QUEM SOMOS NÓS

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Somos uma organização marxista revolucionária. Procuramos intervir nas lutas de classes com um programa anticapitalista, com o objetivo de criar o Partido Revolucionário dos Trabalhadores, a seção brasileira de uma nova Internacional Revolucionária. Só com um partido revolucionário, composto em sua maioria por mulheres e negros, é possível lutar pelo governo direto dos trabalhadores, como forma de abrir caminho até o socialismo.

sábado, 25 de julho de 2015

Cavalo grego (TR)

Cavalo grego
                                                                                         por Mário Medina


Os ânimos estão exaltados na Grécia, e não é para menos. Dez dias depois do referendo em que cerca de 60% dos votantes rejeitou ceder às negociações com a troika, o parlamento grego votou acordo com países da União Européia pela liberação de um pacote de 85 bilhões de empréstimo, a ser recebido ao longo de três anos, com a condição de que o governo grego enxugue gastos com previdência, aumente impostos e privatize estatais que andam no vermelho.

O caminho da capitulação
Após demonstrar vacilação nos primeiros momentos como governo, onde abriu diversas concessões aos credores, o primeiro-ministro Alexis Tsipras recorreu a um referendo para que a população endossasse seu posicionamento de não abrir mais concessões nas negociações. Tsipras fez aberta propaganda pelo ``Não`` e deixou entender que se o ``Sim`` ganhasse renunciaria, pois se negaria  a gerenciar a austeridade proposta pelo imperialismo europeu.
Essa movimentação de Tsipras fez com que muitos encarassem a manobra com estranheza. Afinal, para que um referendo se o Syriza saiu vencedor das eleições? A população decidira nas urnas, na eleição para o parlamento, a linha política contrária às medidas de austeridade que vinham sendo implementadas por governos anteriores. Outros encararam o chamado ao referendo com bons olhos. Raciocinavam que Tsipras convocava a população para apoiar o governo diante da ofensiva da troyca.
Nós estamos entre os primeiros. Pensamos que o Syriza ganhou nas eleições e que não precisaria submeter a voto uma política de recusa aos achaques imperialistas. Seria o caso de convocar a população não às urnas, mas às ruas, para mostrar aos vizinhos europeus a disposição de enfrentamento do povo grego e deixar bem claro que o país não se curvaria perante a política hegemônica de austeridade.
Nesse caso, a esmagadora maioria do povo grego apoiaria seu governo, porque as pessoas sabem da desgraça social que abateu o país nesses anos de crise, e não estão dispostas a abrir mão de mais direitos e se verem ainda mais pobres.
Rejeitar o acordo com a troyca traria duros desafios à Grécia. Mas seria muito mais honroso para o Syriza, que se elegeu pelo voto popular com um discurso de esquerda. Não há dúvida que Tsipras e sua equipe traíram a confiança de seus eleitores.
Agora o Syriza votou rachado no parlamento e o governo se viu obrigado a contar com votos da oposição para aprovar o novo plano. O imperialismo europeu humilhou Tsipras. Este fica agora completamente desmoralizado diante de seu povo e completamente refém dos credores.
Aurora Dourada, o partido da extrema direita, pode ser o próximo fenômeno político daquele país, já que a frente popular grega caminha a passos largos para sua completa desgraça. Revoltados com a traição de Tsipras, manifestantes começaram a tomar as ruas em frente ao parlamento, criaram barricadas e incendiaram automóveis. A polícia reprimiu e houve confrontos de rua.

Crise social 

O governo decretou feriado bancário no fim de Junho e o máximo a ser sacado nos caixas eletrônicos são míseros 60 euros. Os aposentados são os mais desesperados e o povo está revoltado com muita razão. Resumo da ópera: Tsipras ridicularizou a esquerda e deu um empurrãozinho na direita.
É forçoso concluir que não podemos depositar esperanças em soluções reformistas de cunho eleitoral, mas combater pela revolução socialista. Mais uma vez a história dá razão ao marxismo.
Adoraríamos apoiar um legitimo governo progressista na Grécia. Defenderíamos tal governo dos ataques da burguesia e do imperialismo e propagandearíamos seus feitos. Nos resta denunciar o engodo que o governo Syriza se tornou e apontar o caminho da ruptura revolucionária com o atual sistema.
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Informes da guerra síria (Espaço Marxista)

Informes da guerra síria (julho de 2015)


Os informes abaixo foram traduzidos pelo blog Espaço Marxista a partir daqui. Ao final, algumas notas para melhor compreensão.

Desde junho o Estado Islâmico (1) tem efetuado uma série de contra-ataques em dupla frente, visando as forças curdas e as governamentais (Bashar al-Assad) no norte da Síria. Desta forma, o ISIS lançou uma ofensiva contra a cidade de Hasaka, manejando ataques suicidas e capturando do governo os bairros do sudoeste da cidade. Em 16 de julho, unidades do governo e as forças de apoio cortaram a rota de suprimentos do ISIS vinda de al-Shaddadi e al-Meilabiyeh, próximos de Hasaka. Isso foi pouco dias depois de outra rota de suprimentos a partir de Jisr Abyad no lado sudoeste da cidade ter sido bloqueada. Então, o exército [governamental] retomou o controle das principais estações de transmissão de eletricidade nos arredores ao sul de Hasaka.

Enquanto isso, de trinta a quarenta militantes do Estado Islâmico, disfarçados em uniformes do YPG curdo e de rebeldes do Exército Livre Sírio (ELS), [que é] apoiado pelos EUA, se infiltraram na cidade curda fronteiriça de Ayn al-Arab, detonando dois SVBIED (2) na fronteira com a Turquia e entrando em combate com forças do YPG.

Os ataques sincronizados no norte da Síria são parte de uma campanha global para criar condições de maior avanço pelo país. Os ataques em Ayn al-Arab e na cidade de Hasaka parecem feitos para desestabilizar as operações lideradas pelo YPG na província nortista de ar-Raqqa, de modo a desviar a pressão em terra contra o ISIS na cidade de mesmo nome. A escalada da ofensiva do ISIS contra a cidade de Hasaka também indica que a organização pretende capturar a cidade para compensar as recentes perdas para as forças curdas e rebeldes ao longo da fronteira sírio-turca. O ISIS também lançou um contra-ataque contra a aliança YPG-ELS em Ayn Issa ao norte da cidade de ar-Raqqa em 5 de julho, que contou com a denotação de pelo menos dois carros-bomba; os combates continuam.

No final de junho, o governo de Assad incrementou reforços, incluindo as unidades das Forças Especiais "Tigres", na parte ocidental de Palmira, levando a combates no oeste da cidade próximo aos campos de gás de Sha'er e Jazal. A ofensiva do governo objetiva recapturar a cidade das mãos do ISIS, contudo isso ainda não ocorreu.

O Hezbollah libanês e as Forças Armadas Sírias anunciaram em 2 de julho uma ofensiva para tomar dos rebeldes a cidade de Zabadani, no noroeste de Damasco e próxima da fronteira libanesa. Zabadani ocupa posição estratégica junto a rotas de suprimento conectando Damasco às posições do Hezbollah em Beirute e no Vale do Beqaa. Combates continuam a ocorrer na medida em que os esforços do Hezbollah e das forças do governo de ingressar na cidade pelo oeste colidem com a resistência de JN (3), Ahrar al-Sham e outras facções terroristas.

Os ataques do ISIS em Ayn al-Arab, Hasaka e Ayn Issa demonstram que perdas pontuais no norte da Síria não impactaram a capacidade militar da organização. Alternativamente, informes indicam que o ISIS aceitou um risco calculado no norte da cidade de ar-Raqqa, no intuito de manter recursos para novos esforços de alcançar a cidade de Hasaka, a Síria central e outras partes do país.

Bem ao mesmo tempo o centro de operações da Fatah Halab (4) anunciou o início de sua batalha para tomar o controle total das áreas mantidas pelo governo na cidade de Aleppo. As chamadas forças rebeldes e islâmicas "moderadas" objetivam irromper nas vizinhanças de Nova Aleppo e az-Zahraa no noroeste da cidade. Enquanto isso, a Frente al-Nusra e outras facções de rebeldes salafistas-jihadistas anunciaram a formação do centro de operações da Ansar al-Sharia (5) em 2 de julho, efetuando uma ofensiva paralela contra as posições das forças do governo no distrito de az-Zahraa.

