cuba e somente a luta revolucionária das massas latino americanas contra toda ofensiva restauracionista interna ou externa poderá derrotá-la.
28 de dezembro de 2014
Notas
2. http://www.marxists.org/portugues/trotsky/1938/programa/cap02.htm#13
3. http://wp.clicrbs.com.br/olharglobal/2014/12/18/e-a-coisa-certa-a-fazer-a-integra-do-discurso-de-obama-sobre-cuba/?topo=13,1,1,,,13
 http://websie.eclac.cl/anuario_estadistico/anuario_2009/pdf/Anuario_2009.pdf
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