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Somos uma organização marxista revolucionária. Procuramos intervir nas lutas de classes com um programa anticapitalista, com o objetivo de criar o Partido Revolucionário dos Trabalhadores, a seção brasileira de uma nova Internacional Revolucionária. Só com um partido revolucionário, composto em sua maioria por mulheres e negros, é possível lutar pelo governo direto dos trabalhadores, como forma de abrir caminho até o socialismo.

domingo, 1 de julho de 2012

Debate sobre o fim da URSS com militante do PSTU!


Nos últimos dias, fizemos um longo debate no Facebook, motivado pelo seguinte comentário que fizemos sobre  a edição feita pelo PSTU do livro Em Defesa do Marxismo, de Trotsky:

É esse livro em que o Trotsky diz que se deve fazer frente única com setores da burocracia contra as alas que estiverem restaurando o capitalismo! A LIT bem podia ter lido isso antes de escrever a manchete do Correio Internacional de setembro de 1991: "Revolução derruba ditadura stalinista". A "revolução" no caso era o golpe do Ieltsin!

 O companheiro Ramsés começou a postar defendendo as posições do PSTU e da LIT, enquanto nós e a companheira Lena Thaines estávamos criticando essas posições. Foi uma rara oportunidade (que vínhamos buscando há seis anos) de debater essa questão fundamental com os companheiros do PSTU, partido com que rompemos justamente por causa do balanço da restauração do capitalismo e suas consequências políticas atuais.

Durante a discussão, o companheiro Rodrigo Sieja Bertin, que é stalinista, entrou. Nós temos interesse em discutir as polêmicas que ele colocou, mas não respondemos e não vamos reproduzir os comentários dele aqui, porque isso tiraria o foco da discussão, que é sobre a atitude dos trotskistas diante da restauração do capitalismo, e não sobre as divergências dos trotskistas com os stalinistas.

Reproduzimos o debate aqui, pra ele não se perder no feed de notícias do Facebook. O link é 

http://www.facebook.com/photo.php?fbid=326260607453905&set=a.113523785394256.22212.100002099045660&type=1&theater

  • Ramsés Eduardo Pinheiro Companheiros do Coletivo Lenin, fico feliz por vocês lerem e divulgarem a obra marxista, mas feliz ainda por ser uma obra de Trotsky. Pois bem, farei um breve comentário sobre o episodio de 1991, com o único objetivo de delinear os limites da discussão. No Livro a Revolução Traída, o qual recomendo imperiosamente a leitura, Trotsky coloca duas possibilidades, ou melhor três possibilidades, sobre o futuro da URSS: 1º um os trabalhadores reunidos em um partido legitimamente revolucionário destituiriam a burocracia e colocariam a URSS no real caminho do socialismo, a revolução política; 2º um partido burguês tomaria o poder e poria fim a todas as conquistas da revolução russa, conduzindo a URSS ao capitalismo; 3º, a própria burocracia, inevitavelmente, precisaria desenvolver relações de propriedade para garantir os privilégios já desfrutados, ou seja, necessitaria restaurar o capitalismo para sobreviver. Como a história provou a 3º hipótese veio a se concretizar, já em 1984 e nos anos seguintes a burocracia soviética tomou medidas que desmontaram o monopólio do comercio exterior, planificação centralizada da economia e controle estatal dos meios de produção, acredito que isto é inquestionável.
    A revolução que ocorreu em 1991 realmente derrubou o Governo Autoritário da URSS e nisso consiste toda a sua importância, houve tentativas de sufocar a força das massas com os tanques, mas os oficiais stalinistas não obtiveram êxito. A própria burocracia restaurou o capitalismo na URSS (como fez em China e Cuba), a revolução das massas não derrubou um Estado Socialista, mas sim um Estado Ditatorial que já continha elementos preponderantemente capitalistas. É de extrema importância ter consciência deste processo as massas não derrubaram o socialismo, como propangadeado até hoje pela imprensa burguesa, mas sim um estado que nada tinha de semelhante com o socialismo e sequer com a URSS nos períodos de 1930 ou 1940 (os quais Trotsky faz referencia na obra “A defesa do Marxismo”.
    Por tudo isso a revolução que vimos em 1991, representou a derrocada do Stalinismo como aparato mundial do movimento contra-revolucionário. Contudo, a ausência de uma direção revolucionário teve seu preço neste processo, qual seja, a consolidação da transição ao capitalismo, dirigido por setores já burgueses proveniente da burocracia em ascensão (Yeltsin). Em síntese, a derrocada da URSS é um processo que abre um novo período da luta de classes mundial, essencialmente, por um lado positivo, pois já não existe um aparato stalinista mundial para travar as revoluções. Por outro lado temos de conviver com a ideologia do fracasso do socialismo (a qual foi oportunamente recebida pela imprensa burguesa imperialista) essas amarras ideológicas partem do pressuposto de que o socialismo foi derrubado pelo povo, porque era um regime insustentável e que o capitalismo deveria triunfar. Não devemos levar esse equivoco a frente, pelo contrário devemos reafirmar a todo momento, contra o stalinismo e o imperialismo, a possibilidade e necessidade do socialismo em nível internacional. Companheiros estou a disposição para o diálogo fraterno, saudações.



  • Lena Thaines Ramsés, então parece que vc não recomenda que o CL leia "A Revolução Traída", mas sim a desculpinha esfarrapada do Martin Hernandez presente na sua Introdução. A tese formulada posteriormente pela LIT-QI para tentar se justificar diante da "revolução democrática" (leia-se golpe do Yeltsin) era a de que a URSS, já na segunda metade da década de 80, não era mais um Estado Operário, mas sim um país cuja base econômica era capitalista e seu regime ainda burocratizado e opressor. A consequência dessa desculpa é legitimar a atitude equivocada dos senhores. Portanto, a queda do "regime fascista" na URSS teria algo de positivo já que permitiria o desenvolvimento das forças revolucionárias em um país supostamente capitalista.

    E é claro que os senhores se recusam a aceitar que parte dessa burocracia, longe de querer restaurar o capitalismo, defendia o Estado Operário, pois objetivamente a sua existência significava a sobrevivência política e econômica dos burocratas.



