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Somos uma organização marxista revolucionária. Procuramos intervir nas lutas de classes com um programa anticapitalista, com o objetivo de criar o Partido Revolucionário dos Trabalhadores, a seção brasileira de uma nova Internacional Revolucionária. Só com um partido revolucionário, composto em sua maioria por mulheres e negros, é possível lutar pelo governo direto dos trabalhadores, como forma de abrir caminho até o socialismo.

quinta-feira, 27 de março de 2014

1964-2014: cinqüenta anos para não esquecer, para não festejar, para não repetir! (Denise Oliveira)


Reproduzimos aqui o texto da companheira Denise, onde ela fala sobre a sua experiência de perceber aos poucos que vivia numa ditadura. O blog dela é esse aqui.


Tenho evitado propositadamente post sobre os 50 anos do Golpe civil-militar de 01 de abril 1964( a data correta é primeiro de abril, dia da MENTIRA).

Bem, eu nasci em novembro de 1963, tinha 4 meses de vida e nada sabia.

Em  68, o ano que nunca terminou,  eu tinha 5 anos nada podia saber. 1969, lembro bem, pois meu pai que nunca chegava cedo, na noite do dia 20.06, chegou, nos colocou no sofá e disse, vamos assistir a maior mentira do mundo. É claro que achei engraçado aquele homem pequeno como eu(era como eu via), com roupa engraçada, se balançando num lugar estranho. Era a Apollo 11, e o cara era Neil 
Amstrong.

Em 1970, com 7 anos. Meu pai nos mostrou a menina queimada durante a Guerra Vietnã, me doeu  ver aquela imagem e lhe perguntei, pq ela esta correndo com essa cara de medo? E ele me respondeu. Os E.U.A, promovem o medo pelo mundo a fora.Nem me passava pela cabeça o terror  que vivia mos por aqui.

Estava eu, no primeiro ano do ensino fundamental, Tia Miriam, era gorda e mau humorada, dizia que 
se não estudasse mos, ia mos puxar carroça. Me perguntava, será que pesa, puxar carroça?
1977, agora com 14 anos, na 7série do ensino fundamental. Professora Rita de história, nos dá aula, na terça feira, cai de pau no governo Geisel, nos fala de um jornalista (Wladimir Herzog) assassinado sob tortura em 1975, por se recusar a falar bem do governo militar.Ultima vez que há vi. Tão jovem (não passava dos 23 anos ),usava um calça jeans surrada,e  camisetas  Hering com frases em português(1 pode ser grande, mas não é 2), essa camiseta era super usada naquela época, e pedi uma ao meu pai, que me disse:”Não é bom usar esses dizeres”. Ele explicava pouco, mas mostrava muito. Meu pai, era medo e indignação. Muito tempo depois eu consegui entender isso. Duas semanas e nada da professora Rita, fomos em comissão à direção da escola,perguntar pela Dna Rita,(E.M.Mário Paulo de Brito), e a diretora, dona Dalva, arrogante como todo diretor daquela época(aliás, como todo adulto daquela época), nos disse: nunca houve nenhuma professora nesta escola com esse nome,semana que vem chegará uma professora para vocês. Cheguei em casa encafifada.À noite narrei o ocorrido a meu pai, e ele, de novo, me disse:”lembre-se sempre com muito carinho dessa professora, mas nunca queira saber o que aconteceu a ela, vc nunca saberá”.Ah, esse era meu pai. Nenhuma resposta completa, sempre pela metade. Para quem  sempre quis saber tanto, essas respostas eram frustrantes.

1979, agora já com 16 anos, cheguei ao C.E. Visconde de Cairú. Uma nova etapa da minha começada, agora já era adolescente e estava no Ensino Médio(naquela época chamado de científico). Os ares já eram novos, se respirava com mais energia o ar no nosso país. É neste momento, e nesta escola, que eu descobri que tinha passado toda a minha infância sob um regime autoritário, que para impor os interesses do capitalismo internacional, dentro da lógica de dominação de espaço(Guerra Fria), matava, torturava,desmontava toda uma geração. A que antecedeu a minha.

