QUEM SOMOS NÓS

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Somos uma organização marxista revolucionária. Procuramos intervir nas lutas de classes com um programa anticapitalista, com o objetivo de criar o Partido Revolucionário dos Trabalhadores, a seção brasileira de uma nova Internacional Revolucionária. Só com um partido revolucionário, composto em sua maioria por mulheres e negros, é possível lutar pelo governo direto dos trabalhadores, como forma de abrir caminho até o socialismo.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Resposta à LBI: uma desculpa esfarrapada para justificar a ausência deles no ato que eles mesmos convocaram!

Os companheiros da LBI escreveram no dia 26/11 uma "polêmica" com o Coletivo Lênin,

http://www.lbiqi.org/teoria-revolucionaria-1/as-pressoes-da-contrarrevolucao-mundial-e-a-tendencia-da-dissolucao-programatica-dos-pequenos-grupos-revisionistas

aparentemente criticando as nossas novas posições sobre a questão dos Estados Operários e nosso novo programa. Mas como as elaborações sobre a questão dos Estados e da Internacional já foram divulgadas pela gente desde julho, é fácil perceber que o objetivo deles é se "desculparem" da ausência no ato contra a intervenção imperialista na Líbia, que aconteceu dia 17/11. Eles não participaram desse ato, que foi proposto pela própria LBI, e nós criticamos isso no nosso balanço.

Achamos necessário e importante responder a certas críticas, como estamos fazendo agora. Mas nossa intenção não é de forma alguma dar qualquer moral pra esse tipo de organização, entrando nos seus joguinhos sujos de ter como política principal ficar "tacando pedra um no outro" e se abster das questões reais e objetivas colocadas pela realidade de hoje. Nossa tarefa é a de construir uma organização, intervindo no movimento, e não através do beco sem saída das polêmicas entre seitas que se consideram donas do trotskismo.


Ausência da LBI no ato

Por isso, vamos começar pela crítica contra a desculpa esfarrapada deles sobre a ausência.

Bem, a LBI nunca criticou a participação dos companheiros do Comitê Antiimperialista de São Paulo no ato. Desafiamos a LBI a mostrar qualquer comunicação conosco que demonstre que eles haviam se posicionado contra a participação dos camaradas de São Paulo, essa crítica eles nunca fizeram. Aliás, a CST e OT não participam mais do Comitê Antiimperialista, e não estavam presentes no ato.

O ato foi remarcado, e não cancelado. Será que a mudança de data é motivo para não participar? Para nós, isso só se justificaria se a LBI tivesse alguma limitação de vir ao Rio na data. Mais uma vez, eles nunca falaram sobre isso, e desafiamos eles a nos contradizerem.

Portanto, a LBI não participou do ato porque não quis. Ou talvez para evitar o contato com a Liga Comunista, racha da LBI que faz críticas corretas ao seu abstencionismo, e que participa do Comitê Antiimperialista. Esse motivo faz mais sentido, e prova de fato que eles não estão comprometidos com a luta real  pela formação de um comitê antiimperialista no Brasil, mas apenas em seus posts da internet e textos de seu jornal. Enquanto isso os camaradas das organizações do Rio e de São Paulo fizeram todos os esforços possíveis para a preparação e construção desse espaço, mesmo havendo grandes diferenças políticas entre estes grupos e sem nenhum momento deixarmos de expressa-las, e dessa forma levamos adiante o ato antimperialista com essa vanguarda comunista que, ao contrário da LBI, de fato fez o que se propuseram a fazer:  lutar na realidade contra o imperialismo, e não somente através das publicações.

"Críticas políticas" da LBI

Como não teriam como acusar a gente quanto a nossa participação no ato, a LBI resolve falar das nossas novas posições em dois pontos:

-A necessidade de destruir o aparato estatal dos chamados "estados operários burocratizados". Pra começar, a LBI falsifica a posição da LIT sobre Cuba e Coreia do Norte, para fingir que é a mesma que a nossa. Para a LIT, ambos os países são ditaduras burguesas. Para nós, são estados controlados pela burocracia, onde a burguesia foi expropriada politica e economicamente, por isso devem ser defendidos contra forças restauracionistas.

-Acreditamos que qualquer movimento operário nos antigos estados do leste europeu que colocasse em pauta reivindicações democráticas, propondo participação operária no controle do processo produtivo sem derrubar o que sobrou de coletivização ou planificação, além de liberdade política pra se organizar, é um movimento democrático de caráter não capitalista, como foi na Hungria nos anos 50, na Tchecoslováquia  nos anos 60,Polônia nos anos 60, 70 até 1980; e por isso defendemos esses movimentos historicamente ou nos dias de hoje caso venha acontecer em Cuba, e Coréia do Norte, ou mesmo na China e Vietnã (nesses dois últimos acreditamos já ter sido restaurado o capitalismo). É a stalinofilia da LBI que os leva a serem contra movimentos democráticos nesses países, mesmo que não sejam controlados por setores pró-capitalistas, pois acham que qualquer movimento democrático contra as burocracias necessariamente é pró-capitalista. E é o dogmatismo da LBI que os impede de ver que recriar um exército baseado em milícias, destruir o aparato executivo e legislativo e construir sovietes, criar comissões de empresa para gerir a planificação, viria a ser o mesmo que destruir o aparato estatal de um país como a Coreia do Norte hoje ou mesmo a URSS entre 1935 e 1991, ou seja, muito mais que uma revolução política.