  • Ramsés Eduardo Pinheiro Olá Lena, bem insisto mais uma vez que leiam “A revolução Traída” e se quiserem complementem com o texto de Hernandez ou de qualquer outro teórico que permaneça fiel ao materialismo histórico. Companheira Lena a burocracia caracterizou-se, por muito tempo, como uma casta que sobrevivia à custa de sua relação parasitária com o Estado Operário. Mas preste bem atenção companheira, a burocracia não se desenvolveu fechada em uma caixa de vidro, ao contrário, desenvolveu-se historicamente.
    Como havia comentado inicialmente, o próprio Trotsky já previra em “A revolução traída” que a burocracia necessitaria, cedo ou tarde, criar uma base material para manter sua dominação, em suas palavras “será, pois, inevitavelmente necessário, que (a burocracia) procure apoio nas relações de propriedade” (editora sundermann, p. 227). Neste sentido, a história viria a confirmar esta fatídica tese de Leon. Enquanto o Estado Operário sustentou alto crescimento, a burocracia manteve seu parasitismo sem maiores problemas. Na década de 1970, uma crise econômica abalou a URSS, na agricultura, falta de alimentos, repercussões da crise na indústria, baixa produtividade de bens de consumo etc. Esta crise veio a aprofundar-se na década de 1980, somando-se as crises políticas e disputas internas da burocracia stalinista. Neste contexto, procurando reagir a esta estagnação econômica e sobreviver, a ala da burocracia representada por Gorbachev passou a dar as cartas a partir de 1985, assumindo uma postura nitidamente restauracionista: (significado de perestroika) insisto mais uma vez, este governo adotou medidas que visavam uma gradual restauração do capitalismo, dando golpes mortais na planificação central da economia, monopólio do comercio externo e a partir de 1987 golpes na estatização, como a Lei de atividades individuais, Lei das cooperativas, permissão de bancos privados etc.
    Não se espante em saber que Yeltsin era um expoente desta burocracia restauracionista, desde 1981 Yeltsin pertencia ao Comite Central do PCUS, aliado muito próximo de Gorbachev, Yeltsin foi um ferrenho defensor das reformas. Portanto, em 1991 Yeltsin não cai do céu na presidência da Rússia, ao contrário, vinha se preparando e sendo preparado pela burocracia. Aliás com o processo de restauração, consolidado no governo Yeltsin, os extratos superiores da burocracia iriam se transformar nos novos grandes proprietários de empresas privadas da Rússia. É verdade que uma ala menor da burocracia stalinista era contraria às reformas e tentou barra-las com os tanques, mas a ala hegemônica da burocracia conseguiu promover a restauração.
    Em suma companheira, imagino que deva ser difícil para sua organização chegar a esta compreensão, mais difícil ouvir o estalar de dedos na mente e perceber que isto se passou também na China e vem se consolidando em Cuba... Eu mesmo preferiria que não fosse assim, mas a verdade precisa ser dita, por mais dura que ela seja. As massas derrubaram o aparato stalinista mundial, mas a ausência de uma direção revolucionaria custou um preço muito alto, enfim a burocracia restauracionista Gorbachev, Yeltsin terminaram por lançar a pá de cal no Estado Operário. Abraços.

    Ramsés Eduardo Pinheiro Olha aê Lena nascemos no mesmo dia, mês e ano, somos corinthianos e, o que parece, militantes da tradição bolchevique-leninista rs.


  • Coletivo Lênin: Ramsés Eduardo Pinheiro, você diz: "É verdade que uma ala menor da burocracia stalinista era contraria às reformas e tentou barra-las com os tanques, mas a ala hegemônica da burocracia conseguiu promover a restauração".
    Justamente nesse caso seria necessário uma frente única com essa ala menor contra as reformas, como Trtosky fala no Programa de Transição do conflito entre a ala "Butenko" (restauracionista) e a ala "Reiss" (defensista) da burocracia.
    O que a LIT fez foi exatamente o contrário. Ieltsin tanto não era democrático que menos de um ano e meio depois estava bomberdeando o próprio Kremlim, porque setores do antigo PCUS eram contra as várias medidas procapitalistas do aseu governo.
  • entramos especificamente nas revisões do trotskismo feitas pela LIT. Em primeiro lugar, a LIT ignora a necessidade de destruir o Estado que Trotsky classificou como Operário Degenerado para criar um Estado burguês na Rússia. Pelo reformismo ao contrário da LIT, o Estado burguês foi restaurado com uma canetada, no Pleno do Comitê Central do PCUS que aprovou a Perestroika. Essa posição absurda é a cópia da posição dos maoístas que dizem que o capitalismo foi restaurado na URSS em 1956, a partir de um golpe velado do Kruschev
  • Além disso, a LIT tem uma teoria do "ou tudo ou nada" sobre o chamado Estado Operário burocratizado. Ela define as três condições (monopólio do comércio exterior, planificação e estatização da economia) e diz que se qualquer uma delas se perder, já vira imediatamente estado burguês. Na prática essa posição leva ao maior derrotismo logo no momento em que a burocracia dá o primeiro passo para restaurar o capitalismo. Não é por acaso que em Cuba, onde não existe mais planificação e o monopólio do comércio exterior foi enfraquecido, a LIT já dá o caso como perdido e embloca com a máfia gusana de Miami em defesa de um "revolução democrática" contra o regime stalinista.

  • Quanto à idiotice que o fim da URSS foi progressivo porque a queda do aparato stalinista é mais importante que a restauração capitalista em um terço do mundo, a própria realidade desmente esse delírio. Qual revolução avançou até a expropriação da burguesia nos últimos 20 anos? Se nenhuma aconteceu, é justamente por causa do descrédito que caiu o socialismo na consciência de todo o movimento dos trabalhadores e antiimperialista. Como eu vou dizer, como a LIT faz, que as condições de luta pelo socialismo são melhores hoje do que na década de 1970, com o stalinismo no poder???
    Isso tudo é sobre a política da LIT. Concordamos com tudo o que a Lena Thaines falou, mas tem uma coisa que ela não sabe, porque nunca militou na LIT. Essa revisão feita pelo Martin Hernández, em O Veredito da História não é somente uma nova teoria. é uma FRAUDE E UMA MENTIRA, criada para justificar retrospectivamente a posição traidora e delirante da LIT na época.Todo mundo que foi da CS na época sabe que a LIT dizia que os movimentos que destruíram a URSS, restauraram o capitalismo no Leste Europeu e unificaram a Alemanha em bases capitalistas eram "revoluções políticas" dentro de estados operários, para regenerá-los.
    Foi somente em 1996-1997 que a LIT reconheceu que o Estado russo e dos países do Leste Europeu eram burgueses, até aí ela usava a caracterização de que a revolução política tinha sido vitoriosa. Como é possível mudar a caracterização do Estado (e não custa lembrar que o próprio Moreno, em 1986, portanto na época em que Martin Hernandez fala de estado burguês na URSS, ainda dizia que era Estado Operário) e manter a mesma política, ou seja, dizer que realmente era uma revolução política, mas só que era contra um estado burguês e pela democracia burguesa???
    Não fica evidente o caráter de armação dessa mudança, que foi feita só pra livrar a cara dos dirigentes da LIT, que passaram o período do fim da URSS delirando cada vez mais (chegaram a imaginar que iam tomar o poder na Argentina em 1990!!!) e emblocando com todos os movimentos reacionários na URSS e no Leste europeu!


