QUEM SOMOS NÓS

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Somos uma organização marxista revolucionária. Procuramos intervir nas lutas de classes com um programa anticapitalista, com o objetivo de criar o Partido Revolucionário dos Trabalhadores, a seção brasileira de uma nova Internacional Revolucionária. Só com um partido revolucionário, composto em sua maioria por mulheres e negros, é possível lutar pelo governo direto dos trabalhadores, como forma de abrir caminho até o socialismo.

domingo, 19 de abril de 2009

Quem é a classe trabalhadora?

Para que os revolucionários possam atuar, eles precisam saber onde atuam. A maioria das organizações de esquerda ainda identifica o proletariado com os operários industriais. Este "mito do homem de macacão" acaba gerando uma prática totalmente deslocada da realidade. Em vez de intervir nos setores mais explorados da classe, estas organizações acabam se adaptando aos setores mais bem-pagos da classe, a aristocracia operária branca. A partir desta prioridade, confundem disputar a classe com disputar sindicatos. Assim, ficam girando eternamente em torno da disputa de aparatos.

Por outro lado, movimentos como o MTL ou a FLP caem no outro extremo e tentam organizar o "povo" em geral, sem corte de classe. Assim, perdem de vista quais são os setores estratégicos para atuar.

O que Marx disse ?

Para Marx, a relação fundamental do capitalismo é a exploração do trabalhador assalariado na produção. Nesta relação surge a mais-valia, que é a diferença entre o valor produzido pelo trabalhador e o valor que ele recebe para se sustentar (o seu salário). A mais-valia só existe porque as forças produtivas permitem que um trabalhador produza mais que o necessário para viver. Esse "excesso"de mercadorias produzidas é a base dos lucros do patrão.

Além dos trabalhadores que produzem mercadorias, os envolvidos na "infra-estrutura", como transportes, produção de energia, comunicações etc, também produzem mais-valia. Isso porque as estruturas em que eles trabalham são essenciais para a produção. Já os trabalhadores envolvidos no comércio, sistema financeiro, saúde, e serviços públicos não produzem mais-valia. Além disso, os desempregados formam grande parte da classe. Só acabando com a concorrência entre os trabalhadores produtivos, improdutivos e desempregados, podemos unir a classe. Isso significa organizar todos estes setores, priorizando o trabalho entre os produtivos.

Por outro lado, setores não-assalariados, como os camponeses (pequenos proprietários) e camelôs não fazem parte do proletariado, mas têm demandas próprias que os revolucionários devem apoiar. O que não é o caso de alguns funcionários do Estado, como a polícia e os juízes, que têm como única função social sacanear e reprimir os trabalhadores. Devemos lutar contra eles, sem nenhuma "solidariedade de classe" imaginária.

Sindicato = Classe trabalhadora?

Depois da Queda do Muro de Berlim, a burguesia pôde acabar com grande parte dos direitos trabalhistas. Assim, grande parte dos trabalhadores são terceirizados hoje em dia, sem nenhuma estabilidade no emprego. Em alguns casos, é possível incorporar esses trabalhadores nos sindicatos. Mas, na maioria das vezes é preciso organizá-los de outras formas. No Brasil, por exemplo, somente 20% dos trabalhadores são sindicalizados. Não podemos fechar os olhos para os 80% mais explorados da classe!

Geralmente, os movimentos populares organizados territorialmente alcançam esses setores. Estes movimentos, se forem dirigidos pelos revolucionários, podem também incorporar as lutas trabalhistas das regiões onde atuam.

Logicamente, as coisas funcionam assim numa etapa reacionária como a que vivemos, depois da contra-revolução que destruiu a URSS. Em situações pré-revolucionárias, os trabalhadores voltam à ofensiva. Os movimentos organizados territorialmente podem, então, se voltar para os locais de trabalho e organizar comitês de fábrica e, já em situações revolucionárias, os sovietes.

Isso não significa abandonar os sindicatos, e sim, ver que eles têm um papel subordinado na luta de classes.

A classe é formada principalmente por mulheres e negros

Essa é outra realidade que a esquerda centrista e reformista se recusa a ver. A organização desses setores mais explorados só pode ser feita agitando sem parar as lutas específicas contra o machismo, o racismo e a homofobia. Se não fizermos isso, acabaremos reproduzindo o movimento sindical: uma maioria esmagadora de homens brancos heterossexuais.

Para essa luta, e para desenvolver a teoria marxista com o objetivo de analisar a sociedade em que vivemos, é necessário um instrumento. Esse instrumento deve ser um Partido Revolucionário de Trabalhadores que, por se apoiar nos setores mais explorados da classe, deve ser composto em sua maioria por negros e mulheres.

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