QUEM SOMOS NÓS

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Somos uma organização marxista revolucionária. Procuramos intervir nas lutas de classes com um programa anticapitalista, com o objetivo de criar o Partido Revolucionário dos Trabalhadores, a seção brasileira de uma nova Internacional Revolucionária. Só com um partido revolucionário, composto em sua maioria por mulheres e negros, é possível lutar pelo governo direto dos trabalhadores, como forma de abrir caminho até o socialismo.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Essa greve dos bancários pode ser a pior dos últimos dez anos!


Ontem aconteceram as assembleias para decidir sobre a greve em todo o Brasil. A greve deve começar no dia 18 (terça-feira), exigindo reajuste de 10,25% nos salários.



Uma reivindicação insuficiente e um movimento esvaziado

Só esse índice tão baixo, que não recupera nem a inflação direito, já é um desestímulo a qualquer luta! "Quem vai se arriscar por tão pouco?", é o que muitos bancários pensam. Esse tipo de índice só consegue ser aprovado porque os Encontros Estaduais e Conferências que organizam a campanha salarial estão cada vez mais esvaziados.

Isso é consequência da desorganização da classe trabalhadora nos últimos 20 anos (desde que a destruição da URSS fez a direita e grande parte da esquerda fazer campanha de que é impossível lutar pelo socialismo). Estamos sofrendo cada vez mais com a terceirização, o desemprego, o controle cada vez maior do processo de trabalho pela informática. Tudo isso torna mais difícil a luta.

Mas os partidos e sindicatos também têm a sua responsabilidade, porque muitas vezes preferem confiar nos governos do que em se esforçar para mobilizar e politizar a massa dos trabalhadores que organizam. Esse é o caso da maioria dos sindicatos de bancários, e isso tem feito os trabalhadorem perderem a confiança na sua entidade, e passarem a vê-la cada vez mais como um bando de vendidos para os patrões e governos. Uma das consequências disso é a dessindicalização, ou a sindicalização só por causa dos benefícios do sindicato (convênios, viagens etc), sem uma perspectiva de luta.


Várias atitudes que vão enfraquecer a greve

A direção da Confederação dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (CONTRAF-CUT), formada por vários setores que apoiam o governo, como os sindicalistas do PT e do PCdoB fez de tudo para que a greve ficasse mais difícil ainda do que nos anos passados. E isso num momento de crise, quando os banqueiros querem jogar duro para impedir qualquer aumento!

A assembleia foi marcada três dias úteis antes do começo da greve! O objetivo do sindicato foi se adequar à Lei de Greve, que exige esse prazo. Até 2010, o sindicato simplesmente colocava um Aviso de Greve nos jornais de maior circulação. Mas os banqueiros e a justiça trabalhista passaram a exigir a aplicação da lei ao pé da letra, o que logicamente deixa muito mais difícil a organização da greve. A direção do sindicato, em vez de denunciar isso e fazer uma campanha contra os ataques ao direito de greve, aceitou de cabeça baixa.  

Conclusão: a assembleia de deflagração da greve aqui no Rio de Janeiro foi a mais vazia desde 2003, com somente 400 pessoas (por exemplo, ano passado tinha 2 mil!). Isso dificulta a formação dos piquetes e dá margem para que os bancos passem os próximos dias fazendo todo tipo de chantagem para as pessoas furarem a greve.

Os companheiros do PSTU e PCB defenderam que a votação do início da greve fosse em uma nova assembleia, na segunda-feira (17/09). A ideia era tentar ao máximo fazer uma assembleia maior. Mas, provavelmente, com essa convocação mal feita (em muitas agências nem chegou o jornal do sindicato), segunda-feira poderia ser até pior!

A direção do sindicato impediu a apresentação de propostas diferentes na assembleia. Todo e qualquer bancário tem que ter o direito de fazer e explicar as suas propostas, não só os diretores do sindicatos e quem eles querem!


Greve não é agência fechada com funcionários fazendo telemarketing!

O resultado disso é que vamos começar uma greve de forma totalmente desorganizada. E isso leva ao maior problema que temos enfrentado nos últimos seis anos: a grande maioria da gerência média do BB e muitos gerentes da CEF estão trabalhando durante a greve, diferente do que acontecia até 2004-2005.

Isso é um resultado da derrota da greve de 2004 (que durou 30 dias sem conquistar nada além da proposta inicial) e da descrença cada vez maior na direção do sindicato, com as suas propostas rebaixadas e sua cumplicidade com o governo. Mas é uma atitude que acaba prejudicando a luta coletiva.

Cada vez mais, a greve nos bancos públicos fica parecida com a dos bancos privados: a agência fechada por funcionários do sindicato (e não pela categoria), enquanto as pessoas batem as metas por telefone. Numa situação dessas, os piquetes não adiantam de nada, somente livram os fura-greves do "inconveniente" de atender o público que não quer comprar produtos.

Assim, a greve perde cada vez mais a sua capacidade de CAUSAR PREJUÍZO, e obrigar os banqueiros a cederem. Nos bancos privados, as coisas são muito mais difíceis, porque a ameaça de demissão é usada para impedir as greves. Se os bancos públicos, na situação atual, não fizerem uma greve REAL, então não podemos fazer nenhuma pressão sobre os banqueiros.

Não podemos deixar isso acontecer! Precisamos manter uma organização constante por local de trabalho, com o objetivo até mesmo de incluir os terceirizados, para aumentar o nosso poder de lutar por nossas reivindicações. 

A gerência média são os mais cobrados pelas metas, e quem mais sofre assédio moral, se aceitarem a chantagem de não fazer greve, vão dar mais condições para os gerentes gerais tirarem o couro, aplicando a política dos bancos, que tem levado ao adoecimento e morte.


