QUEM SOMOS NÓS

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Somos uma organização marxista revolucionária. Procuramos intervir nas lutas de classes com um programa anticapitalista, com o objetivo de criar o Partido Revolucionário dos Trabalhadores, a seção brasileira de uma nova Internacional Revolucionária. Só com um partido revolucionário, composto em sua maioria por mulheres e negros, é possível lutar pelo governo direto dos trabalhadores, como forma de abrir caminho até o socialismo.

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Mensagem de fim de ano

 
Pensamos na atividade política como toda aquela que interfere na realidade de nossas vidas, no aspecto individual e coletivo. Estamos acostumados a escrever textos sobre grandes acontecimentos políticos, relembrar datas importantes, denunciar alguma ação do capital, ou propagandear alguma luta justa da classe trabalhadora. Apesar da enorme importância política desses aspectos, nosso objetivo aqui não é este. Escrevemos aqui uma mensagem, que apesar de política, foge um pouco dos moldes comuns, mas também sem perder seu significado e importância.

Nossas vidas, a cada dia que passa, parecem estar paradas no tempo. Desde novos, o mundo toma uma forma estática em nossas mentes. Somos ensinados a ver a maneira como as coisas são eternas, poderosas, imutáveis. A escola, o trabalho, o estado, noções de família, amor, amizade. Tudo parece nos ser entregue como formas acabadas de um processo de decisões que aconteceu há muito tempo e que nascemos tarde demais para participar. Somos estimulados diariamente a tomar como único indício de melhora de nossas vidas o nosso correr atrás de uma vida melhor, o popular “subir na vida”. Parece que estamos fadados a ter que nos contentar com algumas melhoras materiais ao longo de toda a nossa vida. Nada que acontece pra além disso nos interessa, pois estamos sempre ocupados demais tentando nos formar, conseguir um salário melhor, comprar uma coisa nova, etc.. Os dias de fim de ano se encaixam perfeitamente nessa visão. Pois, nada como alguns dias de festa para renovar as esperanças de uma vida melhor, que está sempre por vir, logo depois do primeiro dia do próximo ano.

Não somos pessoas amargas. Não somos contra festejar o fim de ano nem ter esperanças de uma vida melhor. Pode-se dizer inclusive que o direito à festa e a ter esperança devem ser garantidos a todos os seres humanos. Por isso queremos usar a época presente para tentar trazer algo diferente pelo qual vale a pena festejar e ter esperanças. 

Parece que os sonhos de uma vida melhor já vieram prontos e embrulhados, e entregues pelo próprio papai noel. Se pararmos para pensar quando foi que decidimos nossas metas de vida, onde decidimos depositar nossas esperanças, fica difícil saber quando e se de fato decidimos alguma coisa. Parece tão natural, no processo de crescimento e amadurecimento, entender o mundo como algo sobre o qual não temos nenhum poder. Que só podemos ter controle parcial sobre nossos próprios umbigos e por causa disso, só temos que nos dedicar a eles próprios, já que não vale a pena se preocupar com qualquer outro problema.

Infelizmente, ou felizmente, isso não funciona pra todo mundo. Conforme a vida passa, fica possível perceber que os problemas estão sempre presentes, não importa o quanto nos esforçamos para superá-los. O dinheiro é sempre pouco, o sono sempre acaba antes do cansaço, o ônibus sempre cheio, chefes sempre pegando no pé, poucos dias pra se divertir, tristeza, solidão. Fica possível perceber também que muitas pessoas passam pelos mesmos problemas que nós, e enquanto algumas delas até vivem um pouco melhor, há outras que acabam perdendo seus empregos, que passam fome, que vivem na rua, que são perseguidas por causa da cor da pele, da orientação sexual, do gênero, etc..

Às vezes se torna difícil fechar os olhos pra tudo isso e continuar somente com o sonho de “subir na vida”. Fazemos tudo que nos foi ensinado desde criança, obedecemos, nos misturamos, acordamos cedo, trabalhamos muito e depois trabalhamos mais, e mesmo assim, a prometida recompensa nunca vem. E mesmo nas poucas vezes que vem, parece nunca ser o bastante para de fato melhorar a vida.  Será que tudo isso que aprendemos ao longo da vida foram ó mentiras contadas para nós? Mentiras feitas só pra nos fazer entrar no jogo? Não queremos iniciar um debate para tentar explicar essas questões. Nosso objetivo não é esse. 

Queremos apenas deixar uma mensagem para as pessoas que se identificaram, que entenderam o que foi dito, porque como nós, viveram e vivem os mesmos problemas dia após dia. Queremos dizer que há outras pessoas, não só ao longo do Brasil, mas do mundo inteiro, passando pela mesma coisa, exatamente como você. Entendemos como é viver numa sociedade que espera que você dê tudo de si mesmo, que seja a melhor pessoa do mundo, mas nunca te tratou como tal. Queremos que você saiba que você não é o único que quando para pra pensar na hora que vai dormir, se sente preso numa vida que, em grande parte, você não escolheu ter. Você também não é o único a não conseguir obervar o sofrimento de outras pessoas e se sentir indiferente. E mais importante que isso, você definitivamente não é o único que se incomoda com essa situação. Nem o único que pensa em fazer alguma coisa para mudar, para melhorar toda essa situação, mas não sabe por onde começar. Queremos dizer que você não está sozinho!

Queremos dizer também para todos os que acreditam e lutam por uma sociedade nova e melhor: Você também não está sozinho! Apesar de possíveis diferenças, há algo mais profundo e mais importante que une a todos nós: a vontade sincera de tornar o mundo um lugar melhor e mais justo para se viver.

Para todos nós que nos incomodamos e pensamos em fazer algo para mudar. Nós todos não estamos sozinhos! E por não estarmos sozinhos, podemos sim tentar e conseguir mudar o que antes parecia tão eterno e impossível de mudar, e assim podemos de fato ter esperanças de uma vida melhor. E podemos também finalmente, festejar de todo o coração, pois não estar sozinho e ter esperanças são uma das maiores alegrias de ser humano.

