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Somos uma organização marxista revolucionária. Procuramos intervir nas lutas de classes com um programa anticapitalista, com o objetivo de criar o Partido Revolucionário dos Trabalhadores, a seção brasileira de uma nova Internacional Revolucionária. Só com um partido revolucionário, composto em sua maioria por mulheres e negros, é possível lutar pelo governo direto dos trabalhadores, como forma de abrir caminho até o socialismo.

terça-feira, 10 de abril de 2012

Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro: Voto crítico na Chapa 2!

As eleições desse ano para o sindicato estão entre as mais frias de todos os tempos. Não admira: muitas pessoas já estão desacreditadas do próprio movimento, a sindicalização nos bancos públicos diminui cada vez mais e, nos bancos privados, a maioria dos que se filiam não é pelas greves, e sim pelos convênios e atividades culturais e esportivas. Tudo isso mostra uma categoria que não vê o seu sindicato como alternativa de luta.

Existem muito motivos para isso. Pra começar, depois de vinte anos de propaganda nos meios de comunicação, dizendo que tudo o que podemos esperar na sociedade é o neoliberalismo, as eleições que levaram ao governo partidos que falavam em transformações levaram a grandes decepções.

Os três governos do PT, desde 2003, não fogem dessa regra. Hoje, o apoio popular a Dilma não é porque ninguém acredite que ela vai resolver os problemas sociais, e sim porque os trabalhadores veem o seu governo como uma "barreira" contra a direita.

O sindicato dos bancários do Rio, assim como grande parte dos sindicatos brasileiros, é dirigido por membros de várias correntes do PT (e de membros do PCdoB). Isso afeta diretamente a atuação do sindicato. Para proteger o PT (e o PCdoB), eles tentam reduzir as lutas somente ao calendário das campanhas salariais. E, mesmo assim, reivindicando indíces muito abaixo das necessidades dos trabalhadores.

Todas essas atitudes são tomadas para o sindicato não "criar problemas" com o PT (patrão nos bancos públicos) e com os banqueiros (que estão entre os maiores financiadores das campanhas do PT, principalmente o Itaú).

Não estamos dizendo que tudo ficaria às mil maravilhas só mudando a direção do sindicato. Mas é necessária uma direção realmente comprometida com a classe trabalhadora (classsita) para lidar com todos os problemas vividos pelos trabalhadores do ramo financeiro, que exigem ousadia e novas formas de organização.

Por exemplo, o sindicato precisa criar comissões por local de trabalho nos bancos privados, que no começo só poderiam ser clandestinas.  

O sindicato precisa levar a sério a luta pela estabilidade nos bancos privados, organizando assembleias e manifestações para isso.

O sindicato precisa organizar os trabalhadores terceirizados, que são grande parte da categoria e estão em setores-chave, como o Telemarketing e a Informática.

O sindicato precisa dar atenção às reivindicações específicas das mulheres e negros (que são a maioria dos terceirizados), para aumentar a participação deles no movimento.

O sindicato precisa lutar contra a remuneração variável, inclusive fazendo campanhas para que a PLR se transforme em aumento salarial. Assim, os trabalhadores não vão ser mais escravos das metas.

Tudo isso só pode acontecer com uma direção independente em relação aos banqueiros e aos governos. Nas eleições de agora, a única chapa independente é a Chapa 2 - Democracia e Luta.

A chapa 2 é organizada pelo PSTU e sindicalistas independentes. Nós temos várias discordâncias em relação à composição da chapa e às propostas do PSTU. Por exemplo, quase todos os integrantes da chapa são do Banco do Brasil ou da CEF (onde é mais fácil organizar os trabalhadores), o que vai dificultar mais ainda o apoio nos bancos privados. Além disso, o PSTU não quis formar uma chapa com todos os setores de oposição, não por motivos políticos, e sim para controlar a chapa completamente. 

Isso foi alertado pelos companheiros da Intersindical e outros independentes. Por esse motivo, eles não participaram da chapa e estão defendendo a abstenção nas eleições. Nós entendemos as críticas dos companheiros, mas achamos que é errado igualar a Chapa 2 com a Chapa 1, pelega. Por mais que o PSTU seja problemático, eles formaram uma chapa com delegados sindicais, independente do governo e dos banqueiros.

Inclusive, as nossas críticas vão mais além: para nós, toda a atuação do PSTU no movimento sindical é baseada em lutar para que os sindicatos lutem mais e melhor pelas reivindicações econômicas. Nós, do Coletivo Lênin, achamos que isso é insuficiente. Não podemos melhorar as condições de vida dos trabalhadores sem fazermos luta política contra o Estado e seus governos, que protegem os interesses dos grandes empresários.

Por isso, somos a favor de formar, em todos os sindicatos, oposições classistas, que combinem as lutas imediatas com a luta política por uma nova sociedade, o socialismo. Isso era uma proposta da CUT quando ela foi fundada, em 1983, mas foi perdido por causa da descaracterização da central, e sua integração ao Estado, através da sua direção petista.   

Para nós, votar na Chapa 2 é um passo adiante na luta por uma mudança radical no movimento dos trabalhadores. Precisamos tirar os oportunistas dos sindicatos, e devolvê-los para os seus verdadeiros donos, os trabalhadores. Por isso, mesmo com todas as nossas críticas, somos a favor do voto na Chapa 2, por um sindicato independente e controlado pelos trabalhadores!

Um comentário:

  1. O companheiro Jacy Menezes, que também milita na categoria, respondeu no Facebook à nossa declaração:

    Por haver fracassado a discussão com os componentes da Chapa 2, na qual eu e mais outro camarada do Banco ITAÚ tentamos contribuir para a montagem de uma chapa minimamente representativa, onde sugerimos e apresentamos candidatos à presidente e mais companheiros(as) de bancos privados, decidimos nos abster neste processo (para não contribuir para a obtenção de Quorum nesta eleição)... Contudo, mesmo sem acreditar na representatividade da Chapa 2, e apesar de não concordar com a falta de flexibilidade de uma chapa que, na nossa opinião, está longe de corresponder ao que temos, de fato, no campo de pensamento que vai além da direção sindical e, muitas vezes, manifesta um sectarismo explícito, decidimos deixar livre o voto. Eu (Jacy Menezes) fui "convencido", por alguns poucos companheiros de base (bancos privados), que mesmo e apesar de se quer conhecerem ao menos um integrante da chapa desta pequena parcela da oposição, a votar junto com eles, por simples protesto, na chapa 2... Ratificando: Não acredito na representatividade da Chapa 2 (aliás, não somente eu como a ampla maioria - se não quase todos - dos companheiros de bancos privados)... Meu voto será apenas e tão somente em protesto ao "feudalismo político sindical" praticado pela Articulação PT...

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