No mesmo contexto, as exitosas defesas das cidades de Aleppo e Dera'a pelas forças governamentais arriscam sobrecarregar suas capacidades defensivas. O governo de Assad parece vulnerável a uma ofensiva do ISIS através do corredor central da Síria, na medida em que as Forças Armadas Sírias estão baseadas no norte e no sul do país.

Notas do Espaço Marxista:

(1) Tendo em vista que o grupo auto-intitulado Estado Islâmico -"ISIL", "ISIS", "Daesh"- tem práticas drasticamente antagônicas aos princípios humanitários e islâmicos mais elementares, inclusive em radical contradição com as regras de guerra estabelecidas por Muhammad nos albores do Islã, nós do blog Espaço Marxista, em respeito à comunidade muçulmana internacional, preferimos denominá-lo Estado Anti-islâmico ou Estado "Islâmico", aspas bem entendidas.

(2) "Suicide Vehicle Borne Improvised Explosive Device", isto é, carro-bomba para ataques suicidas.

(3) Jabhat al-Nusra, conhecida em português como Frente al-Nusra.

(4) Agrupamento de facções sírias "rebeldes". Não confundir com a Fatah palestina de Yasser Arafat.

(5) Assim como a Fatah Halab, um agrupamento de facções islâmicas anti-governo atuando em Aleppo.
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terça-feira, 14 de julho de 2015

Prossegue o diálogo entre as FARC-EP e o governo colombiano (Espaço Marxista)

Prossegue o diálogo entre as FARC-EP e o governo colombiano



Conforme já comentamos no blog (aqui), continua em curso a tentativa de paz negociada entre as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia- Exército do Povo e o governo colombiano, para por termo ao conflito que já dura meio século. Endossamos o diálogo, mas desde sempre frisamos que, em nosso entender, as FARC estarão cometendo um erro crasso caso se desarmem unilateralmente. A Colômbia é de longe o país sul-americano melhor alinhado com os interesses imperiais, portanto qualquer compromisso deve ser cauteloso. O desarmamento das FARC nos anos 80 e início dos 90, quando tentou se integrar à "democracia", resultou na eliminação física de milhares de militantes pelas mãos deste mesmo Estado que, hoje, "dá a mão". Para que a história não se repita, as FARC não podem tolerar compromissos rebaixados e, acima de tudo, precisam da solidariedade das forças progressistas do mundo.

A matéria abaixo foi extraída da Prensa Latina.

Celebran en Colombia acuerdo Gobierno FARC-EP para reducir conflicto 

Bogotá, 12 jul (PL) La abogada colombiana Piedad Córdoba celebró hoy el acuerdo logrado entre el Gobierno y las insurgentes FARC-EP para agilizar los mecanismos que permitan reducir la intensidad del conflicto interno, el cual dura más de medio siglo.

Ese pacto de desescalamiento (disminución de la magnitud de la guerra) salvará vidas, evitará sufrimiento, es una buena noticia para el país, escribió la defensora de derechos humanos en su cuenta de Twitter.

Los equipos del Ejecutivo y de las Fuerzas Armadas Revolucionarias de Colombia-Ejército del Pueblo (FARC-EP) decidieron acordar sin demoras los términos del cese el fuego bilateral y definitivo, incluidos los instrumentos de monitoreo y verificación.

Adicionalmente coincidieron en la necesidad de avanzar en la discusión de los puntos restantes de la agenda de conversaciones, que tienen como sede a Cuba desde 2012, con el objetivo de lograr progresos en las pláticas hasta la firma de la paz.

Las dos delegaciones deberán debatir ahora igualmente otros asuntos controversiales como el tema de justicia transicional, el cual prevé definir penas para responsables de la confrontación bélica, y la dejación de armas.

La paz avanza contra viento, marea y tempestades, soy muy optimista, nunca he perdido la fe, añadió la líder de los movimientos Marcha Patriótica y Poder Ciudadano.

Gran noticia: Gobierno y FARC-EP pactan buscar términos para desescalar el conflicto, expresó el congresista Iván Cepeda en uno de sus más recientes Tweets.

El presidente colombiano, Juan Manuel Santos, consideró que los anuncios realizados por los negociadores en La Habana son un paso importante para avanzar en los acuerdos del proceso a favor de la distensión.

Según el abogado Humberto de la Calle el plan acordado persigue obtener cuanto antes resultados en la mesa de concertación.

En tanto el grupo guerrillero, el principal involucrado en la guerra, calificó los recientes pronunciamientos como parte de un esperanzador relanzamiento de los diálogos pacificadores.

Las FARC-EP dieron a conocer la semana previa que desde el 20 de julio pondrán en vigor una tregua combativa, la sexta disposición de ese tipo que decretan, en esta oportunidad por espacio de un mes.

De acuerdo con el comunicado conjunto de las partes beligerantes, a partir de ese momento el Ejecutivo dispondrá medidas para bajar la intensidad de las acciones militares del Ejército.

El conflicto se recrudeció desde mediados de mayo tras la reanudación de los bombardeos castrenses contra la insurgencia, como resultado de los cuales las FARC-EP decidieron abandonar el cese el fuego instaurado con anterioridad al considerarlo entonces insostenible.
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domingo, 12 de julho de 2015

Intervenção de Levi (LC) no debate sobre a crise do imperialismo

INTERVENÇÃO DE LEVI NO “A CRISE DO IMPERIALISMO,..."
"O principal inimigo da classe trabalhadora
é o imperialismo americano,
que domina o capital financeiro mundial"



No dia 05 de julho de 2015 foi realizado um representativo debate político internacional em São Paulo.

Estiveram presentes 3 agrupamentos internacionais (CLQI, RCIT, LCC) e 7 organizações políticas. Pela Frente Comunista dos Trabalhadores estiverem a Liga Comunista e a Tendencia Revolucionaria (Brasil), um representante da Tendência Militante Bolchevique (Argentina), a Corrente Comunista Revolucionaria (Brasil), um membro da Revolutionary Communist International Tendency (Áustria), a Liga Comunista de los Trabajadores (Argentina) e uma representante do Comité de Ligação dos Comunistas (Brasil).

No debate, os camaradas Levi (LC/FCT/CLQI), operário da construção civil de São Paulo, e Leon (TMB/CLQI), trabalhador do serviço público de Buenos Aires, expuseram as posições do CLQI tanto em nível internacional quanto nacional, baseadas na tática da Frente Única Antiimperialista e na estratégia da Revolução Permanente, enquanto em graus distintos os representantes do RCIT e LCC tentavam minimizar a influência frenética da intervenção dos EUA sobre a luta de classes mundial e até apoiam dissimuladamente sua política golpista contra países oprimidos, como a Síria, supostamente em nome do combate aos ditadores e aos "imperialismos" russo e chinês.

Abaixo, degravação da intervenção do camarada Levi na atividade:
"Existe uma onda reacionária mundial promovida pelo imperialismo para derrubar governos que na atual conjuntura estão mais alinhados com China e Rússia do que com as grandes potências do Ocidente.
Golpes promovidos pelo imperialismo após a crise econômica 2008:

2009 – Honduras
2010 – Equador
2011 – Líbia
2012 – Paraguai
2013 – Egito
2014 – Ucrânia

Com o golpe da Ucrânia, pela primeira vez depois da segunda guerra mundial foram hasteadas as bandeiras nazistas. Um golpe apoiado pelo imperialismo que não tem o menor escrúpulo de apoiar o nazismo e a extrema direita contato que seus interesses políticos e econômicos sejam satisfeitos.

O INIMIGO PRINCIPAL
Se olharmos para a política externa americana do século passado, veremos invasões, bombardeios, governos democraticamente eleitos derrubados por golpes de Estado, invasões e ocupações militares, esmagamento da luta pela mudança social, assassinatos de líderes políticos, eleições fraudadas, manipulação de sindicatos, fabricação de notícias, esquadrões da morte, torturas, guerras biológicas, ataques com uranio empobrecido, bombas nucelares, tráfico de drogas, mercenários...

Por isso, hoje o principal inimigo da classe trabalhadora é o imperialismo americano, que domina o capital financeiro mundial. É o agressor belicista que está por trás de todas as guerras desde a II Guerra Mundial.
No curso da atual escalada golpista o Brasil pode ser a bola da vez.

