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Somos uma organização marxista revolucionária. Procuramos intervir nas lutas de classes com um programa anticapitalista, com o objetivo de criar o Partido Revolucionário dos Trabalhadores, a seção brasileira de uma nova Internacional Revolucionária. Só com um partido revolucionário, composto em sua maioria por mulheres e negros, é possível lutar pelo governo direto dos trabalhadores, como forma de abrir caminho até o socialismo.

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Sistema de delegação e movimento de massas


Uma polêmica tomou conta de algumas das últimas reuniões do Fórum de lutas contra o aumento das passagens. O debate que aconteceu é muito positivo, porque é um reflexo dos desafios que surgiram com o crescimento do Fórum.

A proposta que defendemos com a Oposição Operária é a de que cada plenária regional (por bairro, local de trabalho ou estudo) eleja delegados que levem o que foi decidido para a plenária central. Essa proposta enfrentou dois tipos de críticas.


A primeira foi feita pelas pessoas que acham que ainda é prematuro eleger delegados. É verdade que só estão começando a funcionar as plenárias da Grande Tijuca e do Méier, mas nós temos que ter clareza, desde o início, de que para organizar movimentos de massa é necessária uma estrutura democrática que coordene as ações de dezenas de milhares de pessoas e que possua espaços nos quais todos possam levar suas demandas. Então o primeiro passo é manter o funcionamento das regionais que estão em andamento. O segundo é decidir coletivamente a dinâmica do sistema de delegação para que este passe a funcionar na prática, auxiliando na criação de novos espaços de base.

Por isso, chamamos as pessoas que ainda acham que não dá pra eleger delegados a participarem das regionais, e montarem outras, para que o sistema de delegação saia do papel o mais rápido possível.

Achamos que a segunda crítica, contudo, é a mais importante. Ela foi feita pelos setores que são contra a representação por princípio. Vamos analisar o que está acontecendo sob um ponto de vista de classe, que vai mostrar a quem interessa cada posição.

Uma trabalhadora ou trabalhador que tem que cuidar da sua família e mora na Baixada ou na Zona Oeste é o tipo de pessoa mais afetado pelos preços das passagens. Ela ou ele não tem a menor condição de comparecer em todas as atividades realizadas semanalmente (plenárias, atos, reuniões etc.). Muitas vezes fica até mesmo contramão ir até o Centro da cidade pra se reunir ou manifestar. 

Por isso as plenárias por local de moradia, trabalho e estudo são importantes. Elas ajudam a integrar ao movimento os setores mais afetados pelo sistema de transporte. Um delegado que representa uma plenária com dezenas de pessoas, por exemplo, em Campo Grande, TEM que ter mais voz e poder de decisão do que uma pessoa que sempre vai nas plenárias do IFCS, representando a si mesma.

Além disso, a delegação impede que algum grupo político forme um bonde pra tomar a plenária e votar nas suas posições sem nenhuma participação real no movimento. É verdade que no sistema de delegação podem existir fraudes (plenárias fantasmas), mas isso pode ser facilmente resolvido com um estatuto pautado em reuniões abertas, transparência e divulgação das decisões de cada plenária.

Outra coisa importante é que a ideia de manter somente a plenária no IFCS é conservadora, porque reflete o período passado do Fórum, em que somente algumas dezenas de pessoas participavam. É completamente impossível que uma reunião com centenas de pessoas permita que todos tenham voz.

Qualquer movimento de massas precisa de uma estrutura de delegação. Imagine um sindicato, por exemplo, o da UFRJ, que representa cerca de dez mil trabalhadores. Ele se organiza em cada centro da universidade, então não é preciso praticamente uma greve para que todas as pessoas parem para tomar qualquer decisão sobre a categoria. 

É justamente esse o centro da polêmica com os companheiros que são contra a delegação por questão de princípio. O que eles defendem é uma proposta individualista, que favorece as pessoas que têm mais tempo livre (ou seja, aquelas que não trabalham) e só funciona enquanto o movimento é pequeno.  

A única maneira de organizar os trabalhadores e jovens das periferias no Fórum é levando o Fórum pra cada local de moradia, trabalho e estudo.
           

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