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Somos uma organização marxista revolucionária. Procuramos intervir nas lutas de classes com um programa anticapitalista, com o objetivo de criar o Partido Revolucionário dos Trabalhadores, a seção brasileira de uma nova Internacional Revolucionária. Só com um partido revolucionário, composto em sua maioria por mulheres e negros, é possível lutar pelo governo direto dos trabalhadores, como forma de abrir caminho até o socialismo.

domingo, 16 de dezembro de 2012

Sobre as correntes da oposição bancária (MNOB e FNOB)


Seguindo a sugestão do leitor e companheiro Luiz Guilherme, nós tiramos a caracterização sobre o MR do corpo do artigo (onde ela estava deslocada e parecia um ataque gratuito) e colocamos nos comentários, pra explicar a nossa visão sobre essa corrente, sobre a qual não tínhamos falado ainda aqui no blog.


Sobre as correntes da oposição bancária (MNOB e FNOB)

No começo do mês, aconteceu o V Encontro da Frente Nacional de Oposição Bancária, em Porto Alegre. Nós não pudemos participar do encontro junto com o Bancários de Base/SP, por problemas logísticos, mas vamos aproveitar a ocasião para falar um pouco sobre a situação das duas correntes nacionais de oposição na categoria.

Desde 2003, quando recomeçaram as greves de bancários depois de mais de dez anos de massacre neoliberal, o PSTU e outros grupos regionais romperam com a burocracia petista (na maioria dos sindicatos, existiam chapas únicas com todo mundo junto) e fundaram em 2004, em Xerém, o Movimento Nacional de Oposição Bancária (MNOB).

O MNOB foi fundamental para sustentar a greve de 2004, feita contra a orientação da Articulação (que queria aprovar o acordo de 8,5%). Mas o grande problema do movimento é que, por causa da ameaça constante de demissão nos bancos privados, a maior parte da categoria dificilmente conseguia fazer greve, e com isso não pôde ver na prática que é a Artsind. Isso deixava a grande maioria da base dos sindicatos isolada em relação à oposição. Por isso, depois de grandes encontros em 2004 e 2005, o MNOB começou a entrar em crise, já que não conseguiu ganhar a direção de nenhum sindicato, o que era um passo necessário para polarizar com o PT nacionalmente.

Conforme o MNOB foi diminuindo, o PSTU, que sempre foi desproporcionalmente maior que as outras forças (CST, Oposição Operária, LBI etc), passou a ter um controle cada vez maior sobre o movimento, e começou com a sua prática tradicional de aparelhar.  Como nós não espalhamos o discurso antipartido como outras correntes fazem, vamos deixar bem claro o que entendemos como aparelhamento:

- as reuniões não tinham periodicidade, só eram convocadas quando o PSTU queria
- algumas posições eram reproduzidas direto do PSTU ou da CONLUTAS, sem serem aprovadas no MNOB, passando o rodo nos grupos menores
- as chapas para eleições sindicais eram formadas direto pelo PSTU, sem consulta a outros setores, que muitas vezes dividia o MNOB em duas chapas na mesma eleição

Isso levou, à ruptura de todas as outras correntes, no encontro de Brasília, em 2007, com o argumento de que o PSTU defendia a participação nos fóruns da CONTRAF (confederação nacional dos trabalhadores do ramo financeiro). Aliás, nesse ponto o PSTU estava certo!

A partir de 2007, o MNOB passa a ser na prática a corrente do PSTU na categoria. Ao mesmo tempo, os sindicatos do Maranhão (dirigido pelo PSOL) e de Rio Grande do Norte (em que a direção tinha recém rompido com o PSTU) se juntaram com outras associações (AFBNB - Associação de Funcionários do Banco do Nordeste, AEBA - Associação dos Empregados do Banco da Amazônia, ANBERR - Associação Nacional dos Beneficiários do Reg e Replan/CEF) e coletivos como o Bancários de Base/SP, Bancários de Base/RS e UCS/PE, por fora do MNOB, mas ainda sem romper com ele publicamente.

