QUEM SOMOS NÓS

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Somos uma organização marxista revolucionária. Procuramos intervir nas lutas de classes com um programa anticapitalista, com o objetivo de criar o Partido Revolucionário dos Trabalhadores, a seção brasileira de uma nova Internacional Revolucionária. Só com um partido revolucionário, composto em sua maioria por mulheres e negros, é possível lutar pelo governo direto dos trabalhadores, como forma de abrir caminho até o socialismo.

terça-feira, 12 de julho de 2011

Nossa resposta ao documento de ruptura de Rodolfo e Leandro

Reproduziremos aqui a declaração de ruptura de Rodolfo e Leandro. Nos comentários, publicaremos nossas duas respostas.




Morre um embrião para a reconstrução da Quarta Internacional

O Coletivo Lenin é destruído pelo revisionismo!

  
  
  
“De todos os lados, estamos cercados de inimigos, e é preciso marchar quase constantemente debaixo de fogo. Estamos unidos por uma decisão livremente tomada, precisamente a fim de combater o inimigo e não cair no pântano ao lado, cujos habitantes desde o início nos culpam de termos formado um grupo à parte, e preferido o caminho da luta ao caminho da conciliação. Alguns dos nossos gritam: ‘Vamos para o pântano! ’ E quando lhes mostramos a vergonha de tal ato, replicam: ’Como vocês são atrasados! Não se envergonham de nos negar a liberdade de convidá-los a seguir um caminho melhor!’ Sim, senhores, são livres não somente para convidar, mas de ir para onde bem lhes aprouver, até para o pântano; achamos, inclusive, que seu lugar verdadeiro é precisamente no pântano, e, na medida de nossas forças, estamos prontos a ajudá-los a transportar para lá os seus lares. Porém, nesse caso, larguem-nos a mão, não nos agarrem e não manchem a grande palavra liberdade, porque também nós somos ‘livres’ para ir aonde nos aprouver, livres para combater não só o pântano, como também aqueles que para lá se dirigem!”
  
V. I. Lenin, “O Que Fazer?” (1903)

 Nos últimos três meses, o Coletivo Lenin reduziu muito a sua atuação no movimento para se dedicar a polêmicas internas, fato que informamos a nossos simpatizantes e ativistas próximos. Essas polêmicas consistiram na luta entre duas tendências internas. Uma delas era encabeçada por um membro fundador e veterano do grupo, que progressivamente passou a propor uma compreensão revisionista do trotskismo, atacando inúmeros pontos essenciais do programa da organização. Por questões de segurança, iremos nos referir a tal membro, que hoje é o principal líder do CL, através do pseudônimo “Paulo Araújo”. A outra, que após ser cristalizada se denominou Tendência Coletivo Lenin, se dedicou a combater esse revisionismo e defender o programa original do Coletivo. Essas tendências se confrontaram abertamente desde maio.
  
 Como membros da segunda tendência, nós tínhamos em mente desde o princípio que era impossível uma convivência harmoniosa entre elas, da mesma forma como é impossível a convivência política e organizativa entre os leninistas e os revisionistas. A tendência de Paulo Araújo, depois de tentar por muito tempo a conciliação, se lançou finalmente a uma empreitada para “resolver a questão” e terminar as discussões de uma vez. Para nós, a batalha pelo programa do Coletivo Lenin deveria dar-se em bases de ampla discussão, onde todas as questões em polêmica fossem debatidas intensivamente, até que todos chegassem a uma conclusão e optassem por que lado seguir. Ao mesmo tempo, deveria se manter a total honestidade organizativa, cujo princípio básico, em qualquer organização que se reivindica leninista, é o caráter interno de tais discussões. Como veremos, não apenas os princípios políticos, como também os organizativos foram rasgados pela tendência revisionista que acabou se apoderando do Coletivo Lenin e marcando a sua degeneração.
  
 Nessa tarefa, a tendência revisionista foi em muito ajudada por inúmeros fatores. Os principais foram a experiência negativa da tentativa de fusão com a Tendência Bolchevique Internacional, finalizada em agosto de 2010 (confira a carta de ruptura entre o Coletivo Lenin e a TBI, Coletivo Lenin rompe relações com a Tendência Bolchevique Internacional, de dezembro de 2010) e a despolitização e inexperiência dos militantes mais recentes e aspirantes (que eram cerca de um terço da organização ao longo da luta fracional). A saída de alguns membros veteranos e com autoridade no grupo, por inúmeros motivos não relacionados, pouco antes de se iniciar a disputa, também contribuiu, já que Paulo permaneceu como único membro que havia formado o grupo desde a origem, e assim tinha grande influência para negar o programa que ele próprio havia ajudado a lapidar.
  
No fim, a aceitação passiva do programa revisionista por parte de alguns; a atitude movimentista de querer retornar ao ritmo normal de atividades o quanto antes e sem discutir a fundo, por parte de outros; e um ódio comum aos “causadores de problemas”, nós, que prezavam pela pureza dos princípios estabelecidos por nossa organização e a necessidade de estudar e discutir a fundo todas as polêmicas antes de tomar uma decisão, além da negação em aceitar conciliar com o revisionismo, fizeram com que se formasse uma maioria heterogênea hostil aos princípios e ao programa pelo qual o Coletivo Lenin havia sido forjado e funcionado pelos seus mais de dois anos de existência. Essa, maioria, liderada por Paulo, apesar de manter o nome, nada mais tem a ver com a tradição do Coletivo Lenin.

  
O programa original do Coletivo Lenin
  
O Coletivo Lenin foi formado em janeiro de 2009 com base em um programa muito bem definido, que foi principalmente influenciado pela Tendência Bolchevique Internacional, que por sua vez teve sua origem na Liga Espartaquista (SL) dos Estados Unidos. A SL foi formada a partir da Tendência Revolucionária do SWP (Partido dos Trabalhadores Socialistas) norte-americano, que foi desde o início, a principal seção da Quarta Internacional, fundada com a liderança de Leon Trotsky em 1938. Depois da Segunda Guerra, a Internacional se viu extremamente fragilizada, inclusive pela morte de seus principais quadros políticos e organizativos (incluindo o próprio Trotsky).
  
 Com a expansão do stalinismo no Leste Europeu e na China e o grande crescimento da influência stalinista no movimento operário mundial a partir da década de 1950, vários elementos da nova liderança da Quarta formularam uma compreensão oportunista sobre as tarefas da Internacional. Esse novo programa foi formulado por Michel Pablo e logo aceito por outros, como Ernest Mandel, e consistia em compreender a Quarta como uma ferramenta para “empurrar” os stalinistas para liderarem a revolução mundial. Esse revisionismo, que se tornou conhecido como pablismo (em “homenagem” ao seu principal formulador) logo foi estendido a outras correntes do movimento, como a socialdemocracia e mesmo o nacionalismo burguês nos países periféricos.
  
 O pablismo criou as bases para transformar a Quarta Internacional numa organização centrista e sua política foi a fonte para as posições traiçoeiras da organização em eventos fundamentais como a Revolução Boliviana de 1952, a greve geral francesa de 1953 e a revolta operária contra a burocracia stalinista em Berlim Oriental no mesmo ano. Em todos eles, a posição da Quarta foi de não denunciar o papel traidor do stalinismo ou dos nacionalistas, e de fazer “chamados” para que eles cumprissem as tarefas que só uma organização revolucionária poderia cumprir. No caso boliviano, a traição destruiu a possibilidades palpáveis que o partido trotskista boliviano tinha de liderar a classe operária em direção ao poder, e guiou esse partido numa tentativa frustrada de “influenciar” o governo nacionalista para a esquerda. A forma organizativa defendida pelos pablistas tinha sido de fazer um entrismo de tipo especial (“sui generis”) nos partidos oportunistas, possuindo caráter “profundo”, pois previa a duração de gerações e gerações. Mais gritante ainda, tal entrismo pretendia esconder as posições políticas trotskistas e “não denunciar as lideranças” stalinistas, nacionalistas ou socialdemocratas.
  
O sucesso dos pablistas no III Congresso Mundial só foi contraposto (e de maneira imperfeita), por algumas seções, como a maioria do Partido Comunista Internacionalista francês e o SWP norte-americano. Esses, junto a outras seções menores, romperam com a Quarta em 1953 e organizaram o Comitê Internacional. O Comitê tinha uma compreensão insuficiente dos novos Estados criados pelo stalinismo, mas mantinha a necessidade de combater as suas direções burocráticas. Além disso, defendia corretamente que a Quarta deveria resolver a crise de liderança proletária internacional, e não se adaptar a ela tentando “empurrar” partidos comprovadamente oportunistas para a realização de tarefas revolucionárias. Em razão disso, reivindicamos o combate do Comitê Internacional contra o pablismo.

A posterior capitulação do SWP ao pablismo, sob a pressão da segunda fase da revolução cubana (a partir de 1961), foi, portanto, uma grande derrota para os revolucionários. O SWP passou a cumprir o mesmo papel com relação à liderança castrista que os pablistas tinham com relação a outras correntes do movimento. Não por acaso, isso levou a uma fusão entre o SWP e os pablistas em 1963, para formar o “Secretariado Unificado da Quarta Internacional” (SU). O ato de celebração dessa fusão foi a concepção de que o recém-formado Estado Cubano era um Estado Operário pleno, como a União Soviética nos seus primeiros anos, sob a liderança de Lenin e Trotsky, e que os castristas eram “trotskistas inconscientes”. Na época, a Tendência Revolucionária (RT) foi o único setor do SWP a combater essa capitulação. Também formulou uma análise inovadora da formação social cubana e do processo pelo qual havia sido criada. A análise daRT, posteriormente desenvolvida quando ela se tornou a Liga Espartaquista, reconhecia Cuba como um Estado operário deformado, que necessitava de uma revolução política para estabelecer uma democracia operária. Dessa forma ela não apenas saía em oposição aos entusiastas pablistas de Castro, mas também se diferenciava da liderança do Comitê Internacional, que defendia a necessidade de uma liderança trotskista, apesar de negar a realidade de que o capitalismo havia sido derrubado em Cuba.
  
Além disso, a RT combatia o pablismo em todas as suas formas, e colocava a necessidade de priorização dos setores mais explorados do proletariado (os negros e as mulheres, principalmente) no movimento e a solução de suas opressões específicas através da revolução socialista. A sua atuação no movimento sindical sempre foi pautada pela defesa de um programa transitório, que defendia as melhorias progressivas da classe trabalhadora, enquanto apontava para reivindicações essenciais que só poderiam se realizar com a tomada do poder pelos proletários. Uma das principais contribuições teóricas da RT para o trotskismo foi a atualização da política trotskista, baseada no binômio defesa da URSS contra possíveis tentativas de contrarrevolução social / revolução política contra a burocracia, a partir da sua extensão aos demais Estados operários deformados surgidos no pós-guerra. Após ser expulsa do SWP, a RT formou a Liga Espartaquista. É essa tradição, e as posições políticas da SL e da TBI (que consideramos ter representado a continuidade do espartaquismo após a degeneração burocrática da SL) que o Coletivo Lenin reivindicou até a vitória da tendência revisionista, que agora nega raivosamente essa mesma tradição. Como foi dito em nossa carta de ruptura com a TBI em agosto de 2010:

“Não abandonamos nosso programa revolucionário! Continuamos a defender o legado político da Liga Espartaquista e da Tendência Bolchevique Internacional até o momento de suas respectivas degenerações burocráticas. Não nos deixaremos desmoralizar por esta experiência! Não desenvolveremos falsas conclusões sobre a suposta impossibilidade de reconstruir uma Quarta Internacional revolucionária e menos ainda alteraremos nossa linha política, como a liderança burocrática da IBT certamente espera como forma de justificar nossa ruptura com tal organização. Apenas concluímos que a IBT já não pode mais contribuir com a reconstrução de um movimento revolucionário.” 
  


