QUEM SOMOS NÓS

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Somos uma organização marxista revolucionária. Procuramos intervir nas lutas de classes com um programa anticapitalista, com o objetivo de criar o Partido Revolucionário dos Trabalhadores, a seção brasileira de uma nova Internacional Revolucionária. Só com um partido revolucionário, composto em sua maioria por mulheres e negros, é possível lutar pelo governo direto dos trabalhadores, como forma de abrir caminho até o socialismo.

domingo, 30 de setembro de 2012

Escandalosa aceitação de dinheiro das empresas pela Frente Eleitoral em Belém... (Espaço Socialista)


Reproduzimos a declaração dos companheiros do Espaço Socialista, com a qual temos acordo.


Escandalosa aceitação de dinheiro das empresas pela Frente Eleitoral em Belém...

27 set 2012

Ao invés de romper, PSTU permanece compondo a Frente Popular!

A coligação PSOL/PC do B e PSTU em Belém vai adquirindo cada vez mais um tom de desmoralização para aqueles que buscam uma alternativa independente dos patrões e dos governos.

O problema é que para além das organizações (PSOL e PSTU) há o risco de desmoralização de todo um setor da vanguarda não apenas em Belém, mas em outras regiões, pois os fatos lá ocorridos têm impacto nacional, expressam os limites dessas organizações e, ao mesmo tempo levantam questionamentos muito sérios em termos de rumos e que tipo de organizações se está construindo.

O primeiro problema foi a aceitação por parte do PSOL em compor com o PC do B uma Frente para as eleições em Belém. Ora, o PC do B hoje é um partido que representa os setores da burocracia sindical e política, que defende um programa burguês, governista como vimos na sua elaboração e defesa do novo Código Florestal que favorece o agronegócio em detrimento do meio ambiente. Da mesma forma está atolado até o pescoço na corrupção como vimos no caso do ministro dos esportes, no ano passado. Nos sindicatos que dirige, o PC do B mostra claramente sua face governista e imobilista.

Depois tivemos a escandalosa entrada do PSTU nessa Frente, com o argumento de que seria para levar as propostas do partido para setores mais amplos dos trabalhadores, disputar a base da Frente e tentar eleger um vereador.

Obviamente que, de todos os objetivos, o que pesou mais foi o último, pois ao integrar a Frente o PSTU acaba convalidando-a e ao mesmo tempo ficando em piores condições para travar uma campanha independente, à medida em que está diretamente associado à Frente com o PC do B governista.
Além disso o peso do PC do B na Chapa não é de modo algum secundário, pois tem a vice-prefeitura na Chapa e também candidatos a vereador de peso.

Por mais que o PSTU tente fazer sua campanha olhando para outro lado, o cheiro ruim está no ar...
Mas agora vem a público outro fato de extrema gravidade: a aceitação de dinheiro das empresas para a Frente Belém nas Mão do Povo. É o próprio PSTU quem denuncia:

“Um fato grave, no entanto, ocorreu em relação à campanha da Frente “Belém nas Mãos do Povo” encabeçada pelo companheiro Edmilson Rodrigues (PSOL), na qual nós do PSTU estamos inseridos. Um total de R$ 389.405,57 já foram doados por empresas à campanha de Edmilson Rodrigues, candidato a prefeito de Belém. No site do Tribunal Superior Eleitoral é possível conferir o nome do doador e o valor que foi doado por cada pessoa física ou jurídica para cada candidato. Lamentavelmente, pelo que foi declarado, tudo indica que a direção do PSOL e o companheiro Edmilson resolveram trilhar o mesmo caminho do PT no que toca esse aspecto do financiamento das campanhas eleitorais. Só de uma empresa de Salvador (BA), a COGEP CONSTRUÇÕES E GESTÃO AMBIENTAL LTDA, a campanha recebeu a quantia de R$ 160.000, mais do que os R$ 100.000 doados pela Gerdau em 2008 para a campanha de Luciana Genro (PSOL) à prefeitura de Porto Alegre, ocasião que gerou um intenso debate na esquerda socialista brasileira sobre os rumos deste partido e sobre este tipo de prática que caracteriza o vale-tudo eleitoral.” (www.pstu.org.br)

Para os ativistas e militantes ou até mesmo para qualquer trabalhador com um pouco de senso crítico nem é preciso argumentar muito. O recebimento de dinheiro de empresas não é uma doação e sim um investimento que a burguesia realiza para depois obter um retorno muito maior através de concessões do obras, superfaturamentos e desvios de verbas. Este “mecanismo clássico” está na raiz da corrupção de estado e estamos fartos de ver todos os meses algum escândalo revelado.

Vimos onde levou essa prática no PT nos casos do Valerioduto, do esquema do Cachoeira e tantos outros, que inclusive levaram à morte de Celso Daniel.

Essa adaptação do PSOL a ponto de receber dinheiro de empresas em suas campanhas vem se tornando uma prática cada vez mais corrente no partido, da mesma forma que suas alianças com partidos burgueses nas eleições.

Isso mostra que esse partido já está com sua independência de classe comprometida, por mais que em seu interior haja correntes e militantes que tenham uma postura classista.

Sobre a gravidade da aceitação de dinheiro das empresas por parte da Frente, o PSTU também traça o diagnóstico corretamente:

“Esse não é um tema menor. Ao contrário, trata-se de uma questão estratégica, pois não é possível construir uma campanha e, a posteriori, um governo dos trabalhadores e do povo pobre se este não for independente financeiramente da burguesia, mesmo que se trate de pequenas e médias empresas, como é o caso em Belém. Não existe independência política sem independência financeira, pois, como diz o ditado popular, “quem paga a banda, escolhe a música.” (www.pstu.org.br)

Mas ao constatar a gravidade da situação, o que deveria fazer o PSTU?

A reação mais lógica seria a ruptura pública com a Frente, a denúncia da situação e a abertura pública dessa discussão em Belém e no país como forma de demonstrar cabalmente sua desvinculação com uma Frente que não é independente da burguesia.

No entanto, o PSTU solta uma nota criticando duramente a postura do PSOL, mas do ponto de vista prático... segue na Frente! Não é coerente com a gravidade da motivação. Ao contrário, segue na Frente, chamando o voto para essa candidatura.

“O PSTU está jogando todos os seus esforços para eleger Edmilson prefeito de Belém no 1° turno contra os candidatos da burguesia e do governo, para que nossa cidade seja governada pelos trabalhadores e com um programa em defesa de nossa classe, sem os patrões e o seu dinheiro sujo.” (www.pstu.org.br)
Isso significa que vai chamar o voto na Frente, mesmo diante de toda a gravidade da situação!

Ora, existe uma contradição entre o que diz e o que faz. Na ação prática, escolhe permanecer em uma Frente que não tem independência frente à burguesia e que, portanto, não poderá apontar no sentido da resolução dos principais problemas que afetam a cidade.