  • Ramsés Eduardo Pinheiro Companheiros do Coletivo Lênin, lhes confesso que a discussão com Lena estava bem mais interessante, mas por respeito a vocês aí vão minha considerações.
    Primeiramente, ao menos aparentemente, vocês parecem um grupo honesto, todavia a falta de uma perspectiva centrada no materialismo histórico dialético torna seu texto tão vazio quanto o vácuo do universo, isto sim é um problema muito sério.
    Como havia colocado, a burocracia soviética desde 1985 vinham tomando medidas que na prática restauravam o capitalismo (ver textos acima). Neste ponto, quero ressaltar que este processo não tinha nada de espantoso ou surpreendente, uma vez que fora previsto por Trotsky, em A revolução Traída, como uma das possibilidades concretas de destino da URSS, este ponto vocês não consideraram, na verdade era de se esperar por isso. Uma vez considerando a possibilidade da burocracia restaurar o capitalismo todo o castelo de carta de vocês desmoronaria.
    A burocracia levou o processo de restauração adiante por meio do governo de Gorbachev, auxiliado por políticos burocratas como Yeltsin (ver texto acima), sobre o fato de Yeltsin ser do mesmo grupo de Gorbachev vocês também nada falaram, pois, novamente, isto representaria uma pedra no sapato para vocês. Me parecem que vocês preferem crer, espero que não ingenuamente, que Yeltsin surgiu em 1991 como resultado de algum feitiço do mago rasputim.
    Vamos falar da tentativa de golpe de agosto de 1991.
    No decorrer do processo de restauração, a URSS vivia a maior de suas crises econômicas (crise esta que vinha se aprofundando desde a década de 1970). Milhares de soviéticos enfrentando enormes filas para adquirir alimentos etc. Neste sentido, a insatisfação da massa aprofundou-se na medida em que a restauração avançava, materializando-se em protestos, manifestações e greves.
    Agora podemos falar da tentativa de golpe de agosto de 1991, encabeçada pelo “comitê estatal de emergência”. Caros amigos havia sim uma divergência entre a burocracia dirigente da URSS, contudo se tratava apenas do modo como de encaminhar a restauração capitalismo (não desta restauração em si). A burocracia comandada por Gorbachev pretendia que esta restauração ocorresse sob os ares de um regime mais aberto. Já a ala da burocracia capitaneada pelo “comitê estatal de emergência” pretendia que esta restauração fosse guiada pelo mesmo estado autoritário e sob a força dos tanques, para inibir as manifestações que já vinham ocorrendo. Portanto, os burocratas do “comitê estatal de emergência”, eram contrários às reforma políticas (glasnost) de abertura do regime proposta por Gorbachev. mas plenamente consciente e favorável ao processo de restauração capitalista em curso. Por conseguinte, o “comitê estatal de emergência”, procurou derrubar Gorbachev através de um golpe e, assim, poder levar a cabo a restauração a seu modo, ou seja, sem nenhuma abertura, mantendo o autoritarismo escancarado.
    Como a história demonstrou, as massas soviéticas impediram este golpe. As principais medidas do “comitê estatal de emergência” foram proibição das manifestações, de greves de piquetes ou aglomerações, tudo isso pelo temor das massas já bastante revoltadas. A insatisfação que já estava em altíssimo grau em razão da crise econômica exacerbou-se quando o “comitê estatal de emergência” colocou os tanques nas ruas para reprimir as massas. A ação das massas representou em uma grande derrota do “comitê estatal de emergência”, esta ala da burocracia que almejava impor a restauração, mantendo a forma autoritária de estado. A vitória das massas poderia ter sido ainda maior de houvesse uma direção revolucionária neste processo, esta ausência companheiros é a principal dificuldade colocada ontem e hoje (ver 1º parágrafo do programa de transição).
    Companheiros talvez vocês não saibam, mas o “comitê estatal de restauração” era composto pela chamada “camarilha dos oito”, políticos do alto escalão da URSS, tais como: o vice-presidente da URSS, o ministro da defesa e o primeiro ministro da URSS. O primeiro se tornou consultor de um fundo de pensão, o segundo se tornou conselheiro de exportação de armas e o terceiro veio a se tornar banqueiro. Era esta a burocracia (também restauracionista e repressora) que deveria ser defendida? Não caros colegas, não admito que digam isso nem de brincadeira.
    Agora companheiros do CL, se, mesmo assim, vocês acreditam que seria correta a defesa do “comitê estatal de restauração!”, parabéns, o PCdoB, PCB, PCF, e todos os aparatos do stalinismo a nível internacional (que defenderam e ainda defendem esta tese) aplaudem vocês por essa vergonhosa postura.
    Ademais, peço-lhes humildemente que tenham um pouco de razão e compreendam que a URSS de 1940 e a URSS de 1991, e os interesses da burocracia de 1940 e a de 1991 são bem diferentes, e a conjuntura internacional de 1940 e a de 1991, e a ação das massas de 1940 e a de 1991 eram totalmente distintas, logo utiliza o texto de Trotsky “a defesa do marxismo” para tratar da dissolução da URSS é no mínimo um grande equívoco e no máximo uma postura autoconsciente de desvirtuação do debate.

    Ramsés Eduardo Pinheiro Cavalheiros do CL, os critérios do Estado Operário que coloco estão no já recomendado (várias vezes) livro “A revolução Traída”, vocês sabem disso, já admitiram isso, inclusive. Nas palavras de Trotsky "A nacionalização da terra, dos meios de produção industrial, do transporte e do intercâmbio, junto ao monopólio do comércio exterior, constitui a base da estrutura social soviética. Mediante estas relações estabelecidas pela revolução proletária, a natureza da União Soviética, como Estado proletário, está fundamentalmente definida para nós".
    Se vocês entendem que estes critérios são irracionais, proponho que abandonem o marxismo, pois no conjunto dos escritos de Marx, Engels e Lenin vão chegar as mesmas conclusões. Isso se dá por um motivo muito elementar, mas que infelizmente vou ter que relembras a vocês: a estrutura prevalece sobre a superestrutura, ou seja, os critérios que definem o que uma determinada coisa é (inclusive um estado) são critérios materiais. Na medida em que vocês defendam que critérios não materiais definem um Estado, vocês estão em consonância com o hegelianismo, tomando a aparência por essência, não tenho preconceito algum quanto a isso, mas nesse caso não será um debate no âmbito do materialismo histórico dialético.

