QUEM SOMOS NÓS

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Somos uma organização marxista revolucionária. Procuramos intervir nas lutas de classes com um programa anticapitalista, com o objetivo de criar o Partido Revolucionário dos Trabalhadores, a seção brasileira de uma nova Internacional Revolucionária. Só com um partido revolucionário, composto em sua maioria por mulheres e negros, é possível lutar pelo governo direto dos trabalhadores, como forma de abrir caminho até o socialismo.

domingo, 10 de junho de 2012

Marcha das Vadias em Porto Alegre

Reproduzimos aqui o balanço dos companheiros do CEDS sobre a Marcha das Vadias de Porto Alegre, dia 27/05. Nós participamos da Marcha aqui no Rio de Janeiro, mas infelizmente não conseguimos nos organizar para irmos com a FIST e com material próprio.

A Marcha das Vadias é um movimento importante de denúncia do machismo em geral, e principalmente da violência contra a mulher. Os revolucionários devem participar dela, porque a opressão da mulher é um dos pilares do capitalismo em todo o mundo.

Mas não podemos esquecer que a Marcha, como qualquer movimento espontâneo tem as suas limitações. O ponto de vista da maioria dos participantes da Marcha denuncia o machismo, mas não liga a questão da mulher com as suas bases na sociedade capitalista, que são a exploração do trabalho doméstico dentro da família tradicional e a localização das mulheres nos postos de trabalho pior pagos e mais precarizados.

Por isso, é preciso que os revolucionários dentro da Marcha e do movimento de mulheres combatam a concepção de que o problema é a contradição entre as mulheres (de todas as classes) e os homens (de todas as classes). Essa concepção é o que chamamos de feminismo pequeno-burguês, porque expressa o ponto de vista de setores de classe média dentro do movimento de mulheres.

Dentro do movimento de mulheres, apoiamos o feminismo socialista, que mostra que a opressão das mulheres está ligada à opressão de classe, e que as mulheres trabalhadoras, por viverem as duas formas de dominação, são as únicas que podem lutar até o final por uma sociedade onde não exista machismo. Para nós, essa sociedade só pode ser o socialismo.

Por isso, nós do Coletivo Lênin defendemos a luta pelas reivindicações das mulheres dentro do movimento dos trabalhadores (sindicatos, movimento sem-teto, sem-terra etc). E que as mulheres trabalhadoras participem dos movimentos de mulheres combinando as lutas imediatas com palavras de ordem transitórias, que não possam ser realizadas sem a destruição do capitalismo:

- Creches, Lavanderias e Restaurantes públicos e gratuitos sob controle da população!

- Todos os direitos trabalhistas e previdenciários para as donas de casa e empregadas domésticas!

- Contra a violência sexual! Que o movimento crie redes de solidariedade para proteger as mulheres que sofrem violência doméstica 

- Fim dos estereótipos machistas na educação e nos meios de comunicação!

- Fim da terceirização, que afeta principalmente as mulheres e negros!

- Política sexual proletária! Nenhuma intervenção do Estado nas relações sexuais consensuais! Pelos direitos das prostitutas! Nenhuma censura!

- Salário igual para trabalho igual!

- Legalização do aborto em hospitais públicos

- Libertação da mulher através da revolução socialista!




A MARCHA DAS VADIAS DE PORTO ALEGRE
FOI VITORIOSA



Domingo, dia 27 de maio, ocorreu a Marcha das Vadias, no Parque da Redenção, em Porto Alegre, lotado do povo que aproveitava uma tarde outonal prazeirosa e radiosa de sol.

O objetivo da Marcha das Vadias era dar uma resposta à permanente prática machista da violência contra as mulheres. O mote da manifestação estava centrado na contestação da declaração de um policial canadense, que disse que as mulheres atraem a violência masculina e os estupros, em virtude das roupas que usam e pelo comportamento de vadias. Manifestações semelhantes contra esta declaração que culpa as mulheres pela violência que sofrem, vem se dando em vários países, e em várias cidades brasileiras, todas elas chamadas de Marcha das Vadias.

Na convocação para a manifestação estava dito: "Se ser livre é ser vadia, somos todas vadias"!

A concentração iniciou às 13h em frente ao Monumento do Expedicionário, quando começaram a ser pintados os cartazes que seriam usados na marcha, as roupas e o corpo das participantes. A maior parte eram mulheres jovens, militantes ou não das correntes políticas que ali estavam. O fato é que grande parte dos presentes foram convocados pela Internet.

O número de manifestantes foi aumentando de tamanho a medida em que o tempo passava. Lá pelas 16h, quando já estavam presentes mais de mil pessoas, iniciou a caminhada ao longo da piscina central do Parque, em direção à UFRGS. Após, a vibrante manifestação percorreu a Osvaldo Aranha, retornando por fim à José Bonifácio, maior ainda de quando iniciou, onde encerrou-se de forma vitoriosa a Marcha das Vadias.
As palavras de ordem, a maioria delas centrada na luta contra a violência, no direito das mulheres usarem o seu corpo como quiserem, sem a interferência religiosa ou moral, e na defesa do aborto, foram gritadas com entusiasmo por todas as participantes, e por muitos homens que também se somaram à caminhada.

Durante a Marcha, uma boa parte das jovens, participou usando roupas íntimas, dezenas delas com os seios à mostra, sem que esta atitude radical e apropriada para assinalar com força o protesto, tenha sido responsável pelo menor incidente com o povo que assistia a marcha nas ruas. A manifestação conseguiu inspirar respeito e autoridade política na população, contagiando-a com as suas palavras de ordem. A Brigada Militar não estava lá, e foi melhor que não estivesse.

A ausência de um carro de som, acabou sendo providencial, porque impediu que qualquer um dos grupos políticos presentes tivesse hegemonizado as palavras de ordem que animaram a caminhada, provocando a divisão e a burocratização. A caminhada foi completamente livre.

Enfim, podemos dizer que o movimento de mulheres, retomado em Porto Alegre, com o ato público de 8 de março deste ano, deu um novo salto de qualidade com a Marcha das Vadias. Sem dúvida, o movimento de mulheres está de volta à Porto Alegre

Viva a luta das mulheres contra a violência machista!

Em 27/5/2012

Clovis Oliveira (CSP/CONLUTAS/RS e CEDS)

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