QUEM SOMOS NÓS

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Somos uma organização marxista revolucionária. Procuramos intervir nas lutas de classes com um programa anticapitalista, com o objetivo de criar o Partido Revolucionário dos Trabalhadores, a seção brasileira de uma nova Internacional Revolucionária. Só com um partido revolucionário, composto em sua maioria por mulheres e negros, é possível lutar pelo governo direto dos trabalhadores, como forma de abrir caminho até o socialismo.

segunda-feira, 22 de junho de 2015

OTAN discute estratégia nuclear da Rússia (Espaço Marxista)

COMBATE AO SECTARISMO PRÓ-IMPERIALISTA
Em defesa do trotskismo
contra o sectarismo pró-imperialista
Resposta da Frente Comunista dos Trabalhadores ao grupo Luta Marxista


Em meio a atual guerra fria, a maioria dos grupos que se dizem trotskistas se encontram profundamente influenciados pela propaganda de guerra do imperialismo, encabeçado pelos EUA.

Um setor deste pseudo-trotskismo vem se incomodando com a Frente Comunista dos Trabalhadores (FCT, seção brasileira do Comitê de Ligação pela IV Internacional, CLQI - LCFI). O incomodo deriva tanto de razões organizativas, quanto programáticas. No primeiro caso, por nadarmos contra a corrente do estilhaçamento que caracteriza os agrupamentos sectários que mais implodem do que crescem. No segundo, pelo pioneirismo na elaboração de explicações para os fenômenos atuais sob a ótica da teoria da revolução permanente, como é o caso do surgimento das "Potencias capitalistas, sui-generis, emergidas de grandes Estados Operários ". Explicações essenciais para a compreensão e atuação na luta de classes hoje.

Chamou-nos a atenção o comportamento de um grupo gaúcho que se reivindica trotskista. Fosse apenas por isso, e pelo fato da Luta Marxista há muito tempo vegetar a margem da luta de classes, desprezaríamos tranquilamente sua crítica, como fizemos há alguns anos atrás, quando, dando prova de sua esterilidade e carência de qualquer perspectiva política, LM nos criticou pela tática da Frente Única [ 1 ] defendida por nós e por toda tradição marxista anterior.

O que nos obriga a responder LM hoje é a necessidade de alertar aos nossos leitores para que fiquem atentos, mesmo para os que copiam as nossas elaborações, pois, por covardia política, semeiam confusão, sacando conclusões políticas opostas as nossas e funcionais ao imperialismo.

Como não consegue polemizar com as posições que temos, porque estas eles as copiam, criam posições que não temos, para digladiar-se com elas. O LM mente ao dizer que a Liga Comunista (LC), o Coletivo Lênin (CL), os agrupamentos que impulsionaram (juntamente com o Espaço Marxista, EspM, a Tendência Revolucionária do PSOL, TR, e o Coletivo dos Socialistas Livre, CSL), a criação da FCT,
“Apoiam também politicamente os governos das semi-colônias que estão sendo desestabilizados pelo imperialismo”.
Toda sua argumentação se baseia na falsificação de nossas posições
“embelezando e apoiando de fato os governos burgueses dessas nações”,
sem citar uma vez sequer a tal posição criticada em qualquer documento nosso. É assim porque a posição criticada SIMPLESMENTE, NÃO EXISTE e qualquer um que leia as declarações da FCT [ 2 ], e não precise apelar para a má fé para nos detratar, constatará isto, pois uma das características básicas da política da FCT é a sua defesa frente única sem prestar qualquer apoio político aos aliados vacilantes e circunstanciais que dirigem o movimento de massas ou as nações oprimidas ameaçadas. Não deixamos de desmascará-los junto as massas, pois invariavelmente tais aliados não realizam uma luta consequente contra a reação e o imperialismo e pavimentam o caminho destes inimigos contrarrevolucionários. Todavia, são estas as direções do movimento de massas e não nós, os revolucionários, e, se buscamos superar tais direções, necessário é demonstrar para as massas sua incapacidade de defendê-las, revelando os interesses burgueses que possuem esses aliados.

Em todo chamado a frente única ressaltamos a defesa da independência política dos trabalhadores e que a frente se faz sem depositar nenhuma confiança aos aliados e menos apoio político aos mesmos. Nossa estratégia no Brasil, por exemplo, é a construção da oposição operária e comunista ao governo Dilma.