Essa capitulação (mais uma) demonstra que o PSTU vai progressivamente comprometendo seu caráter de independência de classe, vez que não coloca como centro de sua atuação prática a necessidade de demarcar claramente o campo dos trabalhadores e, dessa forma, contribuir para a formação de uma consciência de classe entre os trabalhadores e na vanguarda. Tudo isso almejando a eleição de um vereador...

Ao não romper com a Frente e ficar apenas no campo da denúncia, o PSTU compactua na prática com o ocorrido e demonstra que para sua direção a possibilidade de eleger um vereador tem mais importância do que o desenvolvimento do movimento e da consciência dos trabalhadores.

Isso é muito grave, justamente num momento em que as referências de classe estão confundidas pela ação do PT em todos esses anos de governo, de acordos e pactos com a burguesia nos sindicatos em que o PT e o PC do B dirigem.

Essa trágica situação não tem como terminar bem. Os militantes do PSTU e os ativistas próximos, não aceitarão passivamente toda essa capitulação à democracia burguesa e a participação do PSTU nessa Frente Popular em Belém.

Esse também não é um fato qualquer e demonstra, assim como outros que vimos analisando em nossas publicações, que, justamente no momento em que se exige a firmeza e a coerência da parte de uma organização revolucionária, tanto o PSOL, mas agora também o PSTU não passam no teste.

Isso por sua vez coloca como necessidade prática a discussão e iniciativas que avancem para a construção de uma alternativa política revolucionária que esteja à altura dos desafios que tendem a se intensificar nos próximos anos. A crítica aqui posta, mais do que algo direcionado somente ao PSTU ou PSOL, deve servir como alerta e direcionamento para toda a Esquerda que se pretende revolucionária.
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Nessas eleições, o que fazer? (Espaço Socialista)


reproduzimos essa excelente declaração eleitoral dos companheiros do Espaço Socialista, porque ela explica os critérios que os marxistas devem ter ao apoiar criticamente alguma candidatura de partidos operários reformistas ou centristas.

É um antídoto contra várias polêmicas absurdas que a gente tem visto entre as organizações (como o boicote eleitoral quando não existem condições para impedir as eleições, o voto nulo porque não existem organizações revolucionárias nas eleições, e outras).

A diferença entre a nossa tática eleitoral e a do Espaço Socialista é que nós indicamos os votos para a cidade em que atuamos, o Rio de Janeiro, enquanto o documento deles é mais geral e, por isso não indica voto para casos específicos.


NESSAS ELEIÇÕES: O QUE FAZER?

Há uma decepção e um mal-estar com as eleições. Essa descrença é geral e envolve as mais tradicionais “democracias”, como a França e a Grécia, pois setores cada vez maiores dos trabalhadores e da juventude veem que os vários governos e parlamentos eleitos agem em prol dos empresários e não hesitam em atacar os direitos e condições de vida dos trabalhadores, a maioria que os elegeu.

É cada vez mais nítido que no chamado “jogo democrático” as empresas levam grande vantagem sobre os trabalhadores, pois podem bancar megacampanhas para eleger seus representantes. E como no capitalismo a corrupção é indispensável e não apenas um desvio de conduta, essas empresas passam a decidir sobre todos os rumos do país de acordo com as suas próprias necessidades e não do povo.

Enquanto isso, quando os trabalhadores reivindicam algo como Saúde, Educação, moradia e transporte dignos, esses mesmos senhores logo mandam a polícia para bater, prender ou matar.

A democracia que temos é a democracia burguesa, uma democracia dos ricos. Mas, para os trabalhadores continua um regime de opressão, pois mantém e aprofunda a exploração e o controle, mesmo que se empreguem alguns meios diferentes de uma ditadura militar.

Com a crise estrutural do capital e o endurecimento dos patrões e dos governos sobre os trabalhadores, as tendências autoritárias estão se acirrando até mesmo em regimes considerados mais democráticos. Estão sob ataque o direito de manifestação, de greve e de ocupações sendo enquadrados como “formação de quadrilha”.

Mesmo que por uma exceção sejam eleitos políticos éticos e bem intencionados há toda uma série de restrições políticas e legais quanto às mudanças realmente importantes para quem trabalha.

Há todo um esquema de funcionamento para legitimar o poder da burguesia e do capital sobre a sociedade. O direito à propriedade privada da burguesia, por exemplo, está assegurado na própria Constituição. A Lei de Responsabilidade Fiscal limita os gastos com o funcionalismo para que sobre mais dinheiro para o pagamento dos juros das Dívidas ao capital financeiro.

Por último, se a burguesia sentir a qualquer momento que seu poder e seus privilégios estão ameaçados é a primeira a recorrer aos golpes militares como se viu tantas vezes na história.

Portanto, a primeira tarefa de uma organização socialista nas eleições é combater as ilusões de que através do voto possamos resolver qualquer um dos problemas estruturais como: ônibus lotado e caro, falta de moradia, falta de postos de saúde e de Educação de qualidade, falta de espaços culturais e de lazer, etc.

Devemos dizer aos trabalhadores que confiem apenas em suas próprias forças e métodos de luta como greves, passeatas, ocupações, etc. e que acreditem em um processo de transformação da sociedade.

Não defendemos a volta da ditadura militar, mas também não podemos aceitar a ditadura da burguesia. Precisamos de uma democracia real em que as decisões importantes estejam nas mãos dos trabalhadores e do povo pobre, para resolver de fato os problemas sociais.

Não negamos que mesmo essa aparente democracia permite um espaço maior de informação, discussão e organização dos trabalhadores, mas a utilidade do período eleitoral para os trabalhadores é de podermos debater, nos organizarmos e fortalecermos a luta pelas mudanças que realmente interessem aos trabalhadores.


EM TODAS AS CIDADES, OS MESMO PROBLEMAS...

Os problemas que enfrentamos no dia a dia são comuns nas várias cidades, o que significa que sua causa é maior. São problemas da sociedade em que vivemos, do capitalismo, aprofundados pelos governos, seus agentes.

Os serviços públicos em geral estão precarizados porque os governos Dilma, Alckmin, os prefeitos e congressistas cortam cada vez mais as verbas e investimentos públicos para que esse dinheiro seja direcionado para garantir a lucratividade do setor empresarial.

Podemos ver isso no trânsito: Ao se priorizar o transporte individual, necessário para incentivar cada vez mais o consumo de mercadorias e o individualismo, não se investe na quantidade e nem na melhoria da qualidade de ônibus e trens, pois não é lucrativo. O mesmo ocorre na área da Saúde: Para favorecer os grandes planos de saúde cortam-se verbas do SUS. E assim os problemas vão se agravando em todas as áreas. O capitalismo está levando a humanidade à barbárie!


