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Somos uma organização marxista revolucionária. Procuramos intervir nas lutas de classes com um programa anticapitalista, com o objetivo de criar o Partido Revolucionário dos Trabalhadores, a seção brasileira de uma nova Internacional Revolucionária. Só com um partido revolucionário, composto em sua maioria por mulheres e negros, é possível lutar pelo governo direto dos trabalhadores, como forma de abrir caminho até o socialismo.

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

29 de Agosto – Dia Nacional da Visibilidade Lésbica – Em defesa das Lésbicas Trabalhadoras!




O 29 de Agosto é o Dia Nacional da Visibilidade Lésbica. Este dia surge no bojo das lutas contra a homofobia no ano de 1996 em que se realizou o 1° Seminário Nacional de Lésbicas – SENALE. A necessidade de se estabelecer este dia surge devido a condição da mulher lésbica de ser duplamente oprimida e explorada, gerando assim, uma invisibilidade de suas pautas especificas na sociedade e até mesmo no movimento.

As restrições ao sexo ajudam a preservar interesses econômicos e domesticar uma classe. Isso porque a sexualidade é algo que envolve e molda o comportamento e hábitos pessoais. Manter sob controle a sexualidade de um povo significa ter um forte instrumento de controle sobre seus hábitos e comportamentos, quando se trata da sexualidade feminina, particularmente ao vinculá-la à função reprodutora da mulher, a valorização da virgindade, à fidelidade e no qual, desde cedo, a equação mulher = mãe é inculcada na cabeça da criança do sexo feminino, as reivindicações dos movimentos das mulheres lésbicas trazem questões que lhes são intrínsecas e que correm o risco de passarem despercebidas nas abordagens feministas ou mesmo nas LGBTTs.

Dentro de um contexto de uma sociedade capitalista marcada historicamente pelo patriarcado, machismo e heteronormatividade, sem dúvidas as relações lésbicas são mais susceptíveis a discriminações sociais, pois questionam duplamente o papel da mulher nesta sociedade, sendo atacadas por homofóbicos e machistas conservadores.

Quem mais sofre são as lésbicas trabalhadoras que além da opressão, sofrem a exploração do seu trabalho não podendo viver plenamente sua sexualidade sob a pena de perder o emprego. A sociedade discrimina, agride e nega oportunidades de trabalho para as lésbicas assumidas. Não é a toa que é mais difícil para esse setor do movimento ganhar maior visibilidade.

A igreja como sempre cumprindo com seu papel reacionário tem organizados atos públicos com multidões contra o a união civil homoafetiva inflamando as massas ao ódio a esta relação que chamando-as de “demoníacas”. As emissoras de TV dos empresários apresentam personagens homossexuais estereotipadas como figuras caricatas, objeto de piadas e de risos.

A base material da ideologia homofóbica é a mesma da que reprime a sexualidade da mulher. A necessidade de gerar descendentes que carreguem o nome da burguesia e, por conseguinte, mantenham a propriedade sob seu controle. Esta é uma ideologia que não nasce com a burguesia, entretanto é uma ferramenta perfeitamente favorável a manutenção do poder burguês. Com a disseminação dos preconceitos e discriminações entre a classe trabalhadora se divide a classe e solidifica a exploração.

Historicamente, as classes dominantes necessitaram recorrer a esse tipo de ideologia para criar castas super-exploradas entre as classes dominadas, com o intuito de organizar a produção  de forma mais "lucrativa". No capitalismo então, as opressões cumprem um duplo papel: além de criarem tais castas, elas também dividem e deixam inseguros aqueles oprimidos pelo capital, dificultando assim a organização de sua resistência. A opressão é utilizada para dividir a classe trabalhadora e fazer com que os trabalhadores não vejam a burguesia como sua principal inimiga, mas sim uns aos outros. Com essa divisão, conseguem dividir a resistência frente a qualquer ataque aos nossos direitos.

O movimento LGBTTS, em sua maioria  formado por ONGs sustentadas pelo Estado e pelas empresas, insiste que a solução é aceitar as famílias homossexuais; e reivindica o direito ao casamento. Na verdade, isso é uma incorporação da ideologia da família burguesa. O casamento não deve precisar de reconhecimento estatal! Não deve haver nenhuma norma que impeça duas ou mais pessoas de viverem juntas, terem e criarem crianças, com plenos direitos previdenciários.

Uma vez que as opressões às mulheres lésbicas, negros e LGLBTTs estão ligados à uma necessidade da burguesia de aumentar seus lucros (através da super-exploração de setores da classe trablhadora), não há como separar a luta contra as opressões da luta contra o capitalismo. Não podemos nos limitar as demandas democráticas. A libertação sexual só pode ser realizada pela classe trabalhadora, através da sua luta revolucionária pelo fim da opressão econômica do capital e da burguesia. Assim, a luta contra as opressões deve ser travada prioritariamente nos próprios espaços de trabalho, através de estruturas já existentes (como os sindicatos) e outras mais dinâmicas (como comissões organizadas por local de trabalho). Além da luta contra a opressão ideológica dentro das próprias fileiras da classe trabalhadora, é fundamental que o movimento operário também organize comissões de auto-defesa em casos de ameaça de violência física a algum trabalhador, seja ele negro, mulher ou LGLBTTs.

É preciso que as mulheres lésbicas coloquem suas pautas junto as de todos os trabalhadores no sentido de perceber que a destruição da opressão só se dará em um novo modelo de sociabilidade, com a destruição do capitalismo. Por último, é importante lembrar que o fim do capitalismo não significará o fim imediato das opressões. Suas raízes históricas são fortes a ponto de mantê-las existindo durante muito tempo, porém o fim de suas bases materiais reduz a questão à uma luta pela conscientização dos trabalhadores, apenas, e não mais uma luta estrutural contra um sistema inteiro.

Pela libertação sexual! Pela revolução socialista!

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