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domingo, 28 de dezembro de 2014

O novo acordo EUA-Cuba e a luta em defesa do Estado proletário


O novo acordo EUA-Cuba e a
luta em defesa do Estado proletário

Declaração do Comitê de Ligação pela IV Internacional/CLQI (Liga Comunista – Brasil; Tendência Militante Bolchevique – Argentina; Socialist Fight – Grã Bretanha), do Comitê Paritário/CP (CLQI + Coletivo Lenin - Brasil) e da Resistência Popular Revolucionária - Brasil


Após 18 meses de conversações secretas entre EUA e Cuba, mediadas pelo Canadá e pelo papa Francisco, os dois países realizaram os primeiros gestos de aproximação em meio século com a libertação de prisioneiros que ambos os países mantinham do outro. Mas o fim do bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto pelos EUA a Cuba depende do Congresso dos EUA, que precisa votar o fim das leis Torricelli e Helms-Burton. Todavia, os que defendem o bloqueio são a maioria das duas casas do Congresso.
O Estado imperialista é integrado por distintas frações da burguesia estadunidense. Por isso, apesar de sua pequeña importancia social, existem minorias contrarevolucionarias, como o sionismo (não confundir mecanicamente com o judaísmo) e os gusanos burgueses nos EUA que possuem representação deformadamente maximizada na política imperialista. Por exemplo, os negros são 13% da população estadunidense, mas todo policial tem o direito de estrangular e executar um negro pobre desarmado, segundo a justiça da mais rica cidade dos EUA. Os sionistas e os gusanos são sócios dos 1% mais ricos, mas assim como o sionistas, os gusanos podem impor sua orientação a Casa Branca em determinadas questões decisivas a seus interesses, por serem a vanguarda e justificativa da política contrarrevolucionária contra o Estado proletário nos EUA. Portanto, a derrubada das leis do bloqueio por parte do legislativo imperialista não será possível enquanto a burguesia gusana for funcional a direita republicana. Todavia, não nos resta dúvida que foram as necessidades maiores do conjunto do imperialismo por conter a influência da Rússia e da China sobre a América Latina que se impuseram sobre o Executivo para que Obama conciliasse esse acordo. 

Assim como a Síria, regiões da Ucrânia e em menor medida todo o mundo semicolonial, foi a vez de Cuba tirar proveito da nova correlação de forças mundiais criada após a crise de 2008 e a ascensão do bloco de países nucleados em torno da China e da Rússia sobre o declínio do imperialismo estadunidense.

A EXCEPCIONALIDADE CUBANA
A revolução cubana marcou um giro na história do século XX na América Latina. Além de derrotar uma ditadura pró-EUA nas barbas do Tio Sam, pela primeira vez no hemisfério ocidental o capitalismo foi expropriado. Isto possibilitou que uma pequena ilha com uma dezena de milhões de habitantes deixasse de ser uma colônia agrícola e degradada dos EUA para brindar sua população e o mundo com conquistas inéditas como a eliminação da fome, da miséria, do analfabetismo [ 1 ], um sistema educacional e outro de saúde cujos médicos e avanços são exportados para o resto da humanidade.
Mas Cuba não tornou-se um Estado proletário com a derrubada do ditador Fulgencio Batista e a tomada do poder pelo Exército Guerrilheiro do Movimento 26 de Julho, em 1959. O processo revolucionário a princípio não tinha uma estratégia socialista. Seu objetivo era a realização de tarefas democráticas capitalistas como o fim do regime ditatorial e a Reforma Agrária.
Mas, em meio à guerra fria contra a URSS, o processo revolucionário acentuou as contradições entra a pequena ilha e o imperialismo. Foi só quando o imperialismo tentou invadir a ilha, através da Baía dos Porcos, em abril de 1960, para derrotar o novo regime que a direção do movimento revolucionário de Castro e Che se viu obrigada a expropriar as multinacionais e ao conjunto da burguesia cubana que foge em massa para a Flórida. A partir de então, os gusanos (ratos), como ficaram conhecidos, integraram-se organicamente ao imperialismo e passam a justificar e influir na política dos EUA em relação a Cuba.
Realizava-se mais uma vez e de forma concreta uma possibilidade teórica que Trotsky cogitara no Programa de Transição:
“É entretanto, impossível negar categórica e antecipadamente a possibilidade teórica de que, sob a influência de uma combinação de circunstâncias excepcionais (guerra, derrota, quebra financeira, ofensiva revolucionária das massas etc.), os partidos pequeno-burgueses, incluídos aí os stalinistas, possam ir mais longe do que queriam no caminho da ruptura com a burguesia. Em todo caso, uma coisa está fora de dúvida: se mesmo esta variante pouco provável se realizasse um dia em algum lugar, e um "Governo operário e camponês", no sentido acima indicado, se estabelecesse de fato, ele somente representaria um curto episódio em direção à ditadura do proletariado.” [ 2 ]
No caso cubano, o “curto episódio” durou entre 1959 e 1961. A direção M-26-7 tomou empiricamente medidas revolucionárias, mas quase sempre sob pressão imperialista. O próprio Che, que historicamente representou a ala mais internacionalista do governo cubano, reconhece que a radicalização da revolução foi mais condicionada pela pressão imperialista que pelas convicções socialistas de seus dirigentes:
“o que temos pela frente depende muito dos EUA. Com a exceção da nossa reforma agrária, que o povo de Cuba desejava desde o início, todas as nossas medidas radicais foram uma resposta direta às agressões dos poderosos monopólios, dos quais nosso país é o principal expoente. A pressão dos EUA sobre Cuba fez necessária a ‘radicalização’ da revolução. Para saber aonde chegará Cuba, poderá se deduzir da resposta de onde se propõe chegar os EUA” (La Nación, 09/06/1961).
A revolução cubana, que nunca teve um partido revolucionário em sua direção, burocratizou-se pelas suas próprias limitações internas. Este processo de burocratização agravou-se quando a frágil ilha proletária precisou recorrer da ajuda material da burocracia stalinista da URSS. Mas, logo a princípio, a política de “convivência pacífica” do stalinismo mostrou a jovem direção do Estado cubano o quanto seus aliados russos eram pouco confiáveis. Che desiludiu-se com o governo da URSS durante a crise dos mísseis, em 1962, porque se sentiu ‘traído’ por Moscou que retirou seu armamento de Cuba sem avisar ao governo cubano, capitulando as pressões dos EUA.

