QUEM SOMOS NÓS

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Somos uma organização marxista revolucionária. Procuramos intervir nas lutas de classes com um programa anticapitalista, com o objetivo de criar o Partido Revolucionário dos Trabalhadores, a seção brasileira de uma nova Internacional Revolucionária. Só com um partido revolucionário, composto em sua maioria por mulheres e negros, é possível lutar pelo governo direto dos trabalhadores, como forma de abrir caminho até o socialismo.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Dossiê Grande Mídia: A queda da máscara.


Avram Noam Chomsky, professor estadunidense publicou certa vez a famosa lista com 10 estratégias da mídia para manipulação das massas.
1- A ESTRATÉGIA DA DISTRAÇÃO.

2- CRIAR PROBLEMAS, DEPOIS OFERECER SOLUÇÕES.

3- A ESTRATÉGIA DA GRADAÇÃO.

4- A ESTRATÉGIA DO DEFERIDO.

5- DIRIGIR-SE AO PÚBLICO COMO CRIANÇAS DE BAIXA IDADE.

6- UTILIZAR O ASPECTO EMOCIONAL MUITO MAIS DO QUE A REFLEXÃO.

7- MANTER O PÚBLICO NA IGNORÂNCIA E NA MEDIOCRIDADE.

8- ESTIMULAR O PÚBLICO A SER COMPLACENTE NA MEDIOCRIDADE.

9- REFORÇAR A REVOLTA PELA AUTOCULPABILIDADE.

10- CONHECER MELHOR OS INDIVÍDUOS DO QUE ELES MESMOS SE CONHECEM.


Caberia aqui uma breve explicação sobre cada uma dessas estratégias. Cada um que já assistiu o Jornal Nacional ou um programa qualquer com um genérico de Wagner Montes, poderia muito bem identificar todos ou quase todos os itens da lista acima. No entanto, somente uma nos interessa nesse momento: a de número 2.
A estratégia número 2, também conhecida como mecanismo “problema-reação-solução” vem sendo colocada em prática da maneira mais sem vergonha e cara de pau pela imprensa nos últimos dias.
É absolutamente mórbido assistir a mídia conseguir transformar um assunto tão triste como a morte de um trabalhador num espetáculo de circo. No entanto, não é nada além do esperado. A grande mídia nada mais é que um grupo de grandes empresas privadas, interessadas em vender produtos (notícias) para conseguir mais lucro, como qualquer outra empresa no mundo. Além disso, neste caso, fica claro o interesse político que a imprensa, representando os interesses do setor mais reacionário da sociedade, coloca em pauta.
A roupa de bom moço que a rede Globo e seus menores coirmãos colocam não passa de uma grande mentira, um cavalo de Tróia empurrado goela abaixo da população. A solidariedade com a família do jornalista e a defesa da “liberdade de imprensa” são tão incoerentes como um porco voador.
Em relação à liberdade de imprensa. Isso é a maior piada de mau gosto do mundo. Onde existe liberdade de imprensa? Onde os trabalhadores podem expor suas ideias? Onde se pode ter acesso a opiniões diferentes dos grandes magnatas da comunicação? Somente numa parcela minúscula dos meios de comunicação, de mídias independentes ou de imprensa de organizações de esquerda. Fora isso, são esses senhores e senhoras multimilionários que decidem o que devemos assistir e tentam nos ensinar como pensar. Fazem o discurso pela liberdade de imprensa, quando na verdade, essa liberdade nunca vai existir enquanto a imprensa estiver nas mãos de empresas que só querem ganhar dinheiro e garantir seus interesses, mentindo para o resto da população.
O que aconteceu na manifestação de quinta-feira da semana passada era exatamente tudo que a imprensa e a burguesia queriam: um incidente fatal, um tanto duvidoso, tornando mais fácil virar o jogo e tirar a culpa da PM, autora usual de todas as covardias e barbaridades contra os manifestantes, e jogar em cima das organizações e manifestantes que lutam contra as injustiças tão frequentes nos dias de hoje.
A “solidariedade” prestada à família agora é somente vantajoso para a imprensa, pois pode usar de falsos discursos para seus próprios interesses. Onde estava essa solidariedade com o jornalista Sérgio Andrade, que ficou cego após ser atingido por uma bala de borracha da PM de SP no olho esquerdo? E com a família dos presos injustamente ao longo dos atos (onde alguns ainda continuam presos), com o senhor que também drasticamente perdeu sua vida na última quinta, atropelado, enquanto fugia da chuva de bombas da PM, com o manifestante baleado covardemente pela PM no ato contra a copa em SP, com o senhor José Joaquim morto em Manguinhos, quando um PM deu um tiro pro alto para dispersar um ato? E com a família do Amarildo? E com os trabalhadores em greves por simples melhores condições de trabalho? Onde estava a Globo, a Record, a Band e as outras com a sua roupa de bom samaritano?
É triste que este seja o debate principal, quando está em jogo a morte de uma pessoa, de um trabalhador. Infelizmente isso se tornou urgentemente necessário. Se não denunciarmos agora essa corja de mentirosos, eles jogarão as mortes dos nossos contra nós mesmos, enquanto eles são os verdadeiros e únicos responsáveis por essas mortes; pois é muito provável que se as emissoras de rádio e TV providenciassem equipamentos de proteção para eventos, onde sabidamente a polícia joga bombas e atira com balas de borracha, essa tragédia pudesse ter sido evitada.
Talvez seja impossível de expressar aqui o pesar dos amigos e familiares de todos aqueles que tiveram suas vidas tomadas violentamente pelas mãos do Estado, da polícia e das grandes empresas. Nós lamentamos as mortes dos nossos. É um pesar e uma tristeza que perpassa gerações e épocas. É um pesar pelos lutadores contra a ditadura, torturados e humilhados; pelos escravos negros, perseguidos e assassinados por tentarem ser minimamente livres; pelos indígenas, exterminados e desertados de suas próprias terras; é um pesar que se alastra a toda e qualquer pessoa injustamente assassinada pelas mãos daqueles que só pensam em perpetuar a injustiça e a desigualdade para se manterem ricos e no poder.
Não podemos acreditar nunca que aqueles que nunca nos deram atenção lamentam nossas perdas também. Quem dera um capitão do mato ou um senhor do engenho fosse açoitado, toda vez que um escravo fugisse. Quem dera, a dor da tortura ficasse marcada no corpo e na mente dos torturadores. Quem dera toda vez que puxassem um gatilho contra um trabalhador ou trabalhadora que luta por uma vida melhor, tombasse um policial.