Desde a jornadas de junho de 2013, quando a mídia brasileira resolveu apoiá-las, ficou claro que esse movimento sem direção foi infiltrado por elementos fascistas, contrários aos trabalhadores, o que vimos foi a queima de bandeiras dos partidos de esquerda, agressões anticomunistas e perseguição a quem era de esquerda, culminando com a grande manifestação da direita do início do ano.
Não adianta a Dilma obedecer as pressões da direita e do imperialismo, fazer “ajuste fiscal” para sobrar mais dinheiro para o capital contra a população trabalhadora e a juventude, contra as verbas da educação, atacando os direitos dos trabalhadores conquistados com muitas luta.

Se na Geopolitica internacional o governo do Brasil continuar aliado aos BRICS a escalada golpista vai continuar.
Estamos vivendo uma nova guerra fria entre o Ocidente e o Oriente, e não é a política econômica nacional mas a economia política mundial quem predomina na disputa do destino das nações.
Nós da Frente Comunista dos Trabalhadores fazemos uma análise mais ampla e profunda para entender a conjuntura no Brasil, baseada na geopolítica e na economia internacional.
A CRISE CAPITALISTA
A crise capitalista de 2008 que teve como epicentro os EUA e Europa abriu uma nova situação mundial.

A recessão das metrópoles abriu espaço para a projeção comercial da China e Rússia. Duas economias capitalistas cujas tarefas nacionais burguesas foram resolvidas com revoluções sociais e ditaduras proletárias.

Dispondo de grandes recursos energéticos e humanos as burguesias destes dois países avançaram sobre o recuo econômico dos EUA e UE, atingidos pela recessão aspiram converter-se em potencias imperialistas.

Mas não basta ao Brasil se associar aos BRICS, a China e a Rússia, para reverter a tendência histórica da taxa de lucro do capital instalado no Brasil. A crise na economia nacional se expressa pela necessidade do capital demitir milhões de trabalhadores hoje, reduzir a produção e aumentar a produtividade de cada um que segue empregado. A direita se aproveita da crise econômica para fustigar um descontentamento social que justifique seu plano golpista.

A FCT luta por uma frente única anti-imperialista unindo os BRICS, os bolivarianos, Estados operários remanescentes, o nacionalismo islâmico, o Irã, africanos e terceiro mundistas sempre que estiverem sob o ataque ou em contradição com o imperialismo.

Lutamos pela Greve Geral contra a terceirização e a direita golpista tendo como estratatégia a construção de uma oposição operária e comunista ao governo Dilma e de um partido para lutar pela Revolução e o Socialismo!"

Notas relacionadas:
Convite para a 2a. edição do debate "A CRISE DO IMPERIALISMO, AS NOVAS POTENCIAS, E A LUTA PELA REVOLUÇÃO PERMANENTE NO SÉCULO XXI”, organizado pelo CLQI e RCIT no ECLA, São Paulo, 05/07/2015 


Vídeo da intervenção de Gerry Downing, dirigente doSocialist Fight britânico na 1a edição do debate "A CRISE DO IMPERIALISMO, AS NOVAS POTENCIAS, E A LUTA PELA REVOLUÇÃO PERMANENTE NO SÉCULO XXI”, organizado pelo CLQI, no ECLA, São Paulo, 23/08/2014 

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quinta-feira, 9 de julho de 2015

Abaixo com a bandeira confederada escravagista! (Espaço Marxista)

Abaixo com a bandeira confederada escravagista!


O texto a seguir foi extraído de uma fala de Jack Barnes, do SWP estadunidense, em 2001. Foi traduzido por nós a partir daqui, em razão da atualidade do tema: o racismo na sociedade norte-americana, tomada por muitas polianas como exemplo de país democrático -quando até meados dos anos 1960 vigorava uma brutal separação racial-, e o culto à bandeira confederada, em evidência principalmente depois do recente massacre impetrado pelo fascista reacionário Dylann Roof na igreja de Charleston, utilizada pela comunidade negra (aqui).

A bandeira confederada: símbolo de luta para os inimigos mortais dos trabalhadores

Na década seguinte à derrota da escravocracia em 1865, a burguesia ascendente do Norte industrial -agora criando laços com os poderosos interesses fundiários, comerciais e a emergente indústria de manufaturados ao longo do Sul- decidiu de uma vez por todas que não tinha intenção de realizar as aspirações, dos escravos libertos, da reforma agrária radical consolidada na demanda popular por "quarenta acres e uma mula". Caso realizasse, antes de tudo teria privado tais exploradores de uma massa barata de trabalhadores desempregados. Mais que isso, a burguesia acertadamente temia que uma aliança entre agricultores livres, negros e brancos, conjuntamente com a crescente classe trabalhadora fabril nas cidades, poderia se tornar uma forte ameaça à exploração na cidade e no campo, tanto no Norte quanto no Sul.

Em 1877 os governantes norte-americanos retiraram as tropas federais dos Estados da velha Confederação. Essas tropas eram a última barreira entre os trabalhadores negros libertos, de um lado, e gangues reacionárias bem armadas, de outro. Nas últimas décadas do século XIX e ao longo do XX, sucessivas gerações de organizações como a "Knights of the White Camelia" [Cavaleiros da Camélia Branca], a "White League" [Liga Branca], a "Klu Klux Klan", a "White Citizen's Councils" [Conselhos dos Homens Brancos], e muitas outras -com ou sem nome conhecido- levaram adiante um incansável reinado de terror contra a população negra do sul.

As lutas pela liberdade negra nos condados rurais e cidades do Sul, estendendo-se para o Norte, ajudaram a transformar as possibilidades para os operários e camponeses através do país, e em outras partes do mundo sob ataque de Washington. As conquistas desse movimento de massas proletário estabeleceu as bases, dentre outras coisas, para as lutas e demandas dos trabalhadores do campo dos EUA de hoje, como parte de uma aliança operária-camponesa na resistência contra a classe capitalista e sua busca pelo lucro. Esse movimento atraiu, politizou e deu coragem a várias gerações da juventude que colocaram energia na luta contra a Guerra do Vietnã, contra a discriminação no serviço público e nas forças armadas, pela defesa e extensão das liberdades e direitos civis, pela emancipação das mulheres e por um ampla radicalização da agenda política.

Os resultados da história continuam vivos para nós, contradições insolúveis que nunca desapareceram concretamente na medida em que as questões classistas colocadas pelos gigantescos conflitos sociais e políticos continuam em aberto, e ainda se tornarão uma arma nas mãos dos militantes de hoje. As consequências plenas da derrota da Reconstrução Radical serão removidas apenas com a vitória da revolução proletária neste país.

É por isso que as lutas contra a exibição da bandeira confederada em prédios públicos, ou contra monumentos e feriados em homenagem a líderes políticos ou militares da rebelião escravocrata, continuam a ter importância na luta de classes por tantas décadas- de fato, já passado quase um século e meio- depois da sangrenta guerra civil.

Essas lutas hoje, na Carolina do Sul [NOTA: onde se deu o citado massacre de Charleston, citado na introdução deste texto], Mississipi e outros lugares, não querem dizer que negros e apoiadores dos direitos civis estejam sendo malvados com alguém do Sul cujo bisavô foi um soldado confederado que "lutou bravamente" e foi um "bom homem". Vamos dizer que sim. Muitos soldados confederados lutaram bravamente e foram bons homens; em sua maioria eram filhos de trabalhadores e agricultores, como a maioria dos soldados de qualquer exército moderno, especialmente os de infantaria. O que isso tem a ver com o significado político criminoso, tanto naquela época quanto agora, da bandeira de guerra do exército confederado, um exército derrotado e esmagado de uma vez por todas há 136 anos? 

Quando exibida hoje, essa bandeira é um emblema, e um encorajamento, para as forças reacionárias que estão determinadas a preservar tanto quanto puderem das consequências de uma contrarrevolução que marcou a trajetória da luta de classes dos EUA no século XX. É um ponto de encontro para as forças que estão atuando nesse sentido. É um símbolo da luta dos inimigos mortais dos trabalhadores para tomar de volta as conquistas dos movimentos de direitos civis e dividir e enfraquecer a classe trabalhadora neste país. É a bandeira dos covardes das rodovias, atacando a dignidade dos negros dia após dia com adesivos e medalhas em suas janelas, para-choques e espelhos retrovisores. É a bandeira sob a qual, poucos anos atrás, eram perpetrados ataques brutais e sangrentos contra os negros. E, sobretudo, ela continua sendo uma bandeira sob a qual tais ataques -contra afro-americanos, imigrantes, judeus, clínicas de aborto, gays e outros alvos da reação- continuam e continuarão a ser perpetrados até que as raízes capitalistas daquele pedaço de pano sulista [original: "Dixie rag", "Dixie" sendo um apelido para os Estados Sulinos] sejam arrancadas do chão pelos trabalhadores deste país e substituídas pela ditadura do proletariado.
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sábado, 4 de julho de 2015

Referendo grego: votar NÃO!