O programa revisionista de Paulo Araújo
  
Não pretendemos aqui responder completamente a todo o revisionismo proposto pelo novo “líder” do Coletivo Lenin degenerado. Em grande parte estivemos fazendo isso em discussões internas e em documentos fracionais (confira Pela continuidade revolucionária, de maio/junho de 2011 – principal documento da nossa tendência) e faremos isso futuramente na medida em que for necessário combater essa degeneração do que antes era uma organização que defendia princípios revolucionários, ainda que tendo muitas limitações práticas. Nosso objetivo aqui é simplesmente expor o conteúdo daquilo que combatemos dentro do Coletivo Lenin e que hoje é a base para as futuras posições do grupo. O nível de desvio dessas posições políticas em relação ao trotskismo, entretanto, é tão grande, que não será difícil para aqueles familiarizados com essa tradição política perceberem a gravidade dessas diferenças. 
  
Podemos, assim, enumerar as características da tendência de Paulo Araújo, que hoje lidera o Coletivo Lenin, e que foram manifestadas antes e ao longo da luta fracional. Antes de termos preparado a versão final do presente documento, fomos acusados pelo Coletivo, numa postagem feita em seu blog (confira Nota sobre o racha no Coletivo Lenin, de 28 de junho), de termos rachado “sem motivo”, a não ser o nosso suposto “sectarismo” e “dogmatismo”, e sem termos nos pautado em posições reais da luta de classes. Os pontos a seguir, assim como a seção seguinte, mostram o que de fato motivou nosso rompimento. Além disso, estamos publicando o documento principal da tendência revisionista (confira A Teoria da Decadência e a Crise da III e da IV Internacionais, de março de 2011), e nos pontos que se seguem acrescentamos citações dos documentos através dos quais cada uma dessas posições foi expressa:

1. Renúncia à tradição do espartaquismo e à importância de sua história política de combate às capitulações dos pablistas. No lugar de tal tradição, Paulo defende a compreensão de que os pablistas representaram a melhor tradição política do trotskismo (e que seriam representantes autênticos do marxismo revolucionário) após o racha da Quarta Internacional:

“O SU [Secretariado Unificado da Quarta Internacional pablista], acho que em linhas gerais era revolucionário nas décadas de ‘50 e ‘60. Eles tinham uma análise correta da situação dos países imperialistas, naquela teoria do neocapitalismo, que é uma teoria que até hoje é fundamental (...).”
  
(Gênese do Centrismo – Documento de Discussão Interna, outubro de 2010)

“Teoria” essa, deve-se acrescentar, extremamente problemática e que o próprio SU veio a abandonar de forma silenciosa na década de 1970.

2. Tendência a substituir a política fundamentada em princípios marxistas por uma política pautada em combinações de ilusões em movimentos burgueses e também na necessidade de se basear nas “possibilidades reais” (imediatas) como forma de responder aos eventos da luta de classes. Em outras palavras, de capitular ao “menos pior” da podridão burguesa quando não está colocada imediatamente a possibilidade de um levante revolucionário da classe operária. Isso fica claro nos exemplos das eleições presidenciais brasileiras e na questão líbia, que nós discutiremos na próxima seção.

3. Desprezo pelas tradições do leninismo em relação à forma de organização. Paulo explicitamente rejeita o centralismo democrático leninista na forma como o Coletivo Lenin o praticou até hoje. Para ele, qualquer discussão que “não envolva riscos [físicos] para a organização” pode ser feita publicamente. É a “liberdade de criticar” típica da socialdemocracia. Além disso, reivindica o entrismo “sui generis” feito pelos pablistas, e não vê problema em uma organização revolucionária permanecer indefinidamente dentro de partidos reformistas:

“Já o debate público e o direito às tendências são muito mais controversos. Nós achamos que o critério correto a seguir seria o mesmo do bolchevismo de 1902 e 1921 [contém falsificação factual], ou seja, o debate político entre as tendências e frações pode ser público, a menos que envolva riscos para a segurança física da organização.” 

“Por isso, a política de "entrismo sui generis" dentro de organizações reformistas é perfeitamente válida, desde que o programa revolucionário não seja sacrificado para manter o entrismo. Na verdade, toda a polêmica contra o entrismo sui generis feita pelo Comitê Internacional, além de ser totalmente hipócrita ([...] o entrismo feito pelos pablistas nunca significou liquidar a organização trotskista, e sim colocar uma parte dela dentro dos partidos reformistas), estava baseada na concepção de explosão iminente do reformismo, assim como os pablistas a baseavam na hipótese da Terceira Guerra Mundial.” (ênfase nossa)
  
(A Teoria da Decadência e a Crise da Terceira e Quarta Internacionais – Documento de Discussão Interna, 9 de março de 2011)

4. Abandono da teoria trotskista sobre os Estados operários degenerados e deformados, formulada por Trotsky para a URSS. Essa teoria foi posteriormente expandida pela Quarta Internacional para o Leste Europeu e atualizada pela RT para países como Cuba, que quebraram a dominação capitalista, mas cujas revoluções tiveram base camponesa e estabeleceram regimes burocráticos. Paulo formula uma absurda teorização experimental, sem nenhuma base empírica, segundo a qual, tanto a URSS (a partir dos anos 1930) quanto os Estados do Leste Europeu, China, Cuba, Coréia do Norte e Vietnã seriam “Estados burgueses sem burguesia”:

“O fato da Polônia [e dos demais Estados operários do Leste Europeu] ser um estado burguês sem burguesia não é algo simplesmente terminológico. Essa caracterização, que eu proponho para substituir a de ‘estados operários deformados’, tem graves consequências políticas (...)” (ênfase nossa) 
  
(Polônia e Estados operários do Leste Europeu – Documento de Discussão Interna, 09 de dezembro de 2010) 

“As minhas dúvidas me levaram a reavaliar a restauração na Europa. Pois bem, os companheiros argumentam que aqueles estados eram operários. Aí vai meu argumento principal, e toda essa discussão será sobre esse argumento: o exército da URSS, após derrotar o nazismo, restaurou estados burgueses em todo o Leste Europeu. Esses estados eram tão burgueses que eram governados pela burguesia, em Frentes Populares, e tinham as mesmas instituições burguesas normais (...).” (ênfase nossa)

“A solução é clara: em 1938 foi destruído o estado soviético [a URSS] (baseado em sovietes), e restabelecido um estado com todas as características de estado burguês – sendo que, por conquista da revolução, a burguesia tinha sido expropriada. Em 1991, foi somente uma contrarrevolução política, onde a burguesia volta a dominar o seu estado.”
  
(Polêmica Sobre os Estados – Documento de Discussão Interna, 25 de fevereiro de 2011) 

Uma argumentação contra esse tipo de teoria antimarxista pode ser encontrada no artigo As revisões de teoria básica do LRP, de abril de 2009.

5. Abandono das históricas posições práticas da TBI de defesa dos Estados operários degenerados ou deformados. Tais posições consistiram em combater os movimentos contra-revolucionários mesmo que em frente única (unidade de ação) com os setores da burocracia que resistiram à contrarrevolução, da mesma maneira como delineado por Trotsky no Programa de Transição:

“Se amanhã a tendência burguesa-fascista, isto é, ‘fração Butenko’, entra em luta pela conquista do poder, a ‘fração Reiss’ [de orientação trotskista] tomará, inevitavelmente, lugar no outro lado da barricada. Encontrando-se momentaneamente como aliada de Stálin, ela defenderá, é claro, não a camarilha bonapartista deste, mas as bases sociais da URSS, isto é, a propriedade arrancada dos capitalistas e estatizada. (...) Qualquer outro comportamento seria uma traição.” 

“Assim, se não é possível negar, antecipadamente, a possibilidade, em casos estritamente determinados, de uma frente única com a parte termidoriana da burocracia contra a ofensiva aberta da contra-revolução capitalista, a principal tarefa política na URSS continua sendo, apesar de tudo, A DERRUBADA DA PRÓPRIA BUROCRACIA TERMIDORIANA. O prolongamento de seu domínio abala, cada dia mais, os elementos socialistas da economia e aumenta as chances de restauração capitalista.”
  
L. Trosky, O Programa de Transição (1938)

Tal abandono se revela na negação, por parte da tendência revisionista, em tomar um lado no confronto entre a ala restauracionista contra-revolucionária de Ieltsin e da ala conservadora do “Bando dos Oito” na destruição da União Soviética, em agosto de 1991. Ela também se revela na exaltação do movimento restauracionista de massas na Polônia, o Solidariedade, defendendo a liderança do movimento contra o golpe da burocracia stalinista em 1981. Essa posição levou Paulo Araújo até a crença extravagante de que, como o Solidariedade tinha uma base de composição operária, ele não poderia ter restaurado o capitalismo na Polônia (como de fato o fez), se pudesse “ter se desenvolvido”. A seguir as conclusões de Paulo:

“Golpe de Agosto [de 1991 na União Soviética]: Será que não havia nenhuma corrente em que se pudesse apoiar para criar uma frente única contra Ieltsin? (...) De qualquer forma, entre o duplo derrotismo e o apoio militar ao Bando dos Oito não acho que existe uma traição, mas apenas dois possíveis posicionamentos.”
  
(A Fraude do Defensismo da TBI – Documento de Discussão Interna, 06 de outubro de 2010) 

“(...) Pelo fato do Solidariedade ser a classe operária polonesa organizada (80% dos trabalhadores), é óbvio que a ilusão da base na restauração do capitalismo só podia ser isso mesmo - uma ilusão.” 

“Os trabalhadores, pela sua própria condição de classe, se tivessem chance de se desenvolver politicamente através das lutas de classes, cedo ou tarde criariam uma ala anti-restauracionista (mesmo que minoritária e confusa) no movimento.” (ênfase nossa) 
  
(Polônia e os Estados Operários do Leste Europeu – Documento de Discussão Interna, 09 de dezembro de 2010) 

6. Compreensão de que Frentes Populares eleitorais (blocos entre partidos de base operária e setores burgueses, como a candidatura Dilma) podem ser utilizadas para proteger o proletariado contra as alas fascistas ou reacionárias da burguesia:

“Sim, em algumas situações votar na frente popular, ao mesmo tempo em que se mantém a ação direta contra a direita, é uma tática pra defender os trabalhadores contra o fascismo (...). Na França, em 36, os trabalhadores elegeram os socialistas contra a direita tradicional como forma de evitar a influência do fascismo europeu crescente no França através da direita eleita (...). Esses são alguns exemplos em que votar em Frente Popular é uma forma de ganhar tempo.” (ênfase nossa)
  
(E-mail interno de um membro da tendência de Paulo Araújo, 21 de junho de 2011)

Em uma das reuniões voltadas para a discussão dos temas em revisão por Paulo, um dos membros da tendência revisionista chegou ao ponto de defender que a tarefa dos revolucionários na Alemanha dos anos 1920/30 seria a de criaruma frente popular eleitoral com o objetivo de “atrasar” a chegada do Nazismo ao poder. Essa mesma política, entretanto, era um dos pilares do stalinismo que a Quarta Internacional tanto combateu.