O BLOQUEIO OBRIGOU A BUROCRACIA A
SOBREVIVER AO FIM DA URSS NA PRESERVAÇÃO
DO ESTADO PROLETÁRIO CUBANO
A política de isolamento e bloqueio imposto pelo imperialismo a partir de 1962 passa a exercer uma poderosa pressão contrarrevolucionaria estabelecendo por décadas uma condição excepcional que contraditoriamente forçou a direção castrista a defender as novas formas e relações de propriedade estabelecidos pela expropriação da burguesia e do imperialismo.
Para nós somente a dialética desta excepcionalidade explica como sendo um Estado proletário mais frágil em relação a URSS e a China, por exemplo, e como por um longo tempo dependendo destes “mega Estados operários”, Cuba conseguiu sobreviver ao fim de seus mantenedores.
Os elementos destas contradições se apoiam nas seguintes características
1)        Cuba é um Estado proletário que não se formou a partir de operários industriais;
2)        É o Estado proletário geograficamente mais próximo do núcleo duro do imperialismo mundial;
3)        É economicamente o mais frágil e quando caiu a URSS foi o que mais se debilitou;
4)        Proporcionalmente a sua fragilidade Cuba fez o maior esforço internacionalista tanto na África como na América Latina, sem obter nenhum lucro estratégico imediato por este esforço, mas usando-o como elemento de resistência contra a pressão do imperialismo.
5)        Para influir nos movimentos de massa na America Latina a burocracia castrista precisou abandonar em parte o nacionalismo das burocracias estalinistas;
6)        O papel da burguesia gusana, como componente orgânico do imperialismo, é desproporcional a seu peso econômico como fração burguesa.
7)        Sendo assim, dentre todos os estados operários o castrismo foi a direção burocrática que mais teve que se confrontar com o imperialismo e que teve que apoiar-se nas massas pela ameaça do imperialismo.
De certo modo e até agora, estas razões excepcionais, sobretudo pelo bloqueio imposto por mais de meio século, impediram que em Cuba e na Coreia do Norte, os processos de restauração capitalista se desenvolvessem de forma gradual e pacífica (como na China ou Vietnã), devido a própria fragilidade destes Estados Proletários frente ao imperialismo e suas respectivas burguesias "gusanas" de Miami ou da Coreia do Sul. Nestes casos, a restauração do capitalismo só poderia ocorrer através de uma guerra civil.

A NOVA GUERRA FRIA COMO ELEMENTO DETERMINANTE
PARA OBRIGAR AO IMPERIALISMO A CONCERTAR
O NOVO ACORDO EUA - CUBA
Todavia, a nova guerra fria com o avanço histórico e inédito da influência da China e da Rússia sobre o conjunto da América Latina, favoreceram a ala do imperialismo menos influenciada pela política de isolamento reivindicada pela burguesia gusana para buscar a via da cooptação, abrindo espaço para o atual acordo EUA-Cuba, que todavia ainda mantem o essencial da política de bloqueio econômico e que dificilmente será revisto, uma vez que precisa da aprovação do Congresso onde cresce a influência republicana a cada eleição.
O discurso de Obama é bastante esclarecedor para anunciar inesperadamente:
“a mais significativa mudança em nossa política em mais de 50 anos, vamos acabar com uma abordagem ultrapassada que, durante décadas, não conseguiu impulsionar nossos interesses”.[ 3 ]
Os interesses eram e são a restauração capitalista em Cuba, que agora serão favorecidos pelo aumento do fluxo de capitais entre os dois países, mas também, tais interesses se combinam com a necessidade de conter o avanço do bloco capitalista eurásico rival, tentando atenuar o isolamento que o próprio imperialismo se meteu.
O mandatário estadunidense relembra que “a relação entre nossos países desenvolveu-se sobre o pano de fundo da Guerra Fria e da oposição firme da América ao comunismo”.
Durante aquele conflito
“orgulhosamente, os Estados Unidos apoiaram a democracia e os direitos humanos em Cuba ao longo destas cinco décadas. Fizemo-lo principalmente por meio de políticas que visam a isolar a ilha, impedindo a viagem mais básica e o comércio que os americanos podem desfrutar em qualquer outro lugar. E, embora esta política estivesse enraizada na melhor das intenções, nenhuma outra nação se junta a nós na imposição dessas sanções, e isso teve pouco efeito para além do fornecimento ao governo cubano de uma justificativa para as restrições a seu povo. Hoje, Cuba ainda é governada pelos Castro e pelo Partido Comunista, que chegaram ao poder há meio século.
Enquanto
“há mais de 35 anos, temos tido relações com a China – um país muito maior também governado por um Partido Comunista. Quase duas décadas atrás, restabelecemos relações com o Vietnã, onde se travou uma guerra que custou mais vidas americanas do que qualquer confronto da Guerra Fria.”
 