Foi a partir de 1979, que tomei consciência de que se não destruísse mos o capitalismo, logo ele nos destruiria, assim como destruiu os combatentes da Guerrilha do Araguaia, numa guerra suja, aonde não houve prisioneiros e sim desaparecidos. Como destruiu as guerrilhas urbanas e ceifou vidas como a do Capitão Lamarca, Carlos  Marighuella e tantos outros que não caberiam neste artigo-memória, do qual não pretendo que seja muito grande.

É neste ano que também eclodem duas grandes greves: no ABC paulista as greve dos metalúrgicos, sob a liderança do então pouco conhecido torneiro mecânico, Luis Inácio(Lula) da Silva e no RJ, greve dos professores da rede municipal e estadual, que durou 90 dias. Era a rebeldia brotando entre os escombros do terror!

Em 30 de abril 1981, em comemoração ao Primeiro de Maio, um grande show no Riocentro, com os maiores nomes da música Popular Brasileira da época(época que diga-se de passagem, a música era realmente muito boa). Uma nova tentativa de barrar o processo de abertura, iniciada pelo Geisel, e levada adiante de Figueiredo. Um grupo de milicos aloprados tentam explodir o Riocentro com todo mundo dentro. A bomba explodiu antes no colo do milico que  teria  a tarefa de coloca La no Pavilhão 11, aonde o show acontecia. Eu estava nesse show, lá de dentro nada ouvimos, até que o Gonzaquinha, ao subir no palco nos informou do que tentaram fazer. “Tentaram destruir a democracia”. http://www.radio.uol.com.br/#/letras-e-musicas/gonzaguinha/anuncio-da-bomba/2505763

O ano de 1984, foi de um agito total. O Movimento pelas Diretas  Já! Que havia começado pequeno sem grandes alardes no final de 83, tomava as ruas e os comícios promovidos pela “esquerda” que chegou a colocar um milhão de pessoas nas capitais brasileiras. Aqui no RJ, o comício da Candelária, levou  um milhão de pessoas, a Presidente Vargas era um único grito...Diretas Já!

Por meio de manobras, das quais estamos velho de conhecer ( o famoso toma lá dá cá), a emenda Dante de Oliveira não passou.E a tão sonhada redemocratização veio através do Colégio Eleitoral, e pelas mãos imundas do José Sarney, que até então tinha sido um grande beneficiado do período ditatorial.

1.Anuncio da Bomba do Riocentro pelo Gonzaguinha.


A Herança da Ditadura.

A redemocratização veio em 1985, meio torta, através do Colégio Eleitoral, e pelas mãos de um apoiador da ditadura, José Sarney. Nesses 29 anos de redemocratização, quase nada temos a comemorar, pois a semente da força plantada nos anos de chumbo ainda florescem  a toda hora, na forma da Polícia Militar, criada no período ditatorial, que hoje mata e mata muito, tortura e tortura muito, é truculenta e desrespeitosa em relação as lutas da classe trabalhadora.

A escola pública, sofreu um desmonte real, que hoje vemos na apatia dos nossos alunos, no nível baixíssimo de consciência de classe e de conhecimento acumulado. As políticas de se montar uma sociedade imbecilizada se fez presente.

A imprensa e grandes conglomerados de meios de comunicação, que nasceram durante o período, ainda estão aí manipulando, desenformando enchendo a cabeça das pessoas, os jovens são os alvos principais, com programas de extrema cretinice e nenhuma qualidade. O mesmo nas músicas e ler virou palavrão.

A saúde pública desmontada e a mentalidade de quem se forma em medicina é voltada para ganhar apenas dinheiro, e ser gente fina.Os salários dos médicos da rede pública é verdadeiramente baixo, e assim o é, para que a população não tenha o seu direito básico a vida respeitado.

E neste ano de Copa do Mundo, evento que o povo brasileiro repudiou, se colocará todo efetivo militar nas ruas, para bater, machucar e até matar se for o caso para garantir a vontade de governos altamente distantes do interesses popular.

É 50 anos atrás em 50 anos depois!

Ditadura Nunca Mais....Mas ainda precisamos acabar com a DITADURA do  capital!

Por: Denise Oliveira, março de 2014

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