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Somos uma organização marxista revolucionária. Procuramos intervir nas lutas de classes com um programa anticapitalista, com o objetivo de criar o Partido Revolucionário dos Trabalhadores, a seção brasileira de uma nova Internacional Revolucionária. Só com um partido revolucionário, composto em sua maioria por mulheres e negros, é possível lutar pelo governo direto dos trabalhadores, como forma de abrir caminho até o socialismo.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Beijo gay: a Globo virou revolucionária!?

 
Para milhões de pessoas, o beijo entre os personagens Félix e Nico, no final da novela Amor à Vida, da Globo, foi um alívio, uma esperança e um tapa na cara dos fundamentalistas e conservadores em geral. Circularam muitos relatos na Internet sobre pais que se reconciliaram com os filhos, preconceitos quebrados e pessoas de alma lavada.
 
Tudo isso representa uma vontade de resistência de um setor importante da população que sabe o perigo que o país corre com o fundamentalismo religioso.
 
Até aí, é uma reação compreensível.
 
 
Mas...
 
Mas acontece que muitos militantes de esquerda, socialista e que batem no peito pra dizer que são revolucionários passaram os últimos dias praticamente agradecendo à Globo pela cena do beijo. Ou então, para dizer que a cena foi uma conquista do ativismo LGBT.
 
Será que tinham esquecido do papel da Globo como partido da burguesia brasileira, base de apoio da ditadura e do neoliberalismo, agora tentando desgastar o governo do PT pra garantir a volta do PSDB ao Planalto?
 
Será que tinham esquecido que essa mesma novela reciclou vários e vários estereótipos machistas e racistas? Será que não tinham visto que os próprios personagens gays retratados eram caricaturas, além de serem burgueses e brancos?
 
 
Ser contra a Globo é dogmatismo?
 
Pra variar, o caso mais ridículo foi o do PSTU que, através de seu braço estudantil, a ANEL, fez um twittaço (?) "exigindo" que a Globo mostrasse o beijo na novela, já que havia uma pressão por parte de reacionários contra.
 
Só pra começar, twittaço não é método de luta. Não afeta absolutamente nada no mundo real. O mesmo vale para as petições do Avaaz, que inundam a caixa postal do nosso perfil no Facebook (por favor, parem de mandar!).
 
Ainda se fosse método de luta, qual o sentido de uma organização que se reivindica marxista revolucionária ficar fazendo exigências de roteiro de novela a uma empresa imperialista?
 
Nós, comunistas, não devemos nos prender à aparência das coisas, e sim procurar as motivações e ver o contexto e a relação dos acontecimentos com a luta pela vitória da revolução socialista.
 
E falamos isso com orgulho, porque uma das acusações da "esquerda global" contra os que não embarcaram nessa canoa furada foi a de que somos dogmáticos. Isso é o que acontece quando se perde de vista a totalidade: as pessoas passam a celebrar as migalhas que caem da mesa da classe dominante.
 
 
Por que a Globo dá essa visibilidade ao beijo?
 
Logicamente, não tem nada a ver com a luta contra a homofobia. Depois da novela, no Zorra Total, homossexuais são tratados da maneira mais ridícula possível. Mas a Globo, como qualquer empresa capitalista, que explorar o nicho comercial do "mercado rosa", acessível a uma parte dos homossexuais (geralmente homens) de classe média.
 
Então, na verdade, o beijo foi uma jogada de marketing, além de uma tentativa de lavar a cara da Globo e fazer a emissora que passa o ano chamando a gente de vândalo e terrorista parecer "moderna". Se você divulgou o beijo, parabéns, você ajudou a jogada de marketing deles!
 
 
Hegemonia?
 
A maioria do assim chamado "movimento LGBT" (que em grande parte é formado por ONGs financiadas pelo Estado e por empresas privadas), refletindo a sua despolitização, a sua ausência de conteúdo de classe e a sua adaptação ao mercado, não só não critica isso, como ainda apoia e diz que está "lutando por hegemonia".
 
Ao contrário do que dizem os falsificadores profissionais da obra do marxista Antonio Gramsci, como o falecido Carlos Nelson Coutinho, o conceito de hegemonia do proletariado é o complemento do conceito de ditadura do proletariado. A hegemonia é a capacidade de uma classe dominante governar as outras classes por consenso, sem necessidade da violência.
 
É a hegemonia da ideologia burguesa do individualismo, da competição, do carreirismo etc, que faz com que os trabalhadores não se revoltem diariamente em massa contra o sistema. Para Gramsci, essa hegemonia só pode ser derrotada pela hegemonia do proletariado, através de seus próprios meios de comunicação, sustentados pelo movimento.
 
 A ideia de que se deve disputar hegemonia por dentro do Estado ou da mídia foi criada pelos reformistas do PC italiano, copiada pelo antigo PCB, pelo PT e agora pelo PSOL. Várias posições do Gramsci são questionáveis, mas esse erro ele não cometeu, é pura mentira mesmo.
 
 
Organizar os trabalhadores é elitismo?
 
De todas as acusações, a pior é que a esquerda que combate a Globo é "elitista". Mas como assim? A Globo, que faz todas as campanhas ideológicas contra o povo? Se rejeitar a manipulação da Globo for elitismo, então como os companheiros acham que vai ser feita a luta pelo socialismo? Quando o Fantástico defender a revolução?
 
Os movimentos sociais organizam uma pequena minoria da sociedade? Claro, se eles organizassem a maioria, já teríamos o poder ao alcance das mãos. No fundo, esse argumento que diz que a Globo ter passado a cena do beijo foi positivo, uma vez que os movimentos só alcançam uma minoria; revela o ponto de vista de quem, sem esperança na capacidade do movimento alterar a sociedade, tem que procurar por outro setor da sociedade que pelo menos faça alguma coisa.
 
O fato do beijo ter ido ao ar pode ser recebido pela sociedade de várias maneiras diferentes, inclusive negativas. É sim o nosso papel como militantes de politizar essa discussão, colocando no centro dela a condição de vida de lésbicas, gays, pessoas trans e bissexuais da classe trabalhadora.
 
Em vários movimentos populares, como o movimento sem-teto do Rio de Janeiro, várias lideranças são lésbicas ou gays negros. Nós não precisamos da Globo pra mostrar ao povo como defender essas reivindicações. O objetivo da Globo é a falsa inclusão de uma pequena minoria, através do consumo. O nosso é a extensão da luta contra o machismo, o racismo e a homofobia, até mesmo dentro do movimento.
 
Porque só uma mudança radical na sociedade pode tirar o poder de quem se beneficia mais com o preconceito: as Forças Armadas, as cúpulas religiosas, as grandes empresas. Essa mudança radical é a revolução socialista, feita pela classe trabalhadora.

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