Reproduzimos aqui a declaração que reflete a posição da maioria do Comitê Paritário
GRÉCIA - DECLARAÇÃO CLQI SOBRE O GOVERNO SYRIZA
Declaração do Comitê de Ligação pela IV Internacional
19/02/2015
19/02/2015
A vitória do
Syriza (Coalizão da Esquerda Radical) na eleição geral grega de 25 de Janeiro revela um grande giro à esquerda
na consciência política da classe trabalhadora grega e dos agricultores pobres
(cerca de 35% dos gregos são camponeses). Resultado semelhante também refletiu
de forma contraditória a votação do Partido Nacional Escocês e os altos índices
de votação do “Podemos”, na Espanha, e do Sinn Fein, na Irlanda. O entusiasmo
por essa vitória reflete as esperanças e confiança das massas de que pelo menos
alguns passos para a libertação dos trabalhadores foram dados depois das
terríveis privações impostas pela Troika (Comissão Europeia, Banco Central
Europeu e Fundo Monetário Internacional).
Esse resultado também alimenta ilusões que a libertação da Grécia dos grilhões da Troika pode ser alcançada pela via parlamentar, de forma pacífica, ajudado por uma mobilização na base, apoiada talvez por algumas greves e manifestações que irão acelerar o estabelecimento do programa legislativo do Syriza, sob a liderança do primeiro-Ministro Alexis Tsipras. Estas ilusões são fomentadas e racionalizada por toda sorte de reformistas, stalinistas e centristas, incluindo muitos que apresentam em nome do trotskismo revolucionário. Mas, em vez disso, são oferecidos a negação populista e o repúdio imediato da política de classe e um rechaço a qualquer programa que possa conduzir a luta de classes para a revolução socialista. A própria ideia de que "a emancipação das classes trabalhadoras deve ser conquistada pelas próprias classes trabalhadoras", como Marx postulou em 1864, é agora rejeitada como uma ilusão, retrógada e desatualizada.
Esse resultado também alimenta ilusões que a libertação da Grécia dos grilhões da Troika pode ser alcançada pela via parlamentar, de forma pacífica, ajudado por uma mobilização na base, apoiada talvez por algumas greves e manifestações que irão acelerar o estabelecimento do programa legislativo do Syriza, sob a liderança do primeiro-Ministro Alexis Tsipras. Estas ilusões são fomentadas e racionalizada por toda sorte de reformistas, stalinistas e centristas, incluindo muitos que apresentam em nome do trotskismo revolucionário. Mas, em vez disso, são oferecidos a negação populista e o repúdio imediato da política de classe e um rechaço a qualquer programa que possa conduzir a luta de classes para a revolução socialista. A própria ideia de que "a emancipação das classes trabalhadoras deve ser conquistada pelas próprias classes trabalhadoras", como Marx postulou em 1864, é agora rejeitada como uma ilusão, retrógada e desatualizada.
Paul Walsh, da Red Pepper (http://www.redpepper.org.uk/); um representante típico deste lixo, argumenta exatamente isso:
"[O] sucesso do Syriza tem muito em comum com o do “Podemos” da Espanha e da Campanha por uma Independência Radical da Escócia [RIC]. O kit de ferramentas do "passo a passo populista” 'inclui: o abandonando estratégico da retórica clássica do marxismo, comunicar uma mensagem populista nas mídias sociais e o uso de formas não hierárquicas e descentralizadas de organização. Teoricamente, esses grupos têm como objetivo criar e ocupar um novo espaço político. Eles compartilham a percepção de que o projeto marxista clássico está esgotado. No entanto, utilizando o conceito de Gramsci da hegemonia – a premissa aqui é que são as ideias que devem conduzir o domínio e o controle. – eles estão criando uma nova cultura, não apenas os novos partidos políticos "[1]
"[O] sucesso do Syriza tem muito em comum com o do “Podemos” da Espanha e da Campanha por uma Independência Radical da Escócia [RIC]. O kit de ferramentas do "passo a passo populista” 'inclui: o abandonando estratégico da retórica clássica do marxismo, comunicar uma mensagem populista nas mídias sociais e o uso de formas não hierárquicas e descentralizadas de organização. Teoricamente, esses grupos têm como objetivo criar e ocupar um novo espaço político. Eles compartilham a percepção de que o projeto marxista clássico está esgotado. No entanto, utilizando o conceito de Gramsci da hegemonia – a premissa aqui é que são as ideias que devem conduzir o domínio e o controle. – eles estão criando uma nova cultura, não apenas os novos partidos políticos "[1]
GOVERNO TSIPRAS – “FRENTE POPULAR” OU UM FRÁGIL
POPULISMO PEQUENO BURGUÊS, APOIADO NA
NOVA GUERRA FRIA?
