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Somos uma organização marxista revolucionária. Procuramos intervir nas lutas de classes com um programa anticapitalista, com o objetivo de criar o Partido Revolucionário dos Trabalhadores, a seção brasileira de uma nova Internacional Revolucionária. Só com um partido revolucionário, composto em sua maioria por mulheres e negros, é possível lutar pelo governo direto dos trabalhadores, como forma de abrir caminho até o socialismo.

domingo, 14 de novembro de 2010

Estado brasileiro reprime os homossexuais e deixa impunes os racistas!

Faça amor, não faça guerra.
Por S. Severo

A frase escolhida como título para este artigo pode nos remeter a uma outra época. Pode parecer à maioria de nós, uma frase ultrapassada gritada por nossos pais, quando ainda jovens, durante a guerra do Vietnam. Naquela ocasião os hippies foram às ruas lutar pelo direito de transar com quem quisessem e dizer que a repressão deveria ser sobre as mortes realizadas na guerra e não contra o amor livre.

Por mais que essa frase pareça necessária apenas à geração passada, infelizmente, ainda se aplica os dias de hoje. Ao que tudo indica, nossa sociedade não assimilou a experiência. A essa constatação chegaremos facilmente se analisarmos de forma crítica alguns acontecimentos recentes.

A professora de matemática Cristiane Barreira foi demitida do serviço público e presa por envolvimento sexual com uma menina de 13 anos. Enquanto isso, quase ao mesmo tempo, a estudante de Direito Mayara Petruso, eleitora de José Serra, defendeu a necessidade de se “afogar um nordestino” como um favor ao povo de São Paulo. A agressão se deveu à atribuição da vitória de Dilma ao povo do Nordeste. Atribuição completamente ignorante, pois basta ver os números para se constatar que Dilma venceria mesmo se computados apenas os votos do Sul, Sudeste e Centro-Oeste. Seguindo o raciocínio estúpido dessa patricinha racista, muitos outros “twiteiros” sustentaram a necessidade de se exterminar não apenas os nordestinos, mas também os negros e índios. Esse bando de “patys” e “playboys” ignorantes e racistas optaram por reproduzir os valores da burguesia e conclamaram à guerra. Uma guerra pelo extermínio dos grupos discriminados.

Cristiane Barreira optou por outro caminho: fazer amor. Uma das muitas diferenças é que Cristiane está presa e demitida. Já os racistas encontram-se todos em liberdade.

Essa diferença de tratamento e tolerância revela que a sociedade, por reproduzir os podres valores da burguesia, é muito mais tolerante ao racismo e ao apregoamento do extermínio de caráter nazista do que ao ato de se fazer amor. É uma sociedade que não aprendeu os ensinamentos e lições da geração passada: faça amor, não faça guerra aos oprimidos.

Se fôssemos uma sociedade que rejeita a desigualdade, os racistas estariam todos presos, demitidos ou expulsos de suas faculdades e estágios (já que playboys e patricinhas não trabalham). Já a Cristiane estaria em liberdade. Afinal, que mal há em se namorar uma menina de 13 anos se há consenso entre ambas partes?

O Código penal brasileiro foi elaborado na década de 1940 sob influência mundial do fascismo reproduzida no Brasil através das pregações de Plínio Salgado e incorporadas, em alguns aspectos, pelo governo do Brasil. Esse código penal, além do seu caráter racista e machista, criminaliza toda e qualquer relação sexual com menores de 14 anos, independente de consentimento. Em pleno século XXI, porém temos (ou deveríamos ter) condições de compreender as profundas mudanças comportamentais ocorridas em décadas recentes. Essas mudanças fazem com que hoje uma adolescente seja capaz de dizer se consente ou não com a relação sexual. Caso a situação de Cristiane fosse analisada à luz dos novos comportamentos sexuais existentes no século XXI, e não os da época do obscurantismo, seria possível constatar que não houve ilegalidade alguma, pois tratava-se de relação consensual e prolongada no tempo.

Entretanto, muito além dessas questões, existe o problema da homofobia. A intolerância com relação ao namoro entre Cristiane e a menina de 13 anos se deve em muito ao fato de ser uma relação homoafetiva. O uso de conceitos obscurantistas se explica também por esse fato. Por isso declaramos que Cristiane é uma presa política vítima de uma opção da burguesia em não admitir a manifestação da sexualidade e, muito menos, quando essa sexualidade é homoafetiva.

Enquanto isso, em São Paulo, os playboys e patricinhas declaradamente racistas, deverão apenas responder em liberdade e, na pior das hipóteses, pegar uma pena leve de prestação de serviços à comunidade. Já Cristiane está presa e demitida. Burguesia hipócrita que tolera o racismo, mas condena o sexo consensual!

Como presa política que é, Cristiane Barreira, merece campanha internacional de libertação por parte de todos os agrupamentos políticos que se dizem revolucionários e antihomofobia.

Chamamos todas as organizações de esquerda a darem esse passo à frente e terem coragem de encampar a luta: pela imediata libertação de Cristiane Barreira e condenação dos racistas representados por Mayara Petruso.

Faça amor, não faça guerra aos oprimidos.

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