A ruptura só aconteceu em 2010, quando eles formam a FNOB. O conteúdo da ruptura fica claro: é uma ruptura de aparato, defendendo uma oposição sectária e de aparato contra a CONTRAF. É importante ver que o sindicato do Rio Grande do Norte, dirigido pelo MR, é a maior força na FNOB.

O MR (Movimento Revolucionário) é um racha de 2007 do PSTU, que tem como característica principal levar até as últimas consequências as políticas centristas e/ou burocráticas do PSTU. Ao mesmo tempo em que falam de política revolucionária nos sindicatos, a atuação deles é baseada em reivindicações econômicas imediatas, como pode ser visto facilmente pelo site do sindicato dos bancários do Rio Grande do Norte.


Mas isso não quer dizer que a FNOB não serve pra nada. Ela tem vários militantes históricos da categoria, e provavelmente está presente em mais estados que o MNOB. Numa situação em que ainda não existe nenhuma corrente com um programa classista, que combine as lutas imediatas com palavras de ordem que rompem com o sistema (incorporação imediata dos terceirizados, formação de comissões de empresas nos bancos privados, transformação da PLR em aumento de salário, estabilidade nos bancos privados etc), devemos participar dos fóruns da FNOB e do MNOB, sempre que existirem trabalhadores de base neles. Assim, podemos ajudar na construção das campanhas deles e dar mais passos para construir uma corrente com um programa socialista.


2 comentários:

  1. Eu compartilhei esse link no meu perfil do facebook, e surgiu uma discussão interessante, em que participaram outros companheiros que, como eu, fizeram parte do MNOB. O link é esse:

    http://www.facebook.com/rodrigo.silva.52643821/posts/390024921086577?comment_id=2503896&ref=notif&notif_t=share_comment

    O companheiro Luiz Guilherme, fez algumas críticas que eu concordo sobre a postagem. Reproduzindo:

    Rodrigo, o MNOB foi fundado em 2003 em Xerém-RJ, e foi sistematizado e aderiu à Conlutas (com a restrição de que deveria haver um box dizendo que nem todos os membros dela participavam) em Caeté-MG. Esqueceu de mencionar o MRB-Movimento de Reconstrução Bancária, do qual participava eu e outros companheiros do MNOB, como Jacy de Menezes, Iacilton , Cristina Medeiros, e vários outros.
    Não concordo com a caracterização do MR. Temos muitas cabeças diferentes participando das Oposições Bancárias, e essas acusações sobre posições sobre Coréia do Norte ou Cuba não contribuem com nada positivo para o fortalecimento das Oposições. Não sei qual o caminho hoje, mas a FNOB-Frente Nacional de Oposições Bancárias me parece o caminho mais plural, e portanto mais democrático no momento, para reagrupar as Oposições. Se não conseguirmos, o resultado vai ser o que temos visto nos últimos anos: virar massa de manobra da ArtSind em "greves de pijama", onde começamos a mobilização e construção das campanhas e da greve, para levar uma ducha de água fria nas assembléias montadas para encerrar o movimento.
    Luiz Guilherme M.Moraes, PSOL/CST, Rio.

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  2. Nós do Coletivo Lênin caracterizamos o MR como um grupo centrista de direita (ou seja, que tem uma política que oscila entre posições revolucionárias e oportunistas, mas se orienta para as oportunistas) com uma política pior que a do PSTU. Por exemplo, eles defendem que a Coreia do Norte é um estado burguês (!), assim como defendem o mesmo sobre Cuba. São ainda mais entusiastas que o PSTU sobre as "revoluções" na Líbia e no Egito, aplicando a tese morenista sobre "revoluções democráticas vitoriosas" que não rompem com a dominação da burguesia. No movimento sindical, defendem uma política de CSP-CONLUTAS "puro-sangue", sendo contra qualquer iniciativa ou chapa que vá além das correntes da central.

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