O novo governo
grego é dirigido por um partido da pequena burguesia, candidato a refém de
alguma ala do capital internacional. Um partido da pequena burguesia só dirige
um governo em situações excepcionais. No caso, o Syriza foi projetado para
cima, para conduzir o debilitado Estado capitalista grego, após o profundo
desgaste de todos os outros partidos do regime que impuseram sobre a população
as orientações draconianas da Troika, e, durante uma disputa interburguesa
internacional. Por causa de todas suas debilidades orgânicas, seus vínculos de
classes e ao governar um país extremamente debilitado, o governo encabeçado
pelo Syriza tentará ganhar tempo explorando as diferenças entre a UE e a Rússia
e barganhando, hora com um, hora com outro, mas logo será refém de um dos dois
blocos capitalistas internacionais, do imperialismo ou da Eurásia. Uma prova do
que estamos falando está no recuo que o novo governo fez, 24 horas depois de
ter anunciado que iria suspender a privatização do porto de Pireu, que já se
encontra em avançado processo de privatização pela China, e que protestou
depois do primeiro anúncio do governo de Syriza. A China exigiu do Syriza a
manutenção do processo de privatização porque quer fazer do Pireu a principal
porta de entrada de suas mercadorias na Europa. [ 3 ]
Diferente do
populismo burguês clássico (Peron, Vargas, Cárdenas), e das variantes do novo
populismo burguês (Chavez, Corrêa), estaríamos diante de um novo tipo de
populismo pequeno burguês. Algo também diferente das direções pequeno burguesas
que não chegaram a romper com a burguesia como o MNR na Bolívia de 1952 ou o
sandinismo na Nicarágua em 1979. O Syriza nada tem a ver com o kerenkismo, que
é típico de governos frente populistas. As
atuais direções pequeno burguesas da etapa pós-soviética não sofrem fortes pressões
da população trabalhadora para romper com a burguesia. Todavia, a nova
multipolaridade capitalista permite que estes partidos cheguem a direção do
próprio Estado capitalista e, no caso, barganhem com o imperialismo a
restauração da economia grega para seus traços dependentes anteriores,
superando a baixa econômica imposta pela semicolonização do período,
caracterizado pela privatização dos setores de energia, aviação [ 4 ] e portos
em favor do capital financeiro imperialista, além do o cancelamento de leis
impostas pela troika em troca do resgate financeiro ao país, como a demissão de
funcionários públicos.
O objetivo do
Syriza é ganhar tempo para cumprir os ditames do imperialismo de forma mais
gradual e ‘sustentável’ a manutenção da estabilidade política do capitalismo
grego. Para não frustrar por completo seus eleitores logo nos primeiros dias de
governo, o Syriza fez muitas promessas, como o fim dos centros de detenções dos
imigrantes, o aumento do salário mínimo de 500 para 750 euros, retorno do 13º
salário e do bônus de natal para os que recebem até 700 euros por mês, o
fornecimento gratuito de eletricidade para 300 mil famílias, uma reforma fiscal,
a revisão das privatizações, a renegociação da dívida grega, a readmissão dos
funcionários estatais que foram demitidos. Todos esses anúncios foram possíveis
pela política de chantagem, leilão político e zig-zags, como encenar
aproximação com o bloco Eurásico para assustar o imperialismo e, em seguida,
obter um certo crédito temporal da Troika, em troca do apoio grego as novas
sanções contra a Rússia.
Com diferentes
orientações e a partir de condições nacionais também distintas, os partidos
pequeno burgueses aproveitam-se do desgaste das antigas direções da população
trabalhadora ultra-corrompidas e desmoralizadas, e das fendas abertas no
sistema mundial de dominação imperialista para ampliar seu espaço político no
governo dos Estados capitalistas. O “Podemos” também tende a aliar-se ao bloco
Eurásico, ou pelo menos flertar com ele, para negociar em melhores condições
com EUA e UE [ 5 ]. As diferencias de SIRYZA com “Podemos”, se definem a partir
do fato de que Espanha sim é um Estado imperialista, ainda que decadente e de
segunda ordem e intermediário.