Ou seja, o balanço que a Casa Branca faz a tática que deu certo foi a da cooptação e não a do bloqueio.
Contraditoriamente foi vencida a guerra fria anterior, mas nem assim foi restaurado o capitalismo em Cuba, graças a situação criada pelos próprios EUA. Então, diante da nova guerra fria em que os EUA estão perdendo terreno no continente e no mundo é necessária uma nova tática para Cuba, uma vez que, como ele destaca “esses 50 anos mostraram que o isolamento não funcionou, é tempo de outra atitude”.
A tendência de mudança dos EUA frente a Cuba deve-se essencialmente a alteração da conjuntura mundial após a crise de 2007-2008, ao fato de que o MERCOSUL, a UNASUL e o CELAC deixaram de fora aos EUA e ao Canadá. Estes países ficaram de fora da América Latina e também do Caribe. O CELAC estabeleceu acordos com a China em reuniões presididas por Cuba.
O acordo de troca de prisioneiros e favorecimento do intercambio turístico agora realizado corresponde a uma quarta etapa vivida pela ilha desde a crise dos balseiros no início da década de 1990.
A primeira foi quando Cuba, que sofreu mais com o bloqueio imperialista após o fim da URSS, havia logrado atenuar o cerco em favor sobretudo do imperialismo europeu, através da interferência do vaticano já desde João Paulo II.
A segunda etapa desde processo foi possibilitada pela onda populista capitaneada pela Venezuela de Chavez na primeira década deste século que intercambiou petróleo por serviços de saúde cubanos.
A terceira onda deste processo ocorreu após a crise de 2008 cujo epicentro foi os EUA. O porto de Mariel Fruto é fruto desta terceira etapa. Este projeto ampliará enormemente as vantagens do bloco eurásico e sobretudo de burguesias como a brasileira na disputa do comercio caribenho. Este porto, combinado com o novo canal Atlântico-Pacífico via a Nicarágua a ser construído pela China e a refinaria de Pasadena, comprada pela Petrobrás, fazem parte de uma ofensiva econômica estrutural do bloco eurásico sobre o decadente EUA e tem tirado o sono do grande capital e da reação de direita continental.
Estas etapas se confirmam na atual recuperação econômica cubana
“Desde el año 2003 el PIB ha crecido continuadamente hasta la actualidad según los informes de ECLAC. En el 2006 la economía creció un 12,6%, siendo el mayor crecimiento de América Latina según la Cepal ese año. Creció un 7,6% en el año 2007 con respecto al año anterior. Durante el año 2009 ECLAC estimó un incremento interanual del PIB del 1% con respecto al año 2008 (a pesar de la Crisis bursátil de enero de 2008 de afectación internacional)” [ 4 ]
Os EUA necessitam urgentemente e desesperadamente recompor o "panamericanismo" para blindadar as américas frente a Rússia e China. O que mais a Casa Branca teme é que os dois países eurásicos armem Cuba como os EUA fazem em nas fronteiras da Rússia e China, detonando assim uma nova crise dos mísseis.
A nova "abertura" frente a Cuba era imprescindível para a recomposição futura do mitológico "panamericanismo". Mas além de tentar retomar sua influência a partir do reestabelecimento das relações com seu pior adversário no continente, simultaneamente enquanto aprofunda as sanções contra a Rússia, os EUA sabem que não existe “panamaericanismo” sem o Brasil, assim que seguirá crescendo o processo golpista contra o governo do PT, anfitrião dos Brics no continente, para assegurar que o Brasil estará “seguro" contra a crescente influência do capitalismo eurásico.
A Argentina, por sua base estrutural possui uma economia não complementaria com a dos EUA e pior, em alguns commodities como nos cereais é competitiva com o imperialismo. O país, mais uma vez pode ser o elo mais débil do panamaricanismo e isso explica os esforços inéditos do núcleo russo-chino avançando sobre a Argentina não apenas no sentido econômico e geoestratégico.
O fim do bloqueio desatará tendencias restauracionistas represadas. Cuba pode inicialmente se aproveitar do desespero imperialista por não perder seu quintal, mas o capitalismo ianque não poupará esforços para devorar a Ilha e os novos ricos serão egressos da burocracia do PC, como já ocorreu nos Estados operários onde o capitalismo foi restaurado. Neste sentido cada vez maiores setores da burocracia anseiam em restaurar o capitalismo em Cuba como foi realizado no Vietnã, ou em um regime burguês ou em uma nova Venezuela.

O FIM DO BLOQUEIO, O CURSO RESTAURACIONISTA
E A REVOGAÇÃO DAS MEDIDAS ESPECIAIS
Acreditamos que é progressivo que o Estado proletário se beneficie da nova guerra fria para acabar com todas as represálias imputadas a ele pela audácia de ter expropriado as multinacionais e a burguesia vassala. Defendemos que o bloqueio deva ser eliminado incondicionalmente. Todavia, também acreditamos que a burocracia almeja converter Cuba em uma espécie de Vietnã caribenho, a medida que for suspenso o bloqueio imperialista, ou antes, se possível, ou seja, a burocracia se aproveita da conjuntura em favor da política restauracionista e não do socialismo.
Para que o fim do bloqueio tragicomicamente não resulte no fim do Estado proletário denunciamos toda a diplomacia secreta entre a burocracia e o imperialismo ou qualquer nação capitalista. Lutamos pela revogação progressiva das as medidas do chamado “período especial” tomadas emergencialmente a partir da dissolução da URSS em 1991 e do recrudescimento do embargo pelos EUA em 1992, assim como de todas as medidas posteriores que flexibilizaram a planificação da economia, o monopólio do comercio exterior e a estatização dos meios de produção.
Para começar, reivindicamos a volta do regime de pleno emprego e a revogação de todas as demissões; da lei dos investimentos estrangeiros de 1995, o reestebelecimento do pleno monopólio do comercio exterior, a estatização plena de todas as empresas mistas e da produção. Em outras palavras, se as coisas estão melhorando é preciso revogar as medidas que flexibilizaram o Estado proletário desde a década de 1990 do século passado. Todo esse programa deve estar aliado o combate às ambições e privilégios da burocracia, ou seja, a luta pela revolução política e pela instituição da democracia proletária em Cuba.