Investigação ou inquisição?!

É preciso dizer ainda mais, sobre a falsidade daquilo que vem sendo apresentado pela imprensa.
- Nenhuma. É importante frisar que NENHUMA prova conclusiva foi apresentada de que foi o suposto manifestante Caio o autor do incidente.
- Não há sequer prova de que o indivíduo acusado esteve no ato.
- Não existe registro da tão falada “confissão” feita por Caio aos jornalistas da TV Globo.
Essas são somente as falsidades colocadas pela mídia golpista. Elas podem ser acessadas em vários sites:
Neste segundo link do portal G1, onde 3 vídeos são listados, qualquer um pode ver que não é possível saber o que houve de fato. No segundo vídeo, Fábio Raposo diz claramente não conhecer o manifestante (que estava de rosto coberto), que supostamente acendeu o explosivo. Como isso é possível, se foi dito que Fábio que identificou o manifestante, como pode ser visto aqui:
Todas as acusações foram apresentadas como verdade única e indiscutível. E não com os seus furos e incoerências que é claramente possível de ver. Não, não é possível saber que o manifestante acendeu o explosivo. Não é possível saber que Caio é o manifestante em questão. Não é possível saber que o objeto passado é o explosivo. Certamente não dá pra saber que se o explosivo é de um morteiro ou uma munição industrial. A confissão não está registrada. Contratar peritos e colocar em aspas não tornam o que foi escrito ou falado verdade. Mas tudo isso já foi posto em rede nacional como verdade. Será que isso tudo é pura ingenuidade ou incompetência da investigação?
Os magnatas da mídia tendem a ter essa mania. Gostam de decidir ao seu bel prazer o que aconteceu, mesmo que seja mentira. É este o papel da mídia. Ele é desempenhado profissionalmente, mas não deixa e não deixará nunca de ser mentiroso. Os supostos suspeitos já foram julgados sem qualquer prova e com uma enorme quantidade de histórias mal contadas. O objetivo aqui não é trazer justiça. É simplesmente arranjar uma desculpa para fechar o cerco em cima dos manifestantes, quaisquer que sejam eles.
Uma questão simples agora. A investigação obviamente foi tendenciosa. Mas e se ela não fosse? Será que haveria outra linha a ser perseguida, tão coerente quanto à versão oficial da polícia? Vejamos:
Fábio Raposo está sendo defendido por um advogado envolvido com milícia. Será que isso é coincidência? Será que esse tal Fábio era realmente o manifestante nas imagens? Será que ele não poderia estar sendo pressionado, como ele afirma no vídeo do link anterior? Ou até mesmo pago para assumir essa culpa, visto que possui ligações com advogado ligado a organizações criminosas? Quanto a mais nova e badalada testemunha que também identificou Caio e que coincidentemente é jornalista da TV Globo? Será que ele poderia estar sendo ameaçado de perder o emprego ou estar sendo subornado (ou os dois) para confirmar a versão oficial?
E se o explosivo tivesse sido lançado pela PM? É realmente assim tão certo que o explosivo é de fabricação comum, encontrado em qualquer loja de fogos? Uma olhada na seguinte matéria pode mostrar que uma linha de investigação completamente oposta poderia ser seguida:
No link acima, há uma foto do artefato, que certamente não é um morteiro comum. Há também um vídeo onde um repórter da Globo afirma ter sido a PM que lançou o explosivo. E isso foi simplesmente esquecido. Por que isso aconteceu? É possível ver no vídeo que após o jornalista Santiago ser atingido, a PM continuou lançando bombas, como fez também no caso do atropelamento do outro manifestante. Será que a polícia que agride feridos com bombas seria incapaz de lançar um explosivo em pleno ato? Será que a polícia não poderia ter infiltrado alguém na manifestação para corroborar a sua atual versão?
As perguntas acima não se pode dizer que apontam para a verdade. Mas todos esses questionamentos não podem ser respondidos. E nunca serão se esses jovens forem condenados somente com as “provas incontestáveis” recolhidas até agora. A polícia e a grande mídia não são imparciais. Perseguem a versão e empurram ela para nós como verdadeira para conquistar seus próprios interesses. A verdade, no entanto, é que nos atos que a polícia não interveio, não houve nenhuma fatalidade, nenhum incidente violento. Mas isso não foi divulgado pela Globo, ou por outra emissora de TV. O compromisso dessa corja com a verdade entra em último na lista de prioridade da investigação e divulgação de notícias, isso se conseguir entrar.
Pedimos a todos os companheiros e companheiras de luta que dispuserem de imagens que contradigam a “versão oficial” do incidente do último ato, que divulguem. Que não deixem a Globo e o resto da mídia fazer o que quiserem sem enfrentamento, sem uma mínima resistência. Precisamos lutar juntos contra essas condenações cada vez mais despropositadas, que só visam silenciar a luta da população.

