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Somos uma organização marxista revolucionária. Procuramos intervir nas lutas de classes com um programa anticapitalista, com o objetivo de criar o Partido Revolucionário dos Trabalhadores, a seção brasileira de uma nova Internacional Revolucionária. Só com um partido revolucionário, composto em sua maioria por mulheres e negros, é possível lutar pelo governo direto dos trabalhadores, como forma de abrir caminho até o socialismo.

sábado, 22 de dezembro de 2012

Apostila sobre a história do trotskismo no Brasil


Essa é a apostila que vamos usar no nosso minicurso sobre história do trotskismo no Brasil, que vamos fazer em janeiro. O objetivo não é esgotar o assunto, e sim abrir a discussão, por isso o formato em tópicos e as perguntas. Se você quiser participar, entre em contato pelo nosso email.






História do Trotskismo no Brasil


Pergunta para discussão:
Por que devemos estudar esse tema? Qual é a utilidade desse estudo para o CL hoje?


Proposta:
Vamos dividir a história das correntes trotskistas em sete ciclos, de acordo com os períodos históricos, mostrando quais são as questões principais e como elas foram respondidas pelas organizações.


1° Ciclo: 1927-1945

A burguesia industrial começa a luta pelo poder, contra o acordo do “café com leite” (MG-SP), dos latifundiários e exportadores. Isso leva à revolução de 1930, que coloca Vargas no poder. A partir de 1937, Vargas dá um golpe e ganha poderes ditatoriais (Estado Novo). 

O PCB é formado em 1922, a partir de anarquistas que seguiram o exemplo da revolução russa. Quando o PCB é reconhecido pela IC, em 1928, já é no contexto do stalinismo. Em 1922, acontece também a primeira revolta tenentista, expressando a revolta das camadas médias urbanas contra a república velha. A partir daí, o PCB começa a defender o protagonismo da pequena burguesia (e, depois de 1934, da burguesia nacional) na atual etapa da revolução brasileira.

A primeira org trotskista brasileira é o GBL (grupo comunista Lênin), formada em 1927 por Mário Pedrosa e João Costa Pimenta, entre outros, como seção brasileira da Oposição de Esquerda Internacional. Depois, o GBL vira LCI (Liga Comunista Internacional).

A LC ganhou controle de parte do trabalho sindical do PCB, sendo maior que o partido em SP, onde dirigia principalmente a federação dos gráficos. Eles também tentaram ganhar para o leninismo o próprio Prestes, que chegou a escrever um manifesto muito influenciado pela LCI, mas logo depois ele entrou no PCB.

Durante a revolução de 1930, em que a linha do PCB foi abstencionista, a LCI interviu defendendo a assembleia constituinte. E o foco principal da luta política da LCI foi o antifascismo, com o episódio da Batalha da Praça da Sé (1934), que destruiu a influência dos integralistas nas ruas.

Depois da repressão contra a ANL (a LCI tinha criticado o programa etapista da ANL e a sua ilusão na aliança com a burguesia nacional), em 1935, a LCI foi destruída. Logo depois, se reconstituiu como POL (partido operário leninista), já na ditadura Vargas.  Em 1939, se funde com a dissidência de SP do PCB, dirigida por Hermínio Sachetta, formando o PSR (partido socialista revolucionário). A ruptura do Schachtman em 1940 (que Mário Pedrosa apoiou) levou à crise o PSR. O Mário Pedrosa, em 1946, fundou o PSB.


2° Ciclo: 1945-1953

Um grande movimento democrático derruba a ditadura varguista, levando a um novo período democrático. No começo, o PCB é legalizado, com um programa completamente reformista de “união nacional”, chegando a eleger Prestes como senador, e tem 300 mil filiados. Já em 1947, Dutra coloca o partido na ilegalidade.

O PSR intervém, principalmente contra o peleguismo do PCB nos sindicatos, em defesa da frente única e das comissões de fábrica. Mas a crise da IV Internacional leva à dissolução do PSR, em 1958 (Sachetta participou do congresso de 1951 e foi contra Pablo, porque achava que a URSS e os países do Leste Europeu eram capitalistas de Estado). A partir daí, a seção brasileira da IV passa a ser o POR(T) (partido operário revolucionário trotskista), enquanto Sachetta funda a LSI (liga socialista internacionalista), com uma dúzia de militantes, que se considerava luxemburguista.


