QUEM SOMOS NÓS

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Somos uma organização marxista revolucionária. Procuramos intervir nas lutas de classes com um programa anticapitalista, com o objetivo de criar o Partido Revolucionário dos Trabalhadores, a seção brasileira de uma nova Internacional Revolucionária. Só com um partido revolucionário, composto em sua maioria por mulheres e negros, é possível lutar pelo governo direto dos trabalhadores, como forma de abrir caminho até o socialismo.

quinta-feira, 8 de março de 2012

Especial Dia Internacional da Mulher, parte 2 de 3: A esquerda revolucionária e as lutas das mulheres

O destino da revolução russa

Junto com o feminismo do começo do século XX, que é considerado a “primeira onda”, houve uma ala revolucionária de mulheres que combinaram a luta contra o machismo com a luta pelo socialismo.

A Revolução Russa, no começo, foi levada adiante pela grande maioria das mulheres trabalhadoras, o que levou a várias conquistas, que tornavam a situação da mulher na Rússia superior à de qualquer país capitalista. Havia total direito ao voto, restaurantes, creches e lavanderias públicas, para socializar o trabalho doméstico, legalização do aborto, acesso às mesmas profissões que os homens com salários iguais etc.

Mas o isolamento da revolução fez com que a burocracia chegasse ao poder no final da década de 1920. Com Stálin à frente do Estado, todas as conquistas culturais foram destruídas. Isso foi mais uma expressão da destruição da antiga geração do Partido Bolchevique, que tinha feito a revolução, e da destruição dos sovietes, controle total dos sindicatos e eliminação de qualquer organismo de poder dos trabalhadores.

A liberdade artística foi substituída pelo “realismo socialista”, que de realista não tinha nada, era uma arte comprada a serviço do regime. A pesquisa científica passou a ser controlada pelo partido, levando a casos bizarros, como o do “biólogo” Lyssenko, que considerava a genética uma “ideologia burguesa”, e que foi o consultor científico da agricultura, causando a destruição das colheitas e a fome. A homossexualidade, que tinha sido liberada das restrições legais do tempo do czarismo, foi proibida novamente.

No caso das mulheres, a regime stalinista começou a fazer uma campanha pela “família revolucionária”, ou seja, cozinhar, passar roupa, lavar e cuidar dos filhos, tudo em nome do “socialismo”! Algumas conquistas, como a legalização do aborto e o direito ao voto, não foram eliminadas, mas houve um retrocesso muito grande em tudo o que tinha a ver com o trabalho doméstico.


A segunda onda do feminismo e os revolucionários

Por isso, quando surgiu a “segunda onda” do feminismo, na década de 1960, mais baseada na luta pela igualdade na vida cotidiana (direitos reprodutivos, família, discriminação no local de trabalho etc) os partidos “comunistas” stalinistas não tiveram nenhuma relação com o movimento, que atacavam por ser “pequeno-burguês” (ou seja, por não se limitar a lutas econômicas). Com a exceção de movimentos antiimperialistas que incorporavam as mulheres, mas sem reconhecer totalmente as suas reivindicações específicas, como foi o caso da OLP, do sandinismo, do PC vietnamita etc.

A responsabilidade de dar uma orientação de classe e revolucionária ficou nas mãos das correntes revolucionárias que rejeitavam a identificação da ditadura da burocracia com o stalinismo, em primeiro lugar (mas não só) os trotskistas.

Houve várias experiências importantes. Logicamente, temos que analisar cada uma delas criticamente porque não existe uma organização que seja a “continuidade” do marxismo revolucionário, com o monopólio de todas as posições corretas. Todas as organizações que vamos citar tiveram várias concepções centristas, mas isso não pode nos impedir de incorporar as contribuições deles à nossa política.

Mas podemos lembrar, por exemplo, do FSP (Partido da Liberdade Socialista), dos EUA, fundado por Clara e Dick Fraser, que foi a primeira organização trotskista a ter maioria de mulheres. O PRT (Partido Revolucionário dos Trabalhadores) mexicano, que esteve na linha de frente das lutas das mulheres nas décadas de 1970 e 1980. O HKS (Partido Socialista dos Trabalhadores) do Irã, que combateu desde o começo o regime fundamentalista que usou as mobilizações de 1979 para chegar ao poder, e lutou pelos direitos das mulheres, inclusive contra a imposição do véu.

Se não podemos citar as organizações trotskistas ortodoxas que vieram do Comitê Internacional (com a importante exceção da Liga Espartaquista, que fez um trabalho importante no movimento estudantil ligado à luta das mulheres nas décadas de 1960 e 1970), é porque elas ou ignoraram a questão da mulher (foi o caso da tendência dirigida por Gerry Healy) ou a reduziram a simples lutas sindicais (o CORQI de Pierre Lambert), sem reconhecer que a luta contra o machismo é uma frente específica de combate para os comunistas.


O fim da URSS e a crise do movimento dos trabalhadores

Como não poderia deixar de ser, a crise dos países do Leste Europeu e o fim da URSS voltaram a aumentar a distância entre as lutas das mulheres e a esquerda revolucionária. Como resultado direto da destruição da URSS, todos os meios de comunicação começaram a repetir que o comunismo morreu, que as revoluções sempre terminam em ditaduras totalitárias, que o máximo que podemos ter são reformas dentro do capitalismo.

Dentro do movimento de mulheres, isso levou ao desinteresse pelas grandes questões sociais, inclusive fragmentando mais ainda a própria luta feminista, e levando a um foco nas questões culturais e comportamentais. Ou seja, abandono da política de massas. A grande maioria das organizações feministas se tornaram ONGs financiadas pelo Estado e por grandes empresas, dedicadas a pequenos projetos em segmentos muito restritos da sociedade.

Para isso, houve a influência esmagadora e idiotizante da nova ideologia dominante sobre a sociedade: o pós-modernismo. Não temos como aprofundar o assunto nesse artigo, mas o pós-modernismo é a autoconsciência da burguesia na época em que ela perde qualquer perspectiva histórica. Todas as correntes pós-modernas tem o mesmo fundamento: elas negam que seja possível construir uma teoria unificada para entender a sociedade. Por isso, essas correntes tentam analisar fragmentos da realidade, sem querer chegar a nenhuma generalização.

Isso é lógico porque, se criassem uma teoria geral, o próximo passo seria usar a teoria como instrumento para mudar a sociedade. E justamente o pós-modernismo foi criado por acadêmicos que eram ex-militantes da extrema-esquerda (Michel Foucault, Gilles Deleuze, Edgar Morin, Alain Touraine etc) para “justificar” teoricamente o seu abandono de qualquer perspectiva de transformação radical.

Um dos melhores teóricos marxistas que analisam o pós-modernismo é Fredcric Jameson, que escreveu Pós-Modernismo, a Lógica Cultural do Capitalismo Tardio. Devemos muito às posições de Jameson para as críticas que fazemos ao pós-modernismo.

Mesmo fora da academia e das ONGs, a hegemonia do movimento de mulheres passa a ser exercida por organizações sem nenhuma perspectiva socialista. Ao mesmo tempo, isso teve um impacto violento sobre a extrema-esquerda que tentou integrar a luta das mulheres na sua estratégia.

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