Tudo o que representa
a antítese da organização da classe trabalhadora, do euro comunismo até o
semi-anarquismo do movimento “Ocupy” recheia estas linhas confusas. Não poderíamos
encontrar uma declaração mais anti-leninista e contrária a organização da
classe operária do que a rejeição do papel da direção revolucionária contida na
frase: " comunicar uma mensagem populista nas mídias sociais e o uso de
formas não hierárquicas e descentralizadas de organização". E, é claro, a
genuflexão de Gramsci, o queridinho dos eurocomunistas, é sempre obrigatória
para aqueles que procuram atenuar o impulso da política de classe.
A partir do
caráter de classe do Syriza, fazemos a caracterização de que o governo
encabeçado pelo Syriza é um frágil governo burguês populista, apoiado em uma
frente de partidos pequeno burguês e burguês. Não caracterizamos o atual
governo grego como um governo de frente popular. E não alimentamos qualquer
ilusão nos governos de frente popular, que historicamente, conduziram o
proletariado para derrotas sangrentas (Espanha, Indonésia, Chile,..). Essencialmente,
a posição trotskista é a defesa da Frente Única Operária (FUO), de organizações
da classe trabalhadora, nos países imperialistas e das Frentes Únicas Anti-imperialista
(FUA) nos países semi-coloniais. Nossa condição é a de que os elementos da pequena
burguesia que dirigem o movimento de luta nacional ou a burguesia nacionalista que
compõem a FUA, realizem uma luta real contra o imperialismo (uma guerra ou uma
luta política aberta) para que a frente possa existir. Claro que a FUO ou a FUA
podem ser acordos escritos, se a organização revolucionária possui um tamanho
suficiente; medida que pequenos grupos revolucionários não estão em uma posição
para o conseguir. A questão essencial aqui é a orientação política, como vamos
lutar como nossos inimigos políticos estratégicos e com quem podemos nos aliar
temporariamente, embora sem dar qualquer apoio político a estes aliados
temporários, para e manter a nossa própria independência de classe, enquanto
nós enfrentamos o inimigo principal.
SEMI-COLÔNIA OU PAÍS IMPERIALISTA?
O capital financeiro grego no sistema bancário de países balcânicos até julho de 2011 |
"Embora a esmagadora
maioria dos Estados capitalistas são ou imperialista ou Estados dominados e
oprimidos pelo imperialismo, como colônias ou semicolônias, existem poucos Estados
capitalistas com um nível intermediário de desenvolvimento (por exemplo,
Portugal ou Finlândia). Esses Estados não têm alcançado esse nível de
desenvolvimento social, que dá origem a grandes monopólios e ao capital
financeiro em uma escala supranacional, ou, se, em algum momento eles chegaram
a alcançar o início de tal desenvolvimento, agora estão em declínio na presente
situação. No entanto, também não podem ser considerados como colônias ou
semicolônias. De um modo geral, estes países são elos da cadeia imperialista.”
Economia grega: despenca o PIB e sobem o desemprego, o deficit orçamentário e a dívida pública sobre o PIB |
"O reconhecimento da
existência desse punhado de nações que não são nem imperialista nem coloniais
não deve ser confundido com as teorias revisionistas do "subimperialismo",
que visam equacionar a mais desenvolvida das semicolônias (tais como Argentina,
Brasil, México, ou o Irã) com as nações imperialistas, ou, de qualquer forma,
com as nações imperialistas menos desenvolvidas ou particularmente em crise, na
verdade, negando ou pelo menos diluindo a divisão fundamental do mundo
capitalista em países imperialistas e oprimidos."
Tony Gard, da
Liga Revolucionária Internacionalista (RIL, em inglês) britânica, comentou, em
resposta a uma consulta de Gerry Downing do Socialist Fight:
"Eu acho que alguns detalhes precisam ser verificados: 1) Gostaria de perguntar porque a Finlândia foi apresentada como exemplo; 2) a palavra “poucos” é inadequada. Eu diria que os Estados da Europa Central, os Balcãs, os ex-Estados Operários deformados, pode ser caracterizado dessa forma. Nas discussões internas no ITC, nos anos 80, eu sei que nós consideramos a Irlanda como um exemplo. Eu acho que ele ainda descreve Portugal e na Grécia muito bem. É claro que a definição tem um caráter transitório. Lenin considerava Portugal como uma espécie de semicolônia do imperialismo britânico, apesar de [na época] ter um império colonial considerável, e a burguesia grega, especialmente seus bancos, tem (ou talvez agora melhor será dizer 'tiveram') um relacionamento de certo modo 'imperialista' com outros países dos Balcãs".