É PRECISO DIZER QUE SOMENTE A LUTA MUDA A VIDA!

Em cada cidade também há um grupo de famílias que enriquecem à custa da maioria que sofre sem estrutura nenhuma. Essas poucas famílias associadas às grandes empresas controlam a vida econômica e política de cada município. Dominam as empresas de ônibus, de coleta de lixo, de abastecimento de água, o comércio da região, etc.

Para começarmos a resolver qualquer um dos problemas principais que afetam os trabalhadores precisamos romper com o controle dessas famílias sobre a cidade.

Assim é preciso que a partir de cada local de trabalho, estudo, moradia e através de lutas, mobilizações, ocupações, etc. comecemos a assumir as decisões mais importantes e ter poder de fato. Por exemplo, mobilizarmo-nos contra o aumento de passagens, contra os aumentos e privilégios dos vereadores, contra a municipalização, por moradia, etc.


UM PROGRAMA SOCIALISTA DOS TRABALHADORES PARA AS CIDADES E PARA O PAÍS!

- Prioridade para o transporte público. Estatização das empresas de ônibus, sob controle dos trabalhadores. Aumento do número de ônibus e melhoria de sua qualidade. Tarifa social, subsidiada pelo município com arrecadação das empresas.

- Aumento do número de postos de saúde e hospitais com melhoria de qualidade.

- Barrar e reverter a Municipalização, mantendo o emprego dos professores que trabalham nessas escolas.

- Apoio às lutas por moradia! Confisco e Expropriação de todos os imóveis não utilizados e sua inclusão em um programa público de moradia popular.

- Redução dos salários de todos os cargos de confiança ao salário médio de um trabalhador especializado.

- Que os trabalhadores administrem as cidades através de Conselhos Populares deliberativos e sem patrões!

- Expansão dessas lutas e formas democráticas de gestão, no sentido de um governo nacional dos trabalhadores, baseado em suas organizações de luta!

- Pelo socialismo como forma de organizar a sociedade em base às decisões coletivas e com democracia direta para o bem estar de todos em equilíbrio com o ambiente!


RECHAÇAR AS CANDIDATURAS REPRESENTANTES DOS PATRÕES E DO GOVERNO!

Independente da nossa vontade é um fato que mesmo descontentes e desanimados a maior parte dos trabalhadores vão comparecer às urnas e votar. Nessa situação em que amplos setores da classe trabalhadora vão votar, não é indiferente para quais candidaturas e partidos vão esse voto.

Assim, mesmo priorizando as lutas diretas dos trabalhadores é preciso também disputar sua consciência com a burguesia, com a direita e com os setores governistas do PT. O voto dos trabalhadores deve expressar e fortalecer o lado dos trabalhadores, das nossas lutas e da unidade entre os que lutam. Ou seja, defendemos um voto de classe e de luta também nas eleições.

Devemos rejeitar candidaturas dos vários partidos burgueses e governistas: do bloco PSDB/DEM/PPS ou do bloco PT/PMDB/PSB e seus apoiadores. Essas candidaturas somente vão aprofundar cada vez mais os ataques aos trabalhadores. Representam os nossos inimigos.


OS PROBLEMAS NAS ORGANIZAÇÕES DE ESQUERDA E O CHAMADO A UM VOTO DE CLASSE!

Por outro lado sublinhamos que mesmo entre as candidaturas que se apresentam no arco das lutas e da esquerda, há vários problemas. Primeiro, essas organizações comparecem às eleições sem denunciar em suas campanhas o caráter burguês dessa democracia e dessas eleições. Não destacam que a prioridade é estar nas lutas. Contribuem para manter as ilusões dos trabalhadores na democracia burguesa e nas eleições. Segundo, na ânsia por eleger, em vários municípios, alguns desses partidos coligam com partidos burgueses ou governistas. É o caso do PSOL em vários lugares, como em Minas Gerais.

Mas o fato novo é a presença do PSTU coligado com o PC do B na disputa para a prefeitura de Belém. Ao coligar (ou seja, não é apoiar) com o PC do B, que há muito ultrapassou a barreira de classe, o PSTU adota uma política que perde a independência de classe, demonstra um forte desvio eleitoreiro, aceita passivamente as regras do jogo burguês e abre mão de uma política de esquerda a fim de eleger um vereador.

Além disso, com a participação nessa frente o PSTU joga por terra todo o seu discurso sobre o papel dos revolucionários no processo eleitoral burguês, como se o voto fosse “uma simples tática”.

Para nós, faz muita diferença o trabalhador votar nas candidaturas de esquerda ou nas do governo.
Em Belém, o voto no candidato da frente PSOL/PC do B/PSTU não vai expressar uma oposição ao governo Dilma, pois um dos cabeças da frente, o candidato a vice-prefeito, é do PC do B e defensor entusiasta do governo. Não é verdade que o PC do B ocupa um papel secundário na frente, como a Nota da Direção Nacional quer fazer acreditar. Ver polêmica em: espacosocialista.org/node/345.

Por último, mas não menos importante é o fato de que na maioria das grandes cidades não há frente, as legendas comparecem às eleições de forma totalmente fragmentada. Isso é o resultado de uma concepção de unidade limitada aos acordos de cúpula e aos interesses imediatistas de cada uma dessas organizações que impedem que possam subordinar as questões de programa, de alianças e de cabeças de chapa aos ativistas e lutadores em cada região.

Nós, Espaço Socialista, defendemos que houvesse um Movimento Político dos Trabalhadores, também nas eleições, preparado por ampla convocação, realização de seminários e plenárias deliberativas abertas a todos os ativistas e lutadores em cada município de modo que tanto o programa como as alianças e as candidaturas fossem decisão coletiva e unitária.

Os interesses aparatistas e de cúpula prevaleceram ainda desta vez e o resultado disso deve se expressar na dificuldade de se fazer campanha em meio à extrema fragmentação.

Devido à fragmentação que se expressa em várias candidaturas da esquerda, aos problemas citados acima e às desigualdades próprias de eleições municipais em um país continental optamos por um chamado geral a um Voto de Classe sempre e quando as candidaturas expressarem as lutas dos trabalhadores, não estiverem coligadas com partidos governistas e não receberem dinheiro dos empresários, no arco do PSTU,PSOL,PCB e PCO, com possibilidade de voto nulo onde esses critérios não estiverem atendidos.

Com essa posição buscamos a coerência na luta, o desenvolvimento da consciência dos trabalhadores e chamamos você a se reunir, debater e fortalecer com o Espaço Socialista esse polo prático de luta em busca da transformação geral da sociedade rumo a um outro tipo de sociedade, a socialista.
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quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Eleições 2012 - Votar contra a direita (Reage Socialista - Coletivo Fundador)


Reproduzimos a declaração dos companheiros do Reage Socialista - Coletivo Fundador, uma pequena organização marxista que atua no Rio de Janeiro e em Niterói, com que estamos começando a discutir para conhecer melhor as posições. Além de os companheiros não terem site ou blog no momento, estamos postando o documento porque temos acordo geral com ele. A única divergência tática é que eles chamam voto no PSTU e  no PSOL, e nós no PSTU e no PCB.