O que fazer?

A greve desse ano deve terminar com um reajuste levemente acima da inflação oficial, como tem acontecido. A nossa luta é de longo prazo. Os trabalhadores que acreditam que a função do sindicato é lutar sem trégua contra nossos inimigos têm que estar presentes no dia-a-dia , não só em época de campanha salarial.

Precisamos voltar a organizar os trabalhadores por local de trabalho e criar uma corrente de luta nos sindicatos. Para isso, temos que resgatar outra conquista histórica da CUT, que foi abandonada durante o processo de direitização do PT: a compreensão que só poderemos ter uma mudança realmente grande na situação dos trabalhadores com a combinação das lutas imediatas com uma luta política por uma nova sociedade: o socialismo.

3 comentários:

  1. Trabalho no bradesco e...Nesse banco, 91% das transações já são oline. Como em todo banco privado, sindicalistas não podem ser promovidos,ou seja, só se é gerente se for fura greve. O resultado é o que vocês disseram no artigo: A agência fechada é na verdade uma "mão na roda", só se concentra em negócios e os pobres, analfabetos funcionais que não sabem utilizar o autoatendimento que se explodam! O banqueiro não é prejudicado com a greve.

    Os bancários não tem muita opção e, para piorar,a maioria só quer saber mesmo de arrumar uma promoção e dar uma folga no especial;Por essa ultima razão, dou até algum desconto ao sindicato(tem gente séria lá dentro,mas...).

    Uma alternativa seria uma intersindical,quer dizer, greves conjuntas, gerais etc. Porém, se querem saber, acho que bom mesmo era construir um partido ao estilo bolchevique e preparar a revolução; Essas lutas não são e nunca foram muito politizadas, são imediatistas, não visam acabar com o sistema, mas somente "humanizá-lo"; Isso é impossivel, os contrastes são a base do sistema e estarão sempre aumentando e diminuindo de acordo com o momento historico;

    O grosso do trabalho partidário(da militancia comunista),deve ser a organização e educação dos trabalhadores para um futuro golpe do proletariado; A solução da classe trabalhadora é sua emancipação, revolução, e não "um reajuste menos pior".

    Invistam na própria educação lenilista-marxista,formem circulos de operários para difundir esse conhecimento,difundam jornais e panfletos(e cobrem por eles para terem autonomia), e não se metam em discussões menores(sexismos,religião etc). A polêmica é unica: como derrubar o capitalismo, o resto a gente vê pelo caminho.

    Faço parte de um grupo ligado ao Lotta Comunista e já possuimos até uma sede auto-financiada. A militancia é diária, trabalho educativo e organizativo de domingo a domingo(de preferencia).

    Boa sorte aos companheiros.

    Lotta Comunista.

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  2. Caro companheiro da “Lotta Comunista”

    Primeiramente, os banqueiros não são indiferentes às greves de bancários. Não sei da onde é possível tirar a conclusão de que nenhum banqueiro é prejudicado pela greve. Mesmo com a informatização de alguns serviços, as greves ainda causam certo prejuízo pros bancos. E ainda é o jeito mais efetivo do trabalhador bancário se manifestar contra a exploração diária que o oprime. As greves atuais não são tão efetivas por conta dos motivos colocados no texto. Direções pelegas, refluxo da consciência da classe trabalhadora como um todo, conjuntura, etc.

    Obrigado pela dica sobre o partido bolchevique. Realmente eu não sei como a gente não percebeu antes. Ah ta... espera aí... A gente percebeu sim... UFA!

    O que eu acho interessante é vocês defenderem a formação de um partido, se abstendo de todo movimento de luta que os trabalhadores fazem parte. Como você vai ser direção da classe trabalhadora rumo ao socialismo, se negando a lutar contra a repressão policial, por aumentos salariais, por melhores condições de vida? Como você vai explicar que o trabalhador precisa lutar pela revolução se você é indiferente às lutas dele, dizendo que elas são imediatistas e não são politizadas.

    Depende da própria direção, organizada no partido revolucionário, politizar as lutas por demandas democráticas. A única maneira de educar a classe trabalhadora é fazer parte dela e combater junto os seus inimigos em todas as instâncias. A não ser é claro que você queira formar um grupo de intelectuais que acham que sabem tudo de revolução, mas nunca tiveram numa greve, porque acham que não precisam.

    A luta de classe se desenvolve em todos os ambientes sociais. Mas é claro que se vocês acham que machismo e outros problemas que oprimem a classe trabalhadora são “desvios da questão principal”, não é surpreendente que vocês achem inútil intervir nos espaços e nas lutas do dia-a-dia da classe operária.

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  3. Aliás,

    o Intervenção Comunista parece mais uma empresa distribuidora do seu jornal do que uma organização marxista. O jornal é totalmente apolítico, só faz análises econômicas sem nunca tirar conclusões e tarefas políticas (porque isso seria "reformismo"). Um falso leninismo muito diferente do Lênin, que disse que "o social-democrata não deve ter por ideal o secretário do sindicato, mas o tribuno popular, que sabe reagir contra toda manifestação de arbitrariedade e de opressão, onde quer que se produza, qualquer que seja a classe ou camada social atingida, que sabe generalizar todos os fatos para compor um quadro completo da violência policial e da exploração capitalista, que sabe aproveitar a menor ocasião para expor diante de todos suas convicções socialistas e suas reivindicações democratas, para explicar a todos e a cada um o alcance histórico da luta emancipadora do proletariado" (O que fazer?).

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