Sem tetos, a Grécia entre os países mais miseráveis do mundo, com base na taxa de desemprego e os altos preços dos produtos (Business Insider). |
Mesmo que o
capital financeiro grego possa ter assumido um papel expressivo nas últimas
décadas na região balcânica, particularmente para a Macedônia, de nenhum modo a
Grécia hoje, sobretudo nos últimos cinco anos, pode ser vista como um país
imperialista, como várias organizações políticas de esquerda erroneamente
caracterizam. A Grécia não pode ser qualificada hoje como país imperialista
pequeno, como a Suíça ou Holanda. A dinâmica da economia grega e suas relações
com a Troika, provocaram um profundo retrocesso no país. Sobre-endividada, a
Grécia foi obrigada a entregar para a privatização setores estatais
estratégicos, como 14 aeroportos regionais e o de Atenas, o Porto de Pireu. Depois
de submetida a ditadura da Troika, a Grécia perdeu seus traços de relativa
autonomia econômica em relação ao imperialismo, comprometendo suas funções na exportação
de capitais para os países da região. A Grécia retrocedeu economicamente da
condição de país dependente (como Portugal e Argentina em 1916), em direção a
condição de quase um país semi-colonial. O desemprego vitimou 26% da população,
e 50% da juventude. A política sectária do KKE, que caracteriza a Grécia como
país imperialista, é completamente desastrosa, porque desperdiça o valor
progressivo, que podem adquirir, as reivindicações de libertação nacional nas
mãos do proletariado. Deste modo, o KKE empurra toda a resistência anti-troika
para os braços da demagogia nacionalista fascista, do Aurora Dourada, que
capitaliza o descontentamento popular pela ruptura com a UE. Este é um ponto
muito importante, pois toda luta contra os cortes imperialistas impostos a
Grécia é uma luta pela soberania nacional da Grécia, que foi esmagada a partir
de 2010. A única maneira para que o esgotamento e da frustração popular com o
governo de Tsipras não termine sendo capitalizada pela extrema direita (a
terceira principal força destas eleições) é a consolidação de uma esquerda
revolucionária na Grécia.
O PARTIDO COMUNISTA
Tsipras é um
produto político da ala eurocomunista do Partido Comunista Grego, o KKE Interior,
que adotou o nacionalismo grego, em oposição às ordens liquidacionistas do
Kremlin em 1968. O KKE Interior é o progenitor do atual Syriza por uma complicada
série de cisões e fusões.
Entendemos
porque muitos camaradas advogaram hoje pelo voto crítico no Syriza, mesmo ele
não sendo um partido operário burguês. Não obstante, o Estado grego mescla um
desenvolvimento intermediário, com características tanto de país imperialista,
com suas grandes empresas de transporte e investimentos de capitais em países
com Macedônia, Bulgária, Sérvia, Romênia, etc., mas também possui
características de uma semicolônia. E uma grande parcela de seus capitalistas estão
sob ataque dos capitalistas maiores, de forma que o voto crítico no Syriza
poderia ser visto como uma espécie de Frente Única Antiimperialista. Mesmo que
rechacemos esta política, compreendemos aqueles que se reivindicam marxistas e
compreendem a situação desta maneira.
Isso é o
fundamental da questão e por isso decidimos não chamar a votar pelo Syriza. Mas
entendemos aqueles que sentem que seu voto é uma expressão de solidariedade com
a luta de uma nação semi-oprimida. Como no passado, marxistas argumentaram a
favor de um voto para o irlandês Sinn Fein quando ainda ele estava lutando
contra imperialismo britânico e pelo CNA, nas primeiras eleições que ele
disputou em 1994.
O mesmo tipo de
argumento poderia ser utilizado sobre o referendum escocês pela independência. O
Socialist Fight deliberou por defender o voto “Não”, e a LC e a TMB, todos
camaradas do CLQI, decidiram pelo voto “Sim”. Poderia se argumentar que una vez
que se rompesse o vínculo com Londres, a Escócia seria uma nação de
desenvolvimento capitalista intermediário, como a Grécia, Portugal, Irlanda, alguns
antigos Estados operários deformados do Leste Europeu, Rússia e China. Escócia
poderia converter-se em uma nação intermedia, como una nação independente, com
traços imperialistas e semi-coloniais. Estamos vivendo em uma época de transição
e Escócia poderia aprofundar seus laços com a Eurásia ou com os EE.UU..