PELA REVOLUÇÃO POLÍTICA
CONTRA A RESTAURAÇÃO CAPITALISTA!
A luta pela revolução política na ilha assume caráter permanente, combate as medidas do governo castrista que conspiram contra as formas e relações de propriedade criadas pela expropriação do imperialismo e da burguesia cubana, enquanto simultaneamente deve impulsionar a edificação de comitês populares, de trabalhadores, camponeses e cooperados. Devemos lutar contra toda diplomacia secreta, tudo deve ser submetido ao debate, retificação e ratificação pela população cubana organizada. Não a devolução da propriedade aos gusanos.
Acreditamos que só seria possível uma revolução política em Cuba se houver um processo revolucionário no Continente. Sem isso, qualquer tentativa de revolução política em Cuba não teria como sobreviver.
O que foi expropriado deve permanecer estatal e sob o controle democrático dos conselhos de trabalhadores, produtores e consumidores. A primeira prioridade do Estado é garantir a saúde e a alimentação para o povo. Nenhum privilégio para a burocracia e para os turistas em prejuízo para as massas trabalhadoras. Abaixo com o separatismo turístico, pelo livre acesso de todos os cubanos para todos os hotéis, praias, balneários utilizado exclusivamente por turistas e que tudo seja pago em pesos. Derrotar a burocracia na luta pela democracia proletária e pela luta pela igualdade contra os privilégios.
É necessário construir os tribunais operários para investigar e condenar a corrupção, o mercado negro e os novos ricos. Em defesa do direito de greve e de sindicalização como parte da luta pela independência política contra a burocracia castrista, o imperialismo e suas ONGs contrarrevolucionárias e o Vaticano. Controle proletário da indústria e do conjunto da economia bem como sobre os acordos comerciais e todo o comercio estrangeiro, com a Europa, com a China e todo o bloco Eurásico e os países capitalistas latino americanos. Controle da contabilidade e da administração pela inspeção operária, com executivos de mandatos revogáveis eleitos em assembleia por local de trabalho. Somente os trabalhadores devem decidir como, quanto e o quê deve ser produzido e distribuído, bem como os salários e os ritmos da produção, assim devem combater as demissões em massa, a privatização das empresas estatais e os cortes nos serviços sociais do Estado.
Se como demonstrou a história do século XX a “teoria” antimarxista do “socialismo em um só país” reconduz os Estados operários a restauração capitalista, a continuar seguindo os preceitos stalinistas, o “socialismo” em meio país ou em uma ilha não terão destino melhor.
Nos opomos a criação de toda e qualquer partido ou organização que se oponha ao Estado proletário e a ditadura do proletariado e defendemos a criação de um partido trotskista revolucionário em Cuba e da instauração da democracia proletária na ilha. A restauração capitalista não é um fato consumado em Cuba e somente a luta revolucionária das massas latino americanas contra toda ofensiva restauracionista interna ou externa poderá derrotá-la.
28 de dezembro de 2014
Notas
2. http://www.marxists.org/portugues/trotsky/1938/programa/cap02.htm#13
3. http://wp.clicrbs.com.br/olharglobal/2014/12/18/e-a-coisa-certa-a-fazer-a-integra-do-discurso-de-obama-sobre-cuba/?topo=13,1,1,,,13
 http://websie.eclac.cl/anuario_estadistico/anuario_2009/pdf/Anuario_2009.pdf
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terça-feira, 23 de dezembro de 2014

IX Congresso da FIST


Fonte: FIST



REALIZOU-SE NO ÚLTIMO FIM DE SEMANA O 9º CONGRESSO DA FIST.
PARTICIPARAM NA ABERTURA,NO SÁBADO, AS SEGUINTES ENTIDADES E MOVIMENTOS:

- SINDIPETRO
- PASTORAL IDEA
- TV COMUNITÁRIA DE NITERÓI
- ASSOCIAÇÃO NITEROIENSE DE AMBULANTES COM DEFICIÊNCIA
- FUNDAÇÃO JOSÉ SARAMAGO PARA AS AMÉRICAS
- FRENTE INDEPENDENTE POPULAR (FIP)
- MOVIMENTO CONSCIÊNCIA PSY
- ASSOCIAÇÃO DOS PETROLEIROS DEMITIDOS (CODEP)
- MOVIMENTO DOS GARIS
- MOVIMENTO DE MORADORES E USUÁRIOS EM DEFESA DO IASERJ/SUS (MUDI)
- MOVIMENTO DE POPULAÇÃO DE RUA
- COLETIVO LENIN

AS DELIBERAÇÕES PARA AS LUTAS DO PRÓXIMO ANO SÃO:
- CONTRA AS REMOÇÕES E DESPEJOS (FIST ESTÁ A 4 ANOS SEM DESPEJOS)
- DENUNCIA DA FARSA ELEITORAL
- CONTRA OS LEILÕES DO PETRÓLEO,GÁS E XISTO
- CAMPANHA PELO GÁS A 1 REAL
- DISCUTIR O BOLIVARIANISMO
- DISCUTIR A PROPOSTA DE PLEBISCITO POPULAR

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sábado, 13 de dezembro de 2014

NOTAS SOBRE UMA DIREÇÃO REVOLUCIONÁRIA (Luiz Eduardo Lopes Silva)


Introdução do Coletivo Lênin:

Recebemos esse texto de linha conselhista do companheiro Denes, do Maranhão. Estamos cedendo democraticamente o nosso blog para publicar, depois do que foi explicado por ele.



Introdução do companheiro Denes:




Aqui é o Denes do Maranhão. Como a UJC MA União da Juventude Comunista do Maranhão esconde-me a senha do seu blog, volto a reproduzir textos e análises no blog da organização “Coletivo Lênin”.
Obrigado uma vez mais.
Há braços!



NOTAS SOBRE UMA DIREÇÃO REVOLUCIONÁRIA
Luiz Eduardo Lopes Silva

            Poucas coisas me deixam tão indignados no senso comum da esquerda atual, cada dia mais decadente, que o famoso jargão:

“A revolução não triunfa atualmente por falta de uma direção revolucionária”.

