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Somos uma organização marxista revolucionária. Procuramos intervir nas lutas de classes com um programa anticapitalista, com o objetivo de criar o Partido Revolucionário dos Trabalhadores, a seção brasileira de uma nova Internacional Revolucionária. Só com um partido revolucionário, composto em sua maioria por mulheres e negros, é possível lutar pelo governo direto dos trabalhadores, como forma de abrir caminho até o socialismo.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

A Grécia é a chave da luta contra a crise mundial




Nós do Coletivo Lênin temos analisado o desenvolvimento das lutas na Europa desde o começo da crise. Por exemplo, escrevemos Os Caminhos da Luta de Classes na França, Para Onde Vai a União Europeia? e Três Notas sobre a Grécia, onde tentamos entender melhor os processos de luta no continente.

Desde o começo, os países mais endividados, chamados de forma xenofóbica de PIGS (porcos em inglês) - Portugal, Itália, Grécia e Espanha - foram onde aconteceram os maiores movimentos. Mas o caso da Grécia tem alguns fatores especiais que transformam a situação do país.

Na Grécia ainda existem partidos operários de massas que falam em luta pelo socialismo (mesmo que sejam partidos que acham que é possível um caminho para o socialismo através de reformas). Estes partidos são o KKE (Partido Comunista Grego, parecido politicamente com o PCB daqui) e a Syriza (Coalizão da Esquerda Radical, parecido com o PSOL). Na Grécia, o movimento dos trabalhadores é o centro da luta contra a crise, diferente por exemplo dos casos de Portugal e da Espanha, onde os movimentos dos Indignados eram compostos principalmente por jovens de classe média. Na Grécia, o movimento tem recorrido a formas de luta radicalizadas, com confrontos com a polícia, ocupação de prédios para moradia e controle dos trabalhadores para reabir empresas falidas.

Esses fatores fazem com que a crise na Grécia abra a possibilidade real e imediata para a luta pelo governo direto dos trabalhadores, abrindo o caminho para o socialismo. Diferente da grande maioria dos países, na Grécia o movimento dos trabalhadores ainda está mais ou menos vivo, e não precisa de um longo período de reconstrução das suas organizações e da sua independência política (como é o caso do Brasil, em que a grande maioria dos sindicatos e movimentos se submetem ao estado e não existe mais um partido de massas que fale em socialismo, porque o PT se vendeu completamente ao capitalismo).


As eleições - que governo virá agora?

Nessa situação, existe cada vez mais tensão na política. Nas eleições passadas, o KKE teve 8,8% dos votos, a Syriza teve 17%, e a Antarsya (Frente da Esquerda Anticapitalista Grega, que reúne grupos que reivindicam a revolução socialista), 1,5%. Ou seja, os partidos que lutaram contra os ataques aos trabalhadores tiveram mais ou menos 40% dos votos.

Ao mesmo tempo, os nazistas do Aurora Dourada tiveram 7%, o que mostra que os empresários querem e vão usar o recurso do fascismo contra as lutas. O objetivo é jogar nos imigrantes a culpa de todos os problemas do país, livrando a cara do capitalismo.

Como nenhum partido ou bloco teve maioria absoluta, foram convocadas novas eleições para 17 de junho. É provável que o grande vencedor vai ser a Syriza, que pode construir um governo.

Mas como esse governo vai ser?

Pelo programa da Syriza, podemos ter alguma ideia. Eles são contra as medidas de corte de orçamento e ataque ao direitos dos trabalhadores, mas são a favor do Euro e querem uma "Europa Social" (ou seja, eles acham que é possível reformar a União Europeia por dentro, mantendo as estruturas estatais controladas pelas classes dominantes de cada país). No fundo, o objetivo da Syriza é um governo socialdemocrata, que aumente os direitos dos trabalhadores, mas sem romper com o imperialismo e a sua expressão na União Europeia.

Isso não quer dizer que não existem setores na Syriza que realmente defendam romper com o Euro e a UE, como é o caso dos maoístas da KOE (Organização Comunista a da Grécia).

Pela própria lógica parlamentar, a Syriza e o KKE, junto com a Esquerda Democrática (a Antarsya provavelmente não vai conseguir eleger ninguém), vão precisar se aliar com partidos de fora do movimento dos trabalhadores, controlados pelos empresários. Essa é a única forma de ter uma maioria sólida na situação atual. Isso vai significar a formação de uma Frente Popular, ou seja, de um bloco entre partidos dos trabalhadores e partidos burgueses, com um programa que, por causa da aliança com a burguesia, só pode ser a favor do capitalismo.