A versão gaúcha do schachtmanismo [ 3 ] força na mão e diz que o CLQI
“Sacrifica o princípio da independência de classe, caracterizando esses governos como nacionalistas, anti-imperialistas, ou seja, progressistas”.
Terceira falsificação:
“Em geral, têm dado apoio eleitoral a partidos burgueses”.
Sobre as eleições presidenciais de 2014. No segundo turno, LM tomou a mesma posição eleitoral dos setores da esquerda a quem a própria LM acusa de pró-imperialistas. Por sua vez, como medida excepcional, e não "em geral" como tenta passar LM, ou seja, apenas no segundo turno, nas últimas eleições brasileiras, a LC, o CL, a ruptura do PCB que veio a constituir o EspM, e os ex-militantes do PSTU que conformaram o CSL, chamaram a votar na candidatura de Dilma e do PT contra as manobras da direita golpista, agente do imperialismo.

Tomamos a posição política eleitoral de votar na candidatura do PT contra a direita no ponto máximo da polarização de uma campanha presidencial que do começo ao final foi assombrada pelo Golpe eleitoral de Estado. A campanha começou de forma sangrenta, com um estranho "acidente" fatal que vitimou um candidato da oposição para catapultar uma candidata alternativa da oposição burguesa de direita. Uma vez que os candidatos do partido tradicional da oposição burguesa, do PSDB, já havia perdido as eleições presidenciais para o PT por três vezes seguidas e consecutivas (2002, 2006, 2010), agora o imperialismo impulsionava a unidade das oposições de direita, um amplo espectro religioso, anti-comunista, pró-imperialista e ligado ao capital financeiro para derrotar a candidata do PT. Diante das limitações, da incapacidade desta candidatura alternativa, sem partido próprio, programaticamente inconsistente, refém de todos seus heterogêneos apoiadores de última hora, chegar ao segundo turno, o imperialismo reorienta o conjunto da frente golpista para voltar todas as suas energias para o candidato do PSDB. A quase totalidade da mídia televisionada, virtual e escrita se unifica para derrotar o PT. Apesar de todos os esforços a Frente Única Golpista, o candidato tucano é derrotado no segundo turno. Os golpista não aceitaram a derrota e vão para as ruas realizando manifestações e provocações crescentes até que o movimento de massas de esquerda realizasse sua primeira grande manifestação de resistência (13/11/2014).

Diferente de uma espécie de esquerdismo incurável e senil no século XXI, bastante funcional ao imperialismo, nós como os bolcheviques chamamos a votar em partidos burgueses sim, quando as conquistas históricas do proletariado são ameaçadas por agentes do capital muito piores que o PT. Nossa defesa heterodoxa do voto em Dilma segue a nossa política geral de combate ao golpismo pró-imperialista e se inspira na política dos bolcheviques de
“apoiar a burguesia contra o tzarismo (na segunda fase das eleições ou nos empates eleitorais, por exemplo) e sem interromper a luta ideológica e política mais intransigente contra o partido camponês revolucionário-burguês, os ‘social-revolucionários’, que eram denunciados como democratas pequeno-burgueses que falsamente se apresentavam como socialistas.” (Lenin, “Nenhum Compromisso?” em Esquerdismo: Doença Infantil do Comunismo, 1920).
O fato de Dilma incorporar parte do programa neoliberal derrotado nas urnas em nada invalida a tática de chamar a votar nela contra o candidato da direita, pois, se este tivesse saído vitorioso, além das medidas reacionárias que o governo Dilma-Levi anda tomando, veríamos o Executivo nacional diretamente a serviço das demandas das marchas da direita golpista, o que significaria um ataque infinitamente pior contra o proletariado.

FRENTE ÚNICA

LM justifica: se não existem seções revolucionárias do CLQI nos países alvos do imperialismo onde chamamos a FUA, tal tática seria pura capitulação. Se tal metodologia confusa de pensamento fosse válida, os revolucionários não poderiam defender a tática da FUA em qualquer lugar, não só onde não possuem seções, como onde suas respectivas seções são extremamente pequenas. A LM revisa Trotsky, inclusive quando finge reivindicá-lo, nos próprios exemplos citados (Abissínia e China) por seu texto schachtmanista. Na verdade, como logo descobrimos, a LM é anti-FUA, ou seja, pró-imperialista, dizendo que a tática da III Internacional dirigida por Lenin e Trotsky caducou, mas não diz o porquê, segundo o esquerdista que o imperialismo gosta,
“A Frente Única proposta pelas Teses do Oriente em 1922 caducou como tática privilegiada.”
Quem caducou devido a extrema esterilidade de seus vícios sectários em nome do trotskismo foi a LM, completamente isolada não só das massas, mas hoje até do pequeno círculo de contatos pessoais que algum dia agrupou. Toda a história das revoluções no pós-guerra comprova que onde a política da frente única anti-imperialista não foi desviada e convertida em frente popular, surgiram novos Estados Operários (Iugoslávia, China, Coreia do Norte, Vietnã, ...).