REFERENDO GREGO
Abaixo a UE, a Troika e o FMI, por uma saída proletária e revolucionária para a crise capitalista, pelos Estados Unidos Socialistas da Europa! Vote NÃO!

Comitê de Ligação pela IV Internacional - 04/07/2015

Alex Tsipras, Primeiro Ministro Grego,do partido SYRIZA
O Comitê de Ligação pela IV Internacional apela aos trabalhadores gregos, pequenos agricultores e seus aliados de classe média a votar NÃO (OXI, em grego) no referendo no domingo 5 de julho. Nós pensamos que a realização de um referendo foi um erro tático, mas que se insere no conjunto da estratégia política do Syriza errada de tentar negociar para salvar o capitalismo grego, em oposição à derrubada revolucionária do capitalismo na Grécia, na Europa como um todo e no mundo.

No entanto, a realidade não é apenas o que o partido revolucionário ou mesmo a vanguarda mais avançada da classe entende, mas o que a classe como um todo, ou pelo menos a sua maioria, compreende para lutar conscientemente pelas reivindicações transitórias.

Estamos com Karl Marx: 
"A emancipação das classes trabalhadoras devem ser conquista pelos próprios trabalhadores. A luta pela emancipação da classe trabalhadora não significa uma luta por privilégios e monopólios de classe, mas por direitos e deveres iguais e pela abolição de toda a dominação de classe "(Associação Internacional dos Trabalhadores 1864, Regulamento Geral). A classe trabalhadora "não pode emancipar-se sem se emancipar de todas as demais esferas da sociedade e, simultaneamente, de emancipar todas elas " (Marx, Contribuição à Crítica da Filosofia do Direito de 1843 de Hegel).
É a tarefa central do partido revolucionário preparar as massas, através de sua vanguarda consciente mais classista, para a tomada do poder. Todas as outras tarefas do partido estão subordinadas a isso. Para isso, devemos levar um programa político através de reivindicações transitórias a serem impostas às direções tradicionais da classe para expor suas vacilações, sua falsa fraseologia de esquerda e sua defesa essencial das relações de propriedade capitalista diante das massas. O objetivo deste programa é impulsionar a ação das massas testando suas direções na prática da luta de classes. Foi esse método da Frente Única que guiou o partido bolchevique desde pelo menos 1905, foi esse método que orientou Trotsky na elaboração do Programa de Ação para a França (1936) e no Programa de Transição (1938). Esta é a metodologia do comunismo.

OS QUE SE OPÕEM A QUALQUER DAS ALTERNATIVAS DO REFERENDO:
O KKE GREGO E O WSWS/SEP DOS EUA

Vamos, primeiramente examinar um certo número de partidos que se dizem revolucionários e grupos políticos à luz destes critérios e, em seguida, apresentar o nosso próprio programa para o tema. Deduzindo a partir disto que a vanguarda revolucionária deve ser inequivocamente defensora de um NÃO no referendo. Em equidade, a grande maioria dos grupos de esquerda passam por este teste elementar com apenas duas exceções importantes para o nosso conhecimento; o Partido Comunista, o KKE e o WSWS/SEP (Partido da Igualdade Social) dos EUA.

Os stalinistas sectários ultra-esquerdistas do KKE grego são espelhados pelos "trotskistas" sectários ultra-esquerdistas do SEP. O KKE usar a tática de orientar a inscrição de frases de protesto na cédula de votação para justificar seu sectarismo com os mesmos argumentos que o SEP; um VOTO NULO não vai resolver a crise – mas ele poderá precipitar uma igualmente grande crise com a vitória de um voto SIM – nenhuma das opções acima; vamos para a revolução! A tática da anulação da cédula serve para diluir a traição de classe e pode resultar na perda do referendo se um número suficiente de seus seguidores seguir este conselho. A diferença é que a ANULAÇÃO DO VOTO pode ser mais eficiente para mobilizar as massas ao passo que um voto SIM servirá para mobilizar os capitalistas e as classes médias. Este é o critério decisivo para qualquer revolucionário minimamente sério. O fato de que o fascista Aurora Dourada ser um dos partidos que mais fortemente defende o referendo e o “NÃO” não nos deve constranger, eles querem um voto para os propósitos da contrarevolução e pensam que podem derrotar a classe trabalhadora organizada na próxima batalha; eles querem traçar linhas de batalha claras agora, assim como nós. Queremos um voto NÃO para derrotá-los e ao Estado capitalista do qual eles são a derradeira linha de defesa.

É assim que o KKE defende sua posição eurofóbica e de fato xenófoba e reacionária:
"Nessas condições, o KKE apela às pessoas para que utilizem o referendo como uma oportunidade para fortalecer a oposição para a UE, para fortalecer a luta pela única maneira realista a partir de barbárie capitalista de hoje. O conteúdo desta saída é: RUPTURA-DESATIVAÇÃO DA UE, anulação unilateral da dívida, socialização dos monopólios, poder para o povo trabalhador.
As pessoas, por meio de sua atividade e sua escolha no referendo, deve responder ao engano da falsa questão colocada pelo governo e rejeitar a proposta do FMI-BCE-UE e também a proposta do governo SYRIZA-ANEL. Ambos contêm medidas anti-povo bárbaro, que serão adicionados às leis memorandos e aplicativos dos governos ND-PASOK anteriores. Ambos servem os interesses do capital e dos lucros capitalistas.
O KKE sublinha que as pessoas não têm de escolher entre Cila e Caríbdis, mas deve expressar, com todos os meios disponíveis e em todos os sentidos, a sua oposição à UE e os seus memorandos permanentes no referendo. Eles devem "neutralizar" esse dilema, lançando a proposta do KKE como seu voto na urna.NÃO À PROPOSTA DA UE-FMI-BCENÃO À PROPOSTA DO GOVERNODESACTIVAÇÃO DA UE, pelo poder popular" [1] 
Resultado imagem para KKE imagens Partido Comunista Grego
Nenhum internacionalismo, nenhuma chamado à revolução socialista, apenas um apelo ao vago "poder popular", o slogan tradicional da ideologia stalinista.

Toda vez que a luta de classes atingiu proporções revolucionária na Grécia o KKE traiu os trabalhadores. Em 1944, eles se desarmaram para os ingleses realizarem um massacre em Atenas. Na Guerra Civil eles chacinaram os trotskistas e seus próprios camaradas que queriam a revolução para manter o pacto de Stalin com Roosevelt e Churchill. A frente popular entrou nos governos das forças da direita burguesa para salvar o capitalismo. Em 2010-2012 eles destruíram as mobilizações protegendo o parlamento em aliança com a polícia em 21 de outubro de 2011, para dividir o movimento e desmoralizá-lo. Mas eles possuem militantes, não podem ser ignorados ou simplesmente denunciados. A exigência de que o Syriza expulse o ANEL e forme um governo de trabalhadores com o KKE pode provocar uma crise em seus apoiadores mesmo os que não concordam com essa política. E se o ministro da defesa do ANEL começa a atirar nos trabalhadores então este chamado pode ter um impacto real.

