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Somos uma organização marxista revolucionária. Procuramos intervir nas lutas de classes com um programa anticapitalista, com o objetivo de criar o Partido Revolucionário dos Trabalhadores, a seção brasileira de uma nova Internacional Revolucionária. Só com um partido revolucionário, composto em sua maioria por mulheres e negros, é possível lutar pelo governo direto dos trabalhadores, como forma de abrir caminho até o socialismo.

quinta-feira, 14 de maio de 2015

Sobre o 13 de Maio de ontem e de hoje

Sobre o 13 de Maio de ontem e de hoje
Publicado em 13 de Maio de 2015





    Certa vez, pesquisando para montar uma aula encontrei uma matéria na internet sobre a compra realizada pelo Museu Imperial de Petrópolis da pena de ouro que princesa Isabel utilizou para assinar a Lei Áurea em 13 de Maio de 1888.

    Na matéria se discutia o valor monetário e simbólico da pena composta por “(…) ouro de 18 quilates e cravejada com 27 diamantes”.

    O valor monetário estimado girava em torno de 500 mil reais. Já acerca do valor simbólico um entrevistado dizia:

(…) do ponto de vista simbólico, é o objeto mais importante da história do Brasil. Nem a caravela de Pedro Álvares Cabral, caso tivesse sido conservada, teria tamanha importância. A pena representa o início de um sonho de cidadania e de igualdade. Ela fala de um Brasil que passou a incorporar as massas excluídas: a Lei Áurea, se pudéssemos comparar, seria equivalente a uma revolução marxista.”

    Provavelmente, como consta na fala do entrevistado, a pena de ouro deve ser um dos objetos mais importantes da história do Brasil mesmo.

    Quanto ao início de um sonho de cidadania e igualdade e incorporação de massas excluídas, isso já é muito questionável. Pois, se esse sonho foi iniciado, ele realmente continua à nível de sonho, infelizmente.

    Em uma ida ao Museu Imperial de Petrópolis, vi a tal pena! Com os meus próprios olhos! Visitando a exposição permanente do museu com estudantes do Ensino Médio, se iniciou uma discussão a respeito da originalidade daquela peça, visto que parece existir uma outra pena também referida à Abolição da Escravatura em outro museu do estado. Então, a guia respondeu:

Não, essa aqui é a original! Pois só aqui que se fala da escravidão!”

    O Museu Imperial de Petrópolis foi casa de D. Pedro II e sua esposa. Pensando enquanto casa, era necessário muitos funcionários para manter uma residência daquele tamanho e, provavelmente, a maioria se não todos os funcionários eram escravizados que circulavam por quase todos os cômodos daquele lugar.

    Caso não houvesse escravos dentro da casa, era só você sair e virar a primeira esquina da cidade imperial que você veria alguém trabalhando no regime da escravidão ainda no século XIX. Porém, quando se tocou no assunto da escravidão durante toda aquela visita foi apenas naquela pequena sala onde estava a pena de ouro.

    Montando minha aula, uma pergunta surgiu inevitavelmente: Eu realmente posso resumir o fim da escravidão no Brasil a uma pena?

    Se sim, penso que resumirei a abolição da escravidão à assinatura de uma princesa branca em 13 de Maio de 1888 e, assim, até posso ficar satisfeito.

    E respondendo que não, e não ficando satisfeito com a primeira opção, tratarei da luta de brancos e, sobretudo, de negros e negras contra a escravidão que envolveu desde meios legais em pedidos de alforria até rebeliões que envolveram assassinatos de senhores e sinhás.

    A escravidão no Brasil não terminou com uma assinatura, mas sim com luta que envolveu sangue, choro e muito suor.

    E sobre o 13 de Maio de hoje… a luta continua. Um exemplo bem próximo é a luta dos trabalhadores e trabalhadoras terceirizados da minha universidade e de tantas outras, em sua maioria negros, que trabalham muitas vezes em regimes similares à escravidão. Esse exemplo é apenas um  indício que o sonho iniciado pela pena ainda não se concretizou por completo. Ainda temos muito o que caminhar.


    Questões do passado ainda estão vivas pulsando a cada esquina dessa cidade e do país. Questões que ainda serão resolvidas por completo.



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    Este texto é uma contribuição escrita no dia 13 de Maio por um companheiro historiador negro, que como muitos de nós se indigna com as tentativas de construir uma história que varre pra debaixo do tapete a resistência e luta do povo oprimido. Essas lutas são o componente mais importante da história da humanidade e o exemplo tratado no texto é uma questão que se estende até os dias de hoje: a luta contra a escravidão e o racismo.  O texto mostra que o fim da escravidão exigiu muito esforço e foi fruto de "sangue, choro e muito suor". Ele não pode e não deve ser resumida a uma assinatura de uma princesa. Essa luta, apesar do que se houve, está muito longe de acabar. E quanto mais ela é relegada para segundo plano, maior a urgência dela ser resolvida.




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