QUEM SOMOS NÓS

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Somos uma organização marxista revolucionária. Procuramos intervir nas lutas de classes com um programa anticapitalista, com o objetivo de criar o Partido Revolucionário dos Trabalhadores, a seção brasileira de uma nova Internacional Revolucionária. Só com um partido revolucionário, composto em sua maioria por mulheres e negros, é possível lutar pelo governo direto dos trabalhadores, como forma de abrir caminho até o socialismo.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Companheiro de Fortaleza participa do debate sobre a questão dos Estados Operários

Reproduzimos aqui a postagem do companheiro que edita o blog "A Farpa", porque ele não conseguiu mandar como "comentário" no tópico, por algum problema técnico. Em breve, responderemos mas, desde já, agradecemos a contribuição do companheiro para um debate sobre um assunto tão importante para os comunistas.

*****


Companheiros,
sou um ativista residente em Fortaleza-CE e à procura de novas perscpectivas de organização. Encontrei vosso blog por acaso e agora o tenho como um "favorito" para leitura regular. Minha formação política é marxista-trotskista e conheço um pouco a recente tradição morenista, sobre a qual assumo postura de respeito vigilante.

Tenho especial apreço pelo debate teórico, apesar de rechaçar diletâncias acadêmicas, portanto faço meu comentário neste tópico.

O companheiro do PC, a meu ver, tece suas críticas às vossas teses a partir das definições das categorias: 'socialismo', 'estado operário' e algo como uma 'experiência degenerada'. Acerca disso apontarei algums inflexões que irão delimitar algumas divergências teóricas, portanto políticas.

O CL aponta que a economia dos estados operários ditos deformados não é capitalista, o companheiro Tejo já diz que esta é socialista. Em sua resposta o CL diz: "Não consideramos que a economia não é socialista." e depois aponta para a definição de Trotsky sobre a 'sociedade de transição' contradizendo a si mesmo.
Como ambos repetiram no decorrer do debate, Trotsky coloca que estaríamos diante de algo novo, cujos nomes e definições que nossa teoria nos havia herdado não conseguiam abarcar; que apenas o desenrolar da nova experiência nos forneceria as fórmulas teóricas para as novas formas sociais. Podemos apontar nessa novidade as características de uma economia socialista (suposta abolição da propriedade privada e planificação econômica), uma superestrutura política baseada na de um partido-exército (sobretudo após a supressão dos soviets) e a necessidade de auto-defesa daquilo que, fosse aonde fosse, representava um problema na partilha do mundo monopolizado.
Utilizar a definição de 'socialista' para esses estados significa dizer que já não existiam classes: nem camponês rico e pobre, nem autoridades que decidiam tudo e tinham acesso ao que queriam enquanto outros viviam apenas com rações módicas e alguns direitos que a revolução lhes garantiu. Tratar das categorias esquecendo de considerar os fenômenos reais não nos leva a lugar algum. Chamar a burocracia de casta ou classe torna-se uma questão absolutamente secundária no que diz respeito a haver parasitas no seio da sociedade que usurpam o trabalho alheio. O fato é que o que Marx, Lênin, Trotsky e outros entendiam por socialismo nunca ocorreu em nossa história. A revolução avançou e retrocedeu, sem que pudéssemos fazer sequer uma experiência de planificação que correspondesse às necessidades da humanidade.
Sobre o 'estado operário', pode-se dizer que realmente existiu, mas não que durou até o fim da URSS. Da mesma forma que o Estado moderno (burguês) não apareceu pronto da noite para o dia, o Estado operário também não nasceu pronto. E diante da conjuntura econômica e política mundial não poderia se desenvolver senão absorvendo a experiência técnica e de organização das forças produtivas de economias mais produtivas. Em minha opinião a vida real do estado operário que nasceu na insurreição de 1917 não chega sequer ao fim da guerra civil - com a desmobilização sistemática nos locais de trabalho e a limitação política imposta aos soviets que se mostrou tudo menos efêmera.
Depois deste marco, ocorre a 'adequação' dos novos instrumentos de um Estado que ainda buscava se firmar, como qualquer outro Estado (ver Marx), com o objetivo de repremir determinados agentes sociais. Não seria assim se a política adotada visasse extender a organização política livre do proletariado, fazendo a revolução avançar para além do território soviético por meio dos próprios trabalhadores - ao invés de 'fortalecer o estado operário' através de acordos internos e externos com elementos que nada tinham a ganhar com o avanço da revolução.
Ainda com essa premissa de 'defender o estado operário' os trabalhadores desses estados fizeram sacrifícios gigantescos para ter mísseis e foguetes à disposição, para nunca ter a chance de usá-los em seu favor! Todo esse esforço do aparelho social serviu de fato à proteção de algum estado operário? Ou trata-se de uma enorme distração? Discutiu-se muito, após a vitória de 1917, sobre que bases se dariam guerras revolucionárias; e depois de certo tempo todos parecem ter esquecido de tais discussões. Sem armas não se faz revolução, mas só com elas tampouco. As experiências do período stalinista demonstraram como não se pode impor uma revolução social apenas pela força das armas.
A polêmica central do tocante ao Estado é: revolução política ou social?
A resposta depende do grau de comprometimento dos trabalhadores com a própria estrutura do Estado. Se estes encontram-se alheios e subordinados ao funcionamento da máquina estatal, esta torna-se invariavelmente sua inimiga e a necessidade de manter-lhes sob controle causa distorções nas próprias relações de produção, conservando os males herdados ao antigo Estado capitalista. Portanto, estou de acordo com os companheiros do CL quanto à necessidade de COMPLETAR, também, uma revolução social e expurgar a burocracia de seu trono.
Sobre tomar a experiência de governo operário do século XX como uma 'experiência degenerada' soa para mim como um protesto impotente contra erros do passado. Temos que respeitar as gerações que nos antecederam e seus erros - sem deixar de apontá-los e nos esforçar para que não incorramos nos mesmos. De nada nos serve personalizar fenômenos que freiam a revolução mundial, atribuí-los aos recantos sórdidos da alma humana. São expressões sociais de uma luta viva, travada por pessoas de carne e osso que raramente apreendem de imediato os significados de suas ações. Sendo assim, o adjetivo 'degenerada' classifica uma experiência fruto de um ascenso da classe operária mundial pejorativamente por conta de sua derrota momentânea. Os adjetivos 'derrotada' ou até 'incompleta' poderiam ser mais cabíveis; mas reconheço que esta questão é absolutamente marginal.