O SEP, ao rejeitar um voto NÃO, proclama que: 
"A única forma de avançar para a classe trabalhadora é definir a sua política independentemente de todas as facções da classe capitalista, cuja ordem social fracassou totalmente. A tarefa crítica é preparar para mobilizar a classe trabalhadora na Grécia e em toda a Europa na luta revolucionária contra as intrigas reaccionárias da Syriza e da UE." 
Em outras palavras, eles não têm nenhum programa de ação que seja, para além do maximalismo do tipo usado pelo SDP alemão antes da Primeira Guerra Mundial, mas com um pouco menos do reformismo para agora e um pouco mais da revolução para mais tarde, mas sem qualquer relação entre as duas etapas. Esta abordagem completamente sectária foi habilmente expostos por Frank Brenner no site “Revolução Permanente”: 
"O Syriza foi eleito em um programa anti-austeridade pelos votos de milhões de trabalhadores e das pessoas de classe média. Nos últimos seis meses, ele tentou desesperadamente encontrar um meio-termo entre os vampiros financeiras em Frankfurt e as aspirações de sua base eleitoral. Mas ao contrário de seus antecessores, Syriza não pode ignorar totalmente essas aspirações. É por isso que, no final, teve que dizer não a um acordo e convocar um referendo. Para um revolucionário, isso importa enormemente porque abre possibilidades para o crescimento da consciência revolucionária. Os trabalhadores estão aprendendo através de suas próprias experiências que o capitalismo e a democracia são mutuamente excludentes, e que só um fim ao sistema trará um fim à austeridade. Pela primeira vez em gerações, o socialismo pode vir a ser visto como um projeto prático pelas massas. O caminho para a revolução na Grécia encontra-se através da base eleitoral do Syriza. Um partido revolucionário que pode explorar as fissuras entre base e que a direção do Syriza pode ganhar o apoio das massas para o socialismo.Mas nada disso importa para sectários. A reação WSWS ao referendo é que era ‘uma fraude reacionária, concebida para dar uma aparência de legitimidade democrática para a pilhagem dos trabalhadores gregos e as pessoas da classe média pelos bancos." [2] [3] 
Agora (29 de julho) mudaram a linha e pediu um voto nulo sem explicar a justificação de sua posição anterior. Como Frank Brenner observa um pastor não tem que explica o seu grau de 180 voltas aos seus membros ou a qualquer outra pessoa! Eles fizeram o seguinte anúncio:
"O World Socialist Web Site exorta os trabalhadores na Grécia a votar 'NÃO' para aceitação das exigências da UE por ainda mais austeridade." (Veja crise grega vem à cabeça " https://www.wsws.org/pt/artigos/2015/06/29/pers-J29.html). 

O 'SOCIALISMO' DO SYRIZA


Varufakis

A primeira coisa a dizer é que o Syriza é um partido capitalista, um defensor das relações de propriedade capitalista e faz grandes esforços para deixar isso claro. Embora parece estar defendendo o capitalismo grego contra o capitalismo europeu/alemão ele permanece popular porque as massas ainda não veem a necessidade de uma revolução na Grécia e ainda não concebem a possibilidade de que o capitalismo possa ser derrubado nacionalmente, em toda a Europa e no mundo. Se as massas embarcarem em um curso revolucionário o Syriza tentará salvar o capitalismo das massas, porque, raciocinam os dirigentes do Syriza, estariam salvando a classe operária de si mesma e da terrível perspectiva de um estado policial de extrema direita. Este conservadorismo em relação as massas é igualmente concebido pelos stalinistas de “terceiro período” do KKE. O Syriza surgiu a partir da ala EuroComunista do KKE.

A vanguarda avançada das massas deve aceitar a possibilidade de realizar uma revolução, mesmo na Grécia. Tal era a dialética das Teses de Abril de Lenin, com a qual ele estocou um Comitê Central de céticos do partido bolchevique, quando chegou na estação de trem Finlândia (na cidade russa de São Petersburgo) em 1917. Esta é a base da teoria da Revolução Permanente de Trotsky, as “Teses de Abril” para todas as nações hoje; a classe trabalhadora é a única classe progressiva e potencialmente revolucionária na sociedade, e não pode alcançar o socialismo em um só país, sem a perspectiva e a realização efetiva de espalhar a revolução à escala europeia e global. Essa é a perspectiva que é desesperadamente necessário agora na Grécia; Abaixo a UE, a Troika e o FMI, lutar pela Federação Socialista dos Bálcãs, por uma saída operária e revolucionária para a crise capitalista, pela federação socialista dos Bálcãs como parte dos Estados Unidos Socialistas da Europa!

Sabemos com certeza que Syriza nunca vai conseguir isso porque Yanis Varoufakis, o seu teórico-chefe, deixa isso claro. O prefácio de um artigo de Yanis Varoufakis no The Guardian em 18 de fevereiro de 2015 diz: 
"Antes de entrar na política, Yanis Varoufakis, o ministro das Finanças grego iconoclasta no centro da mais recente impasse da zona do euro, escreveu esta conta escaldante do capitalismo europeu e como a esquerda pode aprender com os erros de Marx". [4] 
E o que é que temos de aprender com os "erros" de Marx? 
"A Crise da Europa é muito menos propensa a dar à luz a uma melhor alternativa ao capitalismo do que desatar forças perigosamente regressivas que têm a capacidade de provocar um banho de sangue humanitário, extinguindo a esperança de todos os movimentos progressistas para as próximas gerações. Por este ponto de vista Eu fui acusado, por bem-intencionadas vozes radicais de ser ‘derrotista’ e de tentar salvar um indefensável sistema sócio-económico europeu. Essa crítica, confesso, dói. E dói porque contém mais de um núcleo de verdade". [5]
Não poderia ser mais claro. E ele continua a tranquilizar as classes capitalistas da Europa e do mundo, a partir de Wall Street para a City de Londres para a Bourse Paris e Frankfurt: 
"Confesso que preferiria muito mais estar promovendo uma agenda radical, a raison d'être da substituição do capitalismo europeu com um sistema diferente. No entanto, meu objetivo aqui é oferecer uma janela para meu ponto de vista de um capitalismo europeu repugnante cuja implosão, apesar de seus muitos males, deve ser evitada a todo custo. É uma confissão destinada a convencer os radicais que temos uma missão contraditória: Deter a queda livre do capitalismo europeu, a fim de comprar o tempo que precisamos para formular sua alternativa" [6]
A partir daí ele passa a reproduzir o clássico estripamento reformista de Marx e do conteúdo revolucionário do marxismo, aconselhando os capitalistas liberais 'progressistas' sobre como gerenciar melhor seus negócios e acaba com esta humilhação patética:  
"Forjar alianças com forças reacionárias, como eu acho que nós deveríamos fazer para estabilizar a Europa de hoje, nos faz correr o risco da cooptação, de perder nosso radicalismo através do deslumbramento de ter alcançado os corredores do poder. Confissões radicais, como a que eu tentei fazer aqui, são, talvez, o único antídoto programático contra esta derrapagem ideológica que ameaça transformar-nos em engrenagens da máquina. Se estamos a forjar alianças com nossos adversários políticos, devemos evitar tornar-se como os socialistas que não conseguiram mudar o mundo, mas conseguiram pelo menos melhorar as suas circunstâncias particulares. O truque é evitar o maximalismo revolucionário que, no final das contas só favorece aos neoliberais que assim poderão ignorar toda a oposição às suas políticas autofágicas e manterão as falhas que são inerentes do capitalismo ao tentar salvá-lo, para fins estratégicos, a partir de si mesmo." [7] 
Estudiosos do marxismo não terá nenhuma dificuldade em identificar a teoria clássica de dois estágios da revolução e do socialismo em um só país do stalinismo nestas palavras. É a mesma teoria política que orienta o stalinista do KKE, mesmo que a orientação tática do Syriza seja diferente porque eles não têm o vínculo direto com uma classe operária radicalizada como o KKE têm no PAME, a federação sindical que eles controlam.

AQUELES QUE VOTAM NÃO:
OS OPORTUNISTAS, OS CENTRISTAS E OS REVOLUCIONÁRIO.

Examinemos agora a política daqueles que chamam corretamente a votar no NÃO. Há três agrupamentos; o Syriza, que obteve 2.246.064 votos, 36,34% e 149 assentos na eleição geral de 25 de Janeiro. Este bloco inclui a oposição de esquerda ao Syriza, da qual trataremos agora.

A Frente de Esquerda Anticapitalista grega-MARS (ANTARSYA-MARS) obteve 39.455 votos e 0,64%. É uma frente de vários partidos de esquerda que se apresentaram como um agrupamento independente. O terceiro agrupamento, os maoístas marxista-leninista partidos comunistas da Grécia (KKE (ml) / ML KKE), que obtiveram 8.030 votos e 0,13% e os dois pequenos partidos trotskistas, Partido Revolucionário dos Trabalhadores (EEK) e Organização dos comunistas internacionalistas de Grécia (OKDE) o que ficou independente e obteve 2.435 e 2.195 votos, respectivamente, 0,04% nas eleições de 25 de janeiro.

