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Somos uma organização marxista revolucionária. Procuramos intervir nas lutas de classes com um programa anticapitalista, com o objetivo de criar o Partido Revolucionário dos Trabalhadores, a seção brasileira de uma nova Internacional Revolucionária. Só com um partido revolucionário, composto em sua maioria por mulheres e negros, é possível lutar pelo governo direto dos trabalhadores, como forma de abrir caminho até o socialismo.

terça-feira, 21 de abril de 2009

MUITO ALÉM DA CONLUTAS (novembro/2007)

Nós do Coletivo Comunista Internacionalista (C.C.I) temos propagandeado perante todo o movimento a necessidade de se construir uma Oposição classista ao governo Lula como única forma capaz de barrar os avanços da direita e começar a impulsionar uma nova ofensiva da classe trabalhadora.. No nosso entendimento, essa oposição classista deveria atuar em todas as centrais, entidades e movimentos populares, ou seja, em todo e qualquer lugar onde houver trabalhadores e juventude discutindo política e organizando algum tipo de luta.

Essa tarefa não é fácil. Como em todos momentos históricos que a Frente Popular esteve no poder, pairam algumas confusões sobre as massas e a vanguarda. Nesses momentos, surgem algumas tendências ao oportunismo, ao ultraesquerdismo ou a uma combinação desses dois desvios.

No caso particular do Brasil, existe um ultraesquerdismo que se materializa em táticas ultimatistas, na recusa de intervir em algumas entidades da classe trabalhadora, e no ataque e tentativa de destruição dessas entidades. Por outro lado, essas mesmas táticas ultraesquerdistas, em tentativas desesperadas de fugir do isolamento que elas mesmas provocam, têm se combinado com o oportunismo de se fazer alianças e chapas eleitorais com as direções governistas das entidades de classe que os próprios ultraesquerdistas atacam.

Em nosso projeto de construir uma oposição classista em todas as centrais, temos nos enfrentado particularmente com o PSTU, que se recusa a intervir nas entidades de classe dirigidas por partidos que estão dentro do governo de Frente Popular. O PSTU rompeu com a CUT e com a UNE para tentar construir a Conlutas.

Em meados da década de 90, essa mesma política foi aplicada pelo M.E.P.R (Movimento Estudantil Popular Revolucionário). Esse movimento se recusou a intervir na UNE usando os mesmos argumentos que hoje são usados pelo PSTU. Fez uma enorme lista das traições da direção da UNE, passou a dizer que a entidade não servia mais para nada e, então se retirou dela. Hoje, o PSTU aplica essa mesma política, porém com um elemento adicional: Faz um discurso no qual confunde a entidade UNE com uma corrente política. Assim, por exemplo, quando se refere a alguma vitória ou derrota de alguma chapa ligada à U.J.S (direção da UNE ligada ao PCdoB), diz simplesmente derrota ou vitória da UNE. Assim, ignora que dentro da entidade existe um intenso debate político e uma vanguarda combativa e socialista cuja melhor expressão é a Frente de Oposição de Esquerda. Isso gera confusão na vanguarda que está surgindo no movimento. Confundir a vanguarda insinuando que intervir em uma entidade significa concordar com a política de sua direção é um retrocesso de séculos a uma polêmica que o movimento operário há muito já superou.

No movimento sindical e popular acontece algo parecido. O centro da política do PSTU tem sido agitar a ruptura com a Central Única dos Trabalhadores. A CUT é uma organização de trabalhadores dentro da qual transitam vários movimentos e sindicatos. A Corrente Sindical Classista (ligada ao PCdoB), que hoje ameaça romper com a CUT, levaria consigo aproximadamente 400 sindicatos. Apenas isso é maior que a Conlutas e a Intersindical juntas. Entretanto, ainda assim, caso se confirme a ruptura do PCdoB, permanecerão na CUT aproximadamente 2.500 sindicatos que têm 25 milhões de trabalhadores na base. Não obstante o fato de se separar de todos esses trabalhadores ser um tremendo ultra-esquerdismo, devemos atentar para os dois principais argumentos utilizados pelo PSTU na defesa da ruptura com a Central. Primeiro: que a CUT estaria burocratizada e que, devido aos mecanismos de sua direção, não mais reflete a realidade da classe trabalhadora. O segundo argumento seria a imensa lista de traições e pelegações da direção majoritária da CUT, a Articulação.

Analisemos esses argumentos um a um.