3° Ciclo: 1953-1968

Esse é o período do nacionalismo burguês no movimento de massas (O petróleo é nosso, reformas de base, a eleição do Jango), até o golpe de 1964. Depois de um curto período insurreicional (mas ainda etapista), de 1950 a 1958, o PCB passa a apoiar o trabalhismo como a fração da burguesia que poderia fazer a revolução democrática.

A partir de 1953, o POR(T) representou no Brasil as posições do BLA (Birô Latinoamericano do Secretariado Internacional de Pablo e Mandel), e de seu dirigente, J. Posadas. Houve uma capitulação cada vez maior a setores nacionalistas pequeno-burgueses (por exemplo, em 1963, o POR(T) exigiu que Brizola “rompesse com a burguesia pra tomar o poder”), o que levou a uma crise crescente no partido.

Apesar de tudo, o POR(T) teve o mérito de ter uma política para o movimento camponês, construindo as Ligas Camponesas no Nordeste, e defendendo a revolução agrária e o justiçamento dos latifundiários, contra toda a tradição do trotskismo brasileiro que, desde a LCI, via o campo como essencialmente capitalista, negando a questão camponesa. O POR(T) também participou dos Grupos de Onze, criados pelo Brizola para resistir ao golpe militar. 

No final desse ciclo, surgiram duas organizações revolucionárias não-trotskistas, a POLOP e o PCBR, que negavam a revolução por etapas e a via pacífica para o socialismo. Na formação do PCBR estava também o grupo de Sachetta, que na época já se chamava MCI. Da POLOP surgiu o POC (partido operário comunista), que foi a seção brasileira do SU depois de 1968, quando Posadas rompeu com o SU. Essas organizações, por causa da defesa da luta armada, cresceram muito mais que os grupos trotskistas da época, pelo menos até a segunda metade da década de 1970.


4° Ciclo: 1968-1978

São as dissidências do POR(T) que vão limpar o nome do trotskismo brasileiro. A Organização Comunista 1° de maio (SP), a Fração Bolchevique Trotskista (RS) e Dissidência do POR de Pernambuco resistiram a partir de 1968, à capitulação do POR aos nacionalistas, sempre criticando a guerrilha (que era a opção da maioria esmagadora da vanguarda) e intervindo no movimento sindical. Todos eles defendiam a reconstrução da IV internacional e se alinhavam internacionalmente com o lambertismo.

Em 1976 (quando a luta armada já tinha sido derrotada em todo o país), esses grupos se fundem e formam a OSI (organização socialista internacionalista), com mais de 2 mil militantes em plena clandestinidade, que foi a maior org trotskista brasileira até então. Ela defendia a assembleia constituinte como palavra de ordem contra a ditadura, e a formação de sindicatos paralelos à estrutura controlada pelo Estado. No movimento estudantil, formaram a Libelu (liberdade e luta) a maior corrente estudantil da época.

Ao mesmo tempo, surge em 1973, no exílio no Chile, o grupo Ponto de Partida, que se implanta no Brasil a partir de 1976, e que vai formar depois a Convergência Socialista.


5° Ciclo: 1978- 1989

Esse ciclo é marcado pelo ascenso generalizado que durou por todo o período, e que gerou o PT, a CUT e o MST. Podemos dizer que, em geral, todas as organizações se construíram por dentro do PT, e se adaptando a ele.

As correntes que se reivindicavam trotskistas do período foram:

- DS, seção brasileira do SU, que defendia o “PT estratégico” (=transformar o PT em partido revolucionário), o que a levou a estar no PT até hoje. A DS foi a corrente que mais incorporou as preocupações dos “novos movimentos sociais”, como o feminismo, o ecologismo, libertação gay, movimento negro etc.

- O Trabalho, seção da IV Internacional lambertista, que considera que estar no PT é parte da política de frente única operária. OT, ao contrário da DS, é obreirista e se constrói somente nos sindicatos e movimento estudantil.

- CS (convergência socialista), morenista, tem uma política de entrismo no PT, que a leva algumas vezes a atuar contra todas as outras correntes do partido.

- Causa Operária, racha do lambertismo, também fez entrismo, mas bem menor que as outras.  
Os posadistas, que continuaram a existir, como corrente do PT, mas muito pequena.