    Ramsés Eduardo Pinheiro Companheiros, jamais disse que o caráter progressivo da queda dos aparatos stalinistas internacionais foi um elemento mais importante que a restauração capitalista, tão pouco a LIT jamais afirmou isso. Se vocês nos atribuem esta fala, no mínimo estão lendo mal e no máximo estão manipulando as idéias. O que disse foi que:
    “Em síntese, a derrocada da URSS é um processo que abre um novo período da luta de classes mundial, essencialmente, por um lado positivo, pois já não existe um aparato stalinista mundial para travar as revoluções. Por outro lado temos de conviver com a ideologia do fracasso do socialismo (a qual foi oportunamente recebida pela imprensa burguesa imperialista) essas amarras ideológicas partem do pressuposto de que o socialismo foi derrubado pelo povo, porque era um regime insustentável e que o capitalismo deveria triunfar”.
    Ou seja, a derrocada da URSS foi um processo extremamente contraditório com um elemento positivo por um lado (queda do aparato stalinista mundial) e outro negativo por outro (aceleração da restauração que já vinha sendo aplicada pela burocracia). Este é o entendimento, baseado na posição da LIT, sobre o caráter deste processo.
    Companheiros vocês perguntam o porque da ausência de revoluções conseqüentes (que expropriaram a burguesia) após a queda da URSS e dos aparatos stalinistas. Isso me leva a concluir que vocês acreditam que as revoluções chinesa, cubana, vietnamita etc. ocorreram porque os Partidos comunistas estavam cientes de sua missão revolucionaria de lutar pelo socialismo. Não acredito que vocês sejam tão ingênuos. Os Partidos Comunistas, notadamente após o final da 2º guerra, foram fieis defensores da ordem e da paz, servos fieis da política de coexistência pacifica. Se houve revoluções que expropriaram a burguesia em china, cuba e Vietnã foi porque as massas levaram estas revoluções à frente, pressionando estas direções stalinistas e burocráticas em conjunturas históricas particulares em cada caso. Todas as direções destas revoluções eram pequeno-burguesas, no caso de Cuba, nem mesmo eram do PC, mas sim de um grupo pequeno-burguês nacionalista, vindo a se transformar em Estado Operário tempos depois da revolução, em razão da pressão das massas e da conjuntura. Tempos depois estas direções iriam começar as mudanças graduais em retorno ao capitalismo, isso mesmo os próprios partidos chinês, cubano etc. iriam por tudo a perder.
    Logo, caros amigos, o fato de hoje não estes aparatos não disporem de uma força e peso mundial é positivo, posto que eram instrumentos concretos e de eficiência inimaginável (pois dispunham de confiança e credibilidade do proletariado) da contra-revolução.
    Vocês perguntam porque não houveram mais revoluções como estas, deixo Trotsky responder-lhes – “pela crise histórica da direção do proletariado”, somada a feroz campanha de calunia contra o socialismo. Contudo é importante frisar que não foi a burguesia imperialista quem venceu o “socialismo” derrotando “O Estado Operário”, não houve nenhuma invasão imperialista na URSS (uma hipótese que poderia ter ocorrido), pelo contrário como afirmado em toda minha explanação foi a própria burocracia stalinista que restaurou o capitalismo e desmoralizou o nome do “socialismo”. O imperialismo, sem nenhum pudor, conseguiu a deixa que queria para fazer a campanha contra a possibilidade de um mundo socialista.
    Outro elemento que vem travando as revoluções e que vocês parecem ignorar são os governos de frente popular, principalmente na America Latina, os quais surgidos a partir de partidos com origem na classe trabalhadores inibe amplas mobilizações que poderiam colocar em risco a própria burguesia de seus países.
    Portanto, a tarefa que nos incube é tentar reconstruir uma direção revolucionária internacional que, partindo de todos os erros e equívocos cometidos com o processo de burocratização da URSS, possa ser principal instrumento da revolução socialista mundial.
    Não fiquem pensando que durante a crise da URSS e após o fim desta não houve grandes mobilizações de massa pelo planeta: Greves operárias no Brasil e construção do PT/CUT; grandes mobilizações promovidas pelo MST; EZLN no México; grandes ascensos das massas na America Latina no final da década de 1990; as revoluções no norte da África e Oriente Médio; e as gigantescas mobilizações na Europa em crise são exemplos patentes da persistência de insatisfação com o capitalismo.
    Em todos estes casos a presença de direções traidoras (PT/CUT), ou a ausência de direção revolucionária vêm causando a derrota ou o recuo progressivo destes ascensos.

    Ramsés Eduardo Pinheiro Por fim companheiros, um dos elementos mais importantes em uma organização é sua honestidade. Naqueles conturbados anos de 1989-1991, ocorreu um verdadeiro turbilhão de acontecimentos que confundiu toda o movimento revolucionário internacionalmente. Muitas organizações revolucionarias sucumbiram, outras degeneraram completamente, outras aprofundaram o processo descaracterização do marxismo etc.
    A Liga Internacional dos Trabalhadores – Quarta Internacional, não ficou imune a este processo, como nenhuma organização ficou, porventura a LIT pode ter incorrido em alguma confusão em relação a diversos pontos do processo de queda da URSS. Contudo, deve-se ressaltar que foi uma das únicas organizações trotskistas a saudar a ampla mobilização das massas contra as Ditaduras Stalinistas, isto é inequívoco.
    Talvez, tenha havido indefinições, naquele momento, sobre o curso da restauração, mas essas indefinições seriam sanadas no decorrer da década de 1990 (1996 eu acho), chegando-se a conclusão que: A burocracia foi responsável pela restauração do capitalismo; as massas não derrubaram Estados Operários, mas sim regimes já em processo de restauração; a ausência de uma direção revolucionaria impediu que a revolução das massas conseguisse barrar o processo de restauração; elementos oriundos da burocracia retomaram o poder (yeltsis); o capitalismo foi consolidado e houve uma brutal campanha de calunia contra o “socialismo” levada a cabo pelo imperialismo.
    Caros colegas tenho comigo um caderno de teses do 4º congresso da CUT de 1991, nele a tese da Convergência Socialista (organização ligada a LIT) afirmava que:
    “Em resumo, a luta no leste europeu, após a primeira vitória da revolução, prossegue agora. Com a morte do stalinismo, só há duas alternativas: ou a restauração do capitalismo com seu cortejo de fome e miséria ou o aprofundamento da revolução no caminho do socialismo com democracia. O socialismo que combina as conquistas da economia planificada com a mais ampla democracia e autodeterminação das massas” (1991).
    Como colocado no texto da época, ainda não havia uma postura clara sobre se havia um processo de restauração em curso ou se ainda haveria de ocorrer. Esta dúvida é reconhecida pelo próprio companheiro Hernandez em seu texto, algo que muito me orgulha. Somente pouco tempo depois concluiríamos que o capitalismo foi restaurado e a ausência de uma direção revolucionaria havia impedido que este processo viesse a ocorrer.
    Portanto, me orgulho muito da LIT, por ter sobrevivido ao “vendaval oportunista” que destruiu inúmeras organizações. Por estar completando 30 anos de luta intransigente pela construção de uma direção internacional. Por compreender cada momento histórico a luz do marxismo, sem cair no reformismo ou no sectarismo que caracteriza grande parte das organizações trotskistas hoje.
    Companheiros do CL, em meio a reorganização da classe trabalhadora e a construção de uma direção revolucionaria internacional acho bastante estranho que os senhores gastem tempo para lançar ataques baixos contra a LIT (ataques que me parecem mais fruto de algum ressentimento). Tal tipo de postura não me parece condizente com uma organização que carrega o nome de um grande revolucionário, mas sim uma ação típica de seita, que resume sua existência a lançar inverdades e impropérios contra outras organizações. Não queria pensar isso, mas vocês não me deixam outra escolha.

    Ramsés Eduardo Pinheiro Se sentirem-se tocados por estas humildes colocações seria bom tocarem nas questões centrais por mim discutidas e fazerem isso segundo os postulados do materialismo histórico dialético (caso contrário será perda de tempo), não colocando empregando argumentos vazios, descontextualizados e anacrônicos, não escrevendo com termos deselegantes (para ficar no eufemismo).
    Saudações Socialistas companheiros!