            Ou, outra bem parecida, que equivale à mesma coisa:

“A culpa da revolução não triunfar é das direções traidoras”

            Essa frase é bastante reveladora quanto à concepção de história que tem esses militantes. Para eles, os rumos decisivos da história são tomados por um pequeno conjunto de pessoas, um grupo seleto de iluminados que ao decidir escolher por determinado caminho mudam o rumo da história. Dizer que essa visão de mundo e da história nada tem a ver com a visão do materialismo histórico dialético é dizer o obvio. O que não teria nenhuma problema, caso os autores dessa enormidade: “a revolução não triunfa atualmente por falta de uma direção revolucionária” não se reivindicassem adeptos desse tal materialismo histórico e dialético.  Para o materialismo histórico e dialético, teoria revolucionária criada pelos pensadores alemães Marx e Engels, os sujeitos da história, isto é, aqueles que ao agirem traçam os caminhos do desenrolar da história da humanidade são as classes, e no caso da sociedade industrial capitalista contemporânea, a classe explorada que é classe operária, apesar da posição trágica que ocupa na sociedade é, na verdade,  a responsável por produzir a riqueza do mundo social. Essa classe, é, ela mesma a responsável pela sua auto-emancipação, e por consequência dessa mudança ocorrida na estrutura societal, a emancipação da classe trabalhadora significaria a emancipação do conjunto da humanidade. Deixando de lado que isso é um péssimo resumo de 200 anos de teoria revolucionária, o importante é que esteja claro que, para Marx e Engels, a emancipação do proletariado só pode vir mediante as ações do próprio proletariado, e não pelas mãos de um grupo organizado enquanto classe separada, muito menos das mãos de meia dúzia de dirigentes. Essa visão, no entanto, não é a visão corrente entre os militantes de esquerda que se dizem adeptos das teorias de Marx e Engels. Ao observarmos com cuidado vemos que essa sentença sobre a tal traição das direções, muito comum atualmente (formulada há quase 100 anos) entre os militantes de esquerda, é tributária da visão mais conservadora que a história já teve notícia e que é claro, nada tem a ver com a visão de Marx e Engels, tem a ver sim com aquela visão da história que tributa os principais acontecimentos aos feitos das grandes personalidades. 

            Tal visão da história, como não poderia ser diferente, contamina as mais diversas interpretações dos acontecimentos da história da humanidade e inclusive da história do movimento revolucionário. Os mesmos militantes que dizem hoje que “a revolução não triunfa por conta das direções traidoras”, são os mesmos que olham para trás e dizem que o grande problema da experiência da construção do socialismo na Rússia foi à morte precoce do seu principal líder (Lênin), e, em algumas interpretações somam-se a isso, a substituição do principal líder, Lênin, por um líder nefasto (Stálin), caso o grande líder (Lênin) tivesse sido substituído por um outro líder a altura, como Trotski por exemplo, as coisas teriam caminhado de um jeito radicalmente diferente. É curioso perceber que essa visão de mundo é idêntica a visão dos senhores e das senhoras conservadoras que na época das eleições votam nos políticos tradicionais como Maluf ou Sarney, por exemplo, porque acreditam que esses são grandes líderes, e que os seus dotes individuais, quaisquer que sejam eles, farão toda a diferença. Nessa visão de mundo as classes são escamoteadas, a grande massa das pessoas comuns, as conjunturas históricas, sociais, econômicas e políticas somem e prevalece a providência do indivíduo. Na cabeça viciada pela hierarquia e abarrotada de jargões desses militantes, não cabe entender o processo de ampliação da burocracia czarista promovida pelo partido bolchevique pós tomada jacobina da máquina Estatal, crescimento da burocracia admitida inclusive pelo próprio Lênin pouco antes de morrer, com a criação de uma polícia violenta e repressora a tcheka (depois se tornaria KGB), amplas medidas autoritárias e contrarrevolucionárias que qualquer um que tenha um mínimo desejo de conhecer a história da revolução russa para além dos jargões da esquerda tradicional vai poder constatar. E que sendo Trotsky ou Stálin seu sucessor, ambos seriam representantes da classe burocrática no poder, portanto teriam que governar segundo os interesses dessa classe e continuar implementando as medidas contrarrevolucionárias, de tal forma que se sabe amplamente que muitas das propostas de Trotsky em relação, principalmente a economia russa, foram colocadas em prática por Stálin. Da mesma maneira, esses militantes são os mesmos que dizem que a Comuna de Paris não foi vitoriosa porque não havia um partido dirigente. Isto é, pouco importa a enorme superioridade bélica das forças que esmagaram os comunados. As balas da aliança franco-prussiana contra os indivíduos mais pobres de Paris pouco importa frente à falta de alguns líderes iluminados e burocraticamente organizados segundo os ditames do tal centralismo. Outras análises, como as de Marx e Engels, por exemplo, que falaram que a Comuna de Paris foi a expressão viva da tal “ditadura do proletariado”, mesmo que nenhuma de suas principais correntes políticas reivindicasse o marxismo, nada disso importa, a análise de Marx errou feio quando esqueceu de apontar a ausência de um partido centralizado, e, caso o anacronismo permitisse, um partido de tipo leninista!

            É claro que esses militantes ao alardearem como um mantra essas baboseiras só estão repetindo aquilo que os seus líderes ensinam mediante as famosas secretarias de (de)formação e em seus jornais que cada militante tem a obrigação de vender mas não necessariamente de ler (talvez ler um ou outro texto no intervalo das inúmeras tarefas). O ensinamento dessa grosseira visão de mundo, que, tais líderes, têm obviamente um enorme interesse que triunfe, visto que, colocam suas ações como o grande palco onde a história se desenrola e legitimam sua posição escondendo sua face opressora e contrarrevolucionária. Os militantes que repetem tais baboseiras como se estivessem em transe, só estão legitimando a cisão interna que suas próprias organizações trazem consigo, entre aqueles que mandam e aqueles que são mandados, entre os que dirigem e os que são dirigidos. Tal cisão que é idêntica à cisão mais geral da sociedade, é seguida acriticamente pela maioria das organizações que se dizem revolucionárias, isto é, o fato que acontece na nossa sociedade onde algumas poucas pessoas decidem o futuro de milhões a portas fechadas é seguido a risca pelas organizações que dizem que querem mudar esse mesmo mundo. Não basta que as grandes corporações, as multinacionais, os dirigentes do Estado burguês e muitas outras instituições que não estão sob o nosso domínio e que, no entanto, decidem nossa vida, propaguem essa visão (e práxis) de mundo. Os partidos ditos marxistas não acham isso o suficiente, e colocam também seus aparelhos ideológicos para que essa filosofia triunfe inclusive entre aqueles que pensam que vão mudar alguma coisa. Tais organizações repetem com grande sucesso todos os vícios da sociedade que elas dizem pretender abolir. E mal sabem seus seguidores mais honestos que, ao engajarem em tais organizações, caso venham a triunfar, o máximo que eles vão conseguir, não é uma mudança radical desse mundo, e sim, no máximo, mudar algumas coisas superficiais ao mudarem o atual pequeno grupo dirigente por outro futuro pequeno grupo dirigente, que em hipótese nenhuma, servirá de abre alas para o domínio pleno da classe trabalhadora, é o que a história tem mostrado.

