QUEM SOMOS NÓS

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Somos uma organização marxista revolucionária. Procuramos intervir nas lutas de classes com um programa anticapitalista, com o objetivo de criar o Partido Revolucionário dos Trabalhadores, a seção brasileira de uma nova Internacional Revolucionária. Só com um partido revolucionário, composto em sua maioria por mulheres e negros, é possível lutar pelo governo direto dos trabalhadores, como forma de abrir caminho até o socialismo.

terça-feira, 8 de junho de 2010

CL defende a construção de um Partido Revolucionário em fórum de moradores de favelas no RJ

Luta no Conselho Popular: A importância de um Partido Revolucionário de Trabalhadores!


Nós do Coletivo Lenin (cujo nome é em homenagem a Vladimir Lenin, grande revolucionário russo que liderou a revolução socialista mais importante da história, ocorrida em 1917 e que criou a União Soviética) vimos participando do Conselho Popular como uma extensão do trabalho que realizamos desde meados de 2009 na FIST (Frente Internacionalista dos Sem-Teto). Para nós, o movimento sem-teto deve estar unido ao movimento das comunidades, assim como ao movimento sindical e estudantil para ser vitorioso em suas reivindicações. Por isso estamos integrando o Conselho Popular desde a sua origem.


Nas últimas reuniões temos percebido surgir uma nova necessidade dentre alguns líderes das comunidades que estão na luta contra os despejos e as indenizações absurdamente mínimas da prefeitura. A necessidade é explicada mais ou menos nesses termos: “um grupo de homens e mulheres profissionais e politicamente experientes que estivesse presente em todas as comunidades para ajudar os moradores a se organizarem e resistirem contra a remoção”. Para nós esse grupo tem um nome, que hoje em dia tem tido um sentido muito negativo: partido.

Esse partido não seria um órgão de profissionais corruptos para ganhar eleições. Também não seria feito para servir a quem desse mais dinheiro de campanha e nem para fazer barganhas políticas e conchavos à portas fechadas nos congressos em troca de cargos. Os partidos que fazem esse tipo de coisa, infelizmente, se tornaram a regra. No entanto, nós achamos que um partido pode ser uma arma na mão dos trabalhadores que vivem nas comunidades. Uma ferramenta poderosa que pode ser usada pelos batalhadores do morro e do asfalto. Eles seriam esses “homens e mulheres profissionais” dedicados em grande parte a ajudar os moradores mais conscientes a organizar os demais contra os ataques. É preciso discutir então como seria esse partido, que poderia dar um empurrão para a frente e levar o Conselho Popular a uma vitória contra as remoções, fazendo o mesmo em muitas outras lutas.

Primeiro, esse partido deve ser dos trabalhadores (e apenas dos trabalhadores), ou seja, tem que manter independência política, financeira e material em relação aos patrões, banqueiros e governos. Isso significa que esse partido não aceitaria nenhum tipo de financiamento externo – ele seria sustentado com a contribuição de nós próprios, trabalhadores, que o compusessem, garantindo assim que este não dependa de nenhum órgão além dele próprio, isto é, para não ter o rabo preso com ninguém.

Segundo, esse partido deve ser revolucionário. Ele deve buscar conseguir com que os trabalhadores vençam e consigam melhorar de vida, tendo saúde, educação, moradia, salário e emprego de qualidade para todos. E fazendo o que fosse necessário para tal. Acontece que é impossível hoje conseguir tais melhorias sem acabar com o sistema que organiza a sociedade: o capitalismo. O capitalismo faz com que a maior parte de toda a riqueza que nós produzimos (o dinheiro ganho com tudo que construímos) vá para a mão dos patrões e banqueiros, que são donos das empresas. Os trabalhadores ficam com uma migalha daquilo que eles mesmos produzem durante o mês inteiro. Assim, para conseguir essas melhorias fundamentais, esse partido deve lutar contra o capitalismo e fazer com que todas as empresas tenham um só dono: todos os trabalhadores, que passariam a gerir e administrá-las.