  • Coletivo Lênin Bem, Ramsés Eduardo Pinheiro, primeiro ficamos felizes desse debate de alto nível estar acontecendo. Inclusive vamos copiar para o nosso blog, porque senão ela vai acabar "sumindo" aqui no Feed de notícias do Facebook.
    Coletivo Lênin Sobre a sua resposta, vamos lá: 1) sabemos que Trotsky previu que o mais provável seria que a burocracia restaurasse o capitalismo, como foi o caso na China, URSS e Leste Europeu. No caso de Ieltsin, ele era do grupo de Gorbatchev, na verdade do setor mais procapitalista do grupo. Não é isso o que questionamos. Questionamos que na URSS apoiar o Ieltsin era apoiar a ala mais abertamente restauracionista. E foi o que a LIT fez, no Correio Internacional que já citamos.
  • Coletivo Lênin No caso dos movimentos de massas, justamente o grande erro da LIT (que é baseado na sua concepção stalinofóbica, segundo a qual a burocracia é completamente contrarrevolucionária e, portanto, toda oposição á burocracia é progressiva) foi apoiar todos os movimentos, independente do seu conteúdo político. Seria correto apoiar o movimento "Lituânia Livre! Fora Comunismo"? Seria correto defender a unificação da Alemanha (ou seja, a absorção da RDA pela parte ocidental capitalista)? Seria correto apoiar o "primeiro de maio independente" na URSS, em 1987, manifestação que era encabeçada pela faixa "70 anos de miséria"? A LIT nunca falou claramente que existiam movimentos abertamente reacionários (que no final, foram os que hegemonizaram o processo) que NUNCA deveriam ser apoiados
    Coletivo Lênin Nos dois casos, é óbvio que a solução é a mobilização dos trabalhadores pela revolução política. Mas não podemos ficar independente ao RITMO do processo de restauração. Naquela situação, seria fundamental tentar derrotar prioritariamente as alas que defendiam a restauração mais rápida do capitalismo, para ganhar tempo na luta por uma direção revolucionária
    Coletivo Lênin Você mesmo cita: “Em síntese, a derrocada da URSS é um processo que abre um novo período da luta de classes mundial, essencialmente, por um lado positivo, pois já não existe um aparato stalinista mundial para travar as revoluções". = o fim da USS foi fundamentalmente positivo. O próprio Martin Hernandez compara com a vitória em Stalingrado e a revolução russa no Veredito da História! Você mesmo mostra que a LIT passou anos sem mesmo reconhecer a restauração do capitalismo, fato que foi admitido pelo SU em 1990 e por várias outras correntes, como a Liga Espartaquista, a TBI etc.
    Coletivo Lênin Sobre os critérios do Trotsky, nós achamos que eles são muito úteis, o problema que falamos é que a LIT considera que a perda de qualquer um dos três apaga o caráter "Operário Deformado" do Estado, o igualando com um Estado burguês e eliminando a necessidade de defender os outros como meio de impedir a completa restauração do capitalismo. É o caso de Cuba, onde o pequeno setor de hotelaria (3A% do PIB) é o "álibi" da LIT para dizer que a economia cubana é tão semicolonial como a de qualquer país do caribe.

    Coletivo Lênin É absurdo atribuir o fato de não ter acontecido nenhuma expropriação da burguesia à crise da direção (e às frentes populares), como se não existisse crise de direção entre 1944 e 1975 (Albânia, Iugoslávia, China, Cuba, Vietnã etc). Não, Ramsés Eduardo Pinheiro, não aconteceu mais nenhuma expropriação porque os chamados Estados Operários Deformados eram um FATOR OBJETIVO, que permitia a que os países em luta anticolonial se apoiassem a um campo não capitalista, mesmo contra o centrismo de suas direções. Isso mostra mais uma vez que o fim da URSS e a restauração na China e no Leste foram muito mais contrarrevolucionários objetivamente do que todas as direções traidoras!
    Coletivo Lênin Sobre o Em Defesa do Marxismo: você pode até achar que o livro é anarcrônico (ou era em 1989), e nós certamente temos muitas críticas a ele também, que podemos discutir em outro tópico. Mas, ora, vocês estão dizendo que ele é que permitiu à LIT entender o fim da URSS!!! Então, uma hora é anacrônica, na outra vale?
    Coletivo Lênin Sobre a gente "lançar ataques baixos à LIT": a gente não se caracteriza por uma obsessão (que não deixa de ser dependência psicológica e política) sobre a LIT, como é o caso da LER, da LBI e de outras organizações por aí. O balanço do fim da URSS foi O MOTIVO que nos fez sair do PSTU em 2006 (junto com a política sobre opressões específicas), então isso dá a ideia da importância que damos a essa questão. Mas você é nosso amigo no Facebbok há algum tempo, e em 99% das vezes a gente está fazendo análises políticas, divulgando movimentos e mobilizações e outras coisas, que não tem nada a ver com atacar politicamente as posições do PSTU sobre a URSS. Se não é certo um grupo ficar o tempo todo atacando a LIT, por outro lado é errado não deixar de fazer esse debate, nos termos que a gente acha certo, mesmo que sejam pesados, por uma questão de "cortesia".


  • Rodrigo Sieja Bertin Os troskos já começam o erro a partir dessa teoria da burocracia universalmente malvada e conspiratória, que mais parece ter saído de um teórico anarquista que de um teórico marxista, diante da distância entre a natureza das duas análises.

  • Rodrigo Sieja Bertin Outro erro, que denuncia não só a aproximação da LIT como de qualquer outra seita trotskista, é ainda falarem em "stalinismo", obra da propaganda anticomunista e que se caracteriza numa enorme falácia do espantalho. Curioso ditos comunistas se recusarem a investigar a realidade social e política da URSS em nome de uma provável pureza de ideias, a traição a um código moral quase religioso, a la teoria anarquista sobre o Estado.Esse blog tem uns materiais muito bons. http://hist-socialismo.blogs.sapo.pt/
    Leiam o último adicionado, chamado Balanço do colapso da União Soviética, texto de Ludo Martens, que foi um dos maiores marxistas-leninistas de nosso tempo.


    Rodrigo Sieja Bertin Tem um outro também, de Rapporti Sociali, Contribuição para o balanço da experiência dos países socialistas.
  • Rodrigo Sieja Bertin aproximação com o anticomunismo*


  • Coletivo Lênin Deixando de lado a trollagem do Rodrigo Sieja, vamos concluir dizendo que o teu argumento mais forte é sobre o Comitê de Emergência, realmente algumas correntes mostram que eles eram restauracionistas também, o que é verdade, inclusive provado por você com as trajetórias deles depois do fim da URSS. Mas achamos que o fato deles também serem restauracionistas não deve nos levar a igualar o Comitê com a ala de Ieltsin. Ieltsin estava defendendo diretamente e abertamente a restauração (assim como o Gorbatchev), e a prova de que ele estava falando sério é que ele destruiu a URSS nos seis meses seguintes depois que assumir o governo. Com o Comit~e, existiria um tempo maior (alguns meses a mais? um ano? dois anos? é impossível saber), pelo próprio fato deles estarem ligados a setores que viviam da planificação burocrática (Gosplan, industria bélica etc). Além disso, Ieltsin não fez uma restauração com maior abertura, como você diz. Já falamos do ataque ao Kremlim, e o fato é que Ieltsin foi tão antidemocrático como qualquer buropcrata restauracionista seria, então não achamos que deveria ser feita uma frente com ele (que não aconteceu mesmo, os trabalhadores ficaram na sua maioria indiferentes ao golpe) por conta do aspecto democrático.
  • O LUdo Martens que fala que o capitalismo foi restaurado em 1956 pelas costas do povo?
    Rodrigo Sieja Bertin Depois do golpe revisionista ter se consolidado, nos anos 60, inicia a restauração do capitalismo. Com Gorbachev é apenas anunciada a vitória final desse processo. Quem mais fala disso é William Bill Bland, em seu livro The Restoration Of Capitalism In The Soviet Union.
    Rodrigo Sieja Bertin http://www.oneparty.co.uk/html/book/ussrintro.html