1. A OPOSIÇÃO DE ESQUERDA NO SYRIZA

Wikipedia fornece a seguinte lista de partes constituintes da Syriza:

Syriza como um partido unitário foi formada através da fusão das seguintes partes (em ordem alfabética em Inglês):

Cidadãos Ativos (Ενεργοί Πολίτες): de linha socialdemocrata e nacionalista
Grupo Político Anticapitalista (ΑΠΟ): comunista, trotskista, anti-capitalista
Associação de Cidadãos de Riga (Velestinli): nacionalista, internacionalista, democrata, ecologista, pela justiça social
Coligação de Esquerda, dos Movimentos e Ecologia (Synaspismos ou SYN): socialdemocrata, eco-socialista, eurocomunista, o ambientalista, feminista
Organização Comunista da Grécia (KOE): maoísta, comunista
Plataforma Comunista do Syriza: seção grega da Tendência Marxista Internacional, comunista, o trotskista
Movimento Democrático Social (DIKKI): nacionalista de esquerda, socialista, euroceticista
Ecosocialistas da Grécia: eco-socialista, verde
Esquerda internacionalistas Trabalhadores (DEA): socialista revolucionário, comunista, o trotskista
Movimento para o United em Ação Esquerda (KEDA): comunista, marxista-leninista
Nova Luta: socialdemocrata
Grupo da Esquerda Radical Roza: luxemburguista, o feminista
Radicais (Ριζοσπάστες): socialdemocrata, nacionalista
Red (Κόκκινο): comunismo, o trotskista
Renovação Comunista Ecológica Esquerda (Akoa): socialdemocrata, o eurocomunista, verde
União do Centro Democrático (Edik): radicalismo, liberalismo social, centrismo
Movimento Unitário: o socialismo democrático, a social-democracia
Também há um grande número de ativistas de esquerda independentes. [8]

O Synaspismos ou SYN, a facção do líder da Syriza, Alexis Tsipras, é em si uma coalizão de várias tendências, e é o grupo dominante. Se você acha que a coisa toda é uma sopa de letrinhas (ou como se diz em inglês, “a dog's dinner”, ‘o jantar de um cão’) então você está certo. Mas há uma oposição organizada. É a Plataforma à Esquerda liderada por Panagiotis Lafazanis quem é o ministro da Reconstrução Produtiva, Ambiente e Energia. Ele estava no KKE até a formação de Synaspismos, onde atuou como membro do Secretariado Político em 1992. A retórica demagógica dele é impressionante, como nos relata Wiki:
"Lafazanis é o líder da Plataforma de Esquerda do Syriza e se envolveu em uma série de disputas com o líder mais moderado do partido, Alexis Tsipras. Ele convocou "o SYRIZA deve ser varrido por uma nova onda de radicalização em todas as áreas, ideológica, política, programática", opondo-se "aos memorandos da Troika, o neoliberalismo e, finalmente, ao próprio capitalismo", e falou contra continuou a adesão grega de o euro, descrevendo a União Europeia como "totalitária". [9]
Por sua vez, deixou para trás aos adversários da Tendência Comunista do SYRIZA. Esta é a seção Corrente Marxista Internacional (IMT, em inglês, cuja seção no Brasil é a Esquerda Marxista), que realizou várias críticas ao Syriza e a Oposição de Esquerda. Na verdade, soa muito mais radical, mas é limitado pela perspectiva reformista de sua organização-mãe, assim como todas as propostas que formulam dentro dos termos do que é legalmente possível no âmbito das relações de propriedade capitalistas. Todas as suas propostas são feitas desta forma como, por exemplo, a declaração de 29 de junho, em In Defence of Marxism:

Eles dizem:
"Nós já nos encontramos lutando em uma guerra de classes amarga que foi declarada contra a grande maioria do povo grego pela “frente negra" da Troika e da oligarquia grega. As guerras não são ganhas com passiva "serenidade", mas com a militância e um plano adequado. Chegou o momento para a ação de massa e medidas radicais." [10]
E, em seguida, ir a dizer-nos que:
"A tarefa atual do governo é arrancar os bancos das mãos da Troika e da classe dominante grega. Enquanto os bancos permanecem sob o controle da Troika e da classe dominante grega, a segurança dos salários, pensões e os depósitos de pequenos poupadores não está garantida, e atua como um laço ao redor do pescoço do povo, constantemente apertando e impedindo qualquer possibilidade de uma livre expressão da vontade do povo no referendo. É, portanto, imperativo que todo o sistema bancário seja nacionalizado tão rapidamente como a lei permite. O governo deve agora avançar para a criação de um único banco estatal unificado, que, para ser administrado não apenas por seus representantes, mas também por delegados designados pelos empregados do setor bancário e de diferentes organizações dos trabalhadores e da massa do povo. Isto é, a fim de estabelecer um sistema bancário transparente que funcione de uma forma socialmente benéfica, em oposição à atual forma de gestão, que não é transparente, é corrupta e tem fins lucrativos". [11]
Mas ao criticar Syriza por sua passividade, a sua "calma e serenidade", e afirmar a necessidade de uma ação decisiva para nacionalizar os bancos sob o controle dos trabalhadores sem apontar para os perigos do Estado e do fascista Aurora Dourada é sonoridade muito esquerdista, mas não deixa de ser de um reformismo ainda criminoso. O fracasso total para fazer qualquer crítica séria do Syriza e a Plataforma Esquerda sobre a base de sua teoria de duas etapas da revolução e seu socialismo em um único país mostra claramente que o programa da Tendência Comunista é simplesmente uma versão esquerdista do caminho brasileiro ou grego para o socialismo, através do parlamento com a classe trabalhadora marchando como um exército no palco para assustar os adversários, mas não para executar a sua tarefa histórica como os coveiros do próprio capitalismo. E onde foi parar a preocupação pela expulsão da coalizão do líder xenófobo e Ministro da Defesa, Panos Kammenos, dos gregos Independentes da extrema-direita (Anel), com suas estreitas ligações com as forças reacionárias do Estado que serão usadas para esmagar a classe trabalhadora?
  
2. ANTARSYA, A ESQUERDA ANTICAPITALISTA
COOPERA PARA A DERROTA



ANTARSYA se descreve como "Frente da esquerda anticapitalista, revolucionária, comunista e ecologica radical". É também uma coalizão, mas não se tornou um partido unitário como Syriza. Como Wiki informa-nos:

"Foi fundada em 2009 em Atenas por 10 organizações e militantes independentes envolvidos na Frente de Esquerda Radical (MERA) e União da esquerda anti-capitalista (Enantia), com exceção do Partido Revolucionário dos Trabalhadores (ΕΕΚ). Estas organizações vêm de diferentes correntes de esquerda do partido que variam de ex-comunista (KKE) e membros do KKE, do maoísmo e do trotskismo ".

Em muitos contendo muitas das mesmas forças que o Syriza, mas que tende a ser mais radical mas igualmente muito confuso. Wiki diz-nos que as nove organizações que são membros da ANTARSYA são:

Ecologistas alternativos
Grupo da Esquerda Anti-capitalista (ARAS)
Grupo da Esquerda (AS)
Recomposição da Esquerda (ARAN)
Nova Esquerda Atual (NAR)
Organização dos internacionalistas Comunista da Grécia-Spartacus, secção grega da Quarta Internacional (OKDE-Spartakos)
Movimento Comunista Revolucionário da Grécia (EKKE)
Partido Socialista dos Trabalhadores (SEK)
Juventude Comunista de Libertação (nΚΑ) [12]
A Organização dos internacionalistas Comunista da Grécia (OKDE, [não] Spartakos), rompeu com o ANTARSYA em maio 2009 e manteve-se como independentes como o fez a EEK na eleição de janeiro. Como Syriza, ANTARSYA tem um programa reformista; a diversidade de sua composição aponta para o menor denominador comum da política, embora seus membros mais proeminentes, pelo menos, os mandelista OKDE-Spartakos e os Cliffistas do Partido Socialista dos Trabalhadores (SEK) produzem sua própria literatura e agem de forma relativamente independente fora das eleições. Wiki assinala que:
“O ANTARSYA pede o calote da dívida da Grécia, a nacionalização sem indenização de grandes indústrias. O partido também pede uma proibição das demissões, um salário mínimo de € 1.400, a redução do tempo de trabalho semanal para 35 horas sem redução de salários, o desarmamento da polícia, os direitos políticos e sociais para os imigrantes, e um ecossocialismo para responder à crise ecológica. [13]
Este programa é puramente reformista e não questiona os perigos das forças estatais de conjunto (o desarmamento da polícia). Eles tendem a ser mais radicais, mas ainda com uma política frente populista, rejeitando a adoção de linhas de classe claras na luta contra o fascismo como o Unite faz contra o fascismo na Grã-Bretanha, a tomada de posições reacionárias sobre a Líbia, Síria e Ucrânia, recusam-se a dar apoio inequívoco ao Donbass, igualando o regime dos EUA/OTAN patrocinado pela UE e infestado por fascistas em Kiev com as lutas desesperadas de Donbass em defesa dos seus direitos nacionais e sociais impostas pelo golpe pró-imperialista. Tudo isso em nome da posição terceiro campista "nem Moscou nem Berlim, em defesa da classe trabalhadora", uma capitulação camuflada ao golpismo dos EUA em todo mundo.