Não é por acaso que LM compra e repercute a propaganda de guerra imperialista contra a Crimeia, as Repúblicas de Donbass e a Rússia:
“Putin retaliou anexando a Crimeia e promovendo o separatismo no leste da Ucrânia... A atitude da Rússia sobre as repúblicas não russas no seu interior e nas imediações é típica de um novo imperialismo nascente”.
Ou seja, para nosso grupo sectário, não se trata de uma ofensiva imperialista golpista (como na Líbia e Síria) que impulsionou o reacionário e pró-UE movimento Euromaidan e impôs pela força do terror fascista um golpe de Estado e um governo dirigido por fascistas em Kiev, obrigando as populações da Crimeia e do Leste ucraniano a fazerem referendos por sua autodeterminação contra a OTAN e a UE [ 4 ], onde saíram esmagadoramente vitoriosos os desejos da população de maioria proletária destas regiões por serem incorporadas a Rússia. Desejos que, diga-se de passagem, não foram plenamente atendidos pelo regime burguês de Moscou, que reunificou a Crimeia ao seu território, onde se localiza a importante base naval de Sebastopol, mas se negou a fazer o mesmo com as repúblicas da região do Leste, o Donbass (onde se encontram os oblasts, províncias, de Donetsk e Lugansk), por conveniência militar de manter um cinturão de terra intermediário entre suas fronteiras e as tropas da OTAN.

Não é por acaso também que na guerra civil da Ucrânia, o principal conflito do momento da nova guerra fria, além de se oporem a frente única contra o imperialismo, “nossos” “marxistas” também se opõe a defesa militar dos povos oprimidos e perseguidos contra os fascistas de Kiev, agentes da OTAN ou sequer exigem Fora as tropas do exercito ucraniano ou do nazista batalhão Azov do leste ucraniano.

Por fim, nossos detratores copiam a quase totalidade de nossas elaborações acerca de Rússia e China. Nada temos contra isso, como disse o grande Hermeto Pascoal:
“as minhas músicas eu quero mais é que sejam pirateadas. Quero mais é que as pessoas toquem, ouçam, a conheçam. E, pra mim, quem reclama da pirataria é quem faz música apenas para vender.”
O que nos opomos é a uma categoria de piratas que por covardia política evitam as conclusões práticas a que chegamos, e as prostituem em favor do imperialismo e da reação, que tem um tipo de pensamento muito preguiçoso para renegar nossas concepções marxistas de conjunto e mais ainda para formular as suas próprias. Então logo esvaziam o significado das elaborações que copiaram e saltam a conclusões ligeiras para reunir-se com o restante do pseudo trotskismo pró-imperialistas, para quem a Rússia e a China já seriam imperialistas e que diante do conflito entre estas nações e a OTAN, comandada pelo verdadeiro imperialismo, seria prudente ficar em cima do muro.

CONCLUSÃO

Em resumo, alertamos aos leitores que apesar de nos copiarem no conteúdo, as conclusões da LM são opostas as nossas: são a de que na Ucrânia, o certo seria ficar em cima do muro na luta entre os trabalhadores e a Rússia, de um lado, e os golpistas nazistas de Kiev e a OTAN, de outro; nos países oprimidos pelo imperialismo não se deve lutar por uma Frente Única Anti-imperialista; no Brasil, não se deve combater com todas as forças e por todos os meios a direita golpista pró-imperialista e chamar uma frente única contra o imperialismo e a oposição de direita golpista (inclusive para ajudar as massas a superarem suas ilusões no PT a fim de edificarem um verdadeiro partido revolucionário dos trabalhadores contra o capital). Para estes senhores sectários, objetivamente adversários de toda e qualquer frente única, nem sequer se deve participar de greves cuja direção é burocrática e tende a trair a luta, ou seja, deve-se converter também em fura-greves pois, afinal, raríssimas são as direções sindicais não burocráticas no mundo. No mesmo sentido, se opuseram ao chamado a construção da Greve Geral contra a terceirização. Fica evidente então que LM luta contra o marxismo. Parafraseando o próprio Marx, se esta "Luta" aí se diz marxista, tudo o que sabemos é que não somos marxistas.

