QUEM SOMOS NÓS

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Somos uma organização marxista revolucionária. Procuramos intervir nas lutas de classes com um programa anticapitalista, com o objetivo de criar o Partido Revolucionário dos Trabalhadores, a seção brasileira de uma nova Internacional Revolucionária. Só com um partido revolucionário, composto em sua maioria por mulheres e negros, é possível lutar pelo governo direto dos trabalhadores, como forma de abrir caminho até o socialismo.

domingo, 13 de novembro de 2011

Boletim da LC sobre a desocupação na USP

Reproduzimos aqui o Boletim da LC, como parte do nosso esforço contra as mentiras espalhadas pela mídia empresarial contra o movimento estudantil da USP. Nós concordamos com a maioria das coisas, e temos críticas sobre alguns detalhes e caracterizações, mas publicamos aqui porque nem participamos do processo (o CL ainda não tem militantes em São Paulo), nem tivemos tempo para fazer um documento nosso com uma análise mais profunda do que aconteceu.



Greve Geral pela expulsão da PM e de Rodas da USP!
Do Folha do Trabalhador # 4 novembro de 2011


A luta contra o governo Alckmin e Rodas, seu interventor na USP, e contra a militarização da universidade ingressou decididamente em um nível superior de enfrentamento. Como prevíamos no boletim anterior distribuído no próprio dia 08/11, a maior repressão já sofrida pelos estudantes na USP que visava aterrorizá-los e liquidar o movimento pelo “Fora PM!” foi um tiro que saiu pela culatra. No mesmo dia em que a USP sofreu a maior invasão militar de sua história, com helicópteros, cavalaria e mais de 400 soldados da tropa de choque e P2 infiltrados, também foi o dia em que os estudantes daquela universidade realizaram sua maior assembléia desde 2007, com quase 3000 estudantes. A assembléia que derrotou a posição defendida pelo DCE (PSOL) e pelos CAs, influenciados pelo PSOL e PSTU e deflagrou a greve geral e imediata na universidade, ao contrário da asquerosa campanha da mídia burguesa que calunia o movimento dizendo que ele não passa de uma minoria de mimados playboys, era composta majoritariamente por estudantes do turno da noite que haviam passado o dia trabalhando.

O movimento vem em um claro crescente e quanto maior a repressão policial, mais cresce a mobilização estudantil. Primeiro prenderam três estudantes na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH), sob a acusação de que fumavam maconha, para legitimar a ação policial dentro do campo desmoralizando o conjunto dos estudantes onde o movimento é mais organizado. Em resposta, os estudantes cercaram as viaturas e puseram a polícia para correr naquela noite da USP. Em seguida, uma assembléia com centenas de estudantes resolveu ocupar a FFLCH. Dias depois, os estudantes desocuparam a FFLCH e ocuparam o centro de comando da reação na universidade, a Reitoria. A bárbara ação da tropa de choque do dia 08, invadindo a universidade e fazendo 73 presos políticos, fustigou a maior mobilização estudantil da USP desde 2007 e, além da histórica assembléia geral, uma dezena de assembléias de cursos aprovou a greve e elegeu um comando de greve no dia seguinte. O movimento também já ganhou a solidariedade ativa dos estudantes das UNESPs de Rio Claro e Marília, da UNICAMP e de outras universidades do país.

A ESTRATÉGIA BURGUESA
E O PAPEL DE SEUS MEIOS DE COMUNICAÇÃO

A ampliação do movimento e a declaração de greve geral não lhe garantem pura e simplesmente a vitória. A estratégia da burguesia paulista é eliminar da USP os elementos de resistência à otimização de uma política que possibilite um baixo custo de manutenção da universidade e alta lucratividade da mesma. Para isto, lança mão de uma verdadeira máquina de propaganda de guerra composta de vários tentáculos (Globo, Veja, Folha de São Paulo, Record, Estadão, Band, Carta Capital ...) mas que falsifica a realidade em uníssono para jogar a população contra a luta estudantil que, segundo a mídia, quer usar a universidade para livremente usar drogas e depredar o chamado patrimônio público e por isto é contra a presença da PM. Esta satanização do movimento estudantil visa isolar e eliminar os setores mais combativos da universidade para fazer passar o projeto privatista da burguesia sobre a USP. Assim, tratando aos lutadores sociais como bandidos, a imprensa justifica a repressão policial e naturaliza medidas tiranas como o sequestro de quase uma centena de estudantes de dentro da universidade pelo Estado que os submeteu a um confinamento, fritando-os por 15h sob um sol escaldante dentro de um ônibus e, inclusive, torturou a uma companheira presa, e pelo quê cobrou um resgate (fiança) de quase 40 mil reais.