    Coletivo Lênin Menos mal. Na verdade, o Kruschev realmente usou vários mecanismos de mercado mesmo, mas a economia continuou planificada no fundamental. A tese dos maoístas de que em 1956 já era capitalismo é coisa de maluco
    Coletivo Lênin Em realmente, em 1956, o PCUS dá uma guinada à direita. Mas temos que lembrar que essa guinada já usava várias posições direitistas do PCUS desde 1934 (por exemplo, a tese da transição pacífica foi usada pela primeira vez pelo PC inglês em 1945
    Rodrigo Sieja Bertin Mas não existe essa tese, de que em 1956 já era capitalismo; é aí, porém, que a coisa começa a mudar. Fica mais forte, se não me engano, com o Leonid Brezhnev; bom, o William Bill Bland mostra no decorrer do livro as mudanças estruturais que iam ocorrendo mas não terminei de ler ainda. 
    Transição pacífica? Não é coexistência pacífica?


  • Coletivo Lênin Existe sim, é o que os marxistas-leninistas-maoístas, como a Nova Democracia, defendem. COexistência pacífica o Stálin já defendia, mas eu tô falando mesmo da transição pacífica ao socialismo, que já estava no programa de 1945 do PC inglês


  • Rodrigo Sieja Bertin A coexistência pacífica tem origem em Lenin; mais tarde distorcida pelos revisionistas nos anos 60, o que suscitou críticas dos marxistas chineses e também dos albaneses, principalmente. É relativa à política externa dos países socialistas.

    Você tem alguma fonte, do PCUS, sobre essa ideia de transição pacífica?

    oletivo Lênin online não. Tem o ótimo livro do Fernando Claudín, A Crise do Movimento Comunista, volume 2
    Coletivo Lênin Ali tem toda a correspondência sobre França, Itália, Grécia, Iugoslávia e se não me engano, Inglaterra

    Coletivo Lênin Então, Ramsés Eduardo Pinheiro, vamos tentar aqui do nosso lado dar uma conclusão pra esse debate (eu acho que já deu pra explorar todos os argumentos dos dois, e se continuar mais a gente acaba se repetindo, então seria a hora de sintetizar as posições). Vamos só responder ao que você falou e tentar resumir a nossa posição. Fique a vontade pra comentar ainda, ou concluir se você quiser. O Rodrigo Sieja Bertin, se ele quiser fazer um tópico stalinismo x trotskismo, a gente até entra, mas não nesse tópico, pra não desvirtuar tudo!
    • Sobre provocar outras organizações: isso é uma injustiça! Todo mundo sabe que a gente debocha do SU mais do que de todo mundo (a última foi falar que DS em português de Portugal se fala "Bloco de Esquerda"), o PSOL fica em segundo lugar, fomos o primeiro grupo que parou de chamar a LBI de ultraesquerdista e dizer o que realmente ela é: satélite do PSTU, realmente temos falado pouco da LER, mas prometemos que vamos resolver isso! rsrsrsrsrs
      Coletivo Lênin Sobre Cuba, Albânia, Iugoslávia etc. Esse argumento seu é daquele que a gente acredita de tanto que ouve. Mas não é real. Houve casos onde aconteceu uma pressão muito maior das massas, mas elas não conseguiram forçar as direções centristas a expropriar a burguesia. Dois exemplos: Chile 1971-1973, Indonésia 1963-1965.
    • Coletivo Lênin Nos dois casos, e em muitos mais a URSS era um apoio importante, não porque a política da burocracia fosse estender a revolução, mas porque a existência dessas economias planificadas era uma retaguarda para a sobrevivência material das revoluções
      Coletivo Lênin Quando a gente citou o SU foi pra dizer que eles reconheceram em 1991 a restauração, não pra dizer que não são oportunistas. Na verdade, a essência da política atual do SU é usar a correlação de forças altamente desfavorável de hoje (que é um fato) como pretexto pra abandonar o programa
      Coletivo Lênin O que a gente critica não é que a LIT não reconheça que existe o discurso da "morte do socialismo", ela reconhece. O problema é que ela não vê que esse é o ASPECTO PRINCIPAL da situação mundial desde 1989, e não o fim do aparato stalinista.