Como o revolucionário Leon Trotsky explicou, "As 'Frentes Populares' de um lado e o fascismo de outro, são os últimos recursos políticos do imperialismo na luta contra a revolução proletária" (Programa de Transição). Num momento de crise, quando os trabalhadores podem romper com a burguesia e instituir um governo direto, a Frente Popular desgasta a luta, mudando o foco para os setores mais à direita da burguesia, mas mantendo o capitalismo.

Foi o que aconteceu durante a Guerra Civil Espanhola (1936-1939), durante a Libertação da França (1945), na independência da Índia (1947), no fim do apartheid na África do Sul (1992), no governo do Allende no Chile (1971-1973). Em todos esses casos, os trabalhadores não foram até o fim na luta contra seus inimigos, o que permitiu que a burguesia se reorganizasse e voltasse ao poder, às vezes através de golpes e massacres.

Infelizmente, essa é a perspectiva mais provável na Grécia.

Se a Syriza formar um governo de Frente Popular, a tarefa dos revolucionários gregos será dupla. Por um lado, eles precisam defender o governo contra as ameaças golpistas dos nazistas da Aurora Dourada e doos dirigentes da União Europeia, que farão de tudo para isolar o país e tentar queimá-lo, para que ele não vire um exemplo de luta para todos.

Por outro lado, os comunistas devem explicar pacientemente aos trabalhadores os limites da Frente Popular. E devem mobilizar as massas, unindo as suas lutas imediatas com reivindicações socialistas, que ajudem o povo a entender que só com um governo direto dos trabalhadores é possível solucionar os problemas sociais criados pelo capitalismo.

Na luta contra a Frente Popular, insistimos na orientação que formulamos nos nossos artigos anteriores:


- Contra todos os ataques aos direitos dos trabalhadores!

- Contra os cortes no orçamento dos serviços de saúde, educação, moradia etc!

- Expropriação das empresas falidas, sob controle dos trabalhadores!

- Transformar a Antarsya em um partido revolucionário centralizado com direito a tendências públicas permanentes!

- Por um governo direto dos trabalhadores, baseado nas assembleias de luta, formado por todos os partidos do movimento (KKE, Syriza, Antarsya etc), com um programa de ruptura com o capitalismo!

- Nada de saídas nacionalistas! Romper com a União Europeia para lutar pelos Estados Unidos Socialistas da Europa!
 

3 comentários:

  1. Mas frente ao problema concreto das eleições, é correto ou progressivo chamar o voto em Syriza?

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  2. Rubro Zorro,

    isso é uma questão de tática eleitoral. Então fica difícil avaliar de fora da situação concreta.

    Mas podemos apontar algumas coisas:

    1) tem candidaturas com um programa que levanta várias palavras de ordem transitórias, inclusive a ruptura socialista com a União Europeia - são os candidatos da Antarsya.

    2) existem algumas correntes com um programa semelhante dentro da Syriza, como nós falamos de passagem. Para elas, se trata de chamar o voto na Syriza e dar a luta interna pelas suas posições

    3) Algumas correntes, como a LIT, estão usando a palavra de ordem de governo KKE-Syriza como política de exigência e denúncia, para que o povo lute por um governo dos partidos dos trabalhadores.
    Essas correntes explicam que isso é a aplicação da tática trotskista conhecida como "governo operário e camponês", que é exigir que as direções reformistas rompam com a burguesia e tomem o poder. Essa tática foi usada pelos bolcheviques no governo Kerensky.
    Nós não conhecemos o suficiente a política da LIT sobre a crise grega, mas podemos dizer, sobre essa tática, que ela, para não criar ilusões reformistas, deve ser ligada à agitação sobre a necessidade de organismos de poder direto dos trabalhadores, que serão a base do governo.

    Nenhuma das três táticas que mostramos é errada por princípio. As três podem ser usadas, dependendo da situação concreta. Então, respondendo à sua pergunta, só seria correto chamar o voto na Syriza se fosse um voto crítico, combinado com a agitação de um programa transitório de ruptura com a União Europeia e o capitalismo.

    Como, do nosso ponto de vista, para resolver a questão da construção do partido revolucionário, é preciso reunir as correntes revolucionárias que estão principalmente na Antarsya. Por isso, nos parece que a melhor das três táticas (até o dia das eleições) seria a 1.

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