Estão intimamente combinados a multiplicação de fundações, a terceirização e a repressão ostensiva que faça calar qualquer empecilho a este processo. Para isto é preciso esmagar ou neutralizar na universidade e na sociedade em geral os elementos que criam obstáculos para o avanço deste projeto e por isto centenas de trabalhadores foram demitidos, os sindicalistas do SINTUSP estão ameaçados, sob os estudantes combativos recaem dezenas de processos jurídicos e penalidades, ampliadas agora depois da prisão dos 73. O imperialismo e a burguesia cobram do tucanato pulso firme para acabar com esta história de greves com ocupações anuais da Reitoria da “melhor universidade da América Latina” (segundo dois rankings mundiais divulgados pela revista TheEconomist em 08/10/2011) , pois a ocupação do órgão máximo decisório põe em jogo quem controla e a quem serve a USP.

A CHAMADA QUESTÃO DA SEGURANÇA E A LUTA POR
UMA UNIVERSIDADE A SERVIÇO DA POPULAÇÃO TRABALHADORA

Para derrotar a estratégia burguesa de recrudescimento da repressão política e militarização da universidade nossa luta precisa ganhar a população. PT, PCdoB, PSOL e PSTU, apresentam alternativas policialescas e de colaboração de classes como a da criação de uma reacionária polícia comunitária coordenada por uma comissão figurativa da comunidade universitária subordinada à polícia militar que entraria no campus nos casos de ameaça à integridade física dos membros da comunidade universitária e de graves ameaças ao patrimônio público.

Os revolucionários entendem que o crescimento da violência urbana é produto do aprofundamento da barbárie capitalista que restringe o acesso dos trabalhadores ao ensino superior estatal e gratuito. Mais privatização gera maior violência social. A PM no campus está a serviço da privatização do ensino. O fim da repressão combina-se com a luta pela democratização da educação. A presença da polícia só agrava enormemente o problema da segurança, afinal, quem é a instituição que mais executa a juventude no país? quem são os criminosos que tem licença para matar? A saída para a crise está em nossas históricas demandas de fim do vestibular, ampliação das vagas no ensino, estatização do ensino privado e livre ingresso na universidade. Será a abertura do campus à população para que se aumente a circulação de pessoas que o tornará mais seguro.

DA EXTREMA DIREITA TUCANA A “ESQUERDA MODERADA”,
TODOS CONTRA A GREVE GERAL

Além da repressão policial aberta e escancarada, Alckmin e Rodas contam com aliados entre os estudantes. Há os que agem abertamente contra as greves como a direita fascistinha (UCC, PSDB jovem, neonazistas, homofóbicos) extremamente minoritária mas que se aproveita do retrocesso da consciência da juventude e cujo slogan é “USP: sim, greve: não!”. São palhaços que se agrupam em algumas dúzias para defender a presença da PM no campus na frente das câmeras da mídia canalha.

Também faz campanha nos cursos contra a greve a corrupta esquerda lulista (UNE, PT, PCdoB, Consulta Popular) cujo ministro da Educação, Fernando Haddad, candidato a prefeito de São Paulo, não condenou a repressão truculenta do tucanato. Pelo contrário, apresentando-se como um representante mais habilidoso para a classe dominante, ponderou que "o campus da USP não pode ser tratado como se fosse a 'Cracolândia” e que era preciso “ter cuidado na intervenção com a comunidade”, para que o tiro não saísse pela culatra revigorando o movimento como ocorreu. O que o ministro petista condenou energicamente foi à ocupação da reitoria da USP e de outras universidades dizendo que se tratava este sim de um “expediente autoritário”.