    • Coletivo Lênin É isso o que faz com que nem as maiores mobilizações permitam que as massas empurrem as suas direções centristas a romper com a burguesia, como o exemplo dos traidores do PC(M) - o que o Rodrigo Sieja Bertin acha deles? - mostra claramente.
      Coletivo Lênin Aí você fala: a LIT apoiou o levantamento das massas contra a burocracia. Aí é que está o problema, é o segundo ponto que queremos demarcar: se a burocracia é somente contrarrevolucionária ou se ela pode defender deformadamente defender o Estado burocratizado em certas circunstâncias. Porque, pela própria desorientação ideológica, alguns movimentos de massas foram claramente reacionários, como os que falamos acima, e a LIT nunca soube delimitar, por isso caracterizou sim o golpe do Ieltsin como revolução no Correio Internacional que citamos acima
      Coletivo Lênin No caso da URSS e do Leste Europeu, o defensismo se aplicaria, no nosso ponto de vista, até o estado cair sob o controle direto da burguesia (constituições liberais, dissolução dos PCs etc), e não a partir da hora que a burocracia começa a restaurar abertamente. Para nós, só assim se pode estar na última trincheira da defesa do estado
      Coletivo Lênin Finalmente, sobre o mal menor. Isso que voc~e chama de mal menor a gente chama de "campismo" (ou num campo ou no outro), e o inventor disso no movimento trotskista se chama Michel Pablo. Quando nós falamos em frentes únicas com setores da burocracia, é em situações muito específicas (como o golpe de agosto), e estritamente militares. Fora isso, a política geral tem que ser porrada na burocracia direto. Isso a gente fala até como autocrítica, porque fomos muito campistas no começo (até mais ou menos 2010).
      Coletivo Lênin Você chama isso de mal menor, e a gente chama de "campismo". O inventor disso no movimento trotskista se chama Michel Pablo. Quando a gente fala em frentes únicas com a burocracia, é só em casos muito específicos (como o golpe de agosto). Nos outroos 99% do tempo, a política tem que ser porrada na burocracia. Falamos isso como autocrítica, porque até mais ou menos 2010 fomos muito campistas mesmo!
      Ramsés Eduardo Pinheiro Companheiros gostaria de dizer que este debate foi importante por que me fez aperfeiçoar mais ainda a minha posição sobre a derrocada da URSS que é a mesma colocada pela LIT. De outro modo, vocês não tocaram em alguns pontos que destaquei nos últimos comentários que fiz, mas independente disso, o debate foi muito produtivo. Conheci sua tradição que possui um posicionamento diferente sobre um assunto tão polemico (posição que se aproxima da do PCB e demais PCs, mas difere mais ou menos qualitativamente nos argumentos). De quebra sai bem mais convicto do que no inicio.
      Companheiros em relação à LIT jamais houve o apoio à Yeltsin e, sinceramente, compreendo que é meio difícil começar a fazer uma critica seria partindo deste devaneio.
      Neste sentido reafirmando o que disse tenho a coragem de trazer ao debate uma edição da Revista Correio Internacional nº 56, de dezembro de 1991, a qual traz um texto da LIT sobre o que vinha ocorrendo na URSS: “Gran triunfo revolucionário en la URSS” (pag. 35-39). Neste documento, a LIT constatou o processo de ascensão das massas que derrubou a burocracia soviética, caracterizando este processo como uma vitória (derrubou-se não um estado operário, mas um estado em processo de restauração). Ao mesmo tempo, a LIT vê a contradição neste processo, por não haver uma direção revolucionaria. A LIT também viu, sabiamente, o perigo que as massas incorriam neste processo. Tal perigo se colocava, na medida em que, a insatisfação e revolta das massas terminava sendo capitaneada pelo grupo de Yeltsin (os velhos burocratas e novos ricos), nada menos que um dos principais idealizadores da restauração ao lado de Gorbachev. A LIT deixou claro sua posição de total repudio a Yeltsin, agente da restauração (apoiado pelos EUA), negando qualquer possibilidade de apoio ao mesmo (cai por terra qualquer devaneio de afirmar que a LIT chamou a defesa e apoio à Yeltsin. No trecho colocado, a LIT conclui duas soluções possíveis para aquele momento: 1 – a efetivação da restauração pelas mãos de Yeltsin e seu grupo, trazendo todas as mazelas do capitalismo novamente; 2 – a continuação da revolução até o final com os trabalhadores retomando o controle de todos os meios de produção e reorganizando democraticamente a economia sob bases socialistas. Como a historia demonstrou a primeira hipótese foi a vencedora, confirmando-se a tese de Trotsky, quando a revolução não avançar e parar em certo ponto seu destino é retroceder. A ausência de uma direção revolucionaria terminou pagando o seu preço mais alto até então.

      Ramsés Eduardo Pinheiro Logo abaixo apresento um trecho deste documento presente na edição nº 56 da revista correio internacional:
      Ramsés Eduardo Pinheiro Com esta histórica victoria el processo revolucionário em la URSS, apenas si culmina su primera fase. Pero este gran triunfo de las massas soviéticas presenta uma contradiccion y un peligro no menos grande; a la cabeza de las masas no existe uma direccion obrera revolucionaria; por el contrario, la direccion de la resistência al golpe y de esta “revolucion de febrero” han sido Boris Yeltsin y sus “democratas” y, em menor medida, los dirigentes de las republicas que se opusieron al “Comité de Emergencia “ golpista.
      Yeltsin es um burocrata agente Del imperialismo, en especial Del yanqui. Su programa es restaurar el capitalismo mediante um plan de “shock”, en acuerdo con los EE.UU e la comunidad Europea, y bajo el control Del FMI. Tras de Yeltsin se encolumnan ahora los “nuevos ricos” y amplos sectores de burocratas que aspiran a convertirse em burgueses o por lo menos en funcionários del nuevo regimen. La restauracion capitalista que el auspicia, apoyada por EE.UU. y la CE, es completamente opuesta a los intereses de las masas obreras e populares. Significaria el desempleo para decenas de miliones, la explotacion mas brutal, el crecimiento monumental de las desigualdades, los privilégios y las injusticias sociales, y de todas la penúrias de los trabajadores. Yeltsin aprovecha la colosal confusion que han dejado en la cabeza de las massas el desastre de la economia planificada stalinista y el fracaso total del “socialismo en un solo pais” para ilusionarlas com los espejismos de la “economia de mercado”. Cosas mas o menos parecidas podemos afirmar de los dirigentes nacionalistas de las otras republicas.
      Tras el gran triunfo de haber derrocado al partido stalinista, las masas enfrentan, entonces, un no menos colosal peligro. Ante las masas de la URSS se abren objetivamente dos caminos:
      - Uno, es el camino contrarrevolucionario de la restauracion capitalista, por el que quierem llevarlas Yeltsin, Gorbachov y demás direcciones traidoras agentes del imperialismo, para imporneles una nueva esclavitud.
      - En outro, es el camino para llevar esta revolucion hasta el final: que las masas obreras e populares tomen el poder, barriendo com todos los burocratas y “nuevos ricos”, y que com las fabricas e tierras en sus manos reorganicen democraticamente la economia, sin explotadores capitalistas, sin las máfias del mercado negro e sin los parasitos de la nomenclatura.

      amsés Eduardo Pinheiro Companheiros queria apenas um breve esclarecimento acerca da concepção de vocês acerca do movimento internacional, vocês são ligados a alguma organização internacional trotskista ou não trotskista? Vocês reivindicam a IV internacional e seu programa? Como vocês vêem a historia da IV? Li algumas coisas no blog de vocês, mas fiquei muito confuso, parece que vocês ligaram-se mais as organizações internacionais de origem estadunidense, depois teve um grupo proveniente do CL que foi formar uma organização chamada reagrupamento revolucionário que faz uma serie de criticas ao programa do CL. Enfim, por curiosidade histórica, só queria entender melhor estas pequenas questõezinhas



      • Coletivo Lênin Ramsés Eduardo Pinheiro, obrigado por ter postado o Correio Internacional. Realmente, o que a LIT fez não foi apoio ao Ieltsin, e sim uma frente única, dentro da perspectiva de que o golpe dele contra o Comitê de Emergência fazia parte do processo de revolução política.

      • Coletivo Lênin Como já falamos, vai toda a discussão pro nosso blog. Enriqueceu muito o debate, isso é uma questão que sempre quisemos debater com os militantes do PSTU, mas nunca tivemos a oportunidade. Cabe a cada um que ler avaliar quem está certo na sua análise da restauração do capitalismo na URSS
        Coletivo Lênin Sobre as nossas origens: a gente rompeu com o PSTU em 2006, e procuramos contato com todas as correntes que avaliavam que o fim da URSS foi regressivo e abriu uma etapa reacionária (menos o SU, que a gente já sabia na época que tira conclusões liquidacionistas disso). Entre 2007 e 2010 discutimos com a TBI, mas vimos que eles na verdade são uma seita, ou seja, usam a sua política como pretexto para não intervir no movimento real, e se consideram a única organização revolucionária do mundo. O balanço dessa experiência está em Coletivo Lênin rompe relações com a TBI, no nosso site www.coletivolenin.org

