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Somos uma organização marxista revolucionária. Procuramos intervir nas lutas de classes com um programa anticapitalista, com o objetivo de criar o Partido Revolucionário dos Trabalhadores, a seção brasileira de uma nova Internacional Revolucionária. Só com um partido revolucionário, composto em sua maioria por mulheres e negros, é possível lutar pelo governo direto dos trabalhadores, como forma de abrir caminho até o socialismo.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Irã: derrubar a ditadura fundamentalista! Não apoiar a Oposição pró-americana!

A fraude descarada nas eleições iranianas de junho passado levou ao surgimento de um amplo movimento de oposição a Mahmoud Ahmadinejad. Essa oposição já reivindica os seus próprios “mártires” da repressão do governo. Não por acaso, o imperialismo, principalmente o governo dos EUA, deu um discreto apoio a Mousavi. Mesmo se a situação está mais calma no momento, houve uma clara mudança na situação política daquele país.
A maioria das correntes de esquerda correram para saudar as mobilizações. Isso não é muita novidade. A desorientação provocada pelo retrocesso histórico que significou o fim da URSS é tão grande que estes setores capitulam a qualquer coisa que pareça “romper com a ordem”. Não é à toa que quem acha que está acontecendo um grande movimento revolucionário no Irã são os mesmos que usam argumentos de esquerda para defender Hugo Chávez e Evo Morales.
Por isso, precisamos analisar cuidadosamente o que aconteceu desde que Mousavi começou a encabeçar as manifestações. Os marxistas nunca avaliam um movimento pelo seu tamanho, muito menos pela questão da democracia formal (quem fraudou ou não), e sim pela sua base social, seu conteúdo e pela política de sua direção.
Em primeiro lugar, Mousavi não representa uma ruptura com a ditadura fundamentalista que controla o país desde 1979. A prova visual disso foram as milhares de bandeiras verdes (a cor da assim chamada “Revolução Islâmica” na frente das passeatas. Mousavi fez parte da elite no poder desde a década de 1980, a agora a sua verdadeira divergência com ela é pela direita – ele quer uma aproximação maior com os EUA.
A sua candidatura se apoiou em setores da classe média e da burguesia contrários ao “populismo” econômico de Ahmadinejad. Ou seja, é uma espécie de “PSDB” iraniano! Toda a movimentação oposicionista foi apoiada pelos grandes comerciantes, que chegaram a ameaçar um locaute (“greve” patronal) após a fraude.
A grande maioria dos manifestantes oposicionistas era formada por estudantes, assim como nos movimentos de 1999, que também questionaram o regime iraniano. Isso é mais um elemento para apontar para um conteúdo democrático-burguês desse campo, já que o movimento estudantil só pode ter um horizonte revolucionário se se subordinar ao movimento dos trabalhadores.
Por tudo isso, caracterizamos o movimento no Irã como dirigido pela burguesia alinhada aos EUA, querendo apenas aproximar mais o país ao imperialismo, e sem questionar o fundamentalismo e a ditadura. O seu objetivo é um regime como o a da Arábia Saudita (fundamentalista, mas pró-americano). Por isso, NÃO APOIAMOS AS MANIFESTAÇÕES DA OPOSIÇÃO IRANIANA. Inclusive, se a oposição tentar um golpe, com a ajuda dos EUA, nos defendemos militarmente Ahmadinejad contra o golpe, sem lhe dar nenhum apoio político.
A esquerda cúmplice do fundamentalismo
Por outro lado, não fazemos como as correntes que se dizem “antiimperialistas” e apóiam Ahmadinejad. Ele representa a ala direita de um regime fascista, que massacra as mulheres e chega ao cúmulo de negar o Holocausto dos judeus nas mãos dos nazistas. Grupos como a LBI chegam até mesmo a achar positiva a defesa do fim do Estado de Israel feita por Ahmadinejad – ou seja, o genocídio puro e simples.
Toda a capitulação ao regime iraniano tem a sua origem numa análise tendenciosa do movimento de 1978-1979, que derrubou o regime pró-americano do Xá Reza Pahlevi. As lutas de classes daquele momento, que levaram quase até o estágio da greve geral, sustentada pelos petroleiros, ferroviários, e pela revolução agrária no campo, não chegaram nunca a expressar a independência de classe.
Desde o começo, essas lutas dos operários e camponeses estiveram subordinadas politicamente ao fundamentalismo de Khomeini. Isso foi culpa principalmente do Partido Comunista Iraniano (Tudeh), e de sua política de Frente Popular com os mulás (sacerdotes muçulmanos). Assim, após a derrubada do Xá, foi possível aos mulás DESTRUIR fisicamente o Tudeh, assim como sua organização militar camponesa, os Fedayyin (Combatentes). O governo foi entregue nas mãos do Conselho dos Guardiães, formado por mulás. A revolução no campo foi interrompida a bala. O véu passou a se obrigatório, e as mulheres perderam quase todos os seus direitos civis. A estrutura legal do país passou a ser a Sharia, ou seja, a aplicação literal das leis do Alcorão, com todos os apedrejamentos e assassinatos que isso significa.
Enquanto isso, HKS e HKE (as seções do Secretariado Unificado da Quarta Internacional, vinculadas à LCR francesa e ao SWP norte-americano, respectivamente) chegaram até mesmo a CONCORRER nas eleições para o Conselho de Guardiães. Ambos consideravam o uso do véu como uma expressão revolucionária sob forma religiosa. Nahuel Moreno e a LIT consideravam o regime do país como “antiimperialista” - e até hoje consideram que o Irã mantém uma “independência relativa” em relação ao imperialismo. A TMI (Esquerda Marxista do PT), que atualmente apóia a oposição iraniana, apoiou Khomeini com o mesmo descaramento na época. Ou seja, esses setores nunca lutaram por uma alternativa de classe, para que os trabalhadores rompessem a frente com a burguesia fundamentalista.
Lutar por uma Assembléia Constituinte Livre e Soberana!
Criar o Partido Revolucionário dos Trabalhadores Iranianos!
A grande tarefa dos trabalhadores e camponeses iranianos é justamente DERRUBAR o regime fundamentalista. Isso só será possível usando os métodos do programa de transição, ou seja, a ocupação de terras pelos camponeses, a formação de autodefesas armadas contra o Exército e a polícia etc. Para agrupar os setores de classe média e mostrar que combate pelo fim do regime totalitário, um partido revolucionário no Irã deveria levantar a bandeira de uma ASSEMBLÉIA CONSTITUINTE, com direito de voto para todos os maiores de 16 anos, e sem nenhuma restrição para formar partidos políticos, para acertar as contas da ditadura e criar um regime secular.
Se durante a luta pela queda do regime, as massas ultrapassassem as suas ilusões democráticas e criassem seus próprios órgãos de poder, seria possível passar diretamente para a luta por um GOVERNO DIRETO DOS OPERÁRIOS E CAMPONESES, sem nenhum intervalo constitucional.
Logicamente, nada disso será possível sem a construção de um Partido Revolucionário dos Trabalhadores iranianos, com maioria de mulheres, seção da Quarta Internacional refundada. É essa a nossa perspectiva – e tudo o que a esquerda tem se negado a fazer no Irã!

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