7. Negação de que a razão dos fracassos das revoluções do século XX, assim como da atual situação de recuo da luta de classes, reside, sobretudo, na crise de liderança do proletariado, como delineado por Trotsky no documento de fundação da Quarta Internacional. Para Paulo, a causa do fracasso das revoluções do século XX reside no desenvolvimento natural do capitalismo, que teria tornado os trabalhadores “adaptados ao sistema capitalista”. Além disso, Paulo formula que a classe trabalhadora está “perdendo a sua potencialidade revolucionária” em razão do desenvolvimento “decadente” do capitalismo a partir da década de 1970:

“Se a concepção de crise de direção já tinha um problema na época da fundação da Quarta Internacional, porque poderia dar a entender que a ‘traição’ da direção da IC tinha sido abandonar os pressupostos (errados) da sua fundação, ela se tornou depois uma paródia de si mesma.”

“Por isso, não se trata mais de lutar contra uma direção reformista pela linha revolucionária.” 
  
(A Teoria da Decadência e a Crise da Terceira e Quarta Internacionais – Documento de Discussão Interna, 09 de março de 2011)

“(...) eu nego sim que fosse possível revolução socialista depois da estabilização do pós II Guerra, até a década de 1970, nos países centrais [e logo, alcançar o socialismo a nível mundial] (...) por causa da melhora constante do nível de vida dos trabalhadores, que os deixava circunscritos ao reformismo.” 
  
(E-mail interno de Paulo Araújo, 17 de junho de 2011)

“O importante a seguir é que a partir de 1975, quando o capitalismo esgota a sua expansão imperialista e começa a depender cada vez mais dos mercados artificiais, da financeirização da economia, e da diminuição cada vez maior da base industrial, isso gera uma crise que se reflete em 1973-75 e isso se reflete também num recuo da luta de classes porque diminui o peso objetivo do proletariado e isso vai levando a uma diminuição da potencialidade revolucionária da classe operária.” (ênfase nossa) 
  
(Gênese do Centrismo – Documento de Discussão Interna, outubro de 2010)

“Estamos vivendo atualmente (desde a década de 1970) no período de crise estrutural do capitalismo. Ou seja, o sistema não tem mais para onde se expandir, e todos os lucros acumulados não podem mais ser aplicados na produção real. Isso leva a uma desindustrialização da economia, que destrói a própria base social principal da revolução, a classe operária. Além disso, toda a economia se baseia em mercados que ‘drenam’ os lucros para fora da produção (mercado financeiro, ‘setor de serviços’ etc).” (ênfase nossa)
  
(Socialismo ou cracolândia – 16 de dezembro de 2010)

Além de negar a possibilidade objetiva da revolução até os anos 1970, Paulo se utiliza ainda de outros artifícios para negar (ou ao menos aproximar do impossível) sua possibilidade após o suposto início da decadência estrutural do capitalismo. A esse artifício, Paulo chama “deslocamento de contradições”: o deslocamento dos lucros para o mercado financeiro, indústria bélica ou setor de serviços estaria destruindo as capacidades organizativas e a tomada de consciência por parte do proletariado.

Ao fator “deslocamento de contradições” ainda se somaria o recuo de consciência gerado pelo fim contrarrevolucionário da URSS no início dos anos 1990 (o que é completamente contraditório com a análise estrutural que Paulo faz dessa sociedade). Tudo isso combinado colocaria o proletariado mundial em um estado de “crise de perspectiva”, no qual este não mais enxergaria como viáveis mudanças sociais obtidas através da luta – e aí Paulo inclui até mesmo mudanças reformistas ou democráticas, negando assim os eventos da luta de classes que vêm ocorrendo desde o início do ano. Apesar de sempre termos reconhecido os efeitos destrutivos causados pelo fim da URSS, nunca delineamos tais conclusões impressionistas de Paulo. Inclusive, em artigo relativamente recente, discutimos a reorganização do proletariado e os indícios de superação do refluxo sofrido pelo movimento operário (confira O novo período que se abre na conjuntura internacional, de janeiro de 2011).

Essa análise, que varre qualquer possibilidade de revolução mundial, é a base teórica para as posições de Paulo Araújo sobre frentes populares, seu apoio à oposição burguesa na Líbia (que discutiremos a seguir) e o indicativo, expresso em seu documento principal, de que este pretende secundarizar o papel das reivindicações transitórias frente às reivindicações democráticas, como medida necessária para se disputar a consciência dos trabalhadores no período após a destruição da União Soviética. Suas posições chegam (via outros caminhos) a conclusões políticas pessimistas semelhantes às da degenerada Liga Espartaquista (confira A Liga Espartaquista apóia as tropas imperialistas no Haiti!,de 15 de fevereiro de 2010):

“(...) o movimento operário, depois da Segunda Guerra, e muito mais depois da destruição da União Soviética (que [...] desacreditou para as massas a própria noção de socialismo, para não dizer a Revolução Russa) não tem mais como objetivo a luta pelo socialismo.”

(A Teoria da Decadência e a Crise da Terceira e Quarta Internacionais – Documento de Discussão Interna, 9 de março de 2011)

 Tais posições enumeradas, que com a necessária saída da nossa tendência serão facilmente assimiladas pelo Coletivo Lenin, não apenas modificam inteiramente a natureza programática do grupo. Elas também o colocam à direita de muitas das organizações pseudo-trotskistas adversárias que costumávamos combater no movimento. Nós, que havíamos sido recrutados pelo Coletivo Lenin para fora do PSTU (confira nossa carta de ruptura com tal partido, As ações do PSTU em comparação às tarefas da IV Internacional, de agosto de 2009) conscientes das posições políticas que estávamos adotando, vimos com frustração que, apesar de nossa luta, a organização que ajudamos a construir estava se transformando em algo muito semelhante ao “pântano” de grupos oportunistas na esquerda.

  
Dois sintomas do revisionismo
  
 Como já citamos, em sua nota de 28 de junho, o Coletivo Lenin diz que nosso racha foi “sem motivo político com os fatos internacionais e nacionais recentes”. Esta seção pretende mostrar as divergências irreconciliáveis em duas situações (uma nacional e outra internacional) bastante recentes. A primeira pode ser considerada o ponto de partida para a formação da nossa tendência. Ela foi a primeira vez em que o revisionismo de Paulo Araújo se manifestou de maneira clara – a tentativa de fazer com que o Coletivo Lenin chamasse voto em Dilma no segundo turno das eleições brasileiras de 2010. Além disso, já à época, os documentos de Paulo revelavam crença de que a frente popular do PT com a burguesia “mobilizaria” a classe trabalhadora:

“Mesmo uma vitória da candidatura Dilma obrigará o PT a mobilizar mais os movimentos sociais ainda que seja para se manter no governo. Seja qual for o resultado, o PSDB sairá fortalecido dessas eleições e, caso seja derrotado, terá fôlego para fazer uma oposição ainda mais raivosa, o que obriga o PT a dialogar mais com os movimentos sociais e o empurra para isso [...]” (ênfase nossa) 
  
(Por uma Tendência Combativa – Documento de Discussão Interna, outubro de 2010) 

“Não ver que o PT mobilizou sua base (...) é não entender como funciona uma frente popular.”

“Se isso é um 'apoio crítico', seria motivado porque o bloco burguês da frente popular mantém um mínimo de liberdades democráticas ou autonomia diante da direita. Por isso, a palavra de ordem do PCB 'Votar contra Serra e preparar a oposição a Lula' cairia bem para essa função.” (ênfase nossa) 
  
(Sobre o Voto Crítico nas Frentes Populares – Documento de Discussão Interna, 20 de março de 2011)

 Tal posição ainda se “justificava” devido à projeção absurda sobre a “iminência” de um golpe institucional por parte da direita reacionária. Isso é absolutamente oposto ao que o Coletivo Lenin defendia até então. O grupo sempre foi contra qualquer apoio eleitoral a blocos de setores do movimento operário com setores da burguesia. Essa é uma condição básica na luta pela independência de classe trabalhadora, que é central para os revolucionários. No programa político da organização, que nós reivindicamos, e que o próprio Coletivo abandonou na prática, está escrito que:

“O frente-populismo (ou seja, um bloco programático, normalmente pelo poder governamental, entre organizações de trabalhadores e representantes da burguesia) é traição de classe. Os revolucionários não podem dar nenhum apoio, nem mesmo 'crítico', a participantes de frentes populares, como as formadas pelo PT desde 1989.”
  
Programa Político do Coletivo Lenin, janeiro de 2009

 Isso deixa clara a gravidade das diferenças internas. Os membros de nossa tendência (que então estava em fase embrionária) dedicaram três documentos internos sobre esse tema. O mesmo nem sequer é mencionado na declaração publicada pelo Coletivo Lenin. Esse posicionamento pelo voto em Dilma chegou a obter maioria dentro da organização em determinado momento. Essa posição traidora, que cruzaria a linha de classe, só não se tornou pública devido à pressão que alguns dos futuros membros de nossa tendência fizeram, para que fosse mantida a linha original pelo voto nulo e que tal posição fosse discutida apenas após as eleições.
  
 Posteriormente, Paulo Araújo declarou que sua posição nas eleições havia sido desnecessária, já que a vitória de Dilma não estaria ameaçada pela direita reacionária. Mas continuou reivindicando a “tática” de votar em frentes populares contra alas reacionárias ou fascistas da burguesia. Como já apontamos, essa “tática”, que passa por cima da independência de classe e coloca os trabalhadores em segundo plano no combate à reação burguesa em favor das alas “progressivas” da burguesia, foi a mesma adotada pelo stalinismo na década de 1930. Hoje, a organização da qual fazíamos parte faria mais sentido se fosse chamada de Coletivo Dimitrov – nome do capanga de Stalin que formulou a política das frentes populares.

 Outra diferença considerável diz respeito a qual posição tomar na recente guerra civil deflagrada na Líbia, antes da intervenção imperialista. Após esta intervenção, obviamente consideramos que a tarefa imediata seria de criar uma frente única militar com as forças do governo de Kadafi (sem deixar de criticar seu conteúdo burguês), contra o imperialismo. Desde antes da intervenção, porém, acreditamos que os revolucionários não deveriam apoiar a tomada de várias cidades pela oposição burguesa (o Conselho Nacional de Transição). Para nós, esse era um confronto entre alas equivalentes da burguesia nacional líbia, onde o proletariado nada tinha a ganhar. 
  
 Apesar das enormes ilusões das massas com a capacidade deste Conselho em lhes dar democracia, o CNT era composto por líderes tribais fundamentalistas, setores a favor da monarquia e membros desertores do alto escalão da ditadura de Kadafi. Sua incapacidade de garantir democracia estava evidente em sua composição, seu programa de conciliação com o imperialismo e sua trajetória de chamados por uma intervenção militar da OTAN. Assim, não apoiamos a tomada de poder de quase metade do país, inclusive a estrategicamente importante cidade de Bengasi, pelo Conselho. Isso não pode ser confundido com a necessidade de intervir em todos os espaços onde fosse possível para quebrar as ilusões das massas com este Conselho, que se aproveitou do ódio nutrido pela ditadura que há 40 anos dominava o país para arrebanhar setores dos trabalhadores para defender um programa igualmente subserviente ao imperialismo.
  
