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Somos uma organização marxista revolucionária. Procuramos intervir nas lutas de classes com um programa anticapitalista, com o objetivo de criar o Partido Revolucionário dos Trabalhadores, a seção brasileira de uma nova Internacional Revolucionária. Só com um partido revolucionário, composto em sua maioria por mulheres e negros, é possível lutar pelo governo direto dos trabalhadores, como forma de abrir caminho até o socialismo.

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Sobre o Programa Mais Médicos

Medico cubano  vaiado e chamado de "escravo" por médicas brasileiras 
O Programa Maios Médicos, do governo federal, vem sendo alvo de duras críticas, principalmente pelos conselhos de medicina em uma feroz defesa da reserva de mercado para os profissionais brasileiros.
À vinda dos médicos estrangeiros, principalmente cubanos, as entidades profissionais de médicos brasileiros sustentaram que seria descumprir a lei permitir que eles atuassem no Brasil sem prestar o revalida, exame de reconhecimento do diploma estrangeiro. Associado a isso, foram colocadas diversas dúvidas sobre a capacidade desses profissionais.
No Brasil, a medicina é uma profissão elitizada, geradora de status e, consequentemente, reservada quase que exclusivamente para estudantes da elite.  Para sustentar esse status, uma estrutura social e jurídica utilizada constantemente para filtrar o acesso aos cursos de medicina e também ao exercício da profissão. Tanto é assim que hoje é mais fácil para um pobre cursar medicina na Bolívia ou em Cuba do que cursar medicina no Brasil. Porém, o revalida é uma barreira para que esses excluídos da profissão elitista possam exercer a profissão.
O Revalida é um exame aplicado sem calendário definido, com alto grau de desorganização e questiona sobre temas tão “rodapé de página” que, de acordo com teste realizado pelo Conselho Regional de Medicina de São Paulo, menos de 3% dos médicos formados no Brasil conseguiriam aprovação. É na verdade, um engodo para se manter uma reserva de mercado nas mãos da elite que pode estudar de forma integral durante quase dez anos sem precisar trabalhar e nem se preocupar como próprio sustento.
Porém, o pior ainda estava por vir. O ódio de classe e de raça explodiu quando chegaram ao Brasil os primeiros médicos cubanos. Para a elite racista do Brasil, médico deve ser uma profissão exclusiva para quem não tenha “cara de empregada doméstica”, como afirmou a jornalista Michelina nas redes sociais. Ou seja, para os brancos. A burguesia reacionária quicou quando viu centenas de médicos negros chegarem ao Brasil para atuar e, não por coincidência, começou a dizer abertamente que o Brasil estava importando escravos, um inegável insulto aos trabalhadores cubanos.
Além de tudodisso, há nessa campanha um forte perfil anticomunista. O pavor da elite é que a vinda dos médicos cubanos deixe ainda mais escrachado que a expropriação da burguesia em Cuba e a planificação da economia criou condições para se criar uma medicina muito desenvolvida e fazer avançar todos os indicadores sociais.  Para isso, a elite já está armada com a campanha da ditadura da grande imprensa oligopolizada e também com um programa dos Estados Unidos, que oferece facilidades para os médicos cubanos que desertarem da brigada de solidariedade.
O Programa dos Estados Unidos oferece entrada livre em território americano, permissão para exercer a profissão nos Estados Unidos e diversas outras facilidades para que médicos desertores das brigadas de solidariedade cubana. Porém, esse programa tem sido um grande fracasso, pois dos mais de 80.000 médicos que cuba já enviou ao mundo desde 1996, menos de 2% desertaram. Um número insignificante, se levarmos em conta que o programa conta com aparato do governo americano, centenas de funcionários e apoio da grande mídia burguesa de todo o mundo. Porém a ditadura da grande imprensa, que filtra as informações que lhes convém, está sempre a postos para fazer um grande alarde em torno de um único profissional que decida ir para os Estados Unidos.
No Brasil, se um dos médicos desertar, espera-se que a Rede Globo dê a isso uma grande repercussão. É uma cortina de fumaça para tentar desviar o foco e não debater os avanços da saúde cubana e o exemplo que as brigadas de solidariedade são para o mundo.  Isso já ficou evidente em diversas situações como, diante da falência do sistema de saúde americano, os bombeiros que adquiriram doenças respiratórias nos resgates das vítimas do 11 de setembro de 2001, tiveram que viajar até Cuba para conseguirem atendimento médico e remédios. Igualmente, quando houve um surto de varíola no Brasil, em 1986, foram as vacinas cubanas que possibilitaram controlar a situação.
A pseudo-esquerda (PSTU e algumas correntes do PSOL) que, frequentemente , defende as mesmas posições que o imperialismo e a burguesia tentando argumentar com uma suposta “defesa dos trabalhadores” anda afirmando que é contra o programa mais médicos por defender direitos trabalhistas. Isso é uma falsificação. Nós somos contra os pesquisadores do CNPQ não terem direitos trabalhistas, mas nem por isso somos contra os programas dos quais esses pesquisadores participam. Além disso, existem diversos aspectos que permanecem da Revolução de 1959 que fazem com que em Cuba existam mecanismos para se evitar o aprofundamento de desigualdades sociais, a formação de profissões elitizadas e o fortalecimento da burguesia. São situações que a pseudo esquerda jamais se esforçará para entender.
Nós reconhecemos que o Mais Médicos é uma pequena concessão do governo aos moradores do interior do Brasil que o Brasil dos grandes centros não conhece, e que esse programa não resolverá os problemas estruturais da saúde brasileira. Porém, a contradição entre ou o Mais Médicos ou resolver os problemas estruturais não existe, e é um artifício utilizado pela direita e pseudo esquerda para atacar o programa movidos por motivações inconfessáveis.
Defendemos sim o Mais Médicos, e para alem deste programa defendemos que haja bolsas para o curso de medicina com o objetivo de sustentar os filhos de trabalhadores para que eles possam exercer a dedicação integral que o curso exige. Reivindicamos também uma forte ampliação de vagas nos cursos de medicina como parte de um projeto pela ampliação e universalização (com o do vestibular!) das universidades publicas em todas as regiões do país , principalmente naquelas onde há carência de médicos, com a aplicação de cotas raciais de acordo com o percentual da composição étnica de cada região.
Dessa forma, a falta de médicos para o atendimento da população trabalhadora no interior do Brasil e nos grandes centros urbanos está ligado diretamente à elitização do ensino público superior da escola de medicina, entre outras carreiras profissionais como engenharia e direito, e também à péssima qualidade da educação básica e média nas escolas publicas de todo o Brasil que é onde estão a maioria dos filhos da classe trabalhadora, e que a solução  para a falta de médicos será:
· Estatização de todos os hospitais e universidade privadas e ampliação dos hospitais públicos;
· Utilização de 100% dos recursos do Pré-Sal para saúde,educação e moradia;
· Pela fim do vestibular, com universalização e ampliação das universidades.

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