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Somos uma organização marxista revolucionária. Procuramos intervir nas lutas de classes com um programa anticapitalista, com o objetivo de criar o Partido Revolucionário dos Trabalhadores, a seção brasileira de uma nova Internacional Revolucionária. Só com um partido revolucionário, composto em sua maioria por mulheres e negros, é possível lutar pelo governo direto dos trabalhadores, como forma de abrir caminho até o socialismo.

terça-feira, 21 de abril de 2009

Cinco anos de governo do PT com a burguesia: é hora de romper com o petismo (dezembro/2007)

Chegando no mês de dezembro, podemos concluir que este foi mais um ano “morno” politicamente. Embora todas as ilusões de uma mudança real com a eleição de Lula tenham se acabado, a maioria dos trabalhadores ainda sustenta este governo. E o argumento para isso é que ele é “melhor que a direita”.

Isto não é mero senso comum. É parte da ideologia dominante no movimento dos trabalhadores no Brasil desde os anos 1980. Esta ideologia é o petismo.

Origens do PT das origens

O PT foi o resultado do ascenso das lutas no fim dos anos 1970. Até aí, toda a esquerda brasileira concorda. Mas isso é uma visão unilateral do PT, que leva a considerá-lo alguma coisa como a “expressão política da classe”.

Na verdade, o PT foi o resultado disso + o resultado da derrota do movimento pela ditadura militar. A derrota sem luta do PCB em 1964, e a destruição quase completa da esquerda que fez a guerrilha urbana e rural deixaram a classe sem referência nenhuma no marxismo (mesmo que em suas variantes mais distorcidas). Assim, o PT se forjou como um partido de classe, mas sem um projeto político dos trabalhadores. Apenas defendia vagamente um “socialismo” que não se identificava com a URSS nem com a social-democracia, ou seja, nada de concreto.

A maior parte do “PT das origens” eram sindicalistas de oposição e/ou militantes da Teologia da Libertação, que defendiam um tipo de “socialismo plural” baseado na política de Frente Popular da FSLN na Nicarágua. Além disso, os remanescentes da luta armada que entraram no PT já estavam completamente social-democratizados. O grande símbolo disso é Apolônio de Carvalho, ex-dirigente do PCBR, que fazia parte do grupo que pouco depois virou a Articulação.

Por outro lado, as correntes que se reivindicavam trotskistas nunca tiveram uma política conseqüente diante do PT. Naquele momento, a política correta seria fazer entrismo no PT para construir um partido revolucionário. Quase todas as correntes tiveram a política do “PT estratégico”, ou seja, considerar que o PT seria o partido para a revolução socialista.

Este foi o caso descarado da DS. Mas também o foi da CS e de O Trabalho que, cada uma a seu modo, consideravam que o PT era uma “etapa” necessária para construir o partido revolucionário. Não por acaso, foi a própria CS que defendeu pela primeira vez a formação do PT, em vez de lutar por um partido revolucionário. Depois de doze anos (o que não pode ser considerado entrismo, que é uma manobra de curta duração) e da formação da Frente Popular de 1989, saiu e continuou defendendo a mesma política de “frente única estratégica” com a esquerda do PT.

A Causa Operária, embora tivesse saído em 1989, não combateu consistemente a Frente Popular, chamando a votar nela neste ano e em 1994. Enquanto o PT foi indo mais à direita, por causa do retrocesso causado pela contra-revolução que destruiu a URSS, a sua base foi mudando. Em vez de trabalhadores classistas, um peso cada vez maior de burocratas sindicais e parlamentares. Hoje, o partido está completamente esvaziado. Mesmo assim, correntes como “O Trabalho” e Esquerda Marxista insistem em tentar ganhar a sua “base”.

Petismo é Governo Democrático e Popular....

O principal elemento do petismo é a idéia de avançar por dentro da institucionalidade, sob pressão dos movimentos sociais. Esta estratégia existiu desde o início do partido, e foi formulada completamente nas Teses do V Encontro, de 1987, e a resolução “O Socialismo Petista”, do mesmo ano.

A sua formulação mais famosa é como “governo democrático e popular”, ou seja, um governo “anti-monopolista, anti-imperialista e anti-latifundiário, como dizem as teses. Ou seja, um governo com a média burguesia urbana e agrária e a burguesia nacional. Um governo de colaboração de classes, a Frente Popular.

Todos os governos deste tipo atam os trabalhadores à burguesia, para não “perdê-la” como aliada. Por isso, levam os partidos que os defendem a freiarem as lutas, para não “assustar” demais o inimigo de classe. Por isso, os trotskistas só apoiamos os partidos operários se eles não estiverem em aliança com a burguesia. Esta tática, nas lutas e nas eleições, permite jogar para os partidos a contradição entre o seu discurso classista e seus programas reformistas.

No Brasil, toda a esquerda apoiou unanimemente a Frente Popular de 1989. E ainda diz que ela foi um exemplo. Na verdade, ela foi a versão mais “radical” da mesma frente que está no governo hoje. E, se fosse eleita, levaria à derrota os trabalhadores.