             É muito irônico perceber o fato de que as pessoas que se engajam nessas organizações, a maioria delas, presumo eu, talvez sendo um pouco otimista, estão cansadas de verem suas vidas serem decidas por forças que estão totalmente alheias a sua vontade, e ao se engajarem a maioria é incapaz de perceber que essa é a exata lógica que inspira a essência dessas organizações. A situação tragicômica de milhões de pessoas em todo mundo, das pessoas comuns, dos trabalhadores em geral, é ser um pau-mandado no trabalho pelos patrões, é ser um pau-mandado na vida pública pelos políticos, e se não bastasse, quando pensam em se rebelar contra essa lógica, o caminho que lhes é apontado é tornar-se um pau-mandado nos partidos que dizem representar seus interesses. Mesmo que não chegue a entrar nesses partidos, muitos desses trabalhadores continuam sendo um pau-mandado nos sindicatos que dizem lhe representar, mas que na maioria das vezes nada mais são que aparelhos que se estendem ou dos patrões, ou dos políticos ou dos partidos que lhe usurpam a representação.

            A verdadeira crise do nosso tempo, não é de direção, como querem fazer parecer aqueles que almejam ocupar os altos postos da hierarquia que administra a luta de classes e repetem esse mantra em todos os espaços que ocupam, sejam no movimento estudantil, no movimento sindical, no movimento operário de base, na política partidária etc. Se a revolução não triunfa ou não triunfou, não foi por falta de rebeldia das massas como vemos ao longo da história. Inúmeros fatores colaboram pra isso. Mas é claro que existe sim no seio da classe trabalhadora e das suas organizações uma crise grave que é de forma de organização. Se este ou aquele levante não triunfou porque sua direção traiu, capitulou, negociou quando era pra radicalizar, é claro que há problemas desse tipo, que não é minha intenção aqui negar, há sim direções traidoras, e muitas! O que devemos tirar de lição desses acontecimentos, é indagar que forma de organização que se construiu que permitiu com que a direção desses movimentos ganhasse autonomia em relação a base? Que tipo de principio organizacional permite essa profissionalização da direção e despolitização da base? Que é o que temos visto acontecer sistematicamente no movimento operário, sindical, estudantil e político partidário. Que tipo de forma de organização permite que uma direção corrupta, pelega, imponha sua vontade frente a uma ampla base de indivíduos sérios e comprometidos com a causa e que tendiam a radicalização? Não é com a simples substituição de líderes que responderemos a estas demandas. É questionando justamente esse princípio extremamente hierárquico e extremamente centralista, típico das condições históricas da nossa época, que é seguido acriticamente pela maioria das organizações políticas, atentando para isso que chegaremos ao âmago da questão. Se uma direção minoritária consegue impor sua vontade frente a uma base majoritária, é porque criou-se condições (políticas, jurídicas, estatutárias, e até mesmo carismáticas) para que essa separação se perpetuasse e não criou-se nenhum tipo de mecanismo para que deixasse de existir essa cisão interna. Nesses tipos de organizações os indivíduos da base sempre estão sujeitos ao “bom caráter dos dirigentes”, porque quando a traição vem, estão totalmente desassistidos de instrumentos e espaços de decisão direta, sem contar a própria falta de experiência de decidir algo sem o auxílio dos líderes, muito menos contra eles.   

            Como superar esses tipos de organizações e construir organizações realmente revolucionárias? A resposta a essa pergunta não saiu da cabeça de nenhum pensador, de nenhum intelectual seja ele conservador ou revolucionário, não veio da decisão de nenhum líder ou direção revolucionária, não estava em pauta em nenhuma reunião de nenhum comitê central. Foram os próprios trabalhadores que responderam a essa demanda impulsionados pelas necessidades da luta, nos momentos onde a luta se fez mais feroz e radical durante a história da luta do proletariado moderno. Nesses momentos, vimos a classe trabalhadora se auto-organizar e se auto-representar formando seus próprios espaços de decisão política, de democracia direta, de democracia de base, colocando em prática desde já a auto-gestão da vida. É o que observamos nos conselhos operários da Comuna de Paris, nos sovietes durante as revoluções da Rússia em 1905 e 1917, na China, na Hungria, nas fábricas e universidades ocupadas na França em 1968. Formas de organização não burocráticas, não hierárquicas, onde qualquer representante eleito poderia ser destituído pelas assembleias livres a qualquer tempo. Onde entre os trabalhadores não havia distinção entre dirigidos e dirigentes. Essa é verdadeira lição que a história da luta revolucionária nos ensina, que o poder dos trabalhadores se manifesta através de seus conselhos de fábricas e de bairros, de assembleias livres de pessoas livres, de sovietes!  Enquanto os trabalhadores se auto-organizaram segundo esses parâmetros não houve traição de nenhuma direção porque não havia uma direção que distinguia, que se separava, nitidamente da base. Esses movimentos não triunfaram, porque foram esmagados por forças contrárias, e não por traição de seus pares.