A “solução” milagrosa

Uma pergunta ainda está sem ser respondida claramente. O mecanismo descrito no início do texto de problema-reação-solução já foi descrito nas suas duas primeiras partes. O problema aconteceu, ou talvez de fato tenha sido criado. A imprensa fez toda a sua propaganda para gerar uma reação contra o problema. E a solução?
E agora, com toda a pressa do mundo, a solução é apresentada pelo Estado e endossada pela mídia como um presente vindo dos céus para os cidadãos de bem do Brasil: A Lei antiterrorismo.
Não se espante se isso te traz para uma época de algumas décadas atrás, pois esse era exatamente o mesmo raciocínio empregado por generais e torturadores na época da ditadura para desarticular qualquer forma de luta contra as podridões do Estado.
Os empresários e banqueiros do Brasil viram uma grande demonstração de força do povo no ano passado, ainda que desorganizada e despolitizada em sua maioria. Vimos, com reflexos ainda nesse ano, na desocupação da favela da Mangueira, que a população das favelas começou a se mobilizar significativamente contra o Estado. Pensar em perder as rédeas da situação é aterrorizador pra quem é acostumado a viver em mansões, enriquecendo a custa do sangue e suor alheio.
É para isso quer serve a nova lei, defendida inclusive pelo próprio PT, que pode enquadrar em até 35 anos de prisão um manifestante que desagrade o poder público e os empresários. É mais uma tentativa inescrupulosa de retirar o mínimo de poder que a classe trabalhadora conseguiu conquistar com as manifestações do ano passado e concentrar tudo novamente nas mãos de algumas dúzias de milionários.


Precisamos nos unir!

É claro que se a lei for aprovada, vai fazer pouca diferença em relação à maneira que o Estado e polícia agem. O mais importante é derrotar tanto a lei antiterrorismo, quanto o próprio Estado e a polícia através da organização da classe trabalhadora e da sua participação tanto nas manifestações de rua, quanto nos espaços de decisão democrática que organizam as manifestações, como o Fórum de Lutas do Rio de Janeiro.

 Convocamos todas as pessoas, que enxergam as contradições de uma sociedade injusta a compor essa luta contra o Estado. Ela será árdua e difícil, mas a vitória é, acima de tudo, possível. E depende de nós fazer com que ela se torne real.

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