Se logo imediatamente ao final da II Guerra Mundial, durante o início da primeira guerra fria, a batalha dos genuínos trotskistas foi por salvar a IV Internacional do desvio pablista, que capitulou ao stalinismo e pretendia liquidar a organização, agora, nossa batalha não é menor, o câncer schachtmanista alastrou-se por quase todas as correntes que reivindicam o legado de Leon Trotsky, incluindo as que resolveram romper com a IV para fundar uma V Internacional. 99% capitularam a tendência oposta a stalinofilia pablista, capitularam à stalinofobia shachtmanista. Não está descartado que desta nova guerra fria ganhe força um neopablismo na esteira da crescente influência do bloco eurásico e do bolivarianismo. Tal tendência que já se manifesta na IMT (CMI, em português, representada pela Esquerda Marxista no Brasil), de Allan Woods, precisa ser combatida. Mas, o sectarismo pró-imperialista é hoje tendência é amplamente majoritário no país, engloba todas as variantes morenistas, historicamente stalinofóbicas e que rechaçam a FUA, a começar pelo PSTU/LIT e a CST/UIT, do PSOL. Esse desvio se estende desde sua versão mais extrema, no MRS e no MNN, que se passaram de malas e bagagens para a frente golpista da direita, engrossando entusiasticamente as manifestações da direita pró-imperialista, como bem denunciaram os camaradas da FCT no Folha do Trabalhador 23 [ 5 ], até a LM, que segue o mesmo curso.


Notas
1. Também nos criticou por atuarmos mesmo nos sindicatos reacionários, por participar de greves convocadas por burocratas sindicais, por chamar a reunificação do movimento sindical brasileiro. http://lutamarxistablog.blogspot.com.br/2013/05/a-frente-unica-segundo-liga-comunista.html

2. “O golpismo no Brasil, na América Latina e as tarefas da Frente Comunista dos Trabalhadores
Resoluções da Reunião Nacional da FCT – 03 de maio de 2015.” http://lcligacomunista.blogspot.com.br/2015/05/resolucoes-da-fct-03052015.html#more
“Chamado à juventude para a construção da frente anti-imperialista e anti-fascista - Contribuição da FCT ao 54o Congresso da União Nacional dos Estudantes”
http://lcligacomunista.blogspot.com.br/2015/05/contribuicao-da-fct-ao-54o-conune.html
“Saudação do Comitê de Ligação pela Quarta Internacional aos trabalhadores do mundo - DIA INTERNACIONAL DO PROLETARIADO 2014 – CLQI” http://lcligacomunista.blogspot.com.br/2014/04/may-day-greetings-from-lcfi.html

3. Max Shachtman (10 de setembro de 1904 - 4 de novembro de 1972) foi um ex-trotskista que liderou uma oposição pequeno burguesa contra Trotsky e a direção majoritária do SWP dos EUA, a maior seção da IV Internacional na década de 1930. Shachtman renegou a defesa da URSS, a dialética marxista e por fim se passou abertamente para o lado da sua burguesia imperialista em 1961 apoiando a invasão gusana a Baia dos Porcos, orquestrada pela CIA, para sufocar a Revolução Cubana.

4. A incorporação da Crimeia a Rússia foi votada por mais de 96 % da população da Crimeia, sendo Crimeia historicamente um território da Rússia até que Nikita Krushev em um contexto de federalismo burocrático soviético decidiu seccionar Crimeia da Rússia e anexá-la a Ucrânia. Portanto, em função dos fatos que podemos observar, a questão da Crimeia em 2014 foi uma reunificação e de modo algum uma anexação por parte da Rússia, como tenta vender a mídia imperialista e seus seguidores. Exigimos respeito e defendemos os direitos nacionais e democráticos dos trabalhadores da Crimeia.

5. Ver "Melhores momentos da esquerda golpista! (1. PSTU; 2. Movimento Negação da Negação; 3. Movimento Revolucionário Socialista; 4. MEPR), COLETIVO LENIN
http://coletivolenin.blogspot.com.br/2015/04/melhores-momentos-da-esquerda-golpista.html

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