A Articulação consolidou um trabalho de base de mais de 20 anos através do qual conseguiu se inserir em praticamente todos os setores da classe trabalhadora rural e urbana. Além disso, conseguiu organizar setores até então desprezados pelo movimento urbano como Mulheres da C&A: uma das categorias urbanas mais precarizadas ao lado das empregadas domésticas, sem teto, desempregados, etc. Apesar de sua política pelega, de fato a Articulação dirige a classe trabalhadora. Um projeto para disputar a direção com ela deve se dar através de um trabalho de base de longo prazo e não através da construção repentina de um novo aparato superestrutural. Como direção da classe trabalhadora, é natural que a Articulação hoje tenha melhores condições do que todos nós de dirigir a CUT. É o reflexo do que acontece na própria classe. Por outro lado, o PSTU representa 80% da Conlutas. É, sem dúvida, direção dessa entidade. Com uma diferença: se compararmos o peso do PSTU na Conlutas com seu peso real na classe trabalhadora, veremos que há uma disparidade absurda. O PSTU não dirige nem 2% da classe trabalhadora, porém tem 80% de peso na Conlutas. Por outro lado, a Articulação que, de fato, dirige a classe trabalhadora brasileira, tem na CUT um peso menor que o do PSTU na Conlutas. Daí fica a pergunta: Qual dessas entidades reflete a classe trabalhadora e qual está mais distante da sua realidade?

Com relação ao segundo argumento, a lista de traições da Articulação, já dizemos e repetimos que estar em uma entidade não significa concordar com a política de sua direção. E, se esse argumento fosse válido, poderíamos aplicá-lo também à Conlutas, que tem uma direção (PSTU) com uma imensa lista de capitulações que ultrapassam a fronteira de classes:

No sindicato dos eletricitários do Rio de Janeiro, a chapa da Conlutas, dirigida pelo PSTU era composta por setores burgueses (PDT e PSB) e também por setores governistas (PCdoB). Não demos apoio a essa chapa, pois não era uma chapa classista. Entretanto, ainda assim, intervimos ns fóruns da Conlutas denunciando, pois estar em uma entidade não significa concordar com a política de sua direção.

No sindicato dos metalúrgicos de Volta Redonda, o PSTU formou uma chapa com o PCdoB governista dando a cabeça de chapa (presidência) ao nome indicado pelo PCdoB. Disseram que faziam isso em nome da construção da Conlutas. Essa chapa ganhou as eleições e hoje o presidente do sindicato faz um papel de fura-greve. Temos contatos em Volta Redonda e não demos apoio a essa chapa, pois era chapa fura greve. Entretanto, isso não nos impede de estar na Conlutas denunciando, pois não somos sectários e entendemos que estar em uma entidade não significa concordar com a política de sua direção.

Na Conlutas, o PSTU, como direção, aplica sua política de considerar policias como trabalhadores e, por isso, apóia todas as suas reivindicações corporativas por melhores salários e condições de “trabalho”. Denunciamos isso veementemente, pois polícia não é trabalhador. É uma coorporação inimiga da classe. Nossa política deve ser provocar rachas na base proletária do exército (recrutas que fazem o serviço militar obrigatório) e não na polícia que é composta por pessoas que OPTARAM por uma profissão de extermínio e perseguição da classe trabalhadora. Achamos esses apoios coorporativos uma traição da Conlutas. Entretanto, isso não nos impede de intervir nela denunciando, pois estar em uma entidade não significa concordar com a política de sua direção.

Queremos mostrar com essa lista de capitulações que, se fosse válido o argumento de que não devemos intervir na CUT porque sua direção aplica uma política pelega, também deveríamos aplicá-lo à Conlutas, pois não podemos nesse caso ter dois pesos e duas medidas.

Por fim, devemos concluir que essa política sectária (se recusar a intervir nas entidades da classe trabalhadora) combinada com a política oportunista (fazer alianças políticas com as direções dessas entidades em chapas sindicais) tem uma resultante de direita: Hoje, o discurso de parte considerável da direção do PSTU é vazio de conteúdo político. Se resume a atacar a CUT, a UNE a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação e muitos outros organismos da classe.

A quem serve o ataque às organizações sindicais da classe trabalhadora?

Nossa política, ao contrário, é a do ataque ao governo.

Por isso, chamamos à construção de uma oposição classista. Essa oposição classista, para disputar a direção da classe trabalhadora, deve se enraizar nos setores mais oprimidos e explorados. Deve também dar um duro combate ao ultraesquerdismo e intervir em todas as centrais, movimentos, confederações, coordenações, entidades, etc. Deve também combater o oportunismo e recusar toda e qualquer aliança que ultrapasse a fronteira da classe, como alianças com o PSB e a polícia.

É uma seqüência de tarefas duras. Nelas há avanços e retrocessos. Entretanto, não pode ser diferente disso. Procurar atalhos e fazer o discurso fácil significa mentir para a classe.

Repudiar o método de enganar a classe e de confundir a vanguarda deve ser primeiro passo a uma disputa conseqüente pela direção da classe trabalhadora rumo à construção de um governo direto dos trabalhadores e a serviço do socialismo.

Essa é a política do C.C.I

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