A participação no PT se comprometeu a partir da Frente Brasil Popular, em 1989. Como CO foi contra, eles foram expulsos no mesmo ano. A CS foi expulsa em 1992, por ser contra a posse de Itamar depois do Fora Collor.


6° Ciclo: 1989-2003

Durante todo um período, a questão principal para os trotskistas era estar ou não no PT (e qual a política a adotar em relação ao PT). Nesse período de refluxo generalizado e destruição da URSS e seu campo, a fragmentação das correntes trotskistas se acelera cada vez mais, gerando as correntes que vemos hoje (LBI, Rebento, FT-VP, POR, POM, LOI, LER, CST, MES, LSR, LQB etc), geralmente em setores marginais do movimento, fazendo oposição na CUT e na UNE. A CS vira PSTU e se torna o maior partido que se reivindica trotskista no Brasil e o terceiro maior no mundo (2200 militantes em 2002, hoje cerca de 1500). 

Então, todas as outras correntes têm a política do PSTU como referência de oposição, como é até hoje.

Ponto de discussão: você conhece essas orgs e suas políticas?


7°Ciclo: 2003-

O refluxo se acentua qualitativamente com o governo do PT. O governo leva a uma resolução da questão do PT para quase todas as correntes (inclusive é o motivo do racha da DS com o SU). Ao mesmo tempo, a política do PSTU de romper com a CUT e a UNE coloca mais essa polêmica entre as orgs, que continuam se fragmentando a partir dos rachas anteriores (MR, LC, EMPT, LM, CRQI etc).  A formação do PSOL, em que muitas dessas correntes participam, leva a uma divisão entre as mais à direita e as mais extremistas.

Ponto de discussão: o que fazer a partir da fragmentação atual? Como responder às polêmicas atuais à luz dos outros ciclos?


Sugestões de leitura:

Na Contracorrente da História. Fúlvio Abramos e Dainis Karepovs. Ed. Brasiliense. Reproduzido no site da LER: http://www.ler-qi.org/spip.php?rubrique157


À Esquerda da Esquerda. Murilo Leal. Ed Paz e Terra. Livro sobre o POR(T)

História das Tendências no Brasil. Antônio Ozaí da Silva. Proposta Editorial.

O PT e os marxismos da tradição trotskista. Antonio Ozaí da Silva. http://www.espacoacademico.com.br

/000/0trotskismo.htm

2 comentários:

  1. É um estudo superimportante, porém da forma como se apresenta contribui pouco para um balanço sério sobre a história do trotkismo no Brasil. Seria mais objetivo e proveitoso se colocasse em formato de gráfico demonstrando a origem cronológica e de qual origem ele surge ou de qual racha se preferir.
    Desta forma transparece uma intencionalidade de demonstrar que a experiência do trotkismo no Brasil pouco serviu como um norte para vitórias da classe trabalhadora. Por isso, acho que seria mais valido procurar sintetizar o que realmente encontramos de fios de continuidade do legado de trostky, quais foram os balanços da políticas apresentadas em respostas a conjunturas especificas. Espero que os camaradas tenham avançado sobre este norte durante o curso. Sds.

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  2. Thiago,

    esse formato é melhor do que o gráfico, porque permite que a gente coloque a conjuntura da época, as palavras de ordem mais importantes e alguns comentários sobre as organizações que seria difícil encaixar num gráfico.

    Não temos intenção nenhuma de desqualificar a experiência do trotskismo brasileiro, estamos organizando esse minicurso exatamente pelo contrário: para mostrar como a história se desenrolou e quais lições podemos tirar dela.

    A gente ainda não fez o curso (e você tá convidado!), mas realmente o mais importante é fazer um balanço sobre a experiência do trotskismo no Brasil. O minicurso que vamos fazer é introdutório, para militantes que, na grande maioria, nunca tiveram acesso a uma visão geral da história do trotskismo no Brasil (aliás, nem existe algum livro sobre esse tema, o que existe são livros sobre cada ciclo desses que aparecem na apostila). Por isso, nós achamos que é melhor dar essa visão geral antes, pra que eles tenham condições de contribuir na discussão sobre esse balanço, em vez de a gente já chegar com uma posição pronta que inclusive alguns militantes do próprio CL não teriam base para avaliar se realmente reflete a realidade.

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