Mais uma vez, desafiamos os companheiros a explicarem como o capitalismo e o domínio político da burguesia foram restaurados no Leste Europeu e na China sem destruir o exército e o parlamento, que existiam até 1989?

Sobre o Afeganistão, é só estudar a história e vamos ver que o governo que a URSS foi "defender" em 1979 teve o seu presidente, Hafizullah Amin, morto pela KGB, para que a URSS instalasse um governo fantoche de frente popular. Nos comentários sobre a Nota sobre a LER-QI, corrigimos a formulação sobre o Afeganistão, que estava muito confusa e não refletia a nossa política.


Não poderia acabar sem mais uma calúnia stalinista!

No final, a LBI fala de forma distorcida que lamentamos que o PSTU não foi ao ato. Vamos somente copiar a frase aqui do nosso balanço do ato do dia 17 (http://coletivolenin.blogspot.com/2011/11/ato-antiimperialista-no-rio.html), pra não deixar dúvidas sobre o que de fato escrevemos:

"Lamentamos ainda que outras organizações, como o PSTU e PSOL, que com seu oportunismo, traição e falta de senso de realidade se jogam no mesmo saco da mídia burguesa, e chamam a queda de Kadafi ,derrubado pelo imperialismo e seus lacaios, de revolução, demonstrando que não são melhores que a social-democracia traidora que apoiou as suas burguesias nacionais na 1ª Guerra Mundial em 1914".


Conclusão:uma seita pseudo-trotiskista!

Bem, todo esse método sujo de polemizar com o CL mostra o verdadeiro caráter da LBI. Apesar do seu programa, que é fundamentalmente revolucionário (mesmo que com várias posições que capitulam ao nacionalismo das nações oprimidas, como apoiar o atentado de 11 de setembro, defender um governo do Hizbollah no Líbano etc), o funcionamento da LBI é baseado em usar o seu programa não como instrumento para intervir no movimento de massas, e sim como desculpa para não intervir, e ainda atacar como inimigas todas as outras correntes.

Infelizmente, todas as características de uma seita estão presentes na LBI. Vamos citar Marx, que é para nós um grande teórico, e para LBI o fundador da sua religião, falando sobre Lassale: "De fato, toda seita é religiosa... Ele caiu no mesmo erro que Proudhon, de não buscar a base real da sua agitação nos elementos atuais do movimento de classe, e sim de tentar prescrever o curso do movimento de acordo com certa receita doutrinária".

A concepção fundamental da LBI, que ao mesmo tempo é fruto do seu isolamento e os deixa cada vez mais isolados, é a sua "teoria" messiânica, que  que a função da LBI é a de serem os guardiões do "programa trotskista" durante décadas a fio, até que o movimento de massas se recomponha e se possa criar novamente partidos bolcheviques. Nas palavras deles, em Dez anos de fundação da Liga Bolchevique Internacionalista:


"Talvez não sejamos daqui a 20, 30 anos, nem um partido com influência de massas, mas temos a certeza de que continuaremos construindo o partido, caminhando passo a passo com nossas posições políticas cada vez mais centradas, mais coladas com a realidade, calibrando nossa pontaria no sentido da delimitação programática com a esquerda revisionista e reformista. Talvez daqui a 20 anos sejamos um partido de 100, 200 ou 300 militantes. Mas podem dizer, 30 anos na estrada e são só 100 ou 200. A etapa histórica é exatamente esta.


O nosso desafio histórico não é fazer a revolução já, não é amanhã que presidiremos o Estado. É manter vivo o partido revolucionário, porque na atual etapa da luta de classes mundial, manter em pé um partido com estrutura bolchevique, manter vivo o leninismo, não o de fachada, de fórmulas, mas o da dedicação profissional de seus militantes, de dedicação integral, de vida é uma tarefa histórica a nós incumbida. Manter vivo isto, combinado com um programa correto, do qual Trotsky lançou os fundamentos, combinar o leninismo com o trotskismo na construção do partido, nós vamos ter a certeza de que a revolução proletária será construída, não sabemos quando, se daqui a 50, 60, 100 anos, mas ela vai ser construída porque a história da humanidade mostrou que em todas as revoluções, sem um partido não há revolução, com espontaneidade das massas não há revolução, com o anarquismo não há revolução.

Temos claro que vamos sedimentar o núcleo cada vez mais duro, de quadros, cada vez mais preparados, dedicados que trabalhem não com o entorpecente da revolução de amanhã, mas que trabalhem para construir um partido para a eternidade da humanidade”.


Reparem bem na palavra "eternidade"!

É justamente essa concepção prática, oposta a lutar dentro do movimento operário pela sua recomposição e superação da sua crise, que cria todas as práticas degeneradas da LBI. É o que faz a sua direção punir toda divergência, porque ela pode "macular" o programa "sagrado". É o que afasta a LBI do movimento real, para ela não se "contaminar" com o oportunismo. Tudo isso foi provado com o racha da Liga Comunista.

É o que faz a sua direção controlar a vida dos militantes, para impedí-los que questionar o programa.  É o que faz eles atacarem todas as outras organizações como inimigos e traidores.

É também é isso o que torna a LBI uma organização estéril para a construção do partido revolucionário.

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