Fundamentalmente
o vínculo da Grécia com a cadeia imperialista está agora sob uma forte pressão
e pode romper-se. Todavia, Syriza tem realizado um zig-zag previsível.
Inicialmente flertou com a Rússia, mas, aprovaram as novas sanções europeias
anti-russas. Logo de cara, o governo Syriza anunciou o cancelamento do programa
de privatização do Porto de Pireu, mas pressionada pela China, voltou atrás
para dar prosseguimento a venda de 67% para a chinesa Cosco.
Nós não defendemos
o voto no Syriza, porque ele não é um partido operário burguês, mas uma
coalizão entre setores burgueses, reformistas pequenos burgueses e grupos
centristas. Como o Socialist Fight afirmou no seu Editorial da revista número 9
(Verão de 2012):
"O Synaspismos (SYN)
(tendência de Alexis Tsipras ), é o maior grupo de esquerda na aliança
eleitoral chamado Syriza, eclético ideologicamente. Por sua vez o SYN é uma
aliança eleitoral de vários stalinistas, ecologistas, burgueses e socialdemocratas
radicais. Para fundar o Syriza, o processo de diluição ideológica do SYN foi
ainda mais amplo, para incluir elementos ainda mais burgueses. É uma aliança do
tipo Frente Popular; com uma propaganda anti-UE e anti-Euro, com camuflagens de
fortes sentimentos nacionalistas gregos, tanto utilizados pelo Syriza, quanto
pelo KKE. O contraste entre Syriza e um Partido de tipo Bolchevique como o de Lenin não
poderia ser maior."
Este novo
governo é burguês e pró-imperialista. Se o Syriza não tem como base a classe
trabalhadora organizada, dos sindicatos e seus filiados, ele não se sente pressionado
nem responsável perante ninguém, exceto perante a burguesia, a grega em
primeiro lugar, e a burguesia europeia. Um partido operário burguês não formar
um governo operário burguês quando é eleito. Todos os governos trabalhistas britânicos,
por exemplo, foram governos capitalista-imperialistas. O partido operário
burguês é o partido da burguesa no movimento operário e sua direção sempre deu
e dará apoio ao sistema capitalista.
Até para os
mais politicamente ingênuos, deve já estar claro que o Syriza veio para atenuar
as contradições entre os interesses da burguesia grega e da UE e preparar o
cumprimento mais eficaz dos planos da Troika. Tsipras tinha indicado abertamente
e com antecedência que iria formar uma coalizão burguesa com um partido
capitalista. No caso, Tsipras formou uma coalizão com os gregos Independentes
(ANEL), um partido de extrema direita liderado por Panos Kammenos. Esta
coalizão populista burguesa destina-se a formar a base para a defesa do capitalismo
grego em detrimento da classe trabalhadora e dos pobres. A nomeação de Kammenos
como Ministro da Defesa indica a vontade de Tsipras para esmagar com extrema
violência qualquer levante pela classe trabalhadora eles ameaçaram o sistema
capitalista.
A DIREÇÃO DAS ORGANIZAÇÕES DA CLASSE
TRABALHADORA
Por esta razão,
pedimos um voto para o EEK e o OKDE, eles têm as mais claras linhas políticas
de luta de classe pedindo e reivindicam a derrubada do capitalismo com uma
perspectiva internacionalista. Como o EEK afirmou em 2012:
"Revolução contra o
socialismo num só país, frente única dos trabalhadores contra frente popular de
colaboração de classes, a luta contra o fascismo, o declínio da democracia burguesa
e da ditadura do proletariado, a necessidade de uma Internacional
revolucionária, a questão do Estado, os perigos da burocracia etc. – são
questões candentes que se encontram atuais e urgentes agora na Grécia e que são
discutidas entre os setores mais combativos". [ 6 ]
O KKE parece
muito esquerdista para muita gente e denuncia o Syriza, prevendo a sua liquidação.
Ele fala de "apoiar o capitalismo” e a volta de uma "vida
frugal para o povo". Ele tem o apoio dos trabalhadores industriais
mais militantes e é claramente um partido operário burguês. Defendemos o voto no
KKE onde quer que o EEK ou o OKDE não apresentaram candidaturas.