ELEIÇÕES 2012 – V0TAR CONTRA A DIREITA 

No Rio de Janeiro, o prefeito Eduardo Paes entrega a cidade ao empresariado. São muitos os disfarces: PPP, OS, UPP, UPA. Todas essas siglas escondem contratos lucrativos para empresários, desvio do dinheiro público e abandono do serviço prestado.

Paes negociou com as milícias e o tráfico para a retomada geográfica das favelas, mas isto não reduziu a pobreza, nem o tráfico de drogas, tampouco a violência sofrida pelos moradores. As UPPS foram remoções brancas, em que o povo trabalhador se deparou com aumento de aluguel, proibição dos puxadinhos e dos bailes funk, fechamento de biroscas e perseguição a rádios comunitárias. As comunidades foram invadidas por bancos e empresas, que se apresentaram como os verdadeiros urbanistas da favela, através da especulação bancária e do roubo do dinheiro do povo com serviços campeões em reclamações judiciais, como OI, VIVO, NET. No asfalto, os Megaeventos como Olimpíadas e Copa do Mundo aumentam a especulação imobiliária, na cidade cheia de valas a céu aberto e problemas estruturais. Os trabalhadores estão sendo removidos, por uma política de transformação do Rio de Janeiro em balneário para os ricos e empresários. Seu custo de vida é um dos maiores do mundo, os grupos econômicos como a Delta controlam o poder e lucram com produtos e serviços que o povo não consegue pagar.

A saúde e a educação públicas estão abandonadas. Estudantes, pacientes, seus pais, familiares e amigos conhecem as condições das escolas e hospitais municipais. As UPAS são cenários que escondem a farra dos empresários, através das Organizações Sociais (OS), em que os contratos são a entrega da saúde pública para o lucro de alguns. As OS podem estabelecer convênios com outras empresas, em contratos de terceirização, resultando em perdas para os trabalhadores. É uma rede de empresários protegida pelo biombo da UPA. O mesmo ocorre com outros biombos criados por Paes, na educação. O tal Ginásio Carioca rebaixa o ensino e sobrecarrega o professor, obrigando-o a assumir todas as áreas: Português, História e Geografia e Ciências e Matemática. O Ginásio Carioca é a entrega da educação municipal ao Banco Mundial, em um contrato de milhões de reais. A farra não para por aí. O parceiro do prefeito, o governador Sergio Cabral, ambos do PMDB, também tem seus biombos na educação, como escolas técnicas via parceria doEstado com o Instituto Oi Futuro, e via convênios com o Grupo Pão de Açúcar e a CCPL. Prefeito e Governador aplicam juntos no Rio, o programa privativista “Autonomia Carioca”, em parceira com a Fundação Roberto Marinho, em que são utilizados DVDs do Telecurso da Rede Globo, transformando professores em explicadores, sem autonomia..

O “Choque de Ordem” do prefeito Paes é uma verdadeira caça aos pobres e trabalhadores. Os camelôs são perseguidos e espancados pela polícia, como se fossem criminosos. Mas a mesma polícia escolta diariamente as irregularidades que escolas privadas, empresários, donos de lojas e supermercados cometem.

O lucro é interesse oposto à vida digna. Entregar serviços essenciais para aqueles que atuam para ter lucro é entregar o interesse popular a seus próprios inimigos. Eduardo Paes é agente deste projeto para o Rio. Não merece o nosso voto. Ao contrário, merece nossa rejeição.






Eleições

A política não se resume ao voto, mas nas eleições burguesas a população está mais interessada em discutir política e os espaços para debates são relativamente ampliados. Há interesse em manipular as massas e para isto ocorre a massificação do processo no período eleitoral. Nesse momento podemos elevar nossa consciência e debater, com os trabalhadores, um projeto de sociedade, sem exploradores.

Infelizmente, as eleições municipais de 2012 têm refletido um cenário de baixa politização dos programas e das candidaturas, levando ao reforço da visão pragmática, utilitária e mercadológica do processo político. Os partidos do bloco de poder nacional e as oposições de direita têm se concentrado em diferenciar suas candidaturas majoritárias pelo critério do “melhor administrador”, como se as escolhas administrativas fossem apenas técnicas e desprovidas de um conteúdo político-ideológico. Isto serve para mascarar o fato de que a operação destes partidos tem se tornado cada vez mais semelhante: políticas de aprofundamento da dominação do empresariado nas gestões municipais, com o uso da violência contra os movimentos e setores organizados que possam representar um questionamento deste processo.

Em outras cidades, como Niterói e São Gonçalo, a mesma lógica se apresenta. Em Nova Iguaçu, onde há dez candidatos à prefeitura, não há divergências profundas. Vários desses partidos, aparentes adversários, dividem o mesmo palanque em outros lugares. Projetos políticos pessoais dão a tônica da campanha. Não há salto de qualidade, tampouco renovação. É o mais do mesmo em candidaturas sem compromisso com a população, nada diferente do que já sabemos sobre a postura conservadora e entreguista de seus partidos nas esferas federal e estadual.

As candidaturas proporcionais têm se resumido a ficar na sombra dos candidatos a prefeito, não acrescentando nada em termos de consciência política do papel que instituições como o legislativo poderiam desempenhar, mesmo no quadro da democracia burguesa, para a proposição e fiscalização de políticas públicas em benefício dos trabalhadores e com a participação deles como sujeitos da construção da cidade.

A candidatura de Marcelo Freixo, do PSOL apresenta-se como alternativa de esquerda, socialista. Mas não escapa a essa caracterização. Sua campanha se dispõe a discutir abstratamente “uma cidade para as pessoas”. Freixo não contribui, em sua disputa, para a independência da classe trabalhadora, pois não a tem como sujeito coletivo da luta, nem desperta a referência na ação e na organização coletiva. Sua candidatura é baseada na figura de um indivíduo, que se apresenta como um herói contra as milícias. Ele recusou a unidade com outros partidos da esquerda e, tal como sua ex-companheira Heloisa Helena, é alheio à vida militante e coletiva de seu partido. Na busca pelo aparelho da prefeitura, Freixo infelizmente já demonstrou até onde pode ir pelo poder: admitiu cortar o ponto de grevistas e se posicionou favorável à remoção da comunidade do Horto Florestal. Dois pontos de tanta luta em contrário de muitos de seus hoje companheiros de partido.