É isso. Caso seja do interesse dos companheiros do CL, continuarei a manter contato. Acabo de colocar também um blog na rede e disponibilizarei textos de minha autoria que tratam tanto de teoria quanto de elaborações para a luta de classes à escala da região onde vivo - tanto quanto artigos de opinião sobre temas da conjuntura geral.
Sem mais para o momento, deixo-lhes minhas saudações.


2 comentários:

  1. Companheiro, desculpa pela demora da resposta.

    Você não chegou especificamente a perguntar alguma coisa, a sua postagem foi mais uma contribuição ao debate. Nisso, ela levanta algumas questões interessantes.

    A discordância que temos é sobre a ideia de que o Estado Operário foi destruído na guerra civil (1917-1921). Para nós, realmente os bolcheviques cometeram erros que facilitaram o processo de burocratização (falamos mais sobre isso no noss texto "5 teses sobre a burocratização", aqui no blog), mas isso não foi suficiente para mudar o caráter do estado. Ainda que com problemas, permaneceram os sovietes e o exército vermelho.

    Sobre os acordos com os países capitalistas, achamos que eles foram forçados pela situação.

    Esperamos novidades teu blog. Mantenha contato sim!

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  2. Beleza, caros, debatamos teoria do Estado.

    A existência de um Estado pressupõe a existência de uma sociedade dividida em classes. No caso discutido podemos apontar que ao longo dos anos o Estado ao invés de ir deixando de ser necessário, portanto sumindo, se fortificou a cada dia, a cada ano como senhor daquela experiência social.
    Os estados operários diferem dos estados burgueses fundamentalmente por inverter a correlação de forças entre as classes, servindo como aparelho coercitivo dos operários sobre os capitalistas. Para que isso seja verdade é NECESSÁRIO que a classe controle o Estado, não o contrário.
    Pode-se objetar que essa relação é dialética e que não se pode pretender enjaular as formas reais em nomes estáticos, ou seja, sempre há uma margem de erro, sempre ocorrem excessões à regra.
    Sim, é verdade. Daí a chamarmos de excessão uma relação entre massas e Estado que durou no mínimo 30 anos, tendo como característica o uso da força em favor do Estado, contra os trabalhadores, é meio forçoso dizer que o "caráter operário" deste Estado foi mantido.
    As "situações" nos forçam a muita coisa, mas preservar a integridade material nem sempre é igual a preservar o significado político, nem caráter histórico.

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