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Somos uma organização marxista revolucionária. Procuramos intervir nas lutas de classes com um programa anticapitalista, com o objetivo de criar o Partido Revolucionário dos Trabalhadores, a seção brasileira de uma nova Internacional Revolucionária. Só com um partido revolucionário, composto em sua maioria por mulheres e negros, é possível lutar pelo governo direto dos trabalhadores, como forma de abrir caminho até o socialismo.

domingo, 15 de março de 2015

Os dois pesos e as duas medidas da mídia e da polícia.

Não sou contra a liberdade. Pelo contrário. Sou plenamente a favor. O problema é que existe um nítido tendencialismo, por exemplo, na imprensa. E o que é pior, um tendencialismo velado. Quando existe uma cobertura de um protesto da direita, como a que pudemos assistir hoje pela televisão, podemos perceber, com grande clareza, que as emissoras não transmitem notícias e informação, elas criam as notícias e as informações. O que pretendo fazer, espero que tenha ficado claro a partir destes  comentários iniciais, é um comentário sobre a cobertura do ato e a atitude da polícia e não sobre o ato em si.
            Foi feita uma ampla cobertura do protesto de dia 15/03/15, com claro exagero do número de manifestantes presentes. Números que foram exagerados também pela polícia em diversos estados. Não pude deixar de comparar com a cobertura de atos da esquerda. A cobertura destes atos, quando conseguimos acompanhá-las pela televisão (pois muitas vezes elas não ganham espaços nos noticiários), o número de manifestantes é subavaliado. Além disso, pude ver várias faixas levadas pelas manifestações. Sinceramente, fiquei muito preocupada quando vi os dizeres “MAR DE LAMA”. Lembram-se dessa? Aquela campanha contra Getúlio Vargas... Foi o que preparou o terreno para, dez anos depois, instaurar-se a ditadura militar... Quando os protestos são de esquerda, essas faixas raramente entram em foco. E os dizeres não são repetidos pelo repórter. Dizeres do tipo: “tarifa zero”, “fim do vestibular, acesso AS universidade para todos os estudantes”, “diminuição da carga horária, sem diminuição do salário para combater o desemprego”, “salário igual para trabalho igual”. Uma pena... Um país melhor, acredito eu, seria um no qual todos os trabalhadores tivessem empregos, as empresas de ônibus fossem controladas pelos trabalhadores e a tarifa fosse gratuita, todos os estudantes tivessem acesso à universidade pública e de qualidade, a terceirização não existisse, não houvesse nenhum tipo de preconceito – racismo, preconceito de gênero e orientação sexual, machismo, dentre outros – e, principalmente, um país no qual todos fossem, de fato, livres e no qual todas as pessoas tivesses acesso ao que necessitam para viver. Enfim, certamente não seria o país da ditadura militar, ou, para ser um pouco mais otimista, o país da hegemonia política dos partidos da direita, que manifestações como a de hoje defendem.
            Não ouvi falar sobre o impacto no trânsito dessas manifestações. E os pobres cidadãos que queriam sair para almoçar com suas famílias no domingo? Para deixar a ironia de lado, e os trabalhadores que estavam indo ou voltando do trabalho NO DOMINGO? Sim, porque você pode não trabalhar domingo, mas tem gente que trabalha. Não estou dizendo que as manifestações não devem atrapalhar o trânsito, isso é inevitável, estou dizendo que, magicamente, a manifestação da direita não atrapalhou! Mas o dos caminhoneiros, que aconteceu no mesmo dia, atrapalhou e muito, segundo os noticiários.

            Fiquei surpresa com a polícia também. Nossos caros coxinhas desobedeceram à proibição de não invadir o espelho d’água em Brasília e jogaram água nos pés dos policiais que permaneceram imóveis. Incrível. Cadê o spray de pimenta? As balas de borrachas? O que fizeram com as balas de borracha? Os cassetetes? Esqueceram em casa? Não. Os cassetetes, as balas de borracha, os sprays de pimenta tem nomes escritos neles. Nomes de pobres, de pretos, de moradores de ocupações, de índios, de militantes de esquerda... Estão destinados. Servem para ferir e matar uma parte da população... Se isso é liberdade, eles estão precisando de um dicionário novo, para não falar de uma nova consciência. 

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