 A campanha de 2012 revela, portanto, a velocidade com que o PSOL vem se limitando a partido institucional tradicional, submetido à notáveis. Resultado de sua própria criação, o PSOL é centralizado, autoritário e pautado no calendário eleitoral. Expõe a posição cada vez menos expressiva das suas poucas correntes radicais. Ali, os sinceros socialistas esgotam suas esperanças e aguardam que uma alternativa real se coloque na política brasileira.

O Reage Socialista Coletivo Fundador tem sua origem na esquerda do PT. Participamos ativamente do Movimento por um Novo Partido Socialista (2003), junto com alguns coletivos de esquerda, com independentes e com o PSTU. Desde então, criticamos o predomínio entre os “notáveis” do PSOL, do pragmatismo eleitoral e da política falso-moralista, presentes nos estertores da experiência do PT e aprofundados pelo “psolismo”.

Enquanto isso, o PSTU abre mão do papel dirigente que poderia assumir na reorganização partidária da esquerda socialista. Seus recentes passos no campo sindical e partidário demonstram a tendência de “seguidismo” e acomodação com relação a políticas recuadas desenvolvidas pelas correntes dominantes do PSOL, em nome da manutenção dos “aparelhos”. Isto se revela, por exemplo, nas composições que fez na greve dos servidores públicos federais. Com discursos e propostas ambíguas, PSOL, PCB e PSTU enfraqueceram o movimento sem esgotar as possibilidades, subestimando a energia dos professores que sofrem com baixos salários e más condições de trabalho e cuja indignação os mantinha dispostos a continuar lutando. O PSTU demonstra suas vacilações até nos programas de TV, quando defende a reestatização do transporte público, mas reivindica ônibus a R$1,00, subsidiado; ou apresenta, como alternativa às OS, a contratação de médicos e não a realização de concursos públicos.


Um voto contra a direita

 A despeito destas frágeis condições oferecidas pelos partidos de esquerda, cumpre hoje dar um voto contra a direita, pelo seu quadro de radicalização fascista, de perseguição aos pobres, assepsia urbana e higienismo social.

Neste sentido, votaremos e pediremos votos nos candidatos do PSOL e PSTU, reconhecendo a diferença entre esses dois partidos, em especial no que diz respeito a referência que o PSTU ainda possui na organização coletiva e partidária.

Nosso voto e nossa orientação se dão principalmente pela memória das lutas comuns passadas e pela expectativa de que em algum tempo futuro nos reencontremos com aqueles que continuam a acreditar nas possibilidades de um Brasil socialista.


Reage Socialista – Coletivo Fundador

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Greve dos bancários: a direção da CONTRAF fez a maior armação dos últimos oito anos!


Na nossa primeira postagem sobre a greve dos bancários desse ano, a gente já tinha alertado que ela poderia ser a pior da década. Um dos motivos tinha sido a política da direção petista da CONTRAF (Confederação dos Trabalhadores do Ramo Financeiro), que fez as assembleias votarem a greve quase uma semana antes do início real, o que desorganizou completamente a formação de piquetes e esvaziou as assembleias. Tudo isso pra seguir uma interpretação extrema da Lei de Greve, em vez de lutar contra as restrições ao nosso direito impostas pelo governo.

O resultado é que houve, em todo país, uma diminuição da mobilização da categorias. No Rio de Janeiro, onde atuamos, em vez dos piquetes que se espalhavam por todo o Centro da cidade (área de grande concentração dos bancos), só existiram três, dois no BB e um na Caixa.

Além disso, uma quantidade absurda de funcionários dos bancos públicos furou a greve, sendo que no Banco do Brasil foram quase todos os gerentes. Para a gente ter uma ideia, o máximo de pessoas realmente sem trabalhar no BB foi de 38%, e a média foi apenas de 20%, o que significa que a grande maioria dos funcionários furou a greve, mesmo com todo o discurso mentiroso dos sindicatos, que falavam em "grande adesão"! Esse é o maior motivo objetivo que permitiu a armação feita pela direção dos sindicatos, que aconteceu ontem.

Depois de somente 9 dias de greve, na primeira negociação, os banqueiros fizeram uma proposta de 7,5% de reajuste (a anterior, que tinha sido recusada, era de 6%), aumento do piso e reajuste do vale-alimentação de 8,5% e reajuste de 10% na PLR (participação nos lucros e resultados).

No BB, além disso teve uma proposta de incorporação dos Caixas na Carreira de Mérito, que representa um aumento de R$ 104,40 que vai atingir 11 mil pessoas (uma minoria dos caixas). Na CEF, pequenas mudanças na PLR. Nos bancos públicos, houve outras pequenas propostas de alterações, que não resolveriam nenhuma questão específica.

Uma coisa é você aceitar uma proposta dessas depois de esgotar as possibilidades. Outra, muito diferente, é fazer isso com uma semana de greve, sem disposição de ir além disso!

Mas foi a baixíssima participação da base que permitiu que a Articulação/PT e a DS/PT conseguissem aprovar essa proposta em assembleias vazias!

A proposta foi tão fraca, e tanto a greve ainda teria fôlego, que o próprio PCdoB, que também faz parte da direção da CONTRAF, defendeu a rejeição e a continuidade da greve nos bancos públicos, onde existiam condições de manter o movimento. Nos sindicatos dirigidos pelo PCdoB ou onde ele tem forte presença (Bahia, Sergipe, Pernambuco etc), é o que vai acontecer.  

Além disso, os funcionários da CEF, dando mais uma vez mostra da sua disposição de luta e da sua união, mantiveram a greve em uma série de sindicatos importantes (Bahia, Pará, Rio de Janeiro, Beo Horizonte, São Paulo, Porto Alegre etc). Isso certamente vai permitir mais vitórias, confirmando que a CEF é o setor com mais conquistas da categoria.

Mas, em relação à greve nacional, o mais provável é que ela será desmontada até sexta-feira, já que os sindicatos mais importantes roeram a corda.

A lição que podemos tirar desse golpe da direção da CONTRAF é que as correntes de oposição precisam reconstruir na base toda a organização que existia m 2003-2006, no auge das greves da última década, com delegados sindicais e demais representantes de organizações por local de trabalho. Só assim podemos impedir que tantos bancários desacreditem da greve e acabem furando, como tem acontecido nos últimos dois ou três anos.

Tudo isso só pode acontecer com a participação de correntes políticas classistas no movimento sindical, que combinem a luta por melhores condições de trabalho com a bandeira que a CUT depois de se integrar no governo: a defesa do socialismo. A tarefa do Coletivo Lênin é contribuir para criar uma corrente assim nos sindicatos.