        Coletivo Lênin Depois disso, obviamente tivemos que fazer um balanço do programa da TBI, ou seja, da tradição espartaquista do trotskismo. O reagrupamento revolucionário foram os companheiros que acharam que fazer esse balanço era revisionismo, e montaram então um blog basicamente de traduções de materiais da tradução espartaquista, que consideram que seja a continuidade do trotskismo.
        Coletivo Lênin Da nossa parte, chegamos á conclusão que o caminho que levou a TBI a ser uma seita não começou com o espartaquismo. Na verdade, o problema é o trotskismo ortodoxo, como foi defendido pelo Comite Internacional. Segundo todas essas correntes, as formulações do programa de transição são 100% válidas hoje, e foi a traição da direção da IV em 1951 que impediu que o trotskismo se tornasse a direção em escala mundial. Para nós, é preciso criticar vários pressupostos do troskismo ortodoxo (estagnação das forças produtivas, crise de direção, análise sobre os estados operários), pra formular um programa realmente adequado para a luta de classes nos dias de hoje. O material em que resumimos noassa nova posição é bem comlexo, então não pudemos ainda publicar (acho que vamos fazer isso mes que vem).
        Coletivo Lênin Como consequência, não defendemos mais a refundação ou reconstrução da Quarta Internacional, e sim a formação de uma nova internacional, agrupando não só os trotskistas como outras correntes que rompam com a revolução por etapas e defendem que a ditadura do proletariado deve ser exercida pelos sovietes e não pelo partido. Aqui a nossa nova resolução: http://coletivolenin.blogspot.com.br/2011/09/resolucao-do-coletivo-lenin-sobre.html
        Coletivo Lênin Do espartaquismo, mantemos a defesa do intregracionismo revolucionário, a luta contra o objetivismo (que levou o SU a dizer que a direção do PC cubana é revolucionária), e várias posições específicas (Israel, política militar proletária etc), e rejeitamos a stalinofilia bizarra deles, assim como a sua teoria da continuidade (ou seja, que eles são o trotskismo hoje).
        Coletivo Lênin Espero que tenha dado pra entender mais ou menos nossa posição atual.

        Ramsés Eduardo Pinheiro Companheiros acerca da materia que coloquei queria só reafirmar que não há nenhuma referencia a politica de frente única com yeltsin (tal idéia expressaria a teoria que lhes falei do "mal menor" de estar com um ou com outro dos "dois" campos, yeltsin ou o Comite estatal de emergencia). A LIT apoiou as massas e limitou muito bom o risco de ocorreria em caso de persistencia da ausencia de uma direção revolucionária. A LIT caracterizou que naquele momento ocorria uma “revolução de fevereiro” (revolução que coloca tarefas democráticas e anticapitalistas altera o regime político, apresenta a duplicidade de poderes e abre a perspectiva de um processo revolucionário permanente). Essa foi nossa análise. Como vocês colocaram, cabe ao leitor tirar suas conclusões a partir da leitura critica e atenta do que foi discutido.
        Quanto ao abandono da reconstrução da quarta internacional não estou convencido que é uma postura revolucionaria, pois o programa da quarta continua intacto e o fato de existirem hoje várias organizações que reivindicam a quarta (algumas nitidamente oportunistas como a corrente plabista) não significa que a mesma esteja morta como projeto político do proletariado. Sobre a idéia de uma internacional possuir setores não trotskistas, não vejo muita procedência uma vez que a própria quarta internacional da época de Trotsky tinha seções não trotskistas. Uma reconstrução da quarta não teria como requisito de entrada a necessidade do grupo ou sessão ser trotskista.
        Ramsés Eduardo Pinheiro Companheiros do Coletivo Lênin com estas considerações encerro minha participação. Solicito que ela também sejá considerada em eventual divulgação. abraços.

5 comentários:

  1. "O reagrupamento revolucionário foram os companheiros que acharam que fazer esse balanço era revisionismo, e montaram então um blog basicamente de traduções de materiais da tradução espartaquista, que consideram que seja a continuidade do trotskismo."

    Frente a essa calúnia de baixo nível, fica o convite aos leitores do CL para conhecerem as publicações do RR e também os motivos da ruptura:

    http://reagrupamento-rr.blogspot.com.br/p/publicacoes.html

    http://reagrupamento-rr.blogspot.com.br/2011/07/documento-principal-da-tcl-maiojunho-de.html

    http://reagrupamento-rr.blogspot.com.br/2011/07/normal-0-21-false-false-false-pt-br-x.html

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  2. Mais uma vez, os companheiros do RR aparecem num tópico sem discutir nada que está nele, só pra denunciar o "oportunismo" e as "calúnias" do CL.

    Citando da sua declaração de tendência:

    "Como afirmamos ao longo de todo o documento, acreditamos que as posições aqui apresentadas enquanto base programática e teórica da Liga Espartaquista, do Coletivo Comunista Internacionalista e do Coletivo Lenin são a base necessária para guiar a tarefa central de reagrupamento de forças revolucionárias.
    Um partido centralizado; uma prática sindical baseada em colaterais programáticas e na defesa intransigente da independência política e organizativa; a diferenciação entre frentes únicas e frentes únicas estratégicas; a negação de qualquer tipo de apoio a frentes populares; o reconhecimento da situação de crise de direção da classe trabalhadora e o uso de palavras transitórias como forma principal de superá-la; o defensismo revolucionário dos Estados operários; a teoria da SL sobre os Estados operários deformados; e a política do integracionismo revolucionários para as opressões específicas; e o reconhecimento do programa da SL enquanto a continuidade do trotskismo. Abrir mão de qualquer uma dessas posições significa nada menos do que tentar conciliar o programa revolucionário com forças alheias aos interesses históricos do proletariado".

    Então, o que dissemos é calúnia?

    Sobre o blog do RR, convidamos também os leitores do nosso blog a lerem, para confirmarem o que falamos: dezenas de documentos da Liga Espartaquista, alguns deles sendo polêmicas com grupos que nem existem mais, e um ou outro raro material de análise politica atual ou de intervenção no movimento.

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  3. Sabem, eu vivi esses dias, na verdade anos, em que todas as bases do marxismo e do trotskismo foram questionadas.
    O fato é que, mesmo longe da militância, tenho acompanhado o desenrolar e até hoje creio que nenhuma corrente foi capaz de produzir uma explicação eficiente sobre os acontecimentos do Leste Europeu.
    Afinal, a concepção reinante até então é que a restauração, como hipótese dar-se-ia acompanhada de um confronto de grande magnitude, provavelmente uma guerra civil.
    Acho que a chave está em começar a investigar a razão pela qual a restauração se deu de forma tão pacífica, inclusive apoiada por amplos setores de massa.
    O importante é notar que qualquer que seja a explicação ela não se resume a um exercício de retórica para demonstrar qual corrente esteve certa ou levantou as consignas adequadas. É mais profundo que isso, é um esforço para precisar toda a teoria.
    Se o marxismo é uma ciência, ainda está em débito com este fenômeno.
    Mas, parabenizo o esforço de ambos.

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  4. Gente, eu abri o link. Não vi o debate, só as Fotos do mural do Leon Trotsky que 14 pessoas curtiram e 29 compartilhamentos. Em qual comunidade se passou o debate?

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  5. Não foi em comunidade, tá no perfil do CL, mas realmente eu fiz a mesma coisa que vocês e não consegui achar também. Deve ser algum bug do Facebook.

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