Ao mesmo tempo, lutar contra o capitalismo faz com que precisemos lutar contra o Estado (prefeituras, governos estaduais e federal). Sabemos que muitos companheiros no Conselho Popular são de opinião de que alguns governos ditos “de esquerda” estão do lado dos trabalhadores por algumas medidas sociais que tomam. Porém, esses governos enquanto nos dão alguns farelos que caem da mesa dos poderosos, nos traem e fazem grandes acordos para favorecer os ricos do Brasil e do exterior. São eles que ainda mandam a polícia ficar na nossa cola em todas as passeatas e ocupações de sem-teto, sem-terra e nas comunidades. Porque a polícia nada mais é do que isso: grupos armados para fazer valer a força os interesses dos patrões sempre que nós trabalhadores estivermos ameaçando seus objetivos. Lutar para ter onde morar “atrapalha” a especulação imobiliária, por exemplo.

Terceiro, esse partido deve estar junto com aqueles que são mais explorados por esse sistema injusto e violento. No Brasil, esses são as mulheres em geral e também a população negra em particular. Hoje a população negra é segregada fortemente pela polícia e também em muitas empresas. Todo mundo que já passou por uma “limpa” da polícia sabe que se você for negro tem uma chance mil vezes maior de ser parado. Essas formas de opressões praticadas pelo Estado mantêm o racismo presente na sociedade. De forma semelhante, muitas mulheres são mantidas presas ao serviço doméstico, sem uma outra perspectiva cultural ou profissional. Algumas formas de fazer isso praticadas pelos capitalistas? As mulheres têm salários menores nas empresas, são sempre as primeiras a serem mandadas embora quando há demissões e faltam serviços básicos mínimos para as mulheres em locais de trabalho e educação, como creches nas universidades e empresas. O partido que queremos deve enxergar nas mulheres e nos negros algo mais: um potencial de luta e revolta contra esse sistema que os oprime e explora.

Acreditamos que um partido como esse tem tudo para liderar os movimentos para uma vitória contra seus inimigos, organizando os trabalhadores, em grande maioria negros e mulheres, e tendo independência política e financeira, além de clareza de que é necessário liderar uma revolução para reorganizar uma sociedade controlada pelos trabalhadores.

Infelizmente é muito difícil a perspectiva de criar um partido como esse hoje. O fim da União Soviética em 1991, ainda que esta estivesse controlada há muito tempo por um bando de manda-chuvas sem conexão com a realidade dos trabalhadores, abriu uma década de derrotas sem precedentes para nossa classe (no caso do Brasil foram os governos Collor e FHC). Assim, desapareceu do horizonte construir um partido revolucionário de trabalhadores.

O Coletivo Lenin é um pequeno grupo de militantes que existe no Rio de Janeiro (RJ) e em Juiz de Fora (MG) e que tenta reunir militantes das lutas que sintam a falta de um órgão como o partido revolucionário para nos levar a vitórias. Assim, em nossas intervenções, falas, faixas e etc., sempre defendemos não dar nenhuma confiança aos governos, verdadeiros bastiões do capitalismo, e lutar por ações que vão além do mínimo, mas que realmente resolvam os problemas da classe trabalhadora. E para isso precisam obrigatoriamente ir de encontro ao capitalismo, que gera todas essas mazelas e dificuldades para nós. Em outras palavras, se o capitalismo não é capaz de resolver os problemas e sofrimentos que ele próprio criou ou mantém (como pobreza, desemprego, falta de moradia, racismo, machismo, ausência de educação, saúde, etc.), então ele deve morrer e dar lugar a um sistema novo: o socialismo, comandado pelos trabalhadores e que nos garanta tudo isso. E para conseguir fazer isso, esses profissionais treinados para mobilizar e politizar os trabalhadores das comunidades será fundamental!

Por isso defendemos no Conselho Popular:

A construção de um partido revolucionário de trabalhadores, composto por maioria de mulheres e negros, os setores mais explorados da nossa classe!

Que as grandes empresas tenham seus lucros taxados fortemente para fazer um plano de obras públicas de moradia, educação e saúde controlado pelos movimentos sociais!

Contra as remoções! Já chega de esperar que as nossas casas caiam do céu em Audiências Públicas! É hora de partir para a ação direta nas ruas e comunidades e garantir nosso direito à moradia! Vamos começar a nos organizar para o Dia D!

Se você concorda com essas propostas, venha conversar conosco!

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