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quarta-feira, 26 de setembro de 2012

CARTA ABERTA DOS MORADORES DO MOINHO


CARTA ABERTA DOS MORADORES DO MOINHO
IDENTIDADES DESTRUÍDAS

Desde 2006 os moradores da Comunidade do Moinho, no Centro de São Paulo, lutam constantemente para garantir seu direito à moradia. Ao longo destes 6 anos diversas situações delicadas colocaram os moradores em posições desgastantes, POREM, NÓS NUNCA DESISTIMOS DA LUTA PELA MORADIA.

Em dezembro de 2011 a comunidade foi atingida por um incêndio de grandes proporções, que destruiu mais de 400 moradias. Na época, foi pactuado um atendimento emergencial correspondente ao pagamento de aluguel até a conclusão das unidades habitacionais para atendimento definitivo, conforme o “Termo de Compromisso de Atendimento Habitacional” assinado pela SEHAB, Defensoria Pública, Ministério Público e Escritório Modelo.

Passados nove meses desse incêndio, mais uma vez o fogo consumiu inúmeras moradias da comunidade do Moinho, e também uma vida. Com isso, mais 80 famílias que moravam embaixo do viaduto Orlando Gurgel vão engrossar o número de desalojadas do Moinho, vivendo em situação provisória, aguardando uma solução e a garantia do seu direito à moradia. Mais 80 famílias que vão ter de brigar para ter um compromisso de atendimento, que sequer vem sendo cumprido adequadamente: os pagamentos de aluguel são irregulares, nunca pagos em data certa; famílias ficaram sem cadastro e, portanto, sem atendimento habitacional; os projetos das unidades definitivas se é que andam, andam a passos lentíssimos.

Curioso notar que os moradores vitimados são os mesmos que há 15 dias tinham relatado a ocorrência de forte pressão psicológica por parte da Municipalidade, que exigia que esses moradores deixassem o local até outubro.... Outra dúvida que cerca esse novo episódio se refere aos três focos iniciais de incêndio, pondo em dúvida a versão apresentada de briga de moradores viciados em drogas.

Nesse episódio, ocorreram inúmeras falhas no sistema de prevenção de incêndios: há um mês foi instalado um hidrante na comunidade, porém sem as mangueiras e sem a chave para acionamento da água, situação que obrigou os moradores a arrancarem as mangueiras que abasteciam suas próprias moradias para conter o incêndio (aliás, as famílias do Moinho estão sem água e sem luz!). Também não foram entregues roupas de segurança nem colocados extintores, tal como combinado.

A Prefeitura ofereceu aos moradores colchão, cobertor e cesta básica, mas a orientação sobre o alojamento provisório era buscar casas de parentes ou amigos ou se dirigir a um albergue. Mais uma vez a Prefeitura demonstra seu despreparo no atendimento de situações emergenciais, pois, da mesma forma que há nove meses atrás, não oferece abrigo que permita que as famílias permaneçam unidas, principal reclamação dos moradores por ocasião do primeiro incêndio.

ASSIM COMO TANTAS OUTRAS COMUNIDADES DE SÃO PAULO QUE SOFRERAM COM INCÊNDIOS (34 SÓ NESTE ANO!) O MOINHO, MAIS UMA VEZ, SOFRE COM O DESPREPARO DA PREFEITURA DE SÃO PAULO!

***

Vamos exigir o atendimento adequado que as famílias merecem e ampliar a luta pela moradia!!!Vamos romper contra essa política que não consegue garantir moradia adequada de forma definitiva e não enfrenta essa forma excludente de construção da cidade!!!

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ASSOCIAÇÃO DE MORADORES DO MOINHO
 
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domingo, 23 de setembro de 2012

E quando os inimigos dos EUA são piores do que eles?


Bem na luta
contra o inimigo principal
fui abatido
por meu inimigo secundário

não pelas costas, traiçoeiramente
como exigem seus inimigos principais
mas francamente, na posição
que há muito tempo ele ocupa

e de acordo
com suas intenções declaradas
de que eu não duvidava
e negligenciava

É por isso que a minha própria morte
não perturbou seu espírito
Meu único alvo continuará
a ser lutar contra o inimigo principal

(Erich Fried)


Os processos da Líbia, da Síria, do Irã tem dividido as correntes de esquerda. De um lado, os que defendem a luta popular pela democracia, colocando em segundo plano o fato de que os países imperialistas intervêm e, em alguns casos, dirigem esses processos. Do outro, os que colocam a necessidade de isolar os setores proimperialistas acima até mesmo da existência de movimentos de massas nos países em questão.

A polêmica entre esses grupos geralmente assume a forma babaca de "capituladores ao imperialismo x puxa-sacos de ditadores", justamente porque o que nenhum dos dois lados reconhece é que esse dilema é criado pela mudança radical das coordenadas estratégicas desde 1979.

Essa situação ficou mais atual ainda (se é que isso existe) depois dos protestos gigantes contra as embaixadas dos EUA, em vários países islâmicos. O motivo foi o protesto contra o filme de baixo orçamento e qualidade menor ainda, Inocência dos Muçulmanos, feito por idiotas de extrema-direita no melhor padrão Hermes & Renato (as cenas foram redubladas, os atores brancos passaram óleo pra ficarem com a pele mais escura dos árabes etc), que ridiculariza o Islã e o seu Profeta, Muhammad.

Obviamente temos que ser contra essa baixaria racista, islamofóbica e xenófoba. Mas os protestos não são pra isso. Eles são contra as embaixadas dos EUA. Parece que só são possíveis três interpretações: 1) ou eles estão exigindo que os EUA censurem o filme, 2) ou eles acham que os EUA estão numa cruzada contra o Islã (o que é uma bobagem, porque os EUA apoiam várias correntes fundamentalistas para contrapor aos fundamentalistas anti-EUA), 3) ou confundem o governo e o povo dos EUA.

De qualquer forma, os atos são reacionários, porque desviam a luta antiimperialista para o terreno religioso da "guerra de civilizações". Esses setores são os mesmo que exigem a censura de programas "antiislâmicos" na TV dos seus países. 

Nós devemos lutar contra a islamofobia desse filme ridículo, mas defender a censura a esse filme seria o mesmo que voltar ao tempo das leis contra a blasfêmia. As pessoas devem poder criticar qualquer religião, mesmo que seja da forma imbecil dos palhaços que fizeram esse filme idiota.

Apoiar os fundamentalistas, porque eles queimam a bandeira dos EUA, como fazem muitos setores da esquerda (caso do PSTU, da LER e da LC, que dizem que os protestos expressam distorcidamente a revolta contra o imperialismo), não só é idiotice, como é a maior expressão de indiferença diantes dos trabalhadores oprimidos pelo fundamentalismo, principalmente as mulheres!