FORA OS AGENTES DO INTERVENTOR DE DENTRO DO MOVIMENTO! NENHUMA CONFIANÇA NA ATUAL DIRETORIA DO DCE (PSOL) NEM NAS DIRETORIAS DE CAs E PARTIDOS (PSOL E PSTU, CHAPA “NÃO VOU ME ADAPTAR”) ADVERSÁRIOS DAS OCUPAÇÕES E DA GREVE GERAL DOS ESTUDANTES PELO FORA PM!

Porém, ainda mais desmobilizadora que a extrema direita e a esquerda governista é a chamada “esquerda moderada” (PSOL e PSTU) pelo papel que ocupa dentro do movimento estudantil da USP, pela responsabilidade política que tem ao dirigir suas principais entidades. Estes setores, quando não fazem reuniões diretas para encaminhar as ordens do interventor tucano como a desocupação do COSEAS (vide fotos dos documentos no WikiUSP, 1. e-mail de José Clóvis, assessor do gabinete do Reitor, informando ao “magnífico” como se divide o movimento estudantil a partir de informe de “liderançasestudantis” e 2. relato da reunião com dois membros do DCE sobre o espaço deconvivência CRUSP onde a Reitoria tem por pretensão retomar dos estudantes e instalarum shopping) como fizeram diretores do DCE, atuam em uma frente para desmobilizar o movimento a qualquer custo como fizeram o PSOL e o PSTU, se opondo às ocupações da FFLCH e da Reitoria e, na assembléia do dia 08, depois de toda a repressão e das prisões, em meio a indignação generalizada da massa estudantil, não tiveram vergonha de se colocar contra a deflagração imediata greve geral na universidade.

Ainda que o PSTU alegue que não comunga com a prática de se reunir às escondidas com a administração facínora da universidade para conspirar contra a nossa luta, compõe um bloco político unido como unha e carne com os agentes do interventor Rodas no movimento; nas assembléias e nos cursos, muitas vezes a juventude do PSTU reproduz, sob um verniz de esquerda, o discurso demonizador contra os “ultraradicais” e para que não restem dúvidas o PSTU compõe pragmaticamente uma chapa para as eleições do DCE sob o falacioso nome de “Não vou me adaptar” com os agentes diretos da Reitoria encastelados no DCE. Nós defendemos a constituição de uma comissão de estudantes eleita em assembléia para averiguar todas as “descobertas” feitas durante a ocupação da Reitoria acerca das supostas relações promíscuas entre a atual direção do DCE, “lideranças estudantis” e o interventor. Caso sejam confirmadas as suspeitas que os que deveriam representar os estudantes não passam de agentes do Reitor dentro do movimento, que estes sejam no mínimo escorraçados de todos os fóruns do movimento estudantis como traidores. No entanto, durante a assembléia, após ter perdido para a proposta de greve geral imediata, a “esquerda moderada” controladora da mesa tratou de armar uma nova cilada que pode comprometer a mobilização, a continuidade e os rumos da greve, indicando a próxima assembléia para a Faculdade de Direito da USP no Largo do São Francisco.

Qual o problema deste encaminhamento? Enquanto na FFLCH se concentram os cursos mais mobilizados, organizados e que superaram suas próprias direções votando pelas ocupações daquela Faculdade, da Reitoria e pela greve geral, neste momento, na Faculdade de Direito há uma crescente inclinação em favor do tucanato juvenil que acaba de ganhar o primeiro turno das eleições para o CA XI de Agosto. A “esquerda moderada” arrasta o movimento para onde a direita defensora da PM do Campus é mais forte. Equívoco? A julgar pela política desmobilizadora destes setores nas últimas semanas, não.

É preciso então, mais do que nunca, jogar todo o peso possível nesta assembléia do Largo do São Francisco, levar para lá os estudantes trabalhadores da FFLCH que deflagraram a greve geral, derrotar mais esta manobra da direção conciliadora do movimento, votar por uma próxima e massiva assembléia no Butantã e preparar a reocupação massiva da Reitoria.

Fora PM! Pelo fim do convênio da USP com a Secretaria de Segurança Pública!
Anulação dos processos contra estudantes e trabalhadores!
Incorporação imediata e incondicional dos terceirizados ao quadro de efetivos da USP!
Fora Rodas!