AQUELES QUE APELAM DIRETAMENTE PARA A
CLASSE TRABALHADORA PARA FAZER REVOLUÇÃO

A recusa do EEK a união com o ANTARSYA e a ruptura da OKDE com esta frente apelando diretamente para a classe trabalhadora impulsionam o desenvolvimento de uma saudável pressão sobre o Syriza. Mas identifiquemos primeiro aqueles que gritam pela revolução, mas sem reivindicações transitórias. Na Grã-Bretanha o Partido Revolucionário dos Trabalhadores (que até pouco depois de 1985 ainda se manteve na mesma organização de Savas Michael, o Comitê Internacional da Quarta Internacional, junto com o WRP) produziu um comentário editorial e em seu Newsline diariamente em 29/6/15 e na seção grega da Revolucionário Marxista League em Atenas, também produziu um comentário sábado 27/6/15.

A RML dizer corretamente que:
"A recusa do governo de coalizão SYRIZA-ANEL a assinar o ultimato proposto pelas instituições da troika FMI-CE-BCE na última sexta-feira, foi devido a enorme resistência em massa com a austeridade dos trabalhadores gregos e jovens. O voto "NÃO" será um grande golpe para a austeridade imposta pela União Europeia e reforçará as lutas de todos os trabalhadores em toda a Europa contra a pobreza, o desemprego e as guerras da UE, a OTAN e os EUA." [14]
Depois de advertir que os trabalhadores não devem depositar qualquer confiança na coligação Syriza eles passam a reivindicar:
"Eles (a classe trabalhadora) devem preparar, através de uma frente única, mobilizações e ocupações populares para organizar uma greve geral política por tempo indeterminado e ir para a frente e derrubar o governo SYRIZA-ANEL e o capitalismo, para ir em frente e estabelecer um governo operário socialista e dos agricultores pobres, para os Estados Unidos Socialistas da Europa e para a Revolução Mundial ". [15] 
Sem qualquer menção de exigências sobre Syriza, no KKE ou alguma outra agrupação que é apenas uma aspiração piedosa. No entanto, o WRP (News Line), após seu fracasso de costume para enfrentar forças reais no terreno, não consegue terminar o seu chamado de 29/6 com uma boa floreio internacionalista:
"Um governo grego de trabalhadores e de pequenos agricultores vai sair da UE e da OTAN e estabelecerá braços imediatamente com os trabalhadores da França, Reino Unido e Alemanha, de fato, com todos os trabalhadores dos outros Estados da UE, para iniciar a luta histórica para Estados Unidos Socialistas da Europa, exercido e controlado pela classe operária, com os banqueiros e patrões expropriados e substituídas pela planificação da produção para satisfazer as necessidades dos povos da Europa ". [16] 
No entanto, a EEK grego aponta soluções melhores:

(ΕΕΚ) - trotskistas:
Bancos nas mãos do povo - não dos banqueiros especuladores da troika!Controle operário-popular sobre os bancos e os fluxos de capital estrangeiro!Nenhuma perda de salários ou pensões!Nacionalização direta dos bancos sob controle operário e da população pobre!Guerra de classe contra a guerra não ortodoxa da troika UE / BCE / FMI e 'Nova Democracia-Pasok "rio-Potami", os agentes domésticos da troika!No referendo nós votamos NÃO!Não aos ladrões do FMI-UE-BCE!Não aos colaboradores gregos da troika! (ND, Potami, Pasok)!O jogo acabou: Cancelamento da dívida! Os bancos e os setores estratégicos da economia nas mãos da sociedade! Produção e poder nas mãos dos trabalhadores! 'Pelo governo com os trabalhadores e dos trabalhadores no poder! [17]
O EEK é muito mais transitório e sério nas suas exigências e influencia na prática aos que detêm a lealdade das seções mais importantes da classe trabalhadora, o Syriza e o KKE:
"Nós chamamos a base popular e as forças de combate de apoio ao SYRIZA a exigir a partir de sua direção a ruptura dos laços de colaboração de classes com as instituições imperialistas, a UE e o FMI, os capitalistas estrangeiros e e seus agentes políticos locais.Chamamos a direção do Partido Comunista da Grécia a parar encobrir com uma fraseologia esquerda a sua parceria com a troika doméstica. A posição de um voto de protesto – em termos práticos um voto nulo no referendo reforça as forças burguesas mais reacionárias.Um Congresso nacional dos representantes eleitos de todo o movimento sindical, movimentos sociais, as pessoas autoorganizadas, deve ser imediatamente preparado para discutir o programa alternativo do caminho para sair da crise. De modo a impedir que outros decidir por nós sem nós.Uma frente única classista de todas as organizações políticas e sociais, movimentos, coletivos, organizados e massas desorganizadas da classe trabalhadora e dos pobres e camadas populares é necessária, contra o inimigo de classe, dentro e fora do país.Não aos governos de "unidade nacional". Governar com os trabalhadores com os Trabalhadores no poder!". [18]
Finalmente vejamos a declaração do Grupo Internacionalista (LFI) atacando tanto o EEK como a seção Liga Comunista Internacional, na Grécia, o Grupo trotskista da Grécia. Oriundo da 'Família Espartaquista’ (Spart Family), em 1996, o IG possui a aversão tradicional herdada de James Robertson, pelo menos em seus últimos anos, a qualquer forma de reivindicações transitórias sobre as direções da classe trabalhadora. É assim que criticam o EEK acerca da questão de suas reivindicações transitórias avançados:
"Após a eleição, Savas declarou bombasticamente em um artigo de 03 de fevereiro que ‘O povo grego abalou o mundo’ e afirmou que, no contexto grego um ‘governo de esquerda’ significaria um governo de revolucionários. Ele viu no governo SYRIZA-ANEL ‘algumas características de um tipo de governo Kerensky’ em uma posterior declaração sobre o acordo com o Eurogrupo ele declarou que se a eleição do SYRIZA foi ‘um salto para frente do movimento popular’, em 20 de fevereiro o acordo e a eleição do direitista Pavlopoulos à presidência constituiu ‘um passo atrás’, e chamou a ‘expulsar os ministros nacionalistas e pró-capitalistas.’ No entanto, os ministros são "pró-capitalista" como membros do governo burguês SYRIZA-ANEL." [19]
Este ataque nega o significado político da eleição do Syriza em 25 de janeiro;
“Savas, dizem eles; "Declarou bombasticamente" que "O povo grego abalou o mundo" e afirmou que, no contexto grego um "governo de esquerda" significou um governo de revolucionários. O texto não fornecer-nos qualquer fonte da citação direta incluindo a expressão "governo dos revolucionários" porque tal reivindicação é uma mentira; esta alegação nunca foi feita. Depois de delinear a história da repressão brutal da esquerda e do comunismo na história grega a citação real é "um" governo de esquerda "significa, na consciência social popular, um governo dos representantes políticos do movimento revolucionário, dos Partisans, que foi derrotado". [20]
A partir da compreensão do caráter do Syriza, suas origens stalinistas e sua traição de classe para, em seguida, analisar a forma como as massas veem este governo e por que eles votaram pelo Syriza é o insight vital que nos permite estabelecer um programa de reivindicações transitórias.

Só pode ter uma cabeça de bagre aquele que alega que a eleição do Syriza não tem qualquer significado político. A alegação de que sendo o governo SYRIZA-ANEL um governo burguês não se pode exigir a "expulsão dos nacionalistas e dos ministros pró-capitalistas" é totalmente errada. O governo Kerensky era um governo burguês, todos os governos socialdemocratas são governo burgueses, embora seus partidos são partidos burgueses da classe trabalhadora. Se não podemos colocar essas demandas sobre tais governos, a metodologia comunista da Frente Única e do Programa de Transição são redundantes, que é claramente a posição tomada pelo IG aqui e agora. E, claro, a crítica deixa de incluir o seguinte ponto central das reivindicações transitórias: "por um Governo com base nas organizações de massas dos trabalhadores, desempregados e aposentados e trabalhadores pobres da cidade e do campo."