No entanto, um
breve olhar sobre a história do KKE nos mostra que sua direção é
contrarrevolucionária, como nos mostram os períodos cruciais da história grega.
Durante o pacto Hitler-Stalin, o partido entrou em uma confusão política total.
Nikos Zachariadis, seu líder emitiu uma carta em 17 de Janeiro de 1941, no qual
ele escreveu: "Metaxas (ditador grego) continua a ser o principal inimigo do
povo e do país, sua derrubada é do interesse mais imediato e mais vital do
nosso povo... os povos e os soldados da Grécia e da Itália não são inimigos,
mas irmãos, e sua solidariedade vai parar a guerra travada pelos exploradores
capitalistas." Os soldados da Itália eram, obviamente, o exército
fascista de Mussolini.
Em Atenas, no
dia 03 de dezembro de 1944 a polícia grega e o exército britânico abriram fogo
contra uma manifestação de mais de 100.000 pessoas. Isso começou a batalha de
37 dias de Atenas, quando Stalin se recusou a apoiar os comunistas, porque ele
tinha acordado com Churchill e Roosevelt não fazê-lo. Tal como na Espanha, nas jornadas
de maio de 1937, os stalinistas locais ficaram muito temerosos que a intensidade
da luta tornasse a situação política muito revolucionária. Então, se viram
obrigados a combater os setores mais avançados da própria luta, assim, trataram
de assassinar cerca de "800 trotskistas", durante
e depois da Guerra Civil, como reconheceu um de seus dirigentes. Os trotskistas
reivindicaram somente 200 de seus partidários assassinados, o outro 600 se
dividiram entre alguns anarquistas, mas a maioria eram membros do próprio KKE
que lutaram pela revolução, embora ainda dominado por uma ideologia contrarrevolucionária.
O KKE aceita então um acordo de cessar-fogo chamado Tratado de Varkiza. Na
realidade, uma rendição. Eles desarmaram e liquidaram suas organizações. As
forças policiais e fascistas, em seguida, atacaram e mataram muitos dos membros
ordinários KKE. Quando eles foram forçados a lutar na Guerra Civil (1946-1949)
Stalin não deu nenhum apoio para os comunistas, mas eles foram apoiados por
partidos anti-Stalinistas da Macedónia, Bulgária, Iugoslávia e Albânia. Mas
todos eles mantiveram a linha contrarrevolucionária do ‘socialismo em um só país’
que tentou manobrar entre as potências capitalistas rivais para 'coexistência
pacífica" com o imperialismo.
Denunciar o
Syriza por participar de um governo capitalista é pura hipocrisia pelo KKE. Em três
ocasiões o KKE foi parceiro de menor importância de governos de ‘salvação
nacional’ do capitalismo. Na verdade, eles eram membros da Synaspismos por um
período, de forma que na crítica ao KKE não se apoia em qualquer princípio, mas
apenas oportunismo. Como no confirma o verbete da Wikipedia:
"Em 1944, KKE
participou do governo de unidade nacional de George Papandreou, ocupando os
cargos de Ministro das Finanças, Ministro da Agricultura, de Ministro do
Trabalho, Ministro da Economia e de Obras Públicas, e Vice-Ministro das
Finanças... Nas eleições de junho 1989 Synaspismos (que incluía o KKE) ganhou
13,1 por cento dos votos e se juntou a uma coligação com a Nova Democracia para
formar um governo de curta duração no meio de um espectro político abalado por
denúncias de escândalos econômicos contra a administração anterior do Movimento
Socialista Pan-helênico de Andreas Papandreou. Em novembro do mesmo ano
Synaspismos participou do "Governo Universal" com a Nova Democracia e
do Movimento Socialista Pan-helénico que nomeou Xenofonte Zolotas como primeiro-ministro
por três meses".