Uma coisa é um movimento amplo, em que participam setores fundamentalistas (como foi a Revolução Iraniana de 1979). Nesse caso, realmente pode existir um conteúdo antiimperialista que é distorcido - justamente pelos fundamentalistas. Outra coisa muito diferente é quando uma organização fundamentalista organiza um ato com uma pauta diretamente religiosa (como "defender a honra do Profeta). Nesse caso, é óbvio que se trata de um ato religioso reacionário, e seria absurdo apoiá-lo.

Até os setores liberais proamericanos da Líbia foram contra o ato que matou o embaixador dos EUA, e mais ainda contra a existência de milícias fundamentalistas. E, nesse ponto, estavam agindo por  um instinto de defesa contra um setor que quer impor a Charia, uma legislação baseada numa interpretação severa do Islã, que é incompatível com as menores liberdades individuais consagradas pela democracia burguesa, como os direitos iguais para as mulheres, a defesa da liberdade de expressão etc. 

Isso nos traz ao objetivo da postagem: o que os comunistas devem fazer quando quem luta contra o imperialismo é mais reacionário que ele?


Marxismo, Liberalismo, Conservadorismo

Pra começar, temos que entender que o critério marxista não é "esquerda x direita". Ao contrário, o marxismo usa um critério genético/histórico para avaliar as correntes políticas, baseado na sua posição desde a revolução burguesa.

Quando começa a revolução francesa, surge uma corrente de defensores do Antigo Regime, como De Maistre e Edmond Burke. Pela sua posição, eles são chamados de contrarrevolucionários. Ideologicamente, são eles que criam o que hoje chamamos de conservadorismo.

O núcleo do pensamento conservador é o organicismo, ou seja, a ideia de que a sociedade é formada por partes que têm funções diferentes (como os órgãos de um corpo) e está acima das partes. Então, os conservadores acham que a sociedade tem que ser preservada acima dos indivíduos. Na prática, limitam os direitos individuais de acordo com a sua concepção de sociedade.

Por isso, quando você vê alguém ser contra o casamento gay, a legalização das drogas, defender o ensino religioso, é exatamente a concepção conservadora. O nazismo (que cumpriu, no começo, o papel de uma contrarrevolução preventiva) se intitulava uma "revolução nacional e conservadora".

Os liberais são a corrente que saiu vitoriosa das revoluções burguesas. No começo, o liberalismo se reduzia à defesa da  livre empresa e do governo constitucional, que garantisse os direitos dos cidadãos. Mas, depois de mais de duzentos anos de lutas (que continuam até hoje, no Norte da África, no Oriente Médio e em vários outros países), a noção de liberdade foi se ampliando até os direitos políticos, civis e sociais que temos hoje nas democracias burguesas.

A base do liberalismo é a concepção de uma sociedade formada por indivíduos, e que a sociedade não é uma entidade superior - ao contrário, ela deve ser organizada para a satisfação das necessidades dos indivíduos que a formam.


Viva o comunismo e a liberdade!

O marxismo critica as concepções liberais porque a liberdade no capitalismo é formal.

"O limite da emancipação política manifesta-se imediatamente no fato de que o Estado pode livrar-se de um limite sem que o homem dele se liberte realmente, no fato de que o Estado pode ser um Estado livre sem que o homem seja um homem livre. (...) Não há dúvida que a emancipação política representa um grande progresso. Embora não seja a última etapa da emancipação humana em geral, ela se caracteriza como a derradeira etapa da emancipação humana dentro do contexto do mundo atual. É óbvio que nos referimos à emancipação real, à emancipação prática.(...) Somente quando o homem individual real recupera em si o cidadão abstrato e se converte, como homem individual, em ser genérico, em seu trabalho individual e em suas relações individuais; somente quando o homem tenha reconhecido e organizado suas "forces propres" como forças sociais e quando, portanto, já não separa de si a força social sob a forma de força política, somente então se processa a emancipação humana". (A Questão Judaica)

Isso coloca a relação entre o marxismo e o liberalismo. Mesmo depois de quase cem anos de tradição stalinista no movimento, fica claro pela história do comunismo, que os marxistas defendem as liberdades democráticas e a liberdade individual em geral contra os setores conservadores. Nessa luta, o lado dos comunistas não é junto com as pessoas que temem as "consequências sociais" da censura (inclusive à pornografia), da restrição da liberdade sexual, do direito ao uso de drogas etc, e sim junto com os liberais mais extremos e individualistas.

Ou seja, a linha geral dos marxistas pode ser resumida no famoso verso da canção antifascista Bandera Rossa: "Viva il Comunismo et la libertà!".


A URSS e o antiimperialismo

O stalinismo destruiu o aspecto progressista do marxismo. Junto com a sua política de colaboração de classes, os regimes  e partidos stalinistas defenderam como norma para a sociedade "socialista" um estado policial, onde as mais básicas liberdades políticas eram negadas com o argumento de que eram "individualismo pequeno-burguês". Todo mundo sabe das perseguições aos judeus, homossexuais, testemunhas de Jeová, minorias nacionais etc nos "países socialistas". Ou seja, nesses regimes a liberdade para os trabalhadores era muito menor que nas democracias capitalistas.

O terror burocrático dos stalinistas foi a causa principal não só dos trabalhadores dos países imperialistas na sua maioria rejeitarem a luta contra o capitalismo (já que eles viam que nos países capitalistas avançados pelo menos existia liberdade de organização e expressão, que permitiam a organização como classe, o que era impossível na URSS), como também foi o que criou a confusão ideológica que levou os movimentos do Leste Europeu em 1989 a lutarem contra o socialismo, que eles achavam que era a mesma coisa que o stalinismo.

Apesar de tudo isso, nos países semicoloniais a situação já era de ditadura, mas sem as conquistas da revolução (pleno emprego, educação e saúde públicas etc). Por isso, os militantes desses países se espelhavam na URSS na sua luta contra o imperialismo. O prestígio da URSS depois da vitória contra o nazismo também fez com que setores democráticos se aliassem à URSS, inclusive dependendo do seu apoio econômico. Por isso, quando organizações stalinistas usam nomes como "Frente Democrática", "Democracia Popular" etc, não é simplesmente uma ironia macabra. É o resultado das contradições reais da luta antiimperialista. 

É por isso que os setores que lutavam pela terra, pela independência nacional, contra ditaduras apoiadas pelos EUA, pelas minorias nacionais etc, eram pró-URSS e estavam à frente da luta antiimperialista.

Ainda assim, a URSS apoiava regimes nacionalistas autoritários, como Nasser no Egito, Kadafi na Líbia, Nkrumah em Gana etc, por causa da sua política de revolução por etapas. Foi essa a base que permitiu a mutação do antiimperialismo, que aconteceu em 1978-1979.


O deslocamento do eixo antiimperialista

No final da década de 1970, três fatores internacionais mudaram todo o eixo antiimperialista.