 Para os revolucionários, somente a classe trabalhadora pode ser conseqüente na luta por direitos democráticos. Estes direitos são fundamentais para que o proletariado se organize para lutar por sua emancipação. Mas isso não é o mesmo que apoiar um setor da burguesia que “promete democracia” quando toma o poder. Paulo Araújo demonstrou não apenas disposição a apoiar o Conselho Nacional nessa empreitada, como também revelou suas ilusões de que o CNT de fato levaria democracia às massas líbias. Semanas depois dessas suas declarações, os “justos democratas” do CNT estavam lado a lado com a OTAN, esmagando a população do país. Esses trechos produzidos por Paulo contra um membro de nossa tendência deixam isso claro:

“Claro que fazemos frente única com setores burgueses para derrubar um governo! (...) O que os trabalhadores teriam a ganhar com o CNT? Ora, a democracia burguesa! Essa é a verdadeira polêmica. O [nome do companheiro] subestima a reivindicação democrática e as formas democráticas mantidas pelo CNT.”
  
(E-mail interno de Paulo Araújo, 09 de abril de 2011)

Tais posições deixaram claro para nós que o revisionismo de nosso membro veterano era mais do que uma “análise teórica” e que tinha pretensões extremamente nocivas para a política do Coletivo Lenin. Qualquer afirmação de que nosso racha foi despropositado não passa de retórica dos revisionistas. Temos confiança de que os ativistas próximos e simpatizantes do Coletivo Lenin saberão reconhecer esta degeneração e verão em nossa tendência a continuidade da política revolucionária que tal organização defendia.
  
 Seguindo a própria lógica “anti-sectária” de Paulo Araújo e seus apoiadores, expressa na nota do Coletivo sobre nossa ruptura, segundo a qual tudo o que expomos aqui não é suficiente para separar politica e organizativamente nossas duas tendências, o próprio Coletivo Lenin não deveria existir. Se diferenças programáticas profundas e antagônicas não devem manter tendências separadas, então o Coletivo deveria ter como principal objetivo unificar a maior parte das organizações de esquerda em um só “partidão”, degenerado e incapaz de liderar a classe trabalhadora para uma revolução, diga-se de passagem.

  
Desonestidade e desinteresse
  
 Mesmo após estas posições (das quais a última se tornou a linha pública) e a aceitação passiva delas pelos demais militantes do Coletivo Lenin, mantivemos nossa luta interna para convencer os demais camaradas a se oporem ao revisionismo de Paulo. Foram ações de falta de democracia e desonestidade organizativa que fizeram com que desistíssemos de disputar os camaradas do Coletivo por dentro. Uma dessas sérias desonestidades foi a postagem de uma linha inteiramente nova sobre a questão Líbia, realizada por parte de Paulo Araújo sem consultar o grupo, fazendo caracterizações absurdas sobre esse processo político. Dentre outras coisas, a linha nos valeu uma crítica muito merecida na imprensa de esquerda. O próprio Coletivo Lenin comentou sobre isso posteriormente, embora muitos dos seus membros tenham considerado este um erro “ingênuo” de um militante veterano:

“Dessa forma temos que fazer autocrítica da posição anterior (...), que foi postada por um militante e continha duas caracterizações não aprovadas pelo Coletivo Lenin: caracterizava o CNT como uma Frente Popular e dizia que havia um processo revolucionário na Líbia.” (ênfase nossa) 
  
(Declaração da Direção do CL sobre a Líbia, 15 de abril de 2011) 

 Com o acirramento das polêmicas, a desonestidade chegou a graus incríveis. Poucos dias antes da reunião derradeira em que se deu o racha, nossa tendência foi abordada por um conhecido ativista do movimento sem-teto do Rio de Janeiro, adversário político do Coletivo Lenin, que nos falou casualmente sobre o racha, demonstrando estar à par de inúmeras informações que deveriam ser de conhecimento somente interno. Sem dúvida alguma esse ativista, o qual pouco tempo antes o Coletivo Lenin havia combatido por homofobia (confira A luta contra a homofobia dentro e fora da FIST, de 11 de junho de 2011) foi informado da possibilidade do racha por um membro da tendência revisionista que realiza trabalho político no setor. Isso obviamente foi com o objetivo de começar desde aquele momento a desmoralizar os militantes de nossa tendência. Quando confrontados com essa desonestidade imensa, os membros da tendência revisionista tiveram a cara-de-pau de dizer que o referido adversário só sabia disso porque talvez tivesse “ouvido por trás da porta” durante alguma discussão interna realizada na sede da organização sem-teto na qual o mesmo atua.
  
 Outra situação que fez acelerar nosso rompimento envolveu a recente greve e motim dos bombeiros militares no Rio de Janeiro. Um panfleto havia sido preparado para ser distribuído no acampamento-vigília dos bombeiros no Rio de Janeiro, após a prisão de 439 membros dessa corporação. Esse texto não chegou a ser usado nessa ocasião devido à proibição que os líderes do movimento dos bombeiros impuseram a “qualquer material criticando a Polícia Militar”. Diante disso, nossa tendência pediu para que a linha do Coletivo Lenin fosse discutida e revista e que, portanto, o material não fosse publicado no blog do grupo. Esse pedido fazia sentido já que o panfleto não havia sido discutido em nenhum organismo do Coletivo. Entretanto, ignorando o direito de nossa tendência a questionar uma posição, a tendência revisionista, passando por cima da própria Direção Executiva (dentro da qual nossa tendência tinha maioria) postou o panfleto que nem sequer critica a liderança pró-polícia dos bombeiros e diz, contra a realidade, que “os Bombeiros não cumprem nenhum papel repressivo na sociedade, pelo contrário, o papel deles sim é ajudar e socorrer.”
  
 Por fim, somado a tais atos de desonestidade e deslealdade, fomos confrontados ainda com o enorme e crescente desinteresse dos camaradas que estavam fora da tendência revisionista em prosseguir as discussões, tornando insustentável nossa permanência no Coletivo Lenin. Antes que chegássemos sequer a um terço do calendário de discussões que havíamos marcado coletivamente, alguns camaradas começaram a nos considerar um empecilho para que o Coletivo Lenin retornasse ao seu ritmo normal de atividades. Prezando para que houvesse debate e discussão extensa, nós sem dúvida éramos os “causadores de problemas” que impediam alguns militantes, despreocupados com o tipo de programa que defenderiam, a retornar à rotina habitual do movimento. Para nós, reduzir momentaneamente o ritmo das atividades públicas era um preço pequeno a pagar em troca da oportunidade de lutar por clareza programática e combater o revisionismo.

  
Conclusão
  
Nós reivindicamos o legado do Coletivo Lenin até o fim de 2010 como nosso. Ele foi uma tentativa genuína e honesta (ainda que com falhas) de construir um grupo no Brasil que representasse a análise histórica e a tradição da Tendência Revolucionária do SWP e do espartaquismo. Devido à indiferença da TBI quanto à possibilidade de desenvolver este grupo, ele não conseguiu se construir suficientemente e acabou caindo como vítima do revisionismo de um dos seus fundadores, já completamente desmoralizado quanto às possibilidades de construir um partido revolucionário com base nessa tradição, o que o Coletivo Lenin colocava como sua principal tarefa.
  
 Hoje o Coletivo Lenin não é superior a nenhum dos outros grupos centristas do movimento. De fato, ele caminha a passos largos para abandonar qualquer semelhança, mesmo aparente, com uma organização marxista revolucionária e se tornar apenas mais um seguidor reformista dos grandes peixes oportunistas. Seus membros estão unidos não por um programa bem definido, mas pelo pacto de “manter a unidade” (não importa com qual programa) e “negociar” os princípios políticos para aceitar qualquer nova “formulação teórica” que surja na cabeça de seu novo “líder” a qualquer momento. Se mantida e fortalecida, a longo prazo, essa condição degenerada fará do Coletivo Lenin nada menos do que um verdadeiro santuário de adoração às “teorias” de Paulo Araújo. 

 Sam Trachtenberg, que organiza desde 2008 o projeto de organização Reagrupamento Revolucionário e com quem o Coletivo Lenin tinha reações fraternais, esteve do nosso lado ao longo da luta fracional. Ele rompeu junto com nossa tendência e agora nos dedicaremos a construir o Reagrupamento Revolucionário, cujo objetivo será resgatar e desenvolver o programa original do Coletivo Lenin (que agora o grupo repudia em favor de um oportunismo descarado) – o programa do trotskismo, o marxismo revolucionário da nossa época, desenvolvido pelos quatro primeiros Congressos da Internacional Comunista, pela Oposição de Esquerda e posteriormente pela Quarta Internacional. Expresso ainda nos avanços obtidos por aqueles que resistiram e combateram o revisionismo que, no pós-guerra, veio a destruir o movimento revolucionário fundado por Leon Trotsky. E assim como nossos predecessores programáticos, continuaremos firmes na luta pela reconstrução da Quarta Internacional através do reagrupamento de forças revolucionárias!

“Baseados em uma larga experiência histórica, podemos escrever como lei que os quadros revolucionários que se rebelam contra o seu meio social e organizam partidos para fazer a revolução podem, se a revolução demorar demais – se degenerar eles mesmos sob a constante influência e as pressões deste meio (...). Mas a mesma experiência histórica mostra que também há exceções a esta lei. A exceções são os marxistas que continuam a ser marxistas, os revolucionários fiéis à sua bandeira. As idéias básicas do marxismo, a única forma de criar um partido revolucionário, estão em aplicação contínua e têm estado assim há cem anos. As idéias do marxismo, que criam partidos revolucionários, são mais fortes que os partidos que criam, e nunca deixam de sobreviver à sua queda. Nunca deixam de encontrar representantes nas velhas organizações que dirigirão o trabalho da reconstrução.”

“Estes são os continuadores da tradição, os defensores da doutrina ortodoxa. A tarefa dos revolucionários não corrompidos, obrigados pelas circunstâncias a começar o trabalho de reconstrução das organizações, nunca foi proclamar uma nova revelação – nunca faltaram tais Messias, e todos se perderam na confusão – e sim reinstalar o programa antigo e atualizá-lo.”
  
James P. Cannon, “Os Primeiros Dez Anos do Comunismo Americano” 

  
Assinam:
Leandro Torres
Rodolfo Kaleb
juhlho de 2011
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terça-feira, 28 de junho de 2011

Resposta ao racha dos camaradas Leandro e Rodolfo

Nota sobre o racha no Coletivo Lênin

No dia 23/06, dois militantes do setor estudantil, depois de meses de discussão onde tentamos evitar esse final, romperam com o CL. Eles ainda não escreveram a sua declaração de ruptura (que publicaremos no nosso blog e criticaremos) mas, como eles já estão falando sobre o racha com simpatizantes do CL, achamos melhor publicar nossa declaração sobre o fato.


Um racha sem motivo político com os fatos internacionais e nacionais recentes

A primeira coisa que surpreende negativamente no racha é que ele não reflete nenhuma tendência da luta de classes. Para explicar melhor: em todos os rachas normais são provocados por algum acontecimento na luta de classes, que leva setores da organização a terem respostas políticas tão diferentes que não podem ser conciliadas.

Mesmo que tenha havido sim uma diferença política (os companheiros defenderam a dupla derrota na Líbia antes da invasão, negando que houvesse um movimento progressivo contra a ditadura de Khadafi no inicio dos protestos em fevereiro na Líbia), os próprios companheiros negam que esse tenha sido o motivo do racha.

Então, qual foi o motivo?


O dogmatismo!

Desde a nossa ruptura com a TBI, em novembro, o CL decidiu que iria fazer um balanço da tradição que a TBI reivindica, o espartaquismo, para determinar se existem elementos do próprio programa espartaquista que facilitaram a degeneração de todas as correntes que o reivindicam (LCI, IG e TBI). A nossa caracterização sobre a degeneração das correntes espartaquistas está na nossa declaração de ruptura com a TBI. 