            É claro que há muitos matizes em tudo isso que falei. Mas em essência traduz a minha intenção que é mostrar o quão conservadora é a visão de mundo e de história que guia a ação de muitos militantes e organizações que se auto-intitulam revolucionárias e o quanto está distante da verdadeira essência da luta promovida por milhões de seres humanos pela emancipação humana. Essa luta nos mostrou que é preciso se utilizar de meios emancipados para lutar pela emancipação, obediência cega à hierarquia e ao centralismo só pode levar a mais obediência, mais centralismo e mais hierarquia. Em vez de ficar clamando pela ação de líderes honestos é preciso repensar as organizações de luta, é preciso reconstruí-las em base autogestionárias, em bases soviéticas, no sentido primeiro da palavra, isto é, em bases conselhistas! Está numa direção revolucionária é não está sob uma direção revolucionária

“Emancipar-se das bases materiais da sociedade invertida, eis no que consiste a auto emancipação de nossa época. Nem o indivíduo isolado nem a multidão atomizada e sujeita à manipulação podem realizar essa ‘missão histórica de instaurar a verdade no mundo’, tarefa que cabe, ainda e sempre, à classe que é capaz de ser a dissolução de todas as classes ao resumir todo poder na forma desalienante da democracia realizada, o Conselho, no qual a teoria e a prática controla a si mesma e vê sua ação. Somente ali os indivíduos estão ‘diretamente ligados a história universal’; somente ali o diálogo se armou para tornar vitoriosas suas próprias condições” (Guy Debord, A Sociedade do Espetáculo). 

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"As estratégias dos revolucionários na luta contra a ditadura militar", novo livreto do Coletivo Lênin!


Temos o prazer de apresentar o nosso novo livreto, As Estratégias dos Revolucionários na Luta contra a Ditadura Militar. O objetivo não é contar uma história da luta armada e nem da organizações clandestinas, como já foi feito por grandes historiadores,e sim debater as concepções e a estratégia que fundamentaram essas organizações, tirando as lições que elas nos deixaram para os dias de hoje, em que a ditadura da burguesia tem a forma democrática.

http://www.4shared.com/office/0CnjHen6ce/ditadura.html
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terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Liberdade para todos os presos políticos!


Repassamos o convite para este importante Ato pela Libertação de Igor Mendes e todos os Presos Políticos!
Não Passarão!

Data:11/12
Horário: 18h
Local: IFCS


Na última quarta-feira, dia 3 de dezembro, Igor Mendes da Silva foi preso e levado para a Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI) e de lá encaminhado para complexo penitenciário de Bangu. 
Igor é militante do movimento estudantil e popular, e conhecido pela sua dedicação às lutas em defesa dos direitos do povo e por uma nova sociedade.

Desde o dia 12 de julho, véspera da final da Copa da FIFA, Igor junto com outros 22 ativistas passou a responder a um processo que visava criminalizar as lutas populares, particularmente da juventude dos protestos que estouraram em junho de 2013, e dos movimentos e coletivos que permaneceram lutando durante a Copa. 

A acusação que motivou a prisão de Igor é que ele, Elisa Quadros e Karlayne Moraes, que respondem ao mesmo processo, teriam violado uma medida cautelar que impede a participação em protestos. Uma investigação da DRCI aponta que os três teriam participado de um "protesto" em frente a Câmara dos Vereadores no dia 15 de outubro.

Segundo o juiz Flávio Itabaiana que emitiu o mandado de prisão aos três jovens "a aplicação das referidas medidas cautelares se mostra insuficiente e inadequada para garantia da ordem pública". No entanto o suposto protesto em frente à Câmara Municipal foi na realidade uma atividade cultural em celebração ao Dia do Professor.

No dia 15 de outubro se celebrava o dia do professor com música, exposições de fotos e demais trabalhos artísticos, e era recordada e repudiada a agressão a professores pela polícia de Sérgio Cabral e a prisão arbitrária de mais de 80 pessoas e mais de 200 detenções no dia dos professores do ano anterior. Enquanto ocorria a atividade cultural a DRCI montava mais uma forma de encarcerar ativistas. Acusam os três jovens por celebrarem o Dia dos Professores.

Na realidade Igor Mendes está preso por ser um dedicado lutador do povo o que desperta intenso ódio do velho Estado que usa de todos os meios para manter a exploração.

Igor Mendes se junta agora a Caio Silva, Fábio Raposo e Rafael Braga como mais um preso político. Mas como disse o próprio Igor dentro da delegacia, os carrascos do povo, a perseguição política, os inquisitores das jornadas de junho, o fascismo, "não passarão!"



Evento no facebook: https://www.facebook.com/events/478398265632213
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domingo, 7 de dezembro de 2014

Novo livreto do Coletivo Lênin, Materiais para o debate sobre imperialismo e revolução permanente


Em agosto, participamos de um debate em São Paulo sobre as mudanças contemporâneas do imperialismo e as nossas tarefas atuais. Como contribuição, fizemos uma compilação de alguns materiais nossos sobre o assunto, que distribuímos impresso. Agora, colocamos no 4shared, e vai ficar com um link direto aqui no blog. Boa leitura!

http://www.4shared.com/office/VQQ-5YvGba/livretoimperialismo.html
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terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Congresso da FIST, dias 20 e 21 de dezembro!



CONGRESSO DA FIST


20/12 (SÁBADO)

18 ÀS 20 H - ATO DE ABERTURA
20 ÀS 23 H - FESTA SOCIALISTA (contribuir com comes e bebes)

21/12 (DOMINGO)

9 ÀS 12 H - CONJUNTURA, FILME SOBRE A CAMPANHA "O PETRÓLEO TEM QUE SER NOSSO" E FILME SOBRE A LUTA POR MORADIA.

12 ÀS 13 H - ALMOÇO
13 ÀS 17 H - RELATO DAS OCUPAÇÕES
18 H - PLENÁRIA FINAL

HAVERÁ CRECHE.

SINDICATO DOS PETROLEIROS
AV. PASSOS, 34 - CENTRO

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