APÊNDICE:

Embora tenhamos muitos desacordos políticos com a LER-QI, inclusive durante a atual luta por um certo taticismo estéril dos companheiros que chegaram ao cúmulo de defenderem na FFLCH às 20h que uma assembléia com quase três mil estudantes não se iniciasse enquanto não fossem soltos os 73 companheiros presos (que só foram liberados as 4h da madrugada do dia seguinte) correndo o risco de, se esta proposta fosse aprovada, desperdiçarmos a maior assembléia da USP desde 2007 pelo fato dos estudantes que trabalham no dia seguinte não poderem passar a noite na universidade, reproduzimos abaixo uma polêmica entre a LER-QI e o PSTU da lista de e-mails da ANEL, por considerarmos acertada a denúncia dos primeiros contra os segundos:

[anelonline] PSTU e sua pratica vergonhosa na USP
Quarta-feira, 9 de Novembro de 2011 14:35

Chamo à juventude do PSTU, seus setores mais sensiveis e honestos, à questionar a pratica oportunita e vergonhosa levada à frente por esse partido na Luta na USP. Não pode ser que de tantos militantes, não exista um amplo setor que se indigne com a forma pela qual a direção desse partido, e tambem "envelhecida" direção da juventude do PSTU na USP, vem dirigindo esse conflito.

A assembleia com milhares de estudantes prova como essa luta só cresce! Até agora, TODAS as medida votadas em luta em cada assembleia na USP, TODAS, não só não foram defendidas pelo PSTU, mais tiveram que passar CONTRA a politica desse partido.

A primeira ocupação? PSTU foi contra!

A segunda ocupação? PSTU foi contra!

E ainda por cima ajudou a direita fortalecendo a campanha de que éra um movimento isolado. Alem de caguetar a LER-QI e a MNN como sendo quem dirigi. Jogo absurdo de dedu duro completamente alheia à tradição trotskista! Vergonha

Depois acontecem diversar assembleias de curso, varias delas aprovam apoio à ocupaçao. PSTU se coloca contra a ocupação em TODAS elas. Porem toda a assembleia geral vota apoio e a necessidade de fortalecer a luta

Frente o risco de desocupação pela policia, o que diz o PSTU? " Não temos acordo com a ocupação, porem frente o risco de repressão chamamos todos a defender a mesma. Defenderem? Claro que não! Não foram se quer um dia para a ocupação!!!

Os estudantes organizam um ato para ir a delegacia onde estavam os presos politicos. Ondes estava o PSTU? Mandou 2 ou 3 representantes, e as dezenas de outros militantes ficaram na USP fazendo campanha contra o setor "ultra". O que não impediu que esses estudantes e trabalhadores, permanecessem mais de 15 horas! 15 HORAS COMPANHEIROS!!! Até que todos tivessem sido soltos.

E nesse momento acontece a assembleia geral. A maior em anos da USP. Qual proposta dos setores em luta? Grevel geral já! Qual proposta do setor que não move uma palha pela luta? Qual a proposta do setor moderado? Em outras palavras, qual a proposta do PSOL e PSTU? Indicativo de greve para outra assembleia. O fato de ter quase 3mil estudantes, 73 presos politicos, não sensibiliza essa juventude amorfa. DERROTADOS novamente!

Isso são só os principais fatos, alem das pequenas coisas como a batalha que o PSTU deu para que não adiassemos as eleições! NOvamente derrotados. Ous as calunias de Didi e Mancha de que os estudantes foram soltos. MENTIRA ABERTA. Ou quando diziam que a conlutas pagou a fiança! CALUNIA!!! O Sintusp pagou tudo, até agora da CSP Conlutas, só promessas.

Companheiros! PSOL e PSTU diziam que para massificar a luta deveriamos acabar com a ocupação, e voltar à fazer o que mesmo de todo o ano, nada! A ação direta, a luta dos estudantes, mostrou a unica forma para massificar e organizar estudantes para lutar. Infelizmente tudo isso teve que se dar não só sem a ajuda, mais em COMBATE direto com o PSTU que na usp vem cada vez mais se cololando ao psol e se formando como uma burocracia estudantil.

Gabriel, militantes da LER-QI, e um dos 73 presos politicos por lutar na USP!
 

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