Como marxistas, sabemos que o ser determina a consciência. É impossível que uma seita que se recusa a intervir no movimento de massas, como a TBI, possa desenvolver e manter um programa correto para as lutas. Por isso, começamos a fazer um balanço do programa que tínhamos reivindicado até então. Chegamos á conclusão que as melhores contribuições do espartaquismo foi a intervenção no movimento negro nos EUA nos anos 60 e 70, e também o posicionamento correto contrário ao apoio à burocracia cubana, e até mesmo algumas posições defensistas que em alguns casos não eram stalinofílicas. Porém o auto-isolamento dessa corrente, o sua stalinofilia crescente desde o final dos anos 60 até o final dos anos 80 (onde substitui o papel da classe trabalhadora pela burocracia "anti-restauracionista" em incontáveis casos no leste europeu), a sua incapacidade de analisar a realidade imposta sem propor novas teorias( que como consequência levou ao pensamento absurdo e anti-marxista de que "programa gera teoria"); foram esses os principais fatores que levaram as três correntes espartaquistas dos dias de hoje à degeneração e a serem incapazes ou a se recusarem a intervir no movimento de massas e na luta de classes.

Porém, os companheiros que depois romperam se recusaram a aceitar qualquer crítica e qualquer modificação do programa, chamando de revisionistas e oportunistas todos os que propusessem isso.

Logicamente, isso acabou criando um clima insuportável na organização, já que qualquer discussão política era "aumentada" até virar um julgamento do "oportunismo" de quem divergia deles.


E sectarismo...

Isso por si só poderia ser resolvido. Mas acontece que o dogmatismo sempre vem acompanhado com o sectarismo. Em maio, na sua primeira contribuição ao nosso período de pré congresso, os companheiros que romperam declararam que as diferenças políticas eram irreconciliáveis, e que só havia duas soluções possíveis: ou eles ficariam em minoria, e iam rachar, ou ganhariam a maioria, e expulsariam quem ficasse em minoria!

Ou seja, eles deram o racha como fato consumado. Diante disso, tentamos organizar todos os temas da discussão para esclarecer o conjunto do CL sobre a natureza das divergências. Para nós, os companheiros poderiam ficar dentro do CL mesmo que em minoria, o que não aceitamos foi que eles defendessem a expulsão de membros da organização por causa da paranoia deles com o "oportunismo".


O papel do "Reagrupamento Revolucionário" 

Durante tudo isso, Sam Trachtenberg, que organiza o site Reagrupamento Revolucionário, e com quem tínhamos relações fraternais, entrou na campanha dos companheiros para rachar e destruir o CL, fazendo acusações pessoais totalmente sem fundamento (ele mora em Nova Iorque e nunca conheceu pessoalmente nenhum militante do CL).

Nisso, ele mostrou que aprendeu tudo com os burocratas da TBI, que tentaram rachar o CL sem motivos políticos em 2010, para ganhar militantes facilmente manipuláveis, como já denunciamos na nossa declaração de ruptura com a TBI.

Diante do papel de Sam, declaramos desde já, nessa mesma nota, que rompemos as relações fraternais com ele. E aproveitamos para avisar a quem quiser discutir com ele: esse é o método de Sam Trachtenberg para fazer o "reagrupamento revolucionário": rachar uma organização em cima de posições dogmáticas e sectárias, através de ataques pessoais, para criar uma "corrente internacional" com dois militantes num país e um em outro.

Com certeza ninguém vai reconstruir a Quarta Internacional assim!


A luta continua!

Depois que perceberam que suas posições foram rechaçadas, e que eles ficaram em minoria, eles romperam. Não sabemos ainda o que eles vão falar para "explicar" a sua derrota, já que não podem dizer que perderam o debate porque ninguém no CL aceitou o dogmatismo e o sectarismo deles.

Não vamos tapar o sol com a peneira: esse foi um dos piores problemas que o CL já sofreu. Como já dissemos, não queríamos que os companheiros rompessem. Apesar dos seus erros, eles são honestos e muito contribuíram para a construção do CL.

Mas essa derrota não vai fazer a gente desanimar! O CL continua nas suas trincheiras da luta de classes, construindo a FIST, o Movimento Hora de Lutar e a Oposição Classista. Ainda não tivemos como terminar o balanço do espartaquismo mas, em breve, todos verão a nossa avaliação e um novo programa está sendo construido para nossa organização.

Não vamos ficar isolados nacionalmente depois das péssimas experiências com a TBI e o "RR". O balanço será usado para fundamentar nossas relações internacionais. Como leninitas marxistas-revolucionários,não acreditamos em uma organização que se limite a um só país, e paro nós o socialismo só pode ser construido a nível internacional.

Nesse momento, estamos retomando o fôlego para voltar com o nosso jornal, aumentar a nossa intervenção no movimento e nossas discussões com outras organizações revolucionárias. Sabemos que, dentro do movimento dos trabalhadores e no movimento estudantil, temos muitos militantes que simpatiam com o nosso árduo trabalho político (quem não tem sido em vão), nos apoiam e certamente vão rejeitar esse racha.

É com as trabalhadoras e os trabalhadores em movimento que contamos para prosseguir na nossa luta para construir o partido revolucionário dos trabalhadores e reconstruir a Quarta Internacional!




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sábado, 11 de junho de 2011

Greve dos Bombeiros

Este panfleto foi feito pelo CL no ultimo sábado logo após a violenta reação da Tropa de Choque da PM e do BOPE á ocupação do Quartel Central dos Bombeiros realizado pelos próprios bombeiros em greve, e distribuído na ocupação de domingo na escadaria da Assembléia Lesgislativa do Rio de Janeiro.
Marcos Silva

BOMBEIROS:LUTAR JUNTO AOS TRABALHADORES,
CONTRA OS PATRÕES, O BOPE, OS CORONEIS DA PM E CABRAL!

Depois da brutal desocupação feita pela PM com apoio do BOPE e tropa de choque no Quartel Central dos Bombeiros e pela prisão dos porta-vozes do movimento grevista, mais uma vez ficou claro qual é a real função da polícia na nossa sociedade. Não é proteger a “democracia”, não é defender a “justiça”, não é garantir os “direitos” dos “cidadãos”. A polícia está aí para garantir a ordem dos patrões e de seus lacaios no governo. Toda manifestação da classe trabalhadora e da juventude, quando se radicaliza e ameaça os interesses dos poderosos, é logo reprimida pela PM. Trabalhadores e jovens pobres e negros são diariamente oprimidos e assassinados pelos jagunços dos banqueiros e empresários nas favelas e periferias. Agora foi a vez dos Bombeiros e salva-vidas sofrerem com essa realidade, na sua luta por um salário decente.
A primeira coisa que tem que ficar clara para os companheiros Bombeiros em greve é: os seus aliados são os trabalhadores, não a polícia! Não devemos dar nenhum apoio às lutas dos PM por melhores salários, o que só significa melhores condições para reprimir as lutas dos trabalhadores! E nenhum apoio à PEC 300, que vai favorecer os assassinos uniformizados! Fazemos um chamado aos sindicatos e organizações estudantis da cidade para apoiarem a luta dos Bombeiros, integrando suas manifestações e realizando paralizações em seus setores! Esses sim devem ser os aliados nessa luta!
Mas acreditamos que a luta dos Bombeiros deve ir além da demanda por um piso salarial decente. Diferente da polícia e da Forças Armadas, os Bombeiros não cumprem nenhum papel repressivo na sociedade, pelo contrário, o papel deles sim é ajudar e socorrer. Por isso, achamos que é essencial a desmilitarização dos Bombeiros, a sua transformação em uma corporação civil. Assim, acaba-se com a estrutura hierárquica repressiva, que opõe trabalhadores honestos a comandantes a serviço do Governador. A corporação não precisa dessa estrutura militarizada para realizar suas funções, e no final essa estrutura só serve para prejudicar a base (cabos, oficiais de baixa patente, etc.). O exemplo mais claro disso é que os grevistas presos serão julgados por tribunal militar, e se não fizemos nada certamente serão condenados para servirem de “exemplo” aos demais. Pelo salário base como o mínimo do DIEESE: R$2090. Pela imediata libertação e anistia de todos os bombeiros. Pela imediata desmilitarização dos Bombeiros! Que os comandantes sejam eleitos pela base da categoria e tenham mandatos revogáveis, nada de interferência do governo dos patrões! Abaixo a tentativa da extrema-direita nacionalista de se aproveitar da luta dos bombeiros! Nenhuma confiança na PM e no Alto-Escalão Militar e Governos!!!
Que todos os trabalhadores e jovens combativos da cidade se unam em solidariedade aos Bombeiros rebelados. Lutar até a vitória! Abaixo as acusações aos porta-vozes do movimento! Liberdade já para os presos políticos!
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A luta contra a homofobia dentro e fora da FIST!


Esta nota foi publicada pelo CL após algumas polêmicas públicas com o companheiro  André de Paula da FIST nas reuniões da FIST e na Rádio Petroleira( Programa Sem-Teto em Revista do dia 2 de junho de 2011).Segue abaixo o link do programa da rádio e em seguida a nota pública em combate á homofobia.
Marcos Silva

A luta contra a homofobia dentro e fora da FIST!

            Nas recentes semanas, o CL tem intervindo em todos os movimentos contra as declarações racistas e homofóbicas do deputado Bolsonaro. Sabemos que o machismo, o racismo e a homofobia só servem para dividir os trabalhadores, e jogarem uns contra os outros, facilitando a exploração da nossa classe. A FIST tem declarado em todos os seus congressos que luta contra todas as formas de preconceito.
            Infelizmente, dentro da própria FIST, o companheiro André tem repetido as idiotices homofóbicas de Bolsonaro, declarando que "só na burguesia existem homossexuais", que a homossexualidade é "antinatural" etc.
            Essa atitude só pode servir para desacreditar a FIST como uma organização que luta em defesa dos setores mais marginalizados da sociedade capitalista. Será que André não percebe a "coincidência" de estar reproduzindo o discurso intolerante da extrema-direita(Bolsonararo, Igreja Católica, Igrejas evangelicas, Garotinho e etc..)?
            Bolsonaro sabe muito bem a vantagem de fazer esse discurso homofóbico. Como esse discurso homofóbico "cola" mais fácil junto ao preconceito dos trabalhadores, a homofobia vira uma porta de entrada pro resto do programa de direita dele. Logo depois, ele vai falar contra as cotas, dizer que o Lula é comunista etc. Quem já estiver "amaciado" pelo ataque aos homossexuais vai aceitar mais facilmente o resto do pacote.
            Em relação à mentira de que não existe homossexualidade na classe trabalhadora, é o próprio movimento sem-teto carioca que pode desmentir André, pois inúmeros militantes e companheiros(as) de luta são homossexuis. Dizer que ser homossexual é antinatural é mais estúpido ainda. Os seres humanos são a única espécie que faz sexo por prazer – E isso faz parte da natureza e é um dos elementos que nos diferenciam dos animais! Esses argumentos foram diretamente tirados da Igreja Católica. Mas a Igreja é coerente: só prega o sexo para a reprodução, é contra a camisinha (não importa pra igreja se existe a AIDS e outras doenças sexuais), etc. Todos nós sabemos que André é católico. É um direito dele, mas é nosso dever criticá-lo quando ele traz as merdas que a igreja ensina pra dividir o movimento reproduzindo os argumentos da direita mais nojenta do país!
            Nós, do CL, sabemos que a repressão sexual é usada pela classe dominante para dividir os trabalhadores e criar mais conformismo ainda na sociedade. Quem aceita ser controlado no sexo, aceita também outras formas de opressão! Por isso, achamos uma tarefa essencial para o movimento fazer política sexual para denunciar a repressão que existe no capitalismo, e mostrar que o socialismo não precisa da repressão para criar um novo mundo.
            Por último, queremos deixar claro que isso não é um ataque pessoal ao companheiro André. É uma crítica política. Ele é um militante honesto, combativo e com ele temos trabalhado juntos na FIST e no movimento popular há dois anos, mesmo tendo divergências sérias quanto a algumas políticas do companheiro, divergências essas que não podemos “varrer para debaixo do tapete”, mas debater o seu conteúdo de forma democrática dentro da FIST e nos espaços de discussão do movimento popular. O nosso objetivo com essa carta é cortar pela raiz qualquer ideologia homofóbica na FIST e levar o companheiro a repensar a sua posição sobre a necessidade de combater não só a homofobia, como também o racismo e o machismo na base da FIST, e não deixar que dentro do próprio movimento se reproduza os argumentos da direita ou a ideologia atrasada da Igreja Católica.