E o EEK lutou com reivindicações transitórias contra a inclusão da ANEL no governo, apelando tanto para os seguidores do Syriza quanto para as fileiras do KKE, com a seguinte demanda:
"Fora com os ministros burguesa nacionalistas de extrema direita, por um governo Syriza/KKE da Esquerda, com base nas organizações da classe trabalhadora, e com um programa socialista para sair da crise". O nosso apelo encontrou uma grande resposta entre os membros e apoiantes da Syriza, mesmo nas fileiras do KKE, que continua a ser dominado pelo sectarismo e pela cegueira burocrática à mudança na situação. O órgão diário noticioso principal pro-Syriza Efimerida twn Syntaktwn publicou, em 28/1/15, em um lugar de destaque em suas páginas centrais o nosso apelo contra a colaboração de classes do Syriza com o partido nacionalista da extrema direita ANEL." [21] 
CONCLUSÃO

O ataque direto do IG ao EEK foi "Waffle de centristas na Grécia”. O que temos na verdade é uma rejeição sectária contra o engajamento real na própria luta de classes e com os trabalhadores reais em lutas reais, os trabalhadores idealizados que só existem na cabeça daqueles como o KKE, IG e do SEP que também ignoraram o significado político da eleição do Syriza que levou à crise atual. Parafraseando Frank Brenner temos de lidar com a classe trabalhadora na realidade e não na fantasia.

Uma Grecia cada vez mais distante da UE e em oposição aos organismos como o FMI será uma Grecia que sim ou sim se aproximará cada vez mais da China e da Rússia. Apesar de chamar a Frente Única Antiimperialista com a Rússia e a China contra o imperialismo, a troika e a UE, nós lutamos pela reestatização sob o controle dos trabalhadores das empresas gregas privatizadas pelas burguesias da Rússia e da China.

Para outra ocasião deixaremos a análise da estreita concordância entre o terceiro período dos estalinistas do KKE e dos supostos trotskystas ortodoxos do WSWS/SEP. Basta dizer que por agora que o Terceiro Período do stalinismo (1928-1934) foi um resultado do abandono definitivo da metodologia do comunismo da Frente Única Antiimperialista, conforme descrito pelos primeiros quatro (revolucionários) congressos do Comintern no Sexto Congresso do Comintern em 1928. O abandono foi iniciado no Quinto Congresso por Zinoviev, em 1924, em aliança com Kamenev e Stalin, ao que mais tarde se juntou Bukharin.

O SEP surgiu como uma rejeição ao Programa de Transição de Trotsky (a versão elaborada da Frente Única para os tempos modernos) ao declarar que os sindicatos já não eram parte do movimento dos trabalhadores e que já não há movimentos de libertação nacionais ou quaisquer adversários do imperialismo nas guerras (onde os marxistas são obrigados a dar apoio militar temporário, mas não apoio político para os povos e nações oprimidos), negando a distinção leninista entre nações oprimidas e opressoras. Essa é a faceta sectária do oportunismo que emergiu como vencedor no Sétimo Congresso do Comintern de 1935. Georgi Dimitrov significou a viragem para a Frente Popular (Popular Frente contra o Fascismo e Guerra) e a colaboração de classes que tem sido essencial para o stalinismo desde então. Esta combinação tem seus reflexos até mesmo em muitos grupos autoproclamados trotskistas que defendem o voto “NÃO” no referendo grego. A preocupação mundial no debate acerca da metodologia do comunismo no referendo grego para os eleitores da Grécia em muitos países significa que a batalha ideológica fundamental está sendo travada a sério no solo da Grécia.

Notas

[1] Partido Comunista da Grécia, o referendo sobre a 05 de julho e a posição do KKE,  http://inter.kke.gr/en/articles/The-referendum-on-the-5th-of-July- e-the-postura da-KKE /
[2] Revolução Permanente, a classe trabalhadora na fantasia e na realidade, por Frank Brenner, http://forum.permanent-revolution.org/2015/06/the-working-class-in-fantasy-and-reality.html
[3] Ver o artigo WSWS primeiro-ministro grego pede referendo sobre exigências de austeridade da UE . https://www.wsws.org/en/articles/2015/06/27/gree-j27.html
[4] Yanis Varoufakis: Como me tornei um marxista errático , The Guardian em 18 de Fevereiro de 2015, http://www.theguardian.com/news/2015/feb/18/yanis-varoufakis-how-i-became-an- errático marxista-
[5] Ibid.
[6] Ibid.
[7] Ibid.
[8] Syriza, https://en.wikipedia.org/wiki/Syriza
[9] Panagiotis Lafazanis, https://en.wikipedia.org/wiki/Panagiotis_Lafazanis
[10] Tendência Marxista Internacional, Grécia: Vamos dar aos bancos e ao poder das mãos dos chantagistas - Não à "serenidade" passivo - Para a ação de massa e radical measures ! http://www.marxist.com/greece-lets-take-the-banks-and-economic-power-out-of-the-hands-of-the-blackmailers-no-to-passive-serenity-for-mass-action-and-radical-measures.htm , http://www.marxismos.com/
[11] Ibid.
[12] ANTARSYA, Anticapitalista Cooperação Esquerda para a derrubada, https://en.wikipedia.org/wiki/Anticapitalist_Left_Cooperation_for_the_Overthrow
[13] Ibid.
[14] declaração revolução grega, declaração do revolucionário marxista League Atenas , sábado, 27/6/15, http://wrp.org.uk/news/11084
[15] Ibid.
[16] segunda-feira, junho 29, 2015 votar "não" e organizar Revolução Socialista grego !, http://wrp.org.uk/news/11085
[17] O Partido Revolucionário dos Trabalhadores (ΕΕΚ) - trotskistas, Atenas, 29 de junho de 2015, http://www.eek.gr/index.php/englishtext/3579 -eek-trotskistas-bancos-in-the-pessoas-s -hands-no-to-the-especulativos-banqueiros-de-troika
[18] Ibid.
[19] Internationalist Group, centristas Waffle na Grécia , http://www.internationalist.org/greececentristswaffle1503.html
[20] Savas Michael Matsas,   O povo grego tem abalado o mundo !, http://balkinfo.com/the-greek-people-has-shaken-the-world/
[21] centristas Waffle na Grécia.
Leia mais!

quinta-feira, 2 de julho de 2015

Golpistas da Câmara aprovam redução da maioridade penal

Golpistas da Câmara aprovam redução da maioridade penal



A Câmara dos Deputados, mediante manobras de seu reacionário presidente, Eduardo Cunha, conseguiu aprovar em primeiro turno de votação a redução da maioridade penal, isso após a medida ter sido rejeitada no dia anterior (aqui). Com isso, os canalhas do parlamento não apenas passaram por cima da Constituição -que em seu art. 60, §5º, proíbe que propostas rejeitadas sejam reapreciadas na mesma sessão legislativa, isto é, no mesmo ano- como deram mais um exemplo do recrudescimento da fascistização dos dias de hoje.

Como já falamos neste post, a redução da maioridade penal é um velho sonho da extrema-direita, com o objetivo descarado de eliminar, oprimir e trancafiar a juventude negra e proletária. Todos sabem que o Direito Penal recai com mais força sobre a classe trabalhadora, servindo como verdadeiro instrumento de controle social. É uma realidade tão abominável que mesmo juristas liberais, de corte progressista ainda que burguês, modernamente têm defendido o Direito Penal Mínimo, haja vista que o aumento de penas e de tipos penais (ou seja, a criação de mais tipos de crimes) em nada ajuda no processo de pacificação da sociedade, ao contrário, só agrava o quadro.

Nós do blog Espaço Marxista, integrante da Frente Comunista dos Trabalhadores, sabemos que a pacificação social jamais virá nos marcos da sociedade de classes. Enquanto houver exploração do homem pelo homem, haverá o fenômeno do "crime". Não depositamos, portanto, nenhuma confiança no ordenamento jurídico-repressivo, ao contrário, denunciamos seu uso como instrumento de classe contra os estratos populares da sociedade. Repudiamos as violências realizadas contra a Constituição, que, apesar de limitada em seus objetivos e natureza, própria do institucionalismo burguês, cristaliza direitos e garantias fundamentais frutos de muitas lutas históricas da classe trabalhadora. Sobretudo, denunciamos o Estado Policial, fascista, que tem se consolidado, em sintonia com a ofensiva reacionária mundial -da Síria à Ucrânia, passando pelo golpismo na América do Sul- dos nossos tempos.
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