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Somos uma organização marxista revolucionária. Procuramos intervir nas lutas de classes com um programa anticapitalista, com o objetivo de criar o Partido Revolucionário dos Trabalhadores, a seção brasileira de uma nova Internacional Revolucionária. Só com um partido revolucionário, composto em sua maioria por mulheres e negros, é possível lutar pelo governo direto dos trabalhadores, como forma de abrir caminho até o socialismo.

domingo, 8 de junho de 2014

Mudou o Brasil, mudaram os brasileiros (Denise Oliveira)


Reproduzimos mais uma vez um texto da companheira Denise, professora e historiadora do Rio de Janeiro



Mudou o Brasil, mudaram os brasileiros


As portas do maior evento mundial de futebol, a Copa do Mundo, tão sonhada pelos governos que avaliaram ganhar muito sem maiores problemas. Afinal, sempre um setor da sociedade ganhou muito enquanto a grande maioria da população trabalhadora assistia bestializada sem impor suas frustrações. Algo mudou, espero que continue mudando! Desde a metade da década de 1990, quando Fernando Henrique Cardoso assumiu a presidência, baseado na ilusão do Plano Real, a classe trabalhadora é empurrada para baixo. Baixos salários, privatizações das principais empresas de serviços, o que não trouxe melhoria na qualidade das prestações desses serviços, mais um aumento substancial nos preços; foi assim na telefonia, na eletricidade, na siderurgia, nos transportes. E o silêncio e apatia da população se fazia presente.

 

Chegamos à primeira década do século XXI, em 2002 ganha as eleições o PT do Luís Inácio Lula da Silva. Primeiro presidente operário, a classe trabalhadora se sentiu representada. Porém, essa representatividade foi cada vez mais perdendo fôlego, embotada pela corrupção, privatização, péssimos serviços e altos preços. Mais ainda assim, baseando-se em Projetos Sociais, que mais seqüestravam do que libertavam a população mais pobre, o governo Lula manteve a população anestesiada. Em 2008, num jogo de toma lá dá cá, o Brasil, enfim consegue levar da FIFA, o tão sonhado aval para sediar a copa do mundo . Nos primeiros anos de obras a população ainda estava feliz e orgulhosa de ter sido escolhida como anfitriã dessa grande festa. Mas, ao se aproximar da grande festa, o povo percebeu que não foi convidado a dela participar.Mais uma vez,todas as nossas necessidades de uma vida digna foi relevada a outros planos. Planos esses, totalmente fora do alcance da classe trabalhadora. O governo Dilma Roussef, eleito em 2010 sob a sombra do que tinha sido o governo Lula, foi se mostrando cada vez mais indigno da confiança dos brasileiros. Corrupção escancarada, alianças espúrias com partidos claramente burgueses, como no RJ com o PMDB e em SP com PP do Paulo Maluf, transformaram o sonho em pesadelo. 2013, o ano da virada Quanto mais se aproximava do torneio futebolístico,mais a população se percebeu vilipendiada em suas necessidades básicas, tais como:saúde, educação, transporte, moradia e alimentação. Para o grande evento, foi necessárias obras, desnecessárias, e com elas as remoções forçadas, gastos públicos explodiram e tudo acabava na conta da população.

 

Em junho de 2013, com o anúncio de mais um aumento na tarifa dos transportes urbanos, a população teve um surto coletivo, e todos na rua contra, não mais pelos R$ 0,20 centavos que seria o aumento dos ônibus, mas por 19 anos de submissão. As manifestações de junho de 2013, abriram as compotas de lutas sufocadas, de gritos presos nas gargantas e nos corações. Ainda não pipocavam greves, mas passeatas gigantescas, a mídia burguesa tentando acalmar os ânimos criminalizando os Black Blocks (os famosos vândalos mascarados), a revolta estava no ar. O governo cedeu, não aumentou as passagens e a população não sossegou. Em outubro a greve da educação das redes municipal-estadual-faetec no RJ,acendeu de novo uma forma de luta, tão apagada nas duas décadas anteriores. O estado não sabendo como lidar com esse fenômeno e sempre truculento, mostra a sua verdadeira face ditatorial. Muita bomba, muito cassetetes, muita bala de borracha. A greve histórica de educação, termina rendida por acordos espúrios entre sindicato e governo, passando pelo Ministro Luiz Fux. Mas quem disse que acabou a luta? 2014, um ano explosivo Já nos primeiros dias de 2014, embate entre sem tetos e as forças do governo, na desocupação da Favela Metrô-Mangueira. O que parecia ter sido resolvido com a permanência da Aldeia Maracanã, como centro de referência indígena sofre nova ameaça. Também volta-se a falar em aumento de transportes. Em abril, a truculenta retirada dos moradores da Ocupação Oi Telemar, e uma Semana Santa de pura aula de cidadania e solidariedade. Em fevereiro, numa manifestação contra o aumento da tarifa de ônibus, acontece uma fatalidade, o jornalista da Rede Bandeirantes, é fatalmente atingido por uma bomba. Episódio que até hoje é coberto de dúvidas, mas utilizado claramente para criminalizar todos os movimentos. Paramos. Não! Vamos parar. Também não? As greves começam a pipocar. Os trabalhadores da limpeza pública do RJ(garis), iniciaram e atravessaram o carnaval em greve, com total apoio da sociedade, atropelando sindicato pelego, prefeito fascista e PM capitã do mato. Foi a compota que precisava ser aberta. A partir daí 40 categorias do Brasil inteiro entraram em greve. Motoristas e cobradores do RJ,SP ,São Luís(MA),Salvador,Florianópolis e Fortaleza; Servidores públicos municipais de Balneário Comburiu , Joinville e Blumenau(SC); Professores municipais e metroviários de SP; Professores municipais e estaduais,servidores da saúde,cultura,vigilantes e Polícia Civil,RJ Polícias Militares,Recife Polícia Federal e Polícia Rodoviária Federal de Alagoas,Amazonas,Bahia,Espírito santo,Minas Gerais,Pará, Paraíba, Pernambuco,Rio de Janeiro,Rondônia,Santa Catarina e São Paulo . Dentro dessa enorme disputa de poder, da desobediência civil, da classe trabalhadora que não quer ser gado do poder que se utiliza da (in)justiça burguesa para tentar criminalizar as greves, jogando as para a ilegalidade e a vontade dos trabalhadores em não se intimidarem, nasce, ao meu ver, um novo Brasil. Espero que ao final da Copa, não voltemos a ser os bichinhos domados que por 19 anos fomos.

 

Por Denise Oliveira, junho,2014

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