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Combate á homofobia e ao fundamentalismo cristão

Este panfleto foi escrito originalmente para a distribuição voltada aos trabalhadores que passam na Central do Brasil, durante ato do beijaço GLBT realizado por organizações do movimento popular em Maio no Rio de Janeiro.
Marcos Silva

O fascismo de Bolsonaro apoiado pelo fundamentalismo cristão: Governo de Dilma/PT conivente com violência à homossexuais!!!
Bolsonaro é um imbecil!!! Porém infelizmente ele é mais inteligente que a maioria da direita. Enquanto a Rede Globo e a revista Veja fazem o velho papo-furado fingindo que são contra o racismo, machismo  e que são favor dos direitos dos homossexuais, Bolsonaro fala na cara: Seu filho não namora uma mulher negra porque tem “boa educação”. Porém, como ele não quis ser preso por racismo, ele fez uma “correção” e reafirmou: Meu filho não poderia ser homossexual porque teve uma “boa educação”.
Ele só pode falar esse tipo de merda porque infelizmente uma parte de nós da classe trabalhadora concorda e damos corda pra ele. Infelizmente o apoio de uma parte da população ao Bolsonaro não tem nada de inesperado. O racismo, machismo e a homofobia são instrumentos utilizados pelos patrões para nos desunir ao invés de lutarmos juntos contra aqueles que nos exploram todos os dias. Aproveitando essa onda de preconceito e a nossa divisão, várias gangs de playboys tem atacados trabalhadores homossexuais em todos os Estados do Brasil, como em São Paulo. No Rio alguns grupos de playboys saem das boates para atacar prostitutas (muitas dela analfabetas e com filhos), e ás vezes esses grupos violentos atacam até empregadas domésticas, em geral trabalhadoras negras ou nordestinas.
Para piorar a situação, o dito “governo dos trabalhadores” do PT/ Dilma, desde a última eleição em 2010, nada tem feito para a defesa dos direitos das mulheres, negros e homossexuais trabalhadores toda vez que seus amigos e financiadores da Igreja Universal e da Igreja Católica atacam os direitos civis dos homossexuais e das mulheres através dos “deputados cristãos”. Este governo Dilma/PT é uma piada! Só não vê isso quem não quer!!!
Só existe uma solução pra toda essa violência: Todos nós trabalhadores temos que nos unir, independente de orientação sexual, raça ou sexo, pra combater o racismo e homofobia nas ruas, pois já sabemos que não podemos contar com os governos! A nossa tarefa agora é ir para ruas em defesa dos trabalhadores atacados por Bolsonaro e seus seguidores violentos, com as seguintes exigências:
·         Todos os direitos de casais também os para casais homossexuais;
·         Pelo direito de autodefesa dos trabalhadores(as) contra ataques criminosos e violentos com motivação machista, racista e homofóbica;
·         Pela manutenção da distribuição, nas escolas e sociedade, das cartilhas do governo de conscientização contra a homofobia;
·         Pelo fim da ingerência da religião nos direitos das mulheres e homossexuais.
Porém o machismo, o racismo e a homofobia só poderão ser completamente destruídos quando nós trabalhadores cumprirmos o nosso papel construindo uma sociedade socialista em que nós mesmos sejamos capazes de governar e decidir coletivamente os rumos da sociedade. Porém, para construir essa sociedade precisamos construir um Partido Revolucionário com maioria de mulheres e negros que seja capaz de organizar a nossa luta contra os patrões e os governos!!!
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terça-feira, 7 de junho de 2011

A Posição do Coletivo Lenin Sobre a Destruição da URSS


Defender os Trabalhadores Soviéticos Contra os Ataques de Yeltsin!

A Contra-Revolução Triunfa na URSS

A Tendência Bolchevique Internacional publicou a seguinte declaração em setembro de 1991. Ela foi traduzida para o português pelo Coletivo comunista Internacionalista em 2007 e permanece como uma posição central reivindicada pelo Coletivo Lenin na defesa dos Estados Operários Degenerados ou Deformados no momento da sua destruição.

O golpe abortado em Moscou de 19-21 agosto foi tão mal concebido e executado que quase não aconteceu. Mas será lembrado como um dos acontecimentos decisivos na história do século 20. A vitória da corrente abertamente pró-capitalista ao redor de Boris Yeltsin, depois que o golpe fracassou, destruiu o poder de estado criado pela revolução de outubro de 1917. Isto representa uma derrota catastrófica não só para a classe trabalhadora soviética, mas para os trabalhadores em toda a parte.


Os acontecimentos de agosto foram a culminação de lutas recentes por poder dentro do Kremlin e no país como um todo. Mas, num sentido mais amplo, eles são o ato final na degeneração da burocracia stalinista, uma camada privilegiada que usurpou o poder político dos trabalhadores soviéticos desde meados da década de 1920. Em vez dos sovietes operários democraticamente eleitos de1917, os estalinistas erigiram um estado autoritário policial. Em vez do internacionalismo proletário de Lenin e Trotsky, eles criaram a doutrina do ''socialismo em um país”,' que justificou a traição das revoluções no exterior para ganhar vantagens diplomáticas triviais. Apesar disso, mesmo com todos os seus crimes, a burocracia estalinista se sustentava sobre a economia coletivizada criada pela Revolução de Outubro e, da sua própria forma deturpada, freqüentemente tentou defender estas fundações econômicas da pressão imperialista no estrangeiro e da contra-revolução no interior. O fracasso do golpe de agosto acabou com o domínio desta casta burocrática, e levou à sua substituição por um grupo de regimes nacionalistas comprometidos a desmontar a economia de propriedade estatal, e recolocar o capital no poder.

Há mais de meio século, o líder da Oposição Esquerda, Leon Trotsky, advertiu que, a longo prazo, um sistema social baseado na propriedade coletiva nem poderia ser desenvolvido nem defendido com métodos burocráticos policiais. A estagnação da economia soviética durante os anos de Brezhnev representou uma confirmação poderosa desta predição. Numa tentativa inverter o declínio econômico da URSS, Mikhail Gorbachev avançou suas célebres reformas de mercado. O caos econômico e político causado pela Perestroika polarizou a burocracia Soviética, e as divisões internas tornaram-se particularmente agudas durante o ano passado. De um lado, uma ala da elite governante—identificada com o dirigente anterior do partido em Moscou, Boris Yeltsin—abraçou abertamente a restauração capitalista. Do outro lado, uma aliança de militares e burocratas do partido e do Estado, a assim chamada “linha-dura”, via o rumo em direção ao mercado e à desintegração nacional como uma ameaça a seu poder. Gorbachev agiu como um intermediário entre estas duas frações, inclinando-se alternadamente em direção ao ''reformadores” e à “linha-dura”.

Os Zigue-Zagues de Gorbachev

Começando em outubro de 1990, a linha-dura desencadeou uma ofensiva dentro do Partido Comunista Soviético. Forçaram Gorbachev a impedir o plano de 500 dias de Shatalin para a privatização da economia. Enviaram unidades ''boinas pretas'' para tomar medidas contra os governos separatistas pró-capitalistas das repúblicas bálticas. Projetaram uma limpeza no escalões mais altos do partido, levando Gorbachev a retirar os ''reformadores” de postos-chave do partido e do governo, e substituí-los por servidores leais do aparato. Esta movimentação levou muitos dirigentes “reformadores” —mais notavelmente o ministro do exterior de Gorbachev, Eduard Shevardnadze—ao campo de Yeltsin, e à especulação comum nos meios de comunicação ocidentais de que Gorbachev tinha desistido da Perestroika.

Ainda, diante de manifestações enormes dos ieltsinistas em Moscou já na primavera passada, e do temor de que os imperialistas talvez fossem menos generosos com a ajuda econômica, Gorbachev recuou, e outra vez tentou cerrar fileiras com as forças de Yeltsin. Recusou-se a levar a intervenção báltica à sua conclusão lógica e depor os governos de lá. Mais uma vez, começou a avançar as medidas de mercado. Pior ainda do ponto de vista da linha-dura, ele aceitou o acordo “nove mais um”, que transferiu mais poderes governamentais da URSS para suas quinze repúblicas constituintes. As tentativas de conciliação de Gorbachev só incentivaram Yeltsin, que respondeu com uma série de decretos proibindo o Partido comunista dentro da polícia e das fábricas na República Russa. A linha-dura concluiu que o terreno internediário ocupado por Gorbachev estava desaparecendo rapidamente, e que eles não podiam mais depender dele para resistir a Yeltsin. Isto abriu o terreno para a formação do Comitê de Emergência e seu seqüestro do presidente soviético na manhã de 19 agosto.


A Classe Trabalhadora Tem um Lado
À luz do fracasso abjeto do golpe, a discussão das posições das frações rivais agora pode parecer um exercício acadêmico infrutífero. Mas, só tendo uma orientação correta a respeito dos acontecimentos passados, a classe trabalhadora pode se armar para as lutas futuras. A tentativa de golpe de agosto era um confronto em que a classe trabalhadora tinha um lado. Uma vitória dos líderes do golpe não teria salvado a URSS do impasse econômico a que estalinismo a levou, nem iria acabar com a ameaça de restauração capitalista. Poderia, no entanto, diminuir o poder dos restauracionistas, ao menos temporariamente, e daria um tempo precioso para a classe trabalhadora soviética. A derrota do golpe, por outro lado, levou inevitavelmente à contra-revolução, que está agora a todo vapor. Sem deixar de expor a falência política dos líderes do golpe, o dever dos revolucionários marxistas era tomar partido com eles contra Yeltsin e Gorbachev.


Não é surpreendente que a maioria da esquerda reformista e centrista se juntasse a Gorbachev e Yeltsin. Estes pseudo-marxistas são tão temerosos de ofender opinião liberal burguesa que sempre podemos esperar que eles tomem partido da “democracia”, mesmo quando as bandeiras democráticas são uma camuflagem para a a contra-revolução capitalista. Um pouco mais confusos são os argumentos de grupos centristas que reconhecem Yeltsin como o restauracionista que é, admitem que o seu triunfo seria uma grave derrota para a classe trabalhadora, mas não obstante se recusam a tomar partido no golpe. Os proponentes desta posição “nem a favor nem contra” incluem a Liga Espartaquista dos EUA e seus satélites estrangeiros na Liga Comunista Internacional, que durante anos se proclamaram como os defensores mais incondicionais da União Soviética.