A história mostra vários exemplos semelhantes: Allende em 1973, a Espanha durante a Guerra Civil, o governo Mitterand em 1980 etc. Hoje, o petismo faz as correntes do PT e do PSOL embelezarem a Frente Popular venezuelana, dirigida pelo nacionalista burguês Hugo Chávez.

... E partido “amplo”

Outra “herança maldita” do petismo é a idéia de que o partido deve ser tão “amplo” que cada um faça o que quiser (e, geralmente, o que quer é eleger alguém!). Mais uma vez, isso surgiu de uma negação do centralismo, seja do burocrático dos partidos stalinistas, seja do democrático, defendido pelo trotskismo. Mais uma vez, a idéia de que o PT era algo completamente novo só serviu para “reprisar” a concepção social-democrata mais velha do mundo.

Muitas vezes, vimos o PT fazer exatamente o contrário da vontade da grande maioria do partido, como sair da Campanha contra a ALCA em 2002, defender que Itamar assumisse em 1992, ou intervir nos diretórios estaduais. Isto é apenas o reverso da medalha desta concepção. Quando todos podem fazer o que quiserem, quem tem a máquina na mão manda.

Depois de vinte anos, o PSOL tem exatamente o mesmo funcionamento. Os núcleos tocam as atividades locais, e a direção formula a política. Nisso, eles realmente são o “PT das origens”. E isto só pode levar o partido a se acabar no eleitoralismo mais michuruca, de que as eleições de 2006 já foram a prévia.

Outra conseqüência disso é o movimentismo, que destrói muitos militantes honestos e combativos. Ou seja, já que o partido é só um grupo de discussões, sem nenhuma estratégia em comum, é melhor intervir só no movimento, para ele avançar o máximo possível. Infelizmente, sem uma política revolucionária, os maiores avanços podem ser cooptados por uma estratégia de colaboração de classes. E este movimentismo afeta grande parte da base da CUT e, principalmente, do MST, assim como o MTL e uma porrada de grupos anarquistas.

Petistas fora do PT

Hoje em dia, o PT está desprestigiado por muita gente nos movimentos (embora ainda seja o partido majoritário da classe). Mas a política das correntes fora do PT tem sido o mesmo petismo de sempre, para construir “Um novo PT, uma nova CUT e uma nova Frente Popular”, como dizem os companheiros da LQB.

Na questão do partido, já vimos como o PSOL quer reeditar todos os erros do PT, mas sem o ascenso que lhe deu origem. Isto dá a este partido um caráter de classe média, muito aquém do próprio PT.

Para algumas correntes deste partido, como a CST e o SR, isso vem de uma análise ultra-esquerdista, que nega o retrocesso que foi o fim da URSS e vê o governo Lula como a “última medida” da burguesia para frear o ascenso, em vez de entendê-lo como fruto da adaptação total do PT à institucionalidade.

Além disso, o movimentismo do PSTU o leva a construir um novo aparato próprio, a CONLUTAS, que não é mais do que uma pseudo-central (na verdade, uma colateral do partido) com uma política reformista inclusive à direita da CUT de 1983, apoiando greves policiais, com setores ongueiros e corporativistas.

Alguns setores do MST também abriram mão da luta política e estão somente tocando o movimento, sem nenhuma perspectiva. Ou seja, deixaram a política nas mãos dos pelegos que dirigem o PT.

Em comum, todos estes setores têm a estratégia da Frente Popular. Ou seja, do governo democrático e popular por dentro das instituições. E, como é por dentro das instituições, com a burguesia. A Frente de Esquerda ainda não conseguiu o apoio de setores menores da burguesia, como o PDT, que é o objetivo da direção do PSOL (com exceção de seu Bloco Classista). Mas a sua política nacional-desenvolvimentista e recuada serve para “fazer a cama” para estes setores. Na verdade, o PSTU e o MST, assim como o PSOL, têm como perspectiva chegar ao socialismo através de uma frente popular semelhante à de 1989, e não através do governo direto das assembléias de trabalhadores.

Como disputar a base do PT?

Em tudo isso, não podemos perder de vista que a grande maioria da classe trabalhadora brasileira é petista. Mas isso não significa que devemos estar no PT para disputá-la. O entrismo nas organizações reformistas deve ser apenas uma tática para a construção do partido revolucionário. E durar apenas enquanto estas organizações estiverem num processo de esquerdização. No caso do PT, isso acabou no final dos anos 1980.

A participação dos lambertistas (OT) e grantistas (EM) no PT é apenas mais uma variante do entrismo sui generis pablista, que eles dizem tanto combater. Isto significa abrir mão de ter uma organização independente, e se propor a ser uma “ala esquerda” permanente do reformismo.

Para disputar a base petista, devemos estar onde ela está, e onde podemos manifestar livremente a nossa política. Ou seja, no movimento influenciado pelo PT, na CUT, na UNE, no MST, na CMP etc, combatendo as posições da Frente Popular. Só ali, podemos construir uma oposição classista ao governo Lula e ao petismo, e lutar pela construção do Partido Revolucionário dos Trabalhadores, a seção brasileira da Quarta Internacional reconstruída.

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