[ 7 ]
Na crise atual
do KKE têm se destacado pela conduta extremamente sectária, contra forças
políticas à sua esquerda, tratando-as como piores inimigos do que as forças de
direita. Eles se recusaram a participar de quaisquer manifestações convocadas
por outros grupos e sempre marcharam separadamente, utilizando diferentes rotas
de modo a não dar qualquer apoio político mesmo nas maiores mobilizações de
massas. No entanto, neste hábito sectário eles pareceram abrir uma exceção: Em 20
de outubro de 2011, o parlamento grego deveria aprovar um enorme orçamento de
austeridade e todos os sindicatos, incluindo o PAME, controlado pelo KKE,
marcharam sobre a Praça Syntagma, onde se encontra o parlamento grego. Então
finalmente o KKE promoveu uma política de unidade? Infelizmente não, porque o
KKE estava planejando o último ato de sua traição classe política. Wiki:
Um anarquista
protestou, indignada:
"Eu também estou
interessada na unidade da esquerda e atualmente estou comprometida neste esforço, as diferenças
entre as esquerdas libertárias e autoritárias apontam para o coração do que a
revolução proletária realmente é, seu ponto central. Seja qual for potencial desta
revolução, esta cooperação é quebrada quando os autoritários cercam o legislativo
de um governo burguês para defendê-lo de revolução democrática. Concordar com isto
seria renunciar a todos os princípios anarquistas. Eu não tenho nenhuma ideia
do que os stalinistas
estão pensando (supondo que eles não são agentes do imperialismo), mas seja o que for, eles não tem qualquer relação com a revolução social, como os anarquistas (ou mesmo com Karl Marx). Unidade implica uma certa medida de propósito comum, ao proteger a grega (e europeia) plutocracia, os comunistas têm demonstrado que os seus objetivos são incompatíveis com o nosso." [ 9 ]
estão pensando (supondo que eles não são agentes do imperialismo), mas seja o que for, eles não tem qualquer relação com a revolução social, como os anarquistas (ou mesmo com Karl Marx). Unidade implica uma certa medida de propósito comum, ao proteger a grega (e europeia) plutocracia, os comunistas têm demonstrado que os seus objetivos são incompatíveis com o nosso." [ 9 ]
A política
oportunista, na defesa do parlamento contra os manifestantes, e sectária, na
caracterização da Grécia como nação imperialista, do KKE, joga água o moinho do
anarquismo pela esquerda, e do Aurora Dourada, pela direita.
CONCLUSÃO
A luta de
classes na Grécia ainda encontrará suas batalhas cruciais. Nenhuma derrota ou
vitória foi alcançado pelas forças da classe capitalista e do imperialismo
Europeu contra a classe trabalhadora organizada na Grécia ou de toda a Europa.
As grandes greves e mobilizações em massa de 2010 - 2012 entraram em refluxo
momentâneo e agora o foco se volta para a eleição do SYRIZA, porque as massas
procuram uma expressão política para suas lutas contra a terrível austeridade
que tem sido imposta sobre a Grécia. É claro que há uma relação dialética entre
a luta de classes e as eleições parlamentares, que são apenas um reflexo
distorcido dessa luta. O perigo agora é que as massas vejam na eleição do
Syriza um substituto para estas lutas. E tudo indica que agora a direção do
Syriza está tentando explorar essas ilusões para manter a luta de classes
confinada nos limites do que é aceitável para o próprio sistema capitalista.
Enquanto se solidariza
com as esperanças da população trabalhadora e incentiva cada mobilização, o CLQI
adverte que essas ilusões são perigosamente mortais, porque o Estado e os
fascistas irão se lançar contra as massas com uma selvageria impiedosa quando o
Parlamento não conseguir mais manter o povo iludido e for desmascarado.
Queremos que este Estado de ânimo alimente uma renovação das lutas de greve de
massas de 2010-2012, mas em um nível político mais elevado que levará à
superação revolucionária do capitalismo, como parte de uma ampla e global
ofensiva revolucionária do proletariado na Europa.
Notas
[1] Paul Walsh,
pimenta vermelha, A ascensão do "peer peer-to-populistas",
http://www.redpepper.org.uk/the-rise-of-the-peer-to-peer-populists/ #
comment-291507
[2] http://actualidad.rt.com/actualidad/166505-podemos-gana-espana-salir-otan-brics
[6] As eleições
gregas de maio de 2012, por Michael Savas-Matsas, EEK Grécia, 08 de maio de
2012
[7] Partido
Comunista da Grécia, http://en.wikipedia.org/wiki/Communist_Party_of_Greece
[8] Os
anarquistas e comunistas colidir em Atenas - em fotos, por Jerome Roos, em 22
de outubro de 2011,
http://roarmag.org/2011/10/anarchists-communists-strike-riots-violence-greece/
[9] Ibid.
Comente sobre esta peça.
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