Os advogados da neutralidade dizem que os líderes de golpe não eram menos comprometidos com a restauração capitalista que Gorbachev e Yeltsin. Alguns apontam trechos na declaração principal do Comitê de Emergência, em que seus líderes prometeram honrar os tratados existentes com o imperialismo e respeitar os direitos da iniciativa privada na URSS. Os trotskistas, no entanto, nunca basearam sua atitude política nos pronunciamentos oficiais dos estalinistas, mas sim na lógica interna dos acontecimentos. Qualquer um que reivindique que não havia nenhuma diferença essencial entre as frações opostas terá dificuldade em explicar, em primeiro lugar, por que os líderes do golpe decidiram entrar num jogo tão desesperado. Quando uma fração da burocracia detém o presidente, tenta suprimir os principais restauracionistas e envia tanques para as ruas; quando membros dirigentes desta fração executam pactos de suicídio com suas esposas e se enforcam quando fracassam, está abundantemente claro que há mais envolvido do que uma querela sobre táticas.


As razões para as ações dos líderes de golpe são óbvias. Representaram a fração estalinista que tinha mais a perder com um retorno ao capitalismo. Viam a agressividade de Yeltsin, o poder crescente dos nacionalistas pró-capitalistas e a prostração de Gorbachev diante destas forças como um perigo mortal para o aparelho centralizado sobre o qual seus privilégios e prestígio estavam baseados. Agiram, mesmo se irresolutamente e no último momento, para deter a maré.


Não pode haver nenhuma dúvida de que a linha-dura foi completamente desmoralizada: tinham perdido a fé num futuro socialista de qualquer espécie, abrigado muito das mesmas noções pró-capitalistas de seus adversários, e eram apenas fracos demais para rebaixarem-se ao chauvinismo grão-russo e mesmo ao anti-semitismo para proteger o seu monopólio político. Mas a posição trotskista de defesa incondicional da União Soviética sempre significou a defesa do sistema de propriedade coletivizada contra as ameaças restauracionistas, independentemente da consciência ou das intenções subjetivas dos burocratas. O status quo que a linha-dura tentou proteger, embora incompetentemente, incluía a propriedade estatal dos meios de produção—uma barreira objetiva ao retorno da escravidão assalariada capitalista. O colapso da autoridade central do estado abriu o caminho para a torrente da reação que agora se desenrola no território da antiga URSS. Para conter o avanço desta torrente, os revolucionários deve estar preparados para fazer alianças militares táticas com qualquer seção da burocracia que, por qualquer razão, fique na frente da maré.

Derrotar a Contra-Revolução!

De forma alguma está tudo perdido para a classe trabalhadora da União Soviética. Os governos pró-capitalistas que se alçaram ao poder são ainda extremamente frágeis, e ainda não consolidaram seus próprios aparelhos repressivos de estado. A maioria da economia permanece nas mãos do estado, e os ieltsinistas encaram a tarefa formidável de restaurar o capitalismo sem o apoio de uma classe capitalista nativa. A resistência dos trabalhadores aos ataques iminentes aos seus direitos e bem- estar, portanto, envolverá uma defesa de muitos elementos do status quo sócio-econômico. Os regimes burgueses embrionários que estão se formando agora na ex-URSS podem ser varridos muito mais facilmente do que estados capitalistas maduros.

Nada disto, no entanto, pode mudar o fato de que os trabalhadores agora serão forçados lutar em um terreno fundamentalmente alterado em sua desvantagem. Eles não se constituíram ainda como uma força política independente, e continuam extremamente desorientados. O aparelho estalinista—que tinha um interesse objetivo em manter a propriedade coletivizada—foi destruído. Mais resistência por parte dos estalinistas é improvável, já que eles fracassaram num teste político decisivo, e os quadros que tentaram resistir estão agora em aposentadoria forçada, presos ou mortos. Em resumo, o maior obstáculo organizado à consolidação de um estado burguês foi eficientemente retirado. Antes do golpe, a resistência massiva da classe trabalhadora à privatização teria rachado a burocracia estalinista e seus defensores armados. Agora, os trabalhadores lutando para inverter a onda restauracionista vão encarar “corpos de homens armados” dedicados aos objetivos dos capitalistas ocidentais e seus aliados internos. Este poder incipiente de estado deve ser desarmado e destruído pelos trabalhadores.

A transição de um Estado Operário Degenerado para um Estado Burguês consolidado não é algo que possa acontecer em um mês nem um ano. Em 1937 Trotsky predisse isso:

''Se uma contra-revolução burguesa prosperasse na URSS, o novo governo, durante um período prolongado, teria que basear-se sobre a economia nacionalizada. Mas, o que tal um tipo de conflito temporário entre a economia e o estado quer dizer? Significa uma revolução ou uma contra-revolução. A vitória de uma classe sobre outra significa que a economia será reconstruída no interesse da vencedora.”

— ''Nem Um Estado Operário nem um Estado Burguês?”

Era claro para ele, assim como para nós, que tal transformação só pode ocorrer como o resultado de um processo em que o estado operário é subvertido por graus. A tarefa da análise é localizar o ponto decisivo nesta transformação, ou seja, o ponto além do qual as tendências dominantes não podem ser invertidas sem a destruição do poder de estado. A aceleração em direção à restauração capitalista estava sendo construída na União Soviética há muitos anos. Todas as evidências disponíveis levam-nos a concluir que a derrota do golpe e a ascensão ao poder dos elementos comprometidos com a reconstrução da economia numa base capitalista constituiu um salto qualitativo decisivo.

A ação revolucionária não pode ser baseada em ficções agradáveis. A luta pelo o futuro socialista exige a capacidade de encarar realidade duramente e ''falar a verdade às massas, não importa o quanto amargo possa ser”. A vitória do ieltsinistas é uma derrota enorme para a classe trabalhadora. A tentativa de reimpor o capitalismo na União Soviética envolverá ataques aos interesses mais básicos de dezenas de milhões de trabalhadores. Ainda resistindo a estes ataques, os trabalhadores soviéticos poderão redescobrir suas próprias tradições heróicas. As idéias revolucionárias do bolchevismo, as únicas que correspondem à necessidade do progresso histórico para a humanidade, podem superar qualquer obstáculo. Mas estas idéias só se tornam um fator na história através da ação de um partido do tipo que dirigiu a revolução em 1917—um partido educado no irreconciliável espírito revolucionário de Lenin e Trotsky. A luta por tal partido, uma Quarta Internacional renascida, permanece a tarefa central de nosso tempo.


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segunda-feira, 6 de junho de 2011

Nossa Posição Sobre Cuba

DEFENDER CUBA ATÉ O ÚLTIMO MINUTO!

Publicado Originalmente em Agosto de 2007

A doença de Fidel Castro e as fugas de atletas cubanos que participavam do Pan-americano voltaram a colocar o Estado Operário Burocratizado cubano no centro das atenções. Sob os novos e velhos ataques dos Estados Unidos e da sua burguesia “gusana” refugiada, a esquerda revolucionária deve ter muito claro o seu papel.

Cuba ainda é um Estado Operário

As reformas econômicas do país, desde 1992, quando o fim catastrófico da URSS isolou Cuba, orientaram sua economia cada vez mais para o mercado mundial. Principalmente no turismo, várias empresas européias têm investido no país. Isso é uma ameaça cada vez maior ao setor planificado da economia, que é quem sustenta os grandes recursos em educação e saúde, únicos na América Latina. Como marxistas, não podemos cair no conto da carochinha de que existe socialismo em Cuba. O socialismo só é possível numa economia diretamente controlada pelos trabalhadores. Sendo que esse controle torna, por si mesmo, desnecessário existir trabalho assalariado ou mesmo dinheiro. Logicamente, isso só é possível em escala mundial e com base em alta tecnologia. Mas é inegável que o Estado Cubano não é um Estado burguês.

O partido comunista, a espinha dorsal do Estado, não tem nenhum empresário em suas fileiras. O Parlamento não é profissional, ou seja, os deputados têm que trabalhar para ganhar a vida. O exército é apoiado por organizações de massa, como os CDR (Comitês de Defesa da Revolução). Por tudo isso, o Estado Cubano pode ser caracterizado como um Estado Operário. Na verdade, um Estado Operário Deformado, porque os trabalhadores não o controlam diretamente, através de organizações de massas com democracia socialista. Para restabelecer seu controle sobre o país, o imperialismo precisa destruir este Estado, e substituí-lo por um Estado Burguês.

Por isso, a posição de correntes como a LIT (PSTU no Brasil) que, por causa dos avanços do capitalismo no país, já consideram-no completamente restaurado, acabam emblocando com o imperialismo. Por exemplo, quando os atletas cubanos fugiram, a matéria no site do PSTU dizia: “Lula entrega atletas para a ditadura cubana”. Em outras palavras, igualava o regime stalinista cubano com uma ditadura burguesa como a de Pinochet ou Médici. Esse desvio social-democrata (ou seja, tratar a democracia como “valor universal”, sem ver a sua base de classe) poderá levar a LIT a apoiar movimentos contra-revolucionários no país, como ela fez com o Solidariedade na Polônia dos anos 1980.


Fidel tem culpa no cartório


Por outro lado, os mesmos setores que consideram Cuba como socialista justificam todo o retorno das relações capitalistas com o isolamento que o país sofre. Na verdade, foi o próprio regime de Fidel que criou este isolamento. Mesmo com algumas ações internacionalistas, como o envio de tropas para a guerrilha em Angola, em 1975, a política de coexistência da burocracia com os EUA a levou a deixar muitos movimentos revolucionários completamente isolados. Um desses exemplos aconteceu com o próprio Che Guevara, que foi lutar na Bolívia em 1967 sem nenhum apoio logístico ou político do governo cubano. Isso também foi visto durante a revolução na Nicarágua, em que Fidel intercedeu com os EUA para “evitar que surgisse uma nova Cuba”, segundo as suas próprias palavras, ou seja, evitar que a queda da ditadura virasse uma revolução socialista. Agora, Fidel apóia o populista Chávez, em troca do petróleo venezuelano, sem defender uma alternativa de classe no país.

O motivo central disso é que a revolução cubana não foi realizada por um partido revolucionário e comunista, e sim por uma organização nacionalista de classe média, o Movimento 26 de Julho. Este movimento, diante do boicote e da ameaça dos Estados Unidos, precisou se alinhar com a URSS. Junto com o aumento gigantesco das lutas de massa e expropriações, principalmente na zonal rural, as bases capitalistas do Estado foram destruídas. Mas com um preço. Pelo fato de os trabalhadores não terem sido os sujeitos do processo desde o começo, todo o poder se concentrou na direção da guerrilha, impedindo a democracia operária. Por isso, Cuba nasceu como um Estado Operário Deformado. Sem outros Estados Operários na América Latina, e com o fim da URSS, Cuba corre o risco alto de ser recolonizada.

Uma política defensista e internacionalista em defesa da Revolução Cubana


A tática do imperialismo para acabar com o Estado Operário Burocratizado cubano tem dois lados. De um, eles pressionam a burocracia para aceitar cada vez mais a entrada econômica do capital e a privatização da economia, inclusive prometendo diminuir os embargos econômicos se isso for feito. Por outro, ele tenta desgastar o regime com o apelo hipócrita à “democracia” e à “liberdade”, fomentando e trabalhando para a consolidação de um movimento restauracionista em solo cubano. O imperialismo faz isso porque sabe que, por mais incompetente que a burocracia possa ser, ela é incapaz de restaurar sozinha o capitalismo na ilha. O imperialismo precisa destruir o aparato estatal (sobretudo os “corpos de homens armados”) a serviço da burocracia e criar o seu próprio.

