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Somos uma organização marxista revolucionária. Procuramos intervir nas lutas de classes com um programa anticapitalista, com o objetivo de criar o Partido Revolucionário dos Trabalhadores, a seção brasileira de uma nova Internacional Revolucionária. Só com um partido revolucionário, composto em sua maioria por mulheres e negros, é possível lutar pelo governo direto dos trabalhadores, como forma de abrir caminho até o socialismo.

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Greve dos bancários: a direção da CONTRAF fez a maior armação dos últimos oito anos!


Na nossa primeira postagem sobre a greve dos bancários desse ano, a gente já tinha alertado que ela poderia ser a pior da década. Um dos motivos tinha sido a política da direção petista da CONTRAF (Confederação dos Trabalhadores do Ramo Financeiro), que fez as assembleias votarem a greve quase uma semana antes do início real, o que desorganizou completamente a formação de piquetes e esvaziou as assembleias. Tudo isso pra seguir uma interpretação extrema da Lei de Greve, em vez de lutar contra as restrições ao nosso direito impostas pelo governo.

O resultado é que houve, em todo país, uma diminuição da mobilização da categorias. No Rio de Janeiro, onde atuamos, em vez dos piquetes que se espalhavam por todo o Centro da cidade (área de grande concentração dos bancos), só existiram três, dois no BB e um na Caixa.

Além disso, uma quantidade absurda de funcionários dos bancos públicos furou a greve, sendo que no Banco do Brasil foram quase todos os gerentes. Para a gente ter uma ideia, o máximo de pessoas realmente sem trabalhar no BB foi de 38%, e a média foi apenas de 20%, o que significa que a grande maioria dos funcionários furou a greve, mesmo com todo o discurso mentiroso dos sindicatos, que falavam em "grande adesão"! Esse é o maior motivo objetivo que permitiu a armação feita pela direção dos sindicatos, que aconteceu ontem.

Depois de somente 9 dias de greve, na primeira negociação, os banqueiros fizeram uma proposta de 7,5% de reajuste (a anterior, que tinha sido recusada, era de 6%), aumento do piso e reajuste do vale-alimentação de 8,5% e reajuste de 10% na PLR (participação nos lucros e resultados).

No BB, além disso teve uma proposta de incorporação dos Caixas na Carreira de Mérito, que representa um aumento de R$ 104,40 que vai atingir 11 mil pessoas (uma minoria dos caixas). Na CEF, pequenas mudanças na PLR. Nos bancos públicos, houve outras pequenas propostas de alterações, que não resolveriam nenhuma questão específica.

Uma coisa é você aceitar uma proposta dessas depois de esgotar as possibilidades. Outra, muito diferente, é fazer isso com uma semana de greve, sem disposição de ir além disso!

Mas foi a baixíssima participação da base que permitiu que a Articulação/PT e a DS/PT conseguissem aprovar essa proposta em assembleias vazias!

A proposta foi tão fraca, e tanto a greve ainda teria fôlego, que o próprio PCdoB, que também faz parte da direção da CONTRAF, defendeu a rejeição e a continuidade da greve nos bancos públicos, onde existiam condições de manter o movimento. Nos sindicatos dirigidos pelo PCdoB ou onde ele tem forte presença (Bahia, Sergipe, Pernambuco etc), é o que vai acontecer.  

Além disso, os funcionários da CEF, dando mais uma vez mostra da sua disposição de luta e da sua união, mantiveram a greve em uma série de sindicatos importantes (Bahia, Pará, Rio de Janeiro, Beo Horizonte, São Paulo, Porto Alegre etc). Isso certamente vai permitir mais vitórias, confirmando que a CEF é o setor com mais conquistas da categoria.

Mas, em relação à greve nacional, o mais provável é que ela será desmontada até sexta-feira, já que os sindicatos mais importantes roeram a corda.

A lição que podemos tirar desse golpe da direção da CONTRAF é que as correntes de oposição precisam reconstruir na base toda a organização que existia m 2003-2006, no auge das greves da última década, com delegados sindicais e demais representantes de organizações por local de trabalho. Só assim podemos impedir que tantos bancários desacreditem da greve e acabem furando, como tem acontecido nos últimos dois ou três anos.

Tudo isso só pode acontecer com a participação de correntes políticas classistas no movimento sindical, que combinem a luta por melhores condições de trabalho com a bandeira que a CUT depois de se integrar no governo: a defesa do socialismo. A tarefa do Coletivo Lênin é contribuir para criar uma corrente assim nos sindicatos.

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