O primeiro foi a estagnação dos países onde a burguesia tinha sido expropriada. Como Ernest Mandel e outros marxistas que analisaram as economias planificadas disseram, se não houvesse mecanismos democráticos para determinar as necessidades da produção e do consumo, já que não existia mercado, seria impossível a economia planificada funcionar. Assim, depois do período da industrialização da URSS e dos países mais atrasados do Leste Europeu (década de 1950), começou um longo período de estagnação, que durou até o fim dos regimes stalinistas.

Além de acabar com a ilusão de que a URSS "marchava para o comunismo", que o regime "socialista" tinha resolvido os problemas econômicos, a crise também levou a uma diminuição dos recursos que os soviéticos mandavam para os movimentos de libertação nacional.

Em segundo lugar, a guerra entre o Camboja e o Vietnã fez com que a grande maioria da esquerda deixasse de defender o regime genocida de Pol Pot. O que passou a ser discutido é que o regime do Khmer Vermelho foi uma coisa sem precedentes, comparável somente com o nazismo. O regime massacrava médicos, esvaziou as cidades, matava quem usava óculos (!!!) e transformou o país inteiro num campo de trabalhos forçados. O discurso que via os regimes stalinistas como um ponto de progresso perdia cada vez mais credibilidade.

Essas condições permitiram que a revolução iraniana contra o Xá proamericano, apesar da participação de várias correntes comunistas, fosse hegemonizada pelos fundamentalistas, que em poucos meses massacraram qualquer corrente de oposição e instituíram um regime teocrático ditatorial que dura até hoje. Desde então, a hegemonia das lutas contra as potências imperialistas passou para organizações completamente reacionárias, que desviam o conteúdo antiimperialista para um "choque de civilizações", em que eles são a ala mais declaradamente reacionária e passadista.

O que vemos, no final das contas, é que, em vários países, os setores que são considerados "antiimperialistas" são antiiluministas, reacionários, que querem que a sociedade volte para um estágio anterior ao capitalismo. Por isso, muitos setores das sociedades em que existem essas correntes veem os EUA e a Europa Ocidental como uma alternativa progressista, enquanto boa parte da esquerda pede que se faça uma aliança com esses restos da Idade Média. Muitas vezes, isso leva as correntes de esquerda a acusarem os setores secularistas e feministas desses países (ou seja, a esquerda de lá) de proimperialistas!


E então, o que fazer?

Em primeiro lugar, não sermos idiotas etnocêntricos. As contradições de classe também dividem os paises semicoloniais. Quando por exemplo, um idiota diz que ser contra o governo do Irã adotar pena de morte para adultério é favorecer o imperialismo, temos que lembrar que não existe uma coisa homogênea chamada "os iranianos", e sim que temos que nos apoiar nos setores da sociedade iraniana que levantem demandas iluministas/democráticas que estendam a liberdade individual. Ou seja, temos que fazer exatamente o contrário do "multiculturalismo" idiota da esquerda que fica glorificando o atraso dos países como se isso fosse antiimperialismo!

Também temos, seguindo esse raciocínio, que colocar as necessidades reais da luta em cada processo acima da estupidez geopolítica. A geopolítica é uma ideologia (e pseudociência) quer trata os países e blocos de países como um todo homogêneo, e analisa a realidade internacional como uma disputa entre esses blocos. Mais uma vez, quando você é contra uma revolta na Síria porque eles financiam a OLP, isso é escolher a burocracia, em vez de ficar do lado do povo em luta.

Pra fazer isso, é fundamental a gente entrar em contato com as organizações marxistas ativas nesses países. É muito sério a gente conhecer mais a Irmandade Muçulmana ou o Talibã do que, por exemplo, a LGO (Liga de Esquerda Operária) da Tunísia, o LPP (Partido Operário do Paquistão), o Lalit (Luta) das Ilhas Maurício, ou os Socialistas Revolucionários do Egito, mesmo com todas as diferenças políticas que a gente tenha com eles. O contato com esses grupos pode fazer evaporar em segundos qualquer ilusão nos setores que são muito mais retratados na mídia. Isso faz parte da "descolonização" da esquerda, porque muitas vezes as nossas referências são somente a América Latina e a Europa.

Finalmente, é bom lembrar que frente única antiimperialista se faz com setores antiimperialistas. Isso não tem nada a ver com protestos organizados por pessoas que são contra os EUA porque são um país "infiel". Seria a mesma coisa que ir pra um protesto do Tea Party contra o Barack Obama porque ele é "socialista"! Quando a Internacional Comunista defendeu a frente única antiimperialista, o tipo de movimento que existia eram correntes nacionalistas secularistas, que hoje a gente chamaria de nacionalistas burgueses, ou, no máximo, correntes islâmicas ou de religiões locais liberais, como o Sarekat Islam (Indonésia) ou o Cao Dai (Indochina). Totalmente diferentes das correntes sexistas, xenófobas e antioperárias como o Talibã e a Al Qaeda.

Mesmo quando é necessário estar no mesmo campo militar que os fundamentalistas, como na luta contra uma invasão imperialista, temos que ter clareza de que existe uma luta entre os setores que estão no mesmo campo e que, mais cedo ou mais tarde (geralmente mais cedo) vai se tornar mais importante que a luta contra o "inimigo comum". Isso exige retomar as lições do PC chinês depois de ser massacrado pelos seus "aliados" do Kuomitang: total independência política e organizativa (atos separados, se houver braço armado, também seja separado, organizações totalmente independentes), e denúncia constante do "aliado" (coisa que o PCC não fez a maior parte do tempo).

Se, por um lado, se abster de uma luta real contra uma intervenção militar seria o fim de qualquer organização revolucionária e, no final, isso serviria para fortalecer o setor reacionário com uma imagem "antiimperialista", por outro lado, se confundir e capitular diante de setores reacionários, patriarcais, fundamentalistas e xenófobos torna qualquer organização imprestável para a tarefa de se enraizar  nos setores mais oprimidos, como as mulheres e minorias nacionais, que são os setores que mais precisam de liberdade de expressão e organização. 
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sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Passeata unificada dos trabalhadores dos Correios, Bancários e Petroleiros, no Rio de Janeiro




Aconteceu hoje um ato unificado das categorias em luta com dissídio em setembro. Mesmo depois de uma chuvarada pesada a tarde inteira, a passeata saiu, com cerca de 300 pessoas, e foi até a Cinelândia. Foi muito positivo, porque os ataques do governo exigem uma resposta unificada, rompendo com o corporativismo que ainda domina o movimento sindical. Mesmo que 300 pessoas pareça pouco, é um ótimo começo, num momento de refluxo como o que estamos passando. Se os sindicatos tivessem divulgado mais a passeata, e se acontecessem assembleias unificadas pra preparar melhor, poderia ter uma presença muito maior categorias. De qualquer forma, é um importante passo para desafiar a política do governo do PT com a direita tradicional. 



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