Como trotskistas, defendemos as liberdades de organização política e sindical e de reunião da classe trabalhadora como um pressuposto básico da revolução política para arrancar o poder das mãos da burocracia castrista e colocá-la nas do proletariado. Ao mesmo tempo, precisamos deixar clara que nossa defesa é de uma democracia socialista e não da “democracia como valor universal” como fachada para a contra revolução burguesa. Devemos nos opor a qualquer tentativa restauracionista alinhada com o imperialismo de tomar o poder com esses slogans. Assim, ao invés de “eleições livres” e “sindicatos livres” (que foram as bandeiras sob as quais a burguesia iludiu a classe proletária na restauração do capitalismo no Leste Europeu), devemos dizer Sindicatos independentes do Estado para defender a economia coletivizada! Reestatização das empresas privatizadas sob controle dos Trabalhadores!

Acima de tudo, os trotskistas não devem seguir de maneira acrítica nenhum movimento de massas, supondo que exista um “fluxo natural” em direção à revolução política. Pelo contrário, deveriam atuar intensamente no movimento para lhe dar um conteúdo revolucionário, que combata a burocracia castrista (que atualmente é a maior ameaça para o Estado Operário) e evitar que ele tome o rumo da restauração burguesa. O essencial é cristalizar na classe trabalhadora uma consciência comunista, capaz de reconhecer os avanços da revolução e a importância de manter as suas conquistas sociais, ao mesmo tempo em que se combate o regime político traidor, anti-proletário e que abre cada vez mais espaço para a burguesia estrangeira.


Para isso existir, é necessário construir um Partido Revolucionário dos Trabalhadores cubanos. Este partido precisa ser baseado nos setores mais oprimidos do país, em particular as mulheres, negros e homossexuais. E precisa tirar as lições de todas as experiências de luta da América Latina, sem capitular a direções burguesas como Chávez, Lula e Morales, como Fidel Castro tem feito. Como revolucionários internacionalistas, nosso dever é lutar por uma alternativa de classe no nosso país, como forma de estimular um caminho defensista em Cuba. Devemos ter claro que a condição essencial para criar um partido trotskista em Cuba é a refundação da Quarta Internacional.
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Teses sobre o Solidariedade

As seguintes teses foram adotadas pela conferência de fusão entre a Tendência Bolchevique e a Tendência de Esquerda Trotskista (1986). Elas foram republicadaspelo Coletivo Lenin na recente edição do livreto O Defensismo Revolucionário e o Fim dos Estados do Leste. Elas são reivindicadas pelo Coletivo Lenin como uma forma de demarcação entre os revolucionários e os centristas na questão do defensismo revolucionário.

1. Antes de seu Congresso de setembro de 1981, o Solidariedade não podia ser caracterizado definitivamente; embora pela ausência de uma autêntica liderança marxista enraizada no proletariado, a identificação do ''socialismo'' com as políticas do regime estalinista desacreditado, cheio de privilégios e anti-socialista, e o crescimento concomitante do sentimento clerical-nacionalista, prepararam a base para sua consolidação subseqüente ao redor de um programa e uma direção comprometidos com a restauração capitalista.

2. A conduta da direção do Solidariedade na preparação do seu congresso de setembro de 1981 Congresso indicava seu caráter pró-capitalista.

a) O esboço de programa apresentado por Walesa & Cia. na edição do dia 17 de abril de 1981 do semanário do Solidariedade, com efeito, propôs substituir por relações de mercado o planejamento centralizado. Este programa era aparentemente contraditório porque a direção contra-revolucionária teve que levar em conta as aspirações de milhões de trabalhadores polacos e membros do Partido comunista, que queriam reformar ou esmagar o estalinismo e manter a economia planejada. Portanto, o programa foi decorado com um pouco de retórica socialista. Defendia o controle operário (contra os estalinistas), junto com economia de livre mercado, clericalismo e nacionalismo polaco.

b) O documento programático principal produzido pelo Congresso de setembro exigia o fim do monopólio do comércio exterior.

c) Lane Kirkland, cabeça da abertamente pró-capitalista AFL-CIO, e Irving Brown, um notório agente da CIA que operava na Europa Ocidental, foram convidados ao Congresso, enquanto os sindicatos estalinistas da Europa Oriental foram ignorados.

d) O Congresso adotou deliberadamente os lemas transitórios da contra-revolução imperialista na Europa Oriental: ''eleições livres” e ''sindicatos livres” (i.e., sindicatos anti-comunistas).

3. Junto com a influência predominante da hierarquia católica anti-comunista dentro do Solidariedade; com o crescimento decorrentes reacionário-nacionalistas, e mesmo abertamente anti-semitas; com os sentimentos pró-capitalistas expressos por elementos dirigentes (ex. o comentário de Walesa de que a eleição de Reagan em 1980 era um ''bom sinal'' para Polônia) e o extenso apoio às exigências dos pequenos capitalistas do Solidariedade rural ; o congresso de setembro de 1981 deve ser visto como uma confirmação da transformação política do Solidariedade numa organização abertamente a favor da restauração capitalista. A questão da defesa das formas de propriedade da classe trabalhadora, sobre as quais a economia polonesa se baseava, foi portanto diretamente posta. A atitude dos revolucionários diante do Solidariedade, assim, também mudou, ou seja, reconhecer que tinha se tornado necessário suprimir a direção restauracionista e seus seguidores contra-revolucionários.

4. Isto não significa sugerir que os trotskistas desejariam suprimir os dez milhões de trabalhadores filiados ao Solidariedade—dos quais grande parte não desejava voltar às condições capitalistas do “mercado livre”, da escravidão assalariada, desemprego etc. Uma organização trotskista na Polônia no outono de 1981 teria se oposto intransigentemente ao curso pró-capitalista de Walesa & Cia., enquanto continuasse a intervir em reuniões de massa do Solidariedade nos locais de trabalho, e em cada outra arena onde fosse possível receber uma audiência da classe trabalhadora para cristalizar uma oposição anti-estalinista pró-socialista à direção do Solidariedade.

5. É um axioma do marxismo que os movimentos sociais e políticos devem ser julgados por sua direção, programa, trajetória e composição de classe—não pelas ilusões da base. As mobilizações de massas contra o Xá do Irã em 1978-79 fornecem um caso exemplar. Apesar das esperanças e das intenções de muitos milhares de trabalhadores iranianos e esquerdistas que participaram (assim como as correntes pseudo-marxistas diversas que saudaram este suposto movimento ''objetivamente revolucionário''), o fato era que a direção estava firmemente nas mãos dos reacionários teocráticos ao redor do Aiatolá Khomeini. A contradição objetiva entre a base e o topo indica que uma tarefa chave dos marxistas era lutar para destruir as ilusões que as massas tinham no resultado final de um movimento com tal direção e programa, levando os trabalhadores à oposição aos mulás, assim como ao Xá. Assim como no Irã, os marxistas revolucionários não podem determinar a sua orientação em relação aos acontecimentos na Polônia simplesmente por hostilidade aos que no momento detém o poder—é também necessário avaliar o programa positivo e a direção dos dirigentes da oposição.

6. A intenção contra-revolucionária da liderança de Solidariedade inequivocamente foi revelada (para os que quiseram ver) pelos acontecimentos do período imediatamente anterior ao contra-golpe de Jaruzelski:

a) as tentativas de estender o Solidariedade ao exército e à polícia;

b) as discussões abertas sobre a necessidade derrubar o Estado na reunião da direção geral do Solidariedade em Radom, em 3 de dezembro; e

c) a reunião de 12 dezembro em Gdansk de líderes do Solidarnosc, que propôs ''fazer um plebiscito nacional por conta própria sobre um voto de confiança no General Jaruzelski, e para estabelecer um governo provisório não-comunista e organizar eleições livres (New York Times, 14 dezembro 1981).

7. O fato de que o Solidarnosc se consolidou ao redor de uma direção e um programa pró--capitalistas é um testemunho eloquente da bancarrota política completa dos parasitas anti-operários estalinistas que, em mais de três décadas administrando o ''socialismo'' na Polônia, só conseguiram levar um grande setor da classe trabalhadora para os braços da reação clerical-nacionalista. Embora os trotskistas tomassem uma atitude de apoio crítico à supressão militar de 3 dezembro da ameaça contra-revolucionária posta pelo Solidariedade, era necessário manter uma atitude irreconciliável em relação a Jaruzelski e ao resto da burocracia estalinista.

8. Tivesse a URSS intervido (como largamente foi imaginado) no outono de 1981, os trotskistas teriam apoiado criticamente, pela mesma razão que apoiaram criticamente as ações do Exército polonês em dezembro desse ano. Teríamos apoiado só as ações do exército soviético dirigidas contra a direção restauracionista do Solidariedade e sua base—e não contra toda a classe trabalhadora polaca.

9. Nosso apoio à supressão de Solidariedade pela burocracia se estende só aos golpes desferidos nas seções contra-revolucionárias do sindicato, particularmente os quadros pró-capitalistas da direção. Se tivessem havido reuniões de trabalhadores anti-restauracionistas, nós nos oporíamos à sua supressão no curso do golpe. Os bolcheviques não teriam nenhum interesse em apoiar medidas que tornassem mais difícil para a classe operária polonesa se reunir, discutir e se recompor politicamente. O peso do obscurantismo religioso, do nacionalismo venenoso e da ideologia pró-capitalista sobre um setor grande dos membros do Solidariedade só poderia ser destruído pela intervenção política de autênticos marxistas — e não por medidas policiais estalinistas. Para este fim, depois do contra-golpe, os trotskistas teriam procurado conservar o espaço político limitado ganho pelas greves de 1980-81.

10. Os burocratas privilegiados do Partido Operário Unido da Polônia estão interessados principalmente em conservar e estender os próprios interesses de casta à custa da classe trabalhadora. Em setembro de 1939, Trotsky propôs que a Quarta Internacional defendesse a União Soviética contra ataque nazista iminente sob o lema ''Pelo Socialismo! Pela Revolução Mundial! Contra Stalin!” Com o perigo imediato de contra-revolução posto pelo Solidariedade, era o dever dos trotskistas defender a propriedade socializada sobre a qual os Estados Operários Deformados estão baseados, enquanto deixassem claro “exatamente o que nós defendemos, exatamente como nós o defendemos, e contra quem nós o defendemos”. Apesar do fato que são obrigados, em última análise, a defender o organismo de que são parasitas contra correntes restauracionistas (que são geradas inevitavelmente pelo seu desgoverno burocrático), os burocratas estalinistas criam um perigo mortal para a preservação das formas de propriedade operárias na Polônia e em cada outro país que dominam. A defesa dos Estados Operários Deformados e Degenerados, assim, é inextricavelmente ligada à necessidade da revolução política proletária para esmagar a burocracia e o aparato policial pela ação revolucionária de massa.

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As Liberdades Democráticas e a Revolução Política

A moção seguinte foi adotada pela conferência de fusão entre a TB e a LTT.
Nós defendemos os direitos de reunião e de greve dos trabalhadores nos Estados Operários Deformados ou Degenerados, como uma pré-condição para a revolução política, por eles permitem que a vanguarda trotskista intervenha e mobilize os trabalhadores contra a burocracia, na direção da revolução política.

Apesar disso, a defesa das liberdades democráticas de greve e reunião está subordinada à defesa da propriedade coletivizada. Nós endossamos completamente a formulação de Trotsky:

''A questão da derrubada da burocracia soviética, para nós, é subordinada à questão da preservação da preservação da propriedade estatal dos meios de produção na URSS, e a questão da preservação da propriedade estatal dos meios de produção na URSS, para nós, é subordinada à questão da revolução proletária mundial".

—Em Defesa do Marxismo
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