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Somos uma organização marxista revolucionária. Procuramos intervir nas lutas de classes com um programa anticapitalista, com o objetivo de criar o Partido Revolucionário dos Trabalhadores, a seção brasileira de uma nova Internacional Revolucionária. Só com um partido revolucionário, composto em sua maioria por mulheres e negros, é possível lutar pelo governo direto dos trabalhadores, como forma de abrir caminho até o socialismo.

domingo, 19 de abril de 2009

PSOL: partido pós-soviético

Atualmente, a grande mania da esquerda mundial são os “partidos anticapitalistas”. Um dos precursores disso foi o PSOL basileiro, formado em 2004 por setores do PT descontentes com o rumo neoliberal do governo Lula.

Mas, tão logo o PSOL foi formado, incluindo uma série de correntes que se reivindicam trotskistas, como o SR (seção brasileira da Conferência Por uma Internacional Operária, dirigida por Peter Taafe), Práxis (ligada aos ex-morenistas do MAS argentino), CST (morenistas da UIT, dirigida pelo MST argentino), SOL (racha do também morenista PSTU), a sua fórmula passou a influenciar toda a esquerda mundial.

Na Europa, a maioria da mandelista LCR francesa está propondo a dissolução de sua corrente em um partido que engloe todo o “movimento antiglobalização”. Como parte deste esforço, os militantes da corrente “Riposte” (seguidores de Toni Cliff, ligados ao SWP britânico), defenderam o voto em José Bové , da protecionista Via Campesina.

Na Inglaterra, o Socialist Party (CIO) está fazendo uma campanha por “um novo partido de massas dos trabalhadores”. Na Argentina, a maioria da UIT defende transformar a Esquerda Unida, coalizão com partidos reformistas e partidos burgueses marginais, em um partido da “Nova Esquerda”. Até mesmo a L5I (antigo Workers’ Power), que antigamente se reivindicava uma corrente trotskista ortodoxa, se propõe a construir uma “fração revolucionária” no PSOL.

Esta idéia de “partidos anticapitalistas” amplos não é nova. Parece que o primeiro a formular esta tese foi SU, em seu congresso de 1995. Todas estas correntes têm um argumento em comum: partindo do grande retrocesso político que foi o fim da URSS, eles dizem que precisamos “unir a esquerda”, incluindo reformistas e revolucionários, num partido para resistir durante esta etapa defensiva. Os mais à esquerda, como a CIO, falam que, dessa forma, os revolucionários podem ganhar influência sobre esta vanguarda ampla, preparando-se para romper, quando a situação se tornar ofensiva de novo.

(Na verdade, a dinâmica é exatamente ao contrário: a permanência do retrocesso ideológico do período pós-soviético, que origina este tipo de partido – que já surge sem se propor a tomar o poder – leva o conjunto de suas correntes cada vez mais à direita. Foi o caso do SSP (Partido Socialista Escocês); nos Brasil, foi o que aconteceu com o MES, que começou no Bloco de Esquerda, e terminou fazendo apologia do chavismo)

À primeira vista, isso é muito mais coerente do que os discursos ufanistas de setores como o PSTU brasileiro, que “vêem” revoluções em todos os processos do mundo. Por isso, a maior (e melhor) parte da vanguarda tende a se aproximar de partidos como o PSOL. Por isso, é importante compreender o PSOL, para que possamos disputar a sua base.

Em primeiro lugar, o PSOL e todos os “psóis” que estão sendo planejados são partidos pequeno-burgueses. A causa disso é a própria defensiva da situação mundial, que não tem permitido (com poucas exceções) que a classe trabalhadora possa se mobilizar politicamente com independência política. Não por acaso, a “fonte” de onde vem a vanguarda para estes partidos é o movimento antiglobalização. E as suas pautas reformistas (controle do capital especulativo, democratização do poder, soberania nacional etc) formam grande parte dos seus programas.

Diante do fato destes partidos expressarem, em alguns casos, como no Brasil, uma ruptura à esquerda de um setor de massas, muitas correntes que se reivindicam trotskistas entraram neles. Mas, pelo menos no caso do Brasil, nenhuma teve uma política de entrismo conseqüente.

A grande maioria, como a CST e o SOL, defendem que o PSOL é estratégico (ou negam isso, mas na prática atuam com o objetivo de ser uma “ala esquerda” dele). Nisso, repetem a triste tradição da esquerda petista, que não é mais que uma política pablista de “entrismo sui generis”. Por outro lado, a única corrente que tentou realmente fazer entrismo (o SR) foi vítima de seu próprio centrismo: ao ganhar parte da base da CST, não conseguiu mais sair do partido por causa de sua própria política de “disputá-lo por dentro”, com que se apresentava.

Na situação de retrocesso das lutas em que vivemos, qualquer tipo de entrismo em partidos anticapitalistas “amplos” só pode ser muito rápido, porque não existe base material para sustentar uma radicalização à esquerda da sua base (Trotsky, por exemplo, só defendeu o entrismo nos partidos socialistas devido à situação pré-revolucionária que estava se desenvolvendo). Além disso, significa lutar contra todo o sentimento antipartido e do atraso ideológico provocado pelo fim da URSS (negação da necessidade da ditadura do proletariado, crença na institucionalidade etc) dentro do próprio partido.

Diante disso, simplesmente ficar agitando caracterizações para a base destes partidos (chamá-los de contra-revolucionários, eleitoreiros etc) é simplesmente abrir mão de tentar ganhá-la politicamente. É necessária uma aproximação, através de uma série de frentes unidas nos movimentos, para que possamos abrir polêmica com as concepções reformistas, e fazer propaganda das nossas posições revolucionárias. Só assim poderemos “explicar pacientemente” às suas bases a necessidade do partido revolucionário.

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