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Somos uma organização marxista revolucionária. Procuramos intervir nas lutas de classes com um programa anticapitalista, com o objetivo de criar o Partido Revolucionário dos Trabalhadores, a seção brasileira de uma nova Internacional Revolucionária. Só com um partido revolucionário, composto em sua maioria por mulheres e negros, é possível lutar pelo governo direto dos trabalhadores, como forma de abrir caminho até o socialismo.

segunda-feira, 13 de maio de 2013

A greve no BB foi muito fraca: o que fazer agora?



No dia 30/04, a greve nacional de 24 horas contra o Plano de Funções que reduz os salários foi bem como a maioria esperava: bem fraca. São Paulo foi um dos lugares mais problemáticos, porque no dia 5/04 já tinha acontecido uma paralisação de 24 horas, e os funcionários foram punidos com o código 308 (falta não abonada e não autorizada), que significa desconto no salário. Por exemplo, no São João, quase ninguém fez greve.
 
No Rio de Janeiro, em que o clima estava um pouco melhor, só o que parou realmente foi o Sedan e as agências do centro da cidade, e o serviço dos caixas nos bairros. No Andaraí, que é o centro da maioria das mobilizações, a grande maioria foi trabalhar. Em algumas capitais, como Natal e Brasília, nem mesmo aconteceu paralisação.

A realidade é que existe um clima derrotista muito grande no funcionalismo, por causa da pressão cada vez maior pelo cumprimento das metas da direção do banco. Há uns dois ou três anos, a grande maioria dos gerentes e auxiliares, porque não confiam no sindicato que vende todas as greves e assina qualquer acordo, têm furado as greves, e ido trabalhar com as agências fechadas, pressionado com várias ameaças de descomissionamento e cobranças por resultados diários. Isso é um fator que enfraquece as mobilizações, porque o banco continua a vender os seus serviços normalmente, mesmo sem abrir para o público.

Os sindicatos, dirigidos quase todos pelo mesmo PT que é o patrão no Banco do Brasil, também têm dado a sua contribuição. As pessoas veem as campanhas salariais como um jogo de cartas marcadas, onde, na hora em que aparece um aumento de um por cento acima da inflação, a CONTRAF-CUT já quer assinar o acordo e ainda fingir que foi uma grande vitória. 

Diante da greve meia-boca dessa semana, tudo indica que a direção da categoria vai canalizar a insatisfação dos bancários para as conferências por banco e, parar de fazer qualquer movimento até setembro, quando novamente vai existir a mesma greve nacional com o mesmo formato. E, na greve, depois que fecha o acordo do reajuste, sempre as reivindicações específicas (como é o caso da luta contra o Plano de Funções) são varridas para debaixo do pano. Ou melhor dizendo, para as Mesas de Negociação Permanente e para a campanha salarial do próximo ano...

E agora?

Os companheiros do coletivo Bancários de Base/SP, que apoiamos, diante de toda essa situação, votaram nas assembleias do dia 29/04 contra a paralisação e a favor de um calendário de lutas para preparar uma greve por tempo indeterminado.
 
Agora, os mesmos oportunistas do PT, que desmontam as greves todo ano, estão acusando os companheiros de serem "contra a luta". Isso é ridículo. Mesmo tendo sido contra a greve, no dia seguinte eles estavam desde cedo nos piquetes, cumprindo o que foi decidido na assembleia! 

Na assembleia, nós votamos a favor da greve. Mas uma paralisação tão fraca acaba piorando a organização da categoria, já que os trabalhadores ficam desacreditados dos resultados da própria luta e perdem a confiança na sua força. Por isso, fazemos uma autocrítica e reconhecemos que seria melhor adiar a paralisação, aprovando um calendário de luta que desse tempo para preparar melhor a greve.  

Para nós, o motivo da fraqueza da greve está na desorganização sindical da categoria, na sua falta de confiança nos métodos de luta e na descrença na possibilidade de vencer essa batalha contra o patrão. Não é possível uma greve ser vitoriosa se não tiver uma preparação muito maior do que a que aconteceu. O fato da direção da CUT estar tão afastada do dia-a-dia da categoria é a explicação deles terem tentado fazer uma greve sem a menor condição como foi essa. Por isso, achamos que foi correto o encaminhamento dos companheiros do Bancários de Base, que daria mais tempo pra uma greve ser realmente organizada, com reuniões nos locais de trabalho, passagem em agências, panfletagem etc.

Infelizmente, não existe solução a curto prazo, dentro da próxima campanha salarial. A tarefa é muito maior: temos que aumentar a organização da categoria, preparar melhor politicamente os delegados sindicais, criar meios de comunicação alternativos à comunicação corporativa, estar presentes nas pequenas injustiças que acontecem em cada local de trabalho. A alternativa passa por reconstruir o movimento sindical na base da categoria, com uma política de luta de classes, independente do governo e da direção do banco, para que sejam dados os passos necessários para a criação de uma direção realmente comprometida com os trabalhadores, resgatando a luta socialista que estava no programa da CUT e que foi abandonada pelos governos do PT.

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