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Somos uma organização marxista revolucionária. Procuramos intervir nas lutas de classes com um programa anticapitalista, com o objetivo de criar o Partido Revolucionário dos Trabalhadores, a seção brasileira de uma nova Internacional Revolucionária. Só com um partido revolucionário, composto em sua maioria por mulheres e negros, é possível lutar pelo governo direto dos trabalhadores, como forma de abrir caminho até o socialismo.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Socialismo ou Cracolândia!

Um milhão de viciados em crack no Brasil
Socialismo ou Cracolândia!

Por P. Araújo

http://www.guiadigital.info/index.php?not=1&pesq_not=1&mostra=11254

No dia 14 de dezembro, o Ministério da Saúde declarou que existem cerca de 1.200.000 viciados em crack no Brasil, com perspectiva de 300.000 mortes nos próximos seis anos.

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20101215/not_imp653801,0.php

O crack é um resíduo da fabricação da cocaína. Ele tem esse nome porque, durante o cozimento da cocaína, ela estala (crack, crack).

O que os comunistas têm a dizer sobre o crack?

Estamos vivendo atualmente (desde a década de 1970) no período de crise estrutural do capitalismo. Ou seja, o sistema não tem mais para onde se expandir, e todos os lucros acumulados não podem mais ser aplicados na produção real. Isso leva a uma desindustrialização da economia, que destrói a própria base social principal da revolução, a classe operária. Além disso, toda a economia se baseia em mercados que "drenam" os lucros para fora da produção (mercado financeiro, "setor de serviços etc).

Uma das consequências sociais disso é que existe um desemprego em massa, uma massa de pessoas que NUNCA serão absorvidas dentro da produção. Por isso, elas não são a mesma coisa que o antigo exército industrial de reserva que Marx analisou.

As burguesias precisam "lidar" com essa massa, na grande maioria formada por negros e imigrantes. Para isso, existe uma série de mecanismos para militarizar e controlar as favelas e bairros pobres, como por exemplo o tráfico de drogas e a milícia.
Só que isso não é o suficiente, por isso existem políticas de extermínio de "baixa intensidade" contra essa população totalmente improdutiva para o capital. E esse é o papel do crack.

As drogas sempre foram utilizadas para estender as relações de mercado para onde elas não existiam, porque elas formam um mercado consumidor "forçado" (viciado). Foi, por exemplo, o caso do ópio, durante a conquista do mercado chinês pela Inglaterra, na década de 1840, como foi analisado por Rosa Luxemburgo em Acumulação do Capital.

O crack é um mecanismo ainda mais perigoso, porque serve para destruir fisicamente os excluídos da produção capitalista. E tem o efeito colateral de destruir qualquer possibilidade de consciência crítica que possa surgir na juventude negra que vive nas favelas e nas ruas - e que é o setor da sociedade com mais interesse na luta pelo socialismo. Num certo ponto, isso é semelhante ao que a CIA e a Máfia fizeram nos guetos negros nos EUA com a heroína, para destruir os Panteras Negras e o movimento negro em geral.

Como marxistas, defendemos a legalização das drogas, para impedir que elas sejam usadas pela burguesia para justificar a violência e o tráfico nas comunidades onde vivem os trabalhadores. Não é o mesmo caso com o crack. O crack é um mecanismo para a destruição dos pobres em geral.

Isso não quer dizer que defendemos que o Estado (o mesmo que faz vista grossa para o tráfico, porque parte do seu alto escalão ganha dinheiro com ele) combata a epidemia de crack. Nem podemos deixar essa tarefa nas mãos das igrejas, como a católica e a assembleia de Deus, que criam clínicas para transformar os viciados em sua massa de manobra para pagar dízimos e fazer campanhas políticas fundamentalistas.

A solução pela qual os trabalhadores (e os desempregados estruturais) devem lutar é a criação de clínicas de reabilitação laicas, com verbas financiadas por imposto progressivo sobre os lucros, para tratar os viciados. E o movimento dos trabalhadores deve entender que é parte do seu próprio interesse que o povo não se transforme numa massa de zumbis. O movimento deve fazer uma campanha de esclarecimento sobre o papel do crack no capitalismo, e dizer aos jovens, principalmente os trabalhadores e desempregados estruturais, que não usem essa merda!

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